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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

O PRINCIPAL ERRO DO TOFFOLI FOI ASSUMIR UM CARGO DO QUAL NUNCA ESTEVE À ALTURA. O RESTO É EFEITO.

O
ministro do STF Dias Toffoli está todo encalacrado no caso das fraudes do Banco Master. Merece.

Quando eu lutava contra a extradição do escritor Cesare Battisti, vagou uma cadeira no Supremo e ele, apesar de não preencher nem de longe os requisitos para o cargo, acabou sendo o indicado pelo Lula.

Sua escolha foi defendida principalmente pelo Zé Dirceu, de quem havia sido advogado. E aqueles caciques petistas (não eram todos) que faziam questão da libertação do Battisti contavam com o voto dele neste sentido.

De repente o ministro do STF Gilmar Mendes, que era um ídolo para toda a imprensa reacionária, fez declarações contundentes contra o Toffoli, argumentando que não possuía méritos acadêmicos suficientes para integrar o STF.

Houve até jornalão que publicou editorial nessa linha. Mas aí o Mendes fez uma longa reunião com o Toffoli e saiu se desdizendo. Afirmou que ele era perfeitamente apto para o cargo.

Nós, do comitê de solidariedade ao Battisti, percebemos depressa que havia algo de podre no reino da Dinamarca.
Isto logo se confirmou: o Toffoli se considerou impedido para julgar o Cesare, embora haja depois atuado em vários casos nos quais existiam razões bem maiores para ele ficar de fora.

Pior ainda ele se mostrou pessoalmente. 

Na véspera de um dos julgamentos do Battisti o Carlos Lungarzo (em nome da Anistia Internacional), o então senador Eduardo Suplicy e eu (um dos dois maiores defensores da memória da luta armada nas redes sociais, ao lado do Ivan Seixas), fomos levar um memorial em defesa do Cesare.

Conseguimos entregá-lo a quase todos os ministros durante a pausa para o cafezinho. E fomos recebidos com respeito, inclusive pelos que tinham tinha posição contrária, como o Lewandowski.

O Toffoli foi exceção. Parecia um homem proeminente sendo incomodado por pedintes. Só faltou jogar imediatamente o memorial no lixo.  

No entanto, o prestígio de nós três fora conquistado com muita luta durante décadas, enquanto o Toffoli nada tinha feito de relevante antes de ser beneficiado por uma indicação política. 

Tomara que caia, pra arejar o lodaçal!

De resto, bolsonaristas e outros direitistas estão movendo céus e terras para envolver o ministro Alexandre de Moraes no escândalo. 

A contribuição dele para livrar o país de sua maior aberração política em todos os tempos jamais pode sucumbir a uma insignificância  como o contrato firmado pela esposa com o Banco Master e a acusações não provadas. 

Se isso virasse o novo normal, as dependências dos Poderes ficariam vazias.

E mesmo que dolo houvesse, quem tranca o Bolsonaro tem cem séculos de perdão... (por Celso Lungaretti) 
"Lá vai ela toda prosa, vestida de verde e rosa/ Parece até a 
Mangueira em dia de carnaval/ Vai de mini, minissaia, blusa
tomara que caia/ Tomara mesmo que caia, pra alegrar o visual"

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

DRAUZIO VARELLA DUVIDA QUE O TRUMP FOSSE MACHO DE IR PARA CASA, SEM MÉDICO PERTO, PARA SE TRATAR COM CLOROQUINA

COM MÉDICOS E HELICÓPTERO DE PLANTÃO, É FÁCIL TRUMP POSAR DE JOHN WAYNE
Donald Trump saiu do hospital com ares de John Wayne no saloon lotado de bandoleiros perversos. 

Todavia, em contraposição ao caubói das telas, que enfrentava os inimigos com a cara, a coragem e a rapidez no gatilho, Trump correu para a suíte presidencial de um dos melhores centros médicos de seu país, assim que surgiram os sintomas da Covid.

Na manhã do dia da alta, vangloriou-se:
"Eu sairei do grande Walter Reed Medical Center hoje às 18h30. Eu me sinto realmente bem. Não tenha medo da Covid. Não deixe que ela domine sua vida. Nós desenvolvemos, sob a administração Trump, algumas drogas realmente grandes e conhecimento. Eu me sinto bem melhor do que 20 anos atrás".
A julgar pela forma física atualmente exibida por ele, só consigo enxergar duas hipóteses:
  1. estava sob o efeito eufórico da dexametasona, corticoide que pode causar excitação, confusão mental, insônia, alterações de humor e distúrbios cognitivos;
  2. Vinte anos atrás, aos 54 anos, sua condição física era deplorável.
Na 6ª feira, dia 2 de outubro, apesar de a Casa Branca afirmar que o presidente apresentava apenas sintomas leves da doença, ele foi de helicóptero para o hospital. Fosse para internar todos os pacientes com sintomas leves, num país que já conta com pelo menos 7,5 milhões de infectados, seria preciso recrutar os leitos de todos os hospitais do Ocidente e, ainda, pedir alguns milhares para a China.

No domingo, Trump chocou as pessoas de bom senso ao sair do Walter Reed para cumprimentar admiradores reunidos nas proximidades, pondo em risco os agentes do serviço secreto no interior do carro que o conduziu.

Na 2ª feira (5), ao receber a alta-relâmpago, qual foi sua primeira providência ao entrar na Casa Branca? Retirar a máscara, é claro. Nada a estranhar num homem que infectou a mulher, diversos auxiliares, gente de seu círculo de amizades e sabe lá quantos mais.

Somente nas 48 horas que antecederam o diagnóstico, período em que o risco de transmissão é alto, debateu com o candidato adversário, Joe Biden, viajou para um rali com milhares de participantes no estado de Minnesota, encontrou com apoiadores e doadores num clube de golfe de Nova Jersey e manteve contato com dezenas de auxiliares na Casa Branca. 

Você, prezado leitor, usou máscara nessas ocasiões? Nem ele.

Os médicos, no entanto, não se iludiram com o otimismo dos porta-vozes oficiais: prescreveram dexametasona, remdesivir e anticorpos monoclonais, medicamentos administrados apenas nos casos com risco de morte –a um custo de mais de US$ 100 mil, pagos pelos contribuintes.

A dexametasona reduz a mortalidade dos pacientes já hospitalizados. Nos estudos clínicos, o antiviral remdesivir administrado por via intravenosa não conseguiu diminuir o número de mortes, mas foi aprovado por reduzir o número de dias de internação nas UTIs. Dirigidos especificamente contra as proteínas da superfície do coronavírus, os anticorpos monoclonais estão em fase de avaliação experimental, portanto inacessíveis à plebe.

Profissionais que administrassem tratamentos agressivos e caros como esses para um paciente apenas com sintomas leves poderiam ser processados por malpractice, segundo as leis americanas.

Ao ser tratado num centro hospitalar modelo e contar com dezenas de médicos à disposição, um presidente que diz
não tenha medo da Covid, não deixe que ela domine sua vida tripudia sobre os milhões de estadunidenses negros e latinos sem acesso sequer aos testes para diagnóstico da doença, nas salas de emergência superlotadas dos poucos hospitais que atendem àqueles sem plano de saúde.

No país que pratica a medicina mais cara do mundo não existe sistema público de saúde. Na epidemia, a mortalidade entre os negros é o dobro daquela entre os brancos.

Estudo recente da Universidade Cornell mostrou que Trump é o principal divulgador de notícias falsas sobre a Covid-19, as quais partindo de um presidente podem ter consequências desastrosas. Não é por acaso que os Estados Unidos são campeões mundiais em número de mortos por Covid.

Para quem recebeu os melhores tratamentos existentes, e voltou para a Casa Branca com médicos de plantão dia e noite e helicóptero à porta, é fácil posar de John Wayne.

Quero ver se seria macho de ir para casa, sem médico perto, para se tratar com cloroquina. (por Drauzio Varella)

quinta-feira, 24 de março de 2016

DEIXA DE CONVERSA MOLE, LUZIA. DEIXA!

Grande Itamar Assumpção! Quantas saudades do Arrigo Barnabé, do Premeditando o Breque, do Grupo Rumo, do hilário Língua de Trapo! 

Foram os últimos e tardios frutos da ousadia tropicalista, cujo impacto artístico fora tão forte que demorou a extinguir-se de vez, os iniciadores iam partindo pra outras mas novos talentos despontavam e vinham empunhar a tocha! 

Casos, entre outros, dos fundamentais Walter Franco e Jards Macalé; depois, dessa incrível vanguarda do entardecer que despontou no Lira Paulistana, mixando retalhos de Frank Zappa, Moreira da Silva, SCI-FI, black music, HQ, trash e sei lá mais o quê...
Com o noticiário de ontem e hoje transbordando de conversa mole, lero-lero, bravatas, despautérios, asneiras e non-sense, de repente me surpreendi cantando "Luzia", que estava esquecida num escaninho qualquer da minha memória e aflorou porque tinha de aflorar.

Afinal, "Luzia" é mesmo a trilha sonora que encaixa como uma luva no momento atual. Até por rimar com agonia.

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