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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

INÓCUO SOB O CAPITALISMO, O COMBATE À CORRUPÇÃO É UMA BANDEIRA QUE SEMPRE ALAVANCA O POPULISMO DE DIREITA.

Combater a corrupção no capitalismo = enxugar gelo
O
circo do combate à corrupção  reergueu suas tendas para o espetáculo caso Master, ora em cartaz

Desde já se sabe que os palhaços da política profissional não passarão maus momentos. Os histriões dos principais partidos já teriam até acertado uma trégua entre eles, para evitar que as denúncias mútuas façam mais cabeças rolarem). 

No final, apesar de estar esperneando um bocado, o principal me(r)dalhão punido deverá ser Dias Toffoli, um mero e medíocre lambari, que não deveria nem ter recebido de presente uma cadeira no Supremo Tribunal Federal,

Daí eu estar republicando trechos de um artigo de 2009, quando uma disputa por mercado recebeu inclusive o apoio de partidos de esquerda -- uma vergonha! 

Tenho orgulho da minha atuação na série de escândalos que conseguiram aviltar ainda mais a política brasileira; alertei sempre que eles beneficiariam principalmente a direita. Não fui ouvido, mas meu papel eu cumpri. A omissão e oportunismo de outros companheiros prevaleceu e nosso povo sofreu as consequências. 

O vilão supremo Jair Bolsonaro, inclusive, não chegaria onde chegou se a Operação Lava-Jato não tivesse predisposto eleitores a fazerem a escolha mais funesta de suas vidas. Tento evitar que o desatino se repita.
O powerpoint do Dallagnol, um descalabro da Lava-Jato.
Q
uando, na década retrasada, contingentes da nossa esquerda tomaram partido por uma facção de gangsteres do capitalismo, de preferência à outra que com ela travava uma disputa mafiosa pelo florescente mercado de telecomunicações, fui um dos poucos articulistas a alertar que tal imbróglio não nos dizia respeito e nele não havia ninguém com quem devêssemos nos alinhar. 

De inocente útil chegava o delegado Protógenes Queiroz, o personagem mais badalado da Operação Satiagralha, que tirou as batatas do fogo enquanto um ex-superior hierárquico dele, alinhado com uma das quadrilhas litigantes, evitava queimar os dedos. Detonou sua carreira policial, mas ganhou inesperado prêmio de consolação: uma cadeira na Câmara Federal... pela legenda do PCdoB! 

A tal populismo rasteiro se reduzia um partido que ousou pegar em armas contra a ditadura militar. E não estava sozinho: o Psol também estendeu o tapete vermelho para o ingênuo delegado Brancaleone, que, contudo, o rejeitou.

Foi quando recoloquei em circulação uma conclusão definitiva do Paulo Francis sobre o udenismo e o golpismo de meados do século 20: O combate à corrupção é uma bandeira da direita (mais tarde, cunhei eu também um bordão nessa linha, a corrupção é intrínseca ao capitalismo).

Eis minha argumentação de abril/de 2009): 
Diagnóstico correto. E cuidado, essa doença mata!
...
as intermináveis denúncias de corrupção acabam minando as esperanças do cidadão comum na transformação da realidade por meio da ação política. Se tudo não passa de um lodaçal, as pessoas de bem devem mesmo é cuidar de sua vida...

De quebra, fornecem pretextos para quarteladas, sempre que os meios de controle democráticos das massas não estão funcionando a contento.

Paulo Francis dizia e eu assino embaixo: denúncias de corrupção política são bandeira da direita, que acaba sendo sempre sua beneficiária final, a despeito dos ganhos momentâneos que proporcionem à esquerda.

Esta deveria, isto sim, demonstrar que o capitalismo em si causa prejuízos imensamente maiores para o cidadão comum do que os desvios de recursos dos cofres públicos; e que a moralização da política não se dará com medidas policiais, mas sim com uma transformação maior da sociedade.

Não o faz. Desatinadamente, algumas de suas tendências reforçaram as denúncias que culminaram no suicídio de Getúlio Vargas em 1954 e as que deram pretexto à dita redentora de 1964 (que, claro, nada mudaram exceto melhorar a sorte dos beneficiários do butim ou ávidos de poder).

Então, digo e repito: em vez de pegar carona nos temas que a imprensa burguesa prefere magnificar, cabe à esquerda definir sua própria pauta e explicá-la aos cidadãos.
Em sua agonia, o capitalismo cada vez mais recorre à força.

A corrupção política não é nossa prioridade, mas sim o combate ao capitalismo, verdadeira raiz dos principais males que infelicitam os brasileiros.

Precisamos ter a coragem de assumir a posição correta diante do povo, ao invés de tentar combater o inimigo num jogo de cartas marcadas, travado no terreno que só a ele convém.

E por que a corrupção não pode ser erradicada sob o capitalismo? Porque este coloca como prioridade máxima da existência humana o enriquecimento individual, a vitória na luta de todos contra todos por um lugar ao sol, ainda que pisando no pescoço da mãe para alcançar tal intento, como diria o Brizola.

Se esta é a lógica do sistema, sempre haverá quem busque atalhos para alcançar o objetivo à margem das regras que o próprio sistema estabelece mas manda às favas quando lhe convém. 

A alternância de cruzadas moralizadoras com períodos em que a corrupção corre solta dá a tônica do capitalismo. 

Revolucionários não deveriam jamais vergar-se aos estados de ânimo popular produzidos pela lavagem cerebral permanente do sistema, mas sim esclarecer corajosamente a seus públicos que todas as Lava-Jatos da vida cumprem a mesmíssima função de enxugar gelo.

E, enquanto a ilusão não se desfizer, acarretará golpes de estado, impeachments, vitórias eleitorais de demagogos grotescos e outros desdobramentos nefandos. (por Celso Lungaretti)

quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

JOSÉ GENOÍNO E OUTROS FIGURÕES DO PT TEMEM QUE O PGR INDICADO POR LULA RESSUSCITE A OPERAÇÃO LAVA JATO

Na semana que vem, o polêmico indicado por Lula para novo procurador geral da República, Paulo Gonet, deverá ser submetido à sabatina no Senado. 

Há nas fileiras do PT um temor generalizado de que se trate de um cavalo de Troia que poderá escancarar as portas do partido para a invasão dos inimigos. 

A extrema-direita exulta, como a deputada bolsonarista Bia Kicis bem expressou:
"Paulo Gonet é conservador raiz, cristão, sua atuação no STF nos processos da Lava Jato foi impecável".
É exatamente aí que mora o perigo, segundo o competente colega Marcelo Godoy, do Estadão, ouviu da boca de José Genoíno, um dos dirigentes históricos do PT:
"A Lava Jato não foi um desvio do Moro, mas uma concepção que fazia da Justiça um instrumento político. Quando se pega um procurador-geral com uma concepção lavajatista, a qualquer momento, dependendo das circunstâncias, pode surgir o fantasma da Lava Jato. Em que momento pode aparecer, não sei, mas que é um problema, é".
Ou seja, as muitas ressalvas internas ao nome de Gonet advêm de seu perfil ser exatamente o oposto daquele que se esperaria de uma escolha do autocrata do PT

Das duas, uma: ou Lula é o gênio que sempre acreditou ser ou não passa de um jenio que novamente vai botar os pés pelas mãos. Seu decepcionante desempenho no primeiro ano do Lula.3 nos faz prever (e temer) a segunda hipótese.

Eu, que sempre considerei o combate à corrupção uma bandeira da direita, cansei de advertir que o flerte com tal punitivismo demagógico, tão estridente quanto inócuo enquanto estivermos sob o jugo do capitalismo, seria desastroso para a esquerda. 

Este artigo dá uma boa ideia das minhas insistentes tentativas de conjurar tal perigo, desde a Operação Satiagraha, uma antecessora da Lava Jato. 

Fui ignorado e o PT pavimentou o caminho para sua derrocada na década passada e consequente volta triunfal da extrema-direita.

Sou teimoso e lancei, contra o atual tiro no pé do Lula, um dos meus artigos mais contundente de 2023: este. Constato agora que até o Genoíno compartilha minha avaliação (quem diria...).

Alguém precisa avisar o
 jenio que ele está flertando com impeachment e até com uma nova temporada em cana

Para piorar, o Lula não leva jeito nenhum de que conseguiria dar nova volta por cima. O tempo passou na janela, só Lulalina não viu... (por Celso Lungaretti)

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

OS VERDADEIROS LEGADOS DA LAVA JATO SÃO UM PAÍS EM FRANGALHOS E UM GOVERNO DE ABERRAÇÕES

Os perspicazes cansaram de cantar a bola de que, alcançado o objetivo de recolocar a direita-ela-mesma no poder, em substituição a serviçais ditos de esquerda que nem sequer para gerenciar o capitalismo se mostraram competentes, a Operação Lava Jato seria esvaziada.

Como os leitores podem constatar no artigo do Celso Rocha de Barros aqui postado, é o que sucede neste momento.

Donde se conclui que, pela segunda vez seguida, uma eleição presidencial brasileira foi marcada por um grotesco estelionato eleitoral: 
— Dilma Rousseff prometeu que não deixaria serem implantadas as reformas neoliberais exigidas pelo grande capital e a primeira coisa que fez, após a posse, foi nomear o neoliberal Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda, concedendo-lhe carta branca para implantar as reformas neoliberais;
— Jair Bolsonaro prometeu dar força total ao combate à corrupção (com a qual, no mínimo, compactuara durante toda sua trajetória política), mas é conivente com a desmoralização de Sergio Moro e o esvaziamento da Lava Jato, embora os continue apoiando para efeito externo.

No segundo caso, permito-me considerar apenas para efeito retórico a pergunta do Rocha de Barros:
"Vou morrer sem entender por que, em algum momento, o Brasil achou que Jair Bolsonaro estava preocupado em combater a corrupção".
É óbvio que o meu xará entendeu, sim, o porquê. A corrupção chegou ao Brasil a bordo das caravelas portuguesas, já dura mais de meio milênio e, nas últimas sete décadas, tem sido amplamente utilizada pela direita para derrubar governos que não são do seu agrado. Incrivelmente, nosso povo sempre tem engolido o isca, o anzol e até mesmo a linhada...

Nem Getúlio Vargas, com todo o seu carisma populista, conseguiu evitar que as denúncias udenistas do mar de lama o tragassem. O máximo que pôde fazer foi, por meio do suicídio e da sua famosa carta, evitar que os conspiradores colhessem o prêmio de sua infâmia.

A vassourinha do Jânio Quadros não varreu a bandalheira, desviando-se para alvos mais fáceis como o monoquíni e as brigas de galo.

Os golpistas de 1964 tinham como grande trunfo propagandístico, além do anticomunismo, a ameaça de adotarem linha dura contra os corruptos (daí aquela quartelada ter sido apelidada, durante algum tempo, de Redentora...). Os otários de classe média que se deixaram iludir, foram doar ouro para o bem do Brasil..
Igualzinho ao Bolsonaro, o caçador de marajás Fernando Collor estava cercado de marajás por todos os lados e com eles convivia em perfeita comunhão de interesses, mas esta ficha só caiu para o povo depois que havia jogado seu voto no lixo

Caberia eu encerrar o post vituperando o povo brasileiro por cair várias vezes no mesmo conto do vigário. Mas, dou um desconto por se tratar, na maioria, de gente simples, que acredita piamente nas manipulações da indústria cultural (e, agora, na propaganda enganosa com que a direita infesta o WhatsApp).

Mas, é indesculpável que ditos progressistas vira e mexe derrapem também, embora devessem estar carecas de saber que o combate à corrupção é uma bandeira da direita, conforme Paulo Francis cansava de repetir, alfinetando contingentes de esquerda que, contrários a Vargas, botaram azeitonas na empada udenista de 1954.

Eu bati muito na mesma tecla em 2008, quando parte considerável da esquerda tomou partido numa disputa de gangstêres do capitalismo por um florescente segmento do mercado de telecomunicações, favorecendo uma quadrilha em detrimento da outra apenas porque um banqueiro menor estava sendo preso e depois libertado pelo Gilmar Mendes. Mas, como nos westerns italianos, não havia herói nenhum naquele imbroglio todo, só bandidos dos dois lados.

Precisaríamos ter coragem de mostrar ao povo que o combate à corrupção sob o capitalismo não passa de um interminável enxugar gelo. Depois da temporada de espetaculosa caça às bruxa, pouco a pouco os sabás vão voltando na surdina.

Num sistema que coloca o enriquecimento pessoal como prioridade máxima da existência humana, sempre haverá quem tenha esperteza e coragem suficientes para tentar alcançar tal objetivo à margem da lei.

E, por piores que sejam os castigos para os infratores, isto jamais vai dissuadir todos os indivíduos, pois muitos deles acreditarão ser capazes de cometer o crime perfeito e escapar impunes.

Então, nisto discordo do Rocha de Barros e de todos que querem preservar algum legado da Lava Jato. 

Os verdadeiros legados são um país em frangalhos e o abominável governo que está aí, e este só merece ser preservado na memória circense, categoria espetáculos de aberrações. (por Celso Lungaretti)

quarta-feira, 12 de junho de 2019

...E PENSAR QUE A ESQUERDA AJUDOU A CHOCAR O OVO DA SERPENTE!!!

igor gielow
CASO MORO EXPLICITA MUDANÇA IDEOLÓGICA NO PARTIDO DA JUSTIÇA
Acompanhar a ruína intelectual da vida pública brasileira é um processo que exige um tanto de fígado e grande abertura mental, tamanhas as trocas de papel dos atores dessa tragicomédia aparentemente sem fim.

Tome o exemplo da crise envolvendo o ministro Sergio Moro, que na condição de juiz trocou mensagens acerca da operação que o consagrou, a Lava Jato, com o procurador Deltan Dallagnol. 

Cada um vê o que quiser nas conversas divulgadas até a confecção destas linhas, e o fato de as visões antagônicas serem inconciliáveis sob a lente da racionalidade é apenas um traço da escuridão em que nos metemos.

Como falamos de uma obra aberta, a julgar pela promessa de novas revelações, passemos para o pano de fundo do embate ora em curso, que nada mais é do que um novo capítulo da disputa entre voluntaristas e legalistas do sistema jurídico-policial brasileiro.

Pinço aqui uma frase escrita durante uma fase que eu já considerava avançada do embate, publicada numa coluna em 24 de dezembro de 2009. Quase cinco anos antes de a Lava Jato obliterar o sistema político do país.
"Tudo começou com a ascensão do promotor & procurador, que depois de 1988 viu-se investido de poderes para desvendar a roubalheira nacional. Isso produziu boas notícias, mas criou uma casta de monstros da virtude —devidamente estimulada por um jornalismo com o qual convive em mutualismo. 
Policiais entraram na equação e, por fim, juízes se uniram ao projeto. Não por acaso, esse povo todo se filia à esquerda e acredita na via gramsciana de mudança da sociedade pela imposição de valores."
O primeiro parágrafo poderia resumir muito do que aconteceu de 2014 para cá, mas o segundo trai o nó tático que jornalistas tomamos da nossa realidade bizarra (noves fora a citação a Gramsci, que no contexto demente de hoje me garantiria a acusação de ser olavista, cáspite!).

Naquele momento, escrevia sob o impacto do questionamento da depois enterrada Operação Satiagraha, expressão máxima até então do voluntarismo em nome da dita boa causa. Ali seria seguro ver, no chamado partido da Justiça, todos os signos de uma agremiação de esquerda.
Quem diria que, dez anos depois, o conglomerado deveras empoderado pela Lava Jato seja uma sigla de direita, alvo de ataques enfurecidos da esquerda que um dia militou em seu favor?! 

Alguém se lembra do procurador Luiz Francisco? Do delegado Protógenes? Hoje é a vez dos Moros e Dallagnols.

Uma teoria possível para essa transmutação é que o universo jurídico-policial acompanhou o movimento da sociedade —que elegeu quatro vezes nomes de centro-esquerda para desembocar num de direita, não sem antes passar pelas contrações agudas de 2013 e 2016.

Do lado da corruptores e corrompidos, ao menos a coisa é mais clara: a bandalheira nunca respeitou firulas ideológicas, infectando todo o espectro político, dadas as condições básicas de acesso ao poder de um grupo ou de outro.

Seja lá como for, as narrativas já estão todas amarradas dos dois lados. Os palcos dos próximos embates são o Congresso e o plenário do Supremo —aqui, a coisa já está bem mais delineada pelas manifestações previsíveis.

O pior é que, todos estando errados, todos estão certos. Moro pode até sobreviver ao processo, obviamente a depender do que mais emergir contra ele, mas tudo indica que daqui a dez anos este 2019 será visto mais um ponto de inflexão nessa história. (por Igor Gielow)
.
Por Celso Lungaretti
Toque do editor: Gielow tem razão em recriminar a incoerência com a qual a esquerda embarcou na cruzada moralista de 2008, a Operação Satiagraha, que plantou a semente da Operação Lava Jato e, portanto, do tenentismo togado que tanto tangeria o Brasil para o autoritarismo, a ponto de hoje termos um discípulo do torturador serial Brilhante Ustra como presidente da República.

Só quero deixar registrado que foi mais uma advertência que lancei (e bem antes dele!), quando o ovo da serpente ainda estava sendo chocado. Uma das muitas e muitas que não foram levadas a sério pela companheirada, com consequências as mais funestas! 

Já em julho de 2008, num blog anterior (vide aqui), eu manifestava meu inconformismo com a "parte da esquerda brasileira [que] embarcou levianamente nessa canoa furada, conformando-se com o papel de peão no tabuleiro do sistema" e que, "ao tomar partido nessa guerra de lama, enlameia-se aos olhos do cidadão comum, deixando de personificar a esperança num Brasil bem diferente".

Foram mais de 20 os artigos que escrevi então sobre a Operação Satiagraha, sob o tiroteio dos esquerdistas desnorteados que estavam heroicizando aquela escalada de voluntarismo autoritário. 

No balanço que fiz do fracasso da empreitada (vide aqui), cuja leitura considero instrutiva até hoje, eis uma conclusão que eu tirei sobre a insensatez de passarem por cima de tantos princípios apenas por causa do personagem que estava na berlinda, um banqueiro de menor expressão:
Pasmem: Protógenes Queiroz se elegeria deputado pela esquerda!
"A bandeira de combate à corrupção não passa de moralismo pequeno-burguês. Quem a empunhou por longo tempo foram os golpistas da UDN, principais inspiradores da quartelada de 1964. 
Revolucionários se colocam contra a essência do capitalismo, não contra seus excessos. Não diferenciam Daniel Dantas de nenhum outro banqueiro, pois o capital financeiro, em si, é o crime e o inimigo. 
Portanto, não veem Dantas como alvo preferencial, o que equivalia a desviar a atenção para um peixe pequeno enquanto os grandes bancos auferiam lucros estratosféricos na bonança (e agora surfam na recessão!)".

segunda-feira, 10 de junho de 2019

A LAVA JATO ESTÁ NUA

Para quem consegue discernir o que se passa nos bastidores dos Poderes, nunca houve a mais remota dúvida da existência de um rolo compressor político-policial-judicial predeterminando o resultado do impeachment da Dilma e dos processos contra Lula.

O que nada tem a ver com culpa ou inocência dos acusados, mas sim com a dificuldade de produzir tais resultados com a premência imposta pelo timing político. Então, como era necessário condenar, mesmo inexistindo provas suficientes para embasarem a condenação não se prolongaram as investigações, mas simplesmente se fez de conta que os elementos reunidos bastavam. 

E para maquilar bem o gato que se queria fazer passar por lebre, era necessária uma boa coordenação de movimentos entre os executantes da operação, como esses dois interceptados cujas relações perigosas foram escancaradas pela The Intercept Brasil

A casa desabou em cima de Sérgio Moro e Deltan Dallagnol, que ainda podem salvar-se de punições legais, mas tiveram usa credibilidade definitivamente reduzida a pó (por mais que o Jornal Nacional tente salvá-los do merecido ostracismo levantando-lhes a bola...). 

São zumbis que ainda permanecem se arrastando por aí e emitindo sons que parecem palavras mas, verdadeiramente, não fazem mais sentido nenhum.

Tamanho foi o estrago produzido pela Lava Jato, culminando na eleição do pior presidente da República da história brasileira, que não tenho prazer nenhum em ver confirmado o que venho afirmando desde a Operação Satiagraha

Em 2008, quando oportunistas de esquerda tomaram partido no que não passava de uma feroz disputa de gângsteres do capitalismo por um segmento florescente de mercado, eu já fui contra a corrente, ao sustentar que: 
 — a luta contra a corrupção é uma bandeira de direita e inevitavelmente alavanca o autoritarismo; 
 ademais é inócua, pois, passada a fase das perseguições espetaculosas, a corrupção acaba sempre reentronizada (tanto que muitos punidos do passado acabam sendo flagrados também na cruzada moralista seguinte);
 tal inocuidade advém de a corrupção ser intrínseca ao capitalismo e, portanto, ter sua erradicação condicionada ao fim da organização econômica e social baseada na exploração do homem pelo homem (que é tabu no Brasil, como se a História houvesse petrificado após o fim do feudalismo!).

A Lava Jato está nua e marcha para o fim. Mas, como os brasileiros têm memória curta e este é o país do eterno retorno, outras Lava Jatos virão. Quase septuagenário, provavelmente não assistirei à nova reprise desse filme tedioso; contudo, quem viver, verá.

Tomara que Lula finalmente seja mandado para casa. 

Tomara que os brasileiros finalmente se deem conta de que o tempo dele passou e é hora de apostarem em lideranças mais combativas, capazes de extraírem as conclusões devidas da crise capitalista que se aprofunda cada vez mais. 

A fase da conciliação de classes, que teve Lula como seu principal expoente, acabou e já foi tarde; os oráculos de que agora necessitamos não serão encontrados no passado.

Os construtores do futuro tentaram abrir um caminho no presente em 2013, mas foram bloqueados  (intimidados, massacrados) pelos dispositivos policiais e jurídicos da direita, com a cumplicidade da esquerda domesticada.

Iniciaram nova tentativa no último dia 15 de maio e votarão às ruas nesta 6ª feira, com ânimo redobrado, agora que uma das pilastras do governo ultradireitista acaba de ruir fragorosamente.

Se ainda houver alguma esperança para o povo brasileiro, são esses jovens que a encarnam. (por Celso Lungaretti)

quarta-feira, 20 de março de 2019

ENTRE AS CARTAS MARCADAS DE UM ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO E OS HORRORES DE UM ESTADO POLICIAL DE DIREITA

O braço de ferro entre o Supremo Tribunal Federal e o triângulo das Bermudas (hordas bolsonaristas, tenentes togados e o charlatão do anticomunismo profissional com seus miquinhos amestrados) vai decidir se continuaremos sob uma democracia de fachada, na qual o poder econômico reina soberano, ou  marcharemos para algo ainda pior, a imposição a ferro e fogo de um retrocesso histórico inaudito.
Como a atual ofensiva dos aloprados ultradireitistas tem como pretexto o combate à corrupção, vale a pena lançarmos um olhar para o passado, tentando entender como passamos tanto tempo alimentando o monstro que agora tenta nos destruir.

Quando, na década passada, contingentes da nossa esquerda tomaram partido por uma facção de ganguesteres do capitalismo, de preferência à outra que com ela travava uma disputa mafiosa pelo florescente mercado de telecomunicações, fui um dos poucos articulistas a alertar que tal imbróglio não nos dizia respeito e nele não havia ninguém com quem devêssemos nos alinhar.. 
Protógenes: fox terrier em meio a uma briga de cachorro grande

De inocente útil bastava o delegado Protógenes Queiroz, que tirou as batatas do fogo enquanto um ex-superior dele, alinhado com uma das quadrilhas litigantes, evitava queimar as mãos. Detonou sua carreira policial, mas ganhou inesperado prêmio de consolação: uma cadeira na Câmara Federal... pela legenda do PCdoB! 

A tal populismo rasteiro se prestava um partido que ousou pegar em armas contra a ditadura militar! E não estava sozinho: o Psol também estendeu o tapete vermelho para o ingênuo delegado Brancaleone, sendo preterido daquela vez.

Foi quando recoloquei em circulação uma conclusão definitiva do Paulo Francis sobre o udenismo e o golpismo de meados do século 20: "O combate à corrupção é uma bandeira da direita" (mais tarde, cunhei eu também um bordão nessa linha, "a corrupção é intrínseca ao capitalismo").


Eis minha argumentação de quase 10 anos atrás (abril/2009): 
Às cruzadas moralizadoras seguem-se deslanches da corrupção
"...as intermináveis denúncias de corrupção acabam minando as esperanças do cidadão comum na transformação da realidade por meio da ação política. Se tudo não passa de um lodaçal, as pessoas de bem devem mesmo é cuidar de sua vida...

De quebra, fornecem pretextos para quarteladas, sempre que os meios de controle democráticos das massas não estão funcionando a contento.

Então, Paulo Francis dizia e eu assino embaixo: denúncias de corrupção política são bandeira da direita, que acaba sendo sempre sua beneficiária final, a despeito dos ganhos momentâneos que proporcionem à esquerda.

Esta deveria, isto sim, demonstrar que o capitalismo em si causa prejuízos imensamente maiores para o cidadão comum do que os desvios de recursos dos cofres públicos; e que a moralização da política não se dará com medidas policiais, mas sim com uma transformação maior da sociedade.
"verdadeira raiz dos principais males que infelicitam os brasileiros"

...em vez de pegar carona nos temas que a imprensa burguesa prefere magnificar, cabe à esquerda definir sua própria pauta e explicá-la aos cidadãos.

A corrupção política não é nossa prioridade, mas sim o combate ao capitalismo, verdadeira raiz dos principais males que infelicitam os brasileiros.

Precisamos ter a coragem de assumir a posição correta diante do povo, ao invés de tentar combater o inimigo num jogo de cartas marcadas, travado no terreno que só a ele convém".
.
E por que a corrupção não pode ser erradicada sob o capitalismo? Porque este coloca como prioridade máxima da existência humana o enriquecimento individual, a vitória na luta de todos contra todos por um lugar ao sol, ainda que pisando no pescoço da mãe para alcançar tal intento, como diria o Brizola.

Se esta é a lógica do sistema, sempre haverá quem busque atalhos para alcançar o objetivo à margem das regras que o próprio sistema estabelece mas manda às favas quando bem lhe convém.
A corrupção era uma constante na demagogia udenista

Então, a alternância de cruzadas moralizadoras com períodos em que a corrupção deslancha dá a tônica do capitalismo. 

Revolucionários não deveriam jamais vergar-se aos estados de ânimo popular produzidos pela lavagem cerebral permanente do sistema, mas sim esclarecer corajosamente seus públicos de que todas as Lava-Jatos de todos os tempos cumprem a mesmíssima função de enxugar gelo e, enquanto a ilusão não se desfaz, alavancar golpes de estado, impeachments, vitórias eleitorais de demagogos grotescos e outros desdobramentos nefandos.

Foi o filme a que assistimos no Brasil ultimamente. E que devemos ajudar a tirar de cartaz antes que produza mais aberrações.

É fundamental, portanto, darmos total apoio ao Supremo Tribunal Federal neste instante, mesmo que lhe guardemos ressentimento por decisões anteriores.

Dentre os que somam forças contra o STF, os mais desesperados são, neste momento, os tenentes togados. 
Iminência da perda de poder explica o passo em falso que deram

Eles alçaram-se a alturas insuspeitadas durante a caça às bruxas (quer dizer, a caça aos corruptos) e tudo fazem para não voltar à estatura anterior, agora que sua utilidade caducou. Daí suas canhestras tentativas passadas, em parceria com Rodrigo Janot e Joesley Batista, de derrubar Michel Temer, bem como o esforço atual para solapar a autoridade do Supremo.

Perderão, claro, pois lhes falta o essencial para se perpetuarem em posição dominante: uma base econômica. 

Não são uma classe, nem um setor da economia ou parte dele, apenas indivíduos cujo poder advém dos cargos transitórios que ocupam. Ainda que conseguissem dispor, para seu projeto de poder, dos US$ 2,5 bilhões da Petrobrás que tentaram garfar, ganhariam algum fôlego mas acabariam fracassando adiante.

Só que, com sua ambição desmedida, podem produzir muito estrago antes da derrocada definitiva. Todo cuidado é pouco, pois, talvez até sem que o percebam, o ponto de chegada dos seus esforços é... o estado policial que seus excessos já deixaram antever (e não necessariamente sob o controle deles)! 
Governo-barafunda não durará nem mais seis meses
Quanto aos bolsonaristas de raiz e aos olavetes, já devem ter percebido que seus desvarios boçais e ignaros serão limitados pelo poder econômico (ao qual não convém que o Brasil se torne um país-espantalho, pois isto prejudica os negócios, sobretudo com o exterior) e pela quase nenhuma disposição, por parte dos  militares, de embarcarem numa roubada igual à de 1964. 

Então, essa gente destrambelhada e descerebrada só conseguirá atingir seus intentos se engendrar tamanho caos que as Forças Armadas sintam-se obrigadas a intervir.

Caso a esquerda consiga manter muita calma nesta hora, evitando cair em provocações, tudo indica que finalmente o Olavo de Carvalho verá uma de suas bombásticas previsões tornar-se realidade: a de que o governo atual não durará nem mais seis meses.

Pois está derretendo a olhos vistos!

terça-feira, 19 de março de 2019

INÓCUO SOB O CAPITALISMO, O COMBATE À CORRUPÇÃO É UMA BANDEIRA QUE SEMPRE ALAVANCA O POPULISMO DE DIREITA

Quando, na década passada, contingentes da nossa esquerda tomaram partido por uma facção de ganguesteres do capitalismo, de preferência à outra que com ela travava uma disputa mafiosa pelo florescente mercado de telecomunicações, fui um dos poucos articulistas a alertar que tal imbróglio não nos dizia respeito e nele não havia ninguém com quem devêssemos nos alinhar.. 

De inocente útil chegava o delegado Protógenes Queiroz, que tirou as batatas do fogo enquanto um ex-superior dele, alinhado com uma das quadrilhas litigantes, evitava queimar as mãos. Detonou sua carreira policial, mas ganhou inesperado prêmio de consolação: uma cadeira na Câmara Federal... pela legenda do PCdoB! 

A tal populismo rasteiro se reduzia um partido que ousou pegar em armas contra a ditadura militar. E não estava sozinho: o Psol também estendeu o tapete vermelho para o ingênuo delegado Brancaleone, sendo preterido daquela vez.

Foi quando recoloquei em circulação uma conclusão definitiva do Paulo Francis sobre o udenismo e o golpismo de meados do século 20: "O combate à corrupção é uma bandeira da direita" (mais tarde, cunhei eu também um bordão nessa linha, "a corrupção é intrínseca ao capitalismo").


Eis minha argumentação de quase 10 anos atrás (abril/2009): 
Protógenes: fox terrier no meio de uma briga de cachorro grande
.
"...as intermináveis denúncias de corrupção acabam minando as esperanças do cidadão comum na transformação da realidade por meio da ação política. Se tudo não passa de um lodaçal, as pessoas de bem devem mesmo é cuidar de sua vida...

De quebra, fornecem pretextos para quarteladas, sempre que os meios de controle democráticos das massas não estão funcionando a contento.

Então, Paulo Francis dizia e eu assino embaixo: denúncias de corrupção política são bandeira da direita, que acaba sendo sempre sua beneficiária final, a despeito dos ganhos momentâneos que proporcionem à esquerda.

Esta deveria, isto sim, demonstrar que o capitalismo em si causa prejuízos imensamente maiores para o cidadão comum do que os desvios de recursos dos cofres públicos; e que a moralização da política não se dará com medidas policiais, mas sim com uma transformação maior da sociedade.

Não o faz. Desatinadamente, algumas de suas tendências reforçaram as denúncias que culminaram no suicídio de Getúlio Vargas em 1954 e as que deram pretexto à dita redentora de 1964 (que, claro, nada mudou exceto a relação dos beneficiários do butim).
1954, 1964, 2016/18... o que somos, desmemoriados ou idiotas?
Agora, o PSOL chega a acompanhar o apocalíptico delegado Protógenes Queiroz em sua tentativa de implodir o sistema, provocando uma crise que não deixaria pedra sobre pedra no Executivo, Legislativo e Judiciário.

Ingenuamente, parece crer que se beneficiará com o descrédito absoluto das instituições, sem perceber que isto criaria, isto sim, cenários favoráveis ao golpismo de extrema-direita.

Então, digo e repito: em vez de pegar carona nos temas que a imprensa burguesa prefere magnificar, cabe à esquerda definir sua própria pauta e explicá-la aos cidadãos.

A corrupção política não é nossa prioridade, mas sim o combate ao capitalismo, verdadeira raiz dos principais males que infelicitam os brasileiros.

Precisamos ter a coragem de assumir a posição correta diante do povo, ao invés de tentar combater o inimigo num jogo de cartas marcadas, travado no terreno que só a ele convém".
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E por que a corrupção não pode ser erradicada sob o capitalismo? Porque este coloca como prioridade máxima da existência humana o enriquecimento individual, a vitória na luta de todos contra todos por um lugar ao sol, ainda que pisando no pescoço da mãe para alcançar tal intento, como diria o Brizola.

Se esta é a lógica do sistema, sempre haverá quem busque atalhos para alcançar o objetivo à margem das regras que o próprio sistema estabelece mas manda às favas quando lhe convém. 
A repulsiva prática da agiotagem era condenada. Bons tempos!

[Vale lembrar, p. ex., que a Inglaterra já chegou a estimular a pirataria contra a Espanha e que a repulsiva prática da agiotagem era condenada pela Igreja Católica na Idade Média, mas hoje são os agiotas modernos, vulgo banqueiros, que mandam e desmandam no capitalismo, com a conivência eclesiástica, a ponto de o Perdoai as nossas dívidas assim como perdoamos os nossos devedores do Pai Nosso haver sido alterado para Perdoai as nossas ofensas assim como perdoamos a quem nos tenha ofendido...]

Então, a alternância de cruzadas moralizadoras com períodos em que a corrupção corre solta dá a tônica do capitalismo. Revolucionários não deveriam jamais vergar-se aos estados de ânimo popular produzidos pela lavagem cerebral permanente do sistema, mas sim esclarecer corajosamente seus públicos que todas as Lava-Jatos cumprem a mesmíssima função de enxugar gelo e, enquanto a ilusão não se desfaz, alavancar golpes de estado, impeachments, vitórias eleitorais de demagogos grotescos e outros desdobramentos nefandos.

Foi o filme a que assistimos no Brasil ultimamente. E que devemos ajudar a tirar de cartaz antes que produza mais aberrações.

É fundamental, p. ex., darmos total apoio ao Supremo Tribunal Federal (mesmo que lhe guardemos ressentimento por decisões anteriores) na luta contra os procuradores da Lava-Jato e os aloprados fascistoides do bolsonarismo.
Prazo de validade vencido explica passo em falso
Os primeiros, apropriadamente apelidados de tenentes togados, alçaram-se a alturas insuspeitadas durante a caça às bruxas (quer dizer, a caça aos corruptos) e tudo fazem para não voltar à estatura anterior, agora que sua utilidade caducou. Daí suas canhestras tentativas passadas, em parceria com Rodrigo Janot e Joesley Batista, de derrubar Michel Temer e o esforço atual para solapar a autoridade do Supremo.

Perderão, claro, pois lhes falta o essencial para se perpetuarem em posição dominante: uma base econômica. 

Não são uma classe, nem um setor da economia ou parte dele, apenas pessoas cujo poder advém dos cargos transitórios que ocupam. Ainda que conseguissem dispor, para seu projeto de poder, dos US$ 2,5 bilhões da Petrobrás que tentaram garfar, ganhariam algum fôlego mas acabariam fracassando do mesmo jeito no fim da linha.

Só que, com sua ambição desmedida, podem produzir muito estrago antes da derrocada definitiva. Todo cuidado é pouco, pois, talvez até sem que o percebam, o ponto de chegada dos seus esforços é... um estado policial (não necessariamente sob o controle deles)! 

Quanto aos bolsonaristas de raiz e aos olavetes, já devem ter percebido que seus desvarios boçais e ignaros serão limitados pelo poder econômico (ao qual não convém que o Brasil se torne um país-espantalho, pois isto prejudica os negócios, sobretudo com o exterior) e pela quase nenhuma disposição por parte dos militares, de embarcarem numa roubada igual à de 1964.
Governo-barafunda não durará nem mais seis meses

Então, essa gente só poderá prevalecer se conseguir criar tamanho caos que as Forças Armadas sintam-se obrigadas a intervir .

Se a esquerda mantiver muita calma nesta hora, evitando cair nas provocações desses desvairados, tudo indica que finalmente o Olavo de Carvalho verá uma de suas bombásticas previsões tornar-se realidade: a de que o governo atual não durará nem mais seis meses.

Pois está derretendo a olhos vistos!
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