terça-feira, 30 de novembro de 2010

O QUE A GRANDE IMPRENSA NÃO DIZ SOBRE A CRISE DO RJ

No blogue de Luiz Eduardo Soares -- mestre em antropologia, doutor em ciência política, ex-secretário nacional de Segurança Pública (2003) e ex-coordenador de Segurança, Justiça e Cidadania do RJ (1999/2000) -- encontrei a avaliação mais lúcida e consistente de todas que li sobre os últimos acontecimentos na dita  cidade maravilhosa, bem como da forma como estão sendo geralmente abordados pela grande imprensa, em sua faina incessante para fascistizar a sociedade, tangendo-a ao estado policial.

Obrigatório, o artigo de Soares -- A crise no Rio e o pastiche midiático -- é, contudo, desnecessariamente extenso e muitas vezes repetitivo (velho vício acadêmico!).

Tomei a liberdade de copidescá-lo, mantendo sempre as palavras do autor, mas eliminando os trechos supérfluos, inclusive no meio dos parágrafos reproduzidos:
"Não posso mais compactuar com o ciclo sempre repetido na mídia: atenção à segurança nas crises agudas e nenhum investimento reflexivo e informativo realmente denso e consistente, na entressafra, isto é, nos intervalos entre as crises.

Nada que se possa fazer já, imediatamente, resolverá a insegurança. Se desejamos, de fato, resolver algum problema grave, não é possível continuar a tratar o paciente apenas quando ele já está na UTI.

O que as polícias fluminenses deveriam fazer para vencer, definitivamente, o tráfico de drogas?

Em primeiro lugar, deveriam parar de traficar e de associar-se aos traficantes, nos 'arregos' celebrados por suas bandas podres, à luz do dia, diante de todos. Deveriam parar de negociar armas com traficantes, o que as bandas podres fazem, sistematicamente. Deveriam também parar de reproduzir o pior do tráfico, dominando, sob a forma de máfias ou milícias, territórios e populações pela força das armas, visando rendimentos criminosos obtidos por meios cruéis.

A polaridade (polícias versus tráfico) esconde o verdadeiro problema: não existe a polaridade. Construí-la – isto é, separar bandido e polícia - teria de ser a meta mais importante e urgente de qualquer política de segurança digna desse nome. Não há nenhuma modalidade importante de ação criminal no Rio de que segmentos policiais corruptos estejam ausentes.

Sei que há dezenas de milhares de policiais honrados e honestos, que arriscam suas vidas por salários indignos. Considero-os as primeiras vítimas da degradação institucional em curso, porque os envergonha e acua o convívio inevitável com milhares de colegas corrompidos, envolvidos na criminalidade, sócios ou mesmo empreendedores do crime.

Não nos iludamos: o tráfico, no modelo que se firmou no Rio, é uma realidade em franco declínio e tende a se eclipsar, derrotado por sua irracionalidade econômica e sua incompatibilidade com as dinâmicas políticas e sociais predominantes, em nosso horizonte histórico.

O modelo do tráfico armado, sustentado em domínio territorial, é atrasado, pesado, anti-econômico: custa muito caro manter um exército, recrutar neófitos, armá-los (nada disso é necessário às milícias, posto que seus membros são policiais), mantê-los unidos e disciplinados, enfrentando revezes de todo tipo e ataques por todos os lados, vendo-se forçados a dividir ganhos com a banda podre da polícia (que atua nas milícias) e, eventualmente, com os líderes e aliados da facção.

Não só o velho modelo é caro, como pode ser substituído com vantagens por outro muito mais rentável e menos arriscado, adotado nos países democráticos mais avançados: a venda por delivery ou em dinâmica varejista nômade, clandestina, discreta, desarmada e pacífica.

Traficantes se rebelam e a cidade vai à lona. Encena-se um drama sangrento, mas ultrapassado. O canto de cisne do tráfico era esperado. Haverá outros momentos análogos, no futuro, mas a tendência declinante é inarredável.

Quando o tráfico de drogas no modelo territorializado atinge seu ponto histórico de inflexão e começa, gradualmente, a bater em retirada, seus sócios – as bandas podres das polícias - prosseguem fortes, firmes, empreendedores, politicamente ambiciosos, economicamente vorazes, prontos a fixar as bandeiras milicianas de sua hegemonia.

Discutindo a crise, a mídia reproduz o mito da polaridade polícia versus tráfico, perdendo o foco, ignorando o decisivo: como, quem, em que termos e por que meios se fará a reforma radical das polícias, no Rio, para que estas deixem de ser incubadoras de milícias, máfias, tráfico de armas e drogas, crime violento, brutalidade, corrupção?

Essas instituições não foram alcançadas em profundidade pelo processo de transição democrática, nem se modernizaram, adaptando-se às exigências da complexa sociedade brasileira contemporânea.
O modelo policial foi herdado da ditadura. Ele servia à defesa do Estado autoritário e era funcional ao contexto marcado pelo arbítrio. Não serve à defesa da cidadania. A estrutura organizacional de ambas as polícias impede a gestão racional e a integração, tornando o controle impraticável e a avaliação, seguida por um monitoramento corretivo, inviável.

O Jornal Nacional, nesta quinta, 25 de novembro, definiu o caos no Rio de Janeiro, salpicado de cenas de guerra e morte, pânico e desespero, como um dia histórico de vitória: o dia em que as polícias ocuparam a Vila Cruzeiro.

Ou eu sofri um súbito apagão mental e me tornei um idiota contumaz e incorrigível ou os editores do JN sentiram-se autorizados a tratar milhões de telespectadores como contumazes e incorrigíveis idiotas."

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

LAMENTO TER DE LEMBRAR, PRESIDENTE DILMA...

...mas é necessário: a companheira Wanda -- a heróica guerrilheira que confrontou a mais bestial ditadura já imposta a este país -- nunca aprovaria a escolha de um capacho dos militares para a Pasta da Defesa.

Continuaremos por quatro anos sem saber se Nelson Jobim é o ministro que transmite à caserna as determinações do governo ou o civil que transmite ao governo os ultimatos dos milicos, como fez quando se discutia a punição dos torturadores dos anos de chumbo.

Será uma enorme decepção para quem vos quer mais transformadora de uma realidade inaceitável e menos gerenciadora dos interesses dominantes.

Os seja, para os que estarão ao vosso lado mesmo nos piores momentos.

P.S.: quanto  à mania que Jobim tem de se fazer fotografar (indevidamente) fardado,  já era pra lá de ridícula sem uma sucuri junto. Chama o Freud!!!

DEUSES DAS QUADRAS E DOS RINGUES

No prestigioso torneio de encerramento da temporada de tênis, reunindo os oito jogadores com pontuação mais elevada em 2010, o suíço Roger Federer (nº 2 do ranking) definiu facil e rapidamente as quatro partidas iniciais.

O espanhol Rafael Nadal (nº 1) teve de lutar bem mais, principalmente na semifinal de sábado (27), quando ficou na quadra praticamente o dobro do tempo de Federer e saiu queixando-se do cansaço.

Na final deste domingo, chegou ao 3º set empatado em tudo com Federer (6x3 para cada um) e foi fulminado por 6x1.

Na coletiva, os jornalistas, obviamente, perguntaram se fora a exaustão que determinara sua derrota.

Nadal mostrou toda sua dignidade: disse que estava bem e o mérito fora do adversário.

Não tem sido outro o comportamento de Federer nos reveses. Ambos disputam a condição de melhor do mundo com extrema dignidade e respeito mútuo.

Um exemplo dos mais edificantes, nestes tempos em que tantos liliputianos são celebridades do esporte, mas não verdadeiros esportistas.

Fez-me lembrar dois gigantes do boxe: Muhammad Ali e Joe Frazier.

Depois de perder seu título e passar anos fora dos ringues por se recusar a servir de relações públicas para uma guerra injusta (a do Vietnã), Ali sofreu discutível derrota na luta em que tentava recuperar o cetro.

Apesar de Frazier o derrubar uma vez no finalzinho, a vantagem por pontos que acumulara, aparentemente, ainda lhe garantiria a vitória, mas os jurados assim não entenderam.

Depois, já sem título em disputa, travaram nova luta equilibradíssima e a vitória -- também muito contestada -- foi conferida a Ali.

Este recuperou o cinturão ao vencer George Foreman na maior luta de boxe de todos os tempos e de todas as categorias.

Na sequência, colocou-o em jogo no tira-teima contra Frazier.

Tinha todos os motivos para impor derrota contundente ao rival, para não deixar dúvidas de sua superioridade, depois das decisões polêmicas nas duas lutas anteriores.

No 14º assalto, teve Frazier à sua mercê, grogue, praticamente nocauteado em pé.

Ao invés de desfechar o golpe de misericórdia, pediu insistentemente ao juiz que interrompesse a luta.

Não atendido, evitou bater pesado até o gongo soar.

Os segundos decidiram que Frazier não tinha condições para disputar o 15º e último round. Vitória de Ali por abandono.

A caminho do vestiário, ele cruzou com o filho de Frazier e prestou tributo ao grande adversário: "Seu pai foi o homem mais valente que eu já enfrentei".

Magnífico.

domingo, 28 de novembro de 2010

PALIATIVOS E SOLUÇÕES: FRAGMENTOS DE UMA DISCUSSÃO...

...NO PORTAL LUIS NASSIF:

LUZETE: COMO SERIA O CONSUMO DE DROGAS NUMA SOCIEDADE SOCIALISTA?

"Celso, fico pensando se o problema se dá propriamente no âmbito dos modos de produção específicos. como aconteceria o enfoque do consumo da droga numa sociedade socialista?

ou você acredita que numa sociedade socialista o uso de drogas deixaria de ser um recurso que homens recorrem para dar conta das suas angústias, verdadeiramente humanas e que não encontram eco em formas tradicionais, digamos assim, de enfrentar a vida?

a droga é apenas resposta ao consumismo, aos desvarios de uma sociedade onde o bicho homem come o outro bicho homem?

sei lá..."

CELSO: DROGAS EVIDENCIAM SER A EXISTÊNCIA INSATISFATÓRIA

"A Luzete me propôs uma questão complicadíssima.

De que socialismo estamos, afinal, falando? Se for do real que vicejou e ainda é encontrado em países de desenvolvimento tardio, não tenho dúvidas de que a droga continuará existindo no mercado negro. A repressão nunca é solução, sempre existe alguém correndo riscos na suposição de que não será agarrado.

Se pensarmos no sonho de Marx -- a construção de uma sociedade nova em bases mundiais, com foco na colaboração e solidariedade entre os homens para a promoção do bem comum --, as pessoas provavelmente prefeririam o convivio harmonioso e amoroso com outras pessoas do que se drogarem.

Penso naquela bela frase que Godard atribuiu a Lênin (nunca descobri se é mesmo dele ou não passou de mais uma liberdade poética do cineasta francês): "A ética é a estética do futuro".

E na proposta de Marx, de conduzir a humanidade ao reino da liberdade, no qual cada cidadão poderia se desenvolver plenamente como ser humano, livre dos grilhões da necessidade.

Enfim, a droga oferece satisfações que as pessoas não conseguem alcançar pelos meios normais. Evidenciam que a existência é insatisfatória para elas -- e, sob o capitalismo, sempre será, pois a própria lógica do sistema é manter os indivíduos insatisfeitos, competidores e consumistas.

Acredito que, numa sociedade em que as pessoas verdadeiramente se realizassem, a grande maioria não visse atrativo nos estados alterados de consciência.

E, se todos tivessem o materialmente necessário para uma existência satisfatória, também é provável que houvesse bem menos pessoas fazendo da droga uma fonte de renda, como agora."

LUZETE: A UTOPIA É UTOPIA. É OUTRO LUGAR... E ENQUANTO ISTO?

"Celso,

continuamos lidando com utopias... e elas não chegam...

e tenho dúvidas. me pergunto se a utopia política um dia chegar, ainda assim as pessoas não recorrerão ao consumo de drogas que alteram o estado de consciência. esta hipótese é plausível. então, como se lidará com a questão?

bom... mas a utopia é utopia... é um outro lugar... e enquanto isto, Celso? enquanto isto?! descriminaliza-se ou não a droga? qual a melhor forma de atacar/lidar com o problema? deixa rolar? como, no âmbito mesmo do capitalismo, pode-se lidar com esta questão, na sua transitoriedade, pressupondo-se que esta ética que nascerá no futuro um dia dará conta melhor do problema, ou quem sabe até, porque deixará de ser problema?

quer dizer, "cobro" de você um certo pragmatismo..."

CELSO: SOB O CAPITALISMO TUDO MARCHARÁ SEMPRE PARA PIOR

"Luzete,

eu tento despertar as pessoas para a necessidade imperativa de mudarmos o mundo, pois, sob o capitalismo -- que já esgotou sua função histórica, hoje tem sobrevida parasitária e se torna mais nocivo e destrutivo a cada dia -- tudo marchará sempre para pior.

Então, paliativos só transferem os problemas para adiante. Ou pegamos o touro pelos chifres ou teremos nova temporada de massacre de favelados daqui a dois anos.

Repressão não é solução. Extermínio é inaceitável e inominável. Alguns carros queimados não valem os inocentes que foram colhidos no fogo cruzado por essa bestial demonstração de força do Estado.

Menos, claro, para a classe média, que dá muito mais valor a seus carros do que à vida dos coitadezas.

O que você quer que eu sugira? Um país capitalista menos selvagem atuaria contra os traficantes com serviços eficientes de inteligência e ações seletivas, não utilizando áreas onde moram os civis como campos de batalha.

Mas, aqui, nem isto se faz. Pois a vida dos favelados não tem valor nenhum para o Estado, nem para a mídia.

O tom beligerante e triunfalista do noticiário de hoje quase me faz vomitar. Ninguém parece se dar conta de que estamos presenciando uma tragédia, não uma partida de futebol."

VALE A PENA LER DE NOVO: "A BARBÁRIE NOS RONDA"

Há quase quatro anos -- precisamente no dia 22 de fevereiro de 2007 -- escrevi o artigo abaixo, que, com ligeiros retoques, serve perfeitamente para os dias de hoje, quando os soldados do Estado e do tráfico travam mais uma batalha com muitas baixas, muitos inocentes atingidos, muitos danos e transtornos, mas que não será solução definitiva, apenas paliativo.

Já assistimos a este filme antes e o assistiremos de novo daqui a alguns anos, se não formos à raiz do problema, atacando apenas seus efeitos -- ainda que com truculência extrema.

E o problema se chama capitalismo -- o qual, ele sim, tem de ser extirpado. Não as vidas das vítimas de suas contradições e de sua lógica perversa (até os traficantes o são, embora, em sua maioria, já não possam ser redimidos).
A BARBÁRIE NOS RONDA

"Cada vez que acontece um episódio policial mais chocante ou que uma organização criminosa coloca as autoridades em xeque, a coletividade passa alguns dias discutindo quais medidas poderiam ser adotadas para um combate mais eficiente à criminalidade.

É sempre uma espécie de catarse, que dura apenas até uma nova ocorrência qualquer dominar o noticiário. E pouquíssima coisa se aproveita das propostas apresentadas com tamanho estardalhaço e debatidas com tanto furor retórico.

O que fazer, afinal, contra os cães danados que dilaceram crianças e contra as máfias que colocam grandes cidades em polvorosa?

Muitos cidadãos gostariam de ver aplicadas aqui as punições drásticas dos países muçulmanos: que se cortassem as mãos dos ladrões, o pênis dos estupradores e a vida dos assassinos. Olho por olho, dente por dente.

Outros pedem mais policiais nas ruas, de preferência atirando primeiro e perguntando depois... nos bairros pobres ou quando os suspeitos são negros, pardos ou malvestidos, é claro.

E há os que defendem a maioridade penal a partir dos 14 ou 16 anos, o que somente fará os bandidos diminuírem proporcionalmente a idade do recrutamento de seus serviçais, até que tenhamos crianças empunhando fuzis e metralhadoras. O velho chavão moralista mudará de “hoje mocinho, amanhã bandido” para “hoje bandido, amanhã defunto”.

No fundo, tudo isso são paliativos. Inexiste forma ideal de se lidar com aqueles que já se tornaram bestas-feras, nocivos para si próprios e para a sociedade. Pode-se, quanto muito, controlá-los – e a um custo dos mais elevados para um país de tantas e tão dramáticas carências.
Exterminá-los, jamais! Isso levaria a violência a patamares apocalípticos, pois os bandidos não teriam mais nada a perder. Nós, sim, perderíamos, ao abrirmos mão da civilização arduamente construída nos milênios que nos separam da horda primitiva, voltando à estaca zero.

O xis do problema, no entanto, nunca é discutido: o fato de que a criminalidade é intrínseca ao capitalismo e subsistirá enquanto não substituirmos o primado da ganância e da competição pelo da solidariedade e da cooperação.

Vivemos numa sociedade que desperdiça o potencial já existente para se proporcionar uma existência digna a cada habitante do planeta; que faz as pessoas trabalharem muito mais do que seria necessário para a produção do necessário e útil; que condena parcela substancial da população economicamente ativa ao desemprego, à informalidade e à mendicância; que estimula ao máximo a compulsão consumista sem dar à maioria a condição de adquirir seus objetos de desejo; que retirou do trabalho qualquer atrativo como realização individual, tornando-o apenas um meio para obtenção do vil metal (ou seja, uma nova forma de escravidão).

Então, os que ainda têm emprego e os empreendedores continuarão irrealizados, esforçando-se demais para nunca obterem as gratificações almejadas, pois a lógica do capitalismo é perpetuar a insatisfação e mitigá-la com o consumo (a cenoura colocada à frente do asno para que ele continue puxando a carroça). Um círculo vicioso perverso que faz a fortuna dos analistas, dos farsantes religiosos e dos picaretas da auto-ajuda.

Alguns excluídos continuarão vivendo das esmolas dos programas oficiais e vão ajudar a eleger aqueles a quem convém mantê-los em eterna dependência.

Outros tentarão obter pela força aquilo que jamais alcançarão pela competência. E servirão de espantalho para intimidar as classes superiores, fazendo-as crer que uma sociedade policial seria a solução.

É paradoxal que, em nossa época, formidáveis avanços científicos e tecnológicos coexistam com uma regressão ao ambiente medieval, com os nobres entrincheirados em condomínios de alto padrão, circulando em veículos brindados e só podendo levar vida social em shopping centers, não ousando mais exporem-se fora de suas fortalezas. No exterior desses espaços fortificados e vigiados, os bárbaros estão sempre à espreita, prontos para desferir seus golpes.

Uma previsão terrível de Friedrich Engels, um dos pais do marxismo: quando uma sociedade consegue aniquilar as forças progressistas que poderiam levá-la a um estágio superior de civilização, acaba sendo destruída pela barbárie. O paralelo é com Roma, que venceu os gladiadores de Spartacus mas sucumbiu aos povos atrasados, condenando o mundo a séculos de trevas.

Resta saber se, no século 21, a ameaça maior à civilização se corporifica nos criminosos cada vez mais abusados e no surto de populismo autoritário no 3º mundo, nos fanáticos religiosos que derrubam torres gêmeas ou na fúria com que a natureza começa a reagir às agressões sofridas.

POST SCRIPTUM: DETALHAMENTO DA MATÉRIA A PARTIR DAS DISCUSSÕES QUE SUSCITOU NO ORKUT
Na ótica marxista, o capitalismo representou um estágio superior de civilização em relação ao feudalismo. No entanto, às vezes o "sistema" que já esgotou sua contribuição positiva é bem-sucedido em bloquear as forças de mudança. Foi o caso de Roma e está sendo o do capitalismo hoje.
Quanto a Roma, o que "pegava" era a escravidão. O passo seguinte seria reestruturar o Império a partir do trabalho de homens livres. E era a isso que levaria uma eventual vitória de Spartacus e seus gladiadores. Quando Spartacus foi derrotado, Roma e a escravidão entraram em lenta decadência, até que os bárbaros derrotaram o Império e o retalharam.
Então, voltou-se a um modo de produção bem primitivo: uma economia de base rural, um patamar há muito superado. Só a partir do mercantilismo se alcançou o estágio de desenvolvimento que a urbana Roma atingira. E a História passou a caminhar de novo para a frente.
Tanto o escravagismo quanto o capitalismo foram pujantes durante seus primórdios, para depois esgotarem sua contribuição e passarem a travar o desenvolvimento das forças produtivas. E atualmente é o capitalismo que cumpre esse papel de deter o progresso.
P. ex., se hoje o aparato produtivo se voltasse para o atendimento das necessidades sociais, ganharia um impulso formidável. Já pensaram em tudo que teríamos de fazer para compatibilizar nossas atividades econômicas com o meio-ambiente? No direcionamento das pesquisas médicas para a cura das moléstias e a descoberta de vacinas eficazes, em vez de investir-se prioritariamente em medicamentos que apenas prolongam a vida dos pacientes e amenizam seu sofrimento? No monumental esforço de educação em massa que teria de ser empreendido para que todos os cidadãos, sem exceção, se tornassem realmente civilizados?
Bem vistas as coisas, a história da humanidade foi até agora a história da luta contra a necessidade. Só no século 20 passaram a existir condições científicas e tecnológicas de se produzir o suficiente para garantir uma sobrevivência digna a cada habitante do planeta. A possibilidade de atingirmos um estágio superior de civilização atualmente, é enorme. O problema deixou de ser a escassez, mas sim a adoção de prioridades erradas.
Ultrapassamos a barreira da necessidade e estamos prontos para ingressarmos no reino da liberdade. Só falta direcionarmos o potencial produtivo para o que é realmente necessário e útil: habitação, alimentação, vestuário, saúde, cultura, esporte, lazer.
Os homens poderiam trabalhar muito menos, viver muito bem e desenvolverem plenamente suas potencialidades. É tudo questão de mudarmos o foco. Para que precisamos de bancos, afinal? Das várias burocracias? Da propaganda que exacerba o consumo?
Escravidão e feudalismo não surgiram por mandamentos divinos. Resultaram de circunstâncias históricas e foram descartados quando as circunstâncias mudaram. O capitalismo também pode ser substituído por uma organização diferente da vida econômica e social.
É ultrajante que ainda exista tanta gente passando fome, tantos desempregados e subempregados. E que presidentes se elejam à custa dos currais eleitorais do assistencialismo mais retrógrado. Quanta sordidez e quanto sofrimento inútil!"

 "E no entanto é preciso cantar / Mais que nunca é preciso cantar / 
É preciso cantar e alegrar a cidade /// A tristeza que a gente 
tem / Qualquer dia vai se acabar / Todos vão sorrir / Voltou  a 
esperança / É o povo que dança / Contente da vida, feliz a cantar"

sábado, 27 de novembro de 2010

MEDVEDEV LANÇA CAMPANHA PARA EXORCIZAR O FANTASMA DE STALIN

O pacto de não-agressão que Stalin firmou com Hitler 
garantiu à URSS algum tempo mais para se preparar 
antes de combater a Alemanha, mas deixou em cacos
a imagem da Revolução Soviética. Compensou?


Leio no Último Segundo que Medvedev deve lançar campanha para lembrar crimes de Stalin. Eis os principais trechos:
"O presidente russo, Dmitri Medvedev, lançará uma campanha de 'desestalinização' da Rússia, lembrando a população dos crimes cometidos pelo ditador soviético Josef Stalin...

(...) Medvedev debaterá o papel de Stalin na história russa em uma reunião marcada para janeiro com integrantes do Conselho de Direitos Humanos do Kremlin. O grupo elaborou um projeto de programa federal que tem como objetivo homenagear as vítimas da repressão stalinista.

O projeto inclui a abertura completa dos arquivos soviéticos, operações de buscas de pessoas mortas e a instalação de novos monumentos em homenagem às vítimas. Além disso, o Conselho pedirá que Medvedev faça uma 'abordagem política e jurídica dos crimes'.

(...) Nesta sexta-feira, a Câmara Baixa do Parlamento russo (Duma) aprovou em primeiro turno uma declaração que reconhece como o massacre de milhares de poloneses em Katyn, em 1940, como 'uma tragédia' ordenada por Stalin. 'Os documentos publicados, que permaneceram por muitos anos nos arquivos secretos, não apenas revelam a amplitude desta terrível tragédia, como são uma prova de que o crime de Katyn foi cometido por ordem pessoal de Stalin e de outros dirigentes soviéticos', afirma a declaração adotada.

'A responsabilidade desta matança foi atribuída na propaganda soviética aos criminosos nazistas, o que alimentou a revolta, a amargura e a desconfiança do povo polonês', completa o texto. O Parlamento russo manifesta sua 'profunda compaixão com todas as vítimas desta repressão injustificável, com suas famílias e amigos'.

Em 1940, após a invasão pela URSS de regiões do leste da Polônia, 22 mil oficiais poloneses prisioneiros do Exército Vermelho foram mortos nos bosques de Katyn e em Mednoia, na Rússia, assim como em Jarkiv, na Ucrânia. Durante décadas, a União Soviética acusou a Alemanha nazista de ter cometido os assassinatos. Apenas em abril de 1990 o líder soviético Mikhail Gorbachov reconheceu a responsabilidade do país no massacre".
Passar a limpo acontecimentos traumáticos como esses é bom para todos os países. A transparência ganhou enorme impulso a partir do advento da internet.

Em circunstâncias históricas terríveis, enfrentando inimigos poderosíssimos, Stalin optou por salvar seu "socialismo num só país" recorrendo a meios odiosos, alguns por sua brutalidade, outros por sua incompatibilidade com os valores marxistas:
  • coletivização forçada da agricultura, com a morte de milhões de camponeses;
  • imposição da ditadura do partido único, com a destruição das demais agremiações, começando pelas direitistas e centristas, mas depois atingindo também anarquistas, sociais-revolucionários e outras forças de esquerda;
  • adoção da mesma atitude intolerante no exterior, buscando sempre a destruição de partidos revolucionários divergentes e não a cooperação com eles (vide, p. ex., o papel importantíssimo que a beligerância em relação a anarquistas e trotskistas teve na derrota contra Franco);
  • imposição de uma tutela dos interesses soviéticos sobre os dos partidos comunistas de outros países, que eram sacrificados politica e até fisicamente às conveniências de Moscou;
  • imposição de regimes assemelhados em países que o Exército Vermelho ocupou ao final da II Guerra Mundial,  sem que a esquerda fosse neles a força política dominante (ou seja, a revolução foi exportada na ponta das baionetas soviéticas, ao invés de expressar a correlação de forças real nessas nações, daí as sucessivas tentativas de se livrarem do que consideravam uma  dominação estrangeira);
  • eliminação da velha guarda bolchevique nos grotescos julgamentos de Moscou e também no seio dos partidos comunistas espalhados pelo mundo.
Eu poderia ampliar esta relação, mas o fundamental está aí: entre as bandeiras materiais e espirituais de uma revolução, Stalin priorizou as primeiras em detrimento das segundas. Fez a economia soviética avançar aceleradamente para recuperar-se do considerável atraso a que o czarismo a relegou, mas suprimiu a liberdade, os direitos civis, a própria defesa dos trabalhadores contra as imposições daqueles que regiam seu trabalho.

Qualquer balanço que se faça de seu papel histórico deve levar também em conta ter sido a URSS que impediu a dominação nazifascista do mundo, ao impor a Hitler a derrota que mudou o rumo da II Guerra Mundial.

Mas, sem encararmos Stalin como um ogro, devemos fazer uma boa triagem do seu legado: parte só serve como referencial negativo.

Ações que jamais poderemos repetir, pois nos trouxeram descrédito, decepções e desencanto, ensejando uma associação entre revolução e totalitarismo que até hoje é o principal trunfo utilizado pela burguesia e por sua indústria cultural contra nós.

RECOMENDO E APLAUDO: "TROPA DA MÍDIA"

Bem na linha do que escrevi ontem ("E dá-lhe mais repressão, mais tropas de elite! A fascistização da sociedade vai avançando imperceptivelmente, naturalmente"), a coluna deste sábado (27) de Fernando de Barros e Silva é daquelas que lavam a alma de quem ainda não se deixou mesmerizar pela repulsiva cobertura midiática dos acontecimentos do Rio de Janeiro.

Reproduzo na íntegra e subscrevo cada palavra:

TROPA DA MÍDIA

"Há um triunfalismo exorbitante na cobertura jornalística dos acontecimentos gravíssimos no Rio de Janeiro. Na sua primeira página de ontem, o jornal 'O Globo' estampou, em letras garrafais: 'O Dia D da guerra ao tráfico'.

A comparação, ou 'semelhança simbólica', entre a ocupação da Vila Cruzeiro, anteontem, e o desembarque das tropas aliadas na Normandia, impondo a derrota aos nazistas, é um despropósito, um disparate histórico, além de factual.

Vale lembrar: no dia 21 de abril de 2008, o Bope pendurou na parte mais alta da mesma Vila Cruzeiro a sua bandeira preta com a caveira no centro. A tropa de elite da polícia comemorava uma semana de ocupação na favela. Falava-se então na apreensão de 'três mil sacolés de cocaína e 480 pedras de crack'. Já vimos, pois, esse filme antes.

O que aconteceu desde então? As coisas agora são diferentes? Parece que sim. A começar pelo emprego de armamentos de guerra e de efetivos das Forças Armadas no cerco ao tráfico. Os bandidos também mudaram de patamar: passaram a patrocinar ações típicas da guerrilha e do terrorismo pela cidade.

Até prova em contrário, esses parecem ser sintomas do agravamento de um problema, e não da sua solução. Curiosamente, o secretário de Segurança do Rio mostra ter mais noção disso do que a mídia.

Por toda parte - TVs, jornais, internet -, há uma tendência compulsiva para transformar a realidade em enredo de 'Tropa de Elite 3', o filme do acerto de contas final. A dramatização meio oficialista e meio ficcional do conflito parece se beneficiar de uma fúria coletiva e sem ressalvas dirigida aos morros, como quem diz: sobe, invade, explode, arregaça, extermina!

É quase possível ouvir no ar o lamento pela ausência de traficantes metralhados diante das câmeras. Até o momento em que escrevo, foram incendiados 99 veículos e mortas 44 pessoas. Quantas eram marginais? Quantas eram só pobres-diabos? E que diferença isso faz?"

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

A BATALHA DO RIO DE JANEIRO

Canso de repetir: a criminalidade é intrínseca ao capitalismo.

Porque as molas mestras do capitalismo são a ganância, a busca do privilégio e da diferenciação, e o consumismo.

Ter cada vez mais posses e recursos materiais.

Competir zoologicamente com os semelhantes, no afã de se colocar em situação superior à deles.

Mitigar todas as suas insatisfações adquirindo e desfrutando coisas.

E se relacionando com os outros seres humanos como se eles fossem também coisas a serem desfrutadas; coisificando-os, enfim.

Com isto, nunca é preenchido por completo o vazio da irrealização, sempre falta algo e sempre o que falta é mais importante do que o já conquistado. O homem moderno é um Cidadão Kane que nunca encontra o  rosebud.

Pois os seres humanos só se realizam plenamente na coexistência cooperativa, solidária, harmoniosa e amorosa com outros seres humanos.

O capitalismo é um sistema perverso, que se alimenta do desequilíbrio e da desarmonia.

Que não garante a todos o necessário para todos, embora meios haja para tanto.

Que gera sempre, como uma secreção, seu exército industrial de reserva, seus excluídos, seus miseráveis.

Eles são o resultado da mais-valia, que continua firme, forte e toda poderosa.

Apenas sofisticou-se, ocultando-se atrás dos hologramas projetados pela indústria cultural; o grande truque do diabo é fingir que não existe.

A mais valia continua dividindo a humanidade em exploradores e explorados.

Continua estabelecendo graduações entre os explorados, de forma que eles mirem apenas o degrau superior e não a sociedade sem graduações nem classes; que nunca vejam a floresta por trás das primeiras árvores.

O dado novo é que alguns dos que estavam bem embaixo perceberam a inutilidade de tentarem realizar seus sonhos consumistas subindo a escada, degrau por degrau.

Descobriram atalhos para passar ao lado dos degraus e chegar logo ao topo.

Ironia da História: o capitalismo passou à fase das corporações, da liderança compartilhada, tornando quase impossível que grandes empreendedores ergam impérios do nada (Bill Gates é uma exceção que confirma a regra), mas a criminalidade forneceu uma válvula de escape para tais indivíduos.

Pablo Escobar foi o Henry Ford dos novos tempos. E outros não conhecemos porque os néo-Escobares perceberam que não lhes convinha alardear seu poderio.

Mas, a brecha que existiu era provisória e começa a ser fechada: também nesta modalidade de negócios o capitalismo selvagem está sendo substituído por práticas criminosas mais eficientes, com melhor relação custo-benefício.

Vale reproduzir a ótima avaliação de Luiz Eduardo Soares, ex-secretário nacional de Segurança Pública (2003) e ex-coordenador de Segurança, Justiça e Cidadania do RJ (1999/2000), no seu artigo A crise no Rio e o pastiche midiático:
"O modelo do tráfico armado, sustentado em domínio territorial, é atrasado, pesado, anti-econômico: custa muito caro manter um exército, recrutar neófitos, armá-los (nada disso é necessário às milícias, posto que seus membros são policiais), mantê-los unidos e disciplinados, enfrentando revezes de todo tipo e ataques por todos os lados, vendo-se forçados a dividir ganhos com a banda podre da polícia (que atua nas milícias) e, eventualmente, com os líderes e aliados da facção.

"Quando o tráfico de drogas no modelo territorializado atinge seu ponto histórico de inflexão e começa, gradualmente, a bater em retirada, seus sócios – as bandas podres das polícias - prosseguem fortes, firmes, empreendedores, politicamente ambiciosos, economicamente vorazes, prontos a fixar as bandeiras milicianas de sua hegemonia.

"Discutindo a crise, a mídia reproduz o mito da polaridade polícia versus tráfico, perdendo o foco, ignorando o decisivo: como, quem, em que termos e por que meios se fará a reforma radical das polícias, no Rio, para que estas deixem de ser incubadoras de milícias, máfias, tráfico de armas e drogas, crime violento, brutalidade, corrupção?
"O modelo policial foi herdado da ditadura. Ele servia à defesa do Estado autoritário e era funcional ao contexto marcado pelo arbítrio. Não serve à defesa da cidadania. A estrutura organizacional de ambas as polícias [a civil e a PM] impede a gestão racional e a integração, tornando o controle impraticável e a avaliação, seguida por um monitoramento corretivo, inviável".
No fundo, os traficantes dos morros sempre foram complementares ao capitalismo e dele indissociáveis, fornecendo aquilo de que muitos explorados necessitam para continuar suportando sua existência insatisfatória.

Mas, o seu  modelo de gestão  caducou e outros  empreendedores, que já eram seus sócios, estão prontos a substitui-los com mais discrição e eficiência empresarial: os policiais-bandidos.

Desesperados por perceberem que perdiam terreno dia a dia, partiram para um desafio insensato, atingindo um dos valores mais sagrados da classe média: o automóvel.

Foi o suficiente para desencadear uma bestial demonstração de força do Estado, com seu poder de fogo infinitamente superior.

Morreram muitos inocentes no fogo cruzado, o cidadão comum sofreu prejuízos e enfrentou transtornos, a indústria cultural faturou em cima das manchetes empolgantes, traficantes foram presos ou mortos -- e a única certeza é de que empresários mais aptos herdarão os negócios dos que estão sendo excluídos do mercado.

De quebra, a mentalidade policialesca ganha reforço e penetra mais fundo na cabeça dos videotas: a repressão é o que nos salva de termos nossos carros queimados!

E dá-lhe mais repressão, mais tropas de elite! A fascistização da sociedade vai avançando imperceptivelmente, naturalmente.

Antes, gatos escaldados por 1964, os mais sensatos queriam as Forças Armadas longe das questões sociais, defendendo apenas o Brasil dos seus inimigos externos.

Agora, já se aplaudem os blindados da Marinha subindo o morro.

Como tantos aplaudiram a defesa da tortura e das truculências policiais num filmeco repulsivo.

De toda essa tempestade de som e fúria, o que restará?

O Estado venceu, como era de se prever, a  Batalha do Rio de Janeiro.

Que só não foi de Itararé porque houve mortos e feridos. Mas, não decidiu guerra nenhuma.

Decidiria se os traficantes vencessem. Mas, eles nunca venceriam. Nem aqui, nem na Colômbia que os pariu. Pelo contrário, para eles significou o canto do cisne.

O Estado não quer, verdadeiramente, acabar com o tráfico. Consentirá que, aos poucos, reassuma a antiga magnitude, sob nova direção e com outra metodologia operacional.

Só teremos solução real quando: 
  • identificarmos o capitalismo como o verdadeiro inimigo, oculto por trás dos espantalhos que ele, em cada instante, tenta fazer crer que sejam responsáveis por todos os males. Escobar, Castro, Bin-Laden, Saddam, Chávez, Ahmadenijad, há sempre um na berlinda, sem que nada melhore quando sai de cena, pois a indústria cultural imediatamente o substitui por outro, para que as ilusões e a alienação sejam mantidas;
  • e, consequentemente, quando nos mobilizarmos para dar um fim ao capitalismo, antes que -- condenado pela História e cada vez mais devastador em sua agonia -- seja ele a nos levar juntos para a destruição, ao aniquilar as bases naturais que sustentam a vida humana no planeta.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

ERA CIDADE MARAVILHOSA. HOJE É CIDADE EM POLVOROSA

Fiquei mais tempo preso do que livre no Rio de Janeiro, então, minhas lembranças são divididas: nelas há o melhor e o pior.

O cenário exuberante e o povo efusivo e acolhedor como eu nunca vira igual, nos quatro meses em que lá militei,  lutando contra a ditadura militar, até ser preso em abril/1970.

Quando machuquei o pé e andava manquitolando pelas ruas da Zona Norte, desconhecidos me dirigiam gracejos simpáticos e até ofereciam ajuda. Que diferença dos paulistas sisudos e apressados!

Amei a metade pobre da cidade, que fiz questão de conhecer bem, mesmo correndo riscos temerários. Era jovem e acreditava que poderia sempre me safar de qualquer situação.

Então, morando no Rio Comprido, muitas vezes descia do ônibus e atravessava o mangue, para chegar ao quartinho alugado no apê de uma simpática velhinha.

Eram vários quarteirões dedicados à prostituição, cuja visão estava vedada aos motoristas e passageiros dos veículos que transitavam pela Av. Presidente Vargas: enormes tapumes escondiam as  vergonhas  da cidade turística...

Tudo lá me lembrava um filme de Fellini: as meretrizes feias e decadentes exibindo-se de calcinha e sutiã, as luzes coloridas dos bordéis (vermelhas, amarelas, verdes e azuis), os vendedores de  churrasquinhos de gato  e de vários tipos de batidas, os engraxates, os agenciadores de apostas.

Evidentemente, lá também deveriam rolar tráfico, receptação e outros crimes, de forma que um resistente armado e procurado jamais deveria cruzar aquele pedaço, mas sim o contornar.

Era mesmo, para mim, a distância mais curta entre dois pontos, mas dificilmente eu estava tão apressado a ponto de não poder optar por trajeto mais sensato.

No entanto, minha curiosidade, aos 19 anos, pesava mais do que a cautela. E acabei nunca tendo problema nenhum nessas andanças.

Também adorava a velha Lapa, a Cinelândia, a Vila Isabel do bom Noel...

Menos, muito menos, a Zona Sul, onde ia mais para cobrir  pontos  do que no meu tempo livre.

Vez por outra, cheguei a tomar chopps nas mesinhas de calçada de Copacabana e a bater papo com um ou outro carioca cordial -- eles ainda existiam.

Já as  recordações das casas dos mortos  que conheci por dentro no Rio -- as PE's da Tijuca e da Vila Militar -- são bem mais amargas, claro.

Mesmo assim, lembro-me com carinho dos sentinelas que, embora assustados,  compadeciam-se de nós, presos políticos, e ajudavam como podiam, principalmente passando alimentos.

Por termos perdido muito peso, o pão com manteiga era um banquete e o horrível café aguado com leite parecia o néctar dos deuses, pois fornecia o açúcar de que carecíamos muito.

Noves fora, é com imensa tristeza que vejo o Rio de Janeiro transformado em campo de batalha. Sua imagem mais característica, nesta triste semana, deixou de ser a estonteante beleza da avenida Atlântida, mas sim os automóveis ardendo em chamas.

O capitalismo consegue destruir tudo que há de nobre, justo, belo e digno na existência humana -- ainda mais no atual estágio de putrefação.

O preço de manter represada a revolução, cada dia mais necessária, é ver tudo se transformando em terra arrasada.

Tanto que a  Cidade Maravilhosa  hoje está  mais para cidade em polvorosa...


GERAÇÃO MALDITA


"O anel que tu me deste,
eu guardei pra me ajudar,
construi numa viola
de madeira o teu altar

O amor que tu me tinhas,
eu roubei pra me salvar,
toda hora em que a danada
da saudade me pegar

Joema dos olho claros,
bem verdes da cor do mar,
me dava tanta alegria
que eu não preciso sonhar

Basta me lembrar agora
das coisas que deixei lá,
Joema, sempre esperando
na praia do grande mar

Valdomiro das estrelas
não podia se encurvar,
tinha tudo que queria,
dizia tudo a pintar

Olhando pro céu de frente,
perdido sempre em chegar,
Valdomiro das estrelas
pedia para voltar

Que faço agora, Maria?
Que faço agora, diz já!
Se longe, eu ouço hoje
as coisas que vão voltar

Me diz, quem vem comigo
agora, ao Deus dará,
nas coisas de todo mundo,
na vida do benvirá?"

Teledrama inspirado no clima e personagens da música "Das Terras de Benvirá", de Geraldo Vandré; foi exibido em outubro/1978 na ECA/USP.

Exilados latino-americanos vivendo na Europa. Carlos entra com estardalhaço.

CARLOS: Todo mundo preso! (sobressalto geral; Valdomiro erra pincelada no quadro)

GERALDO: Porra, eu já te disse pra não fazer esse tipo de brincadeira! Vai ficar toda hora lembrando as coisas pra gente, vai?

CARLOS: Que é isso, Geraldo, calminha! Não vamos fazer nenhuma tragédia por isso, né? O que passou, passou, ficou pra trás, então temos de encarar tudo com naturalidade. É a única maneira de sair dessa e partir pra outra, né? Então vamos lá, companheiro, abre um sorriso pra gente ver, vá!

GERALDO: E eu vou achar graça do que, da condição da gente aqui, das últimas notícias do nosso país?

VALDOMIRO: Do meu quadro, que você estragou?

CARLOS: Olha, Geraldo, nós aqui não poderíamos estar melhor, afinal não fomos expulsos até hoje. Nosso país (tom irônico), dizem que está virando uma grande potência, a gente deveria até festejar. E (para Valdomiro) esse teu quadro é a milésima versão da Lúcia nas praças e ruas da patriamada. Então, ainda sobram umas 999 pra você ficar aí todo embasbaco e macambúzio, sabe?, olhando a tela como se fosse a Virgem no altar. Só falta você se ajoelhar e beijar o cavalete.

VALDOMIRO: Tá, vai à merda! O que é que um liderzinho estudantil de subúrbio entende de arte? É só pintar um monte de proletas dando com as ferramentas na cabeça de uns burguesões...

CARLOS: É isso mesmo, companheiro! De preferência, uns burguesões de fraque e cartola, alisando a ponta dos bigodes, assim (imita o gesto).

VALDOMIRO: Então, bastaria eu partir prum realismo socialista desbragado pra você logo dizer que sou o maior pintor revolucionário do 3º Mundo?

GERALDO (abrupto): Como é, dá pra você me dizer se trouxe o jornal?

CARLOS: Olha, na edição da tarde tem uma notinha parecida com a da manhã. Diz que oito foram presos e dois feridos, mas não traz o nome de ninguém.

ANA: Mas não deve ser nada não, Geraldo, afinal existem tantos grupos atuando lá na Capital, por que teria de ser logo o do Otávio?

GERALDO: É, mas é uma merda estar aqui, longe de tudo, a gente fica o tempo todo se preocupando. Quando menos espera, abre o jornal e vê que pegaram um companheiro, um amigo...

VALDOMIRO: O que a gente podia fazer, já fez. Se ficássemos lá, com todo aquele clima de luta armada, nuncia iriam deixar que nós continuássemos com os movimentos de cultura popular. Iríamos ser vigiados o tempo todo, perseguidos, presos, poderíamos até virar presuntos e a culpa ser jogada em cima de um Sabado Dinotos qualquer. E nem pra clandestinidade iríamos poder passar, todo mundo já viu nossa cara no jornal, na TV. Iria ser pior pra nós e pros companheiros, que teriam de ficar tomando conta da gente.

CARLOS: Não é nada disso, Valdo, que nada! Vamos voltar agora mesmo que eu atiro livros na cabeça dos reaças, você joga a coleção de Lúcias, o Geraldo atira os discos, num instante a gente faz a primeira revolução tropicalista da História!

ANA: E eu, o que é que eu faço?

CARLOS: Ah, você atira as canetas dos teus alunos. Nunca te contaram que a pena é mais afiada que a espada?

VALDOMIRO: E pra você isso vai ser uma revolução ou uma comédia de pastelão?

CARLOS: As duas coisas juntas, afinal estamos falando de um país latino-americano, né?

* * *


Geraldo recordando a sua saída do país.

JOEMA: É a tua oportunidade, você tem de partir, amor!

GERALDO: Mas, eu posso me esconder na casa da tua irmã, eles não vão me procurar lá...

JOEMA: Ela não concorda com nossas idéias, como é que eu vou pedir que ela se arrisque por nós?! E tem também os vizinhos, tem aquele capitão que mora na esquina, tem os parentes que falam demais, você acabaria preso e complicando minha família!

GERALDO: Tem de haver um jeito de eu poder ficar!

JOEMA: Vai ser sempre um risco inútil, benzinho. Você mesmo me ensinou que o importante é a causa, não as pessoas. Agora é a hora de você se sacrificar, se preservar para o futuro. Afinal, você é um símbolo, teus versos vão continuar inspirando o pessoal daqui. E um dia você ainda vai voltar para cantar nossa vitória, junto com o povo na rua. Você precisa viver para esse dia, amor!

GERALDO: Mas, como eu posso partir e deixar você e o Otávio correndo perigo aqui?

JOEMA: Você me deu os primeiros livros e me convidou para aquelas palestras, quando você quis que eu participasse da tua vida e da tua luta. Você já deveria saber que um dia a gente poderia ter de se separar. Mas não se preocupa, não, Geraldo! Olha, eu tomo conta do Otávio porque ele é teu irmão, ele toma conta de mim porque sou tua companheira, então, no fim, não acontece nada pra nenhum de nós dois, tá, benzinho?! Isso, dá um sorriso, eu não quero me lembrar de você tão sério e carrancudo!

GERALDO: Se fosse tudo tão simples...

* * *

O chamado de Carlos desperta Geraldo de seus devaneios.

CARLOS: Geraldo! Geraldo! Acorda, pô! 'Tava querendo saber se você concorda que um companheiro que você não conhece, o Roberto, venha passar uns tempos aqui com a gente. Ele fez umas ações, caiu em fevereiro e foi pra Argélia no último sequestro. Agora ele se desligou da Organização e está com as idéias meio embananadas; quer parar pra pensar antes de decidir alguma coisa. A gente pode dar uma força pra ele, né, que ele está quase sem grana e precisando mudar do apartamento do Osvaldo. Sabem, tem uns dez caras amontoados lá e vão chegar mais na semana que vem.

GERALDO: Por mim, pode trazer quem precisar, a gente sempre se ajeita.

VALDOMIRO: É, tudo bem.

ANA: Mas, pra mim não está nada bem! Solidariedade, solidariedade, é somente nisso que vocês pensam, não? Que importam as leis de exceção, as torturas, a destruição das entidades de massa? Vocês esquecem num instante que estão aqui por causa dos porralocas dos militaristas! Só querem saber de exibir sua solidariedade revolucionária, seu paternalismo pequeno-burguês, ajudar o coitadinho, pobrezinho, que até ontem estava botando fogo no mundo!

VALDOMIRO: Calma, Ana, calma, o que é que há? Estamos caindo no emocionalismjo, assim não dá pra discutir. Se você acha que o pessoal da luta armada provocou uma radicalização de direita, é um juízo político, a gente pode até concordar com você. Agora, você não pode negar que os companheiros que fizeram essa opção agiram por um ideal. Eles arriscaram a vida...

ANA: É, a deles e a nossa também!

VALDOMIRO: ...arriscaram a vida pra fazer a revolução do modo deles. A História provou que não tinham razão, mas...

ANA: Você está sempre botando panos quentes, sempre conciliando! É por causa de gente como você que esses aventureiros se colocaram à testa do processo, provocando uma ditadura que vai durar uma porrada de anos. E nós estamos aqui, fugindo que nem judeus errantes!

CARLOS: Aninha, Aninha, esse negócio de linhas, tendências, partidos, isso tudo é pra quem está lá no meio da luta. Aqui nós não passamos de uma meia dúzia de subdesenvolvidos, somos que nem um bando de índios na terra dos brancos. Se a gente não ajudar uns aos outros, vem a cavalaria e acaba com todo mundo. Uga, uga, mim, grande chefe Pena Desbotada, decreta a paz entre todos os peles-vermelhas...

ANA: Não brinca, Carlos, vamos discutir a sério. A gente está aqui, longe dos companheiros, dos amigos, não conhecemos quase ninguém aí fora; os gringos não querem nem ver cucarachas perto. A única coisa que sobra é nossa amizade, nossa união. Então, vem um guevarista fanático, com toda aquela carga de violência, e estraga nosso ambiente. Aí nem nesta casa vamos ficar em paz.

CARLOS: Mas Ana, isso é uma imagem que você criou, uma fantasia de sua cabeça. O Roberto não é nada disso. Pelo contrário, é calmo, intelectualizado, entende tanto de marxismo como qualquer um de nós aqui.

VALDOMIRO: Eu acho que você deveria fazer uma autocrítica, Ana, analisar até que ponto teu problema pessoal está influenciando teu posicionamento.

ANA: Eu não tenho nenhum problema pessoal. Eu só queria que vocês pensassem um pouco antes de trazer aqui pra dentro um militarista desses, que vai ficar o tempo todo defendendo o seu aventureirismo e quebrando o pau com a gente!

* * *


Ana relembra a noite de sua prisão, a morte do marido, as torturas.

ANA: Acorda, Ju, acorda!

JÚLIO: Hã, hã, o quê?

ANA: Tocaram a campaínha!

JÚLIO: Mas agora, porra! E que horas... mas são quase quatro horas!

ANA: Meu amor, meu amor, e se for a repressão? Eu disse pra você não ficar dando abrigo pra esse pessoal da guerrilha!

JÚLIO: Mas, que é isso, meu bem? Eu tinha de ajudar, a solidariedade revolucionária... (novo e longe toque de campaínha). Mas, não deve ser nada, não. Fica aqui que eu volto já.

VOZ: Onde é que ele está? Diz logo, filho da puta!

VOZ: Aqui! (fuzilaria)

JÚLIO: Não! Não!

VOZ: Algema ela! Bota o capuz!

VOZ: Quem contatava seu marido? Quando ele ia ter o próximo ponto? Você também conhece os aparelhos? Fala, sua vaca, fala! (Ana grita, ofega)

* * *

Ana e Valdomiro conversando, na calmaria subsequente ao ato sexual.

ANA: Você tinha razão. Era por causa do Júlio. Nem sei se por causa dele mesmo ou da minha vida com ele. Era o que vocês chamariam de uma vidinha pequeno-burguesa, mas eu gostava. Gostava de viver sem susto, cuidando da casa, das crianças, do meu jardinzinho. Toda a rotina de uma dona-de-casa alienada. E daí? Não nasci pra grandes aventuras, nunca pensei em mim transformando o mundo. Acho que casei com o Júlio porque ele era seguro, tranquilo, tomava todas as decisões. Sabia o que era melhor pra nós dois.

VALDOMIRO: E mesmo assim vocês entraram pro partido?

ANA: Bom, até o golpe militar a gente não se interessava pela política. Aí foram todas aquelas prisões, perseguições... o Júlio viajando a serviço e conhecendo aqueles cafundós... tanta miséria, tanta injustiça... No fundo, no fundo, nem ele nem eu seríamos revolucionários se vivêssemos numa democracia de 1º Mundo. Quanto muito entraríamos num partido de centro-esquerda, sei lá... Mas, é que no nosso país a gente não tinha opção. Ou ficava quietinha engolindo tudo que o governo fazia ou entrava pra esquerda. Então, o Júlio acabou entrando e me levando junto.

VALDOMIRO: E acabamos todos no mesmo barco, lambendo as feridas e esperando a hora de voltar...

ANA: Depois de tudo isso eu já nem sei se vale a pena voltar. Se não fossem as crianças...

VALDOMIRO: Nem pense nisso, Aninha. A ditadura não é eterna. A gente ainda vai ver todo mundo feliz, todo mundo rindo, todo mundo se amando. Você precisa voltar pra ensinar a seus filhos, a seus alunos. Explicar pras novas gerações o quanto vale a liberdade. Tudo o que passamos não vai valer nada se a gente não fizer com que essa seja a última ditadura. Se a gente não despertar o povo pra defesa dos seus direitos, pra que o povo nunca mais aceite um regime como esse.

ANA: Do jeito como você fala, parece que a gente vai voltar e encontrar o país do jeitinho que era. Mas, será que com todos esses anos de lavagem cerebral eles não vão conseguir mudar as pessoas? Será que quando a gente voltar o povo ainda vai se lembrar de nós, vai querer ouvir o que a gente tem pra dizer?

VALDOMIRO: Não sei, francamente não sei. Até agora eu vivi para minha obra, e fiz da minha obra o instrumento para despertar as pessoas para a vida, para a harmonia, para a felicidade. Eu entrei na política para aprender mais sobre a vida, para ter coisas mais importantes para transmitir. Se tudo isso não serviu para nada, se quando eu voltar ninguém mais estiver interessado num futuro melhor, em ver na arte o que o mundo deveria ser e depois transformar o mundo... aí, não sei, acho que minha vida terá sido completamente inútil (revê sua dedicação à arte, seus esforços para expressar uma verdade maior nas telas).

* * *

A festa e a batucada com que festejam a chegada de Roberto fazem Carlos relembrar suas alegrias passadas, os discursos que fazia quando o povo ainda tinha lugar na praça.

CARLOS: Eles estão sozinhos, trancados nos gabinetes, escondidos atrás das tropas, prisioneiros do próprio poder. Nós estamos livre no seio das massas, são eles que nos dão esperanças, são elas que nos dão força, são elas que nos apontam o rumo, são elas que nos conduzirão até a revolução. Quando estamos ao lado do povo estamos sempre certos, somos tão fortes que ninguém pode nos derrotar. Quando estamos separados das massas não somos nada, somos a poeira varrida pela História!

* * *


Discussão política, com a participação de todos os membros da comunidade.

ROBERTO: Nós não romantizamos a guerrilha, nem endeusamos as armas. Nosso objetivo sempre foi político. Quando a repressão estourou as entidades de massa, quando eles ocuparam cidades operárias com as tropas para prender grevistas e aterrorizar a população, quando as passeatas estudantis já não tinham o que fazer se não andar de um lado para outro no centro da cidade, então nós nos organizamos para oferecer uma opção, um caminho para o qual pudesse ser canalizado todo esse movimento de massas, criando uma alternativa de poder.

ANA: E isso tudo isolados do povo, escondidos nos aparelhos, querendo fazer a revolução só com estudantes e intelectuais?

ROBERTO: Junto com as massas a repressão acabaria localizando a gente. Prende um operário, ele entrega a base da fábrica, daí é aberto o coordenador do movimento de massas e logo acabam caindo todos os elos da corrente. Para sobrevivermos na luta era necessário nos organizarmos como revolucionários profissionais, vivendo unicamente para a causa.

CARLOS: Mas que adiantava sobreviver se o povo não participava da sua luta nem se interessava por suas ações?

ROBERTO: Numa outra fase do processo executaríamos ações de propaganda armada, como expropriarmos gêneros de primeira necessidade para distribui-los nas favelas, tomarmos supermercados para o povo saquear, ações desse tipo. Além disso, não esperávamos vencer o imperialismo só no nosso país, sabíamos que era impossível. Nossa idéia era desencadear a luta em larga escala, coordenada com os grupos guerrilheiros de outros países, como os tupamaros e o ERP.

ANA: E por que deu tudo errado?

ROBERTO: Foi uma corrida contra o tempo. Nós demoramos tanto para priorizar a luta armada que, quando começamos pra valer, já era tarde, o imperialismo estava bem preparado. Veja o caso do nosso país: eles investiram rios de dinheiro, criaram o milagre econômico, a classe média passou a apoiar o regime, nós acabamos sozinhos e agora a repressão está liquidando nossas Organizações, uma por uma.

GERALDO: Você não acha que foi uma tentativa desesperada?

ROBERTO: Até certo ponto, sim. Nós sabíamos que os militares utilizariam o estado totalitário para conduzir nosso país a um estágio capitalista mais avançado, com o predomínio absoluto das grandes empresas na economia, a colocação do ensino a serviço do capital, a propaganda fascistóide, tudo isso. Então, tínhamos de evitar que eles reestruturassem a sociedade dessa forma, caso contrário as possibilidades de uma revolução ficariam afastadas por um longo período. Foi por isso que arriscamos tudo, nenhum de nós queria esperar mais 20 ou 30 anos por outra situação potencialmente revolucionária.

ANA: Só que, com esse imediatismo pequeno-burguês, vocês acabaram quase todos dizimados e a ditadura ficou ainda mais forte...

ROBERTO: Putz, a companheira pega pesado! Olha, pelo menos uma coisa temos certeza que fizemos: nós lavamos a honra da esquerda, depois daquela rendição sem luta quando os militares tomaram o poder. Quem sabe se nós não pagamos as contas do passado, deixando o terreno limpo para que a juventude entre na luta sem traumas, sem nossa necessidade obsessiva de provar que também tínhamos coragem de sangrar por uma causa?

CARLOS: Mas, a repressão está liquidando as lideranças forjadas em décadas de luta. Assim a juventude ficará sem memória, sem referencial, vai ter de recomeçar tudo da estaca zéro.

VALDOMIRO: Não sei, eu às vezes sinto como se nós fôssemos uma geração maldita, que sentiu como nenhuma outra a necessidade de lutar mas não tinha opção correta para fazer. Parece que a História só nos conduziu a ruas sem saída, e mesmo assim brigamos, polemizamos, discutimos, fizemos o impossível para convencer uns aos outros, trazê-los para a posição que achávamos correta, sem perceber que todas elas acabariam num mesmo fracasso. Num enorme fracasso.

CARLOS: Pelo menos cada um de nós seguiu até o fim suas opções, sacrificou tudo por elas, se entregou à luta como nenhuma outra geração. Esse exemplo a gente deixa pro futuro.

VALDOMIRO: O futuro só fixará nossa derrota. Perdemos, logo estávamos errados. Para eles, esse vai ser o veredito da História.

* * *

Roberto se despede de cada um dos companheiros, pois decidiu voltar ao seu país. Todos estão emocionados. Até Ana o abraça, chorando. Depois que sai, comentam sua opção.

GERALDO: Ele sabe que a luta está perdida, não tem mais nenhuma esperança, então por que é que resolveu voltar? Está indo direto pro matadouro.

VALDOMIRO: O problema do Roberto é que ele perdeu os amigos, os irmãos, a companheira. Todos de quem gostava acabaram presos ou mortos. Ainda por cima, ele não vê a menor possibilidade das coisas melhorarem em nosso país nos próximos anos. Então, o Roberto chegou até a pensar num recuo, mas não viu nada do outro lado. Não havia mais lugar onde quisesse ficar, nem pessoa que o prendesse à vida. Acabou se solidarizando com os últimos da sua Organização. Vão lutar até o fim...

GERALDO: E acabar presos ou mortos.

VALDOMIRO: Ou mortos. O Roberto, pelo menos, acho que nunca vai cair vivo. Ele sabe muito bem o que encontrará nos porões.

GERALDO: É, estamos no tempo dos mártires.

VALDOMIRO: E muita gente ainda vai morrer à toa. Mas, para o Roberto, talvez seja mesmo a melhor opção. Gente como ele aguenta qualquer sacrifício no presente porque vive sonhando com o futuro, com o dia em que nosso país for libertado. Mas, quando descobre que a revolução não é mais pra amanhã nem pros próximos anos, já não consegue voltar pra rotina. A vidinha normal não significa mais nada para ele. O Roberto viveu com tanta intensidade seu sonho que tinha de morrer junto com esse sonho.

GERALDO: E você, ainda tem esperanças?

VALDOMIRO: Tenho pensado muito nisso e acredito que ainda valha a pena viver. Mesmo que as novas gerações não se interessem por nossas histórias, temos de insistir, procurar os meios para transmitir tudo que aprendemos. Afinal, poucos dos que participaram das últimas fases da política revolucionária sobreviveram. Temos de tornar conhecidas as lições que aprendemos com tanto sacrifício, para evitar que a juventude pague o mesmo preço por seu aprendizado. Para isso faz sentido voltar, faz sentido esperarmos o dia certo para voltar.


Obs.: trabalho em grupo feito para a cadeira de Linguística. Tínhamos de escolher uma obra artística, dela derivar uma história que permitisse destacar o jargão utilizado por determinado grupo social e apresentá-la por meio de audiovisual, programa radiofônico, filme, teleteatro, etc. Sugeri a canção do Vandré sobre exilados porque era um assunto na ordem do dia e porque seria fácil trabalharmos em cima do jargão da esquerda. Fiquei com a tarefa de criar o script. E acabei me envolvendo muito com as situações enfocadas, por estarem próximas da minha vivência. O vídeo despertou interesse, causando polêmica.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

PARA CESARE BATTISTI, (AINDA!) PRISIONEIRO POLÍTICO NO BRASIL

"In questi giorni è certo autunno giù da noi
dolce Marta, Marta mia
ricordo il fieno e i tuoi cavalli di Normandia,
eravamo liberi, liberi.
Sul muro immagini grondanti umidità,
macchie senza libertà,
ascolta Marta, in questo strano autunno
i tuoi cavalli gridano, urlano incatenati ormai
cosa dire, soffocare, chiuso qui perché...
prigioniero per l'idea, la mia idea perché.
Lontano è la strada che ho scelto per me
dove tutto è degno di attenzione perché vive, 
perché è vero, vive il vero.
Almeno tu che puoi fuggi via canto nomade
questa cella è piena della mia disperazione, 
tu che puoi non farti prendere.
Voi condannate per comodità, ma la mia idea già vi assalta.
Voi martoriate le mie sole carni, ma il mio cervello vive ancora... ancora.
Lamenti di chitarre sospettate a torto,
sospirate piano,
e voi donne dallo sguardo altero
bocche come melograno, non piangete
perché io sono nato, nato libero,
libero.
Non sprecate per me una messa da requiem,
io sono nato libero."
(V. Nocenzi e F. Di Giacomo, "Canto Nomade Per Un Prigioniero Politico", do repertório do Banco del Mutuo Soccorso)

REFUNDAÇÃO OU EXUMAÇÃO?

Dúvida semântica do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, sobre a proposta de refundação do PSDB, lançada por Aécio Neves:
"Todos os partidos, num certo sentido, estão todo o tempo se renovando. Mas refundação acho que é uma expressão muito forte".
Em se tratando de uma agremiação formada por políticos contrários à ditadura militar, mas que na última campanha presidencial marchou lado a lado com os antigos inimigos, o termo refundação é mesmo impreciso.

Pois o que caberia não é a recriação do partido, mas sim a exumação daquele PSDB que via a si próprio como pertencente à esquerda moderada e jamais aceitaria a atual promiscuidade com a direita troglodita.

Ou seja, do PSDB que José Serra sepultou na eleição 2010, sem, com isto, ter conseguido evitar a derrota acachapante.

JÂNIO DE FREITAS: APEDREJAMENTO É CRIME HEDIONDO

Às vezes, bastam poucas palavras para se dizer tudo sobre um assunto, esgotando-o de vez.

É o caso destes três parágrafos do veterano jornalista Jânio de Freitas, em sua coluna Crimes de lá e de cá:
"...a sentença de morte por apedrejamento é absolutamente contrária aos princípios inscritos na Constituição brasileira. Logo, não pode ser senão condenada pelo Brasil em todos os foros.

Não apenas porque sentença de morte, já repelida pela Constituição. Ninguém parece ter notado que a morte por apedrejamento é tortura até a morte. Pelos princípios brasileiros, crime hediondo.

Se está inscrito em legislação estrangeira ou é praticado à margem de lei, não lhe muda a natureza e a hediondez."

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

NEM PILATOS, NEM AVESTRUZES

Princípios são princípios: se calhar de os piores safados estarem defendendo valores corretos, mesmo que com má fé e calculismo, ainda assim não podemos deixar de nos colocar ao lado da civilização, quando a alternativa é a barbárie.

Então, estão certíssimos os 80 países que aprovaram, na ONU, a resolução do Canadá condenando as sucessivas, grotescas e intermináveis violações dos direitos humanos por parte do estado teocrático iraniano.

E erradíssimo o Brasil ao se omitir, repetindo Pilatos.

Pois o Irã aplica uma justiça medieval que não tem mais lugar no século XXI, executa inocentes após julgamentos farsescos, apedreja mulheres, tortura, mutila, barbariza. Nenhum revolucionário pode, seja lá com qual justificativa for, em circunstância nenhuma, jamais, compactuar com tais atos!

Existimos para conduzir a humanidade a um estágio superior de civilização, não para enfiar a cabeça na areia enquanto déspotas ensandecidos impõem a seu povo o mais retrógrado e repulsivo fanatismo religioso.

domingo, 21 de novembro de 2010

POR DENTRO DA VAR-PALMARES

Num primeiro momento, a tendenciosidade com que a Folha de S. Paulo enfocou o fato prosaico de Dilma Rousseff ter sido guardiã de um envelope fechado com o endereço do arsenal da VAR-Palmares me irritou profundamente. Tanto que nem me preocupei em repassar as minhas recordações de 1969.

Depois de escrito meu artigo, entretanto, refleti um pouco e me caiu a ficha sobre o motivo dessa medida.

É que, em setembro daquele ano, três desafortunados militantes da VAR-Palmares tiraram o azar grande: seu veículo teve qualquer problema no Largo da Banana, à noite.

Tratava-se de um logradouro muito vigiado pela Polícia comum, no bairro paulistano da Barra Funda.

Não tiveram a prudência de abandonar o carro e ir embora, cada um para um lado. Ficaram tentando recolocá-lo em movimento.

Despertaram suspeitas em policiais que passavam numa viatura. Houve troca de tiros, na qual morreram Fernando Borges de Paula Ferreira (o  Fernando Ruivo) e Luiz Fogaça Balboni.

O terceiro era João Domingos da Silva, o  Elias, meu companheiro no Comando Estadual da VAR; ele liderava os grupos táticos, ou seja, as unidades de operações armadas.

Elias  ficou gravemente ferido, mas sobreviveu. As bestas-feras da Operação Bandeirantes, entretanto, o submeteram a torturas antes de que os ferimentos estivessem suficientemente cicatrizados. Teve uma hemorragia e morreu.

O companheiro, infelizmente, não tinha muito senso de organização: guardava as informações na cabeça. Perdemos aparelhos, armas e veículos que só ele sabia onde estavam.

Como resultado houve um verdadeiro caos, tendo quadros procuradíssimos de ser amontoados nos poucos aparelhos que restaram.

Ora, o Antônio Roberto Spinosa, do Comando Nacional, acompanhou de perto tal situação. Então, com certeza, deve ter sugerido a medida em questão, para diminuir a possibilidade de novas perdas.

Ou seja, o local do arsenal provavelmente seria do conhecimento de apenas um ou dois militantes, incumbidos de retirar as armas quando necessitadas; e alguém do Comando -- no caso, a Dilma -- guardaria o endereço, lacrado, só abrindo o envelope no caso de queda(s).

É ridículo a  Folha, a partir desta providência rotineira, ficar buscando pêlo em ovo. Ela não estabelece vínculo real nenhum entre Dilma e o uso que era dado às armas.

Da mesma forma, quando foi adquirida a área inicial de treinamento guerrilheiro em Registro (SP), o Comando Nacional determinou que a propriedade ficasse em nome de um membro do Comando Estadual.

Era desaconselhável ou impossível para os demais fazerem essa viagem, então acabou sobrando para mim, embora meu setor fosse o de Inteligência.

No cartório de Jacupiranga, assinei a papelada sem ler. Não soube, naquele momento, nem sequer o nome da cidade. Olhava sempre para o chão.

Até hoje os sites ultradireitista dão grande importância ao fato de que meu nome aparecia na escritura desse sítio. No entanto, àquela altura, eu não tinha envolvimento real nenhum com a  tarefa principal  (instalação do foco).

Seria despropositado apresentarem-me como participante da guerrilha rural apenas por ter servido de  fachada  para a aquisição dessa área, assim como são despropositadas as prevenções que tentam criar contra a Dilma.

Alguns meses mais tarde, devido a um fato novo (eu ter-me tornado, também, alvo importante da repressão), acabei integrando a equipe precursora incumbida de preparar a escola de guerrilha para receber seus alunos. Mas, esta é outra história.
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