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segunda-feira, 7 de outubro de 2024

LEÕES DESDENTADOS, O PTB, PDT, PMDB E PSDB DIZEM AO PT: EU SOU VOCÊ AMANHÃ!

O PTB de antes do golpe de 1964, o PDT, o PMDB e o PSDB, partidos que um dia foram trabalhistas e/ou de esquerda mas hoje não passam de leões desdentados,  estão dizendo ao PT: Eu sou você amanhã!

Estas eleições municipais mostraram a triste verdade: ao domesticar o PT, esvaziando ou expulsando as tendências anticapitalistas que disputavam espaço em suas fileiras com os reformistas e os fisiológicos, Lula o foi tornando um partido inofensivo, que só serve para caçar votos nas eleições de cartas marcadas da democracia burguesa. 

A descaracterização do PT acelerou-se após as jornadas rebeldes de junho de 2013 e o #NãoVaiTerCopa, quando voltou as costas à juventude que poderia revitalizá-lo, abandonando-a à sanha de governadores e juízes reacionários.

Aí, exatamente quando a direita partia para a conquista das ruas, o PT as abandonava, apostando todas as suas fichas no carisma envelhecido do Lula. Como se adiantasse eleger presidente da República apenas para ele sucumbir às pressões de um Congresso Nacional majoritariamente adverso, tendo de, a cada votação legislativa importante, ceder os anéis para conservar os dedos, até nem mesmo os dedos restarem!

Resultado: fazendo um governo pífio e pusilânime, Lula vê os seus índices de aprovação despencarem e acaba de levar uma sova no pleito municipal, com o falado poder da caneta presidencial reduzido a quase nada (ficou em nono lugar entre os partidos que mais prefeitos elegeram!) .

Prestes a chegar à metade do seu terceiro mandato, Lula já não passa de uma rainha da Inglaterra que implicitamente desistiu de ficar em casa tentando melhorar sua desgastada imagem interna. Prefere ir desperdiçar tempo alhures, envolvendo-se com conflitos externos que requerem mediadores mais qualificados e respeitados. 

Se estiver almejando o Prêmio Nobel da Paz, viaja na maionese: os dirigentes das nações influentes mal contêm o riso diante de suas iniciativas pretensiosas, tipo rato que ruge

Alguém deveria explicar-lhe que está muito longe de ser aceito como uma liderança mundial. É, quanto muito, um líder regional, capaz de dar demonstrações de fraqueza tão vexatórias como a de não conseguir fazer-se respeitar nem sequer pela Venezuela!  (por Celso Lungaretti)

sábado, 30 de outubro de 2021

NÃO HÁ MÁGICA CAPAZ DE TRANSFORMAR A SUBTRAÇÃO DOS EXPLORADOS EM ADIÇÃO DE RIQUEZA PARA A MAIORIA DELES – 2

(continuação deste post)
O
s partidos políticos não agem de acordo com suas respectivas doutrinas estatutárias (quando as têm), mas sim movidos pela obsessão de conservar o poder já conquistado e aumentá-lo cada vez mais, daí estarem sempre pensando nas próximas eleições.Se não, vejamos:
— o Partido Trabalhista Brasileiro, do Roberto Jefferson é de ultradireita, não passando de um usurpador da tradição trabalhista getulista (que, vale dizer, sempre foi populista e equivocada);
— o Partido dos Trabalhadores, trabalhista com bandeira e estrela do socialismo, é social-democrata;
— o Partido da Social Democracia Brasileira é liberal-progressista;
— o Partido Democrático Trabalhista agora é apenas cirista, e poderia muito bem ser chamado atualmente de Partido dos Ferreira Gomes (mas só por enquanto...);
— os partidos liberais são nacionalistas, e por aí vai...

O liberalismo, que jamais funcionou eficazmente (nem mesmo nos países de economia forte), não tem força para se manter como doutrina política nas repúblicas da periferia do capital, portanto nunca teremos um liberalismo ortodoxo no Brasil. 

Nem no Chile de Pinochet, que adotou um regime de força e um programa liberal, o liberalismo deu certo, cavando, pelo contrário, um profundo abismo social de classes. Será por isto que o Paulo Guedes o admira tanto?!   

O general Augusto Pinochet, assassino e torturador traíra do digno e heroico Salvador Allende, terminou seus dias rico, mas deposto e  execrado historica e popularmente.

Solta dentro do galinheiro, a raposa sempre come as galinhas e engorda!

A social-democracia, num país da periferia do capitalismo, padece das agruras próprias às nações socialmente segregados pelo grande capital. Caso do Brasil, com moeda fraca e que paga juros altos por sua dívida,  sendo apenas exportador de commodities sem valor agregado .

Quando bafejado pelos breves ventos da economia internacional favoráveis às commodities, como ocorreu do primeiro governo Lula, o Brasil teve seu período de vacas gordas, com os pequenos empresários ampliando os seus negócios, os bancos faturando alto e sobrando algum dinheiro para o assistencialismo populista que faz a alegria eleitoral dos governantes. 

Mas, como no capitalismo a equação econômica é irresolúvel de modo permanente e satisfatório, passado a breve e relativa bonança, logo em seguida veio a tormenta e aquilo que antes servia como exemplo de boa política pública social e econômica virou desastre. 

Foi o que aconteceu com Dilma Rousseff. Em que pese todos os seus esforços de conciliação com as classes dominantes e alianças políticas espúrias, seu governo acabou estagnado, com inflação e desemprego crescentes,  insatisfação popular nas ruas sob cassetetes socialdemocratas, etc.

Um piparote do Legislativo e Judiciário a mandou para casa, sem nenhuma reação popular digna deste nome. 

O liberalismo progressista praticado no governo FHC criou, de início, um clima de esperança (que era falsa) porque, com uma política monetária minimamente racional, conseguiu domar uma inflação que vinha resistindo a todos os planos econômicos e já atingira patamar próximo a 100% num único mês!

Registre-se que tal inflação descontrolada vinha desde os governos militares, passando por Sarney (o antigo presidente do partido da ditadura, que herdou o poder após a queda da dita cuja) e desembocando no bravateiro caçador de marajás, Collor de Mello. 

Este último afirmava ter aquilo roxo, mas deixou, isto sim, o povo roxo de fome e os empresários com o dinheiro confiscado, levando a economia ao caos. (por Dalton Rosado continua neste post)
Composição do Dalton sobre o espírito do capitalismo (rs)

domingo, 2 de setembro de 2018

AS URNAS DE NOSSA DESESPERANÇA – 4: O DIREITISTA CONSERVADOR QUE PARECE UM INOFENSIVO MÉDICO DE FAMÍLIA.

(continuação deste post)
Geraldo Alckmin, o candidato neoliberal do PSDB 
Um analista mais atento e que saiba ler nas entrelinhas, consegue extrair e compreender o conteúdo neoliberal implicitamente contido nas propostas de governo do Geraldo Alckmin. 

Por mais que tenha um discurso insosso (tanto que o jornalista José Simão o apelidou de picolé de chuchu), ele deve ser entendido como o candidato de uma moderna direita formadora de opinião, aquela que teme a truculência obtusa de um Jair Bolsonaro e o despreparo de um cabo Daciolo. 

Ele é um presidenciável perigoso para o Brasil exatamente por isto: consegue disfarçar o seu discurso de direita conservadora como se fosse um inofensivo e confiável médico de família. 

Não se pode afirmar peremptoriamente que Alckmin se guie pelos conceitos ultraconservadores do Opus Dei (segmento da igreja católica que defende dogmas ultrapassados e até fundamentalistas).

De todo modo, ele tem ouvido e convivido com representantes assumidos desta seita. E a relação de tal segmento religioso com a mídia de comunicação, como denunciava o saudoso jornalista Alberto Dines, caminha na direção da moderna direita mundial: conservadora, nacionalista, xenófoba e defensora do princípio segundo o qual farinha pouca, meu pirão primeiro.

Nesta reportagem sobre o chamado exército do papa, p. ex., a revista Superinteressante coloca Alckmin como o primeiro nome da lista de gente importante supostamente ligada ao Opus Dei

E há os fatos de um dos mais importantes expoentes de tal prelazia no Brasil haver sido o tio dele, José Geraldo Rodrigues Alckmin; e de o próprio Alckmin, quando prefeito de Pindamonhangaba (SP), haver batizado uma das ruas da cidade com o nome do fundador do Opus Dei, Josemaria Escrivá de Balaguer. Mas, se tem ou teve vínculo(s) com esses religiosos comumente identificados com o regime fascista espanhol do generalíssimo Franco, não lhe seria conveniente admitir.

A doutrina neoliberal, antes de postular o fim do Estado, como quer o pensamento libertário da crítica do valor, pede um Estado mínimo, justamente para ser forte o suficiente na defesa dos interesses capitalistas privados. 
Nesta linha, Alckmin propõe que seja zerado o déficit fiscal, como medida indispensável à soberania financeira do Estado. Isto todos os candidatos defendem, até o Presidente Temerário, que recebeu apoio antes mais ostensivo do PSDB, mas agora vê seus aliados se esquivarem de dar e ter dado tal apoio como o conde Drácula foge da cruz.    

A questão que se coloca é como zerar esse déficit num país que não pode emitir moeda sem lastro e tem dificuldades de vender seus títulos no mercado financeiro internacional a juros baixos. Alckmin dá a receita para tal mágica: cortar gastos com a Previdência e outras rubricas orçamentárias que farão falta para o povo brasileiro. 

Acena também com um aumento das exportações em 50%, que faria crescer o número de empregos, de contribuintes previdenciários e de receita orçamentária. Trata-se de uma quimera falaciosa, pois esbara na realidade do capitalismo em depressão mundial (e, principalmente na América Latina).

Sobre a privataria tucana, o desemprego estrutural e o Estado mínimo militarista – um terceiro viés é a tradicional privataria tucana. O PSDB tudo vendeu durante o Governo FHC e, mesmo assim, não conseguiu aliviar as contas públicas nem alavancar a economia, tendo de bater às portas do Fundo Monetário Internacional (sempre rigoroso ao ditar para os países empobrecidos da economia mundial as regras de comportamento que terão de seguir para receberem os empréstimos de que necessitam para salvar o Estado capitalista). 

Ora, Alckmin já cumpriu quatro mandatos como governador de São Paulo e a taxa de desemprego no Estado é de cerca de 17%, enquanto a taxa brasileira está na casa de 12% da mão-de-obra economicamente ativa. Vale então perguntar: por que o Estado mais industrializado do país tem a maior percentagem de desempregados? 

Será que a culpa é do seu aliado emedebista Michel Temer? Ou dos seus também aliados do centrão (que jamais aceitaram as propostas de redução do déficit do orçamento fiscal, porque isto lhes acarretaria desgastes políticos eleitorais)?

Como Alckmin pretende aprovar as medidas impopulares de ajuste do déficit fiscal que prega, se para tanto precisará do apoio dos fisiológicos de sempre? O que lhes concederá à guisa de contrapartida?     

As propostas de Alckmin para ativar as exportações brasileiras em 50% deixam de considerar a existência de concorrentes internacionais que competem conosco com alta tecnologia aliada a salários escravos (como a China e a Índia); e, por mais que ele prometa a desburocratização e a eliminação do chamado custo Brasil, isto implicaria cortar privilégios de corporações ligadas ao segmento político ao qual ele está atrelado até a alma. Comprará tal briga? Duvido.

Alckmin quer mesmo é o Estado mínimo que, sob o capitalismo em fase de decadência mundial, caminha para salvar pelo menos a capacidade de pagamento dos escorchantes juros da dívida externa brasileira e funcionamento dos poderes estatais e da força militar capaz de conter a insatisfação popular que tende a crescer cada vez mais (ela lhe foi muito útil, p. ex., nas jornadas de protestos de junho/2013, quando Alckmin deu às tropas carta branca para barbarizarem os manifestantes).  

Para dourar a pílula de suas proposições impopulares que embutem mais arrocho a uma população já exaurida, ele hipocritamente propõe a ampliação de programas assistenciais como o bolsa-família. Ou seja, morde de um lado e assopra do outro, como qualquer demagogo de quinta categoria.   

Avançando na militarização do Estado, propõe a criação de uma Guarda Nacional, que atuaria, complementarmente, como polícia militar. Daí para a repressão aos tumultos que virão em razão das medidas impopulares de ajuste fiscal do Estado no capitalismo em depressão será um passo. Quem viver verá, se tivermos o desprazer de estarmos submetidos a um governo ao mesmo tempo neoliberal e conservador de direita. Duas doutrinas que, antes de se contraporem, são convergentes.
A polícia do Alckmin em ação nos protestos de 2013
Tudo que dissemos nos artigos anteriores desta série sobre a ingovernabilidade do Estado num sentido pró-povo sob a depressão capitalista, vale, de forma mais acentuada, para um eventual governo de Alckmin. 

Sobre saúde, educação e previdência social   as suas proposições para serviços básicos e fundamentais do Estado (educação e saúde) colidem com a sua pregação de um Estado mínimo, de déficit fiscal zero e de redução de Ministérios, que são, verdadeiramente, aparelhos destinados às negociações políticas no parlamento, sem as quais governo nenhum consegue fazer nada.

O caráter onívoro da forma-mercadoria tende a transformar tudo nela mesma (em mercadoria). Não é por menos que a educação do Brasil, ainda que a Constituição determine ser ela do Estado e direito do cidadão pagador de impostos, cada vez mais se torna um negócio privado. 

As diretrizes de Alckmin para a educação seguem nesse sentido, se tomarmos como parâmetro o que ele fez ao longo de seus quatro governos no Estado. Todas as iniciativas alckmistas se coadunaram com a visão privatista do ensino, expressa em seus elogios à gestão privada das escolas públicas. 

Quando seu governo anunciou o fechamento de mais de 70 escolas públicas a pretexto de serem redundantes ou estarem mal equipadas, a medida despertou forte contestação por parte dos docentes e de toda a comunidade que necessita da escola pública para a educação dos seus filhos. 

Houve suspeita generalizada de que se tratasse de um artifício para deslanchar a privatização e foi exemplar a resistência do movimento que se criou para abortar tal propósito, intitulado as escolas são nossas

A única forma de gestão eficiente, para Alckmin, é a empresarial. Tudo converge para a sua visão do Estado mínimo, no qual as demandas sociais devem ser minimizadas em benefício da priorização do crescimento econômico, com o incremento da infraestrutura e das salvaguardas institucionais. 

Esta é a visão alckmista para todas as questões, inclusive a da saúde (sua insensibilidade neste quesito é ainda mais chocante por tratar-se de um médico).  

A saúde no Brasil se divide em dois segmentos: a) os que podem bancar planos de saúde; e b) os que são obrigados a padecer sob o Sistema Único de Saúde. Ou seja, há o Brasil dos ricos cujas chances de terem vida longa são bem maiores e um Brasil dos pobres que morrem nos corredores dos hospitais.  

As proposições de Alckmin nesta área em nada discrepam do diapasão privatista de governo: o seu programa de saúde é pobremente repetitivo, demasiado genérico e tão insípido como seu discurso.   

Afinal, sua proposta de ajuste fiscal (adequação das receitas com as despesas) das contas públicas implica o cumprimento de obrigações orçamentárias fixas, imutáveis e, consequentemente, a impossibilidade de dotações orçamentárias voltadas para demandas sociais importantes para a população como é o caso da saúde.

Sob o capitalismo a aposta é sempre de crescimento econômico que possibilite à iniciativa privada comercializar esse aspecto fundamental da vida humana que é o provimento de assistência médico-hospitalar e preventiva, ou seja, tudo depende de um crescimento da economia (o qual, por força das suas contradições internas, é cada vez mais travado). 
Protesto dos servidores da Saúde em março último
As propostas de Alkmin para a saúde não vingaram nem no Estado mais rico da federação; portanto, não deverão vingar no restante do Brasil, com suas desigualdades e pobrezas regionais gritantes. 

Na questão explosiva do déficit previdenciário, Alckmin se limita a propor um sistema único de aposentadorias que elimine eventuais privilégios. 

Trata-se de uma proposta requentada, cujos princípios se baseiam na antiga proposição eleitoreira de caça aos marajás do ex-presidente Fernando Color, ou seja, uma projeção daquilo que o neoliberalismo entende como boa gestão pública: o ajuste da receita previdenciária à despesa, num salve-se quem puder que atesta a falência de um sistema agonizante.

Sobre as corrupções tucanas  por fim, propõe tolerância zero à corrupção com o dinheiro público.

Ora, todo o processo eleitoral é fundado na corrupção, começando pela desigualdade de tempo da propaganda eleitoral. Os partidos que podem mais e se coligam mais, têm mais tempo (e qualidade televisiva, que custa caro); os partidos e candidatos que podem menos, têm menos tempo (e menos qualidade técnica de filmagens para veiculação). Uma desigualdade inicial que bem demonstra o que é a falta de isonomia na democracia burguesa.

Não podia ser diferente. Começa que o processo eleitoral todo é marcado pela influência do poder econômico sob as mais variadas formas, sendo mera hipocrisia a suposição de que o Ministério Público, o Tribunal Superior Eleitoral e demais instâncias inferiores do judiciário eleitoral pudessem garantir uma disputa equilibrada.

Uma sociedade que se estrutura a partir do roubo do tempo de trabalho dos trabalhadores, tanto nas empresas privadas como estatais; e que viabiliza o lucro e a acumulação de capitais como sua base de sustentação (praticando uma corrupção endógena), não pode falar seriamente em tolerância zero para com a corrupção. 

Aliás, se fôssemos levar a coisa para o campo da corrupção factual, empírica, não poderíamos deixar de considerar que os muitos correligionários tóxicos de Alckmin no PSDB (casos de José Serra, Aécio Neves e Eduardo Azeredo, entre outros) continuam sendo tolerados como aliados. 

Não há como se deixar de considerar os inúmeros casos de acusações sérias de corrupção no PSDB e seus governos tais como os casos Furnas, Rodoanel, Sivam, Pasta Rosa, aeroporto Cláudio; as menções de delatores do Odebrecht; as máfias do Cachoeira e das merendas escolares; o mensalão tucano; os desvios de dinheiro na privataria tucana; o cartel dos metrôs de SP e DF, etc., etc., etc., em que pese a evidente relutância judicial em apurar a fundo todos esses casos.

Quando qualquer candidato fala em tolerância zero com a corrupção fico a me lembrar daquele marido que chega em casa no fim da madrugada, bêbado, com perfume barato e batom na cueca, mas afirma peremptoriamente para a sua mulher que é tudo culpa dos meus amigos... (por Dalton Rosado)
(continua neste post)

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

AS URNAS DE NOSSA DESESPERANÇA – 1: OS PARTIDOS TRAEM ATÉ OS PRÓPRIOS NOMES

Se por acaso algum candidato tivesse um surto de honestidade e clareza sobre o ato de governar no momento atual da crise do capitalismo (e, particularmente, da crise brasileira), e fizesse um discurso escancarando a realidade ao invés de disfarçá-la, certamente seria cassado pelo próprio partido, execrado pela maioria do eleitorado e talvez até processado pelo Ministério Público por desobediência constitucional. 

É que o eleitor acredita piamente que os problemas sociais sob a ordem capitalista possam ser resolvidos a partir de uma administração pública eficiente e sem corrupção, uma vez que a grande mídia inculcou nas mentes populares que a miséria social decorre desses dois fatores.

Assim, os candidatos fingem ter solução para tudo, prometendo um Brasil próspero, sem corrupção e menos desigual... mas, apenas até o momento em que assumem a responsabilidade de governar o ingovernável! Aí começam as justificativas para o fracasso de curto, médio ou longo prazos.

Esmiuçaremos nesta série de artigos as propostas específicas de cada um dos 13 candidatos, mas antes convém fazermos uma ligeira análise do ideário e da doutrina (ou falta delas) dos partidos que disputarão o poder presidencial em outubro. 
No Brasil os partidos políticos costumam contrariar nas suas práticas aquilo que dizem ser nas suas mensagens programáticas e nas suas simbologias, senão vejamos: 
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— o PTB da Ivete Vargas e, hoje, de Roberto Jefferson (o que dispensa comentários), é patronal e de direita, embora se diga (sem sê-lo) sucessor do trabalhismo nacionalista de Getúlio Vargas, o qual, por sua vez, era baseado na fascista Carta del Lavoro italiana; 
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— o PSDB, cuja própria sigla o identifica como sendo social-democrata, é, na verdade, de centro-direita e neoliberal; 
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— o DEM, ou Democratas, equivale ao Partido Republicano dos EUA, ou seja, é conservador de direita; 
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— O PSC e o Patriota, partidos de aluguel pelos quais concorrem Jair Bolsonaro e o cabo Daciolo, não representam seus programas, até porque nem sequer os têm (reduzem-se a um amálgama de ideias confusas, de um nacionalismo ultrapassado ou fundamentalista), enquanto seus respectivos candidatos não passam de caricaturas de ditadores energúmenos sonhando com um regime ditatorial de direita no qual os partidos sejam banidos; 
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— o PDT tem como candidato Ciro Ferreira Gomes, que foi cesista no governo do coronel César Cals; adautista no governo do coronel Adauto Bezerra; virgilista no governo do coronel Virgílio Távora; gonzaguista no governo de Gonzaga Mota; tassista no governo do outrora peemedebista Tasso Jereisssati (que o tirou da inexpressiva condição de personagem político do interior do Ceará para catapultá-lo a prefeito, governador, ministro e pretendente à Presidência da República). 
Após passar por tantas siglas partidárias, Ciro demonstra pertencer mesmo ao Partido dos Ferreiras  Gomes, não tendo nada a ver com o PDT fundado por Leonel Brizola, cujo DNA era trabalhista e nacionalista ultrapassado (o governador cirista do Ceará é filiado ao PT, para se ter uma ideia barafunda...); 
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 o MDB, que voltou ao nome antigo, foi um partido criado pela ditadura de 1964/85 para servir como um simulacro de oposição. Assim, sempre foi uma linha auxiliar do sistema, ainda que as suas hostes tenham abrigado membros da esquerda que queriam um espaço político e foram perseguidos. 
De tanto usar o cachimbo a boca ficou torta, acostumando-se a ser um partido de auxilio político a qualquer governo (ou de oposição, quando isto lhe for mais conveniente em termos de conquista e acumulação de poder).
Tem na sua história o opróbrio de haver traído as diretas-já para favorecer Tancredo Neves, que queria o colégio eleitoral para se eleger. Deu no que deu: José Sarney, antes presidente do PDS, partido oficial da ditadura, terminou presidente após a queda desta última. 
Termina hoje com um candidato ligado ao mundo financeiro internacional, Henrique Meireles, que tenta a todo custo se desvencilhar da imagem do Presidente Temerário. A trajetória do MDB dá bem uma mostra do que são os partidos políticos no Brasil.

— o Podemos tem como candidato Álvaro Dias e segue a mesma trilha da inconsistência programática, ou seja, é candidato dele mesmo e por puro oportunismo eleitoral, servindo apenas para viabilizar a sua candidatura desde há muito programada, depois que não conseguiu fazê-lo pelo PV; 
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— o Psol é o PT de outrora, mas já laçado pela gravata do poder, e caminha para a domesticação parlamentar e governamental quando assumir o poder estatal burguês em qualquer esfera do Executivo; 
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— o PC do B, supostamente Partido Comunista do Brasil, é na verdade anticomunista, pois defende o desenvolvimento econômico capitalista a qualquer custo, não hesitando em firmar alianças políticas as mais pragmáticas e fisiológicas, dentro do conceito stalinista de que os fins justificam os meios; 
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— o partido da Rede é ecologista comportado, ou seja, sustenta que a questão ecológica possa ser resolvida em pleno capitalista, sendo, portanto, mal definido ideologicamente; 
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— o PV, com seu discurso de ecologia cosmética, é apenas fisiológico e oportunista, entoando, piorada, a mesma cantilena da Rede;
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— o PT é, verdadeiramente, social-democrata... e, ademais, no mau sentido! Ou seja, não passa de um misto de trabalhismo de resultados (que nem trabalhista sério chega a ser) com reformismo (sendo mesmo defensor do capitalismo na sua essência fisiológica governamental). Cameleônico, mostra-se estatizante ou neoliberal conforme seus interesses de momento, quase sempre relacionados ao apego ao poder e à busca das benesses do aparelhamento do Estado;
Para começar, o PT desconhece que o trabalhador e o trabalho são categorias capitalistas; portanto, desde o seu nome é um partido inserido na lógica capitalista, a despeito do seu pretenso viés socialista. O PT no governo encara as depressões capitalistas como suas depressões, ao invés de denunciá-las. 

Os demais partidos são apenas siglas de aluguel que servem à eleição de parlamentares de baixa votação e venda de tempo na propaganda eleitoral. 

Feita esta análise programática superficial das siglas, vamos às propostas e ao perfil de cada um dos 13 candidatos, torcendo para que o número de mau agouro seja mera coincidência... (por Dalton Rosado)
(continua neste post)

sábado, 19 de maio de 2018

DAVID EMANUEL COELHO: "O IMPEACHMENT APENAS ACELEROU A DETERIORAÇÃO DE UM REGIME JÁ FALIDO"

DO "GOLPE" AO AUTO-ENGANO

"Aventura custou caro"
Faz dois anos que Dilma Rousseff deixou o poder, afastada provisoriamente da presidência da República enquanto transcorresse o processo de impeachment aberto contra ela; depois, no último dia de agosto, tal afastamento se tornou definitivo.

Um breve balanço deste período mostra que a aventura custou caro a seus participantes e longe de trazer estabilidade ao regime moribundo, serviu para ampliar a crise terminal. 

Por que Dilma caiu? É uma questão complexa e não permite uma resposta simplista. Um ponto, no entanto, deve ser pacífico: Dilma não caiu porque estivesse enfrentando o grande capital ou representasse um perigo de transformação política e social.  Escribas do lulopetismo podem pintar a ex-presidente como se fosse encarnação de Allende, mas a realidade é muito distinta. 

O governo Dilma seguia à risca o receituário burguês e levou mesmo o pacto lulista ao paroxismo, dominando nada menos que 70% do Congresso Nacional antes dos levantes de Junho de 2013. No entanto, os efeitos da crise internacional começavam a ser sentidos no Brasil. 

Tudo piorou após as manifestações de 2013, quando ficou evidente o esgotamento político, econômico e social da chamada Nova República. O governo Dilma começou a pairar no ar, sendo aos poucos emparedado pela oposição conservadora. O resultado foi um impasse político profundo que travou o sistema institucional e impediu a burguesia brasileira de avançar com seu projeto de contrarreformas. 
"Dilma tentou tocar as contrarreformas exigidas"

Em nenhum momento o governo Dilma rompeu ou afrontou as determinações da burguesia. Muito ao contrário, tentou tocar as contrarreformas exigidas, parando, porém, no antagonismo da oposição e das facções fisiologistas do Congresso Nacional. 

O impeachment veio como uma tentativa de destravar o sistema político, retirando de cena o lulopetismo decadente e abrindo espaço para a ascensão dos agrupamentos fisiológicos e da oposição conservadora.

Num primeiro momento a manobra funcionou, com parte das contrarreformas avançando. Alçado à presidência estava um fisiologista típico, Temer. Sem nenhum ideal ou projeto de sociedade, sem nenhuma ideologia que não a realização de seu próprio interesse particular e do de seus cupinchas, o novo presidente obedeceu integralmente as ordens da burguesia nacional e mandou tocar os projetos que Dilma não tinha conseguido levar adiante. 

No entanto, uma espécie de maldição do impeachment abateu-se sobre seus realizadores e, como se fossem punições das Erínias, um gosto amargo de derrota começou a se apoderar dos vencedores. A começar de Eduardo Cunha, artífice do impeachment. Cassado logo em seguida, foi preso e hoje apodrece na prisão, quase ostracizado. 
"Eduardo Cunha hoje apodrece na prisão"
O PSDB, indutor do impeachment, rachou em vários grupelhos brigando entre si. Seu principal líder à época, Aécio Neves, foi pego em escutas pedindo propina e armando a morte de seu próprio primo. 

Tanto MBL quanto Revoltados Online perderam relevância. O primeiro, para sobreviver, abraçou um moralismo beato e agora corre risco de extinção com o prometido combate às fake news pelo Facebook. Já Revoltados Online foi praticamente eliminado após sua página ser banida do Facebook e seu líder cair em dívidas e denúncias. 

O PMDB passou a frequentar mais e mais as páginas sobre corrupção e vive em permanente ameaça de ver grande parte do partido preso. 

E o que dizer de Temer, o vice traidor? Tendo sempre uma popularidade irrisória, foi pego em gravações e precisou se desdobrar para não cair. Seu governo hoje praticamente não existe, tendo ele, ironicamente, virado um presidente figurativo. 

Mesmo para a burguesia nacional as coisas não saíram tão bem como planejado. Grande parte das contrarreformas continuam travadas, operações contra corrupção desbarataram lucrativas negociatas e suas facções batem cabeça sobre o caminho a ser tomado. 
"O cenário de crise econômica persiste"

O cenário de crise econômica persiste, com desemprego alto e baixa produtividade. O alto custo de vida e o baixo consumo persistem sendo problemas graves. Ou seja, nem mesmo a propalada retomada econômica aconteceu, apesar da celebração de pequenas vitórias por parte da mídia financista.

No entanto, se as coisas não correram tão bem para os vitoriosos, não foi muito diferente para os derrotados. No que poderia parecer impossível, os derrotados pelo impeachment conseguiram aprofundar sua derrota. 

O PT, longe do cofre, definhou enquanto força política. Seu líder foi preso e o destino do partido continua selado junto ao destino dele, rumo à irrelevância. Após tentar emplacar dezenas de mobilizações e campanhas, todas inócuas, o partido conseguiu apenas galvanizar em seu redor partidos de esquerda decadentes, com militantes que já eram simpatizantes do lulopetismo. A massa trabalhadora, cada dia mais, se afasta em definitivo do partido. 

O próprio sistema político ampliou sua decadência após o impeachment, com o aumento exponencial de votos nulos e abstenções, além da crescente indiferença e descrença popular frente à democracia e às instituições estatais. 

Mesmo o poder Judiciário, que tinha forte apelo popular, vem perdendo prestígio graças aos combates fratricidas no STF e aos limites cada vez mais claros de sua atuação. 
"Uma desmoralizante intervenção militar no RJ"

Até mesmo as Forças Armadas não podem celebrar nada, pois enfiadas numa desmoralizante intervenção no Rio de Janeiro, além de terem de lidar com as lembranças reavivadas do passado ditatorial. 

Para onde se olha, o cenário pós-impeachment mostra um país em profunda crise, sem que sequer se vislumbre uma saída. Ao contrário do passado, até mesmo recaídas autoritárias se apresentam problemáticas na medida em que historicamente deslocadas e em contradição com as aspirações neoliberais de grande parte da burguesia nacional. 

O impeachment, na verdade, se mostra como um ponto de aprofundamento da crise do regime e não de sua inflexão. Ao contrário do impeachment de 1992, o de 2016 serviu não para apaziguar o país e colocá-lo em nova rota, mas para acelerar a deterioração de um regime já há mais de dois anos falido. (por David Emanuel de Souza Coelho)

segunda-feira, 14 de maio de 2018

RELATIVIZAR ERROS E O DESVIRTUAMENTO DO PT EM NADA AJUDA NESTE INSTANTE

Uma das melhores cabeças pensantes com que o petismo ainda conta, o jornalista, professor e cientista político André Singer foi porta-voz da Presidência da República no primeiro governo do Lula e agora está lançando o livro O lulismo em crise: um quebra-cabeça do período Dilma (2011-2016)

Entrevistado pela Folha de S. Paulo, deu algumas respostas interessantes, que vale a pena reproduzirmos e discutirmos. (Celso Lungaretti)
"Em suas grandes linhas, a política econômica de Dilma beneficiava a todos. Qualquer investidor se beneficia de juros mais baixos, e isso sempre foi uma reivindicação básica de todo o setor produtivo. Assim como a desvalorização do câmbio, em 2012, e a redução do custo da energia depois. Essas políticas atendiam a reivindicações do conjunto da indústria. Por isso é surpreendente que ela tenha sido depois a ponta de lança do impeachment.

É um paradoxo. Minha hipótese é que isso tem a ver com as mesmas características identificadas pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na burguesia industrial em 1964, ainda que as conjunturas sejam diferentes e muita coisa tenha mudado. 

Essa burguesia depende do Estado para se alavancar e alcançar os países desenvolvidos, mas ao mesmo tempo ela teme que o fortalecimento do Estado leve as camadas populares a uma situação de tal hegemonia que prejudique a dominação burguesa. Então, nessa hora ela se desloca para deter esse processo."(André Singer)

(TROCANDO EM MIÚDOS, Dilma quebrou a cara, entre outros motivos, por ter exumado o nacional-desenvolvimentismo que a esquerda deveria ter apagado definitivamente do seu cardápio de opções econômicas a partir do golpe de 1964. 

Caio Prado Jr., no livro que escreveu em 1966, A revolução brasileira, já desconstruíra o que ele chamava de capitalismo burocrático, com o PCB e seus aliados querendo a todo custo acreditarem que existiria uma burguesia nacional progressista e anti-imperialista
Tratava-se e até hoje se trata, isto sim, de uma fração da burguesia que se apoia na apropriação privada dos recursos públicos e se faz passar por aliada dos movimentos populares, no afã de cooptá-los para seus objetivos

Em 1968 a esquerda consciente e consequente já não tinha as mais remotas ilusões a respeito dessa corja empresarial que implora a proteção do Estado mas, na hora da onça beber água, se alinha sempre com a reação.

Dilma quis reeditar o que deu errado em meados do século passado e colheu o mesmíssimo resultado, sendo derrubada como João Goulart o fora (só que sem sequer necessidade de o inimigo colocar tanques e tropas nas ruas, de tão decepcionante que estava sendo seu governo). Nas duas ocasiões tal burguesia industrial, como a chama Singer, engrossava as fileiras opostas.)
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"Parte da esquerda entende que foi naquele momento [nos protestos de 2013] que o lulismo começou a se despedaçar. Outros acham que ele representou a emergência de novas forças sociais, de caráter progressista. Acho que as duas coisas aconteceram, ao mesmo tempo.

Esse movimento também criou oportunidade para setores de classe média que até então não tinham conseguido se mobilizar contra o lulismo e de repente surgiram com força extraordinária. As manifestações desses grupos foram decisivas para o impeachment mais tarde, em 2016." 
(TROCANDO EM MIÚDOS, Singer reconhece que havia um componente progressista nos protestos iniciados pelo Movimento Passe Livre, mas omite que o governo do PT cruzou os braços enquanto governadores autoritários desencadeavam uma bestial repressão sobre os manifestantes e os profissionais de imprensa que estavam nas ruas a serviço. 

A partir daí, claro, tal componente progressista, fortemente intimidado, foi se dispersando e perdendo influência, enquanto a direita a ganhava. O que mais se poderia esperar, depois de a Dilma se solidarizar a um oficial da Polícia Militar paulista levemente ferido no meio da pancadaria e não mostrar idêntico pesar por dezenas de estudantes e jornalistas barbarizados pela PM?)

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"Na campanha de 2014, ela [Dilma] mostrou que havia uma ameaça de ajuste econômico ortodoxo que colocaria a perder os avanços e era necessário impedir isso. Foi assim que se reelegeu, embora com uma vantagem pequena.

Uma vez reeleita, ela se encontrou diante de uma situação econômica bastante difícil. Dilma teria que encontrar uma saída que mantivesse a mobilização construída na campanha, mas optou pelo pior caminho ao adotar a política econômica oposta sem dar satisfação para o eleitorado."

(TROCANDO EM MIÚDOS, foi um dos piores estelionatos eleitorais da História brasileira. Quem votou em Dilma para evitar a imposição da ortodoxia neoliberal e a viu empossar como mandachuva da economia o neoliberal com carteirinha assinada Joaquim Levy, deve ter-se sentido um perfeito otário.  Daí a indiferença generalizada com que foi recebido seu impeachment.) 
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"Esta [a falta de uma autocrítica sobre seu envolvimento com a corrupção] é uma crítica que faço a todo o sistema partidário e especificamente aos três principais partidos, PT, PSDB e MDB. Nenhum deles respondeu a contento ao que foi levantado pela Operação Lava Jato. 

Ela tem um lado faccioso, mas é também republicana, e revelou ações que precisam ser esclarecidas. É muito importante para a sociedade brasileira que esses partidos sobrevivam, mas eles precisam dar uma resposta positiva, explicar o que aconteceu e o que deve ser feito para que essas coisas não voltem a ocorrer.
O valoroso Paulo Paim falou com as paredes (acesse sua entrevista aqui)...
O PT e o PSDB fizeram alguns movimentos no sentido de reconhecer que houve problemas. Mas nenhum deles deu explicações suficientes."

(TROCANDO EM MIÚDOS, ele coloca no mesmo saco o PT, a centro-direita e o partido da fisiologia. Mas, PSDB e MDB não se arvoram em representantes dos explorados. O PT, teoricamente, sim, embora se proponha apenas a mitigar seu sofrimento por meio de políticas reformistas ao invés de dar-lhe fim com uma revolução.

A credibilidade é imensamente mais importante para a esquerda (com a qual o PT se identifica, pelo menos aos olhos dos cidadãos comuns) do que para os partidos do sistema. A autocrítica era, portanto, fundamental para o PT dar a volta por cima. Não a fez e se direciona a passos largos para a irrelevância. 

...assim como encontraram ouvidos moucos outros que tentaram abrir a discussão.

Então, a condescendência com o desvirtuamento do PT e a relativização dos erros terríveis que o partido cometeu no período Dilma, constatáveis na entrevista de Singer e que devem ter dado a tônica do seu livro, são nocivas neste instante. 

O PT desceu fundo demais em sua queda e já deixou ir embora o momento de iniciar a volta para a superfície; pelo contrário, insiste em continuar errando, ao colocar a eleição presidencial no centro de suas preocupações, ao invés de priorizar a organização das massas para enfrentarem o ascenso da direita nas praças, ruas e locais de trabalho. 

A esquerda brasileira tem de decidir se acompanha o PT em sua marcha para a irrelevância ou vai reconstruir-se com perspectivas bem diferentes, voltando a empunhar as bandeiras combativas de outrora, que estão fazendo imensa falta agora.)
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