Mostrando postagens com marcador crítica e autocrítica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador crítica e autocrítica. Mostrar todas as postagens

domingo, 7 de junho de 2020

MORO ADOTA RETÓRICA DEMOCRÁTICA E COMPARA RECUSA DO PT À AUTOCRÍTICA COM O NEGACIONISMO DO BOLSONARO

Quem toma decisões burras, se fragiliza diante dos espertos. 

Se julgarmos única e tão somente os posicionamentos de Sergio Moro e Lula sobre o momento atual do Brasil, o primeiro ganha por 7x1. Basta compararmos as declarações abaixo do Moro, em entrevista publicada na edição deste domingo (7) da Folha de S. Paulo com as desafinações recentes do Lula:
"Vejo esses manifestos [pluripartidários] com naturalidade, como reação às declarações que não têm sido felizes por parte do presidente, esses arroubos autoritários. Estamos discutindo temas da Guerra Fria, não deveríamos".
"A democracia é um pressuposto fundamental, independentemente de qualquer partido, qualquer grupo. Na democracia temos muito mais pontos em comum do que divergências. As questões pessoais devem ser deixadas de lado".
"[Indagado sobre se assinaria um manifesto que tivesse o Lula como um dos signatários] Não tenho nenhum problema pessoal com Lula, ele pode ter comigo, não tenho nada. Discordo dele, divirjo do pensamento político dele e igualmente do que foi feito com a Petrobras durante o governo dele. Não existe um sentimento de animosidade pessoal... E não falei que vou abraçar o Lula. O movimento não é do Lula".
"Agora, o que acho em relação ao PT, independentemente de manifesto, o que seria melhor eles fazerem, e isso foi colocado por determinadas vertentes do partido, é reconhecer seus erros. Melhor forma de você conseguir limpar seu caminho para o futuro é reconhecer os erros do passado. 
.
E a estratégia que eles adotam, negando os crimes que foram praticados durante a presidência do PT, durante o período que o partido tinha o controle sobre a Petrobras, junto a seus aliados, é mais ou menos o equivalente à postura do presidente da República, que nega a existência de uma pandemia no momento atual. É um erro isso".
Camaleão Moro: ora empina o nariz...
Sei que alguns leitores vão ficar indignados e correrão a comparar o passado de um e de outro, pintando Moro como o próprio capeta e Lula como um santo injustiçado. 

Mas, o objetivo deste post é bem diferente: mostrar como o primeiro reciclou rapidamente seu discurso, ajustando-o ao momento atual (a ponto de prestar-se a assinar manifestos em  defesa da democracia), enquanto o segundo parece preso por uma âncora ao passado. 

Lula vulnerabiliza-se por insistir em posições cujo prazo de validade venceu há muito tempo (caso da rejeição inflexível à autocrítica, postura que é uma heresia tanto para quem foi formado na tradição marxista quanto para os que acreditam piamente na democracia burguesa).

Uma das minhas tarefas no passado como profissional de comunicação empresarial era a de preparar políticos e empresários para terem um bom desempenho nas entrevistas à imprensa, o chamado media training. A equipe da agência simulava várias situações possíveis nas entrevistas reais, gravava as respostas do cliente e depois lhe apontava seus acertos e erros. No segundo caso, ensinávamos qual teria sido a postura inteligente diante daquela questão ou situação.  

O Lula é um cliente que eu jamais gostaria de ter, por conta de uma experiência anterior. Entrevistara-o durante quase uma hora para a Agência Estado em abril de 1989, bem no comecinho daquela campanha presidencial em que o PT produziu seus melhores vídeos publicitários de todos os tempos (Lula-lá) mas morreu na praia porque o Lula saiu-se muito mal no debate decisivo.

Perguntei se ele defenderia em campanha o modelo soviético que visivelmente fazia água (o sindicato Solidariedade da Polônia, p. ex., fora uma das estrelas daquela década, com as peripécias do Lech Walesa sendo acompanhadas com muita simpatia no mundo inteiro) e ele não encontrou uma resposta apropriada para me dar, só enrolou. Acontece.

...ora é só sorrisos. Qual o Moro real?
No dia 14 de dezembro, ele continuava não sabendo como responder à mesmíssima indagação. Então, já entrou com o pé esquerdo no importantíssimo debate realizado três dias antes do 2º turno: a primeira pergunta da noite, formulada pelo Boris Casoy, foi igualzinha à que eu lhe fizera oito meses antes e seu desconforto diante do assunto, idem. Novamente enrolou e foi inconvincente.

Começou na defensiva, parecendo acuado, e assim prosseguiu debate inteiro adentro (o peso da edição do Jornal Nacional no resultado da eleição foi mais tarde superdimensionado, pois, globices à parte, o Lula estava realmente irreconhecível). 

Então, se ele quiser recuperar o prestígio que teve outrora, precisa aprender a reciclar sua imagem tão habilmente como o Moro acaba de fazer. Por mais que batamos na tecla de que o ex-superministro do Bozo hoje não passa de um lobo em pele de cordeiro, os eleitores  menos politizados morderão a isca. Esperem e verão.

Na política convencional (a revolucionária é outros quinhentos, mas sobre esta falarei em algum artigo futuro), quem não se mantém em movimento, morre. 

O Lula parou no tempo e no espaço lá pelo começo desta década. Daí a situação do PT ter piorado cada vez mais, principalmente (e não por acaso) a partir de 2013, quando entregou de mão beijada para o inimigo a juventude combativa que estava despontando e, de início, se inclinava muito mais para o nosso lado.  (por Celso Lungaretti) 
Bons tempos aqueles, nos quais o PT nos inspirava
esperanças que miravam além das meras vitórias eleitorais! 

domingo, 10 de maio de 2020

O QUE FAZER? DÚVIDAS E CERTEZAS.

Estamos no olho do furacão. Enquanto o pico da pandemia não for atingido e ela começar a refluir, faltarão elementos mais precisos para esboçarmos como será nossa atuação no day after.  

Sabe-se lá, p. ex., se quando nos livrarmos da pandemia, já não teremos nos livrado também do Governo Bolsonaro, que encontra-se em avançado processo de esfarelamento...

Mas, além das muitas dúvidas, eu acredito que já existam algumas certezas, e são elas que alinhavo neste post.
1) O Bozo inevitavelmente cairá. Nenhum governo se sustenta sem oferecer alguma esperança de melhora para o povo, e ele não tem mais nenhuma na manga: 
— o antipetismo perdeu a razão de ser porque o PT está minguando aos poucos e não serve mais nem mesmo de espantalho para o proselitismo inimigo;
 a retomada do crescimento não vai acontecer, mas, pelo contrário, doravante entraremos naquela que provavelmente será a pior depressão econômica da nossa História; e
 o combate à corrupção agora é bandeira exclusiva do Moro e seus lavajatistas (ele precisa derrotar o Bozo na batalha pelo espólio  antissistema e certamente o conseguirá, pois o palhaço sinistro se desmoraliza cada vez mais ao entregar desembestadamente as jóias –e os cargos– da Coroa para o putrefato centrão).
2) Dependendo da turbulência que a contagem de cadáveres e a depressão econômica provocarem, poderá até haver uma ditadura militar, mas encabeçada por um general, nunca, jamais, em tempo algum, por um insano capitão miliciano (este, como canso de repetir, hoje não passa de um cadáver político esperneando para fingir que ainda está vivo enquanto o rabecão não chega para recolhê-lo).
3) Nossa prioridade máxima continua sendo a de reconstruirmos e depurarmos a esquerda. Para qualquer coisa que queiramos fazer daqui para a frente, precisaremos de uma esquerda de verdade, não dessa aí que louva os valores republicanos mas, mesmo sujeitando-se obedientemente à camisa-de-força da democracia burguesa, não foi capaz de articular nestes 16 meses nenhuma reação minimamente relevante ao pior presidente da História do Brasil, estuprador contumaz da Constituição de 1988 (a lista de crimes de responsabilidade por ele cometidos é interminável, embora o Rodrigo Maia continue a todos ignorando!).
4) A luta armada precisa de quadros que a travem e, no momento, o único lugar onde poderíamos encontrar tais quadros é na esquerda remanescente. E esta nem de longe se dispõe a encarar agora tal opção. Então, seja para a luta armada ou seja lá para o que for, teremos primeiramente de fazer a lição de casa:
— a autocrítica dos terríveis erros cometidos durante a hegemonia petista;
 a definição de novos caminhos (bem diferentes dos do reformismo, populismo e conciliação de classe, que nos direcionaram para lugar nenhum e fizeram com que ficássemos patinando sem sair do lugar desde 1985); e
 a apuração das responsabilidades coletivas e pessoais por termos sido  praticamente reduzidos à irrelevância ao longo da presente década. 

Só a partir daí poderemos pensar em voos maiores. Lançar uma luta armada com a atual correlação de forças, extremamente desfavorável a nós, seria nosso suicídio político e provavelmente físico.
5) Então, chega de pasmaceira e comecemos a fazer pelo menos aquilo que podemos fazer, além do processo de crítica e autocrítica que está quatro anos atrasado (deveria ter ocorrido em 2016!): participarmos ativamente das articulações das várias forças políticas para definição de como será retirado o bode da sala e que esquema de poder emergirá em seguida, mesmo sem esperança de exercermos papel de protagonistas (já que ora não temos peso político que o justifique).

Mas, é importante evitarmos que tal processo seja monopolizado pelos centristas e pelos direitistas moderados, como o foi a substituição da ditadura militar pela Nova República. Daquela vez acabamos alijados na reta final, mas marcamos forte presença nas diretas-já. Se desta vez ficarmos o tempo todo vendo o trem passar, as massas começarão a indagar se ainda existe esquerda no Brasil.
.
Observação — Começam a pipocar nas redes sociais alusões à luta armada como uma possível linha de ação para a esquerda sair da sua atual defensiva estática (noutras palavras, ela nada tem feito além de deixar tudo como está pra ver como fica!), então resolvi aprofundar tal questão ao responder a comentário que o companheiro Leandro Benfatti me dirigiu no Facebook ("Se tivermos ditadura militar outra vez aqui no Brasil, e com o Ai-5 pedido pelos bolsominions, teremos que fazer a luta armada sim, só que dessa vez fazendo trabalho de massas e tendo ligações com o povão!!!"). 

E acabei trazendo para cá tal resposta, pois tenho a esperança de que ela dê uma contribuição válida ao debate que está se iniciando.
(Celso Lungaretti)

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

A 'NARRATIVA DO GOLPE' DEVE CONTINUAR ONDE JÁ ESTAVA: NA LIXEIRA DA HISTÓRIA

O Oscar não é, nem nunca foi, uma premiação voltada para o reconhecimento de méritos artísticos. Está mais para uma festa de fim de ano de grande empresa.

A escolha dos ganhadores da estatueta cabe a profissionais da indústria do cinema: atores, diretores, roteiristas, designers, maquiadores, técnicos de som, executivos, etc. 

A visão da maioria deles é a do mundo dos negócios, daí a frequência com que, nas principais categorias, notáveis obras-primas como Cidadão Kane têm sido preteridas em favor de amenidades que tão-somente faturaram alto nas bilheterias (A volta ao mundo em 80 dias, p. ex.).

Dos troféus de cinema cujos agraciados têm motivo reais para orgulhar-se, os principais, claro, são os de Cannes. Mas, eternos colonizados, os brasileiros praticamente ignoramos Cannes e somos presas fáceis do mesmerizante marketing estadunidense, deslumbrando-nos com o evento brega-chique que a Globo transmite todos os anos.

Ainda assim, o que sempre contou para nós foram as categorias de melhor filme, melhor(es) ator(es) e, vá lá, melhor diretor. A importância desmesurada que desta vez se atribuiu ao melhor documentário se deveu apenas a fatores políticos. E se constituiu num total equívoco.

Artisticamente, a transposição da narrativa do golpe petista para as telas foi tendenciosa e panfletária demais, do tipo que arranca aplausos dos que nela já acreditavam e não convence ninguém que tivesse dúvidas.
Politicamente, porque tentou fazer dar certo na arte o que fracassou de forma acachapante na vida real, não passando, enfim, de um jus sperniandi travestido de documentário.

Grupos de interesses se articulando para derrubar governos existem praticamente o tempo todo. Obtêm sucesso contra governos fragilizados e perdem tempo contra governos sólidos. É simples assim.

Dos fatos que explicam o defenestramento de Dilma Rousseff, os principais foram estes:
— a desideologização do PT, que sua ala majoritária, com Lula à frente, promove e impulsiona desde a década de 1980, expurgando as tendências mais combativas; abrindo as portas do partido indiscriminadamente para todos os ambiciosos obcecados em subir na vida de qualquer maneira; e direcionando a atuação partidária, cada vez mais, para as batalhas eleitorais contra a direita, de preferência às lutas sociais contra o capitalismo;
— a política econômica catastrófica que Dilma adotou no seu primeiro governo, quando tentou exumar o nacional-desenvolvimentismo da década de 1950 (alavancar o crescimento da economia à base de investimentos estatais) e incubou uma terrível recessão;
—  a tentativa que ela fez de remediar a lambança no seu segundo mandato, entregando o comando da economia para o neoliberal Joaquim Levy, que, claro, acabou sendo abatido pelo fogo amigo dos petistas que discordavam de tal guinada de 180º (repetindo, aliás, o que acontecera no Governo João Goulart, mas Dilma parece ter cabulado as aulas de História...);
— o abandono dos jovens manifestantes de junho de 2013 à própria sorte, permitindo que fossem massacrados pelos governadores reacionários e judiciários estaduais, idem; e
— a insistência em travar até o fim uma luta que já estava perdida desde o dia 18 de abril de 2016, quando foi ultrapassada a barreira decisiva para o impeachment (a necessidade de aprovação da abertura do processo por parte de dois terços dos deputados federais), quando bem melhor teria sido renunciar de imediato e possibilitar um contra-ataque na linha das diretas-já, mediante o qual a esquerda, pelo menos, acumularia forças, ao invés de passar o tempo todo as perdendo na defensiva.

Tudo isso eu apontei quando ainda havia tempo hábil para o PT seguir outros caminhos, mas o Titanic petista preferiu continuar sempre rumando na direção do iceberg, até que o encontrou.

E nos ficou devendo não uma autocrítica flagelante (como seus dirigentes alegam, de má fé, para iludir os desinformados) mas uma autocrítica segundo a tradição da esquerda: a avaliação dos erros pessoais e coletivos que determinaram grandes derrotas, a definição de novas linhas de atuação que as evitem no futuro e a apuração das responsabilidades dos dirigentes que concorreram diretamente para os desastres. 

Ou seja, as autocríticas da esquerda objetivam extrair e aplicar as duras lições recebidas da História, não rasgar as vestes como os judeus fazem nas tragédias. 

E uma autocrítica de esquerda é fundamental para se virar a página do desprestígio que a péssima condução da política econômica sob Dilma e o progressivo abandono da moral revolucionária à medida que o PT aumentava seu poder acarretaram para toda a esquerda, praticamente imobilizando-a desde a consumação do impeachment, enquanto a direita deitava e rolava.

Caracterizar o impeachment como golpe sempre foi uma forma de o PT fugir do debate fundamental: como e por que se desmoralizou tanto a ponto de perder até as ruas, tornando-se presa fácil para a direita?  Pois só admitindo que houve erros — e foram enormes! E foram crassos! — é que poderá começar a acertar doravante e conseguir, ao poucos, reconquistar o apoio popular perdido.

A narrativa do golpe tem de continuar exatamente onde já estava: na lixeira da História. (Celso Lungaretti)

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

A AUTOCRÍTICA DA ESQUERDA, DA QUAL LULA FOGE COMO O DIABO DA CRUZ, PODE COMEÇAR COM ESTE ARTIGO DO FREI BETTO

frei betto
ESQUERDA, O RESGATE DO SONHO
"Nossas quimeras eram acalentadas por utopias"
Pertenço à geração que teve o privilégio de fazer 20 anos nos anos 60: Revolução Cubana, Che, Beatles, Rei da Vela, manifestações estudantis, "Alegria, Alegria", Glauber Rocha, McLuhan, revista Realidade, Marcuse, Maio de 68, João XXIII, naves espaciais etc. 

Era a geração dos sonhos. "Sonhar é acordar-se para dentro", lembra Mário Quintana. Estávamos permanentemente despertos. Nossas quimeras não eram acalentadas por drogas, mas por utopias. 

Segundo a teoria psicanalítica, todo sonho é projeção de um desejo. Nossa geração desejava ardentemente mudar o mundo, instaurar a justiça social, derrubar a velha ordem. 

O sonho quebrou-se ao tocar a realidade. A ditadura militar encarou como subversivos nossos protestos e conteve, com cassetetes e tiros, nossas passeatas. Nossos congressos estudantis terminaram em prisões e, escorraçados para a clandestinidade, não nos restou alternativa senão o exílio ou a resistência. 
Tchecoslováquia, 1968: "Não eram os proletários no poder. Era o socialismo de Estado, pai e patrão"
Em nossas utopias os carrascos abriram feridas, e dependuraram nossos ideais no pau-de-arara. O que era canto virou dor; o que era encanto, cadáver. A roda-viva se encheu de medo e o nosso cálice, de vinho tinto de sangue

Nossos paradigmas ruíram sob os escombros do Muro de Berlim. Não era o socialismo das massas nem os proletários no poder. Era o socialismo do Estado, pai e patrão, atolado no paradoxo de agigantar-se em nome do fim iminente da luta de classes. [todos os grifos são meus (CL)] 

O economicismo, a falta de uma teoria do Estado e de uma sociedade civil forte e mobilizada, levaram o rio das fantasias coletivas a transbordar sobre as pontes férreas dos engenheiros do sistema. 

O socialismo real saciava a fome de pão, não o apetite de beleza. Partilhava bens materiais e privatizava o sonho. Todo sonho estranho à ortodoxia era visto como diversionista, ameaçador 
"Democracia consiste em elegermos por maioria a pessoa que há de obedecer àqueles que mandam"
Astuto, o capitalismo socializa a beleza para camuflar a cruel privatização do pão. Aqui, todos são livres para falar; não para comer. Livres para transitar; não para comprar passagens. Livres para votar; não para interferir no poder. 

O Muro de Berlim ruiu e, ainda hoje, a poeira levantada embaça os nossos olhos.

Solteira de paradigmas, a esquerda é uma donzela perplexa que, terminada a festa, não consegue encontrar o caminho de casa. Há muitos pretendentes dispostos a acompanhá-la, mas ela teme ser conduzida ao leito de quem quer estuprá-la

Ansiosa, envereda-se pelo labirinto do eleitoralismo e se perde no jogo de espelhos que exacerbam o narcisismo de quem se maquia no reflexo das urnas. Deixa-se arrastar pela rotatividade eleitoral, onde ideais e programas são atropelados pela caça a votos e cargos. E, quanto mais se aproxima das estruturas de poder, mais se distancia dos movimentos populares 
"Não há futuro para a esquerda sem ética, utopia e coragem de dar a vida pelo sonho"
É bem verdade que, ao assumir a administração pública, investe em programas sociais, aprimora o acesso à saúde, à educação, moradia e cesta básica. Contudo, desprovida de andaimes, não faz dessa massa um novo edifício teórico, alternativo à globocolonização neoliberal que execra a cidadania e exalta o consumismo, repudia os direitos sociais e idolatra o mercado.

A maré sobe – Equador, Chile, Argentina – mas, na praia, pescadores acostumados a selecionar os peixes têm os olhos cegos pelo reflexo do Sol. A história cessou? 

Fora da esquerda, não há saída para a miséria que assola o planeta (1,3 bilhão de pessoas). A lógica do capitalismo é incompatível com a justiça social. O sistema requer acumulação; a justiça, partilha. E não há futuro para a esquerda sem ética, utopia, vínculos com os pobres e coragem de dar a vida pelo sonho

Hoje, o socialismo já não é apenas questão ideológica ou política. É também aritmética. 

Isto porque, sem partilhar os bens da Terra e os frutos do trabalho humano, os quase 8 bilhões de passageiros dessa nave espacial chamada Terra estarão condenados, em sua maioria, à morte precoce, sem o direito de desfrutar o que a vida requer de mais essencial para ser feliz: pão, paz e prazer

Resta, agora, a esquerda acordar para o sonho. (por Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto)

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

ESTAMOS NUMA DEMOCRADURA E AVANÇA CADA VEZ MAIS A CONTAGEM REGRESSIVA PARA UMA EXPLOSÃO SOCIAL

Estamos próximos, no Brasil de hoje, daquilo com que sonhavam os golpistas de 1964, ao planejarem uma intervenção cirúrgica para eliminar a influência da esquerda nos Poderes da nação, nos veículos de comunicação, nos sindicatos, nas instituições de ensino e no movimento estudantil, principalmente, para em seguida devolverem uma democracia expurgada e reformatada.

Mas, o arbítrio que era para durar poucos anos acabou estendendo-se por 21, durante os quais, na verdade, só se poderia enxergar uma ditabranda (conforme pretendeu a Folha de S. Paulo, num dos editoriais mais infelizes de sua história) no período final, sob João Baptista Figueiredo (1979-1985). O leão já estava desdentado, após os sucessivos fracassos no front econômico lhe retirarem a última justificativa para sua existência, deixando a ditadura em agonia lenta.

A situação atual, contudo, lembra mais o período de 1965 a 1967, quando o furor subsequente à usurpação do poder deu lugar a uma espécie de resignação e pasmaceira, com a contestação ao regime sendo banida das ruas, praças e locais de trabalho, mas consentida na música popular, no cinema e no teatro (a resistência a eles era tão ínfima que os militares se davam ao luxo de vestir a fantasia de déspotas esclarecidos...). 
Aí tivemos a escalada de radicalização ao longo de 1968, culminando em dezembro com a assinatura do Ato Institucional nº 5, que iniciou o período mais extremado e bestial do regime militar.

Durante as trevas absolutas que vão da entrada em vigor do AI-5 até o final do mandato de Emílio Médici em março de 1974, foram 279 os oposicionistas assassinados (baseio-me no relatório final da Comissão Nacional da Verdade, mas não levo em conta a divisão meramente formal entre aqueles cuja morte foi provada e aqueles cuja existência evaporou sem deixar rastros...) e acrescentaram-se mais 12 atos institucionais à legislação de exceção.

Já no período 1965/67  os atos institucionais foram apenas três e os assassinados, 12, em contraste chocante com o morticínio de 1964 (27 mortos!!!), quando a vitória da quartelada foi comemorada à moda dos selvagens.

A comparação com a democradura de hoje se impõe. 

Então, o sistema mudava leis e extinguia direitos consolidados a bel-prazer, contando com a conivência de um Congresso que fora domesticado por meio das cassações de mandatos que modificaram a correlação de forças e intimidaram os oposicionistas salvos da degola.

Agora, os parlamentares estão exultantes com o semi-parlamentarismo decorrente da inapetência para o cargo do presidente-bufão, que lhes permitiu herdarem o papel de principais executantes das determinações do poder econômico, enquanto ele próprio se ocupa de ninharias e baixarias.
Pasmem: os patrões do PT rezam pela mesmíssima cartilha!

As pressões sobre a cultura, a imprensa e as instituições de ensino são ainda maiores atualmente do que naquele intervalo histórico. 

O movimento estudantil até agora não sofreu repressão comparável, p. ex., à desencadeada quando da setembrada de 1966, mas ainda é cedo para soltarmos suspiros de alívio: 2020 se prenuncia um ano sujeito a intempéries, à medida que ficar claro para os brasileiros que as reformas neoliberais do Paulo Guedes produzirão aqui o mesmíssimo resultado que estamos constatando ultimamente no Chile (após anos e anos de retórica triunfalista dos mercadores de ilusões!).

Mas, a principal diferença entre o despotismo esclarecido de 1965/1967 e a atual democradura é que a esquerda brasileira efetuou então o processo mais aprofundado de crítica e autocrítica de toda sua história, questionando erros cometidos e atuações desastrosas, para daquela derrota acachante extrair todas as lições aproveitáveis, no sentido de sua ampla reconfiguração. 

Havia a consciência de que jamais poderia ser repetido fracasso tão humilhante quanto o da derrubada do governo João Goulart sem nenhuma resistência significativa por parte daqueles que até a véspera diziam que já estavam no poder (dou nome ao boi: o fanfarrão Luiz Carlos Prestes).

Hoje, pelo contrário, o PT conseguiu evitar que suas terríveis lambanças fossem colocadas em xeque em 2016, quando do impeachment de Dilma Rousseff, e ameaça repetir o feito agora, se o posicionamento stalinista do Lula a respeito da autocrítica prevalecer.

A autocrítica abortada de 2016 nos conduziu à entrega do poder à extrema-direita em 2018. A nova Operação Abafa nos levará aonde? 

A uma ditadura sanguinária explícita, como sonham Olavo de Carvalho e seus miquinhos amestrados? 

Ou a um despotismo esclarecido permanente, como poderia ter ocorrido caso a esquerda não houvesse redescoberto a combatividade perdida em 1968?

No fundo, nosso povo não sairá da dramática e degradante situação atual se a subjugação ao poder econômico for imposta com a vaselina do Legislativo e do Judiciário, muito menos se com o ferro em brasa dos inquisidores redivivos.

Ou forjamos uma nova esquerda, reciclamos nossa atuação e reassumimos o protagonismo político, ou assistiremos impotentes, de braços cruzados, à explosão social que inevitavelmente decorrerá dos rigores neoliberais que nos estão sendo enfiados goela abaixo. (por Celso Lungaretti)

terça-feira, 19 de novembro de 2019

LULA QUER VER OS BRASILEIROS LIMITADOS À ESCOLHA ENTRE DOIS MESSIAS: O DO VALE DO RIBEIRA E O DE GARANHUNS.

pablo ortellado
SEM AUTOCRÍTICA
Em seu primeiro discurso à militância do partido em Salvador, Lula disse que o PT vai polarizar e que o partido não vai fazer autocrítica —que se alguém quiser criticar, que o faça da oposição a ele. O discurso é péssima notícia para a esquerda e para o país.

A dupla mensagem tem algo de redundante. Ao dizer que o PT vai polarizar, Lula sugere que o partido vai jogar todo o seu peso contra qualquer contestação substantiva da sua hegemonia sobre a esquerda. Quem vai estabelecer a linha de antagonismo com o bolsonarismo é ele e o partido que controla. 
A segunda parte apenas esclarece que, na sua dimensão propositiva, esse antagonismo não vai admitir uma revisão de trajetória —vai defender o legado do projeto implementado entre 2002 e 2015 e vai empurrar quem criticá-lo para o outro campo.

Essa postura dogmática é ruim, mas fica pior se lembrarmos que não existe mais a conjuntura internacional que permitiu o sucesso daquelas políticas, o que significa que, caso a esquerda lulista triunfe, corremos o risco de reviver os erros, sem garantia de resgatar os acertos. E os erros não foram poucos.

Em primeiro lugar, temos o próprio messianismo de Lula, que não apenas matou de vez a democracia no partido como esmagou a pluralidade da esquerda e fomentou o mais primitivo culto à personalidade. 

Seu personalismo, aliás, é diretamente responsável pela indicação de Dilma Roussef como candidata, uma administradora sem qualquer vocação política e responsável por graves erros na condução da política econômica. 

A adoção por parte de Dilma, no auge da crise, de uma política baseada no tripé preços administrados, empréstimos subsidiados e desonerações não apenas gastou a única bala do cartucho com uma política inócua como gerou efeitos distributivos bastante regressivos.

A atitude corporativa do PT frente às denúncias de corrupção explorou os efetivos abusos da Lava Jato para jogar fumaça sobre os fatos. 

Agiu como se a crítica da mudança do conceito de prova e do abuso das prisões preventivas apagasse os fatos apurados, como se não tivesse havido desvios bilionários sob a administração petista ou como se isso não importasse.

Todos esses equívocos, mais os graves erros da política indigenista, os perdulários gastos com os grandes eventos e a completa falta de prioridade em rever a política tributária, raiz da nossa desigualdade, Lula diz que não serão objeto de autocrítica. 

Se depender dele, teremos mais uma vez que recorrer ao messias de Garanhuns para tentar escapar do Messias do Vale do Ribeira. (por Pablo Ortellado)

Sobre o mesmo assunto, leia também (clique p/ abrir):
NÃO ADIANTA SAIR PELA TANGENTE, LULA: VOCÊ E O PT CONTINUAM NOS DEVENDO UMA PROFUNDA AUTOCRÍTICA! (Celso Lungaretti)
BRASIL POSSUI 206 BILIONÁRIOS E 13,5 MILHÕES DE DESGRAÇADOS EM MISÉRIA EXTREMA. LULA PREGA A CONCILIAÇÃO (Dalton Rosado)
A LULA ESTÁ RESERVADO O PAPEL DE FIGURA MAIOR DE UMA OPOSIÇÃO DE FACHADA (David Emanuel de Souza Coelho)

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

NÃO ADIANTA SAIR PELA TANGENTE, LULA: VOCÊ E O PT CONTINUAM NOS DEVENDO UMA PROFUNDA AUTOCRÍTICA!

"Muita gente bota defeito no PT, e às vezes nós acatamos essas críticas. Mas vocês já viram pedirem para o Fernando Henrique Cardoso, para o Bolsonaro, fazer autocritica? Quem quiser que o PT faça autocrítica, que faça a crítica você. Esse partido é encrenqueiro, não presta? É, mas esse é o meu partido. Na dúvida, a gente defende o nosso companheiro."

Lendo esta simplificação tendenciosa da questão da autocrítica do PT por parte do Lula, em discurso que fez em Salvador na última 5ª feira (14), fico em dúvida sobre se ele é tão desinformado como tais afirmações o fazem parecer ou estava apenas desferindo golpes num espantalho, ao invés de responder honestamente aos questionamentos dos quais discorda.

Já conheço de outros carnavais o seu expediente de sair pela tangente quando não tem chance de se dar bem numa discussão. Então, simplesmente vou explicar o que ele não está entendendo (ou fingindo não entender), assim ele fica impedido de repetir esse pulo do gato.

Originalmente, quem cobrou a abertura de um processo de crítica e autocrítica por parte do PT fomos eu e o Tarso Genro (outros companheiros – infelizmente poucos! – vieram na esteira).

O afastamento provisório de Dilma Rousseff da presidência da República foi decidido no dia 12/05/2016, quando o Senado aprovou a abertura do processo de impeachment contra ela. Cinco dias depois o blog Náufrago da Utopia publicou esta minha exortação à abertura de um debate sobre a refundação da esquerda, justificando: 
"Um agudo processo de crítica e autocrítica hoje é imperativo, pois a derrota que acabamos de sofrer foi, em muitos aspectos, pior ainda do que a capitulação sem luta de 1964.
A reaglutinação de forças deve marchar paralelamente com a depuração moral, pois não conseguiremos reconquistar o respeito do cidadão comum se nossa imagem continuar associada à daqueles que, comprovadamente, tenham utilizado a atuação política para, de forma ilícita, perseguir objetivos pessoais como o enriquecimento e a conquista de status. 
E, claro, como não adianta repetirmos o que deu errado na esperança de que na vez seguinte dê certo, temos de discutir quais as novas estratégias e táticas a serem adotadas, para substituírem as que chegaram ao esgotamento na atual década".
Então, o que realmente se propunha era uma discussão em profundidade das causas de uma derrota política que,  saltava aos olhos, teria consequências terríveis para nosso campo.

Pois esta sempre foi a melhor tradição da esquerda: a de refletir sobre seus grandes erros, reciclar-se após os fracassos mais acachapantes e afastar ou rebaixar os dirigentes diretamente responsáveis pelas decisões desastrosas.

O stalinismo, contudo, introduziu a prática oposta, de calarem-se as críticas e os críticos (até assassinando-os!), de forma a impedir discussões que colocassem em risco o mito da infalibilidade do grande timoneiro.

No pós-1964 o Parido Comunista Brasileiro bem que tentou estancar o questionamento de sua atuação desastrosa, mas não conseguiu. O processo de crítica e autocrítica envolveu praticamente toda a esquerda da época e determinou um sem-número de rupturas, esvaziamento de partidos e organizações, fusões, lançamento de novas siglas, migrações de militantes, etc. 

Nosso campo reconfigurou-se totalmente, com o PCB perdendo a posição de força majoritária e boa parte da esquerda começando a direcionar-se para a luta armada.

O impeachment da Dilma, com a presidente petista sendo despachada para casa por um piparote do Congresso, sem que nenhuma reação importante adviesse, era mais do que motivo para haver um processo de discussões tão dramático quanto aquele. 

A falta de vitalidade que a esquerda demonstrou, aceitando com tamanha resignação um desfecho desfavorável ao extremo, foi o ponto de partida de todas as desgraças posteriores. O inimigo percebeu que poderia fazer impunemente o que bem entendesse – e fez!
Merece nosso reconhecimento o Tarso Genro, pois foi ele quem começou a propor uma refundação do PT, ainda em 2006, durante o escândalo do mensalão. Tentou em vão sensibilizar Lula em novembro de 2014 (foto acima). E, entrevistado pela Folha de S. Paulo em março de 2016, voltou a bater nesta tecla:
"O PT dificilmente vai ter perspectivas de poder nacional no próximo período. Isso não é uma consequência específica das operações. É o fim de um ciclo econômico, social e político do Brasil que foi levado ao esgotamento.  
O PT não soube reconstruir seu projeto desde o fim do governo Lula. Ficou excessivamente vinculado às limitações de uma frente tradicional com o PMDB, fundamentada em velhas práticas que a sociedade não aceita mais.
O PT vai ter que se refundar, vai ter que se reformar profundamente, se quiser continuar com um ator político importante"
 Candidatura fantasma: megalomaníaco desperdício de tempo!
Palavras proféticas: o partido sairia das eleições municipais do mesmo ano como o décimo (!!!) mais votado, e pior: a caminho de duas verdadeiras catástrofes, a prisão do Lula por 580 dias e a entrega do poder à extrema-direita em 2018.

O processo de crítica e autocrítica, que Lula sempre fez tudo para evitar, talvez alterasse o rumo dos acontecimentos. Sem coragem para encarar seus esqueletos no armário, o partido desceu ao fundo do poço.

Pode-se pensar, p. ex., que o próprio culto quase religioso à personalidade do Lula poderia ter sido colocado em xeque em tempo de evitarem-se descomunais lambanças, como o travamento de toda a articulação e mobilização do PT (e, por tabela, do resto da esquerda) para a fatídica eleição presidencial de 2018 em função da quimera de que o STJ permitiria sua participação como candidato.

Ou seja, ele colocou como prioridade maior a tentativa de provar que era inocente das acusações em função das quais estava sendo sentenciado e relegou a segundo plano o imperativo de evitar que neofascistas conquistassem o poder. 

Jamais perdoarei as vaquinhas de presépio do seu entorno, que lhe permitiram desperdiçar tanto tempo numa aposta que até as pedras das ruas sabiam que estava de antemão perdida.

E a megalomaníaca superestimação de sua força eleitoral levou Lula a cometer outro pecado capital, ao detonar quaisquer chances de formação de uma frente  de esquerda para enfrentar Bolsonaro. 
Se o PT apoiasse candidato de outro partido, não daria a Bolsonaro o formidável trunfo do antipetismo
Deu um chapéu em Ciro Gomes e tratou de inviabilizar a possibilidade de uma coligação de esquerda encabeçada pelo dito cujo, pela Marina Silva ou pelo Guilherme Boulos, oferecendo de mão beijada para o inimigo um trunfo fundamental, ao criar o cenário mais favorável para a acentuada rejeição ao PT tornar-se decisiva para o resultado final.

Agora, depois de ter dado contribuição fundamental para a conquista de quatro anos de mandato por parte do mais tosco presidente da história de nossa república, ainda faz questão de que sejam cumpridos até o último dia, para melhorar as chances de ele, Lula, ser eleito sucessor!

Ao tornar o PT uma cidadela inexpugnável à autocrítica conforme é praticada pela esquerda, Lula desempenhou papel dos mais  destacados na sucessão impressionante de desastres dos últimos anos.

E, mesmo no sentido mais banal da palavra autocrítica, que é o único ao qual Lula alude nas suas tiradas demagógicas, ele deve, sim, uma autocrítica ao povo brasileiro por:
Foi trágico Lula não ter tomado o lugar de Dilma em 2014
— haver afiançado a arrogante e incompetente Dilma Rousseff, cuja decisão de exumar teses econômicas de meio século atrás (o totalmente superado nacional-desenvolvimentismo) mergulhou o Brasil na recessão em que se debate até hoje;
 ter ficado surdo aos apelos de correntes importantes do petismo, as quais, avaliando corretamente que Dilma não conseguiria lidar com a crise que fabricara, cansaram de apelar para que ele, Lula, a substituísse como cabeça de chapa em 2014; e
 ter reduzido a questão da corrupção nos governos petistas a uma questão pessoal, como se eventuais vitórias nos processos criminais o eximissem da responsabilidade política pelo mar de lama em que um partido de esquerda se mancomunou com as figuras mais repulsivas do capitalismo putrefato, quando o que se impunha era um juramento solene (do Lula) de que tais fatos jamais se repetiriam, ponto de partida para o homem comum voltar a crer no PT e na esquerda em geral.

Embromação só cola quando direcionada a fanáticos ou a simplórios. E não é deles que o PT precisa neste instante, mas sim dos brilhantes formadores que um dia teve aos montes e depois insensatamente afugentou.

Se quiser começar a reverter o quadro, Lula precisa deixar de falar tolices sobre a autocrítica que o PT nos deve a todos e tratar de fazê-la, enquanto ainda existe algo para se salvar. (por Celso Lungaretti)
Related Posts with Thumbnails