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segunda-feira, 7 de outubro de 2024

LEÕES DESDENTADOS, O PTB, PDT, PMDB E PSDB DIZEM AO PT: EU SOU VOCÊ AMANHÃ!

O PTB de antes do golpe de 1964, o PDT, o PMDB e o PSDB, partidos que um dia foram trabalhistas e/ou de esquerda mas hoje não passam de leões desdentados,  estão dizendo ao PT: Eu sou você amanhã!

Estas eleições municipais mostraram a triste verdade: ao domesticar o PT, esvaziando ou expulsando as tendências anticapitalistas que disputavam espaço em suas fileiras com os reformistas e os fisiológicos, Lula o foi tornando um partido inofensivo, que só serve para caçar votos nas eleições de cartas marcadas da democracia burguesa. 

A descaracterização do PT acelerou-se após as jornadas rebeldes de junho de 2013 e o #NãoVaiTerCopa, quando voltou as costas à juventude que poderia revitalizá-lo, abandonando-a à sanha de governadores e juízes reacionários.

Aí, exatamente quando a direita partia para a conquista das ruas, o PT as abandonava, apostando todas as suas fichas no carisma envelhecido do Lula. Como se adiantasse eleger presidente da República apenas para ele sucumbir às pressões de um Congresso Nacional majoritariamente adverso, tendo de, a cada votação legislativa importante, ceder os anéis para conservar os dedos, até nem mesmo os dedos restarem!

Resultado: fazendo um governo pífio e pusilânime, Lula vê os seus índices de aprovação despencarem e acaba de levar uma sova no pleito municipal, com o falado poder da caneta presidencial reduzido a quase nada (ficou em nono lugar entre os partidos que mais prefeitos elegeram!) .

Prestes a chegar à metade do seu terceiro mandato, Lula já não passa de uma rainha da Inglaterra que implicitamente desistiu de ficar em casa tentando melhorar sua desgastada imagem interna. Prefere ir desperdiçar tempo alhures, envolvendo-se com conflitos externos que requerem mediadores mais qualificados e respeitados. 

Se estiver almejando o Prêmio Nobel da Paz, viaja na maionese: os dirigentes das nações influentes mal contêm o riso diante de suas iniciativas pretensiosas, tipo rato que ruge

Alguém deveria explicar-lhe que está muito longe de ser aceito como uma liderança mundial. É, quanto muito, um líder regional, capaz de dar demonstrações de fraqueza tão vexatórias como a de não conseguir fazer-se respeitar nem sequer pela Venezuela!  (por Celso Lungaretti)

sábado, 30 de outubro de 2021

NÃO HÁ MÁGICA CAPAZ DE TRANSFORMAR A SUBTRAÇÃO DOS EXPLORADOS EM ADIÇÃO DE RIQUEZA PARA A MAIORIA DELES – 2

(continuação deste post)
O
s partidos políticos não agem de acordo com suas respectivas doutrinas estatutárias (quando as têm), mas sim movidos pela obsessão de conservar o poder já conquistado e aumentá-lo cada vez mais, daí estarem sempre pensando nas próximas eleições.Se não, vejamos:
— o Partido Trabalhista Brasileiro, do Roberto Jefferson é de ultradireita, não passando de um usurpador da tradição trabalhista getulista (que, vale dizer, sempre foi populista e equivocada);
— o Partido dos Trabalhadores, trabalhista com bandeira e estrela do socialismo, é social-democrata;
— o Partido da Social Democracia Brasileira é liberal-progressista;
— o Partido Democrático Trabalhista agora é apenas cirista, e poderia muito bem ser chamado atualmente de Partido dos Ferreira Gomes (mas só por enquanto...);
— os partidos liberais são nacionalistas, e por aí vai...

O liberalismo, que jamais funcionou eficazmente (nem mesmo nos países de economia forte), não tem força para se manter como doutrina política nas repúblicas da periferia do capital, portanto nunca teremos um liberalismo ortodoxo no Brasil. 

Nem no Chile de Pinochet, que adotou um regime de força e um programa liberal, o liberalismo deu certo, cavando, pelo contrário, um profundo abismo social de classes. Será por isto que o Paulo Guedes o admira tanto?!   

O general Augusto Pinochet, assassino e torturador traíra do digno e heroico Salvador Allende, terminou seus dias rico, mas deposto e  execrado historica e popularmente.

Solta dentro do galinheiro, a raposa sempre come as galinhas e engorda!

A social-democracia, num país da periferia do capitalismo, padece das agruras próprias às nações socialmente segregados pelo grande capital. Caso do Brasil, com moeda fraca e que paga juros altos por sua dívida,  sendo apenas exportador de commodities sem valor agregado .

Quando bafejado pelos breves ventos da economia internacional favoráveis às commodities, como ocorreu do primeiro governo Lula, o Brasil teve seu período de vacas gordas, com os pequenos empresários ampliando os seus negócios, os bancos faturando alto e sobrando algum dinheiro para o assistencialismo populista que faz a alegria eleitoral dos governantes. 

Mas, como no capitalismo a equação econômica é irresolúvel de modo permanente e satisfatório, passado a breve e relativa bonança, logo em seguida veio a tormenta e aquilo que antes servia como exemplo de boa política pública social e econômica virou desastre. 

Foi o que aconteceu com Dilma Rousseff. Em que pese todos os seus esforços de conciliação com as classes dominantes e alianças políticas espúrias, seu governo acabou estagnado, com inflação e desemprego crescentes,  insatisfação popular nas ruas sob cassetetes socialdemocratas, etc.

Um piparote do Legislativo e Judiciário a mandou para casa, sem nenhuma reação popular digna deste nome. 

O liberalismo progressista praticado no governo FHC criou, de início, um clima de esperança (que era falsa) porque, com uma política monetária minimamente racional, conseguiu domar uma inflação que vinha resistindo a todos os planos econômicos e já atingira patamar próximo a 100% num único mês!

Registre-se que tal inflação descontrolada vinha desde os governos militares, passando por Sarney (o antigo presidente do partido da ditadura, que herdou o poder após a queda da dita cuja) e desembocando no bravateiro caçador de marajás, Collor de Mello. 

Este último afirmava ter aquilo roxo, mas deixou, isto sim, o povo roxo de fome e os empresários com o dinheiro confiscado, levando a economia ao caos. (por Dalton Rosado continua neste post)
Composição do Dalton sobre o espírito do capitalismo (rs)

sábado, 14 de agosto de 2021

ROBERTO JEFFERSON CORPORIFICA A DECREPITUDE DE UM SISTEMA POLÍTICO

Bob Jeff, o gatilho mais
rápido do velho (Centro) Oeste
A prisão de Roberto Jefferson, por ataques e ameaças ao STF, é mais um elemento da paisagem da crise brasileira. 

Mas não pretendo falar da prisão, acontecimento menor, e sim do quanto o dono do PTB representa a deterioração da política brasileira, fato literalmente encarnado nele. 

Jefferson ascendeu à política ao final da ditadura graças à participação no programa popularesco O Povo na TV. Virou deputado pelo MDB e, por uma metamorfose, acabou no PTB. 

Tratava-se de uma legenda representativa do antigo trabalhismo pré-ditadura militar, na qual habitaram Getúlio, Jango e Brizola (este último, inclusive, perdeu para Ivete Vargas o direito de usar a sigla e viu-se obrigado a fundar o PDT).

Atualmente um dos maiores fanáticos da horda bolsonarista, Jefferson decolou no PTB defendendo os direitos humanos, a democracia e os trabalhadores. Enquadrava-se bem no figurino da época, diante do desgaste dos militares e da miséria geral induzida pela política econômica do ministro, Delfim Netto. Não foi preciso muito tempo para ele se tornar o cacique  do PTB.

Virou um fisiológico de primeira e estreou sua verve comandando a tropa de choque de Fernando Collor, o suposto caçador de marajás.  
Eram grandes amigos...
Quando saíram de moda os ideais social-democratas característicos do fim da ditadura e da Nova República, o camaleônico Jefferson adaptou-se ao soprar dos ventos, tendo chegado aos anos Lula com outra cabeça.

Aí, indignado com uma devassa contra seus e$quema$ nos Correios, Jefferson chutou o pau da barraca: subitamente virou combatente da corrupção desde criancinha e, com suas denúncias, fez eclodir o escândalo do mensalão.  

Era um astro da mídia brasileira, mesmo ele também fazendo parte do esquema... 

Condenado e preso, voltou no governo Temer, após haver dado seu tímido apoio ao impeachment da Dilma, e tentou abocanhar o Ministério do Trabalho, colocando lá sua filha. Ela, contudo, foi barrada pelo STF e aí começou seu ódio à corte. 

Igual a muitos, ingressou na trupe do Bozo e virou o mais fanático falador de olavices. Adepto à risca da estética bolsonarista, já apareceu com dois rifles cruzados, o olhar cadáverico e o discurso firme, ameaçando a China, o Supremo, os comunistas, os judeus, até o papa (!) e negando a existência da gravidade (!!). 
...mas, antes de tudo, vem a família.

Na falta de amigos, Bolsonaro tinha até mesmo assistido a uma live dele, na qual o ex-mensaleiro defendia o desenferrujar das armas (!!!). 

Basta pegar uma foto de Jefferson para não haver dúvidas: o homem está em processo acelerado de degeneração mental. O olhar louco e o aspecto doentio são provas cabais. 

Tendo passado por diversas cirurgias devido a um câncer, é absolutamente lícito supormos que ele esteja sofrendo algum processo de demência cada vez mais acentuada. E, por isso até, ele possa falar tantas coisas desconexas sem nenhum pudor do ridículo. 

O caso, portanto, me parece mais médico do que policial

No entanto, a deterioração física do homem Roberto Jefferson é uma perfeita analogia da deterioração de nosso próprio sistema político. Saído das ruínas da ditadura, apenas em aparência comprometido com os ideias da social-democracia e da civilização, logo revelou ser apenas uma criatura do mais baixo fisiologismo, pronta a destruir qualquer direito social ou trabalhista em troca de verba e cargo.
"olhar louco e aspecto doentio"
No fim, enlouqueceu e foi parar no colo de um alucinado cujas ideias provêm de um falso filósofo, astrólogo que vive eternamente no mundo dos chapados. 

Seria cômico se não fosse trágico. Afinal, como pôde alguém tão insignificante e medíocre quase ter derrubado um presidente no passado e agora estar no centro de um imbróglio que poderá gerar um conflito de Poderes de desfecho imprevisível?!  

Jefferson é um símbolo emblemático da decrepitude nacional.  

(por David Emanuel Coelho)

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

AS URNAS DE NOSSA DESESPERANÇA – 1: OS PARTIDOS TRAEM ATÉ OS PRÓPRIOS NOMES

Se por acaso algum candidato tivesse um surto de honestidade e clareza sobre o ato de governar no momento atual da crise do capitalismo (e, particularmente, da crise brasileira), e fizesse um discurso escancarando a realidade ao invés de disfarçá-la, certamente seria cassado pelo próprio partido, execrado pela maioria do eleitorado e talvez até processado pelo Ministério Público por desobediência constitucional. 

É que o eleitor acredita piamente que os problemas sociais sob a ordem capitalista possam ser resolvidos a partir de uma administração pública eficiente e sem corrupção, uma vez que a grande mídia inculcou nas mentes populares que a miséria social decorre desses dois fatores.

Assim, os candidatos fingem ter solução para tudo, prometendo um Brasil próspero, sem corrupção e menos desigual... mas, apenas até o momento em que assumem a responsabilidade de governar o ingovernável! Aí começam as justificativas para o fracasso de curto, médio ou longo prazos.

Esmiuçaremos nesta série de artigos as propostas específicas de cada um dos 13 candidatos, mas antes convém fazermos uma ligeira análise do ideário e da doutrina (ou falta delas) dos partidos que disputarão o poder presidencial em outubro. 
No Brasil os partidos políticos costumam contrariar nas suas práticas aquilo que dizem ser nas suas mensagens programáticas e nas suas simbologias, senão vejamos: 
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— o PTB da Ivete Vargas e, hoje, de Roberto Jefferson (o que dispensa comentários), é patronal e de direita, embora se diga (sem sê-lo) sucessor do trabalhismo nacionalista de Getúlio Vargas, o qual, por sua vez, era baseado na fascista Carta del Lavoro italiana; 
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— o PSDB, cuja própria sigla o identifica como sendo social-democrata, é, na verdade, de centro-direita e neoliberal; 
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— o DEM, ou Democratas, equivale ao Partido Republicano dos EUA, ou seja, é conservador de direita; 
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— O PSC e o Patriota, partidos de aluguel pelos quais concorrem Jair Bolsonaro e o cabo Daciolo, não representam seus programas, até porque nem sequer os têm (reduzem-se a um amálgama de ideias confusas, de um nacionalismo ultrapassado ou fundamentalista), enquanto seus respectivos candidatos não passam de caricaturas de ditadores energúmenos sonhando com um regime ditatorial de direita no qual os partidos sejam banidos; 
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— o PDT tem como candidato Ciro Ferreira Gomes, que foi cesista no governo do coronel César Cals; adautista no governo do coronel Adauto Bezerra; virgilista no governo do coronel Virgílio Távora; gonzaguista no governo de Gonzaga Mota; tassista no governo do outrora peemedebista Tasso Jereisssati (que o tirou da inexpressiva condição de personagem político do interior do Ceará para catapultá-lo a prefeito, governador, ministro e pretendente à Presidência da República). 
Após passar por tantas siglas partidárias, Ciro demonstra pertencer mesmo ao Partido dos Ferreiras  Gomes, não tendo nada a ver com o PDT fundado por Leonel Brizola, cujo DNA era trabalhista e nacionalista ultrapassado (o governador cirista do Ceará é filiado ao PT, para se ter uma ideia barafunda...); 
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 o MDB, que voltou ao nome antigo, foi um partido criado pela ditadura de 1964/85 para servir como um simulacro de oposição. Assim, sempre foi uma linha auxiliar do sistema, ainda que as suas hostes tenham abrigado membros da esquerda que queriam um espaço político e foram perseguidos. 
De tanto usar o cachimbo a boca ficou torta, acostumando-se a ser um partido de auxilio político a qualquer governo (ou de oposição, quando isto lhe for mais conveniente em termos de conquista e acumulação de poder).
Tem na sua história o opróbrio de haver traído as diretas-já para favorecer Tancredo Neves, que queria o colégio eleitoral para se eleger. Deu no que deu: José Sarney, antes presidente do PDS, partido oficial da ditadura, terminou presidente após a queda desta última. 
Termina hoje com um candidato ligado ao mundo financeiro internacional, Henrique Meireles, que tenta a todo custo se desvencilhar da imagem do Presidente Temerário. A trajetória do MDB dá bem uma mostra do que são os partidos políticos no Brasil.

— o Podemos tem como candidato Álvaro Dias e segue a mesma trilha da inconsistência programática, ou seja, é candidato dele mesmo e por puro oportunismo eleitoral, servindo apenas para viabilizar a sua candidatura desde há muito programada, depois que não conseguiu fazê-lo pelo PV; 
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— o Psol é o PT de outrora, mas já laçado pela gravata do poder, e caminha para a domesticação parlamentar e governamental quando assumir o poder estatal burguês em qualquer esfera do Executivo; 
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— o PC do B, supostamente Partido Comunista do Brasil, é na verdade anticomunista, pois defende o desenvolvimento econômico capitalista a qualquer custo, não hesitando em firmar alianças políticas as mais pragmáticas e fisiológicas, dentro do conceito stalinista de que os fins justificam os meios; 
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— o partido da Rede é ecologista comportado, ou seja, sustenta que a questão ecológica possa ser resolvida em pleno capitalista, sendo, portanto, mal definido ideologicamente; 
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— o PV, com seu discurso de ecologia cosmética, é apenas fisiológico e oportunista, entoando, piorada, a mesma cantilena da Rede;
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— o PT é, verdadeiramente, social-democrata... e, ademais, no mau sentido! Ou seja, não passa de um misto de trabalhismo de resultados (que nem trabalhista sério chega a ser) com reformismo (sendo mesmo defensor do capitalismo na sua essência fisiológica governamental). Cameleônico, mostra-se estatizante ou neoliberal conforme seus interesses de momento, quase sempre relacionados ao apego ao poder e à busca das benesses do aparelhamento do Estado;
Para começar, o PT desconhece que o trabalhador e o trabalho são categorias capitalistas; portanto, desde o seu nome é um partido inserido na lógica capitalista, a despeito do seu pretenso viés socialista. O PT no governo encara as depressões capitalistas como suas depressões, ao invés de denunciá-las. 

Os demais partidos são apenas siglas de aluguel que servem à eleição de parlamentares de baixa votação e venda de tempo na propaganda eleitoral. 

Feita esta análise programática superficial das siglas, vamos às propostas e ao perfil de cada um dos 13 candidatos, torcendo para que o número de mau agouro seja mera coincidência... (por Dalton Rosado)
(continua neste post)

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

UM INGREDIENTE DA GELEIA GERAL BRASILEIRA: PARTIDOS INFIÉIS A SEUS NOMES E TRAIDORES DE SEUS PROGRAMAS

O EFEITO LIQUIDIFICADOR OS
PARTIDOS POLÍTICOS NO BRASIL

Em qualquer país do mundo no qual a política dê acesso ao poder estatal, os partidos políticos supostamente representam as correntes de pensamento e posturas político-administrativas que norteiam as ações administrativas (ainda que se admitam candidatos avulsos, sem partidos, em alguns países).

Um vez alçados aos altos postos do Executivo, as diferenças ideológicas são confrontadas com a ditadura da ordem econômica e desaparecem, uma vez que todos as nações têm, hoje, as suas mediações sociais feitas a partir da forma-valor (dinheiro e mercadorias). De Nova York a Palmas do Tocantim, as pessoas acordam igualmente para trabalhar, ganhar dinheiro e, com isto, garantir o sustento material. 

Todos estão submetidos ao fetichismo da mercadoria, de cuja complexidade e negatividade poucos cidadãos se apercebem, daí a positivação de um modo de produção irracional, destrutivo e autodestrutivo, comum a todas as ideologias que emanam das trevas de uma lógica mercantil negativa.

Entretanto, apesar de os governantes não governarem (uma vez que são governados por uma lógica de produção de valor que lhes dá ordens e pauta os seus comportamentos administrativos no sentido da preservação e desenvolvimento dessa mesma lógica), certamente há diferenciações de ações administrativas de cunho ideológico entre este e aquele na eleições de prioridades administrativas, bem como diferenciações no que diz respeito à orientação de comportamentos sociais e conceitos sobre vários assuntos.

Barack Obama discrepa de Donald Trump em questões de interesse internacional (como a negação do acordo sobre o clima de Paris), nacional (o tratamento aos imigrantes) e até quanto à repressão ou convívio com os opositores (que sempre existem, felizmente). 

Tais distinções no exercício do poder político-estatal, ainda que tenham graves repercussões na vida social, são apenas cosméticas, uma vez que a questão de fundo permanece inalterada: o modo de produção social. 

É devido ao modo de produção social capitalista (sistema de produção de mercadorias, de valor a partir do trabalho abstrato) que ocorre o processo de homogeneização dos comportamentos político-administrativos, aí também incluídos os estados ditos marxistas-leninistas. Uma vez no poder nada é mais keynesiano do que um liberal nos momentos de crise do sistema produtor de mercadorias, e nada mais liberal do que um keynesiano nos momentos de ascensão capitalista.

Os partidos políticos correspondem a uma necessidade de legitimação do acesso ao poder verticalizado expresso na acumulação crescente e inevitável da riqueza abstrata, aquela adquirida pela extração da mais-valia (privada ou estatal); e coincidem na aceitação da necessidade de um Estado para fazer o controle monetário e desempenhar as demais funções de manutenção da coerção tácita do sistema produtor de mercadorias e do mercado. 

Dentro deste desiderato, os partidos políticos costumam ser assenhoreados pelos tipos mais mesquinhos de controladores burocráticos serviçais do poder econômico, ou por bandidos cujo único objetivo é o enriquecimento ilícito facultado pelo exercício do poder político do Estado. 

BIPARTIDARISMO COPIADO DOS EUA

No Brasil a questão da formação político partidária, jungida sob a égide da ditadura de 1964/85 e, posteriormente, a partir da chamada abertura (meramente conciliatória), promoveu distorções de conteúdo programático que se refletem, hoje, na completa falta de identidade ideológica entre os nomes dos partidos; os seus programas; aquilo que ditos nomes deveriam representar; e o que efetivamente são.

Tudo começa com a criação da Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido criado pela ditadura militar que abrigou os assumidos conservadores fisiologistas puxa-sacos dos fardados. 

De renovadores os arenosos nada tinham, uma vez que sempre pertenceram à histórica e poderosa elite política brasileira, que instituiu a república com o apoio da caserna (o Brasil é o único país do mundo que derrubou a monarquia pela direita, a ponto de D. Pedro II ter sido mais liberal do que os militares republicanos brasileiros a serviço da elite política).

Como disfarce político da ditadura resolveu-se produzir uma cópia tosca do bipartidarismo estadunidense. Assim nasceu o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), para dar uma aparência de disputa e coexistência política democrática civil, embora qualquer veleidade de ele atuar como uma verdadeira oposição terminasse em fechamento do Congresso e cassação de mandatos.

A partir daí o MDB passou a cumprir a sua função de força auxiliar do poder vigente (ainda que tenha posteriormente abrigado facções ideológicas as mais distintas), função que preenche até hoje, num mimetismo político oportunista que o faz sempre adaptável ao interesse do capital, qualquer que seja o governante. 

A abertura política ao pluripartidarismo obedeceu ao critério do controle da grande conciliação que anistiou torturadores e assassinos, terminando por impor ao povo brasileiro, como novo presidente da República, um estranho no ninho da redemocratização. 

Ninguém menos do que quem presidira até pouco tempo antes o partido da ditadura (o Partido Democrático Social, PDS, que substituiu a Arena) e, abandonando o barco que afundava, filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro, sucessor do MDB: o coronel dos sertões nordestinos em trajes civis e acadêmico imortal interminável José Sarney, peça importante da futura sustentação política do PT e sua famigerada política de conciliação de classe.

FEIOS, SUJOS E MALVADOS

Isto posto, veio o pluripartidarismo negociado na grande conciliação por cima, com as seguintes agremiações:

— o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), legitimado pelo general Golbery do Couto e Silva, que terminou por colocá-lo nas mãos de Ivete Vargas, uma politiqueira conservadora que em nada honraria o trabalhismo getulista e janguista. Assim, o PTB de hoje é conservador e usa as bandeiras do antigo trabalhismo como se fosse sua, num evidente trabalhismo made in Paraguay (que me perdoem os verdadeiros e honestos paraguaios).
Brizola perdeu a sigla PTB para a politiqueira Ivete Vargas

Está nas mãos de Roberto Jefferson, antigo chefe da tropa de choque de Fernando Collor de Mello, com quem o PT foi posteriormente se conluiar para receber (bem feito!) uma punhalada nas costas: a denúncia do mensalão, com ele praticado. 

Eis que, agora, o PTB volta ao poder, com a filha de Jefferson se tornando ministra do Trabalho. Pode? No Brasil pode;

— o Partido dos Trabalhadores (PT), que usa a estrela do socialismo e nasceu sob a égide do movimento operário, enchendo de esperanças ingênuas muitos combatentes da luta contra a exploração capitalista (eu, entre eles). 

A partir da assunção ao poder estatal burguês, o PT, contudo, se metamorfoseou no mais legítimo representante da social democracia conciliadora com o alto empresariado, envergonhando todos os que não aceitam compactuar com o poder econômico, a vilania e a roubalheira generalizada, na mais conspícua tradição utilitarista ("os fins justificam os meios");  

— o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), neoliberal. Abriga nas suas hostes tudo que há de mais conservador, que vai desde a Opus Dei, passando pelo grande empresariado nacional e desembocando em intelectuais e ex-militantes socialistas arrependidos;

— o Democratas (DEM), ex-Partido da Frente Liberal (PFL), no qual encontramos o que há de mais conservador na elite política brasileira. Seus membros, se fossem políticos estadunidenses, representariam a ala mais conservadora e reacionária do Partido Republicano;

— o Partido Comunista do Brasil (PC do B), que se diz centenário mas não passa de uma costela dissidente do antigo e quase secular Partido Comunista Brasileiro (PCB, o velho partidão). Ferrenho defensor do desenvolvimento econômico, ou seja, do capitalismo, está sempre pronto para apoiar partidos de esquerda que tenham o mesmo propósito, ou seja, dar sobrevida às categorias capitalistas trabalho, trabalhador, mercadoria, mercado, estado, política, etc., o que faria o Marx esotérico tremer na cova;

— o Partido Verde (PV),  que supostamente teria como foco a defesa ambiental, mas nunca questiona o modo de produção capitalista (que é predatório da natureza por excelência) e tem nos seus quadros políticos proeminentes eleitoralmente mas sem nenhuma tradição na defesa da ecologia, que ali estão por mera conveniência e oportunismo eleitoral. 

Os militantes realmente focados na questão ambiental sempre terminam por se desiludir com as práticas partidárias do PV, que estão longe de se coadunarem com o que programaticamente o PV se propõe a defender, e vão embora frustrados;

— O Partido Democrático Trabalhista (PDT), criado por Leonel Brizola depois de perder injustamente a sigla PTB para Ivete Vargas. Os laços que porventura ainda o ligavam ao trabalhismo brasileiro pré-1964 se romperam de vez quando Brizola morreu, em 2004. Hoje possui, nos seus quadros políticos, mais empresários do que trabalhadores; e tem prefeitos, governadores e parlamentares sem a mais remota identidade histórica com o trabalhismo.

Seria interminável a lista de partidos desprovidos de qualquer identidade programática e ideológica com seus nomes e estatutos, e que mais se parecem com bandos prontos para assaltar o erário público em tenebrosas transações, nunca recusando as ofertas para ajudarem a aprovar proposições legislativas anti-povo (ou seja, não passam de legendas de aluguel).

Os novos partidos de esquerda (Partido Socialismo e Liberdade, o Psol, e a Rede Sustentabilidade, ou simplesmente Rede) repetem a velha cantilena oposicionista sem compreender a gravidade da debacle capitalista e do seu Estado constitucional no momento de desequilíbrio entre a produção de novos nichos de trabalho (a menor) e a dispensa de grandes contingentes de trabalhadores (a maior), que causa o desemprego estrutural irresolúvel sob sua lógica, arrastando para a miséria grandes contingentes populacionais em meio ao fausto da riqueza abstrata cada vez concentrada. 

Sem o quererem, ou mesmo perceberem, os sempre minoritários partidos de esquerda apenas legitimam o status quo vigente.

Na política as diferenças ideológicas sucumbem na simbiose do efeito liquidificador da homogeneidade patrocinada pelo fetichismo da mercadoria. 

Até quando vamos iludir a nós mesmos? (por Dalton Rosado)

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

RATOS AO MAR!

O PTB e o PDT são inimigos figadais.

O primeiro foi fundado em 1945, por inspiração de Getúlio Vargas. Teve também como grandes líderes João Goulart e Leonel Brizola.

Este último, contudo, não chegou a um acordo com outras lideranças e, ao rearticular a legenda trabalhista no final da década de 1970, preferiu criar um novo partido, o PDT. 

O PTB redivivo ficou desde logo relegado à insignificância e ao fisiologismo.

O PDT se apequenou após a morte de Brizola em 2004, tornando-se igualmente fisiológico.

Como disputavam o legado de Vargas, nunca se bicaram.

Pelo menos até esta semana: acabam de anunciar no mesmo dia o desligamento da base aliada do governo. 

Resta saber se o PDT devolverá o Ministério do Trabalho e o PTB, o do Desenvolvimento.

E se, depois de ocorrer a mudança na qual estão apostando, continuarão recebendo sua ração de queijo do poder. 

terça-feira, 6 de maio de 2014

VEM PRA CAIXA VOCÊ TAMBÉM!

Não entendi por que O Estado de S. Paulo trombeteou, como principal chamada de capa desta terça-feira (6), o seguinte: Por reeleição, Dilma dá vice-presidência da Caixa para o PTB.

Eis o abre da notícia:
Para conseguir apoio do PTB à candidatura à reeleição, a presidente Dilma Rousseff loteou uma das vice-presidências da Caixa ao partido, que já ocupava uma vaga na cúpula do Banco do Brasil desde junho passado. A nomeação como vice-presidente corporativo de Luiz Rondon Teixeira de Magalhães Filho, primeiro tesoureiro do PTB, foi publicada na edição desta segunda-feira, 5, do Diário Oficial da União.
Afinal, qual o motivo para o Estadão escandalizar-se tanto? Se a Dilma estivesse colocando os Irmãos Metralha na diretoria da Caixa Econômica Federal, aí sim se justificaria tamanha indignação...
Roberto Jefferson, um divisor de águas na política brasileira.

Mas, estamos falando de um partido ilibado, integrado por gente finíssima como Alceste Almeida, Alex Calziani, Edna Macedo, Eduardo Seabra, Elaine Costa, Emerson Palmieri, Fernando Gonçalves, Gim Argello, Ilton Capixava, Íris Simões, Jackson Barreto, Jeferson Campos, João Mendes de Jesus, José Militão, Jovais Arantes, Neuton Lima, Ricarte de Freitas, Romeu Queiroz, Tatico e Valmir Amaral. Todos eles, num ou noutro momento recente da vida brasileira, apareceram com merecido destaque no noticiário.

Isto para não lembrarmos este paradigma de honestidade e elevados princípios morais que é Roberto Jefferson, cujo desempenho como presidente do PTB podemos, com inteira justiça, qualificar de inesquecível.
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