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quinta-feira, 3 de abril de 2025

TRUMP PIROU DE VEZ E FARÁ OS EUA REGREDIREM 4 SÉCULOS EM 4 ANOS

"Tornei-me morte, o destruidor de mundos" (Baghavad Gita)
E
rrou quem supunha que Trump não passasse de um agente de Putin infiltrado na Casa Branca. Parecia, mas não era.

Na verdade, ele está mais para um agente da destruição generalizada, um novo Jim Jones que a  todos sacrificará, mas detonando principalmente os próprios Estados Unidos. 

Tem tudo a ver a afirmação de Thomas Friedman, num sentido até mais amplo do que ele pretendeu (referiu-se às inovações tecnológicas chinesas estarem ganhando das estadunidenses de goleada); "Acabo de enxergar o futuro, e adivinhem? Ele não envolve os Estados Unidos"). 

E está certíssimo o FMI, insuspeito de contaminação esquerdista, ao advertir que o tarifaço dos EUA coloca em grande risco a economia mundial. Só faltou acrescentar que quem cria monstros, acaba sendo sua primeira vítima...

Prestes a ser atingido por um vulcão, o país até agora mais poderoso do mundo está vivendo seus últimos dias de esplendor.  Ao unir praticamente o mundo inteiro contra si, Trump comprou uma briga maior do que será capaz de sustentar. 

A guerra comercial decorrente o devastará mais ainda do que a quebra da bolsa de Nova  York em 1929. Daquela vez, a consequência foi uma década inteira de penúria. Desta, há grande chance de os EUA  nunca mais voltarem a ser uma nação de primeira grandeza.

O que estamos vendo agora é apenas um novo desfecho para a guerra civil estadunidense, que parecia ter findado com a rendição dos confederados em 1865. Fato é que tal derrota jamais foi assimilada, continuou sendo uma ferida aberta e latejando até hoje. Finalmente, gangrenou de vez. 

O Norte impôs pelas armas a passagem para uma etapa superior de desenvolvimento capitalista, detonando as bases da exploração rural baseada na escravidão. E, realmente, os Estados Unidos prosperaram muito mais com a industrialização do que avançariam com sua produção de algodão e tabaco no esquema das 
plantations.

Mas, os estados do Sul tinham teoricamente o direito de não aceitarem a abolição da escravidão na marra, apenas porque isto convinha aos que queriam priorizar outras atividades econômicas. 

E, ao contrário do que aconteceu, p. ex.,  no Brasil, a produção escravagista ainda não chegara a seu fim natural (tornar-se contraproducente). Mantinha-se pujante e os brancos sulistas majoritariamente queriam que tudo continuasse como estava.

Mas, derrotados na Guerra da Secessão  e tendo se registrado, em seguida, ganho econômico com o novo modelo, não tiveram como contestar o que lhes foi imposto. E, péssimos seres humanos que eram, se vingaram na parte mais fraca, os negros, exacerbando o racismo.  Fazer com que os direitos civis dos afrodescendentes fossem respeitados quase exigiu uma nova guerra, em plena década de 1950!

Com o capitalismo ora entrando na sua fase agônica, no entanto, a grande vantagem obtida com a vitória do Norte avançado sobre o Sul retrógrado deixou de existir. E isto impulsionou a afirmação da extrema-direita, herdeira óbvia da Ku Klux Klan e outras hordas reacionárias sulistas de outrora. 

O que essa gente inculta e feia quer? Simplesmente um retorno ao autoritarismo brutal do tempo das plantations, com um retrocesso da globalização que os obtusos veem, de forma simplista, como causa da decadência de várias atividades econômicas que empregavam contingentes maiores de trabalhadores.

Megalomaníaco e autodestrutivo como Hitler, o que Trump está tentando é simplesmente fazer a História voltar para trás. Trata-se de uma proeza impossível. 

Pôde ganhar duas eleições porque os EUA já eram um país que estava decaindo sob a modernidade econômica e só conseguia evitar uma imediata debacle mediante a imposição de artificialidades que faziam outras nações arcarem com os ônus de sua perda de competitividade. O que Trump faz é simplesmente derrubar tal castelo de cartas, agilizando um acerto de contas que será pra lá de nefasto para os EUA.

Com isto, mais a enorme rejeição acarretada por medidas de força pretendidas ou praticadas, como a apropriação de territórios alheios e a violação extremada dos direitos humanos de trabalhadores estrangeiros, tudo se encaminha para uma união sem precedentes das outras nações importantes contra os EUA. Elas não têm como perderem!

Quem viver, verá. (por Celso Lungaretti)     

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

BRASIL DA NECROPOLÍTICA VAI SE TORNANDO UMA APOTEÓSE DO HORROR

josias de souza
NO PAÍS DA INTOLERÂNCIA, MORTES CHEGAM
PONTUALMENTE NAS HORAS MAIS INCERTAS
Há ódio demais no noticiário. A campanha eleitoral cheira a enxofre. 

O Brasil passou a conviver com uma expectativa fúnebre: quem será o próximo cadáver? Não se sabe qual será a sua aparência, seu gênero, sua idade, sua raça ou quem o matará. Ele está andando por aí neste instante sem suspeitar que corre o risco de virar defunto e coadjuvante do noticiário político. 

É um fantasma esperando na fila para acontecer. Se tiver sorte, o próximo morto pode não morrer. Mas tudo parece conspirar a favor da sua condenação. 

Nas pegadas de um 7 de setembro em que Bolsonaro chamou seu principal rival de quadrilheiro de nove dedos, exortando a multidão a extirpar da conjuntura esse tipo de gente, um eleitor de Lula foi morto a facadas no Mato Grosso por um colega de trabalho devoto do bolsonarismo. Após esfaquear, o assassino confesso tentou decapitar a vítima a golpes de machado. 
Um delegado de polícia resumiu a tragédia: 
O que levou ao crime foi a opinião política divergente. A vítima estava defendendo o Lula, e o autor, defendendo o Bolsonaro.
No tempo em que ocupou o trono, Lula cultivou a política do nós contra eles. Bolsonaro deu concretude à metafórica guerra do bem contra o mal. Adicionou à retórica pólvora e gatilhos. O povo armado jamais será escravizado, costuma dizer, para justificar os decretos e portarias que editou para distribuir fuzis, pistolas e munição. 

O morto anterior, um tesoureiro petista de Foz do Iguaçu, foi passado nas armas por um bolsonarista que se abespinhou com a decoração petista de uma festa de aniversário. Antes de morrer, o cadáver do Paraná atirou contra o seu assassino, chutado e pisoteado pelos convidados da festa. 

Concebida como alternativa civilizatória às guerras, a política é subvertida ao redor do mundo. No Brasil, a atividade sempre teve suas facções, organizadas em partidos. O conflito era parte do jogo. Mas nenhuma facção tinha a pretensão de silenciar –ou extirpar– adversários. Mesmo os políticos que não se respeitam sabiam que deveriam se enfrentar com respeito. 

Havia exceções desonrosas. Bolsonaro era uma delas. O capitão se fez na política cultivando o ódio. Na Câmara, defendeu o fuzilamento de FHC, lamentou que os índios brasileiros não tivessem sido massacrados como os estadunidenses, enalteceu torturadores, homenageou milicianos, disse que não estupraria uma deputada por falta de merecimento... 

O diabo é que a exceção ganhou musculatura política. Migrou do baixíssimo clero da Câmara para o Planalto. Prevaleceu numa campanha em que falou em fuzilar a petralhada e enviar opositores para a ponta da praia, onde a ditadura desovava os seus cadáveres. 

A emanação da morte vem do apodrecimento da atividade política. Nem o sórdido atentado que Bolsonaro sofreu em Juiz de Fora o fez retirar o ódio do seu pudim. 

Paradoxalmente, a facada de 2018 vem servindo de capital de giro para manter em funcionamento o empreendimento político que industrializa o ódio a partir da Presidência da República. 

Até outro dia, esse ódio vadiava pelas redes sociais. Agora, circula pelas ruas à procura de encrenca. Tratada como instrumento político banal, a raiva contamina a sociedade. 

Pesquisa nacional feita pela Quaest por encomenda de um grupo de estudiosos da Universidade de São Paulo indica que já não se pode criticar os líderes políticos e continuar tratando o eleitorado com punhos de renda. 

Descobriu-se que um em cada cinco eleitores considera muito justificado ou um pouco justificado o uso de violência se o adversário sair vitorioso nas urnas. Vale para os eleitores do capitão da direita e do coronel da esquerda. 

Quer dizer: a intolerância política deixou de ser mero discurso de político aloprado para se tornar um dado da realidade brasileira. Uma realidade que leva ao noticiário um novo cadáver num instante em que o defunto anterior ainda nem esfriou nas manchetes. 

A conjuntura parece sinalizar que o próximo morto está a caminho. Em Goiânia, dias atrás, um policial militar atirou na perna de um homem, dentro de uma congregação cristã. Alegou estar revoltado com a pregação do pastor, que desaconselhava o voto em vermelhos. 

Em São Gonçalo, no Rio, um apoiador de Lula esmurrou simpatizante de Bolsonaro que procurava confusão num comício petista. 

No momento, quem procura uma clareira de sensatez na campanha eleitoral tem dificuldades para encontrar. Ao comentar o sequestro do bicentenário da Independência pela campanha do seu rival, Lula achou que seria uma boa ideia desmerecer as multidões que Bolsonaro arrastou para seus comícios. 
O presidenciável petista soou assim: 
Foi uma coisa muito engraçada que o ato de Bolsonaro parecia uma reunião da Ku Klux Klan, Só faltou o capuz. Porque não tinha negro, não tinha pardo, não tinha pobre, não tinha trabalhador.
Posteriormente, um repórter ofereceu a Lula a oportunidade de se reposicionar em cena. Ele alegou que se referia ao palanque de Bolsonaro, não à plateia.
Em Copacabana, pela fotografia que eu vi, e eu só vi na televisão, era supremacia branca no palanque. Eu até comparei que parecia um pouco a Ku Klux Klan. 
Só faltou o capuz, só faltou a máscara. Porque era isso o palanque. É o palanque de uma elite, que tinha um cidadão vestido de Louro José, que era o artista principal da festa, ele pulava, ele gritava, ele animava, ele aplaudia. 
Lula parecia empenhado em piorar o soneto com sua emenda: 
Eu apenas comparei. Todo filme americano eu vejo isso... Eu vejo muita coisa que aconteceu na guerra racial, e eu vi aquele palanque e eu fiquei assustado. Não tinha povo. Tinha uma elite muito violenta no seu discurso. A começar pelo presidente da República.
Evocar um movimento supremacista surgido na Guerra Civil estadunidense contra um adversário que confunde eleição com conflito armado não parece uma boa ideia. Quem ouve à distância pode ter dificuldades para saber quem é quem. 

O Brasil ajusta-se à sua desgraça. Mas 2022 vai se transformando numa apoteose de horror. No país da intolerância, as mortes chegam pontualmente nas horas mais incertas. As pesquisas sinalizam um 2º turno convertido em gincana de rejeições. 

A fratura política tende a sobreviver às urnas. O brasileiro elegerá um vencedor, não um presidente capaz de reunificar a nação. (por Josias de Souza, no seu melhor artigo de muito tempo para cá)

sábado, 29 de janeiro de 2022

A REAL ALTERNATIVA AO RACISMO É A HUMANIDADE COMPARTILHADA

Wyatt Tee Walker, uma das mais destacadas vozes no combate ao racismo durante 6 décadas 
demétrio magnoli
IR MAIS FUNDO QUE A RAÇA
"Hoje, incontáveis remédios [como a Teoria Crítica da Raça, a abordagem pós-marxista e pós-moderna da moda que analisa a sociedade como estruturas de poder institucional de grupos] nos conduzem à direção errada: a separação até de crianças da escola elementar em categorias raciais explícitas, enfatizando diferenças ao invés de similaridades.

A resposta é ir mais fundo que a raça, que a renda, que a identidade étnica ou de gênero. Ensinar a nós mesmos a compreender cada pessoa não como símbolo de um grupo, mas como um indivíduo singular, especial, no contexto de uma humanidade compartilhada."

Calminha, sacerdotes iracundos da Igreja do Racialismo dos Últimos Dias. Esperem um instante antes de caluniar o autor do texto acima, rotulando-o como supremacista. 
Luther King e Tee Walker "fizeram 
os EUA andar para a frente"

Contenham-se, ativistas da
IRUD nas redes sociais. Não utilizem brankkko, o termo infame que aprenderam com seus sacerdotes a empregar, para associá-lo à Ku Klux Klan (e, quando descobrirem a cor da sua pele, abstenham-se da rotina de qualificá-lo como capataz da Casa-Grande). 

Aguardem, integrantes do grupo Jornalistas Pela Censura Virtuosa: evitem escrever um manifesto identificando suas palavras à negação do Holocausto.

O autor principal do trecho entre aspas é Wyatt Tee Walker, braço direito de Martin Luther King nos movimentos pelos direitos civis, organizador da campanha anti-segregacionista de Birmingham (1963), uma das mais destacadas vozes no combate ao racismo durante seis décadas. 

Quando Walker morreu, em 2018, aos 88 anos, Al Sharpton deu a notícia da seguinte forma: "Uma árvore imensa caiu". 

Sugiro que a IRUD e o Jornalistas pela Censura Virtuosa respeitem-no o suficiente para, ao menos, suportar a publicação de suas ideias.

As sentenças entre aspas estão no artigo A Light Shines in Harlem, de 2015, que celebrava os 16 anos da Escola Sisulu do Harlem, instituição público-privada voltada para alunos de baixa renda. Nele, Walker declarava sua rejeição às políticas identitárias racialistas.

Walker nunca abandonou a luta antirracista. 1999, ano da fundação de sua escola, começou com o assassinato do imigrante da Guiné Amadou Diallo pela polícia de Nova York. Então, o septuagenário Walker perfilou-se ao lado de Sharpton em manifestações de protesto em Wall Street e na ponte do Brooklyn. 

Ele abominava a ideia de classificar jovens estudantes segundo o critério da raça exatamente porque sabia identificar o inimigo.

Um relatório de 1964 da comissão legislativa do Alabama que investigava militantes dos direitos civis descreveu Walker como o verdadeiro líder do movimento negro. O líder intelectual era, claro, King:
"Eu tenho um sonho de que um dia, no Alabama, meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas brancas, como irmãs e irmãos". 
Na linha deles, opino que:
1. O racismo, chaga comparável ao ódio étnico, à intolerância religiosa e à xenofobia, não se combate pela inscrição da raça na lei, pela separação das pessoas segundo a cor da pele, pela introdução de cotas raciais;
2. Combate-se o racismo indo mais fundo que a raça –isto é, afirmando nossa humanidade compartilhada. Por meio da aplicação das leis antirracistas, pela reforma da educação pública, pela reorganização radical da polícia, pela descriminalização das drogas leves, por legislações destinadas a reduzir a segregação espacial urbana.

King, Walker e Sharpton triunfaram falando em igualdade e união. Fizeram os EUA andar para a frente, conquistando as leis dos Direitos Civis e dos Direitos de Voto. Mais: empurraram o mundo adiante, enraizando o antirracismo nas consciências. 

A IRUD, ao contrário, segmenta e separa. Breca o mundo ao dividir os antirracistas, conduzir operações de policiamento cultural e regar, entre brancos e negros, as sementes do racismo popular. (por Demétrio Magnoli)
TOQUE DO EDITOR – Até certo ponto concordo com o Magnoli: todos os movimentos que dividem as vítimas do capitalismo ao invés de uni-los contra a causa maior de suas agruras acabam ajudando a perpetuar a exploração do homem pelo homem.

Erram, p. ex., as feministas ao buscarem um empoderamento contra os homens, pois o verdadeiro inimigo das mulheres é uma forma de organização social que a todos infelicita e impede de se realizarem plenamente.

O mesmo raciocínio se aplica ao movimento negro, aos que lutam contra preconceitos sexuais e a uma infinidade de outros: avancem quanto avançarem, jamais conduzirão seus adeptos a uma existência à altura da dignidade humana.

O grande objetivo é a humanidade compartilhada de que fala o artigo do Magnoli, ou a fraternidade dos homens cantada por John Lennon. Que eu definiria como uma organização social cuja prioridade máxima seja a concretização do bem comum e da igualdade/solidariedade  entre todos os seres humanos do planeta.

E, para tanto, teremos de
ir mais fundo que Magnoli e Tee Walker: talvez a principal lição a extrairmos dos últimos séculos seja a de que o novo modelo de sociedade do qual carecemos desesperadamente (até mesmo para assegurarmos nossa sobrevivência enquanto espécie!) jamais será construído sob o primado da ganância e do privilégio de uns em detrimento dos outros.

Ou nos unimos para superar o capitalismo ou não haverá século 22. É simples assim
.
(CL) 

domingo, 28 de junho de 2020

EM QUEDA LIVRE, TRUMP RADICALIZA E VAI AFUNDANDO CADA VEZ MAIS

kennedy alencar
TRUMP DIVULGA VÍDEO COM LEMA DA SUPREMACIA BRANCA
O presidente Donald Trump recorreu à Supremacia Branca hoje (domingo, 28) numa rede social. Ele retuitou um vídeo no qual um dos seus apoiadores grita duas vezes Poder Branco (White Power) em resposta a críticos do seu governo. 

É mais uma subida do tom racista que o presidente vem imprimindo à sua campanha à reeleição. Ele tem chamado o coronavírus de kung flu, numa alusão racista a kung fu, a arte marcial chinesa. 

A Supremacia Branca é uma ideologia racista que prevê que pessoas brancas devam governar os países em detrimento de outras raças e etnias. O retuíte de Trump surpreende por acontecer num momento em que há protestos nos EUA contra o racismo estrutural e a violência policial que atinge mais os negros. 

Na postagem, Trump escreveu, ao divulgar o vídeo: "Obrigado ao grande povo de The Villages [Flórida]. A esquerda radical democrata não faz nada, vai cair no outono. Corrupto Joe [Biden, o candidato do Partido Democrata] 'tá morto. Nos vemos em breve!!!". 

O vídeo de dois minutos e oito segundos mostra um encontro na Flórida entre apoiadores e críticos de Trump. Biden está liderando as pesquisas no estado, no qual o republicano ganhou da democrata Hillary Clinton há quatro anos. A eleição estadunidense acontecerá em 3 de novembro, outono no Hemisfério Norte. 

A estratégia de uso explícito de um lema racista tende a reduzir o apoio a Trump entre conservadores moderados que votaram nele em 2016. Parece um tiro no pé para manter o apoio desses eleitores. O moderado Joe Biden tem um perfil que não assusta esse segmento, se comparado a outros nomes do Partido Democrata. 

Para piorar a situação de Trump, a pandemia de coronavírus está se agravando no sul do país. Os estados da Florida e do Texas decidiram suspender a reabertura da economia, fechando bares novamente. No Arizona, há risco de estrangulamento da estrutura hospitalar com o aumento das internações. 

Pelo quinto dia consecutivo nos EUA, houve registro de recorde de casos de Covid-19. Neste sábado, foram contabilizados 44.782 casos da doença. A pandemia cresce em 33 dos 50 estados dos EUA. (por Kennedy Alencar, no UOL)

terça-feira, 16 de junho de 2020

AS NOVAS ATRAÇÕES DO CIRCO DO BOZO: OS 300 QUE NÃO SÃO NEM 30 E A CUSPIDORA DE FOGO QUE SÓ SE QUEIMA E FAZ PRESEPADAS

leonardo sakamoto
BOLSONARISTAS PEGAM CARONA EM DEUS PARA
EXPLICAR FOGOS E TOCHAS CONTRA STF
Bolsonaristas afirmam que duas ações contra o Supremo Tribunal Federal – o ataque com fogos de artifício e as ameaças com tochas na mão – foram, na verdade, atos baseados na religião. 

A tentativa de angariar simpatia de evangélicos e católicos da base do presidente e, ao mesmo tempo, livrar a cara dos envolvidos, mostra o modus operandi dos aliados de Jair. 

"Eu tenho certeza de que foi um ato religioso", afirmou o deputado federal Daniel Silveira, em entrevista à CNN Brasil, sobre o bombardeio com fogos neste sábado (13). "Estive com pessoas dias depois do evento e me comprovaram, por vídeos e fotos, que estava sim tendo um culto lá." Segundo ele, uma pessoa teria desvirtuado a natureza da manifestação ao gravar um vídeo. 

Silveira foi um dos alvos da operação da Polícia Federal, que cumpriu nesta 3ª feira (16) 21 mandados e busca e apreensão contra aliados de Jair Bolsonaro, como parte do inquérito que investiga manifestações antidemocráticas. 

O deputado se tornou nacionalmente famoso por posar, sorridente, ao lado de uma placa rasgada com o nome da vereadora executada Marielle Franco, em meio à campanha eleitoral de 2018.

A arquitetura de igrejas e estruturas religiosas cristãs priorizou, ao longo dos séculos, uma ênfase vertical, fazendo com que o olhar dos fiéis fosse direcionados pelas torres e cúpulas ao alto, em respeito a Jeová. 

Contudo, o céu dos participantes desse culto religioso de Brasília ficava no telhado do STF, porque era para lá que os fogos de artifício foram apontados, podendo causar um incêndio. 

Sara Geromini, autodenominada Sara Winter [inspirada na nazista inglesa Sarah Domwille-Taylor Winter, 1870-1945], porta-voz do grupo de extrema direita 300 do Brasil, afirmou em depoimento à PF, após ser presa nesta 2ª (15), que o ato com tochas e máscaras na frente do STF, realizado em 30 de maio, foi baseado na bíblia – também segundo registro da CNN. O grupo foi considerado uma milícia armada pelo Ministério Público. 

Especificamente no Livro de Juízes, capítulo 7, versículo 16: "Então dividiu os trezentos homens em três companhias; e deu-lhes a cada um, nas suas mãos, buzinas, e cântaros vazios, com tochas neles acesas". Essa passagem conta o cerco dos 300 de Gideão a um acampamento da tribo midianita – um dos povos que quebravam o pau com os judeus no Velho Testamento. 

Se os investigadores tiveram a curiosidade de terminar de ler o capítulo, verão que o cerco não foi nada pacífico e não terminou bem para os midianitas, que acabaram expulsos, perseguidos e tiveram dois de seus príncipes decapitados. 
Os vinte e poucos do Brasil e sua midiática musa
Uma escolha peculiar de trecho bíblico para quem disse que fez um ato pacífico. E, na falta de midianitas, o ato atacou o ministro Alexandre de Moraes. 

Sem contar que a estética das tochas adotadas pelos vinte e poucos do Brasil presentes no ato é semelhante àquelas usadas por supremacistas brancos nos Estados Unidos. Não precisa buscar filmes antigos da Ku Klux Klan, basta ver as tochas do protesto de racistas e neonazistas de Charlottesville, em agosto de 2017. 

O fato é que Deus não tem nada a ver com isso, apesar de ser usado da boca para fora pelo bolsonarismo diariamente. A começar pelo próprio Jair Messias, que cita João 8:32 ("Conhecerei a verdade, e ela vós libertará") à exaustão ao mesmo tempo que mente descaradamente ao povo brasileiro sobre a gravidade da pandemia de coronavírus e tenta esconder o seu número de mortos. 

Melhor seria que os aliados do presidente, ao invés de usarem justificativas religiosas, tivessem a coragem de assumir que o bolsonarismo-raiz declarou guerra ao Supremo Tribunal Federal porque a cúpula do Poder Judiciário evita que seu líder governe ao arrepio da Constituição. E domingo após domingo, vai às ruas pedir a cabeça dos ministros da corte. 

Não dá nem para citar Lucas 23:34 - "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem". Por que eles sabem sim. Ô, se sabem. (por Leonardo Sakamoto)

quarta-feira, 3 de abril de 2019

A IRRACIONALIDADE DA SOCIEDADE DA MERCADORIA SE ACENTUA, TORNANDO AINDA MAIS PREMENTE SUA SUPERAÇÃO – 2

(continuação deste post)
São repulsivos os atentados que têm meros civis como alvos
Neste sentido, podemos encontrar pontos comuns entre:
— o fundamentalismo religioso do Boko Haram (tradução: a educação ocidental é pecaminosa) da Jirah Islâmica (guerra santa muçulmana) e da Al Qaeda (apelo à base);
— o transbordamento das barragens de Mariana e Brumadinho;
— as mortes por desabamentos em áreas de moradias de risco;
— as dezenas de morticínios causados por franco-atiradores nos Estados Unidos;
— o morticínio congênere numa escola de Suzano, na grande São Paulo;
— os frequentes atentados terroristas na França, Alemanha, Inglaterra, Holanda, Espanha, Itália e outros países;
— o recente atentado congênere na Nova Zelândia, que causou a morte de 50 pessoas;
— a destruição das torres gêmeas do WTC em Nova York;
— as agressões e assassinatos dos supremacistas brancos da ku-klux-klan;
— o assassinato da vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson;
— as declarações públicas de apoio à legalização de grupos paramilitares como as milícias do RJ;
— a retórica belicista e inconsequente (como a do Boçalnaro, o ignaro em 1999, quando lamentou que o regime militar não tivesse matado 30 mil opositores, incluindo o depois presidente FHC), que encontra guarida em muitas mentes sociais ingênuas;
Um governador de SP prometeu que, após despoluir o Tietê, nadaria em suas águas. Virou piada
— a poluição dos rios que cortam as cidades brasileiras, como a do Tietê, um grande esgoto a céu aberto na meca do capitalismo sul-americano;
— a poluição da Baía de Guanabara, um dos mais belos cartões postais do mundo (quando visto de cima, porque de muito perto a realidade é repugnante);
— o ecocídio mundial;
— as mortes de migrantes ao tentarem chegar às ilhas de prosperidade capitalista (já em fase de decadência) ou mesmo quando já estão no interior destas, etc., etc., etc. 

O ponto comum a todos esses episódios aparentemente desconexos é um nexo causal configurado no espetáculo abstrato, mas tornado real pela forma-mercadoria que tomou todos os poros das sociedades mundiais e, justamente por ter chegado ao seu limite interno absoluto de expansão, acentua a miséria social milenar e a idiossincrasia, provocando a inversão do que seja o melhor exemplo de sociabilidade e formatando criminosos que se consideram heróis midiáticos.   
Causa mortis de todas as vítimas da Vale: a lógica do lucro!

O que faz jovens socialmente desajustados se vestirem de combatentes militares heroicos é a necessidade de se mostrar como tal perante a sociedade na qual está inserido e da qual se considera injustamente excluído, como se deu na escola de Suzano, SP.

O que faz uma empresa como a Vale do Rio Poluído deixar de tomar as providências necessárias à segurança populacional e ecológica é a mesma lógica do lucro que promove a injustiça social segregacionista.

O que leva alguém a cometer suicídio detonando bombas atadas ao seu próprio corpo, pretensamente sob a alegação de que será premiado no céu com um harém de virgens à sua disposição, é a inconformidade com uma vida social insuportável imposta pelo fundamentalismo religioso.

O que polui rios e mares e provoca o aquecimento global (atestado pela maioria dos cientistas, mas negado por dirigentes políticos ancorados um nacionalismo capitalista anacrônico e perigosamente genocida), é a incapacidade sistêmica de convivência harmoniosa com a natureza, por parte de uma sociedade que age irracionalmente seja do ponto de vista institucional ou social.

Destarte, comportamentos aparentemente desconexos entre si têm pontos em comum, quais sejam: 
"necessidade de autoafirmação numa sociedade excludente"
— necessidade de obtenção do lucro a qualquer custo, como via de sobrevivência de uma forma de relação social que se tornou obsoleta;
— necessidade de autoafirmação numa sociedade excludente, com a utilização de mecanismos e atitudes pretensamente heroicas para concretizar-se aquilo que, no desvario mental dos seus agentes, é tido como ação redentora; 
— a positivação dos valores ocidentais equivocados, nas quais preponderam a afirmação supremacista do elemento branco e masculino; e 
— o fundamentalismo religioso, que entra em muitos casos como pano de fundo de outras idiossincrasias.   

Podemos concluir, portanto, que o que está na base de comportamentos que representam revoltas insanas, injustificáveis,ou tragédias ecológicas, é explicável.

Em Brumadinho e Mariana as mortes e a poluição dos rios são lamentadas tanto quanto a redução de impostos e empregos causados pelo rompimento da barragem. É que a dependência de todos à lógica de reprodução do valor os torna escravos do mal em si. 
Entes do sistema não podem contestar a lógica do próprio sistema 

Não é de estranhar-se, portanto, que haja pessoas sentindo-se impelidas a agir compulsiva e irracionalmente, de modo suicida, diante de quadro social tão dantesco. 

No interior mais recôndito do pensamento sempre fica depositada a indagação sobre o porquê da dependência nociva das pessoas em geral a todo esse status quo negativo existente, sem que elas encontrem respostas plausíveis. 

Estas não lhes são oferecidas pela mídia, nem pelo sistema educacional & academia, muito menos pelo segmento político, pois todos eles não contestam (nem podem contestar) a lógica que está subjacente aos conceitos por eles positivados e emitidos. 

A constatação da irracionalidade da sociedade da mercadoria deve nos conduzir à sua contestação racional, teoricamente substantiva e humanamente solidária, como única forma de nos conduzir à superação dos nossos problemas sociais, e não à prática de atos de justicialismos baratos, rebeldias insanas e abjetas que não levam a nada. 

A barbárie social, como efeito e não como causa, é ao mesmo tempo a resultante e o combustível do arbítrio, dos atos de terrorismos e das tragédias decorrentes. (por Dalton Rosado)

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

COMO ROMPERMOS O AMORDAÇAMENTO DA CRÍTICA PELA MANIPULAÇÃO MIDIÁTICA E EDUCACIONAL DAS CONSCIÊNCIAS?

dalton rosado
A SÓCIO-SUPERFICIALIDADE
A realidade social está submissa à imagem; a aparência se sobrepõe à verdade; a cópia é mais importante do que o original; a versão do fato é mais importante que o fato; o falso é o verdadeiro; o mentiroso mente para si mesmo e acredita na própria mentira. Ludwig Feuerbach e Guy Debord tinham razão. 

A superficialidade social resulta da constatação de que o valor de uso dos objetos servíveis ao consumo humano se subsume ao valor de troca, que por sua vez é a resultante de um modo de produção social ilusório, escravista, segregacionista, assassino.

O que vemos ocorrer a partir disso é a falta de profundidade dos conceitos e uma capitulação social completa à aparência ilusória na qual o abstrato (o valor de troca) domina o concreto (o valor de uso). 

Mais vale uma mentira fácil de ser compreendida e absorvida do que uma verdade incômoda, profunda, que implique sacrifícios reflexivos intelectuais e mudanças de posturas individuais e coletivas.

É sob esta areia movediça que se funda (e se afunda) a consciência social (ou a falta dela). Disso já se apercebera Joseph Goebbels, o sinistro ministro da Propaganda de Hitler, sabedor de que ao difundir mentiras em massa pelo recém-descoberto instrumento midiático, o rádio, poderia dominar politicamente a Alemanha.
Goebbles envenenou o povo alemão pelas ondas do rádio

A mercadoria, esta coisa espetacularmente diabólica com duas personalidades (valor de uso e de troca) dominou o mundo como se tudo se resumisse a uma ilusória jogatina de cassino; seu resultado social é a substituição do concreto sensível pelo abstrato falso e insensível, como se este último fosse o verdadeiro. 

Alguém diz que quer varrer o banditismo da realidade nacional e se conluia com bandidos para fazê-lo. O povo, incapaz de perceber a identidade entre postulados aparentemente diferentes mas igualados no seu espírito mais recôndito, deixa-se dominar como zumbi teleguiado pela espetáculo midiático. 

Fake news, twitters, manipulações instantâneas de imagens em vídeos, leituras superficiais de conceitos sub-repticiamente indutores e tantas outras informações inconsistentes são consumidas com a rapidez de um fast food, pois, afinal, time is money.

Disse Monteiro Lobato que um país se faz com homens e livros. Pois bem, as livrarias estão fechando as portas porque a reflexão consistente é algo que se tornou enfadonho e desinteressante. É o caso de se dizer que a barbárie se faz, também, com homens imbecilizados por conceitos equivocados mas positivados e incensados pela cultura mercadológica vigente. 

Tudo se tornou muito rápido e intenso, com o pensar ficando saturado e incapaz de raciocinar sobre o que está sendo atestado como verdade.
O guru do bolsonarismo diz fumar 2 a 3 maços por dia
Todos mentem e acreditam que o por eles dito seja verdadeiro, por mais estapafúrdia que seja a afirmação:
 — Olavo de Carvalho, o bruxo exotérico do bolsonarismo diz que fumar é bom para a saúde, indica ministros e faz doutrinação ideológica que faz lembrar a nefanda Ku Klux Klan;     
— Daniel Ortega vira crente e nega a vida em nome da defesa da vida; 
— o presidente destrumpelhado diz compadecer-se do povo venezuelano enquanto mata latinos na fronteira dos Estados Unidos; 
— o sistema de crédito mundial cria agências e fundações humanitárias, mas cobra juros escorchantes dos países para os quais alardeia fazer caridade;
— a cruzada justicialista diz ser contra a corrupção, mas aceita e oficializa a corrupção do poder econômico que rouba o valor produzido pelos trabalhadores por parte do capital sob as mais variadas formas;
— descobre-se que os hipócritas arautos da nova política são jovens deputados ou senadores tendentes a formar uma dinastia política nos mesmíssimos moldes das antigas, promovendo o próprio crescimento patrimonial como num passe de mágica;   
— os sindicatos bradam contra o capitalismo, mas querem trabalho produtor do capital e mais salários para os seus associados, num processo de retroalimentação da própria lógica do dinheiro (e muitos ainda se dizem marxistas!);
— o liberalismo capitalista prega a livre fruição das regras de mercado, mas socorre os bancos falidos pelo controle monetário estatal com emissão de dinheiro sem valor quando há estouro das bolhas financeiras (nada mais keynesiano do que um liberal na crise);       
"a sofreguidão da caça ao dinheiro"
— o capitalismo prega a democracia liberal como expressão do livre exercício da vontade, desconhecendo a sangrenta mão invisível da ditadura de mercado e sua autofagia concentradora e segregacionista da riqueza socialmente produzida,  que transforma todos em obedientes espectadores do espetáculo midiático;
— o recém-empossado governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, critica as construções em áreas de risco, mas nada diz sobre o fato de a mercadoria terra ser inacessível aos assalariados, obrigando-os a recorrerem a moradias precárias cujo custo de construção (mercadoria casa) e infraestrutura urbana é ainda maior que o preço do terreno;
— todos pregam uma reforma previdenciária que retirará direitos de aposentadoria e reduzirá os valores das pensões como tentativa de salvar o Estado da falência anunciada, mas nenhum desses atores vai ao âmago da questão, qual seja o imperativo da superação da forma e conteúdo da relação social alicerçada na forma-valor (aceita-se a penúria como alternativa à penúria!).  

Tudo ocorre numa velocidade espantosa. Mas, paradoxalmente, a pressa do mundo da mercadoria esbarra na paralisia do próprio ser humano diante de uma realidade social que o torna, em grande parte, supérfluo. 

Uns se assoberbam de tarefas num esforço de produção individual competitiva; outros se veem sem terem o que fazer ou como fazer para sobreviver. Grassa o desemprego estrutural que corresponde à inércia sem pressa das ações individuais e coletivas.   

Os veículos congestionam as artérias citadinas e a sofreguidão da caça ao dinheiro esbarra na irracionalidade de um trânsito lento e poluente. Tudo é absolutamente contraditório e superficial, justamente porque a dinâmica do capital é contraditória, mentirosa, superficial e assassina, tanto do ponto de vista material como ecológico. 
Brumadinho: o capitalismo destrói e mata!
As evidências de um modo de ser social que agride a vida materialmente e ecologicamente são discutidas pela mídia de modo igualmente superficial. O que você, caro leitor, está lendo aqui, certamente não encontrará nos veículos midiáticos empresariais.

Isto porque não se pode negar a própria natureza. O que aconteceria a um repórter que, contrariando o(a) chefe de reportagem ou diretor(a) de redação, repetisse o que afirmamos neste blog? Advertência e, caso insistisse em bater na mesma tecla, demissão. Simples assim. 

A mídia, vendedora de mercadoria, é a grande correia de transmissão da superficialidade conceitual espetacular que grassa nas (in)consciências populares. Adora reduzir os complexos problemas sociais à mera boa ou má administração governamental... omitindo que é o próprio modo de produção que infelicita a humanidade! E aí vem o Paulo Guedes e faz humor involuntário, ao pretender que o capitalismo nos esteja redimindo.     

Se as barragens de Mariana e Brumadinho se rompem, matando centenas de pessoas, é proibido responsabilizar-se a forma-mercadoria e a imperiosa necessidade de realização de lucros sem os quais o capital não sobrevive. Inculpam-se técnicos e dirigentes empresariais, ou, quando muito, algum empresário com ganância exacerbada (como se o lucro, em si, não fosse por natureza ganancioso).
"o empresariado que guiou o PT na descida ao inferno"

Se o Partido dos Trabalhadores se conluiou com a tradicional burguesia predadora do Brasil no afã de obter dinheiro para fazer face aos pesados custos eleitorais e, assim, perpetuar-se no poder, o defeito é apenas do PT (sem querermos relevar sua culpa evidente) e não do empresariado que o guiou, como cicerone, nessa descida ao inferno.

Se o planeta está sofrendo com o problema do aquecimento provocado por um modo de produção social predatório que impede a dispersão dos raios na estratosfera, que se descubram formas energéticas alternativas de produção, mas nunca se questione o próprio modo de produção que é predatório da natureza por essência constitutiva.  

Levando em conta o que se passa no Brasil e no mundo, além da vitória generalizada da iniquidade que analisei neste artigo, fico a me perguntar: como rompermos esse cada vez mais severo amordaçamento da crítica pela manipulação midiática e educacional das consciências?

Mais: por que a esquerda insiste em se descredenciar perante a população com a sua busca do poder político estatal burguês, negando os mais relevantes postulados da justiça social e dando azo à credibilidade do discurso falsamente moralista e historicamente ultrapassado da direita?

A carga de informações agressivas que infesta a web, espalhada principalmente pela direita e seus adeptos (voluntários ou não), transformou o histórico desejo da livre comunicação revolucionária num território do avassalador conservadorismo irresponsável e superficial da informação. 

A sócio-superficialidade é o mais novo e recente fenômeno mercadológico midiático de legitimação do poder econômico e dos seus serviçais da política. 
(por Dalton Rosado)
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