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quinta-feira, 3 de abril de 2025

TRUMP PIROU DE VEZ E FARÁ OS EUA REGREDIREM 4 SÉCULOS EM 4 ANOS

"Tornei-me morte, o destruidor de mundos" (Baghavad Gita)
E
rrou quem supunha que Trump não passasse de um agente de Putin infiltrado na Casa Branca. Parecia, mas não era.

Na verdade, ele está mais para um agente da destruição generalizada, um novo Jim Jones que a  todos sacrificará, mas detonando principalmente os próprios Estados Unidos. 

Tem tudo a ver a afirmação de Thomas Friedman, num sentido até mais amplo do que ele pretendeu (referiu-se às inovações tecnológicas chinesas estarem ganhando das estadunidenses de goleada); "Acabo de enxergar o futuro, e adivinhem? Ele não envolve os Estados Unidos"). 

E está certíssimo o FMI, insuspeito de contaminação esquerdista, ao advertir que o tarifaço dos EUA coloca em grande risco a economia mundial. Só faltou acrescentar que quem cria monstros, acaba sendo sua primeira vítima...

Prestes a ser atingido por um vulcão, o país até agora mais poderoso do mundo está vivendo seus últimos dias de esplendor.  Ao unir praticamente o mundo inteiro contra si, Trump comprou uma briga maior do que será capaz de sustentar. 

A guerra comercial decorrente o devastará mais ainda do que a quebra da bolsa de Nova  York em 1929. Daquela vez, a consequência foi uma década inteira de penúria. Desta, há grande chance de os EUA  nunca mais voltarem a ser uma nação de primeira grandeza.

O que estamos vendo agora é apenas um novo desfecho para a guerra civil estadunidense, que parecia ter findado com a rendição dos confederados em 1865. Fato é que tal derrota jamais foi assimilada, continuou sendo uma ferida aberta e latejando até hoje. Finalmente, gangrenou de vez. 

O Norte impôs pelas armas a passagem para uma etapa superior de desenvolvimento capitalista, detonando as bases da exploração rural baseada na escravidão. E, realmente, os Estados Unidos prosperaram muito mais com a industrialização do que avançariam com sua produção de algodão e tabaco no esquema das 
plantations.

Mas, os estados do Sul tinham teoricamente o direito de não aceitarem a abolição da escravidão na marra, apenas porque isto convinha aos que queriam priorizar outras atividades econômicas. 

E, ao contrário do que aconteceu, p. ex.,  no Brasil, a produção escravagista ainda não chegara a seu fim natural (tornar-se contraproducente). Mantinha-se pujante e os brancos sulistas majoritariamente queriam que tudo continuasse como estava.

Mas, derrotados na Guerra da Secessão  e tendo se registrado, em seguida, ganho econômico com o novo modelo, não tiveram como contestar o que lhes foi imposto. E, péssimos seres humanos que eram, se vingaram na parte mais fraca, os negros, exacerbando o racismo.  Fazer com que os direitos civis dos afrodescendentes fossem respeitados quase exigiu uma nova guerra, em plena década de 1950!

Com o capitalismo ora entrando na sua fase agônica, no entanto, a grande vantagem obtida com a vitória do Norte avançado sobre o Sul retrógrado deixou de existir. E isto impulsionou a afirmação da extrema-direita, herdeira óbvia da Ku Klux Klan e outras hordas reacionárias sulistas de outrora. 

O que essa gente inculta e feia quer? Simplesmente um retorno ao autoritarismo brutal do tempo das plantations, com um retrocesso da globalização que os obtusos veem, de forma simplista, como causa da decadência de várias atividades econômicas que empregavam contingentes maiores de trabalhadores.

Megalomaníaco e autodestrutivo como Hitler, o que Trump está tentando é simplesmente fazer a História voltar para trás. Trata-se de uma proeza impossível. 

Pôde ganhar duas eleições porque os EUA já eram um país que estava decaindo sob a modernidade econômica e só conseguia evitar uma imediata debacle mediante a imposição de artificialidades que faziam outras nações arcarem com os ônus de sua perda de competitividade. O que Trump faz é simplesmente derrubar tal castelo de cartas, agilizando um acerto de contas que será pra lá de nefasto para os EUA.

Com isto, mais a enorme rejeição acarretada por medidas de força pretendidas ou praticadas, como a apropriação de territórios alheios e a violação extremada dos direitos humanos de trabalhadores estrangeiros, tudo se encaminha para uma união sem precedentes das outras nações importantes contra os EUA. Elas não têm como perderem!

Quem viver, verá. (por Celso Lungaretti    

sexta-feira, 15 de julho de 2022

QUANDO É QUE PEGAREMOS O TOURO CAPITALISTA PELOS CHIFRES? – 3

(continuação deste post)
A pergunta que não quer calar: 1929 se repetirá? 
A
guerra, a queda mundial no crescimento do PIB e da inflação não são causas, mas sim consequências irremovíveis das contradições da lógica do capital, estando agora mais presentes do que nunca.

A Comissão Europeia, organismo integrante da ordem capitalista, portanto, de apoio ao capital e de insuspeita tendência crítica, afirma que os EUA encaminham-se para inflação de 7,3% neste ano de 2022 (a maior desde décadas) e a zona do euro, de 6%. O Brasil prevê uma inflação em torno de 12% . 

Como ensina qualquer manual simplório de economia, a inflação é consequência de uma circulação de moeda sem correspondência com a produção de mercadorias. Assim, como há mais dinheiro em circulação do que produção de mercadorias, a lei da oferta e da procura promove a alta dos preços das ditas cujas (não do seu valor intrínseco, daí a moeda perder credibilidade como sua representação). 

Os Bancos Centrais, em obediência à economia e suas regras ditatoriais (não há BCs politicamente autônomos, como se quer afirmar), emitem moedas sem lastro como forma de doar sangue artificial a um organismo anêmico para evitar sua falência antecipada. 

A inflação é uma febre que denuncia a infecção no organismo capitalista. Não se pode quebrar o termômetro como forma de encobri-la, porque os assalariados compram mercadorias e serviços com o dinheiro que ganham, o que torna explícitos e conhecidos os seus efeitos socialmente nefastos. 

Traduzindo: a inflação é o maior confisco de salários que pode existir, e se alia à extração de mais-valia e aos impostos estatais como categorias capitalistas promotoras da cruel segregação social que ora se acentua gravemente.
Já passamos perto de uma nova depressão mundial na
crise do subprime. E a coisa não melhorou desde 2008 

Tudo isso corresponde a um ciclo vicioso decadente:
— não se produz porque não se vende;
— não se vende porque não há capacidade de compra pela população;
— mas, como a máquina do capital precisa continuar viva, emite-se moeda sem lastro, que causa inflação;
— a inflação corrói o poder de compra, e por aí vai... 

Ou seja, o Produto Interno Bruto decai em consequência das contradições capitalistas em processo. 

A Comissão Europeia prevê uma redução do PIB mundial para 2022. O PIB mundial deverá situar-se em 2,9% para 2022, incapaz de recuperar as perdas havidas em 2020 (ano da intensificação da paralisia econômica provocada pela epidemia da covid-19). 

E, com inflação alta, tais números se tornam socialmente explosivos; e, principalmente, assombrosos para a periferia capitalista. 

A África, p. ex., corre grave risco de ser vítima de um processo de inanição causada pela fome. O Egito já dá sinais de tal tragédia humanitária.

Para se ter uma ideia da gravidade do problema, os Estados Unidos, que detém a maior economia nacional do mundo, registraram uma queda do PIB de 1,4% no 1º trimestre do presente ano e o 2º trimestre também não está sendo alentador para os capitalistas e rentistas em geral. As bolsas de valores caem, e as rendas de capital acompanham a mesma trajetória. 

Corroborando o que prevê a Comissão Europeia, a Organização Mundial do Comércio, organismo da ordem capitalista, afirma que teremos em 2022 um PIB mundial em 2022 de apenas 2,8%.
O PIB mundial de 2019, antes mesmo da pandemia, já demonstrava fragilidade, fixando-se em apenas em cerca de 3,0%. A crise sanitária apenas agravou o que já era gravemente preocupante.

Com a economia mundial interligada e a velha e fratricida disputa por hegemonia economia entre as nações (reproduzindo a competição fratricida entre os empresários na guerra de mercado e até dos trabalhadores por ascensão profissional), está ocorrendo um novo fenômeno. 

Ele é uma consequência das guerras localizadas, com reflexos negativos na economia mundial: trata-se da paralisia da produção causada pela falta de insumos necessários à produção nos níveis de mercado. É mais um fator desestabilizador. 

A falta de produção e fornecimento internacional de semicondutores da produção de equipamentos tecnológicos (carros, computadores, celulares, etc.) está travada e isto está contribuindo ainda mais para a queda do PIB mundial, sem contar com a volta da epidemia de covid-19 em alguns países, como o Brasil, que está vivendo um crescendo perigoso de contaminação e se aproximando das 700 mil mortes para pouco mais de 210 milhões de habitantes.  

Neste quadro recessivo, a máquina estatal carente de recursos para prover as demandas sociais de sua incumbência e os altos juros da dívida pública dos países pobres, que sustentam o mercado financeiro mundial, endivida-se ainda mais, numa bola de neve sombria e ameaçadora. 

Mas os políticos continuam a desejar o acesso ao poder político decrépito da ordem capitalista, e o povo é incitado a votar como forma de solução de problemas que estão longe de poderem ser resolvidos por quem está inserido no contexto político capitalista. 

Aí, haja aumento da dívida pública e privada! Haja emissão de moeda sem lastro!

Segundo economistas mais conscienciosos, há 40% de possibilidades de entrarmos num quadro de recessão mundial; a agência Morgan Stanley, avaliando tal risco em 35%, fica só um pouco atrás.

Assim, os investimentos se retraem e tudo converge para um impasse de proporções bem maiores do que aqueles causados há cerca de quase cem anos (1929/1930), quando começou a 
grande depressão que estendeu-se pela década de 1930 adentro.  

E todos estes problemas são acrescidos pelo aquecimento global, que também contribui fortemente para a desertificação esterilizante e para a formação de catástrofes climáticas insuportáveis. 

Quando é que vamos ter coragem de pegar o touro capitalista pelo chifre??? (por Dalton Rosado)

sábado, 14 de maio de 2022

O PT AVALIA QUE NÃO VAI TER GOLPE. DESTA VEZ EU CONCORDO.

"
A avaliação é quase unânime no PT e no grupo de auxiliares diretos de Lula: Bolsonaro pode até tentar, mas dificilmente conseguirá ser bem-sucedido num golpe caso perca – ou perceba que vai perder – as eleições de outubro.

...os petistas acreditam que falta a Bolsonaro o tripé descrito na página 2 do Manual do Golpista Sulamericano Mirim: apoio simultâneo dos detentores do dinheiro – banqueiros e empresários –, dos Estados Unidos e, principalmente, a unidade das Forças Armadas em torno do projeto golpista."
.
A informação é de Ricardo Galhardo, num artigo que acabo de receber do Intercept Brasil por e-mail e ainda não aparece nem no seu site nem na busca do Google, intitulado O PT não tem medo de golpe.

Ele veio ao encontro da minha avaliação pessoal, várias vezes reiteradas neste blog. 

Eu apenas aprofundaria um pouco a questão da grana: não é só ao Bozo que falta o apoio dos poderosos do capitalismo, mas faltaria a qualquer outro golpista, pois o sistema de exploração do homem pelo homem está colapsando à medida que não consegue mais manter o contínuo crescimento do qual depende sua sobrevivência

[Com outras palavras, o companheiro Dalton Rosado bate nesta mesma tecla em seus artigos.]

O motivo disto é que Marx estava certíssimo ao prever a derrocada do capitalismo por força de sua contradição básica: ele permite a uma ínfima minoria apropriar-se de uma fatia descomunal das receitas advindas do trabalho humano, não dando à imensa maioria poder aquisitivo suficiente para adquirir todos os bens ofertados.

É um mecanismo perverso que vem desde as crises cíclicas do capitalismo, que outrora ocorriam mais ou menos a cada dez anos. Muitos paliativos já foram adotados, como a sempre lembrada queima de café no porto de Santos no início do século passado, para que a oferta excessiva do produto não causasse uma queda acentuada de seu preço no mercado internacional.

Os produtos também independem do poder aquisitivo dos consumidores individuais quando se destinam às matanças e países pagam por eles. Assim, p. ex., os Estados Unidos só saíram da recessão econômica iniciada em 1929 (e que se alongou pela década de 1930 adentro) quando suas indústrias passaram a produzir armamentos para os países europeus utilizarem contra nazistas e fascistas.

E houve também a introdução de muitos artifícios para ir-se empurrando o acerto de contas com a barriga através da concessão de crédito muito além da capacidade que os tomadores de empréstimos têm de honrá-los. A crise do subprime nos EUA, no final da década retrasada, é o exemplo mais emblemático.

Mas, tal sobrevivência artificial do capitalismo não pode prolongar-se indefinidamente. Então, hoje o Tio Sam não tem mais poder de fogo para investir pesadamente no Brasil quando o poder balança, como fez em 1969/1970 para fabricar o ilusório milagre brasileiro, uma miragem que logo se dissiparia, mas foi o suficiente para garantir o apoio de boa parte da classe média à ditadura militar.

Os golpistas de 1964 conspiravam desde a década anterior, mas só conseguiram êxito no seu intento quando o Governo João Goulart se evidenciou impotente para debelar a crise econômica e os EUA pareciam prontinhos para acudir o Brasil (na verdade, a cor do dinheiro só foi vista cinco anos depois, quando a vaca já estava a caminho do brejo).  

Evidentemente, se o genocida disser aos grandes empresários que Biden vai soltar a grana de que o Brasil carece desesperadamente, os ditos cujos rirão na cara dele. Com seus consultores caríssimos pensando por eles, não se deixam iludir por bicos de mamadeiras com formato de pênis, promessas de (logo quem!) combater a corrupção e outras sandices que só bolsominions são desinformados e tolos a ponto de engolirem.

Então, pelo menos uma vez na vida os dirigentes do PT estão certos: não vai ter golpe.

O que não os exime de, sabotando o impeachment do celerado para facilitar a vitória do Lula nas urnas, terem condenado à morte centenas de milhares de brasileiros que sobreviveriam à pandemia caso houvesse um presidente de verdade no Palácio do Planalto e não um arruaceiro desvairado investindo no caos. (por Celso Lungaretti)

sexta-feira, 2 de abril de 2021

SE NOSSA ESPÉCIE NÃO FOR EXTINTA ANTES, CHEGAREMOS À 3ª NATUREZA HUMANA – 1

dalton rosado
SOMOS AINDA IRRACIONAIS?
As ciências biológica e sociológica consideram que os seres humanos vivem o estágio da segunda natureza humana. A diferença entre o atual e o período tido como primeira natureza é a irracionalidade animal e a racionalidade do homo sapiens cuja aquisição inicial se situa uns 250 mil anos atrás.

É evidente que a transformação e transição de um estágio para outro não se operou (e nem se opera) num estalar de dedos, mas ao longo de milênios e de modo geografica e linearmente diferenciado; é certo, também, que a cada avanço se aceleram os mecanismos cognitivos de superação dos estágios anteriores, em busca de uma maior racionalidade.

Mas os traços de irracionalidade e crueldade próprios de um estágio selvagem (que me perdoem os animais irracionais pelo termo, de vez que estes jamais predam a natureza, ainda que devorem uns aos outros para sobreviverem) têm aflorado na era moderna, como se ainda estivéssemos presos às amarras de nosso passado distante. 

O que dizer dos exemplos da 2ª Guerra Mundialna qual pelo menos 50 milhões de seres humanos foram ceifados pela brutalidade de governos tiranos nacionalistas capitalistas (mas autoproclamados socialistas e trabalhistas em suas nomenclaturas de partidos, como o nazista alemão e o fascista italiano)? 
O que dizer da guerra da Síria, que já dura 10 anos, com a morte e a migração forçada de milhões de pessoas? Nela se verifica, além da luta pelo poder, a intervenção oportunista de tudo que é grupo político-religioso ou doutrina ideológica a disputar ali a verdade ditada pelo santo graal.

O que dizer da tragédia dos seres humanos (inclusive crianças) que correm riscos imensos e sujeitam-se às piores agruras em fugas desesperadas da guerra e da fome que grassam em seus países de origem, dirigindo-se cheios de esperanças às mecas do capitalismo e, quando sobrevivem à aventura, sendo por elas sumariamente rejeitados? 

O que dizer das turbas que glamurizam um passado tenebroso, voltando a utilizar, como símbolo de solução dos problemas sociais, a suástica ensanguentada do nazismo (regime decorrente do desemprego e penúria da Grande Depressão, aliás menos grave do que a reprise que ora se delineia, cujas perspectivas são ainda mais aterrorizantes)? 

O que dizer dos grupos raivosos que surgiram recentemente no Brasil (iludidos por conceitos patrióticos ultrapassados e por um simplista moralismo anticorrupção, sem compreenderem que o próprio capital, por eles defendido, é a maior das corrupções, aliam-se aos industriais e banqueiros corruptores e barbarizam os cidadãos conscientes que se lhes opõem)?

O que dizer de um governo que mantém, em gabinetes próximos ao do presidente da República, uma tropa que dá sustentação informática eletrônica à lavagem cerebral em larga escala, o dito gabinete do ódio, a disseminar uma virulenta desqualificação moral dos adversários políticos, além de incitar levantes golpistas e totalitários de ultradireita (querem a quebra das instituições do Estado burguês para em seu lugar colocarem a força das armas e a infâmia das posturas racistas, xenófobas, misóginas, supremacistas, elitistas, etc., etc., etc.)? 

O que dizer da irracionalidade do trânsito das megalópoles, lento por conta do congestionamento de veículos individuais ao invés de transportes públicos de massa que proporcionassem comodidades e rapidez de deslocamento das pessoas, e que ainda polui pela emissão de monóxido de carbono na atmosfera, tudo como forma de atender à pretensa indispensabilidade de empregos da indústria automobilística?
O que dizer de um processo industrial capitalista que infesta a atmosfera com o mesmo poluente do monóxido de carbono do trânsito e que tem nos dois maiores produtores de mercadorias do mundo, os Estados Unidos e a China, os maiores emissores?

Creio serem desnecessários mais exemplos, embora eu ainda pudesse citar muitos outros, de diferentes naturezas mas convergentes quanto à origem: o processo de produção e comercialização mercantil capitalista e seu comando irracional, que nos dá ordens insanas para que as cumpramos como obedientes soldados sem senso de justiça e de moralidade, nem um mínimo de empatia com os demais seres humanos. (por Dalton Rosado)
(continua neste post)

quinta-feira, 30 de julho de 2020

CONVENCIDA DO SEU PODERIO ECONÔMICO, A ALEMANHA INSURGE-SE CONTRA O BLOCO QUE AJUDOU A CRIAR - 2

(continuação deste post)
Europeus discutem ajuda a países debilitados pela pandemia...
Estes são os fatos que explicitam a controvérsia e conflitos de interesses subjacentes à emissão de moeda única num bloco continental formado por países com interesses capitalistas dessemelhantes e capacidades produtivas de mercadorias igualmente diferentes. 

A causa de base desse conflito foi prevista por Karl Marx há cerca de 160 anos, ainda que os seus detratores ideológicos não o queiram aceitar, e consiste:
.
— no fato de que a capacidade de reprodução da massa global de valor e de mais-valia, além de deixar um rastro de sangue (vide as duas guerras mundiais) e de exclusão (os salários tendem a ser reduzidos em valor e em quantidade), é diminuída por força da obsolescência do trabalho abstrato em maior proporção que os novos nichos de trabalho surgidos;
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— em que tal redução de salários e de volume de força de trabalho, forçada pelo regime concorrencial de mercado entre capitalistas (que se destroem como adversários e jamais podem se solidarizar pelo bem social), se opera pelo desenvolvimento tecnológico da produção que conspira contra a própria dinâmica de necessidade de progressão ad infinitum para sua sustentação;
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— que a lógica do capital consiste numa disputa de hegemonia mercadológica que vai desde a menor de suas células (um pequeno comerciante de bairro) até grandes conglomerados industriais, comerciais e financeiros, que muitas vezes se fundem como forma de obtenção do monopólio mercadológico (ou seja, quando se unem é para destruírem alguém);
...mas o que Merkel quer mesmo é impor uma hegemonia alemã.
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— que na guerra concorrencial de mercado vence quem produz com menor custo e melhor qualidade, e em tal disputa encarniçada sempre existe um inimigo a ser vencido e não um solidário parceiro a quem se deva ajudar.
.
Portanto, como se querer que haja solidariedade entre o países da EU, se eles competem entre si e tal competição envolve a relação comercial com outros países fora do bloco, a qual precisa ser vencida? 

As moedas são (ou deveriam ser) meros signos do valor mediante a escala numérica que lhes são auferidas pelos Bancos Centrais, e regular o valor de cada mercadoria dentro do critério de produtividade de cada uma. 

Assim, quando desconectadas das relações econômicas ditas válidas (produção de mercadorias) elas não passam de documentos falsos que, mais cedo ou mais tarde, evidenciarão tal falsidade com catastróficos resultados econômicos e sociais. 

Ora, num quadro de depressão econômica como o que está a se configurar, e que impõe a necessidade emergencial de emissão de moeda sem lastro para o socorro dos países de economias mais frágeis (casos da Itália, Grécia, Portugal, Espanha e outros integrantes do bloco da União Europeia), tal emissão perturba os países de economias mais resistentes à crise.   
Não sendo a solidariedade usual entre capitalistas...

A Alemanha não deseja que a moeda única adotada venha a ser objeto de perda de credibilidade acentuada em razão desse comportamento monetário de socorro, cuja perpetuação causaria graves resultados colaterais no futuro próximo.


No capitalismo ninguém quer continuar sócio de alguém que esteja falido e traga os ônus de sua falência para dentro da sociedade (no caso presente, os países pobres do bloco europeu). 

É isso o que está a acontecer nesse conflito monetário europeu no qual o poder judiciário, sempre submisso aos ditames da ordem capitalista a que serve, é chamado a meter a sua colher. 

Os argumentos de parte a parte, transcritos no post anterior desta série, se circunscrevem a um ao universo de contradições e falência sistêmica do capitalismo em fim de feira.

Foi num momento de crise até menor do que a atual que surgiram teorias totalitárias como o nazifascismo: a Alemanha, arrasada na 1ª Guerra Mundial e sentido-se suficientemente fortalecida 20 anos após, resolveu peitar a Europa e outras nações, dando origem ao maior conflito bélico da História da humanidade. 

Interessante notar, enquanto os europeus começam a se desentender, os Estados Unidos aplicam uma retaliação comercial à China, que promete revide, numa repetição de algo parecido entre EUA e Japão de 1941 a 1945. 
...virá mesmo um novo Plano Marshall?

Da mesma forma que na crise iniciada em 1929 e que estendeu-se década de 1930 adentro, tanto o dólar estadunidense como o euro (que substituiu as moedas europeias, à exceção da libra esterlina) estão novamente sem sustentação e correspondência com o valor que representam ou deveriam representar.

Quando isto se tornar evidente, como agora está se delineando, teremos de construir caminhos diferenciados e baseados na riqueza material, que é, hoje, absolutamente dissociada da riqueza abstrata. 

A Alemanha, convencida do seu poderio econômico, novamente se insurge contra o bloco que ajudou a criar quando isso lhe era favorável, para, agora, demonstrar o oportunismo capitalista diante da crise que pode lhe arrastar para o abismo. 

Solidariedade não é palavra de ordem entre capitalistas. 

Não chegaremos a nenhum consenso sobre como evitarmos o colapso social catastrófico se insistirmos na mediação social feita por um padrão monetário qualquer, exatamente porque ele representa algo abstrato (o valor), que entrou em disfunção social irreversível e tende a perder a sua validade.

Mas podemos aprender com a história e evitarmos a repetição da tragédia humana de 75 anos atrás. O caminho para isso tem uma única direção: superarmos a lógica cujo modo de produção se tornou absolutamente incompatível com a realidade social e sua sustentabilidade econômica, provocando, ademais, graves consequências ecológicas negativas. (por Dalton Rosado)

sábado, 27 de junho de 2020

HÁ AFINIDADES DAS MILÍCIAS BRASILEIRAS ATUAIS COM AS HITLERISTAS DE OUTRORA

dalton rosado
GÊNESE, FUNÇÃO E ESPÍRITO DAS MILÍCIAS
"Enquanto o Estado não tiver a coragem de adotar
pena de morte, o crime de extermínio será muito
bem-vindo. E, snão houver espaço para ele na
Bahia, pode ir para Rio de Janeiro. Se depender
de mim, terá todo o apoio"(Jair Bolsonaro, em 2008)
Como sabemos, as milícias são grupos paramilitares que começaram espalhando terror em nome de uma pretensa proteção aos cidadãos cuja segurança não estava sendo garantida pelo Estado, passando depois a explorar outras oportunidades de negócios... ilegais. 

Se o Estado, constitucionalmente constituído como esfera institucional da ordem social estabelecida, é opressor pela lei, as milícias são a expressão exacerbada e fora-da-lei de tal opressão. 

E têm perigosos precedentes históricos. O Partido Nazista alemão, p. ex., começou a partir de grupos armados paramilitares que tentavam impor a sua ideologia pela terror contra seus oponentes.

É dessa fase inicial o chamado putsch da cervejaria, de 1923 em Munique, fracasso que fez o partido perder 16 de seus militantes (mortos) e vários dirigentes momentaneamente colocados fora de ação (casos de Adolf Hitler e Rudolf Hess, presos; e de Hermann Goering, ferido e exilado na Áustria). 

As ideias nazistas foram se impondo aos poucos, favorecidas:
— em primeiro lugar, pelo descontentamento da população face às condições draconianas que os vencedores da 1ª Guerra Mundial impuseram à derrotada Alemanha e dificuldades econômicas para as quais elas concorreram (como a hiperinflação de 1923);
— e, depois, pela penúria que fustigou o país no período da grande depressão capitalista mundial iniciada com o crash de 1929 e que se prolongou pela década de 1930 adentro. 

Hitler e seus asseclas surfaram na onda do resgate do orgulho alemão de predominância racial ariana, misturada com uma agressiva ação paramilitar contra judeus, ciganos, comunistas, etc. Assim, acabaram chegando ao poder pela via eleitoral, sem, contudo, abandonar as ações paramilitares de milicianos, a cargo das temíveis SA (Sturmabteilung, ou Destacamento Tempestade).

Já chanceler da Alemanha e um mês antes de tornar-se führer, com poderes ditatoriais, Adolf Hitler estava empenhado em a institucionalizar sua milícia, tornando-a uma espécie de guarda pretoriana inserida na estrutura de poder mas obediente apenas a ele e ao Partido Nazista. 

Como Ernst Röhm, o líder das SA, resistisse à ideia, preferindo manter a milícia como força independente do Estado, Hitler ordenou o grande expurgo no qual foram assassinados Röhm e pelo menos 85 de seus camisas pardas: a noite das facas longas (2 de julho de 1934). 
Röhn (no centro) queria manter as milícias fora do Estado

Sua função foi preenchida pelas sinistras SS (Schutzstaffel, ou Tropa de Proteção nazista), devidamente legalizadas e que tinham Heinrich Himmler como líder.

O que sucedeu, enfim, foi a ascensão ao poder, pela via eleitoral, desses grupos paramilitares alemães que se travestiam em partidos políticos de ultradireita, ostentando um nacionalismo xenófobo, racista e homofóbico (a homossexualidade de Ernst Röhm, chefe das SA, serviu, p. ex., como argumento para convencer a militância nazista de que sua execução havia sido necessária). 

Vivemos, hoje, no Brasil, uma situação econômica e política assemelhada, pois: 
— passamos pela mais aguda crise econômica de nossa história republicana, com o Banco Mundial projetando para 2020 uma drástica queda de 8% no PIB brasileiro (tende a ser maior ainda...); 
— já atingimos o descomunal patamar de 17 milhões de desempregados;
— a Covid-19 ultrapassou o total de 56  mil mortes notificadas  em pouco mais de três meses e a atual média de óbitos é superior mil por dia;
— temos um presidente que, apesar de eleito pelo voto e dentro dos critérios democráticos burgueses, vive apoiando conspiradores contra essa mesma estrutura de poder, incitando golpes militares e estimulando o fechamento de instituições como o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal;
— temos um presidente que tenta controlar a Polícia Federal e transformá-la numa força militar a serviço de seus interesses particulares;
Bolsonaro apóia ato de hostilização ao Congresso Nacional
— temos um presidente que utilizou um partido de aluguel para eleger-se, abandonando-o em seguida para tentar viabilizar um novo partido, concebido à sua imagem e semelhança;
— temos um presidente que favorece o armamento indiscriminado da população, na esperança de que venham a ser utilizadas na viabilização de seus planos totalitários de poder absolutista, aproveitando-se da derrocada da democracia burguesa e da própria crise econômica do capitalismo, para, assim, promover o retrocesso político e civilizatório;
— temos um presidente que empregou e condecorou notórios milicianos e seus familiares, mantendo relações promiscuas com a criminalidade que agora estão sendo desmascaradas pela polícia e pela Justiça, devendo em breve determinar seu afastamento do poder;
— temos um presidente que nomeia ministros os mais obtusos, a zurrarem sandices ideológicas incabíveis para a realidade de depressão econômica, crise sanitária e preocupação ecológica mundiais, como se estivéssemos regredindo ao isolacionismo colonialista do século 18. 

Isso tudo sem falar no assassinato da vereadora Marielle Franco por pessoas cuja origem em muito se assemelham com a dos parças condecorados. Chega ou preciso desenhar? 

Milícias e facções criminosas têm muito em comum.
As primeiras (antes de abrirem o leque de suas atividades criminosas) surgiram vendendo proteção a uma população apavorada com o índice de criminalidade do Brasil, onde a média tem sido de 60 mil cidadãos por assassinados ao ano. Quem não tem uma ou mais história(s) de assalto para contar, seja de si mesmo(a) ou de pessoas próximas? 

Este é o atestado de que vivemos sob a égide de uma sociedade doente, que precisa se reinventar, e não vai ser pelas mãos de milicianos e seus conceitos criminosos que isso há de acontecer.  

É desse caldo de cultura que resultaram as milícias. E, quando começam a estender as suas garras criminosas ao comando político, ocorre uma degenerescência completa da ordem político-institucional como subproduto do capitalismo decadente.

Sob o comando das milícias, em conexão com a influência política, ocorre a o casamento entre a  corrupção com o dinheiro público e a exploração de atividades comerciais criminosas de reserva de mercado. 

Isso somente poderia proliferar sob critérios sociais em decomposição: nossa ordem econômica é concentradora de riqueza e excludente de oportunidades de crescimento individual, situação agravada pela opressão promovida por um Estado cada vez mais endividado e incapaz de prover demandas sociais mínimas. 

Há uma convergência implícita de interesses entre o crime organizado das facções que exploram o tráfico de entorpecentes, de armas, munições e jogos de azar; e as milícias, que vendem segurança (contra criminosos e contra elas mesmas), água, botijões de gás, internet clandestina e outros produtos, além de se inserirem no contexto do tráfico de drogas local e de se constituírem em braço paramilitar político. 

A diferença é que as milícias aspiram o comando do poder político e as facções criminosas querem apenas corromper alguns políticos que lhes servem de apoio e fazer fortuna. 

Entretanto, uma alimenta a outra, já que as guerras entre traficantes pelo controle do mercado cada vez mais vitimam inocentes, alavancando a venda de proteção armada pelas milícias, que crescem financiadas por essa barbárie socialmente instalada.

Certamente você já percebeu a semelhança de práticas negativas do período que ora vivemos com as ocorridas na Grande Depressão do século passado. Pode acreditar que não é mera coincidência, mas sim a reprodução de terríveis consequências de circunstâncias críticas, cuja repetição devemos evitar a todo custo. 

Este é o resultado do capitalismo em fim de festa. (por Dalton Rosado)

quarta-feira, 24 de junho de 2020

HÁ MAIS WEINTRAUBS A SEREM ENXOTADOS, COMO O RICARDO SALLES. AFORA O CHEFÃO DOS WEINTRAUBS, QUE JÁ VIROU UM ZUMBI

reinaldo azevedo
SE O COMUNISMO AMEAÇA CAPITALISMO NATIVO, NOSSO MAIOR COMUNISTA 
É BOLSONARO
O melhor que o capitalismo brasileiro poderia fazer em favor de si mesmo e do povo seria demitir Jair Bolsonaro. Mas isso não é coisa, se acontecer, que se faça da noite para o dia. 

Então, por ora, para se preservar de uma encrenca monumental, o país tem de botar na rua o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. 

Já não se trata mais de um risco. A questão chegou ao nível das advertências — e, pois, das ameaças: no caso, é a civilização ameaçando a barbárie, o que não deixa de ser um momento raro na história da humanidade. 

A verdade inequívoca é que a política ambiental é a principal fragilidade do Brasil quando este é submetido aos olhos do mundo que interessa. Na toada em que a coisa vai, investimentos externos tendem a ignorar o país, e o setor mais virtuoso de sua economia, o agronegócio, pode sofrer sucessivos golpes em razão da estupidez que reina na área. 

A referência da antipolítica ambiental do atual governo não é preservação do meio ambiente somada às virtudes do agronegócio de ponta. Tomam-se medidas para agradar madeireiros ilegais, invasores de terras indígenas e pistoleiros disfarçados de empreendedores rurais.                                                                                                       .
OS FUNDOS — Nesta 2ª feira (23), 29 fundos de investimentos que administram a bagatela de US$ 4,1 trilhões (R$ 21,6 trilhões) enviaram uma carta a sete embaixadas brasileiras –EUA, Japão, Noruega, Suécia, Dinamarca, Reino Unido, França e Holanda – pedindo uma reunião para discutir o desmatamento na Amazônia. 

Esses fundos acompanham o que acontece no país em detalhe. O documento especifica até número de expedientes legais que regularizam invasão de área pública e exploração de terra indígena e – ora vejam!  fazem referência explícita àquela intervenção indecorosa de Salles da reunião ministerial macabra do dia 22 de abril. 

Segundo o texto, as "declarações recentes do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que usou a crise da Covid-19 a fim pressionar pela desregulamentação ambiental", são um exemplo de "ameaça da desregulamentação das políticas de defesa do meio ambiente e dos direitos humanos no Brasil". 
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PARLAMENTARES EUROPEUS — Na 5ª feira (18), Rodrigo Maia, presidente da Câmara, recebeu uma carta de 29 integrantes do Parlamento Europeu que manifestam a sua preocupação com o que veem como uma escalada no país contra o Meio Ambiente. 

Os digníssimos integram a Comissão de Ambiente e comitês que tratam de agricultura e comércio exterior. Sem a concordância, entre outros, do Parlamento Europeu, não existe acordo Mercosul-União Europeia. Vai ver é precisamente isso o que querem os lunáticos que se dizem antiglobalistas. Vai ver o comércio internacional é prejudicial aos tradicionais valores do nosso povo, não é mesmo? 

Também nesse caso, a situação é acompanhada com lupa. Os eurodeputados citam como perigo ao meio ambiente e aos direitos humanos o PL 2.633, que trata da regularização de terras públicas invadidas; o PL 3.729, que muda regras de licenciamento ambiental, e o PL 191, sobre extração mineral em terras indígenas. 

E – claro! – também nesse caso, Salles, que envergonhou o Brasil na mais recente Cúpula do Meio Ambiente, é apontado como uma ameaça (o que, de resto, ele de fato é). 

Os parlamentares europeus pedem que seus congêneres brasileiros "ajam para manter e restaurar as leis e a estrutura necessária para proteger as florestas brasileiras e os direitos dos povos indígenas". 
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ENTIDADES — A terceira iniciativa é mais do que um puxão de orelha. Trata-se de uma ação prática. Cinco entidades internacionais de defesa do meio ambiente e dos direitos humanos – ClientEarth, Fern, Veblen Institute, FIDH e Fondation pour la Nature et l'Homme – apresentaram uma queixa à ombudsman da União Europeia pedindo a suspensão das tratativas do acordo do bloco com o Mercosul até que a questão ambiental no Brasil seja devidamente debatida. 

Eis aí: sob o pretexto de combater o comunismo e o globalismo, o governo Bolsonaro é hoje a maior ameaça ao capitalismo no Brasil, muito especialmente a seu setor mais dinâmico, o único que não foi à breca com a crise do coronavírus: o agronegócio. 

Os fundos de investimento chegam a citar nomes de empresas brasileiras que já estão sendo prejudicadas pela má reputação da política ambiental. E má reputação justificada. Também nessa área, o governo Bolsonaro mais se ocupou em destruir as políticas que estavam em curso do que em construir alternativas virtuosas. 

O Brasil tem uma bancada ruralista numerosa e influente. Cabe a seus membros decidir se apostam no fortalecimento do agronegócio ou se dão sustentação a uma política que ampara a pistolagem no campo, ameaçando as exportações brasileiras e os investimentos. 

MST? Não representa risco nenhum ao agronegócio. O nome do perigo, hoje, com reputação internacional já firmada, é mesmo Ricardo Salles. Que seja removido como medida imediata possível. Ou o país quebra a cara. 

Se o comunismo é mesmo uma ameaça ao capitalismo brasileiro, como querem os malucos, o maior comunista da nossa história se chama Jair Bolsonaro. (por Reinaldo Azevedo)
Toque do editor —  Numa ótica capitalista, o Reinaldo Azevedo está indiscutivelmente com a razão. Eu discordo, apenas, de que a remoção do Jair Bolsonaro não seja coisa que se faça da noite para o dia, pois tudo marcha para o presidente genocida não iniciar 2021 enverg(onh)ando a faixa presidencial.

Torço, juntamente com o Dalton Rosado, para que esteja iminente a superação do capitalismo, mas, embora se trate de uma tendência inexorável, conforme ele acertadamente diz, é impossível precisarmos quanto o sistema agônico ainda terá de sobrevida. 

E, enquanto não nos alçarmos a um degrau superior na trajetória da humanidade, é importante esforçarmo-nos para minorar o sofrimento dos mais vulneráveis e fragilizados, dos desempregados que vão às ruas todo dia em busca do que colocar na mesa familiar e muitas vezes voltam de mãos abanando, sem ter o que oferecer a suas crianças famintas.

O certo é que estamos entrando na pior depressão econômica da nossa História, mais terrível ainda do que aquela que lemos nos livros e vemos nos filmes, a da década de 1930, cujos efeitos foram mais devastadores na Europa e EUA do que aqui. 
Será, de novo, pelo menos uma década inteira de penúria. De acordo com as projeções capitalistas, somente lá por 2030 voltaríamos ao patamar econômico em que estávamos no início do século (mas talvez nunca voltemos a ele enquanto perdurar o capitalismo).

O certo é que a degola de ministros ensandecidos não será solução definitiva para nada e nem mesmo o afastamento do pior presidente da nossa História vai tornar o Brasil um mar de rosas. Mas, temos sempre de fazer tudo que pudermos para salvar vidas e minorar o sofrimento da nossa gente. O quanto pior, melhor é postura de fanáticos desumanos, não de revolucionários conscientes.

Neste sentido, livrarmo-nos de Salles e também de Bolsonaro são duas prioridades absolutas, duas providências inadiáveis. (por Celso Lungaretti) 
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