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sábado, 25 de julho de 2020

DEVEMOS ENCARAR COMO INIMIGO TODO AUTORITARISMO, SEJA O DO TENENTISMO TOGADO OU O DA DIREITA SELVAGEM!

Este outdoor foi bem revelador das altas ambições de Dallagnol & seus justiceiros togados
demétrio magnoli
PARTIDO DA LAVA JATO PRECISA SER EXTINTO PARA
SE PRESERVAR UM SISTEMA JUDICIAL APOLÍTICO
O mundo dá voltas. No auge da Lava Jato, entre o impeachment de Dilma e a prisão de Lula, os porta-vozes informais da operação exigiam a cassação do registro do PT.

Hoje, o cerco que se fecha em torno de Deltan Dallagnol sinaliza a cassação do registro inexistente do Partido da Lava Jato. Nem a ascensão de Luiz (In) Fux (we trust) à presidência do STF parece capaz de evitar o desenlace.

O primeiro ato significaria uma violação dos direitos políticos de milhões de eleitores. O segundo é um imperativo democrático e, ainda, um pressuposto indispensável para o combate à corrupção.
O tenentismo do passado nos conduziu às ditaduras de 1930/45 e 1964/85... 
O PLJ tem candidato presidencial —Sergio Moro— e conserva uma sombra de sua antiga aura em setores políticos como o PSL, o Podemos e o Novo. Mas sua estrutura orgânica é o Partido dos Procuradores —isto é, a corrente liderada por Dallagnol que organiza uma parcela do Ministério Público e exerce influência difusa entre juízes e policiais federais.

Moro tem direito, como qualquer brasileiro adulto, de disputar as eleições presidenciais. Mas o PLJ precisa ser extinto, em nome da preservação de um sistema judicial apolítico.

O espírito da Lava Jato veio à luz em 2017, quando o então procurador-geral Rodrigo Janot justificou o acordo ilegal do Ministério Público com Joesley Batista pelo objetivo de combater “o estado de putrefação de nosso sistema de representação política”.
...e o tenentismo togado, a ISTO!

O programa do PLJ é a criação de uma nova democracia protegida por um Poder Moderador que seria exercido pela casta de altos funcionários públicos não eleitos do MP.

O PLJ tentou criar um fundo partidário bilionário por meio da apropriação de recursos recuperados pela Petrobras. Para formar patrimônios pessoais, seus dirigentes ensaiaram montar uma empresa de palestras lastreada nas prerrogativas de investigação do Ministério Público.

A Vaza Jato evidenciou tanto os preconceitos ideológicos quanto as práticas processuais abusivas da força-tarefa, que violou sistematicamente o princípio da separação entre Estado-acusador e Estado-julgador. Depois de tudo, só o corporativismo extremado ainda impede a punição da brigada de jacobinos que desmoralizou a maior operação anticorrupção de nossa história.

A confluência do PLJ com o bolsonarismo foi um epílogo apropriado. Arautos notórios do espírito da Lava Jato engajaram-se na campanha de Bolsonaro, alguns deles manipulando o pretexto do antipetismo.

O juiz-candidato deu o passo decisivo, transmutando-se em ministro de um presidente que, avesso à democracia, sonha com a restauração do AI-5. No cargo, expôs o cerne de sua plataforma eleitoral pela proposição do excludente de ilicitude, um passaporte para matar oferecido às polícias e uma das sementes da onda de violência policial em curso.

Moro personifica um bolsonarismo envernizado, superficialmente sanitizado pelo expurgo do misticismo de extrema direita. Sua candidatura recupera o programa original do PLJ, que esvazia a democracia de suas salvaguardas institucionais prescindindo do recurso ao AI-5.
"tentou criar um fundo partidário bilionário"

Que ele seja candidato por uma das siglas disponíveis no balcão de negócios eleitorais. O voto dirá se a maioria quer embarcar numa segunda aventura autoritária. 

Antes disso, o Congresso e o STF têm o dever de cassar o registro do PLJ. Nessa tarefa, ao contrário do Partido dos Procuradores, precisam amarrar-se ao mastro da lei, evitando o atalho do arbítrio.

Na sua jornada, a Lava Jato encarnou —e traiu— as esperanças populares de desprivatização da política e do Estado. A justiça politizada seleciona os corruptos que quer expor, segundo as conveniências de momento.

Há muito a ser resgatado da operação, que envolveu ações modelares de investigação, tanto do Ministério Público como da PF e da Receita Federal. O resgate depende da limpeza das estrebarias dos procuradores-militantes que, entre a justiça e o poder, escolheram o segundo.​ (por Demétrio Magnoli)
TOQUE DO EDITOR O pior de todos os presidentes da República do Brasil conquistou sua licença para destruir o país graças, principalmente, à: 
egolatria exarcebada do Lula, que colocou seu terceiro mandato acima de todos os princípios e valores da esquerda, fazendo um jogo arriscado e nos condenando a arcar também com o peso de sua derrota acachapante, mesmo sem havermos concordado com suas lambanças, como a de torpedear a união da esquerda contra Bolsonaro e a de desperdiçar tempo precioso com sua candidatura fantasma; e ao
El Golpe de Papel: péssimo para o Brasil e ótimo para o Bozo
tenentismo togado dos lavajatistas, que praticaram um rosário de ilegalidades para manipular a cena política brasileira, culminando com a destruição da direita civilizada por meio da tramoia com as Organizações Globo, Joesley Batista e Rodrigo Janot para a derrubada de Michel Temer, que só idiotas não percebiam que desimpediria  o caminho para a direita selvagem.

Então, concordo em gênero, número e grau com a catilinária do Magnoli: o tenentismo togado tem mesmo de ser esvaziado.

E mantenho minha posição de que o melhor serviço que o Lula poderia prestar neste momento aos brasileiros é ir curtir os netinhos e não atrapalhar mais as mobilizações contra o catastrófico governo bolsonarista só porque viu na sua bola de cristal quebrada que suas chances presidenciais aumentarão se tiver o Bozo como principal adversário em 2022. (por Celso Lungaretti)    

sexta-feira, 19 de junho de 2020

O PT MANTÉM A SOBERBA: NÃO FOI ÀS RUA CONTRA BOLSONARO, MAS QUER DEFINIR COMO DEVEMOS DAR FIM A SEU GOVERNO

Em artigo mais do mesmo publicado na Folha de S. Paulo, a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann desperdiçou quase todo o espaço com elogios em boca própria e lamúrias de quem deveria, isto sim, estar fazendo a autocrítica dos erros crassos cometidos. 

Deixou para o parágrafo final a única coisa que importava: 
"O Brasil não suportará uma saída por cima, para manter a agenda de Guedes com ou sem Bolsonaro. Nem voltará à normalidade sem reparar a injustiça e restaurar os direitos do ex-presidente Lula. 
Mais que o impeachment, o PT defende novas eleições com participação de todas as forças políticas. Ou enfrentamos a crise com o povo ou ela só vai se aprofundar".
Ora, depois de ter respeitado rigorosamente o isolamento social, entrando nele antes mesmo de sua adoção (escondeu-se nalguma caverna logo após o período natalino e só acordou da hibernação para impugnar as iniciativas daqueles que começavam a resistir pra valer a Bolsonaro), eis que agora fixa condições para a retirada do bode da sala.

Com que direito, após ter evitado cuidadosamente os riscos da empreitada, enquanto os ministros do Supremo e os Gaviões da Fiel lhe davam exemplos de destemor diante do inimigo fascista?!

E lá é hora de propor metas que retardarão, ao invés de estimular, a união do máximo de forças políticas para dar um fim ao pesadelo o quanto antes, salvando a vida de brasileiros que estão sofrendo mortes evitáveis em função de Bolsonaro sabotar conscientemente o combate à pandemia?! Quantos milhares precisarão morrer para o PT se dar conta do imperativo de uma solução urgente?!
O objetivo que une os melhores brasileiros é a remoção de Bolsonaro. Temos de somar, não dividir!
A ortodoxia neoliberal do Guedes ficou no passado, a Covid-19 já se incumbiu de mandá-la pelos ares. Qualquer presidente que substitua o catastrófico Bolsonaro, deverá tomar medidas pragmáticas como a montagem de algum tipo de governo de salvação nacional para minimizar o sofrimento dos brasileiros por força do vírus e da depressão econômica. É o óbvio ululante.

Então, a retomada da agenda do mercador de ilusões só poderia entrar em pauta lá por 2022 ou ainda depois. Tanta água passará debaixo da ponte que é ocioso nos ocuparmos disto desde já.

Quanto à restauração dos direitos do Lula, trata-se de piada de mau gosto tocar-se neste assunto agora. Um desrespeito aos que estão morrendo ou sendo levados à penúria e ao desespero por causa dos desmandos do presidente miliciano.  

Tratemos primeiramente de salvar os coitadezas (as vítimas preferenciais de sempre!) e deixemos para quando houver um novo governo a discussão de uma anistia para o Lula; seria a melhor forma de virarmos essa página da História, mas há problemas muito mais urgentes para resolvermos antes. 
Ou alguém duvida de que isto jamais ocorrerá no atual governo? Então, um mínimo de bom senso manda primeiramente efetuarmos a transição e depois colocarmos tal anistia em pauta. 

Quanto a novas eleições após o impeachment, é uma proposta totalmente irresponsável, em primeiro lugar pela demora dos trâmites: a perda definitiva do mandato do Bozo jamais ocorreria em 2020 e, do primeiro dia de 2021 em diante, quem assume é o vice e ponto final.

Nova eleição presidencial somente ocorrerá se a chapa for cassada pela Justiça Eleitoral ainda em 2020. Mas, isto já está para ser concedido ou negado pelo TSE no próximo semestre, independentemente das exigências do PT.

Então, o melhor que o partido tem a fazer é participar humildemente das iniciativas da sociedade civil e das mobilizações dos jovens que, com muito brio, retomaram o controle das ruas (perdido pelos petistas em 2016).

Até porque o protagonismo a que o PT aspira, além de não se justificar pela prática por ele desenvolvida nos últimos anos, serviria como uma possível boia para o governo Bolsonaro agarrar-se no instante em que afunda. 

A rejeição ao PT é uma de suas últimas esperanças para evitar o defenestramento, daí a importância de, como em 1984 nas diretas-já,  haver um amplo leque de forças participando em pé de igualdade, unidas para despachar o governo genocida à lixeira da História. (por Celso Lungaretti)

quarta-feira, 17 de junho de 2020

MARCELO COELHO BOTA O DEDO NA FERIDA: "POR QUE LULA E O PT FAZEM TANTO CORPO MOLE NA RESISTÊNCIA A BOLSONARO?"

marcelo coelho
UM DIA DE BOLSONARO JUSTIFICA 5
 IMPEACHMENTS E 20 PROCESSOS CRIMINAIS
Começam, felizmente, as reações contra a escalada bolsonarista. A prisão de alguns defensores do golpe militar, como a doida do acampamento armado, chega em boa hora, se é que não veio com atraso.

O presidente do STF, Dias Toffoli, respirou fundo e criou alguma coragem para repudiar os sistemáticos ataques que se fazem à corte. Gilmar Mendes tem sido duríssimo, Luiz Fux deu uma interpretação decisiva sobre o papel das Forças Armadas e Alexandre de Moraes vai em frente.

Evitando confrontos inúteis, as torcidas organizadas mostram a importância de um mínimo de manifestação contra a demência da direita.

Ainda assim, uma grande parcela de opositores a Bolsonaro parece intimidada; ainda há quem vacile diante da tese do impeachment.

Fico pensando quais seriam as causas para tanta hesitação.
Claro que existem fatores objetivos —a correlação de forças no Congresso, os 30% que apoiam o governo nas pesquisas de opinião, a presença de um general como vice.

Discuti esses pontos em artigo na semana passada: para mim, nada disso seria um obstáculo muito forte.

Mas também há componentes subjetivos, psicológicos em jogo.

Começo com um caso específico. Por que Lula e o PT fazem tanto corpo mole na resistência a Bolsonaro?

É possível, em primeiro lugar, que a ideia de um impeachment tenha traumatizado demais a companheirada. No convencimento de que a destituição de Dilma foi um golpe (concordo em boa parte), o lulismo fica temeroso de ser chamado de golpista.

Mas os incontáveis crimes de responsabilidade de Bolsonaro só reforçam, na verdade, a percepção de que as pedaladas de Dilma foram uma insignificância, um pretexto, uma lorota.

Não: o medo de encarar Bolsonaro tem raízes mais profundas.

É como se a esquerda ainda não acreditasse que ele foi eleito. A ascensão desse grupo de psicopatas foi tão rápida que continuamos a esfregar os olhos, pensando estar num pesadelo.

Um dia de governo Bolsonaro seria suficiente para cinco impeachments e 20 processos criminais. Como a realidade parece incrível em qualquer detalhe, há uma espécie de resistência a admitir o conjunto dos fatos.

É a teoria do não é assim, não pode ser: eles não estão preparando um golpe, a fala sobre armar a população é só uma fala, eles não vão conseguir, ora essa, o país é uma democracia.

Cria-se um sofisma. Como estamos numa democracia, os atos antidemocráticos não são para valer. Como os direitistas deliram, eles não passam de ilusão.

Parte da oposição se deixa levar por uma espécie de fascínio hipnótico. A cada barbaridade, parece que estamos esperando um pouco mais.

Quem sabe, no próximo absurdo, diminui em um ponto percentual o apoio ao governo...

Quem sabe, com umas dez mortes a mais pela Covid, um pouquinho mais de pessoas desiste de Bolsonaro...

Vive-se então uma esperança passiva, um pessimismo cor-de-rosa. Deixa piorar, que acaba. Há uma parcela de raiva também. É a atitude do eu não disse?.

Tudo o que Bolsonaro faz de detestável termina servindo como uma espécie de lista numa argumentação imaginária. Quanto mais ele continuar, mais ficará provado que nós, oposicionistas, tínhamos razão.
O anti-intelectualismo brutal de Bolsonaro parece encontrar uma espécie de hiperintelectualismo em muitos de seus adversários.

Nunca vi tanta sofisticação de raciocínio para provar que não é o momento de lutar pelo impeachment, ou que manifestações contra o governo são exatamente o que Bolsonaro deseja.

Manifestantes de máscara, preocupadíssimos em evitar quebra-quebra, são criticados por entrar em contradição.

Mas uma coisa é a extrema-direita negar o perigo do coronavírus e usar máscara ao mesmo tempo. Isso é contradição. Ainda por cima, aplaudem o presidente que não usa.

Outra coisa é se manifestar contra Bolsonaro, usando máscara, e tentando (verdade que isso não foi respeitado) manter a distância de dois metros.

A contradição é outra. Está em manter uma aceitação horrorizada; é a crença na cloroquina política do uma hora cai, não é preciso fazer nada. É a oposição pelo uso do álcool em gel.

Basta continuar dizendo que Bolsonaro é um horror e se congratular por não ter votado nele. Bárbaros, ignorantes! Que asco.

Sei do que estou falando; vejo em mim esse elitismo.

O povão que apoiou Bolsonaro? Bem-feito. Quanto aos gaviões e porcos que protestam, mon Dieu! Quelle exagération. (por Marcelo Coelho)

domingo, 14 de junho de 2020

SAMPA TEVE VIBRANTE MANIFESTAÇÃO ANTIFASCISTA NA PAULISTA E UMAS RARAS RESES DESGARRADAS NO VIADUTO DO CHÁ

ricardo kotscho
O FRACASSO DOS ATOS PRÓ
BOLSONARO, CADA VEZ MENORES
A cada semana, as manifestações em defesa do governo estão murchando em Brasília, mesmo quando o presidente Bolsonaro em pessoa ainda participava, acompanhado de ministros e generais. 

Pelo segundo domingo seguido, ele não apareceu em frente ao Palácio do Planalto onde seus apoiadores se concentravam. 

Embora o governador de Brasília tivesse proibido manifestações por decreto, uns 50 devotos foram à praça dos Três Poderes enrolados em bandeiras brasileiras, mas nem saíram do lugar. 

Em lugar do presidente, apareceu o ministro da Educação, Abraham Weintraub, de boné e camisa aberta no peito, para dar apoio ao grupo, repetir que tem de tirar os vagabundos de Brasília e defender sua liberdade de expressão para dizer o que pensa.

Um pequeno grupo ainda seguiu para o Setor Militar e se concentrou em frente ao Quartel General do Exército, mas lá havia mais policiais do que manifestantes pró-governo. 
Foi "patético e melancólico" o ato no Centro Velho de São Paulo

Mais patético e melancólico foi o ato programado pelos bolsonaristas para o Viaduto do Chá, no centro de São Paulo. 

Ao meio-dia, horário marcado para começar a manifestação, não havia quase ninguém. 

Os organizadores alegaram que era hora de almoço, mas isso já se sabia quando escolheram o local e o horário. 

Segundo matéria do UOL, quando havia cerca de 70 pessoas, um homem no alto do caminhão de som reconheceu que não se tratava de um grande protesto: 
"Somos poucos, mas onde tiver uma ou duas pessoas, lá estarei. Foi o que disse nosso presidente, Jair Messias Bolsonaro"
Até o final do ato, os bolsonaristas não saíram da calçada em frente ao prédio da Prefeitura, conversando em pequenos grupos e falando ao celular, para descobrir o que aconteceu. 

A poucos quilômetros dali, milhares de pessoas começaram a chegar à avenida Paulista para um protesto contra Bolsonaro e o racismo. 

Foi o terceiro protesto contra o governo, reunindo uma fauna bem variada, de movimentos sociais e estudantis a torcidas organizadas dos grandes times da cidade, misturando bandeiras verde-amarelas e vermelhas, em torno de uma enorme faixa Fora Bolsonaro

Eram em sua maioria jovens, negros e mulheres defendendo o direito à vida com denúncias de violência policial nos bairros da periferia. 

Em Brasília, vivandeiras no portão do QG, como de hábito...
Ninguém sabe de onde surgiu uma faixa defendendo ditadura proletária, que chamou muito a atenção dos repórteres da Globo News, mas ninguém explicou do que se tratava. 

Como é que uma manifestação antifascista, em defesa da democracia, pode incluir algo tão fora de tempo, de lugar e de propósito? 

Também havia algumas bandeiras vermelhas com a foice e o martelo, para ressuscitar um perigo comunista, tão a gosto do governo. Muito estranho. 

Mas não aconteceu nenhum incidente, com a polícia apenas acompanhando nas laterais a passeata, que foi do Masp até o final da Paulista, em direção ao Paraíso, numa polifonia e policromia de sons e cores, palavras de ordem e cantorias. 

No balanço final do domingo de manifestações, havia muito mais gente contra do que a favor do governo. 

Bolsonaro tem bons motivos para começar a se preocupar. A rua está fugindo do seu controle e o rebanho de seguidores vem diminuindo. 

Vida que segue. (por Ricardo Kotscho)

sábado, 13 de junho de 2020

IMPERDÍVEL: SUA FRIEZA PSICOPÁTICA E INCAPACIDADE DE COMPARTILHAR A DOR DE UMA NAÇÃO DERRUBARÃO BOLSONARO

Para Contardo Caligaris, esta imagem representa O Triunfo da Morte no Brasil do século 21...
juan arias
POR QUE NÃO ABANDONAR BOLSONARO PARA QUE SE DIVIRTA APENAS COM SEUS BRINQUEDOS DE MORTE?
O presidente Jair Bolsonaro gosta de brincar mais com a morte do que com a vida. Tem mais vocação de demolidor que de construtor, de guerreiro que de diálogo, de caçador de inimigos, verdadeiros ou imagináveis, que de impulsor da paz. A mentira lhe cai melhor que a verdade.

Bolsonaro não será derrubado por suas bravatas ameaçando com um golpe. A tragédia do coronavírus o tirará da presidência por seus crimes contra a humanidade. Será derrotado pelo pranto das famílias de luto que nem poderem se despedir de seus entes queridos.

Bolsonaro zombou da epidemia desde o primeiro momento. Minimizou sua força destrutiva e continuou a fazê-lo enquanto os mortos se acumulavam nos cemitérios. Quando os números das vítimas o estavam desnudando de sua cegueira, tentou culpar os governadores, os prefeitos e a própria OMS.

Não apenas negou sempre as evidências como adotou uma atitude de provocação, desobedecendo pública e descaradamente a todas as normas de prevenção da ciência e da medicina. Desarmou o Ministério da Saúde de médicos e o armou de militares.
...o que pode ser válido como simbolismo, mas soa herético, pois a tela de Bruegel é superlativa...
Quando a epidemia se espalhou e começou a aparecer como uma das mais letais do mundo, chegou ao cúmulo do cinismo. Tentou esconder a realidade impedindo que fossem publicados os números da catástrofe. Decidiu matar até os mortos.

Se existe algo, no entanto, que hoje está unindo os brasileiros sem distinção é o medo da epidemia e a solidariedade com as famílias atingidas pela dor da perda dos seus. E será essa união de todos o que acabará destronando-o. A sua já é uma estátua cada vez mais desgastada por sua frieza psicopática e por sua incapacidade de entender e ainda menos de compartilhar a dor de uma nação.

Não busquem razões jurídicas ou políticas para apear Bolsonaro de um poder do qual se tornou indigno de exercer. Seu maior pecado é sua falta de humanidade, sua zombaria da tragédia e o fato de dar as costas à dor que sufoca as pessoas.

É possível que Bolsonaro caia antes de acabar seu mandato, esmagado pelos milhares de vítimas cujo grito não deveria deixá-lo dormir. Mas, se por inércia ou falta de coragem daqueles que deveriam afastá-lo da presidência tentar a reeleição, o silêncio ensurdecedor dos mortos o seguirá em cada passo da campanha e aos brasileiros será impossível voltar a assinalar seu nome nas urnas. 

Sim, serão os mortos, mais do que os vivos, que colocarão uma barreira à sua insaciável fome de poder totalitário.
...de resto, qual seria a imagem atual mais representativa do triunfo da vida? Por que não esta?
Quem conhece o presidente diz que tentou minimizar a guerra contra a epidemia diante do temor de que a tragédia pudesse criar problemas para sua reeleição porque a economia iria quebrar. Chegou a dizer que, no final das contas, quem mais morreria seriam os idosos e os já doentes, como se isso fosse irrelevante. 

Mais ainda, uma assessora de seu ministro da Economia chegou a afirmar que a morte de idosos seria um alívio para a economia, pois dessa maneira "se economizariam muitas aposentadorias".

Bolsonaro confessou uma vez que sua missão como militar era “matar e não curar as pessoas”. Sem contar que essa afirmação é uma ofensa ao Exército, que não existe para matar, mas para salvar a nação de seus possíveis inimigos e também para salvar vidas nas tragédias e calamidades naturais.

Bolsonaro não se conforma em ser mito, mas vai como um deus decidindo sobre a vida das pessoas. É difícil encontrar personagens na história com tal amplitude de negatividade, pois parece viver em um mundo de fantasmas de mortos, como se os vivos o assustassem.

Como construir um país tão rico de vida quanto o Brasil, tão jovem e com tanto futuro, estando governado por fantasmas de destruição e morte? 
O final do drama ainda será escrito

Como apostar na reunificação pacífica do país sem ter de ouvir a todo o momento os lúgubres presságios da violência, da divisão e da falta de empatia com a dor alheia da boca de quem deveria, ao contrário, despertar sentimentos de vida e de renascimento do melhor que se aninha no coração humano?

Bolsonaro, sempre à caça de inimigos a abater, os encontra em todos os lugares, na imprensa, no Congresso, no STF. Para que devem existir outros poderes fora de seus domínios? 

Não disse que a Constituição é ele e, portanto, sonha em poder mudá-la e reescrevê-la a seu gosto? Para que a cansativa viagem de diálogo e colaboração com as outras instituições que servem apenas como obstáculo? 

Não, Bolsonaro não é um fantasma, é um amontoado de instintos de destruição e morte. Seu sonho é armar pessoas, se possível até as crianças. O que é uma pessoa sem um fuzil para empunhar?

A morte sempre como pano de fundo. Seus instintos são o tânatos de Freud. A felicidade, o compartilhar a vida, o diálogo sereno com os que pensam diferente dele, a compaixão pelos que mais sofrem, que são os mais esquecidos, e o compartilhar a dor alheia não cabem em sua psicologia de destruição e em seus medos irracionais diante de inimigos inexistentes. 

Melhor deixá-lo sozinho se divertindo com seus brinquedos de morte, já que a vida parece lhe dar medo. (por Juan Arias, no El Pais)

quarta-feira, 10 de junho de 2020

MARCELO COELHO DIZ O ÓBVIO ULULANTE: "É INCRÍVEL QUE TANTOS BRASILEIROS SE SINTAM FRACOS DIANTE DE UM PATETA"

marcelo coelho
MEDO DO IMPEACHMENT ENTORPECE A OPOSIÇÃO
Fora algum incidente mínimo, as manifestações pela democracia e contra o racismo no domingo passado foram expressivas, bem organizadas e incapazes de dar pretexto a infiltrados e aproveitadores.

Talvez a movimentação contra Bolsonaro ganhe mais força a partir de agora.

Não é nenhum bicho de sete cabeças, afinal, sair às ruas com a devida máscara cirúrgica e todas as precauções de praxe.

Se o presidente e seus seguidores descreem do coronavírus, nem por isso precisam ter exclusividade nos atos de protesto.

E as ruas vinham fazendo falta na luta pela democracia.

Nunca vi tantos abaixo-assinados. Nunca cliquei tantos apoios a documentos na internet. O problema é que o mundo virtual, por mais que tenha lá suas estatísticas, não dá ideia da dimensão real das coisas.

Mil fanáticos de amarelo, com um presidente no meio, acabam projetando uma imagem superdimensionada de seu peso político.

Não minimizo a ameaça que representam. Muito ao contrário: estão se armando e naturalmente tendem a crescer, porque se julgam mais fortes do que são.

Como não havia manifestantes do outro lado, iam até acreditando que eram, de fato, a maioria da população.

Um pouco de gente real, protestando contra o fascismo, era indispensável. Se não houver vandalismo e violência (algo que lamentavelmente seduz parcelas dos manifestantes), é possível que a coisa cresça.

Agora começa a cair a ficha. A oposição anda intimidada, entorpecida e confusa, enquanto o bolsonarismo não para de avançar.

Não há sinal mais claro disso do que a quantidade de argumentos invocados contra o impeachment:
1não há maioria no Congresso  Sim, pode ser verdade. Mas Bolsonaro tem se isolado cada vez mais. Quem poderia imaginar, há poucos meses, que Lobão, Moro, Joice e Janaina estariam na oposição?

No Brasil, o improvável acontece todo dia. Talvez o Congresso precise de mais alguns empurrõezinhos. Na eventualidade de novas mobilizações de rua, ou de novas barbaridades presidenciais, pode ser que se mexa. Só não vai se mexer se, mesmo entre opositores convictos de Bolsonaro, o medo do impeachment predominar.
E será estranho se o Congresso continuar apoiando as forças que pretendem fechá-lo.
2. de que adianta tirar um capitão para dar posse a um general?  Poucos argumentos me parecem tão acovardados como este.

Na hipótese de uma vitória do impeachment, o clima político do país seria totalmente diverso. Estaríamos vendo um fortalecimento entusiasmante da democracia e uma recomposição radical do equilíbrio de forças. Mourão teria de se adaptar a esse esquema ou negociar uma transição.
3também pode acontecer de Bolsonaro vencer a batalha do impeachment, e sair ainda mais fortalecido — Mas não é bem assim. Trump não ficou melhor nem pior depois de confirmado no cargo.

Você pode dizer que o Brasil é diferente; mesmo antes de ser votado, o impeachment poderia dar pretexto para Bolsonaro dar o seu desejado golpe. Discordo. Quanto mais forte a bandeira do impeachment, menor a sua ousadia. 

Ele é evidentemente um burro e um descontrolado. Lembro de 1992. Posto contra a parede, Fernando Collor se perdia em caretas, acessos e pronunciamentos desesperados. Foi seu próprio coveiro.
4o momento agora é de unir forças contra a Covid-19, sem uma crise política por cima  Este argumento saiu um pouco de moda. Todos sabemos que Bolsonaro é o maior obstáculo ao enfrentamento do coronavírus. 

A tentativa de esconder os dados de letalidade é sua última proeza. Ele faz tudo o possível para espalhar a doença. Deseja o vírus com a mesma intensidade com que deseja as armas de fogo e as queimadas da Amazônia.
5ele ainda tem o apoio de um terço do eleitorado — o rebanho bolsonarista só se mantém em um terço porque não está confrontado com a existência fatual dos outros 70%. Vive numa bolha. A loucura se transmite, como um vírus. 

Mas a razão também tem seus poderes: estaríamos na idade da pedra se não fosse assim. Com imensos esforços, o nazismo e o stalinismo foram derrotados. 

É incrível que tantos brasileiros se sintam fracos diante de um pateta. (por Marcelo Coelho)
Toque do editor — este artigo do Marcelo é um daqueles que eu gostaria de haver escrito, pois expressa com máxima fidelidade as minhas avaliações e sentimentos ante a extrema mediocridade do Bozo e a extrema pusilanimidade da nossa esquerda, que fica atribuindo suas patetadas aos mais inverossímeis desígnios secretos e chegou ao absurdo de desaconselhar as manifestações de domingo, decisivas para empurrarmos definitivamente o (des)governo atual ladeira abaixo.

Digo e repito: o Bozo é apenas um trapalhão destrambelhado, com uma ignorância política abismal, que tinha imensas chances de dar um golpe no início do seu governo mas, por absoluta falta de noção, deixou a situação inverter-se por completo. 

Hoje não passa de um cadáver político à espera de que o rabecão institucional passe para o recolher. 
.
(por Celso Lungaretti)
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