Companheiros que eu respeito sentiram-se incomodados com meu post deste sábado (7), intitulado O estupro é abominável, mas bem pior é a exploração do homem pelo homem.
Em termos práticos, minha ojeriza pelas premissas do identitarismo vêm desde 1975, quando eu participava do Grupo Cacimba e o Movimento Negro alugou um grande salão próximo à nossa área de atuação.
Como havia espaço sobrando, propusemos que cedessem um cantinho para nós, o que retribuiríamos de várias formas. Somar forças beneficiaria ambas as partes, mas recusaram porque queriam combater apenas o racismo.
Durante minha trajetória posterior continuei ajudando o movimento negro em tudo que podia, principalmente na denúncia da vandalização de seus templos pelos truculentos evangélicos. Mas sempre me incomodou o fato de que eles não lutavam ao nosso lado contra o capitalismo.
Quanto ao movimento feminista, eu o acompanho à distância desde que começou a repercutir mais no Brasil, a partir da década de 1960.
Li e gostei de cartilhas faministas como O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir; A Mulher Eunuco, de Germaine Greer; e A Liberdade É Uma Luta Constante. da Angela Davis.
Depois, em 2010, quando outros identitários, agindo como aprendizes de censores, tentaram impedir a utilização de Caçadas de Pedrinho, do Monteiro Lobato, na rede estadual de ensino de SP, senti-me obrigado a defender o escritor que tanto contribuíra, com seus sensíveis livros infanto-juvenis, para moldar minha visão rebelde da sociedade.
São autoras que foram muito além do combate simplório ao machismo, uma bandeira que pode ser facilmente atendida pelo capitalismo (e, mais dia, menos dia, acabará o sendo), sem que isto altere sua natureza essencial, qual seja a exploração do homem pelo homem.
Na polêmica então travada, ressaltei que a visão marxista era a postura mais compatível com estes tristes tempos presentes e tinha sido explicitada por Marx em 1845, de forma irrefutável, nas Teses sobre Feuerbach. Ei-la:
A doutrina materialista de que os seres humanos são produtos das circunstâncias e da educação, de que seres humanos transformados são, portanto, produtos de outras circunstâncias e de uma educação mudada, esquece que as circunstâncias são transformadas precisamente pelos seres humanos e que o educador tem ele próprio de ser educado.
Ela acaba, por isso, necessariamente, por separar a sociedade em duas partes, uma das quais fica elevada acima da sociedade.
A consciência do mudar das circunstâncias e da atividade humana só pode ser tomada e racionalmente entendida como praxis revolucionária. (3ª tese)
Os filósofos têm apenas interpretado o mundo de maneiras diferentes; a questão, porém, é transformá-lo. (11ª tese)Ou seja, os educadores que se arrogam o direito de decidir o que crianças (ou a sociedade como um todo) podem ou não ler, e com quais ressalvas, lhes devem ser permitidas tais leituras, têm, eles próprios, de ser educados.
Pois não basta a adoção de outras palavras para eliminar-se a carga de preconceitos com que as pessoas as impregnaram, nem fazer triagem de obras artísticas para extirparem-se os comportamentos condenáveis nela retratados.
Somente livrando a humanidade do pesadelo capitalista conseguiremos dar um fim a todas as formas de discriminação, pois uma das molas mestras da sociedade atual é exatamente a busca da diferenciação, do privilégio, do status, da superioridade.
Enquanto os seres humanos forem compelidos a lutarem com todas as suas forças para se colocarem acima de outros seres humanos, será ilusório pretendermos tangê-los ao respeito mútuo por meio de besteirinhas cosméticas.
É desprezando os iguais que eles adquirem forças para a disputa insana que travam, pisando até no pescoço da mãe para alçarem-se a um patamar superior na hierarquia social.
Então, a verdadeira tarefa continua sendo a transformação do mundo, para que não haja mais hierarquia e sim a priorização do bem comum, com cada um contribuindo no limite de suas possibilidades para que sejam atendidas as necessidades de todos.
Enquanto nos iludirmos com esses pequenos retoques na fachada do edifício capitalista, estaremos perdendo tempo: seus alicerces estão podres, para além de qualquer restauração.
Ou o demolimos e tratamos de erguer novo edifício em bases sólidas, ou ele ruirá sobre nós É simples assim. (por Celso Lungaretti)
2 comentários:
apud rudaricci
https://pbs.twimg.com/media/G1cPFqqXIAAsx-C?format=jpg&name=900x900
apud José Simão
acorda galera!:
https://it.tradingeconomics.com/commodity/crude-oil#:~:text=Il%20petrolio%20greggio%20%C3%A8%20previsto,74%2C65%
...Dormia
A nossa pátria-mãe tão distraída
Sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações...
https://www.jb.com.br/colunistas/coisas-da-politica/2026/03/1058893-revelacoes-tenebrosas-que-abalam-a-republica.html
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