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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

EXIGIMOS QUE O BRASIL ROMPA RELAÇÕES DIPLOMÁTICAS COM ISRAEL!

 

O recente escalonamento da crise diplomática entre Brasil e Israel, devido às falas do presidente Lula sobre o massacre israelense ao povo palestino, levou o governo brasileiro a retirar seu embaixador de Tel Aviv - não nos esqueçamos, Jerusalém não é reconhecida como capital israelense pelo direito internacional. Em termos diplomáticos, sempre pautados pela hipocrisia e pelas mesuras em excesso, esse é um gesto expressivo, sinal de profundo descontentamento por parte de Brasília. 

Conforme já dito em post do domingo, o motivo de fundo para a ação inusual de Lula contra Israel não é tanto sua preocupação humanitária, mas o descontentamento com a ingerência de Israel na política interna brasileira através de seu embaixador, Daniel Zohar Zonshine, que abertamente vem se encontrando com Bolsonaro e sua família. Não é segredo as relações de Netanyahu com a extrema-direita mundial, sendo seu próprio governo qualificável nessa categoria. 

A reação brasileira não poderia ser outra após a patética ação de Netanyahu em declarar Lula persona non grata em Israel. Novamente, em termos diplomáticos, isso é quase o equivalente a uma declaração de guerra, visto que se está declarando que um chefe de Estado de um país estrangeiro não é bem-vindo. Se o governo brasileiro agisse de outra forma, seria aceitar a humilhação.

Contudo, é importante destacar que, para além da recente disputa, é preciso ter clareza da necessidade em se romper todas as relações diplomáticas com Israel, não por suas ofensas a Lula, mas em protesto contra o massacre perpetrado contra o povo palestino. É uma ação urgente e absolutamente essencial. 

Economicamente, o Brasil em nada perderia. Israel é um anão mundial e não fossem as ajudas bilionárias que fluem dos EUA, jamais se sustentaria enquanto Estado ou mesmo enquanto país. De acordo com dados de 2023, Israel representa apenas 0,37% de toda as transações comerciais brasileiras com o exterior. Um verdadeiro nada! 

Em termos geopolíticos e humanitários, o rompimento brasileiro com o Estado de Israel enviaria uma mensagem poderosa em defesa dos direitos humanos, das leis internacionais e do humanismo. Seria o primeiro país de peso relativo no mundo a tomar tal medida e encorajaria outros a seguirem o exemplo. 

Assim, urge conclamar ao governo Lula que tenha coragem e rompa todas as relações com um país que apenas existe para ser um veículo dos interesses colonialistas dos EUA e de seus aliados europeus e que há mais de 75 anos trucida populações inteiras, sendo hoje é um dos maiores inimigos da paz! Mesmo tendo pouca confiança na coragem de Lula e de seu governo, faço esse pedido e conclamo a todos e todas a apoia-lo e reivindicarem o mesmo. (por David Coelho)

domingo, 18 de fevereiro de 2024

LULA TEM TODA RAZÃO SOBRE O MASSACRE ISRAELENSE A GAZA

 Netanyahu ficou furioso, dizem os jornais, com a declaração de Lula de que as ações do governo israelense na Faixa de Gaza se comparam às ações nazistas contra os judeus. Tal fala veio no meio de um discurso maior, e contundente, em que o brasileiro condenou a retirada do apoio humanitário por parte das nações ocidentais à agência da ONU para os refugiados palestinos - UNRWA - bem como a matança indiscriminada de civis. Não se trata de guerra, mas de massacre, enfatizou Lula. Em resposta, o abutre israelense convocou o embaixador brasileiro para uma reprimenda, naquilo que certamente será o início de uma longa e, cada vez mais profunda, crise diplomática. 

O discurso não foi improvisado, muito ao contrário, parecia bem decorado pelo presidente, e deve ter passado pela chancela de diversos assessores e mesmo do Itamaraty e, portanto, não é possível defender se tratar de um arroubo momentâneo, muito mais porque o petista não é dado a usar tais tipos de arroubos em questões tão sensíveis e, sobretudo, em aspectos de geopolítica. Além disso, está situado dentro de um processo de crescente tensão entre os governos brasileiro e israelense que se iniciou quando o embaixador de Israel no Brasil, Daniel Zonshine, se encontrou, em novembro, com Bolsonaro em um ato político na Câmara. Não é segredo as ligações do governo de Netanyahu com o bolsonarismo, seguindo seu alinhamento à extrema-direita mundial. 

Tudo a leva a crer que é tal apoio de Netanyahu ao bolsonarismo o principal motivo da crescente crítica de Lula às ações de Israel na Faixa de Gaza, ainda mais porque, à época do encontro entre o embaixador e o ex-presidente fujão, o governo prometeu uma resposta contundente assim que a situação dos brasileiros retidos na Palestina fosse resolvida. Pelo visto, tal resposta está chegando. 

Contudo, os motivos não importam muito. O importante é considerar que Lula, pela primeira vez em muito tempo, está dizendo algo verdadeiro e se posicionando de forma efetiva ao lado de uma causa absolutamente justa. Mesmo com todas as nossas críticas ao petista, não podemos deixar de registar nossa concordância e nosso apoio a ele por sua fala. (por David Emanuel Coelho) 


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