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domingo, 22 de junho de 2025

BOMBARDEIO DE TRUMP AO IRÃ: ACELERA-SE O CONFLITO GENERALIZADO


O
discurso farsesco de condenar os países agressores - usado pela mídia contra a Rússia quando de sua invasão à Ucrânia -, caiu por terra quando Israel atacou o Irã com a justificativa de impedir o desenvolvimento de armas nucleares por parte desse país. A mídia, os EUA e seus vassalos europeus, ao invés de condenarem veementemente o ataque ilegal, buscaram não apenas justificar, mas também incentivar novos ataques. O auge desse processo ocorreu na noite deste sábado, 21/06, quando o protótipo de ditador Donald Trump ordenou o bombardeio de instalações nucleares no país persa. Cinicamente, justificou seu ataque criminoso e temerário como sendo em prol da paz. 

Netanyahu aplica a solução final
em Gaza. 
A escalada da guerra no Oriente Médio vem após um ano e meio de massacre ao povo palestino, um extermínio a céu aberto promovido pelo estado terrorista de Israel, uma verdadeira solução final imposta a Gaza cujo objetivo é o controle total deste território e sua transformação em assentamentos israelenses. Netanyahu, o rosto horrendo do massacre, não satisfeito com suas ações ali, resolveu generalizar a guerra atacando seus vizinhos: ao norte contra o Líbano, vítima de uma invasão criminosa; ao sul contra o Iêmen, atacado rotineiramente com mísseis; e agora ao leste contra o Irã. Contra esse último, contudo, se deparou com um adversário militarmente poderoso e o revide foi pesado.

É difícil saber ao certo o impacto dos ataques iranianos contra Israel, pois desde 2023 o governo de Netanyahu impõe pesada censura contra a imprensa e contra a população sendo, por exemplo, proibido aos cidadãos postar vídeos de ataques nas redes sociais. Certamente o número de mortos por lá deve estar na casa de centenas e o domo de ferro, eficaz contra os foguetóides do Hamas, se mostrou ineficaz contra os mísseis balísticos iranianos. 
A escalada bélica segue o rastro da crise capitalista que provoca instabilidade política em nível global. De Moscou a Teerã, passando por Washington e Tel-aviv, a crise engolfa os governos e ameaça a estabilidade do poder burguês. Primeiro, a face de contestação aos governos de turno ruge nas ruas com manifestações e levantes, ou nas urnas, com derrotas eleitorais. Contudo, tal contestação governamental vai tomando uma face de contestação aos próprios regimes, evoluindo para potenciais situações revolucionárias. Para desafogar as pressões, os governos têm optado pelo caminho da guerra, seguindo uma receita tão antiga quanto o próprio capitalismo.
 
A guerra permite impor medidas de exceção, isolar os dissidentes, enviar trabalhadores para morrer nos campos de batalha e, sobretudo, manter a reprodução do capital através da economia voltada para a guerra. Em momento de crise aguda do capitalismo, é a saída burguesa para garantir a sua ditadura de classe

Pressionados internamente, 
uma guerra com Israel e EUA é
um movimento arriscado para os 
aiatolás.
Ao mesmo tempo, é uma ação arriscada, pois pode desencadear ainda mais instabilidade e abrir o caminho para uma ruptura revolucionária. Hoje, por exemplo, uma guerra generalizada no Oriente Médio significaria o aumento ainda maior da pressão inflacionária mundial, desencadeando um aprofundamento da instabilidade política. Por isso, Trump e Putin estavam cautelosos sobre o conflito, sendo que o primeiro relutava em entrar na guerra. Contudo, diante da devastação sofrida pelo estado colonial israelense, não teve outra alternativa senão intervir. Está agora nas mãos de Putin, pelo lado iraniano, evitar a escalada da guerra.

Aos aiatolás a guerra é também uma aposta. Por um lado, garante o alívio da pressão política interna, mas por outro lado pode levar à derrocada de seu poder. Igual aos demais países, o regime teocrático encontra-se fragilizado e uma guerra, com vitória ou derrota, poderia levar a um levante popular. Uma invasão estadunidense ao país persa certamente significaria o fim da ditadura teocrática, mas o início de uma longa e cruel guerra, com consequências muito piores que as provocadas pela guerra do Iraque. 

O melhor dos mundos seria a destruição mútua do regime islâmico de Teerã e do estado colonial israelense, pois a situação em Israel também caminha para um ponto insustentável após quase dois anos de guerra ininterrupta e um custo de vidas e de infraestrutura cada vez maior. A cada míssil iraniano que caí dos céus, a moral sionista desvanece um pouco mais. 

Para completar o quadro, não podemos nos esquecer que bem próximo a Irã e Israel outro conflito bélico se desenrola, desta vez entre duas potências abertamente nucleares:
Paquistão e Índia

Gradativamente, ou nem tanto, o capitalismo vai conduzindo o mundo para a guerra generalizada, única alternativa desse sistema bárbaro e desumano para solucionar a crise insolúvel que está em sua raiz. (por David Coelho) 

quarta-feira, 9 de outubro de 2024

TIRANDO O VÉU DO IRÃ

 Depois da entrevista coletiva para a imprensa internacional, me coloquei no caminho da saída do entrevistado e à sua passagem lhe estendi a mão, me identificando em francês: "sou jornalista do Brasil, tenho seguido seus filmes e suas denúncias. Espero que seja bem acolhido no país no qual vai viver seu exílio".

Houve um forte aperto de mãos. Enquanto eu fixava seu rosto, ele me sorria, ouvindo a tradutora lhe transmitir em persa meu recado. Talvez lhe tenha parecido original a preocupação do jornalista com a acolhida no lugar onde vai viver, mas isso é próprio de quem já viveu o exílio.

Foram apenas alguns segundos, revividos por mim nestes dias em que as manchetes dos noticiários falam do Irã. O entrevistado era Mohammad Rasoulof, cujo filme As Sementes do Figo Sagrado tinha recebido o Prêmio Especial do Júri no Festival de Cinema de Cannes e foi exibido no telão de 400m2 da Piazza Grande, no Festival suíço de Locarno.

O cinema é também uma maneira de se contar um país. Isso nós brasileiros vivemos durante a ditadura militar. Naquela época, em praticamente todos os festivais no exterior, o cinema brasileiro aparecia e dava sua mensagem denunciando a ditadura e os crimes cometidos pelos militares. Existe mesmo um ótimo texto do cineasta Thiago B. Mendonça sobre esse período de censura e controle, com o título A ditadura e o cinema brasileiro, ilustrado com uma conhecida foto do filme Terra em Transe, de Glauber Rocha.

Retornando ao Irã, existe um texto mais antigo, de Natalia Barrenha, que trata do redescobrimento do cinema iraniano há vinte anos, mas já começando a se defrontar com o problema do fundamentalismo da teocracia islâmica

 Talvez seja instrutivo agora, sob os clarões das explosões dos mísseis iranianos lançados sobre Israel, contar a história do filme de Rasoulof.

Mesmo porque existe a preocupação de alguns setores em mostrar aos brasileiros frequentadores de redes sociais só a visão positiva do Irã, quase uma propaganda, mesmo na questão dos direitos humanos em geral e, na questão da liberdade das mulheres, fazendo de conta ignorar que a teocracia iraniana é também misógina ao extremo.

A curiosidade popular com relação à situação das mulheres iranianas surgiu depois do assassinato da jovem curda Mahsa Amina pela polícia da moralidade, em 2022, pelo crime de não ter o véu chador cobrindo a cabeça, exigido pela religião. Isso foi bastante divulgado pelas televisões brasileiras e, no Irã, provocou numerosas manifestações de mulheres e a criação do movimento Mulher, Vida, Liberdade. A repressão às mulheres foi violenta e o presidente da época, Ibrahim Raisi, aplicou a pena de morte na forca para muitas delas.

O filme de Rasoulof, que precisou fugir do Irã para não ser preso, conta a história de Iman, um jurista fiel e de dedicação servil à teocracia, que chegou ao ápice de sua carreira ao ser nomeado juiz do tribunal revolucionário de Teerã. Iman logo descobre que uma de suas funções é a de assinar as sentenças de morte, decididas pelo tribunal. A situação se complica para Iman quando sua filha mais velha, progressista, abriga em casa uma colega de escola ferida nas manifestações depois do assassinato da jovem Mahsa Amina.

O filme quer ser uma antecipação, pois aposta na revolta da família contra o marido e pai, em outras palavras, numa revolta popular contra a ditadura teocrática, mesmo porque o Irã vai mal economicamente e uma importante parcela da população não apoia o governo.

Uma parte da esquerda francesa se pergunta por que alguns líderes como Mélenchon apoiam o Irã, que não é nenhum exemplo a seguir. Essa atração pelo Irã vem da época da revolução do aiatolá Khomeini, em 1979, contra a monarquia do Xá Rheza Pahlevi. E um dos líderes pensantes e influentes da esquerda dessa época, Michel Foucault, não escondia sua admiração por Khomeini. Enquanto Jean Daniel, diretor do semanário Le Nouvel Observateur dava trânsito livre para Foucault na revista que funcionava como guia do pensamento da esquerda da época.

Jean-Paul Sartre também nutria admiração pelo aiatolá Khomeini, que viveu algum tempo perto de Paris, no município de Yvelines, no Neauphle-le-Château, depois de um longo exílio no Iraque. Sartre acreditava que a queda do Xá daria origem a um regime anticolonialista e anti-imperialista. Na verdade, surgiu uma rigorosa teocracia xiita baseada na lei corânica da charia, incompatível com a observância dos direitos humanos no que se refere à liberdade de expressão, liberdade de crença, liberdade sexual e liberdade das mulheres.

Foucault chegou a criar a expressão espiritualidade política, depois de uma viagem ao Irã, para definir o islamismo do aiatolá Khomeini, embora lhe criticassem ignorar os perigos imanentes de um regime religioso islâmico. Em síntese, Foucault avalisou o regime de Khomeini, que se tornou uma ditadura islâmica, de tal forma que, mesmo hoje, com as interpretações sociológicas do pós-colonialismo, sul global e wokismo, o Irã se beneficia de uma certa proteção e apoio junto da esquerda.

É o caso do Brasil, onde o sul global e a presença do Irã no Brics têm levado a uma islamização da esquerda, reforçada depois da resposta israelense na Faixa de Gaza ao ataque do Hamas no 7 de outubro. A proibição por muitos países europeus, em nome do respeito à laicidade, de que crianças e jovens frequentem as aulas nas escolas públicas usando roupas religiosas que lhes cubram a cabeça, as pernas e o corpo, chegou a ser criticada e considerada islamofobia pela professora Francirosy Campos Barbosa. Na Bélgica, houve protestos semelhantes com a decisão governamental de tornar obrigatória a presença dos alunos do curso ginasial nas aulas de educação sexual.

As redes sociais de esquerda passaram o pano nos crimes do ex-presidente iraniano Ibrahim Raisi, chamado de acougueiro, acusado de condenar à morte oito mil pessoas. Na sua rede social dedicada principalmente à promoção e conhecimento do Irã, o professor Salem Nasser, da FGV, também ignorou a má reputação de Ibrahim Raisi e insinuou serem as leis iranianas melhores que as brasileiras em matéria de direitos humanos. Também não comentou a morte da jovem Mahasa Amina.

A campanha contra o sionismo, por setores da esquerda, fez com que Israel, cujos primeiros kibutz eram de inspiração marxista, venha sendo abandonado em nome do colonialismo imperialista. O contraponto é estar havendo apoio a ditaduras e teocracias, cujas ideologias significam retrocesso inclusive em questões de direitos humanos, gênero, liberdade e paridade das mulheres com os homens. (por Rui Martins)

segunda-feira, 7 de outubro de 2024

UM ANO DE MASSACRE NA FAIXA DE GAZA

Há exatamente um ano, o Hamas, agrupamento que luta contra a ocupação israelense da Palestina, desferiu imenso ataque ao Estado de Israel, investindo contra instalações militares, matando civis e militares, além de sequestrar indivíduos. Até hoje não ficaram claras as circunstâncias do ataque e continua sendo inacreditável que tenha sido possível invadir com tanta facilidade o território de um dos países mais fortificados e militarizados do mundo

O que podemos dizer claramente é que o ataque foi um trunfo para Benjamin Netanyahu, o primeiro ministro israelense. Conforme disse em artigo logo após o ataque, Netanyahu foi o grande vencedor das ações do Hamas, pois encontrava-se em situação difícil com manifestações de rua, processos judiciais e uma possibilidade real de se retirar do poder. Os ataques de 7 de outubro de 2023 foram uma dádiva para ele que, a partir dali, impôs um estado de guerra em Israel, concentrando poderes em suas mãos para mobilizar uma operação militar sem precedentes. 

Desde então, o regime sionista conduz sanguinário massacre contra o povo palestino na Faixa de Gaza. Até o momento, mais de 40 mil palestinos foram mortos em bombardeios e execuções sumárias, a maioria desses mortos eram crianças e mulheres. Gaza foi reduzida a escombros, não possuindo mais qualquer instalação mínima de eletricidade, água, internet ou distribuição de alimentos e remédios. Os insistentes pedidos para a entrada de suprimentos foram repetidamente negados pelo governo israelense. 

É um verdadeiro genocídio, limpeza étnica praticada à luz do dia, diante de todo o mundo. 

Dos EUA e da Europa vêm os apoios para o massacre. O caquético Biden fornece o aparato militar e o suplemento financeiro, enquanto finge se importar com as vidas palestinas, repetindo a cantilena de um cessar-fogo próximo. Puro jogo de cena de um presidente criminoso e genocida! Na Europa, os governos reprimem manifestantes pró-Palestina, enquanto a imprensa dissemina islamofobia, mentindo que se levantar contra o Estado de Israel é antissemitismo. Discurso comprado por muitos da dita esquerda.

No primeiro semestre de 2024, inúmeras ocupações de campi universitários foram registrados nos EUA e na Europa para exigir o rompimento das relações comerciais dessas instituições com Israel. A resposta das elites estadunidenses e europeias foi  uma dura repressão e uma forte campanha de censura e perseguição aos estudantes mobilizados. Os mesmos que diziam defender a plena liberdade de expressão, se adiantaram para exigir censura sob a justificativa de combater o antissemitismo. 

Já no Brasil, a dita esquerda sionista tentou defender o massacre aos palestinos, mas logo caminhou para o isolamento diante da carnificina assistida. Mesmo assim, sua influência é sentida, tendo ela conseguido bloquear o apoio à causa palestina dentro do PSOL - o partido mais sionista da esquerda. Figuras iguais a Boulos, Bella Gonçalves (Belo Horizonte) e Talíria Petrone (Niterói) trataram de ficar mudas diante da situação na Faixa de Gaza. A última, inclusive, chegou ao disparate de publicar em redes sociais propaganda em que Bill de Blasio, ex-prefeito de Nova York e notório apoiador de Israel, pede votos para ela! O descaramento e a podridão moral se tornaram regra em um partido surgido para ser um novo horizonte para a esquerda. 

O governo Lula, por sua vez, assumiu correta postura de denúncia do massacre e teve a coragem de qualificar Netanyahu enquanto um genocida, para ódio da nossa mídia sionista. Contudo, tal ação ficou apenas no discurso, pois o Brasil não rompeu relações com Israel e mesmo manteve negociações de materiais bélicos com aquele país. Como de hábito, Lula e seu grupo se restringiram ao discurso. 

Neste exato momento, Israel avança em uma guerra contra o Líbano e contra o Irã. O Oriente Médio está prestes a ser engolfado por uma gigantesca e avassaladora guerra. Longe de ser um movimento restrito ao contexto daquela região, é mais uma etapa da escalada bélica mundial, cujos epicentros hoje estão lá e na Ucrânia. O capitalismo em crise avança paulatinamente para uma guerra mundial a fim de salvar a si mesmo.

Com o imprescindível Babá, 
em defesa da Palestina. 
 
E no meio disso, mais um extermínio para a história humana, dessa vez do povo palestino. Na Faixa de Gaza não ocorre nenhuma guerra, pois não existem dois exércitos em condições iguais combatendo, mas um morticínio contínuo e criminoso de uma poderosa força militar, com mísseis e soldados sádicos, contra um povo totalmente indefeso. É preciso parar o terrorismo de Israel já! 

Nossa solidariedade completa ao povo palestino em sua luta pela libertação do julgo sionista! (por David Coelho)


segunda-feira, 20 de maio de 2024

NETANYAHU E LÍDERES DO HAMAS DENUNCIADOS POR CRIMES DE GUERRA

 

Nesta segunda-feira, 20/05, o promotor geral do Tribunal Penal Internacional (TPI), Karim Khan, pediu a prisão de Benjamin Netanyahu, de seu ministro da defesa, Yoav Gallant e dos líderes do Hamas Yahya Sinwar, Mohammed Diab Ibrahim al-Masri e Ismail Haniyeh por acusações de crimes de guerra. O pedido ainda deverá ser analisado pelos juízes da corte, mas já é histórico por si mesmo. 

A solicitação vem após processo investigativo da promotoria, baseado em denúncias múltiplas. O massacre israelense ao povo palestino tem se intensificado desde os ataques do Hamas em outubro do ano passado e até agora provocaram mais de 35 mil mortes, a maioria crianças e mulheres, bombardeadas impiedosamente pelas forças militares de Israel. Além disso, alimentos e remédios têm sido impedidos de entrar na região por Israel e pela ação de milícias de civis israelenses. A recente invasão a Rafah, cidade ao sul da Faixa de Gaza, tem piorado tudo, pois muitos civis não encontram mais local para fuga.

A dupla denúncia visa, por óbvio, seguir o hipócrita discurso de estar atuando contra os dois lados, em uma patética imparcialidade, quando, de fato, não é possível comparar as ações do Hamas - por mais condenáveis que tenham sido - aos brutais crimes cometidos pelo Estado de Israel que, com uma força militar milhares de vezes superior a qualquer poderio presente na Faixa de Gaza, promove verdadeiro extermínio da população palestina, além de clara limpeza étnica. 

O anão Joe Biden já se manifestou do alto de sua pequenez, dizendo que a acusação é absurda e que os EUA farão de tudo para proteger Israel e seu direito a se defender. Não está ainda claro como o governo estadunidense deve agir contra o Tribunal, mas especula-se que podem ser estabelecidas sanções contra seus membros, como banimento de autorizações de viagem para a terra da liberdade, congelamento de bens e, no limite, ações criminais. Como é sabido, Washington não reconhece a jurisdição do tribunal, justamente por ser um dos países que mais crimes de guerra comete, o que, contudo, não impediu o mesmo Biden de celebrar a expedição de um mandado de prisão contra Putin pelo mesmíssimo TPI ano passado. Aos amigos tudo, aos inimigos a fria letra da lei...

A acusação promete mesmo testar a efetividade do Tribunal e o quanto ele realmente é para valer, pois se trata agora de acusar o líder de um país protegido pelos EUA e pelas potências europeias e não mais um inimigo desses países ou apenas algum ditadorzinho africano. A depender do resultado, podemos mesmo ver a falência de mais um organismo multilateral, provando de novo a farsa da justiça sob o domínio burguês. 

De toda forma, o ato corajoso do promotor é mais um elemento a atestar as atrocidades de Israel contra o povo palestino e a necessidade de uma rápida reação para colocar fim ao extermínio hoje em curso na Faixa de Gaza. (por David Coelho) 

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024

EIS UMA MULHER TÃO DESUMANA QUANTO MUITOS DOS PIORES HOMENS

Esta mulher é feminista. Esta mulher é monstruosa.

Você ficou espantada(o) ao ler estas afirmações juntas? Não deveria. 

Os seres humanos, seja qual for sua ideologia, preenchem cada ponto da escala que vai de superlativamente bondosos a espantosamente horrorosos. 

Alguém que se proclamava revolucionário pôde ter liderado o extermínio de cerca de 2 milhões de conterrâneos, como o carrasco cambojano Pol Pot (1925-1928) fez.

Alguém que se proclama feminista pode proferir frases tão hediondas como as  da ministra da Igualdade Social e Empoderamento Feminino de Israel, May Golan, que acaba de afirmar no seu parlamento:
"Estou pessoalmente orgulhosa das ruínas em Gaza. Que daqui a 80 anos todos os bebês possam contar aos seus netos o que os judeus fizeram quando [àqueles que] assassinaram suas famílias, os estupraram e sequestraram seus cidadãos!"
E o que, afinal, os judeus fizeram em resposta a tais crimes abomináveis? Exatamente o mesmo, só que várias vezes multiplicado. Quase quatro milênios depois do enunciado da Lei do Talião aparecer no Código de Hamurabi, é por ela que se guiam! Sua terra prometida nada mais é do que uma nova Babilônia? 
Kassif, o judeu que não compactuou com a carnificina... 

Os agressores iniciais não passavam de um movimento, ainda que desvairado e covarde ao extremo (não se conscientiza o próprio povo atraindo desgraças sobre ele). 

Os retaliadores são uma nação armada até os dentes, também desvairada (porque considera ter o direito de sempre reagir à bestialidade com bestialidade muitas vezes maior) e também covarde (porque considera aceitável utilizar sua enorme superioridade de forças para abrir as portas do inferno e deixar atrás de si terras arrasadas). 

Ambos têm o mesmíssimo espírito, o de encarar civis como vermes a serem exterminados, pouco importando se são homens, mulheres, pessoas idosas, crianças, estudantes na escola, doentes no hospital, loucos no hospício, etc. 

Ambos são a escória da humanidade, não podendo receber a aprovação de quem quer que se pretenda civilizado.  Das ações deles só podemos esperar a paz dos cemitérios.

Quanto à ministra sinistra, não foi apenas um mau momento. Em dezembro ela já havia dito este assombro:
"Não ligo para Gaza. Por mim, eles podem ir nadar no mar. Quero ver corpos de terroristas mortos em Gaza. É isso que eu quero ver!"
...ora cometida contra os civis palestinos.
Agora a bela fera rugiu também que "escolheram fugir como porcos" os parlamentares israelenses que abandonaram o plenário para não "fazerem parte de uma causa política, democrática e, acima de tudo, sionista" (qual seja a de empilhar cadáveres para defender a usurpação a mão armada, passada e presente, de terras pertencentes aos palestinos).

Tais abominações repulsivas foram proferidas a respeito da expulsão do único parlamentar judeu que teve a coragem de manifestar solidariedade aos palestinos massacrados, Oler Kassif. 

Como se vê, alguns de seus colegas também discordaram da medida, mas preferiram apenas não coonestá-la com seus votos, evitando o risco de serem também expulsos mas perdendo a chance de igualarem a dignidade de Kassif. Alguém deveria explicar-lhes que, como diziam os antigos, não existe meia virgem...

Quanto à alfinetada que dei nas feministas, foi apenas para alertá-las do excesso no qual incidem ao sustentarem que as mulheres são sempre as vítimas e os homens são invariavelmente os vilãos, seja qual for o episódio. A vida não é assim e tal cegueira acaba prejudicando-lhes a causa.

Mas, suponho que, desta vez, não haverá nenhuma tão fanática a ponto de defender a indefensável May Golan. (por Celso Lungaretti)

domingo, 3 de dezembro de 2023

O HAMAS É COMPATÍVEL COM A ESQUERDA REVOLUCIONÁRIA?


 Num longo artigo, mostramos como a esquerda brasileira reage diante da estrutura político-religiosa de Israel chamada sionismo e como vê o futuro para os palestinos. Ainda no texto seguinte, sobre judeus de esquerda, vimos a rejeição ao conceito de Estado étnico, no qual se entra só por herança sanguínea. Essa posição é tão marcante que esse grupo propõe mesmo a recriação de Israel como um Estado nacional sem exigência étnica. Com que forma? De Estado único no qual convivam judeus e palestinos ou na existência de dois Estados vizinhos, um palestino e outro judeu?

Essa seria a garantia de paz duradoura entre esses dois povos? Alguém me alerta: nessas duas hipóteses Israel sairá perdendo, mesmo sem guerras, porque os palestinos têm uma bomba natural mais potente – a bomba demográfica! 

Mas isso é uma visão muito pessimista e negativa, alguém argumentará. Vivendo juntos ou próximos com os mesmos direitos, eles começarão a se misturar como aconteceu no Brasil entre os brancos escravocratas e os descendentes dos antigos escravos negros, depois da abolição da escravatura e de todos os brasileiros serem iguais, sendo punida toda forma de racismo.

E com o velho testamento bíblico na mão, outro poderá argumentar: só poderá dar certo porque judeus e palestinos descendem de Ismael e Isaac, que eram meio-irmãos, pois o pai era o mesmo – o já idoso Abraão. Essa é uma história bem antiga, de uns 4 mil anos, quando ainda não se falava em casamentos entre jovens príncipes e princesas, mas numa sociedade em que havia escravas e seus proprietários eram pai e mãe centenários.

Sendo verídica essa história, poderíamos ser otimistas e imaginar o reencontro familiar entre os netos e filhos desse patriarca. Porém, briga de família a três pode complicar na hora de repartir a herança e a mesma fonte bíblica fala em guerras sem fim dos judeus com cananeus e filisteus, todos parentes, circuncisos e descendentes do mesmo bisavô e tetravô! E com o passar do tempo, turcos, libaneses, egípcios e iranianos poderiam ser considerados primos.

Tudo se complicou quando todos, exceto os judeus, no Oriente Médio passaram a seguir Maomé, surgindo o islamismo. Mesmo assim, restaram duas vertentes islâmicas: a dos sunitas e dos xiitas, nem sempre amigas. O Irã é xiita e a Arábia Saudita, sunita.

Depois da queda do Xá Reza Pahlevi, o Irã xiita se tornou uma rigorosa teocracia islâmica, seguidora da shariah, o conjunto de leis que codifica todas as exigências religiosas públicas e privadas dos muçulmanos, adotada com graduações diferentes pelos países muçulmanos. Nem todas as regras da shariah são compatíveis com os direitos humanos, como liberdade de expressão, liberdade de crença, liberdade sexual, de gênero e liberdade das mulheres. No Irã, a teocracia é repressiva principalmente contra as mulheres, havendo assassinatos cometidos pela polícia por simples questão de vestimenta. O cinema vive também sob censura.

Os sunitas são considerados mais tolerantes, porém inspiraram alguns movimentos considerados extremistas como Al-Qaeda, Estado Islâmico, Boko Haram e Hamas.


A esquerda deixou de ser laica?

Será que meus amigos de esquerda estão certos? Nestas semanas de guerra de Israel contra o Hamas, todos os textos aos quais tive acesso, cujos autores são de lideranças reconhecidas de esquerda, me deixam a impressão de estar havendo uma confusão involuntária - ou será voluntária, estratégica, temporária? - entre o povo palestino e o movimento Hamas, a ponto de se declararem enfaticamente defensores do Hamas contra Israel. 

Será que a partir de agora todo esquerdista tem de ser obrigatoriamente a favor do Hamas, mesmo se a esquerda e, não é de hoje, vem criticando o sionismo e a política israelense com relação aos palestinos? Depois de termos dado bastante espaço à questão do sionismo israelense, parece ser a vez de se discutir o caráter religioso fundamentalista islâmico do Hamas. O conceito laico da esquerda deixou de ser básico e se tornou superado?

O tema é bastante complexo porque além do caráter laico dos grupos palestinos que deram origem à OLP, Organização pela Libertação da Palestina, inclui também a questão da utilização de atos terroristas na conquista do reconhecimento das reivindicações palestinas.

O primeiro desses atos, que provocou divisões dentro da esquerda internacional, foi o atentado nos Jogos Olímpicos de Munique em 1972. O último atentado, o do 7 de novembro, com a invasão de Israel e o assassinato de centenas de civis desarmados, voltou a provocar divisões, chegando a romper a união das esquerdas francesas.

É bom lembrar que, em 1948 tanto a URSS, quanto os socialistas e os comunistas franceses, apoiaram a criação de Israel. O apoio socialista estava ligado ao partido trabalhista no poder em Israel e os kibutz israelenses eram considerados um tipo de experimentação socialista.  O apoio da URSS durou pouco e o apoio aos árabes foi seguido pelos comunistas europeus.

Nos anos 70, por influência dos católicos de esquerda e dos franceses anticolonialistas, surgiu o apoio à causa palestina, seguido pelos maoístas.

Com o fim da guerra do Vietnã, os comunistas e a esquerda francesa focaram seu apoio em Yasser Arafat. Mitterrand e os socialistas continuavam defendendo a existência de Israel e Arafat acabou reconhecendo a existência de Israel e aceitou a coexistência de dois Estados. Mas o governo de direita em Israel e a Intifada fortaleceram a esquerda pró-palestina que denunciou Israel como Estado opressor e de apartheid, denunciando também o sionismo.

A situação tomou novas feições no fim dos anos 1980, quando os maiores apoiadores dos palestinos contra Israel eram o Hezbollah e o Hamas, dois movimentos islâmicos fundamentalistas. O fim do laicismo ou secularismo na luta pelos palestinos provocou divergências entre os socialistas e comunistas franceses, mas vinha sendo tolerado diante do eleitorado árabe muçulmano gerado pela imigração. Entretanto, a brutalidade do atentado do Hamas do 7 de outubro dividiu a esquerda francesa e voltou à atualidade a questão do movimento palestino estar nas mãos do islamismo fundamentalista, cujas dimensões vão além da causa palestina e representam, em muitos aspectos, um retrocesso no movimento da descolonização palestina.

O avanço do islamismo fundamentalista entre os países árabes, que chega a ter influência mesmo na atual Turquia, e mesmo em países africanos saídos da colonização, preocupa por representar uma marcha à ré na questão dos direitos humanos e na própria concepção de uma sociedade socialista. Diante da teocracia islâmica no Irã, com aplicação da lei da shariah, com punições físicas e pena de morte, ocorre um nítido recuo na liberalização feminina, uma rejeição total da questão dos gêneros com a não aceitação da homossexualidade, entre outras tantas exigências religiosas.

Enfim, uma bem argumentada demonstração da incompatibilidade do movimento Hamas com os objetivos revolucionários marxistas é feita pelo órgão da União comunista trotskista, Luta Operária, mostrando não existir para a esquerda só a opção primária “quem é contra Israel tem de ser a favor do Hamas”.

O trecho conclusivo de um longo artigo parece bem demonstrativo da pressa com que a esquerda brasileira aderiu aos islamitas: 

“O Hamas procura de fato um compromisso com o imperialismo e o reconhecimento deste, mesmo que fale em destruir a “entidade sionista” de Israel. Ele defende os interesses da burguesia palestina e as suas políticas estão em desacordo com os interesses dos palestinos oprimidos, cuja revolta ele teme. Pelo contrário, é com estes que os revolucionários devem estar unidos na luta contra o imperialismo. Apoiar o Hamas por do oportunismo, assimilando-o à “resistência legítima” de todo um povo, fazendo do reconhecimento do sentimento palestino de opressão nacional o apoio à política nacionalista de uma organização religiosa reacionária como o Hamas, equivale a abdicar de toda a política de classe”.

(por Rui Martins) 

quarta-feira, 8 de novembro de 2023

ANTONIO GUTERRES EM UMA SINUCA DE BICO

 


A
ntónio Guterres em busca do tom certo ou, se achar melhor, sentado num barril de pólvora!

O socialista António Guterres, secretário geral da ONU reeleito e cujo mandato irá até 2027, tinha se investido na questão da prevenção da mudança climática, cuja consequências serão danosas para muitos países. Mas seu segundo mandato se transformou, desde o ataque do Hamas no dia 7 de outubro, na difícil "procura do tom certo para ajudar Gaza sem irritar Israel", como comenta o semanário Expresso, de Lisboa.

Membro durante 10 anos do Alto Comissário da ONU para os Refugiados, Guterrez logo se sensibilizou com a situação dos palestinos em Gaza, em meio aos bombardeios, e tentou obter um cessar fogo para a entrada de ajuda humanitária. Mas nem todos os países concordaram com sua proposta humanitária, pois para eles Israel ainda tem o direito de se defender, não sendo ainda o momento de se falar em contenção. Com esse aval, Israel pode continuar com seu ataque terrestre e invadir os subterrâneos de Gaza, onde estão as estruturas do Hamas, seus arsenais e os israelenses capturados na invasão de Israel há um mês.

Não é fácil para Guterres encontrar um equilíbrio e o tom certo nessa questão, que há meio século envenena o Oriente Médio. Ainda no Expresso, o historiador Lourenço Pereira Coutinho diz que "Antonio Guterrez está do lado do humanismo, não do terrorismo", sendo possível encontrar uma análise equilibrada da situação: Guterrez "sabe que os palestinos são mantidos em campos de refugiados pelos países árabes, que lhes recusam cidadania, e vivem em permanente tensão com os israelenses na Cisjordânia onde, a partir de 1967, estes estabeleceram colonatos"

Esse é um aspecto importante da questão, porém, o texto continua, Guterres "sabe também que Israel é continuamente ameaçado por organizações fanáticas que pretendem a sua destruição".

Guterres, cuja vida política está ligada a conquistas obtidas pelo Partido Socialista em Portugal, tem diante de si um desafio, bem além das contendas partidárias nacionais: o da gestão do fim da guerra.

 Destruído o inimigo que pregava a destruição de Israel, assim que passar o ódio gerado pela guerra, não será o momento de Guterrez  repensar na ONU a criação efetiva do Estado palestino, com o apoio de Mohmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina, que não é amigo do Hamas? Sem a adoção dessa solução para os palestinos, já decidida desde o fim da Segunda Guerra Mundial, nunca haverá paz na região.

Missão impossível? (por Rui Martins) 

sexta-feira, 20 de outubro de 2023

O VERDADEIRO TERRORISMO É O DO CAPITAL!

 


Como já divulgado, estou elaborando o esboço de uma constituição emancipatória com o propósito de dar forma normativa àquilo que defendemos doutrinariamente: uma relação social fora da forma valor.   

Quanto mais me aprofundo no tema - e já escrevi duas primeiras partes deste texto constitucional que pretendo publicar como brochura -, mais me convenço da necessidade de nos livrarmos dessa coisa odiosa e escravista chamada capitalismo, que no seu estágio de inviabilidade funcional está se tornando mais genocida do que sempre foi e ameaçando a existência humana sobre a face da terra.  

Os povos mundo afora, submetidos e enquadrados involuntariamente à tirania da relação social capitalista, seja ela republicana, monárquica, militarista, estalinista, teocrática, etc., são submetidos involuntariamente à exploração do capital e a pagar impostos destinados à subvenção das máquinas de guerra estatais, que é aquilo que dá suporte bélico à opressão intrínseca do capital e seu Estado. 

Ouvi, atentamente, numa plenária do Conselho de Segurança da ONU, os argumentos dos representantes diplomáticos da Palestina e de Israel, cada um com suas verdades facciosas e interesses escusos indevidamente omitidos, nos quais se depreende facilmente dois fenômenos injustificáveis, mas por eles pretensamente justificados, e que se somam negativamente: 

- o ódio milenar em nome de um Deus monocrático absolutista que resulta de fundamentalismos religiosos que assassinam em seu nome; 

- e escravismos desumanos que se perpetuam sob formas variadas, que vão desde o escravismo direto da propriedade de seres humanos como se fossem animais de tração, até o escravismo indireto do trabalho abstrato do qual se extrai mais-valia e é a causa da acumulação o capital, riqueza abstrata que detém a riqueza material. 

Os asiáticos, os africanos, os árabes, os judeus, os índios americanos, os celtas, os eslavos, os aborígenes australianos, os esquimós, são todos seres humanos que trazem nos corpos e peles diferenças étnicas que se igualam numa única e maravilhosa condição: o pertencimento à humanidade!  

O que foi o maior genocídio da humanidade havido nas duas guerras mundiais do século passado senão uma catástrofe patrocinada por interesses de hegemonia capitalista num mundo em depressão àquela época e que sinalizava a possibilidade de mudança de mãos de tal hegemonia? 

A atual depressão econômica mundial é combustível para um acirramento da velha e tradicional belicosidade capitalista, agora com poder destrutivo letal de toda a humanidade. 

Nesse sentido, a política funciona, sempre, como serviçal do capital; são os interesses do capital aquilo que norteia o comportamento dos governantes, que sob pretextos xenófobos e racistas de defesa da pátria, convocam seus jovens a se matarem no campo de batalha. 

Homens que sequer se conhecem se matam com um ódio artificialmente fabricado pela propaganda midiática patriótica direta e sublinear mentirosa, até que vencedores e vencidos, representados por generais vivos, que representam políticos vivos, assinem rendições e/ou armistícios impostos pela crueldade e irracionalidades explícitas e paralisantes.  

A guerra de conquista capitalista não apenas visa à hegemonia econômica de uns países sobre os outros, mas também significa a existência de um vultoso nicho de mercado representado pela produção industrial cada vez mais sofisticada de armamentos destinados à matança.  

Matam-se gentes em nome do capital; empregam-se gentes das quais se extrai mais-valia na indústria armamentista que geram lucros, e tudo isso subvencionado pelo povo, vez que o Estado belicista jamais produz valor por ele mesmo.  

A indústria bélica, inclusive aquela que produz armas para os cidadãos no interior de cada país, representa hoje, mais do que antes, um estuário do capital em crise de reprodução de mercadorias, razão pela qual é forte o lobby congressual burguês - dá asco só de citar tal nome! - que financia os políticos das bancadas da bala mundo afora.   

Vivemos num mundo convulsionado por disputas capitalistas que ora se expressam mais claramente em duas grandes guerras que se ramificam por lados opostos entre ocidente e oriente que somente demonstram quão individualista e segregacionista é a lógica desse modo de relação social.  

Não há se admitir que alguém que tenha um norte referencial emancipacionista possa se posicionar em favor da guerra genocida e aceitar como válida a agressão militar de qualquer dos lados e sob qualquer pretexto, sejam eles praticados por grupos fora da hierarquia militar estatal ou dentro dela: terrorismo, seja de grupos ou de estado, é terrorismo que mata inocentes e isso é sempre inadmissível!  

Não podemos cair na armadilha que está a se formar entre blocos econômicos de direita e de esquerda que se assentam sob fundamentos capitalistas com meias verdades e mentiras inteiras.  

Nesse sentido, o humanismo deve nortear nossas análises e se sintetizarem na defesa da vida e dos povos judeus e palestinos, sem maniqueísmos doutrinários ideológicos; bem como devemos condenar a agressão selvagem e genocida do governo russo contra o povo ucraniano e qualquer forma de inciativa belicosa que somente demonstra o grau de incivilidade sob o qual vivemos mundialmente.  

Só a superação do capitalismo poderá criar entendimentos de convivência pacífica e contributiva entre as diversas culturas étnicas e sem a famigerada defesa de fronteiras divisórias pelo nacionalismo xenófobo capitalista promotor de guerras e genocídios. 

Só a superação do capitalismo poderá frear a crescente devastação ecológica territorial e atmosférica em curso e promover uma vida sustentável e linearmente e próspera. 

A nossa bandeira não pode ser outra senão de propor o fim da guerra e do seu móvel promotor: o capital e o seu terrorismo intrínseco. (por Dalton Rosado) 

A BÍBLIA ERROU: GOLIAS É QUE VENCEU DAVI!

Estudiosos da Academia de Doutrinação Sionista descobriram que era
fake a narrativa tradicional sobre o desfecho do duelo entre Davi e Golias.

Na verdade, foi Golias o ganhador, depois de denunciar que seu direito à
autodefesa estava sendo violado pela utilização da funda por parte de Davi. 

Com isto, ambos se enfrentaram de mãos limpas e venceu o melhor. (CL)

"Como o Judas de antigamente, vocês mentem e enganam"

quinta-feira, 19 de outubro de 2023

ESQUERDA SEGUE DIVIDIDA A RESPEITO DO HAMAS

 


Para meus leitores, me desculpo por não ter trazido aqui ao Náufrago, há mais tempo, meu texto com minha opinião sobre a atual guerra de Israel contra o Hamas. 

A nova união popular ecológica e social das esquerdas francesas (Upes) não chegou a uma unanimidade diante do ataque do grupo Hamas a Israel. Uma declaração ambígua de Jean-Luc Mélenchon, do partido La France Insoumise, e um comunicado dos seus deputados na Assembléia Nacional, falando da "ofensiva armada das forças palestinas conduzida pelo Hamas" praticamente rachou a união das esquerdas francesas.

Mélenchon não condenou claramente o ataque do Hamas à população civil israelense, como fizeram os outros partidos de esquerda, chegando a justificá-lo com a frase "toda violência desenfreada contra Israel e à Gaza só prova uma coisa: a violência só produz e reproduz ela mesma" embora apelasse à solução 'dos dois Estados'".

Diante da violência das imagens da tomada de reféns e da execução de civis, principalmente no local do encontro de música rave, onde foram mortos cerca de 260 jovens indefesos, tanto o partido comunista como o socialista tinham condenado os atos terroristas como inaceitáveis e injustificáveis. O partido comunista tinha defendido, há alguns meses, uma resolução qualificando  Israel como um regime de apartheid.


No Brasil, o dirigente do Partido da Causa Operária, Rui Costa Pimenta, não adotou nenhuma posição ambígua com relação ao ataque do Hamas, mas se considerou solidário com o Hamas que "está organizando a resistência do povo palestino".

Por sua vez, o blog Náufrago da Utopia, representativo de uma esquerda independente, publicou um comentário no qual acentua "Não podemos concordar com os métodos do Hamas, de ataque indiscriminado a civis, e nem com sua ideologia de fundamentalismo religioso -inspirado no Irã -, mas não é possível fechar os olhos aos crimes sistemáticos cometidos pelo governo de Israel contra os palestinos." E critica a política sionista e terrorista de Israel com relação aos palestinos de Gaza.

Nada confortável a posição da Suíça, que até hoje não considera oficialmente o Hamas como uma organização terrorista. Por diversas vezes, o Conselho Federal tem explicado não haver base jurídica para isso enquanto a ONU não tomar essa decisão. Foi assim que agiu com relação ao movimentos Al-Qaida e Estado Islâmico, proibidos na Suíça. O mesmo acontecerá com o Hamas, se o Conselho de Segurança das Nações Unidas declarar o Hamas organização terrorista.

O presidente da Federação Suíça das comunidades israelitas denunciou na imprensa que "o Hamas está livre de movimento na Suíça, onde pode coletar dons e gerir suas finanças", mesmo se tratando de um movimento antidemocrático, contrário à dignidade humana e antissemita, que prega a morte dos judeus, evocando o mito de uma conspiração mundial judaica e negando a existência do Estado de Israel.

As pressões dentro do parlamento suiço são também no sentido de serem cortadas as subvenções enviadas aos palestinos de Gaza, para evitar que sejam desviadas pelo Hamas.  

Embora alguns considerem ter sido reforçada a posição do dirigente israelense Benjamin Netanyahu, com o clima de união nacional contra o Hamas, provocado pelo ataque e massacres cometidos, essa situação tende a ser transitória e de curta duração. Apesar do êxito da iniciativa de Netanyahu de reforçar seus poderes e diminuir a competência da Corte Suprema - ação semelhante à que está sendo tentada pela extrema-direita no Senado brasileiro para jugular o STF -, contando com o apoio da extrema direita e dos ultra-ortodoxos israelenses, seu governo não pode explicar a facilidade com que o Hamas invadiu o território israelense, usando mesmo de parapentes, e como recebeu, provavelmente do Irã, a teocracia islâmica aliada, e armazenou tantas armas, munições e obuses sem levantar suspeitas. 

O valor simbólico dessa invasão, massacres e bombardeios de Israel pelo Hamas é enorme e corresponde a um atestado de incompetência de Netanyahu que mesmo a direita isralense nunca poderá perdoar. A juventude laica e a esquerda israelenses que, desde janeiro enchiam as ruas de Israel contra o plano de plenos poderes de Netanyahou, reforçada agora por muitos israelenses históricos, cobrarão a queda do candidato a ditador.

Ainda hoje, quatro dias depois do ataque do Hamas, a televisão europeia mostra novas cenas de horror, captadas por câmeras de videovigilância no kibbutz de Be´eri, perto de Sderot, a alguns quilômetros da fronteira com Gaza, onde viviam 1200 habitantes. Centenas de homens, mulheres e crianças foram ali mortos e mesmo decapitados e massacrados. Outros foram levados como reféns.

Depois de consultar muito material sobre o 7 de outubro, me lembro de um filme recente visto há dois meses no Festival de Cinema de Locarno. E me lembro do que agora poderia considerar como ingenuidade ou ilusão, tanto do diretor e produtores do filme O Soldado Desaparecido, como de mim mesmo ao participar da entrevista concedida à imprensa pelo diretor Dani Rosenberg. É verdade, apesar da faixa de Gaza não ser uma solução para os palestinos que ali vivem, existia a esperança de que logo haveria a possibilidade de uma colaboração pacífica entre israelenses e palestinos, talvez decorrente de um anunciado próximo acordo de Israel com a Arábia Saudita.

Faltou-me, e também ao realizador franco-israelense Dani Rosenberg, ter lido um documento bem recente da Organização Internacional do Trabalho sob o título A Situação dos Trabalhadores dos Territórios Árabes Ocupados, no qual se revelam tensões existentes e a precariedade laboral nessas áreas. Em tais situações, ser otimista diante de crises não solucionadas equivale à irresponsabilidade de fechar os olhos ou, pior ainda, torcer para que dê certo! 

O filme é irreal! Eu me penitencio pelo meu comentário e puxo as orelhas do realizador Dani Rosenberg, pois vejam qual é a trama: 

 Shlomi, um soldado israelense, deserta, abandona sua tropa em Gaza e corre para ir se encontrar com sua namorada em Jerusalém, para outro tipo de embate... na cama. A conclusão é lógica: se todos os soldados fizessem o mesmo, não haveria mais guerra! Isso só no reino do faz-de-conta!

Mas o realizador do filme, que tem metade de minha idade, não deixou por menos: Dani Rosenberg, o realizador do filme, deplora a obrigatoriedade dos jovens israelenses, na verdade ainda adolescentes, serem obrigados a um amadurecimento prematuro, que significa o fim de uma juventude natural. Numa entrevista publicada pelo jornal do Festival, Rosenberg saúda a criação de um movimento em Israel colocando em questão a obrigatoriedade incontestável de servir o exército.

O que teria dado tanto otimismo a Rosenberg, se antes se preocupava com o risco de Israel ser bombardeado pelo Irã?

Por que esse temor? Porque o Irã,  teocracia islâmica, e o Catar, onde houve a Copa do Mundo, são os dois grandes amigos do Hamas e inimigos de Israel. O Irã, para quem se esqueceu, é o país onde está presa a militante Narges Mohammadi, prêmio Nobel da Paz, e onde foi assassinada pela polícia de costumes a jovem Mahsa Amini, de 23 anos após ter sido por não ter coberto seus cabelos com o véu, vindo a morrer três dias depois por traumatismo craniano. O islamismo restringe a liberdade e os direitos femininos e as obriga a usarem roupas cobrindo todo seu corpo. O Hamas foi criado em 1987 por palestinos islâmicos com o objetivo de criar um estado palestino islâmico e destruir Israel e se contrapõe ao Fatah, criado por Yasser Arafat, que é laico, defende a criação de dois Estados e tem maioria na Cisjordânia. (por Rui Martins) 


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