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domingo, 21 de julho de 2024

DESISTÊNCIA DE BIDEN É MAIS UM CAPÍTULO DA ATUAL INGOVERNABILIDADE DO REGIME BURGUÊS


 Biden finalmente atendeu à voz da razão e decidiu abandonar a corrida pela reeleição. Evitando o inescapável fiasco que viria em novembro, o atual presidente dos EUA colocou ponto final em sua infeliz saga política, poupando os estadunidenses de verem mais cenas lamentáveis durante os meses vindouros. Seria melhor mesmo que renunciasse também à presidência, mas isso deixaria Kamala Harris, sua possível substituta, impossibilitada de concorrer a um possível segundo mandato. 

O governo do morto-vivo Biden tem sido um desastre do início ao fim. Consumido lentamente pela crise capitalista, incapaz de dar respostas ao alto custo de vida e preso às concepções políticas ultrapassadas pela realidade histórica, afundou na impopularidade e tentou se salvar provocando uma guerra contra a Rússia. Porém, apesar de todos os esforços, a guerra da Ucrânia não foi abraçada pela população estadunidense, que passou mesmo a se opor fortemente a gastos estratosféricos com envios de armamentos em um contexto em que pessoas morrem de fome pelas ruas da terra do Tio Sam. 

Uma outra guerra - se é possível usar efetivamente tal designação àquele massacre - selou seu destino: a devastação israelense contra o povo palestino. Ao apoiar Israel e sustentar a matança perpetrada contra a população da Faixa de Gaza, Biden se viu diante de uma mobilização estudantil sem precedentes em anos pelos campi estadunidenses. Passou a ser denominado de GenocideJoe e manifestações contra ele passaram a ocorrer cotidianamente, encurralando-o às vésperas do início de sua campanha. 

A gota d'água, contudo, viria no primeiro debate transmitido pela rede de TV CNN, oportunidade na qual um perdido e fragilizado Biden foi tratorado por Trump. Ali ficou mais nítida a tendência que já se mostrava há pelo menos dois anos, o ex-presidente estava com o caminho totalmente aberto para vencer facilmente as eleições em novembro, por competir com um presidente fragilizado não apenas politicamente, mas também mentalmente. 

Com sua desistência, Biden se une a outros presidentes que também não conseguiram emplacar a continuação de seus mandatos, a exemplo de Alberto Fernández, Bolsonaro e do próprio Trump. A razão não poderia ser mais óbvia e está ligada à atual crise capitalista que gera um estado generalizado de ingovernabilidade da ordem burguesa. Tal ingovernabilidade é a causa das variadas substituições de governo ao redor do mundo nos anos recentes, levando mesmo a uma situação de impasse político em não poucos lugares, a exemplo dos governos minoritários em Portugal e mais recentemente na França. 

Não será surpresa caso essa ingovernabilidade se aprofunde, com crises não apenas dos governos, mas também dos regimes políticos, levando a uma situação de instabilidade generalizada. A estagnação do capital poderá evoluir para uma depressão, com consequências drásticas para o futuro capitalista e da própria humanidade. 

Por isso, é pouco provável que uma substituição de Biden por Kamala Harris vá trazer algum efeito para a corrida eleitoral. Essa é ainda mais impopular que o atual ocupante da Casa Branca e continua por demais associada ao establishment do partido democrata. Uma opção mais viável seria ou lançar Michele Obama -a qual conta em seu favor com o fato de nunca ter sido política e ter criado certo carisma enquanto primeira-dama - ou alguém da ala esquerda dos democratas, do grupo de Bernie Sanders. Esse é pouco provável que se candidate pela idade já avançada, mas alguém de seu grupo, como Ocássio-Cortez, poderia ter maior combatividade a Trump. 

Contudo, nas circunstâncias atuais, um governo mais à esquerda nos EUA poderia ser desastroso para a esquerda estadunidense, pois Sanders e cia nem de longe dariam solução aos problemas do país e poderiam mesmo desmoralizar o socialismo junto àquela população. Nesse aspecto, Michele poderia ser o melhor caminho, pois teria viabilidade eleitoral e seu desgaste não impactaria a esquerda.

De qualquer forma, hoje, Trump está mais próximo de sua vitória que nunca, enquanto Biden parte pateticamente para sua aposentadoria. (por David Coelho)

domingo, 24 de dezembro de 2023

UM DESASTRE CHAMADO JOE BIDEN

 


Muitos chegaram a se iludir com Joe Biden quando ele tomou posse na Casa Branca em 2021. Substituindo Trump e vindo da conturbada tentava de invasão ao Capitólio pelos apoiadores do ex-presidente, acreditava-se que o novo líder colocaria fim ao trumpismo. Ledo engano!

Lançado candidato pelo Partido Democrata unicamente para impedir a vitória de Bernie Sanders, Biden é uma raposa velha do establishment ianque, ligado às oligarquias do país há décadas e representante do que há de mais reacionário e podre. Figura do status quo neoliberal, chegou ao poder com a missão de pacificar os EUA, remendando um país profundamente dividido. Nisso expressa a mesma missão de outros pacificadores da burguesia mundial, a exemplo de Macron, Fernandez, Lula, etc., bombeiros dos capitalistas que tentam impedir a implosão do capitalismo e a fatal guerra civil revolucionária que se seguirá. 

Já a extrema direita percebeu claramente a desintegração capitalista e busca canalizar toda a insatisfação popular para forjar um novo ciclo capitalista, ainda mais explorador e desumano. Por isso, seus líderes não posam de estadistas ou de bom moços, posam de irascíveis, rebeldes, indomáveis. À apatia e falta de tesão das lideranças tradicionais, trazem o fogo necessário à época urgente vivida por nós. 

Biden é a própria encarnação da apatia. É como se fosse uma mistura de advogado tributarista com burocrata de repartição pública. Sonolento, tedioso, sem imaginação, com uma péssima retórica e totalmente enquadrado na rotina palaciana do poder, não chega aos pés da capacidade performática de um Trump. 

Pior, pois a lei do valor não está sujeita à vontade particular de qualquer líder, mesmo sendo ele o presidente da maior potência mundial. A reprodução do valor está fundada na estrutura da propriedade privada, articulada globalmente de modo colossal e possui uma dinâmica objetiva, inflexível ao mero desejo político. Só é possível mudar a ordem capitalista mexendo na propriedade privada, o resto é ilusão. 

É patente que o capitalismo patina nos últimos anos, com o alastramento da miséria, o alto custo de vida, desemprego e o avanço da obsolescência de diversas profissões, engolidas pela automatização digital. O abismo entre trabalhadores e capitalistas cresce com a hiper concentração de riquezas, o aprofundamento dos monopólios e o achatamento dos salários. Ao mesmo tempo, a desregulação das leis trabalhistas e a introdução de vínculos flexíveis de trabalho - caso das plataformas digitais - leva à ampliação da concorrência no seio da classe trabalhadora, conduzindo à exacerbação do individualismo e dos conflitos. 

Na superfície, tudo isso se manifesta através daquilo que os analistas vulgares da mídia chamam de polarização. A verdadeira polarização, contudo, é entre capital e trabalho e o nome correto disso é guerra de classes. 

Os EUA, centro do capitalismo mundial, vive mais intensamente essa guerra de classes, com o país praticamente dividido ao meio entre aqueles capturados pela extrema direita e os que, mesmo de forma confusa, colocam a posição da classe trabalhadora de resistência, e mesmo ofensiva, contra o capital. 

Biden, igual Lula e outros, quer manter a exploração do capital, mas controlando os trabalhadores. Ele busca a unidade, a concórdia, a pacificação, que significam apenas continuar reproduzindo o capitalismo explorador e predatório, mas desinflacionando a insatisfação popular. Mas a lei do valor é inflexível e fatal! A concentração de riquezas, a hiper exploração, o desamparo e a degradação das condições de vida das massas segue em frente porque essa é a tendência do capitalismo. Por isso, Biden só pode ser um fiasco. 

Incapaz de melhorar as condições de vida do povo estadunidense, viu seus índices de popularidade desabarem, a ponto de hoje ser mais impopular que Trump antes das eleições de 2020. Seu programa de transição energética foi um fiasco, logo abandonado e esquecido como se jamais tivesse sido proposto. O trumpismo, apesar da prisão de alguns pobres coitados aqui e ali, seguiu firme  e o Partido Republicano foi engolfado pela extrema direita, ao contrário das previsões democratas do ressurgimento da centro direita por lá. 

Perdido, resolveu jogar a cartada da guerra no exterior e se esforçou ao máximo para impedir uma saída diplomática para a crise da Ucrânia. Com a invasão de Putin, acreditou poder mobilizar o povo estadunidense contra um inimigo externo e se beneficiar da economia de guerra, mas a avassaladora capacidade militar russa liquidou a parca resistência do regime de Zelensky, alcançando Moscou todos os objetivos traçados de anexar parte do território daquele país. A crise social estadunidense fez cair o apoio popular a qualquer ajuda a Kiev e os republicanos trumpistas, simpáticos a Putin, terminaram por impedir que mais dinheiro fosse para lá enviado. Mesmo a Rússia se saiu bem das sanções aplicadas e não está nem melhor, nem pior que os países europeus e os próprios EUA. 

Por fim, deu luz verde para o massacre israelense contra os palestinos, após os ataques do Hamas, ignorando que a maioria dos democratas hoje é pró-Palestina. Diante das pesquisas de opinião desaprovando suas ações e de divergências dentro do próprio governo, resolveu dar declarações patéticas em favor da defesa dos civis palestinos. Mas o estrago já está feito e são grandes as chances que a questão da Palestina tire muitos votos de Biden no próximo ano, sobretudo entre os jovens e a comunidade árabe. 

Hoje as pesquisas dão como certa uma vitória de Trump. Até por isso, o judiciário já entrou em cena para impedir sua candidatura no tapetão, algo com poucas chances de vitória dada a composição atual da Suprema Corte, majoritariamente republicana. Uma vitória de Trump mudaria completamente o quadro político em nível global, seria uma péssima notícia, por exemplo, para Lula, que deve muito de sua posse a Biden.

Por óbvio, dada a tibieza do presidente brasileiro, ele tentaria se compor com Trump, o servindo como já tinha feito com Bush. No entanto, restaria saber se o provável futuro ocupante da Casa Branca não teria outros planos para o Brasil, como o de ressuscitar o seu mais fiel fã, Bolsonaro. E não esqueçamos, inelegível ou elegível depende apenas de uma canetada e nossa justiça é apenas uma serviçal dos poderosos. 

Igual a Fernandez, o destino de Biden parece ser apenas o de preparar o caminho para uma extrema direita piorada, enquanto enfraquece e desmobiliza o resto da esquerda. (por David Emanuel Coelho)  


quinta-feira, 23 de novembro de 2023

QUANDO A ONU CONDENOU O SIONISMO


N
estes dias de guerra, quando Israel bombardeia Gaza e causa milhares de mortes de civis, em represália aos atentados cometidos pela organização terrorista Hamas, provocando manifestações internacionais, certas palavras destacam-se na imprensa mundial como sionismo, antissemitismo e islamofobia. Vamos tratar do sionismo.

Pouca gente se lembra de que a ONU, mesmo tendo sido criadora do Estado de Israel - que já deveria conviver com um Estado palestino vizinho -, condenou o sionismo, a ideologia e o movimento que uniu os judeus pela criação de Israel.

Ora, isso ocorreu no dia 10 de novembro de 1975, na Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova Iorque. O Brasil estava sob a ditadura militar, o presidente era Ernesto Geisel, luterano e filho de imigrantes alemães, e votou pela condenação do sionismo, indiretamente contra Israel, junto com Cuba, China, URSS e outros 69 países, se demarcando do voto dos Estados Unidos.

Os militares olhavam os judeus com desconfiança, pois muitos deles condenavam ou lutavam contra a ditadura. Durante outra ditadura, a de Vargas, o líder comunista Luís Carlos Prestes esteve preso durante nove anos e sua esposa, Olga Prestes, alemã e judia, também foi presa. Grávida, em 1936 foi deportada para a Alemanha nazista, ficou nos campos de trabalho forçado para judeus e morreu aos 34 anos numa câmara de gás.

A jornalista Marina Lemle, do blog HCS-Manguinhos, publicou, em maio de 2014, uma importante reportagem sobre um seminário realizado no Instituto de História da UFRJ, “Judeus, militância e resistência à ditadura militar”. O título da reportagem é bastante revelador: “Judeus que resistiram à ditadura eram secularizados”.

Participaram alguns nomes importantes da esquerda judaica, como Bernardo Sorj, Bila Sorj, Jeffrey Lesser, Marcos Chor Maio, Roney Cytrynowicz, Roberto Grun e Alberto Dines.

“Dines contou que a comunidade judaica era claramente dividida entre os “roite idn” (judeu vermelho, em ídish) e os não “roite”. Segundo ele, a vida judaica de esquerda no Brasil era muito intensa e corria separada da vertente sionista”.

Dines contou também terem desaparecido durante a ditadura militar os judeus Ana Rosa Kucinski Silva, Mauricio e André Grabois - pai e filho -, Chael Schreier, Gelson Reicher, Pauline Philipe Reischtuhl, Vladimir Herzog e Yara Iavelberg.

Provavelmente, estes judeus seculares também teriam concordado com a definição de sionismo, dada pela ONU, Resolução 3379, que considerou o sionismo como forma de racismo e discriminação racial.

A aprovação da Resolução 3379 teria sido também uma condenação da decisão israelense de permanecer nos territórios ocupados na Guerra dos Seis Dias, como resultado da ascensão política do terceiro-mundismo e da legitimidade da causa palestina.

Nessa época, há 48 anos, os evangélicos – que se identificam com a história bíblica do povo judeu, são de extrema direita e apoiam Netanyahu e Israel contra os palestinos – não possuíam a mesma força religiosa de hoje para influir no voto do Brasil.

Em 1991, com o fim da guerra fria, a maioria dos países não árabes mudou o voto e anulou a Resolução 3379, votando a Resolução 4686, cujo texto é o mais sucinto da história da ONU. Só diz o seguinte: a Assembleia Geral decide revogar a determinação contida na resolução 3379 de 10 de novembro de 1975. (por Rui Martins)

 

sábado, 4 de novembro de 2023

ONU SEGUE PARALISADA DIANTE DOS CONFLITOS AO REDOR DO MUNDO

 


ONU, impotente diante das guerras?

Quase um mês de guerra envolvendo a organização Hamas, que controla a Faixa de Gaza, e Israel, qual tem sido a atuação da ONU, no sentido de parar o conflito? E não é só, quase dois anos depois da invasão da Ucrânia por decisão do presidente russo Vladimir Putin, o que tem feito a ONU de efetivo para acabar com essa guerra? Ou é sua própria estrutura que a impede de agir?

No caso de conflitos que envolvam direta ou indiretamente os cinco grandes países, membros do Conselho de Segurança, praticamente quase nada se pode fazer. Basta o uso do veto por um desses países – Estados Unidos, Inglaterra, França, Rússia e China – para bloquear qualquer iniciativa.

A mais importante participação da ONU numa intervenção militar foi em 1950, na época da guerra fria, quando os chamados Capacetes Azuis, sob o comando dos Estados Unidos, intervieram na Guerra da Coréia. Não houve veto porque a China ainda não era a de Mao e a URSS estava ausente no momento da decisão pelo Conselho de Segurança. Outras intervenções foram no Iraque, Kosovo, Afeganistão, Líbia e contra os jihadistas do chamado Estado Islâmico, que se formou principalmente no Iraque depois dos EUA terem derrubado o ditador Saddam Hussein. 

Outras intervenções da ONU, quase uma centena, consistiram em operações de manutenção da paz, como fiscalizar o cessar fogo entre Israel e os países árabes. Ou então ações de cunho humanitário no continente africano. A questionável intervenção militar no Haiti, que durou treze anos, contou com o comando militar brasileiro.

No caso do conflito agora em curso na Palestina, houve quatro tentativas frustradas de cessar fogo por parte do Conselho de Segurança da ONU e uma decisão por uma trégua votada pela Assembleia Geral, mas sem unanimidade e sem força para intervir e impor a suspensão das hostilidades e permitir uma troca de prisioneiros, o atendimento e tratamento dos feridos e o abastecimento da população civil de Gaza com alimentos e água.

Faz uma semana, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse ter havido má interpretação de suas palavras no Conselho de Segurança, quanto aos ataques do Hamas no 7 de outubro, e tratou de desfazer a confusão: “Estou chocado com as interpretações erradas de algumas de minhas declarações no Conselho de Segurança, como se eu estivesse justificando os atos de terror do Hamas. Isso é falso. Foi o oposto”.

A explicação veio logo após Israel ter pedido sua demissão, por Guterrez ter contextualizado o conflito ao afirmar que o ataque do Hamas não aconteceu do nada.

O cessar fogo humanitário também não havia encontrado unanimidade dentro da Europa – Portugal, Irlanda e Espanha estavam entre os países favoráveis à decretação de um trégua, porém a Alemanha, a Áustria, a Letônia e a Tchecoslováquia achavam não ser ainda o momento de se conter Israel. Uma voz discordante era a do primeiro-ministro belga, segundo o qual o direito de defesa “não pode ser desculpa para ações indiscriminadas”.

Netanyahu, alvo de críticas dentro e fora de Israel, escreveu e depois apagou no Twitter, agora X, não ter recebido nenhum alerta dos responsáveis pela segurança de Israel sobre as intenções de ataques do Hamas. De acordo com todos os serviços secretos e de segurança interna, dizia Netanyahu, o Hamas estava com medo de agir e procurava um acordo. Depois de ter escrito isso, alguém deve ter lembrado a Netanyahu ter sido ele mesmo quem desorientou e enfraqueceu a vigilância israelense, com sua obsessão de obter plenos poderes e diminuir os poderes da Corte Suprema - equivalente ao nosso STF - para escapar a processos por corrupção.

Na sequência de protestos contra Israel e em favor dos palestinos podem ocorrer perigosos desvios antissemitas, como a intenção de uma multidão de muçulmanos realizar um pogrom ou massacre dos passageiros judeus, como ocorrido na chegada de um avião procedente de Israel, no aeroporto russo de Makhatchkala, no Daguestão.

Paralelamente, ocorreu no Irã a morte da jovem Armita Geravand por traumatismo craniano cometido pela polícia moral islâmica. Ela é a segunda jovem assassinada pelo crime de não ter colocado o véu na sua cabeça. É sempre bom lembrar que as mulheres têm poucos direitos e que os LGBTs não são tolerados pelos países ou organizações islâmicas como o Hamas. (por Rui Martins) 

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