quinta-feira, 3 de abril de 2025

TRUMP PIROU DE VEZ E FARÁ OS EUA REGREDIREM 4 SÉCULOS EM 4 ANOS

"Tornei-me morte, o destruidor de mundos" (Baghavad Gita)
E
rrou quem supunha que Trump não passasse de um agente de Putin infiltrado na Casa Branca. Parecia, mas não era.

Na verdade, ele está mais para um agente da destruição generalizada, um novo Jim Jones que a  todos sacrificará, mas detonando principalmente os próprios Estados Unidos). 

Tem tudo a ver a afirmação de Thomas Friedman, num sentido até mais amplo do que ele pretendeu (referiu-se às inovações tecnológicas chinesas estarem ganhando das estadunidenses de goleada); "Acabo de enxergar o futuro, e adivinhem? Ele não envolve os Estados Unidos"). 

E está certíssimo o FMI, insuspeito de contaminação esquerdista, ao advertir que o tarifaço dos EUA coloca em grande risco a economia mundial. Só faltou acrescentar que quem cria monstros, acaba sendo sua primeira vítima...

Prestes a ser atingido por um vulcão, o país até agora mais poderoso do mundo está vivendo seus últimos dias de esplendor.  Ao unir praticamente o mundo inteiro contra si, Trump comprou uma briga maior do que será capaz de sustentar. 

A guerra comercial decorrente o devastará mais ainda do que a quebra da bolsa de Nova  York em 1929. Daquela vez, a consequência foi uma década inteira de penúria. Desta, há grande chance de os EUA  nunca mais voltarem a ser uma nação de primeira grandeza.

O que estamos vendo agora é apenas um novo desfecho para a guerra civil estadunidense, que parecia ter findado com a rendição dos confederados em 1865. Fato é que tal derrota jamais foi assimilada, continuou sendo uma ferida aberta e latejando até hoje. Finalmente, gangrenou de vez. 

O Norte impôs pelas armas a passagem para uma etapa superior de desenvolvimento capitalista, detonando as bases da exploração rural baseada na escravidão. E, realmente, os Estados Unidos prosperaram muito mais com a industrialização do que avançariam com sua produção de algodão e tabaco no esquema das 
plantations.

Mas, os estados do Sul tinham teoricamente o direito de não aceitarem a abolição da escravidão na marra, apenas porque isto convinha aos que queriam priorizar outras atividades econômicas. 

E, ao contrário do que aconteceu, p. ex.,  no Brasil, a produção escravagista ainda não chegara a seu fim natural (tornar-se contraproducente). Mantinha-se pujante e os brancos sulistas majoritariamente queriam que tudo continuasse como estava.

Mas, derrotados na Guerra da Secessão  e tendo se registrado, em seguida, ganho econômico com o novo modelo, não tiveram como contestar o que lhes foi imposto. E, péssimos seres humanos que eram, se vingaram na parte mais fraca, os negros, exacerbando o racismo.  Fazer com que os direitos civis dos afrodescendentes fossem respeitados quase exigiu uma nova guerra, em plena década de 1950!

Com o capitalismo ora entrando na sua fase agônica, no entanto, a grande vantagem obtida com a vitória do Norte avançado sobre o Sul retrógrado deixou de existir. E isto impulsionou a afirmação da extrema-direita, herdeira óbvia da Ku Klux Klan e outras hordas reacionárias sulistas de outrora. 

O que essa gente inculta e feia quer? Simplesmente um retorno ao autoritarismo brutal do tempo das plantations, com um retrocesso da globalização que os obtusos veem, de forma simplista, como causa da decadência de várias atividades econômicas que empregavam contingentes maiores de trabalhadores.

Megalomaníaco e autodestrutivo como Hitler, o que Trump está tentando é simplesmente fazer a História voltar para trás. Trata-se de uma proeza impossível. 

Pôde ganhar duas eleições porque os EUA já eram um país que estava decaindo sob a modernidade econômica e só conseguia evitar uma imediata debacle mediante a imposição de artificialidades que faziam outros países arcarem com os ônus de sua perda de competitividade. O que Trump faz é simplesmente derrubar tal castelo de cartas, agilizando um acerto de contas que será pra lá de nefasto para os EUA.

Com isto, mais a enorme rejeição acarretada por medidas de força pretendidas ou praticadas, como a apropriação de territórios alheios e a violação extremada dos direitos humanos de trabalhadores estrangeiros, tudo se encaminha para uma união sem precedentes das outras nações importantes contra os EUA. Elas não têm como perderem!

Quem viver, verá. (por Celso Lungaretti    

segunda-feira, 31 de março de 2025

MINHAS IMPRESSÕES DE MENINO NO DIA EM QUE A MENTIRA SE ABATEU SOBRE NÓS

"Auriverde pendão de minha terra, que a brisa do Brasil beija e balança (...), antes
te houvessem roto na batalha, que servires a um povo de mortalha!" (Castro Alves)
E
u tinha 13 anos no dia 1º de abril de 1964, verdadeira data da usurpação do poder por parte de conspiradores que a vinham tentando praticamente desde 1954.

Os pretextos que alegaram para derrubar o presidente legítimo João Goulart eram mentirosos, daí terem intitulado a quartelada de Revolução de 31 de março, embora nem fosse revolução, nem tivesse ocorrido na véspera do Dia da Mentira, mas sim no próprio.

Foi uma vã tentativa de evitarem a piada pronta. A utilização descarada de fake news por parte dos ultradireitistas vem de longe...

Puxando pela memória, só consigo me lembrar de que a TV vendia o golpe de estado em grande estilo, insuflando tamanha euforia patrioteira que os cordeirinhos faziam fila para atender ao apelo dê ouro para o bem do Brasil!.

Matronas iam orgulhosamente tirar suas alianças e oferecê-las aos salvadores da Pátria, torcendo para que as câmeras as estivessem focalizando naquele momento solene.
Desde muito cedo eu peguei bronca dessas situações em que a multidão se move segundo uma coreografia traçada por alguém acima dela, com cada pessoa tanto esforçando-se para representar tão bem seu papel... que acaba parecendo, isto sim, artificial e canhestra.

De paradas de 7 de setembro a procissões, eu não suportava a falsa uniformidade. Gostava de ver cada indivíduo sendo ele próprio, igual a todos e diferente de todos ao mesmo tempo.

No mais, dê ouro para quê? Para a compra de instrumentos de tortura?! Era mais do que previsível e foi o que acabou acontecendo. Ingenuidade demais não cheira bem.

E, na preparação do clima para a sedição, houvera a Marcha da Família, com Deus, pela Liberdade. Aquelas senhoras embonecadas e aqueles senhores engravatados me pareceram sumamente ridículos.

Aqui cabe uma explicação: duas fortes influências me indispunham contra o patético desfile daquela classe média abasta(rda)da, que detestava tanto o comunismo quanto o samba, talvez porque fosse ruim da cabeça e doente do pé.
Já dizia P. T. Barnum: nasce um otário a cada minuto
Minha família era kardecista e, quando eu tinha 8, 9 anos, me levava num centro espírita cujo orador falava muito bem... e era anticatólico visceral.

A cada semana recriminava a riqueza e a falta de caridade da Igreja, contrastando-a com a miséria do seu rebanho. Cansava de repetir que Cristo expulsara os vendilhões do templo, mas estes estavam todos encastelados no Vaticano.

Vai daí que, cabeça feita por esse devoto tardio do cristianismo das catacumbas, eu jamais poderia aplaudir um movimento de católicos opulentos.

E devorara a obra infantil de Monteiro Lobato inteira. Com ele aprendera a prezar a simplicidade, desprezando a ostentação e o luxo; a respeitar os sábios e artistas, de preferência aos ganhadores de dinheiro.

Mas, afora essa rejeição, digamos,  estética, eu não tinha opinião sobre a tal da  Redentora.

Escutava meu avô dizendo que, se viesse o comunismo, ele teria de dividir sua casa com uma família de baianos (o termo pejorativo com que os paulistas botavam num mesmo saco a maioria dos excluídos da época, predominantemente nordestinos).

Registrava a informação, que me parecia um tanto fantasiosa, mas não tinha certeza de que Vovô estivesse errado.

Marcha da Família, 1964: já vi enterros mais animados 
O certo é que os grandes acontecimentos nacionais me interessavam muito pouco, pois pertenciam à realidade ainda distante do mundo adulto.

Na canção em que Caetano descreveu sua partida de Santo Amaro da Purificação para tentar a sorte na cidade grande, ele disse que 
"no dia que eu vim-me embora/ não teve nada de mais", afora um detalhe prosaico: "sentia apenas que a mala/ de couro que eu carregava/ embora estando forrada/ fedia, cheirava mal".

Da mesma forma, o dia que mudou todo meu futuro – seja o 31 de março do calendário dos déspotas, seja o 1º de abril em que a mentira verdadeiramente tomou conta da Nação – não teve nada de mais.

Gostaria de poder afirmar que, logo no primeiro momento, percebi a tragédia que se abatera sobre nós: estávamos começando a carregar uma fedorenta mala sem alça, da qual só nos livraríamos 21 intermináveis anos depois.

Mas, seria abusar da licença poética e eu não minto, nem para tornar mais charmosas as minhas crônicas.

Os mentirosos eram os outros. Os fardados, as embonecadas e os engravatados. (por Celso Lungaretti)
"Pega na mentira, pega na mentira / Corta o rabo
dela, pisa em cima / Bate nela, pega na mentira"

APÓS A ANULAÇÃO DAS CONDENAÇÕES DE DANIEL ALVES E CUCA, OS ESQUERDISTAS DEVERIAM FICAR LONGE DO PUNITIVISMO.

D
epois de tornarem a imagem do jogador Daniel Alves pior que a do Jack, o estripador, as caçadoras de escalpos serão obrigadas a retirar o dele da galeria de troféus, pois a Justiça espanhola detectou um monte de erros e ilegalidades na condução do processo e o anulou por completo. 

Repetiu-se a reviravolta ocorrida no caso de Alexi Stival, o técnico Tite.

Quem pouco entende de assuntos jurídicos se queixa de que haveria provas contra o Daniel Alves sendo atiradas no lixo, mas, quando está em jogo a liberdade de um ser humano, a possibilidade de ter existido tendenciosidade por parte dos operadores da justiça realmente obriga a descartar tudo o que foi feito e, ou desistir-se da acusação, ou refazerem-se todos os procedimentos a partir da estaca zero.

O pior é que não dá para afixar o escalpo novamente na cabeça do cidadão. O dano à sua reputação foi definitivo.

Eu sempre fui contra o envolvimento de esquerdistas em campanhas punitivistas, exceto quando os alvos sejam verdadeiras aberrações monstruosas, como Hitler e Bolsonaro. 

Se um governante é responsável por milhões ou centenas de milhares de vidas roubadas de coitadezas indefesos (como ocorre, p. ex, quando sabota premeditadamente o combate científico a uma pandemia de enorme letalidade), sua impunidade abala os próprios fundamentos da vida civilizada. Nestes casos, sim, devemos lutar por justiça com todas as nossas forças.

Mas, exceto nestas situações extremas, existimos para livrar a humanidade dos  horrores do capitalismo, não para escolher a dedo celebridades que paguem simbolicamente pelos males sociais e nada realmente mudar depois de cada uma dessas catarses primitivas. (por Celso Lungaretti)

domingo, 30 de março de 2025

A INCONTINÊNCIA VERBAL DO LULA PIORA CADA VEZ MAIS

E
m mais uma declaração prá lá de desastrada, o presidente Lula aprovou implicitamente o direito de conquista, mandando às favas o princípio de autodeterminação dos povos, único aceitável para os civilizados:
Eu poderia ser radical contra o Trump. Mas na medida que o Trump toma a decisão de discutir a paz entre Rússia e Ucrânia, que o [ex-presidente Joe] Biden deveria ter tomado, sou obrigado a dizer que está no caminho certo.
Faltou o Lula dizer o óbvio, qual seja que o presidente dos EUA nem de longe está sendo um mediador imparcial do conflito entre sua aliada Rússia e a heroica Ucrânia. Atua apenas no sentido de fazer os ucranianos engolirem a pílula amarga de cederem territórios em troca da cessação de uma guerra que já não conseguem mais sustentar. 

Joe Biden estava certíssimo ao tentar evitar o sucesso de uma empreitada que em tudo e por tudo fazia lembrar as anexações de Hitler na década de 1930, vergonhosamente consentidas pelo premiê britânico Neville Chamberlain, cuja política de apaziguamento da Alemanha nazista foi um completo fracasso.
Ficou provado daquela vez que bem melhor teria sido abortar o ímpeto expansionista de Hitler no nascedouro, como aconselhava Winston Churchill. Deixar o mal crescer só tornou muito mais difícil controlá-lo depois.

Compreende-se que Zelensky, após ser miseravelmente traído pelos Estados Unidos, esteja agora apenas querendo alguma fórmula de a rendição a um inimigo com imensa superioridade de forças e recursos, não parecer ser exatamente o que será: uma mera capitulação. 

O que há para elogiar-se numa infâmia dessas, Lula? (por Celso Lungaretti)

sábado, 29 de março de 2025

GOLPISTAS DE 1964 ERAM PROFISSIONAIS. OS DE 2023 NÃO PASSAVAM DE VIRA-LATAS.

Chegou a ser chocante a incompetência com que os aprendizes de golpistas do 08.01.2023 tentaram seguir os passos dos seus antecessores de 1964, tropeçando nas próprias pernas e deixando um mundo de provas para trás, como se jamais lhes tivesse passado pelas cabeças ocas que seu putsch poderia fracassar, sujeitando os envolvidos na quartelada a severas punições.

É verdade que os castellistas aprenderam com o fracasso de 1961 a evitarem os principais erros cometidos, enquanto os bolsonaristas, depois de muito refugarem, tiveram de partir para o tudo ou nada, sem margem para uma segunda tentativa.

Afora que, como militar de carreira, Jair Bolsonaro jamais chegou aos pés do Castello Branco, tanto que o primeiro era respeitadíssimo por seus pares e o segundo acabou expulso da caserna, obrigado a aposentar a farda da forma mais desonrosa possível.

O esquema dos golpistas de 1964 vinha sendo montado desde a década anterior, mas ainda não estava pronto quando da renúncia do presidente Jânio Quadros em 25 de agosto de 1961. 

Os conspiradores nela viram, contudo, uma oportunidade de queimar etapas, daí terem decidido precipitar as coisas: convenceram os comandantes das três Armas a tentarem impedir a posse do vice-presidente legal (João Goulart), que estava ausente, visitando a China em missão oficial.

Como o afobado come cru, eles foram derrotados:
1961: governador valente e general legalista barram o golpe
— pela resistência do governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, que passou a conclamar o Brasil inteiro a não permitir a usurpação de poder, utilizando para tanto uma rede de emissoras de rádio que se formou espontaneamente  (a Rede da Legalidade);
— pela decisão do comandante do III Exército (RS), o general legalista Machado Lopes, de colocar-se ao lado de Brizola, passando, portanto, a existir a ameaça de militares combaterem uns aos outros, hipótese que sempre horrorizou nossas Forças Armadas; e
— pela firme oposição de cabos e sargentos do Exército e Marinha ao golpe, criando outra divisão entre os fardados.

A crise acabou com a solução conciliatória de se dar posse a Goulart mas instituir-se o parlamentarismo, de forma que os poderes presidenciais foram momentaneamente reduzidos (o plebiscito de janeiro de 1963, contudo, restabeleceu o status quo ante).

Os conspiradores, face ao fracasso inicial, tiveram de repensar todo seu planejamento. Desfecharam perseguições nos quartéis, isolando e transferindo para unidades distantes os líderes dos subalternos que haviam se colocado contra o golpe, enquanto o pusilânime Goulart nada fazia para proteger quem lhe havia sido leal.

E, percebendo que careciam de algum respaldo na coletividade, partiram para a conquista do apoio da classe média conservadora, contando para tanto com o apoio do clero reacionário e de entidades anticomunistas como a TFP e a TFM. Só se considerariam prontos para nova tentativa 20 meses depois.
Arcebispo de SP convenceu seu rebanho a ajudar os lobos
O passo final foi a conquista da caserna, empreitada facilitada pelo apoio crescente que passaram a ter da classe média (afinal, os oficiais eram majoritariamente dela oriundos) e pelos préstimos de provocadores como o cabo Anselmo, que radicalizaram ao máximo a insubordinação dos cabos e sargentos das Forças Armadas contra o oficialato. 

[Meu saudoso companheiro na VPR, o José Raimundo da Costa, o Moisés, era um dos líderes dos marinheiros e nunca quis acreditar que Anselmo fosse um infiltrado, embora já existissem suspeitas. 

O Moisés me contou como ele e os marujos atiraram no mar um capitão que veio prendê-lo. O oficial, furibundo com a humilhação que sofrera, ingressou no Cenimar após o golpe e o que mais fez foi perseguir o Moisés, com o propósito obsessivo de capturá-lo para o torturar até a morte.]

O que os oficiais mais prezam é sua autoridade. E, dias antes do golpe, a viram estridentemente ultrapassada por Jango. 

Com o mandato cada vez mais ameaçado, Goulart havia finalmente descido do muro; daí ter ousado proibir a prisão de marinheiros e fuzileiros navais responsáveis por uma comemoração levada a efeito depois de vetada pelos escalões superiores. Foi a gota d'água: o oficialato alinhou-se em massa com o golpe. 
Johnson gostava de ser clicado como Texas ranger

A ruptura da ordem legal àquela altura já estava sendo amplamente requerida pelos capitalistas e latifundiários, além de endossada pelo presidente Lyndon Johnson.

A CIA favorecia e financiava os conspiradores há muito tempo, mas John Kennedy, caso tivesse sobrevivido ao atentado de Dallas, dificilmente lhe daria sinal verde, assim como não autorizou a disponibilização de cobertura aérea para a invasão da Baía dos Porcos, crucial para o sucesso da empreitada, mas que deixaria as digitais dos EUA impressas numa flagrante interferência na política interna de um país soberano (Cuba). 

A posse em 22 de novembro de 1963 de Johnson, um texano anticomunista que comeria na mão da CIA, significou a remoção de um importante obstáculo para o golpe, tanto que, a partir daí, só transcorreriam quatro meses e uma semana até Olympio Mourão Filho começar a descer a BR-3 (hoje rodovia BR-040) com suas tropas.

Enfim, com idênticas intenções. os golpistas de 1964 foram profissionais ao planejarem e executarem a tomada ilegal do poder, enquanto os de 2023 pavimentaram o caminho do fracasso com uma sucessão interminável de erros e lambanças.

Se, por um milagre, gente tão despreparada como os bolsonaristas lograsse êxito, teríamos obtusos irascíveis no poder. Seus principais quadros eram vira-latas mesmo para os pouco exigentes padrões da direita brasileira. 
            
                                  (por Celso Lungaretti)

sexta-feira, 28 de março de 2025

O CORINTHIANS AGORA TEM TIME PARA DISPUTAR TÍTULOS. MAS, ATÉ QUANDO?

P
restes a completar seis anos sem ganhar títulos, o Corinthians finalmente pôs fim ao constrangedor jejum, conquistando o campeonato paulista com vitória de 1x0 e empate por 0x0 contra o Palmeiras. 

Não foram grandes partidas, mas mobilizaram as respectivas torcidas como há muito não se via em São Paulo; o fato de estarem enfrentando o maior rival pesou mais do que a pouca importância do chamado Paulistinha na atualidade. 

Agora quem tem de aturar os buchichos sobre decadência é o Palmeiras, cujo apogeu sob Abel Ferreira ficou mesmo para trás: desde que o treinador português assumiu em 2020, o Palmeiras não passava em branco, consecutivamente, pela Libertadores, Brasileirão, Copa do Brasil e campeonato paulista. Acaba de o fazer.

Há grande chance de, desta vez, o Abel cumprir o que vem ameaçando faz algum tempo: voltar para Portugal. Pois o time por ele montado está fazendo água por todos os lados e o gajo não vem encontrando a fórmula da remontagem  
Como desgraça pouca é bobagem, o melhor jogador palmeirense, Estevão, está indo para o Chelses.

Quanto ao Corinthians, tem neste instante um time capaz de desafiar a provável hegemonia do Flamengo... desde que não seja desfigurado já na próxima janela de transferências. 

Parece que Garro e Yuri Alberto já receberam excelentes propostas do exterior e foram convencidos por Memphis Depay a ficarem mais um pouco, até que o Corinthians conquistasse algum título.

O próprio Depay também deverá voltar a ser objeto do desejo de grandes clubes europeus, agora que ficou comprovada sua recuperação da lesão que o mantinha afastado dos gramados desde julho de 2024. 

Quanto ao Hugo Souza, o goleiro-sensação cujas defesas de pênaltis têm sido fundamentais para a boa fase corinthiana, por enquanto jura amor eterno ao timão. Outros já o fizeram no passado e depois não resistiram ao canto dessas mesmas sereias. (por Celso Lungaretti)

quarta-feira, 26 de março de 2025

NA POLÍTICA COMO NO FUTEBOL, ONTEM FOI O DIA DO ÓBVIO ULULANTE

No primeiro dia do julgamento por meio do qual a primeira turma do STF tornará réus os principais golpistas do 11.01.23, uma montanha impressionante de provas de todo tipo soterrou a defesa dos que todos sabemos serem culpados no mais alto grau.

Percebeu-se que os cúmplices do vilão maior já o atiraram ao mar, repetindo o procedimento que ele próprio sempre adotou com aqueles que o serviam, quando se tratava de salvar a própria pele. 

Assim, os advogados deles mal contestavam as condutas da Polícia Federal, da Procuradoria Geral da República e do Supremo Tribunal Federal,  empenhados, isto sim, em tentarem tornar crível a lorota de que os figurões que defendem estavam no meio de toda a confusão, mas não moveram uma palha para derrubar e assassinar o presidente democraticamente eleito. 

Os patronos do Jair Bolsonaro poderiam alegar o mesmo sobre eles todos, mas nem crianças do jardim da infância acreditariam. 

Pelo cheiro da brilhantina, antecipo, sem o mais ínfimo receio de errar, que, além de sair desse julgamento como réu, o fará a caminho de inevitável condenação nos que virão em seguida, salvo se voltar a esconder-se em alguma embaixada da antiga cortina de ferro (as voltas que o mundo dá!) ou na Disneylândia (se o imprevisível Trump já não tiver desencanado dele como serviçal tropical).

Mas, a estapafúrdia ida do Eduardo Bolsonaro para espalhar fake news noutras freguesias tem todo jeitão de ser o plano Z para depois que os demais planos infalíveis floparem: apoiar o bananinha na eleição presidencial de 2026.
Parece ter esquecido que o Lula tentou a mesmíssima jogada quanto estava tão inelegível quanto Bolsonaro estará no próximo ano. A única diferença foi que Lula se fez substituir por um afilhado político sem nenhum carisma ao invés de por um filhote grosseirão metido a besta. 

E o desfecho promete ser também o de dar com os burros n'água, já que no Brasil, manda quem tem mandato podero$o e obedece quem tem juízo. Depois de muito jogo de cena e das escaramuças previsíveis, o candidato da extrema-direita só não será o governador Tarcísio de Freitas (SP) se ele não quiser. Quererá.

TÉCNICO QUE NÃO SERVE PARA JOGO GRANDE -- Quanto ao futebol, a goleada da Argentina já se desenhara quando, na semana passada, os campeões do mundo derrotaram o forte selecionado do Uruguai em Montevidéu e nosso escrete precisou de um gol lotérico para, jogando muito mal, vencer a Colômbia em Brasília.  

Não deu outra. Perdidinho da Silva, Dorival Jr. escalou seis jogadores diferentes para iniciarem a partida e, em apenas 12 minutos, já perdia por 2x0, fora o baile. 

Repetindo a tolice do Felipão nos 7x1 contra a Alemanha, enfraqueceu o setor que os adversário tinham de melhor, o meio de campo. Os hermanos até foram caridosos, pois poderiam ter facilmente marcado o dobro de gols, se quisessem.

Nas oito partidas que nossa seleção disputou com Dorival Jr. no banco, o aproveitamento até que não foi tão ruim (62,5%), levando em conta que o Equador, segundo colocado, está com 61%. 

Mas, ficou evidenciado que ele não é técnico para jogos grandes, de forma que precisaremos de alguém bem melhor na Copa propriamente dita. 

O vareio que levamos da Argentina vai causar sua demissão na próxima sexta-feira (28), embora talvez fosse preferível mantê-lo nos quatro jogos inúteis que restam das eliminatórias sul-americanas (a classificação do Brasil  são favas contadas) e fazer uma escolha mais criteriosa. 

Eu iria de Jorge Jesus, porque o Flamengo de 2019. por ele treinado, foi o clube brasileiro que mais honrou nossas tradições futebolísticas no presente século. (por Celso Lungaretti)     

segunda-feira, 24 de março de 2025

O MUNDO GIRA, A LUSITANA RODA. MAS O ANÚNCIO DE JORNAL BACANA CONTINUA SEMPRE O MESMO

E
s
tá no Estadão de hoje a informação de que até 2030, a consultoria Bain estima que haverá 1,5 milhão de brasileiros de alta renda acumulando US$ 1,1 trilhão, com capacidade de consumir artigos de grandes grifes.

A notícia celebra o fato de que, enquanto noutros países a desigualdade social diminui, no Brasil continua aumentando (o céu é o limite!): 
Apesar da desaceleração do setor em grandes mercados como Estados Unidos, Europa e China, o Brasil segue na contramão, com um aumento no interesse por bens exclusivos e de alto valor.
Nada mudou, portanto, desde que, em 1966, Ary Toledo interpretava no Fino da Bossa a composição de César Roldão Vieira cujos trechos reproduzo abaixo. Quase seis décadas depois, continuamos sendo o país do privilégio de poucos e do miserê de muitos.

O fictício anúncio de jornal citado na música é o seguinte:
Compra-se casa, mansão ou palacete no Jardim América, com um mínimo de 17 quartos para criadagem e sala de estar, de jogar, de dançar, de fumar, de brilhar, salões de chá, café e chocolate, piscina, jardim de inverno e de outono, quintal onde se possa praticar esportes caseiros como hipismo, golfe, tênis e bola-ao-cesto. 
Não podem faltar acomodações dignas para cães, gatos e onças de pequeno porte (de preferência com aquecimento interno), sendo também desejável a existência de um pequeno aeroporto de dimensões internacionais...
E a conclusão do cantador, ecoando a voz dos brasileiros explorados, humilhados e ofendidos, é a seguinte (mas os grandes empreendedores imobiliários estão se lixando para ela): 
Quando eu era menino, tinha um cachorro
e uma beleza de canarinho.
Tudo passou, daqui a pouco eu morro
e é só tristeza no meu caminho... 

Eu só queria um boi, uma vaca magra
e um casebre para morar,
batendo a foice, facão, enxada,
ganhar da terra o que a terra dá!

sábado, 22 de março de 2025

GEORGE FOREMAN ESTÁ MORTO. VALE A PENA RELEMBRARMOS A MAIOR LUTA DE BOXE DA HISTÓRIA.

A
morte aos 76 anos, por causas não reveladas, do boxeador George Edward Bill Foreman, nos remete diretamente à fase de ouro do pugilismo mundial e à maior luta de boxe de todos os tempos, categorias e países, travada em 1974 no então Zaire, contra o lendário Muhammad Ali. 

Foi um confronto entre um Golias no auge de sua força e um Davi envelhecido que conseguiu, usando tudo que aprendera em sua magnífica trajetória, sair vivo e vitorioso do ringue, apesar dos temores generalizados de que o amor próprio o impedisse de conformar-se com a derrota inevitável, fazendo com que lutasse até morrer.

Campeão olímpico em 1968, Foreman era tido como o pugilista com soco mais forte até então conhecido. Após uma sucessão impressionante de nocautes na sua fase profissional, conquistou o título mundial em  1973, numa luta de pesadelo na qual derrubou Joe Frazier seis vezes em dois rounds. Seu cartel até então era de 37 vitórias, nenhum empate, nenhuma derrota.

Mas Ali tinha muito mais trunfos do que Frazier. Começou minando a autoconfiança de Foreman ao tratá-lo de forma desrespeitosa em todas as entrevistas (chegava a imitar sua movimentação deselegante no ringue, comparando-a com o andar vacilante do monstro de Frankenstein nos filmes de terror). Nenhum adversário do gigante até então ousara irritá-lo dessa forma na véspera da batalha.
Depois, como a luta entre ambos precisou ser adiada, Foreman deve ter-se ressentido de, passando mais tempo no Zaire do que o planejado, ver a população daquele país da mãe África inteiramente devotada ao mulato Ali, a ponto de pedirem em coro: Ali, mata ele! 

Negro puro sangue, Foreman se viu rejeitado por sua gente. O aclamado era o adversário, menos negro mas imensamente mais carismático e que sempre confrontara o racismo estadunidense. 

Era um herói para os africanos, e merecia sê-lo, Quem mais preferiria passar anos preciosos proibido de lutar do que abdicar das próprias convicções (alegou que sua religião o impedia de participar da Guerra do Vietnã)?

Assustador, Lacônico, desajeitado com as palavras, Foreman não imaginava, contudo, que viria a ser unanimemente visto como vilão.

Tudo isto, mais a derrota que jamais esperara sofrer, impactou Foreman de tal forma que ele passou um bom tempo lambendo as feridas. Voltou totalmente mudado, como um simpático pastor evangélico. 

Ao raspar o cabelo a zero, sua imagem também se abrandara, a ponto de ele ganhar uma fortuna como garoto-propaganda de uma fábrica de torradeiras. O
Big George se metamorfoseou no velho e bom Tio George, personagem de aparições constantes na mídia eletrônica.

O que não o impediu de matar as saudades do ringue, já sem a ferocidade de outrora, mas ainda com murro devastador. Assim, se tornou o peso-pesado mais idoso a conquistar o título, nocauteando Michael Moorer em 1994, aos 45 anos. 

O campeão de 26 anos tinha a vitória por pontos assegurada, mas vacilou no décimo e último assalto, quando o portentoso cruzado de direita de Foreman finalmente entrou, mandando Moorer à lona.

A LUTA DO SÉCULO -- O épico confronto entre Foreman e Ali no Zaire foi imortalizada nos excelentes livro de Norman Mailer (A Luta,1975) e documentário de Leon Gast (Quando éramos reis, 1996).

Contra todos os prognósticos, Ali mais uma vez tirou coelho da cartola. Todos lembram de sua técnica refinadíssima, mas ele era muito mais do que isto. Tinha dons de grande estrategista, como se combinasse os papéis de pugilista e de técnico.

Foi assim que ele conquistou a maior de todas as suas vitórias. Boxeando francamente contra Foreman no primeiro assalto, percebeu que jamais conseguiria prevalecer lutando de igual para igual com um titã que tinha pouco mais da metade de sua idade.
Vídeo da transmissão da luta pela TV estadunidense...
Então, adotou a postura que qualquer boxeador comum consideraria suicida diante da enorme potência dos golpes de Foreman: deixou-se ficar encostado nas cordas, recebendo o bombardeio e aparando-o com sua guarda.

Alguns obuses atingiam o alvo de raspão, outros se chocavam com os braços de Ali. Nenhum o abalou suficientemente. E Foreman, acostumado a nocautes rápidos, foi se cansando.

No quinto assalto, o Ali aparentemente apático, que só se defendia, mostrou que era, isto sim, um tigre se preparando para dar o bote: com um contra-ataque fulminante, quase nocauteou Foreman.

Depois de dois rounds letárgicos, foi o que acabou acontecendo no oitavo assalto. Ali novamente surpreendeu Foreman e, com uma sequência de golpes cuja rapidez era inimaginável àquela altura de uma luta tão exaustiva, metralhou a cabeça do oponente até fazer aquele gigante desabar em câmara lenta.
...e o documentário de Gast, incluindo o show que abriu a noitada. 
A coragem que deu a vitória a Ali nessa luta foi a mesma que o manteve no ringue até o fim de uma luta na qual teve seu maxilar fraturado no 2º round, por Ken Norton.

O castigo que recebeu de Foreman foi tão terrível que, depois da vitória consumada, ele teve, durante as comemorações, um breve desmaio que passou despercebido porque seus segundos rapidamente se colocaram ao redor, encobrindo-o. Até então, entretanto, a adrenalina o mantivera em pé. (por Celso Lungaretti)    

ESTADOS UNIDOS, TERRA DOS LIVRES E LAR DOS VALENTES? ACREDITE QUEM QUISER...

rui martins
EUA: o perigo do totalitarismo.
Qual o verdadeiro objetivo dos cortes nas pesquisas e instituições científicas dos Estados Unidos, pelo presidente e seu auxiliar direto Elon Musk? O que se pretende com a suspensão das ajudas do governo às universidades e com os controles de professores e alunos, antes não existentes?

A imprensa europeia ainda parece atônita diante das notícias trazidas por professores desejosos de vir ensinar na Europa, contrários ao governo Trump ou prestes a serem demitidos pelas chamadas medidas econômicas.

Difícil de responder, mesmo porque o plano comercial de taxar pesadamente as importações equivale a provocar reações capazes de provocar um aumento da inflação nos EUA. 

A desativação ou diminuição das atividades de setores de ministérios, de ajudas mesmo se interessadas a países estrangeiros como as da Usaid, é feita dentro de um plano bem programado ou com o objetivo de desativar as principais atividades sociais do Estado?

Alguma coisa parecida com aquilo posto em execução na Argentina pelo presidente Milei, elogiado pelos grandes grupos econômicos e bem recebido por economistas e patrões no Fórum Econômico de Davos?

Ou já se trata de se colocar em prática ou estar testando as medidas destinadas a se criar um mundo totalmente diferente, controlado com a utilização de plataformas sociais e inteligência artificial (uma versão atual e mais sofisticada do 1984 de George Orwell: um totalitarismo utilizando câmeras). 

O sistema de controle e vigilância de toda população, imaginado pelo escritor, não é mais ficção e já pode ser instalado em todas as residências, ruas e locais coletivos para funcionar o dia inteiro.

Nos nossos dias, existem diversos países com vontade de controlar a formação de pensamento do seu povo. Reeditando um procedimento mais comum na Idade Média, algumas nações utilizam a censura, felizmente sem fogueiras. 

E, embora possa parecer surpreendente, os Estados Unidos, um dos países nos quais mais se fala atualmente em exercício da liberdade de expressão, é um dos maiores utilizadores da censura.

O jornal suíço Le Temps dedicou duas páginas da sua edição de fim-de-semana para destacar a existência de mais de 4 mil livros censurados nas bibliotecas e escolas estadunidenses, perguntando qual seria a sequência dessa vaga liberticida.
Entre os livros censurados estão O diário de Anne Frank, o próprio 1984 e Fahrenheit 451, de Ray Bradbury.

Essa realidade foi mostrada no documentário Os Bibliotecários, de Kim A. Snyder, exibido em janeiro no Festival do cinema independente de Sundance, em janeiro. Isso nunca se viu, nem na época do macartismo, se diz no documentário. Vale lembrar que a Constituição estadunidense garante a liberdade de expressão e a liberdade acadêmica.

Mas não é tudo e não vem só de Trump, mas também dos fundamentalistas que o apoiam desde o primeiro mandato. Nos dois últimos anos, houve mais 10 mil pedidos processuais de censura de livros, bem como de álbuns e manuais escolares tratando do período da escravidão e da luta pela liberdade e direitos cívicos dos afroamericanos.

Basta uma frase ou uma imagem para o livro ser catalogado como obsceno ou pornográfico pelas associações e grupos de pressão de fundo religioso nacionalista cristão.

O jornalista Jean-Jacques Roth afirma não serem só livros mas haver palavras e expressões proibidas pelo mundo trumpista numa ofensiva lançada contra a cultura, contra a ciência e contra a espinha dorsal do racionalismo moderno. 

Desde o primeiro mandato de Trump eram proscritos nos Centers for Disease Control os termos e expressões feto, diversidade, transgênero, baseados na ciência e apoiados por provas

Existe na era Trump uma enorme profusão de proibições, tais como as que incidem sobre designado homem ao nascer, identidade de gênero, LGBT, pessoas grávidas

Devem, ainda, ser evitados os termos ou expressões diversidade, justiça social, raça, etnia, discriminação, racismo

Trata-se de uma guerra de purificação léxica, destinada a desqualificar tudo quanto se relacione com valores progressistas e com os conceitos das ciências políticas e sociais. 

De acordo com Jean-Jacques Roth, o objetivo é o de se criar um mundo onde o real não se relacione com a razão mas sim com a vontade do poder dominante,
um mundo no qual não se procura a verdade mas no qual se decreta o que deve ser verdade. Isso tem um nome: totalitarismo
(por Rui Martins)

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