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quarta-feira, 22 de outubro de 2025

ASSASSINATOS DO NINHO DO URUBU TÊM DE SER INVESTIGADOS COM MAIS RIGOR. RETÓRICA PUNITIVISTA É DISPENSÁVEL

Não aguento mais ver pessoas que se creem  de esquerda incorrendo no mais rasteiro populismo. 

Lula autoriza a exploração de petróleo, mandando às urtigas o aquecimento global. Acreditará ele que vá ter quarto mandato se a espécie humana for dizimada pelas alterações climáticas? 

E, de quebra, está prestes a colocar outro evangélico no STF, para fazer dupla com o André Mendonça, ambos favorecendo ridículas bandeiras conservadoras.

Para não vomitar, vou até a a seção de Esportes da Folha de S. Paulo e encontro dois comentaristas do nosso lado pregando o linchamento jurídico de cidadãos que a Justiça inocentou. 

É aberrantes concluírem que morreram dez, alguém tem de pagar por isto.

Se a prisão de qualquer pobre coitado quando morrem muitas pessoas virar norma, quantos inocentes passarão pelo pesadelo das torturas e do cárcere? 

E esquerdistas vão ser, como sempre, alvos preferenciais dessas injustiças, ao lado dos pobres da periferia, dos negros e dos gays. 

Para desopilar o fígado, enviei mensagem ao jornal, ensinando o ABC do jornalismo para esses dois punitivistas insensatos. (Celso Lungaretti) 

"O efeito prático é que essas crianças morreram. O que pega é que não vai ter ninguém culpado...

Se a investigação não foi bem feita, se a acusação sei lá o quê, pouco importa --10 pessoas morreram e ninguém foi culpado. É isso que pega." (Walter Casagrande)

"O fato é que houve um crime, dez jovens foram mortos, asfixiados por causa de um incêndio e que nenhuma pessoa foi punida. Essa é a indignação do cidadão…

Dez jovens de menos de 18 anos foram mortos, asfixiados, e a Justiça decidiu, pelo menos por enquanto, que não há culpado."(Danilo Lavieri)

"Casagrande e Lavieri, embora concordando quanto à existência de culpados no episódio específico do incêndio no Ninho do Urubu, discordo de que, como regra geral, a quantidade de óbitos seja critério para definir culpa ou inocência. 

Fatalidades também existem e têm de ser levadas em conta. A culpa de qualquer cidadão precisa ser comprovada por prova(s), testemunho(s) e perícia(s), caso contrário ele pode estar sendo juridicamente linchado para satisfazer à exigência de punições por parte da opinião pública (mais ainda agora que o veredicto das redes sociais costuma ser contundente a ponto de eventualmente  influenciar a decisão de julgadores com personalidade fraca). 

E, quando há indícios para suspeitarmos de alguém, mas a investigação policial foi relapsa, seria criminoso condenar-se tal pessoa apenas para aplacar a sanha vingativa de quem quer que seja. Punitivismo rima com autoritarismo." (CL)

segunda-feira, 20 de outubro de 2025

LULA, O VILÃO CLIMÁTICO, SERÁ UMA EXCRESCÊNCIA NA COP30. VAIAS NELE!

Cúmplice descarado do aquecimento global, Lula autorizou a Petrobrás a perfurar o primeiro poço de águas profundas na bacia do rio Amazonas.

Como todas as medidas gananciosas e sórdidas que os políticos profissionais nos impõem, esta também será implementada a toque de caixa: a perfuração se inicia imediatamente, a fim de que os defensores da sobrevivência da humanidade não tenham tempo para reagir. 

Torço para que haja muita muita contestação e estrepitosas vaias a Lula, quando for discursar na COP30. Ele não tem moral nenhuma para discutir medidas contra as alterações climáticas, já que está hipocritamente contribuindo para elas.
Marina, não jogue sua biografia no lixo!

E se tal aberração se dever à sua ânsia por mais verbas para torrar na campanha eleitoral do ano que vem, pior ainda.

Caso Lula venha a ser o único candidato supostamente de esquerda (na verdade, não passa de força auxiliar da burguesia), serei o primeiro a pregar voto nulo nos dois turnos

Afinal, agora que o risco  Bolsonaro não existe mais, é melhor nos defrontarmos com um presidente de direita assumido do que com um serviçal do capitalismo enrustido.

De resto, uma pergunta à Marina Silva: até quando você servirá a um governo que representa exatamente o contrário de tudo que você defendeu na vida inteira? 

Salve sua biografia enquanto é tempo, pois de hora em hora o Lula piora... (por Celso Lungarett)

quarta-feira, 7 de maio de 2025

A HUMANIDADE VAI EXPIRAR COM ESTRONDO OU COM UM SUSPIRO?

Q
uem acompanha minhas divagações leigas sobre  os riscos de extermínio da espécie humana a partir da escalada do aquecimento global sabe que, há muito tempo, indago-me sobre qual o momento em que as maiores catástrofes se tornarão irreversíveis e nem mesmo a adoção das medidas mais drásticas conseguirão evitar que elas continuem ocorrendo. 

Ou seja, sobre quando atingiremos o ponto de não-retorno.

Os scholars provavelmente desprezam tais elucubrações porque, afinal, sou um sem-PhD, portanto, aos olhos deles, um ninguém. Nem sequer levam em consideração o fato de que meus cenários futuros na política têm um índice de acertos muito acima do que se poderia qualificar de mera coincidência.  

Mas, como não posso nascer de novo e aí sim acumular as certificações acadêmicas que me garantissem um mínimo de respeito para as minhas preocupações com o futuro de meus entes queridos (e, portanto, com o futuro da humanidade), continuarei invadindo a praia que fazem tamanha questão de manterem como propriedade exclusiva deles.

Um exemplo de que não sou nenhum alucinando falando crassas asneiras, como os bolsonaristas fazem o tempo todo, está no último artigo do Carlos Nobre, um dos maiores climatologistas brasileiros, intitulado 
O aquecimento global acima de 1,5°C é irreversível? 

Alguns trechos bastarão para os leitores perceberem que estou totalmente certo ao alertar que, como há muito as previsões científicas sobre o aumento do aquecimento do planeta são ano a ano ultrapassadas pelos acontecimentos, temos mesmo de nos inquietar sobre quanto tempo nos resta para determos a marcha para o fim.

O apocalypse now pode estar muito mais próximo do que imaginamos. E não o do filme do Coppola, mas sim o real. (Celso Lungaretti)
.
..
"...a influência humana no aquecimento global é inequívoca. O aquecimento do planeta não é questionável, é um consenso.
O Acordo de Paris de 2015 estabeleceu metas para não deixar de modo algum o aumento da temperatura global ultrapassar 2°C até 2100 e, para tanto, seria essencial reduzir as emissões dos gases de efeito estufa em 70% até 2050 e zerar as emissões líquidas até 2100.

A COP21 também estabeleceu o limite de 1,5°C como meta a fim de minimizar maiores riscos e impactos do aquecimento global.

Em 2021, a COP26, em Glasgow, na Escócia, lançou metas muito mais ambiciosas. A ciência indicava que para não ultrapassarmos 1,5°C teríamos de reduzir as emissões em 43% em relação àquelas de 2019 e zerar as emissões líquidas até 2050. Entretanto, parece que algo bem diferente vem acontecendo.

O ano de 2024 foi o primeiro a violar o Acordo de Paris e as metas da COP26 ao superar o limite de 1,5°C, um limiar significativo em termos de impactos sociais, ambientais e econômicos. 

Além dos recordes nas temperaturas nos continentes, tanto a temperatura global da superfície do mar (SST) quanto o conteúdo de calor oceânico (OHC) até 2.000 metros atingiram máximas sem precedentes no registro histórico. Os valores recordes de SST e OHC em 2024 indicam tendências inabaláveis de aquecimento global...

...2 meses consecutivos acima de um limite climático indicam que o aquecimento global nesse patamar vai continuar em longo prazo. Não se pode afirmar que ficaremos acima de 1,5°C permanentemente, mas os pesquisadores mostraram uma tendência clara...

...uma vez ultrapassado determinado patamar de aquecimento, não há retorno a níveis inferiores no intervalo de 20 anos. As simulações mostram que isso também vale para o limite de 1,5°C...

...mesmo que a redução das emissões comece agora, é provável que a Terra continue superando o limite de 1,5°C. Sem uma mitigação climática muito rigorosa, o primeiro ano acima de 1,5°C ocorre dentro do período crítico de 20 anos, com consequências irreversíveis para o sistema terrestre em áreas-chave como biodiversidade, nível do mar e estoques de carbono..." (Carlos Nobre)

sexta-feira, 4 de abril de 2025

ÍNDIO NÃO QUER APITO. ÍNDIO DÁ UM PITO. E O LULA FEZ REALMENTE POR MERECER!

Indígena sincero perde tempo com cara pálida enrolador
Lula passa vergonha até quando visita os indígenas.

Ao atender ao terceiro convite do cacique Raoni Metuktire no Parque do Xingu (MT), não só foi cobrado por haver ignorado os dois anteriores, como recebeu um ótimo conselho que não terá a humildade de seguir: 
"Quero pedir ao senhor para pensar no seu sucessor, que tem que ser o próximo presidente da República, para continuar seu trabalho de proteger os povos indígenas e o nosso território".
Tradução: "Sua obsessão de conquistar um quarto mandato quando no terceiro já está perdidinho da silva só lhe trará a derrota, além de deixar os povos e o território indigena sem protetor".

Lembram do quando ele era idoso propaganda do pré-sal?
Até os povos originários já sabem que a única carreira ao alcance do Lula atualmente é a de bom avô para seus netinhos.

Finalmente, Raoni botou o dedo numa das piores feridas do Lula, a de destruidor ambiental, hipócrita ainda por cima, pois fala exatamente o contrário:
"Estou sabendo que lá na foz do rio Amazonas, o senhor está pensando no petróleo debaixo do mar. Penso que não. Essas coisas, na forma que estão, garantem que a gente tenha o meio ambiente e a terra com menos poluição e aquecimento". 
Bravo, Raoni! Vergonha, Lula! (por Celso Lungaretti)

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

LULA, O NEGACIONISTA DO CLIMA, PREFERE SALVAR A MIRAGEM DO 4º MANDATO DO QUE TENTAR SALVAR A HUMANIDADE

Lula consegue ser mais ridículo do que o Trump, que flerta com a destruição da humanidade porque quer ser o presidente do mundo. É um megalomaníaco monstruoso, mas pensa grande.

Já Lula faz exatamente o mesmo ao pressionar vergonhosamente o Ibama para que facilite a exploração do petróleo na foz do Amazonas. Tanto quanto Trump, coloca seus interesses pessoais acima de tudo. E tanto quanto o Bolsonaro, não passa de um negacionista do aquecimento global.  

E age assim por um motivo que só subsiste na cabeça encolhida dele: o de obter um inacreditável quarto mandato para continuar não sabendo o que fazer, traindo seus apoiadores e levantando a bola para o inimigo marcar uma enxurrada de pontos. 

Não passa de um trapalhão nanico, pensando pequeno mas produzindo estrago enorme nas próprias fileiras. 

E cometeu o pecado capital para qualquer populista: perdeu a capacidade de enrolar o povo.

Quanto à dúvida real que ainda há, é bem outra: não se Lula será presidente em 2027, mas sim se ele vai continuar presidente até o final de 2026. 

Sua permanência no poder, atualmente, convém à direita e é desastrosa para a esquerda! (por Celso Lungaretti)

MUDANÇAS CLIMÁTICAS COLOCAM EM ALTO RISCO 1,2 BILHÃO DE PESSOAS NO PLANETA

carlos nobre
 
ONDAS DE CALOR EXTREMO AMEAÇAM
 LIMITES DA SOBREVIVÊNCIA HUMANA
Com recordes de temperatura sendo constantemente quebrados, os impactos na saúde atingem níveis sem precedentes. 

A Organização Meteorológica Mundial confirmou que 2024 foi o ano mais quente da história, com ondas de calor mortais afetando diversas regiões do planeta. Em janeiro de 2025, um novo recorde foi registrado: a temperatura global atingiu 1,75°C acima da média, mesmo sob influência do fenômeno La Niña, que normalmente resfria parte do oceano Pacífico Equatorial. 

Diante do avanço acelerado do aquecimento global e da insuficiência das medidas para contê-lo, uma adaptação urgente e abrangente é essencial para evitar a rápida escalada dos impactos do clima extremo na saúde.

Pessoas em todo o mundo enfrentam um risco crescente de eventos climáticos extremos que ameaçam a vida. Entre 1961-1990 e 2014-2023, 61% da superfície terrestre registrou um aumento no número de dias com precipitação extrema, elevando o perigo de inundações, a propagação de doenças infecciosas e a contaminação da água.

Um relatório publicado pela revista científica
The Lancet em outubro de 2024 identificou diversos limites para a adaptação da saúde às mudanças climáticas:

Limites fisiológicos. O corpo humano funciona dentro de uma faixa estreita de condições ambientais, especialmente em relação ao estresse térmico. Com o ritmo acelerado das mudanças climáticas, esses limites estão cada vez mais próximos de serem ultrapassados. 

Extremos severos de calor e umidade podem tornar algumas regiões inabitáveis, levando à insolação e ao colapso térmico. Estudos indicam que, embora o limite tradicional para a sobrevivência humana tenha sido estabelecido em até 6 horas num ambiente com 35°C de calor e umidade extrema, pesquisas mais recentes mostram que esse limite é ainda menor, principalmente para idosos.  

Limites de evidências e conhecimento. A geração de evidências científicas e conhecimento é crucial para adaptação e proteção da saúde, mas existem desafios na implementação de medidas eficazes. Essas dificuldades se originam dos limites humanos para entender a interação entre o mundo natural e os impactos na saúde.

Limites financeiros. Sob o curso atual de mitigação, a adaptação por si só será muito custosa e exigirá a realocação de fundos de outros setores. Esses imites são mais acentuados em países de renda mais baixa, particularmente dada a escassez de fundos internacionais alocados para apoiar ações de adaptação, especialmente para a saúde.

Limites de governança ou política. A maioria das medidas de adaptação relacionadas à saúde exigem ações em setores que dão suporte à saúde das pessoas, incluindo saneamento, planejamento urbano, transporte e energia.
Essas ações exigem cooperação articulada entre setores governamentais, funções executivas eficazes e fluxos de financiamento adequados nos níveis internacional, nacional e regional, que raramente ocorrem.

Limites físicos ou de infraestrutura. O ambiente físico pode agravar os riscos climáticos para a saúde, e nem sempre há soluções viáveis para modificá-lo. Isso inclui, p. ex., limites físicos para proteger áreas costeiras baixas, barreiras de proteção contra enchentes ou elevação construída à medida que os níveis do mar continuam a subir. Da mesma forma, modificar o ambiente construído para torná-lo mais resiliente ao clima pode ser muito caro, perturbador ou lento, tornando-o uma opção indisponível. 

Limites sociais, culturais e comportamentais. Mudanças comportamentais podem ajudar a construir resiliência às mudanças climáticas. Tais mudanças incluem, p. ex., adotar comportamentos para se proteger do calor e buscar soluções de resfriamento em casos de ondas de calor, buscar segurança durante eventos extremos ou migrar. 

Superar essas limitações é teoricamente possível por meio de grandes mudanças sociais, institucionais e tecnológicas, que exigem uma combinação de medidas de adaptação e mitigação no enfrentamento à emergência climática. 

Se as políticas atuais forem mantidas, o mundo caminha para um aquecimento superior a 3°C até 2100. A mitigação sustentável não só evitaria os piores impactos climáticos, mas também reduziria os danos à saúde causados pelos combustíveis fósseis. Hoje, a poluição urbana mata entre 6 e 7 milhões de pessoas por ano, enquanto a queima de biomassa é responsável por outros 2 a 3 milhões de óbitos anuais.

Atualmente, cerca de 1,2 bilhão de pessoas estão em alto risco devido aos impactos do clima em mudança. No entanto, acelerar o desenvolvimento sustentável e implementar adaptações direcionadas pode reduzir significativamente esses impactos, tornando populações, empresas e países mais resilientes diante da crise climática.
(por Carlos Nobre, estudioso focado no acompanhamento da escalada do aquecimento global, sendo um dos mais renomados meteorologistas do país e um dos cientistas brasileiros mais conhecidos mundialmente).

sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

É ASSIM QUE ACABA O MUNDO: COM UMA EXPLOSÃO DE TURBULÊNCIA E GANÂNCIA!

Quantos minutos a posse de Trump terá aproximado o  relógio do Juízo Final da meia-noite?
Não nos confundamos quanto à consequência principal da tomada dos EUA pela extrema-direita. 

Há retrocessos civilizatórios de todo tipo a lamentarmos, mas aqueles com os quais devemos, acima de todos, nos preocupar são os que conduzem nossa espécie à extinção. 

Precisamos ter muita clareza quanto a isso, pois a ameaça existe e é bem real: 
-- se não detivermos a escalada do aquecimento global, derreteremos;
-- as alterações climáticas também poderão nos dizimar pela sede e pela fome, nos afogar em grandes inundações e mandar pelos ares nossas usinas nucleares, como quase aconteceu em Fukushima.  
-- se deixarmos voltarem as guerras de conquista travadas entre as nações mais poderosas, explodiremos; 
-- se negligenciarmos o combate às epidemias, acabarão surgindo variantes mais letais ainda do que a covid 19;
-- se incubarmos depressões econômicas tão terríveis quanto a de 1929/1939, estaremos fragilizados quando nos defrontarmos com as outras ameaças;
-- se permitirmos que big techs manipulem de forma avassaladora a consciência do cidadão comum, uma nova modalidade de escravos será criada sob nossos narizes;
-- se consentirmos que os movidos pela ganância esgotem os recursos naturais dos quais depende a nossa sobrevivência, morreremos. E por aí vai. 

Melancolicamente, isto ocorre quando havia totais condições de o desenvolvimento científico e tecnológico alcançado pela humanidade propiciar uma existência digna e gratificante para cada habitante do planeta.

Mas, ao contrário do que marxistas com otimismo em excesso supunham, não bastava isso ser possível. Era preciso que a humanidade estivesse disposta a priorizar o bem comum em vez  dos mesquinhos interesses pessoais. 

E tal não sucedeu. Entre o amai-vos uns aos outros dos cristãos e o foda-se o mundo, eu não me chamo Raimundo dos energúmenos, prevaleceu a segunda postura.

No século 20 os cidadãos intelectualmente honestos já puderam perceber de forma inequívoca que a escalada e a sinergia de crises por si sós gravíssimas apontava para o fim da nossa espécie. 

E que só uma grande ampliação e imediata unificação dos esforços para reverter o cenário ora predominante ensejaria alguma esperança.

Quando já estávamos na bacia das almas, as diretrizes monstruosas do novo governo do Donald Trump tornam praticamente impossível a salvação. No momento em que mais precisávamos nos unir, separamo-nos de forma irremediável. 

Anos e anos seriam necessários para voltarmos ao status quo ante, se é que conseguiríamos lográ-lo. E o pior é que não dispomos desses anos e anos. 

Evidentemente, o que nos resta  fazer é lutarmos até o fim contra a barbárie triunfante. Mas, temo que tal acabará sendo a opção de poucos, pois se existissem muitos seres humanos dispostos a travar o bom combate, não teríamos chegado às portas da entropia. 

E há um contingente enorme de bovinos do apocalipse nos empurrando para a frente. Para o definitivo mergulho no nada. (Celso Lungaretti)

quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

NÃO CONTEM AO TRUMP, MAS O GRANDE PORRETE DOS EUA HOJE SÓ SERVE PARA PALITARMOS OS DENTES

 dalton rosado
O NEONAZISMO NA CRISE DO CAPITAL
"O mal não pode ser banal e radical a uma só vez.
o mal pode ser extremo, mas nunca radical 
Só bem pode ser... profundo e
radical(Hanna Arendt) 
A Grande Depressão de 1929/1939, fruto da crise do capital na segunda revolução industrial fordista, descambou na 1ª Guerra Mundial e foi o combustível da 2ª, bem como do surgimento do nazismo.   

O genocídio mundial do século 20 e suas guerras têm origem na natureza capitalista; em sua essência e natureza ao mesmo tempo segregacionista pela riqueza em relação à pobreza e ordenamento político-belicista de luta pela hegemonia econômica das nações economicamente fortes por ele criadas. 

A crise do capital oportuniza o sentimento supremacista xenófobo, segundo o qual os que se apropriam da riqueza advinda do sistema produtor de mercadorias empenham-se em submeter os empobrecidos a um torpor insano e cruel, fadado ao genocídio bélico.  

Vivemos tempos similares e com maior gravidade, tanto pela dimensão da crise como pela capacidade destrutiva nuclear e ecológica da terceira revolução industrial cibernética que em tudo e por tudo é incompatível com a lógica de sustentação do capital. Esse é o combustível do surgimento do neonazismo sem disfarces e pejos.  

A contradição entre forma capitalista e seu conteúdo intrínseco negativo explicitado está nos levando para o cadafalso, e sua superação é, ao mesmo tempo, necessária e incompreendida.   

Nada mais exemplar do cadafalso do que as afirmações de Donald Trump no dia de sua segunda posse: sentindo-se legitimado pelos aplausos nazistóides, desandou a cometer sincericídio, deixando à mostra os seus delírios de onipotência.  

O mais grave disso tudo é que se deseja superar o capitalismo pelo capitalismo, ou seja, com a formação de um bloco capitalista antagônico ao nocivo capitalismo ocidental segregacionista, supremacista branco e misógino. Quer-se que as ferramentas do mal combatam o mal, e a resultante disso é a guerra fratricida e genocida iminente.  

Na entrevista concedida aos jornalistas com ar de informalidade previamente estudado e no qual ele não se preocupou em segurar a língua por se sentir legitimado para dizer tudo que representa retrocesso civilizatório sem peias, saíram bijuterias perigosas que mais parecem advindas de um pesadelo aterrador. 

Vejamos, resumidamente, algumas das mais contraditórias: 
-- saída do acordo do clima de Paris, estímulo à prospecção e consumo de petróleo, e combate à energia limpa das eólicas. 
Como negacionista incorrigível que é desde os tempos da vacina contra covid, Trump finge desconhecer o alerta dos cientistas sobre a emissão de gás carbônico na atmosfera pelos Estados Unidos, maior emissor mundial, e decide que seu país vai seguir em frente nessa faina atmosférica sem dar bola para os eventos climáticos mundiais que se avolumam em quantidade e intensidade,  tanto que acabam de devastar Los Angeles, a segunda maior cidade dos Estados, causando dezenas de mortes e prejuízos de bilhões de dólares. 
-- Taxação de mercadorias importadas.
 
Por considerar que os EUA são os grandes compradores de mercadorias de todo o mundo (o que faz com dólar falso impresso pela Federal Reserve ao seu bel prazer e aceito inadvertidamente alhures como moeda universal), entende que pode taxar as mercadorias que compram de todos os produtores mundiais e, especialmente, da China, grande fornecedora de mercadorias baratas para o Tio Sam

Pretende, com tal política de relações com o comércio externo, estimular a produção local, sem levar em conta que o padrão salarial dos estadunidenses é incompatível com os custos de produção num mercado no qual vence quem vende mais barato e melhor. 
Logo, logo, restará comprovada essa bravata, justamente porque tal política provocará uma alta ainda maior da inflação já bastante elevada para os padrões estadunidenses que foi o combustível da derrota de Kamala Harris. 
Além da inflação, haverá escassez de mercadorias para consumo e atualização dos meios de produção que necessitam permanentemente de modernização do capital fixo (máquinas tecnológicas, robôs, computadores, etc.), e aumento do desemprego, num efeito contrário ao por ele desejado. 

-- restrição ao reconhecimento da diversidade de gênero. 
Pelo decreto presidencial somente se reconhece os gêneros masculino e feminino, e desse modo os hermafroditas (definidos na biologia como pessoas que nascem concomitantemente com os dois sexos) não serão aceitas como tais.  
Os homossexuais, por sua vez, estarão excluídos de uma condição de respeito à diversidade sexual implicitamente contida neste decreto, como se ela não existisse de fato, e tudo no melhor/pior estilo oficial nazistóide. 

-- restrição ao direito constitucional
(que, como tal, precisará de difícil confirmação no Congresso dos EUA) de cidadania aos nascidos em solo estadunidense 
Doravante, para que um nascituro seja considerado cidadão dos Estados Unidos. deverá atender a critérios de avaliação definidos burocraticamente sobre a aceitação ou não de tal condição. 

-- restrição de abrigo aos refugiados e outro de deportação de imigrantes ilegais. 
O decreto de restrição aos direitos dos refugiados é um claro ato de desumanidade para com os que. pelos mais variados motivos na linha de guerra ou perseguição política, cheguem aos Estados Unidos.  
Da mesma forma serão deportados os imigrantes que o governo considere ilegais. Observe-se que o próprio Donald Trump é descendente de imigrantes alemães (Frederick Trump, seu avô, da etnia celta, nasceu na Alemanha e se tornou um imigrante rico nos Estados Unidos). 

Em suma, os decretos trumpianos de restrição de direitos refletem a desumanidade contida na estrutura ideológica de um governo conservador, avesso à fraternidade de uma relação social acolhedora, a qual somente é possível sob um contrato social desprovido da competitividade fratricida induzida pela forma-valor, gênese do capitalismo e sua natureza segregacionista e criminosa.  
A presunção e pretensão da supremacia estadunidense seria apenas um natural desejo de prosperidade nacional contido no dístico
Make América great again se não fosse, concomitantemente, um desejo xenófobo de domínio sobre os demais países. Vide, p. ex., algumas respostas dadas durante as várias entrevistas: 
"O Brasil precisa dos Estados Unidos, mas nós não precisamos dele" 

"A Organização Mundial de Saúde nos explora, e é por isso que estamos saindo dela" (o negacionismo, ele sim, é a verdadeira razão). 

"Todo mundo rouba dos Estados Unidos" (inverte o fato de que, com o dólar oficial falso, os EUA tudo compram mundo afora de graça).  

"A China controla o Canal do Panamá" (o que não é verdade, pois o canal é controlado por uma agência do governo panamenho, o qual, vale lembrar, é ligado aos Estados Unidos). 

"Se as brics prejudicarem os interesses dos EUA, vou taxá-las em 100%" 

"Acho legítimo invadirmos o México à procura dos cartéis do crime organizado por lá" 

"Não vamos mais comprar petróleo da Venezuela", e por aí vai.  
Donald Trump, representa o neonazismo que, infelizmente, revive no mundo, 
mas será derrotado. 

Ele é pedante e desrespeitoso com as nações, e parece acreditar que é o dono do mundo, mas não passa de um narcisista perigoso neste ocaso do capitalismo de mercado que dá sinais claros de inviabilidade e desestabilidade. 

Se ele quer a América grande novamente, é porque reconhece que já não é mais suficientemente grande como ele quer no seu sonho megalomaníaco de bilionário mimado e prepotente.  

A verdade é que um fim se aproxima, seja o nosso como espécie ou como seres dependentes do capital. A segunda hipótese é a que queremos e por ela lutamos. (por Dalton Rosado

domingo, 29 de dezembro de 2024

FELIZ ANO NOVO PARA QUEM, CARA-PÁLIDA?

A
 indagação é de Marcelo Leite, jornalista especializado em ciência e ambiente, na Folha de S. Paulo deste domingo, 29 (acesse aqui). Eis alguns motivos de sua indignação:
-- o programa Copernicus da União Europeia declarou 2024 como o ano mais quente já registrado na Terra;
-- a tendência é de que 2025 venha a ser ainda pior;
-- o planeta segue em marcha acelerada para descumprir a meta do Acordo de Paris (2015), de manter o aquecimento globl no máximo 1,5ºC acima do de tempos pré-industriais; e
-- a trigésima COP (Conferência das Partes), "comandada em Belém por um governo tão ambíguo quanto o de Lula em políticas climáticas", deve resultar em nada ou quase nada, como todas as anteriores.
Alguma novidade? Não. Nem agora nem em março de 2010, quando eu já lançava uma dura advertência aos candidatos a marshmallows tostados, indignado por  vê-los tão apáticos e conformados com o destino terrível que estavam escolhendo para si próprios e para os que viriam depois. 

Faço questão de reproduzir aquela mensagem pois se trata de mais uma comprovação do acerto das minhas previsões quando projeto cenários futuros, baseado na minha vivência de revolucionário e não na geralmente modorrenta cientificidade acadêmica quando se trata de transformarmos a realidade e não apenas de a interpretarmos de diversas maneiras (a célebre tese de Marx sobre Feuerbach cai como uma luva!). 

Quantas vezes os episódios terminariam bem melhor para a esquerda brasileira se minhas advertências tivessem sido levadas a sério!
Transcorridos 14 anos desde então, as reações continuam muito aquém das que seriam necessárias para sacudirem a letargia dos podres Poderes. Estamos perdendo uma corrida contra o tempo que jamais poderíamos perder! 

Sendo que, desta vez, não há a mais remota dúvida sobre o fato de que a sobrevivência da humanidade depende de providências que deveriam estar sendo tomadas com extrema urgência. 

Neste caso, até os cientistas (aqueles que as grandes corporações não conseguiram cooptar) estão cumprindo seu papel. Mas, quando os interesses financeiros prevalecem, até eles se tornam impotentes para evitar o pior. (Celso Lungaretti/2024)
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ENTROPIA
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Às vésperas do carnaval, fim de tarde, uma ventania com intensidade que eu jamais vira arrancou do trilho uma das lâminas da porta de correr do meu apartamento, atirando-a violentamente contra o sofá.

O vidro espalhou-se por toda sala, juntamente com a chuva que passou a entrar, torrencial.

Saí em busca de material para fazer uma proteção provisória, que nos permitisse atravessar a noite.

Árvores caídas, semáforos desligados, um muro tombado, buzinas, congestionamento infernal.

Telefone, internet e TV a cabo out.

Horas depois, ruas e avenidas ainda sem iluminação. Cavaletes e avisos improvisados alertando os motoristas contra as novas crateras.

No dia seguinte, maratona de telefonemas para vidraceiros das redondezas, depois até de bairros distantes. Todos eles, depois do vendaval, com serviço para mais de uma semana.

Lá pelo trigésimo, bingo! Mas, fiquei com a suspeita de que as coisas jamais voltarão verdadeiramente ao normal.

Que, doravante, estaremos sempre botando a casa em ordem... para vê-la de pernas pro ar no momento seguinte.

E o noticiário segue repleto de ocorrências muitíssimo piores, no mundo inteiro.

As catástrofes naturais que já aconteciam, agora têm ímpeto muito mais devastador.

As que não ocorriam, passaram a suceder.

Mas os podres poderes -- cujo papel é perpetuar a competição, a ganância e o privilégio -- não reagem como deveriam, para ao menos evitar que a vingança da natureza sele o fim da espécie humana.

Pois já não existe dúvida nenhuma de que a humanidade muito sofrerá durante, pelo menos, algumas décadas.

Por mais que a imprensa evite constatar que dois e dois somam quatro, todos temos a sensação de que o apocalypse now está chegando muito mais depressa do que supõe nossa vã ciência.

E os homens nem de longe se dão conta de que, ou se unem e tomam o destino nas mãos, ou os governos continuarão cavando suas sepulturas.

Olho para minhas doces filhas e fico me indagando se atingirão minha idade.

Se ainda haverá seres humanos no planeta daqui a meio século, em nossa contagem de tempo... que talvez nada mais seja. (CL/2010)
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