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domingo, 30 de março de 2025

A INCONTINÊNCIA VERBAL DO LULA PIORA CADA VEZ MAIS

E
m mais uma declaração prá lá de desastrada, o presidente Lula aprovou implicitamente o direito de conquista, mandando às favas o princípio de autodeterminação dos povos, único aceitável para os civilizados:
Eu poderia ser radical contra o Trump. Mas na medida que o Trump toma a decisão de discutir a paz entre Rússia e Ucrânia, que o [ex-presidente Joe] Biden deveria ter tomado, sou obrigado a dizer que está no caminho certo.
Faltou o Lula dizer o óbvio, qual seja que o presidente dos EUA nem de longe está sendo um mediador imparcial do conflito entre sua aliada Rússia e a heroica Ucrânia. Atua apenas no sentido de fazer os ucranianos engolirem a pílula amarga de cederem territórios em troca da cessação de uma guerra que já não conseguem mais sustentar. 

Joe Biden estava certíssimo ao tentar evitar o sucesso de uma empreitada que em tudo e por tudo fazia lembrar as anexações de Hitler na década de 1930, vergonhosamente consentidas pelo premiê britânico Neville Chamberlain, cuja política de apaziguamento da Alemanha nazista foi um completo fracasso.
Ficou provado daquela vez que bem melhor teria sido abortar o ímpeto expansionista de Hitler no nascedouro, como aconselhava Winston Churchill. Deixar o mal crescer só tornou muito mais difícil controlá-lo depois.

Compreende-se que Zelensky, após ser miseravelmente traído pelos Estados Unidos, esteja agora apenas querendo alguma fórmula de a rendição a um inimigo com imensa superioridade de forças e recursos, não parecer ser exatamente o que será: uma mera capitulação. 

O que há para elogiar-se numa infâmia dessas, Lula? (por Celso Lungaretti)

domingo, 2 de março de 2025

A DEVASTAÇÃO CAUSADA POR TRUMP É TÃO IRRACIONAL QUE REFORÇA A SUSPEITA DE ELE SER UM AGENTE APRENDIZ DO KGB

"Donald Trump é um agente russo?"
lourival sant'anna
TRUMP AGE SOB INFLUÊNCIA DE PUTIN E TEM CONTATO COM RUSSOS HÁ 40 ANOS
Se Donald Trump dá a impressão de agir sob influência russa, é porque de fato age.

Há quatro décadas, ele tem sido doutrinado pelo serviço secreto e feito negócios com oligarcas da Rússia. A premeditada humilhação de Volodmir Zelenski na Casa Branca seguiu a cartilha da KGB e de seu ex-agente Vladimir Putin.

Enquanto concentrava 100 mil soldados na fronteira, Putin menosprezou a Ucrânia e conversou com Joe Biden e governantes europeus sobre uma solução política. Três dias antes de ordenar a invasão, encenou na TV com o chanceler Serguei Lavrov otimismo em relação a um acordo para evitar a guerra. É um método para disfarçar as reais intenções e culpar os outros.

Trump recebeu Emmanuel Macron e Keir Starmer e submeteu Zelenski a uma série de humilhações antes do desfecho de sexta-feira. Conversou primeiro com Putin sobre o destino da Ucrânia e aceitou as condições do invasor.
O fanfarrão Trump escuta humildemente o blablablá de
Putin, que foi outrora um dos chefões da Inteligência russa
 

Impôs contrato que entregava aos EUA as riquezas do país e cobrava quatro vezes mais do que a ajuda estadunidense. 

Chamou-o de ditador e disse que ele precisava se mover depressa ou não teria mais país.

O objetivo era provocar Zelenski a reagir de forma agressiva. Na véspera do encontro, Trump simulou esquecimento dos insultos contra ele e boa vontade, com um acordo menos extorsivo. No dia seguinte, culpou-o pela perda do apoio estadunidense, numa postura passivo-agressiva.

Todos sabiam que Zelenski ia a Washington pedir proteção, para evitar que a Rússia tome o restante de seu país. Quando ele lembrou que Putin violou o cessar-fogo de 2015, foi a senha para Trump e seu vice J.D. Vance o atacarem diante das câmeras e provocarem o que pareceu bate-boca. Era apenas Zelenski tentando manter o mínimo de dignidade e verdade factual.

Em 1979, Trump comprou 200 televisores para seu hotel Hyatt na Trans Commodities, loja de fachada da KGB em Nova York. Parece ter sido o início dos contatos.  
Freud veria Putin como um baixinho autoritário,
obcecado em projetar imagem de macho alfa


Ele visitou Moscou em 1987, com tudo pago pela estatal Intourist, usada pela KGB para cultivar estrangeiros. Na volta, Trump pagou US$ 100 mil por páginas no The New York TimesThe Washington Post e Boston Globe atacando os aliados dos EUA e defendendo aproximação com a URSS.

Trump faliu em 1991 por investimentos desastrosos em cassinos, deixando dívida de US$ 4 bilhões. Clientes russos passaram a investir em seus imóveis, muitas vezes pagando em dinheiro.

Na eleição de 2016, Hillary Clinton foi alvo de hackers e de posts difamatórios nas redes custeados pelo Kremlin. Seis assessores de Trump foram processados por contatos ilegais com russos.

É uma relação antiga e proveitosa para os dois lados. (por Lourival Sant'Anna, colunista do Estadão e analista de assuntos internacionais) 

sexta-feira, 15 de julho de 2022

QUANDO É QUE PEGAREMOS O TOURO CAPITALISTA PELOS CHIFRES? – 3

(continuação deste post)
A pergunta que não quer calar: 1929 se repetirá? 
A
guerra, a queda mundial no crescimento do PIB e da inflação não são causas, mas sim consequências irremovíveis das contradições da lógica do capital, estando agora mais presentes do que nunca.

A Comissão Europeia, organismo integrante da ordem capitalista, portanto, de apoio ao capital e de insuspeita tendência crítica, afirma que os EUA encaminham-se para inflação de 7,3% neste ano de 2022 (a maior desde décadas) e a zona do euro, de 6%. O Brasil prevê uma inflação em torno de 12% . 

Como ensina qualquer manual simplório de economia, a inflação é consequência de uma circulação de moeda sem correspondência com a produção de mercadorias. Assim, como há mais dinheiro em circulação do que produção de mercadorias, a lei da oferta e da procura promove a alta dos preços das ditas cujas (não do seu valor intrínseco, daí a moeda perder credibilidade como sua representação). 

Os Bancos Centrais, em obediência à economia e suas regras ditatoriais (não há BCs politicamente autônomos, como se quer afirmar), emitem moedas sem lastro como forma de doar sangue artificial a um organismo anêmico para evitar sua falência antecipada. 

A inflação é uma febre que denuncia a infecção no organismo capitalista. Não se pode quebrar o termômetro como forma de encobri-la, porque os assalariados compram mercadorias e serviços com o dinheiro que ganham, o que torna explícitos e conhecidos os seus efeitos socialmente nefastos. 

Traduzindo: a inflação é o maior confisco de salários que pode existir, e se alia à extração de mais-valia e aos impostos estatais como categorias capitalistas promotoras da cruel segregação social que ora se acentua gravemente.
Já passamos perto de uma nova depressão mundial na
crise do subprime. E a coisa não melhorou desde 2008 

Tudo isso corresponde a um ciclo vicioso decadente:
— não se produz porque não se vende;
— não se vende porque não há capacidade de compra pela população;
— mas, como a máquina do capital precisa continuar viva, emite-se moeda sem lastro, que causa inflação;
— a inflação corrói o poder de compra, e por aí vai... 

Ou seja, o Produto Interno Bruto decai em consequência das contradições capitalistas em processo. 

A Comissão Europeia prevê uma redução do PIB mundial para 2022. O PIB mundial deverá situar-se em 2,9% para 2022, incapaz de recuperar as perdas havidas em 2020 (ano da intensificação da paralisia econômica provocada pela epidemia da covid-19). 

E, com inflação alta, tais números se tornam socialmente explosivos; e, principalmente, assombrosos para a periferia capitalista. 

A África, p. ex., corre grave risco de ser vítima de um processo de inanição causada pela fome. O Egito já dá sinais de tal tragédia humanitária.

Para se ter uma ideia da gravidade do problema, os Estados Unidos, que detém a maior economia nacional do mundo, registraram uma queda do PIB de 1,4% no 1º trimestre do presente ano e o 2º trimestre também não está sendo alentador para os capitalistas e rentistas em geral. As bolsas de valores caem, e as rendas de capital acompanham a mesma trajetória. 

Corroborando o que prevê a Comissão Europeia, a Organização Mundial do Comércio, organismo da ordem capitalista, afirma que teremos em 2022 um PIB mundial em 2022 de apenas 2,8%.
O PIB mundial de 2019, antes mesmo da pandemia, já demonstrava fragilidade, fixando-se em apenas em cerca de 3,0%. A crise sanitária apenas agravou o que já era gravemente preocupante.

Com a economia mundial interligada e a velha e fratricida disputa por hegemonia economia entre as nações (reproduzindo a competição fratricida entre os empresários na guerra de mercado e até dos trabalhadores por ascensão profissional), está ocorrendo um novo fenômeno. 

Ele é uma consequência das guerras localizadas, com reflexos negativos na economia mundial: trata-se da paralisia da produção causada pela falta de insumos necessários à produção nos níveis de mercado. É mais um fator desestabilizador. 

A falta de produção e fornecimento internacional de semicondutores da produção de equipamentos tecnológicos (carros, computadores, celulares, etc.) está travada e isto está contribuindo ainda mais para a queda do PIB mundial, sem contar com a volta da epidemia de covid-19 em alguns países, como o Brasil, que está vivendo um crescendo perigoso de contaminação e se aproximando das 700 mil mortes para pouco mais de 210 milhões de habitantes.  

Neste quadro recessivo, a máquina estatal carente de recursos para prover as demandas sociais de sua incumbência e os altos juros da dívida pública dos países pobres, que sustentam o mercado financeiro mundial, endivida-se ainda mais, numa bola de neve sombria e ameaçadora. 

Mas os políticos continuam a desejar o acesso ao poder político decrépito da ordem capitalista, e o povo é incitado a votar como forma de solução de problemas que estão longe de poderem ser resolvidos por quem está inserido no contexto político capitalista. 

Aí, haja aumento da dívida pública e privada! Haja emissão de moeda sem lastro!

Segundo economistas mais conscienciosos, há 40% de possibilidades de entrarmos num quadro de recessão mundial; a agência Morgan Stanley, avaliando tal risco em 35%, fica só um pouco atrás.

Assim, os investimentos se retraem e tudo converge para um impasse de proporções bem maiores do que aqueles causados há cerca de quase cem anos (1929/1930), quando começou a 
grande depressão que estendeu-se pela década de 1930 adentro.  

E todos estes problemas são acrescidos pelo aquecimento global, que também contribui fortemente para a desertificação esterilizante e para a formação de catástrofes climáticas insuportáveis. 

Quando é que vamos ter coragem de pegar o touro capitalista pelo chifre??? (por Dalton Rosado)

domingo, 10 de julho de 2022

GOVERNOS QUE ENCHERAM DE VERGONHA SEUS PAÍSES: OS DE PÉTAIN E DO BOZO.

O colaboracionista Pétain passou o resto da vida preso
Procurando alternativa à intragável lengalenga eleitoral, vi que o governo fantoche de Vichy foi instituído num 10 de julho, 82 anos atrás. 

Como o presidente brasileiro em vias de ser atirado à lixeira da História tem muitas afinidades ideológicas com tal governo e como essa vergonha francesa é pouquíssimo lembrada nos dias de hoje, resolvi recordar Vichy:
1. por meio de um artigo escrito pelo professor Pedro Eurico Rodrigues para o site InfoEscola; e
2do filme Sessão Especial de Justiça (dirigido por Costa-Gravas em 1995, com roteiro de Jorge Semprún e tendo Michael Lonsdale e Jean Bouise como atores mais conhecidos).  

Vale ressalvar que as semelhanças cessam no tocante a quem encabeçou tais repulsivas indignidades históricas. No caso da França, um herói da 1ª Guerra Mundial que se tornou um vilão na 2ª. No brasileiro, um ex-militar expulso do Exército e que passou as três décadas seguintes parasitando o Legislativo, como figura secundária das fileiras fisiológicas e corruptas. 

Ou seja, o primeiro havia sido algo um dia, o segundo jamais passara de uma nulidade absoluta, como os brasileiros tardiamente constataram. (CL
.
TRABALHO, PÁTRIA E FAMÍLIA ERA O LEMA 
DE VICHY. QUALQUER SEMELHANÇA COM O  DEUS, PÁTRIA, FAMÍLIA
DO BOZO NÃO É MERA COINCIDÊNCIA...
.
O Bozo genocida faz jus ao mesmo destino
O governo de Vichy, estabelecido na cidade de mesmo nome e 
que durou de 1940 a 1944, foi a forma que os alemães usaram para administrar parte da França ocupada durante a 2ª Guerra Mundial,

Este governo se opôs à resistência francesa que tinha seus líderes em Londres, na Inglaterra, e em Argel, na Argélia. Logo após a ocupação o marechal Philippe Pétain torna-se o primeiro-ministro do Governo de Vichy e trata com os alemães em 17 de junho um armistício com a intenção de acabar com a guerra. 

Em 22 de junho de 1940 o armistício é assinado com as seguintes condições:
— dois quintos do país seriam administrados pelo governo francês; 
— todos os judeus da França seriam entregues aos alemães;
— o exército francês contaria apenas com cem mil homens;
— permanência dos presos de guerra no cativeiro;
— caberia a França arcar com os custos da ocupação alemã; e
— os franceses não poderiam deixar o país.

A Inglaterra imediatamente retira todos os tratados diplomáticos com o Governo de Vichy. Cinco dias depois disso, em 10 de julho de 1940, a III República francesa é extinta por votação na Assembleia Nacional. Em seguida, Philippe Pétain acaba com a constituição francesa de 1875 e faz todos os poderes convergirem para si ao promulgar três decretos.

O governo de Vichy, com o controle de Pétain teve certa aceitação popular, e trocou o bordão francês Igualdade, Liberdade e Fraternidade por Trabalho, Pátria e Família

Dificultou várias pautas progressistas em seu mandato, tais como o divórcio e o aborto, pois enaltecia os valores da família mononuclear burguesa, tendo o marechal inclusive condecorado pais de família. 

Pétain torna-se neste momento uma personalidade com grande aceitação popular. Muitas pessoas importantes colocam-se ao lado dele, acreditando que ergueria a França graças à sua revolução nacional.

Após a libertação da França pelos aliados, em de agosto de 1944, o país volta a ser uma república, anulando a ata de 10 de julho de 1940. 

Pétain, acusado de alta traição e alvo da indignação nacional, foi condenado à pena de morte, porém Charles de Gaulle, grande líder da resistência, concede a ele prisão perpétua. 

Pétain morreria na prisão, em 1951. (por Pedro Eurico Rodrigues)
 
O filme mostra os contorcionismos jurídicos do governo fantoche 
para condenar cidadãos inocentes, visando servirem como bodes
expiatórios de um atentado  cometido contra militares alemães

quarta-feira, 11 de maio de 2022

UMA ONDA GENOCIDA NOS AMEAÇA – 1

O
capitalismo está entrando na sua fase mais perigosa: a da beligerância genocida.

Ela advém da intransigência mundial de não aceitação da necessidade de superação de um modelo de relação social falido, que já não é capaz de fazer a mediação social de forma  minimamente sustentável. 

Um desses mecanismos de compensação era o fato de que, a cada desemprego causado pelo advento das máquinas na produção de mercadorias, havia a criação em maior número de novos nichos de trabalho abstrato em volume superior. Ainda que explorados, os trabalhadores se mantinham precariamente vivos na sua maioria (aí excluída a chamada aristocracia operária).  

Antes a desigualdade social existente era aviltante, mas tolerada por conta de mecanismos sociais de compensação que mascaravam uma injustiça social que muitos preferiam fingir não ver, ou até mesmo justificavam como mal necessário.

Hoje, com o aumento da fome mundial e o crescimento do desemprego estrutural, da inflação, da crise de moradia e da emigração forçada, por paradoxal que pareça, os governos autocráticos estão ganhando força, como se a contenção da barbárie em curso exigisse mais ação militar, pretensamente disciplinadora. 

Para muitos, ao invés de curarmos e discutirmos a causa do mal, o melhor é aceitá-lo sem questionamentos anatômicos, como se a culpa de sua inviabilidade estivesse ligada não à sua própria essência contraditória e segregacionista, mas apenas à  má condução institucional que lhe é dada. 

É a síntese mais bem acabada de razão da força sobrepujando a força da razão.
O QUADRO CAPITALISTA MUNDIAL
 – Há, hoje, claramente, uma disputa de blocos capitalistas pela hegemonia econômica da massa falida capitalista. Mais parece um bando de lobos brigando pela carne pouca de um animal abatido.

O capital fundou o nacionalismo e o desenvolvimento capitalista formou blocos imperialistas de Estados nacionalistas que, enquanto se digladiam entre si, juntam-se estrategicamente contra outros blocos. É a lógica competitiva e fratricida do capital em estágio de exacerbação. 

Mas, como tudo no capitalismo é contraditório, os blocos imperialistas em disputa dependem da economia globalizada para continuarem a ter força, que se traduz em poderio econômico, armamentista e de contingente miliar elevado. 

Do ponto de vista meramente militar, podemos dizer que não se ganha a guerra apenas pelo ar; há que se dominar politicamente e pela força militar os Estados nacionais e, como disse um conhecido analista político, o leão pode até matar o porco espinho, mas não é fácil comê-lo.

A invasão russa da Ucrânia tem demonstrado quão difícil é a guerra de posições (domínio territorial político e administrativo da vida social) e como pode ser elevado o preço a pagar pela resistência à guerra de movimento (bombardeios e avanços territoriais pela força bélica) – tanto isto é verdade que o fim do conflito deve demorar, desde já se antevendo que terá um alto custo para ambas as partes envolvidas. 
Os russos invadiram o Afeganistão em 1979 e acabaram
se retirando em 1989, fustigados por tenazes guerrilhas

A Ucrânia não é a Tchetchênia (cuja capital, Grozny, tem apenas 272 mil habitantes); não é a Síria; não é a Georgia; não é apenas a Criméia; não é apenas a região de Donbass, que abrange as importantes cidades de Luhansky e Donetsk. 

Não. A Ucrânia é um país desenvolvido, ainda que relativamente pobre, cuja capital Kiev conta com quase 3 milhões de habitantes, dos 40 milhões que se espalham por todo o seu território. 

A guerra ali está mais próxima da travada no Afeganistão (com outro método e, evidentemente, outra configuração geográfica), e é marcada por um sentimento de unidade e preservação do povo ucraniano, diante de uma agressão injusta e injustificada.          

É do ponto de vista econômico que a configuração geopolítica mundial se complica. 

No estágio atual o capital precisa expandir-se além fronteiras, tendo, neste sentido, de vender para outro bloco as mercadorias produzidas num bloco; ou seja, o capital não pode sobreviver na relação de produção e consumo apenas num bloco. Vivemos a era da globalização irreversível da lógica do capital (que empacou).

Na verdade o capitalismo one world já atingiu o seu limite de expansão e faz água. Se o capital descobrisse outro planeta habitado no qual fosse capaz de impor o seu modo de relação social, explorando os seus habitantes para concretizar sua necessária expansão (ou seja, empobrecendo-os para o enriquecimento dos que produzem mercadorias cá na Terra), o capitalismo teria uma sobrevida. 

Mas, já não há possibilidade de expansão salvadora. Vem daí os blocos beligerantes estarem enfrentando sérios problemas em suas estratégias de preponderância sobre a massa falida capitalista, o que prenuncia o colapso. Todos vão perder a guerra. 
Sem limites? Faltou combinarem com os ucranianos...

A Rússia celebrou com a China um pacto de alinhamento sem limites. As duas nações estão tentando absorver a influência sobre a Índia e a Indonésia, que juntas formariam um bolsão de 3,3 bilhões de habitantes:
— China, 1,44 bilhão;
— Índia, 1,4 bilhão;
— Indonésia, 279 milhões;
— Rússia, 145 milhões.

Ou seja, 43,5% da população de todo o Planeta, e com influência majoritária em toda a Ásia.  

Mas a China precisa vender suas mercadorias para o mundo todo e manter a sua expansão do PIB para fazer face aos juros da sua colossal dívida pública e privada, sob pena de paralisar a sua produção industrial e gerar uma grave onda de desemprego (e os empregos por lá são de uma escravização capaz de fazer inveja aos antigos senhores de escravos negros no Brasil!). 

Daí poderá resultar até mesmo uma guerra civil capaz de derrubar o governo ditatorial do Partido dito Comunista (por ser relativamente pequeno se considerarmos a população chinesa, o exército chinês, com 2 milhões de soldados, não seria capaz de conter uma revolta de grandes proporções). 
   
Assim o alinhamento sem limites com a Rússia esbarrou no limite de seu interesse comercial com o Ocidente; ainda por cima, veio a pandemia da covid, obrigando a paralisia da produção e venda de mercadorias em centros industriais importantes como Xangai e Pequim. 

A China pisou então no freio, desacelerando o ensaio de apoio à invasão Plutinocrata à Ucrânia. (por Dalton Rosado — continua neste post)

sábado, 2 de abril de 2022

O HUMOR É SUBVERSIVO E METE MEDO EM TIRANOS

A
ssisti a alguns episódios de Servo do Povo, a série cômica ucraniana estrelada por Volodimir Zelenski que, num jogo de paródia da paródia, o levou a ser eleito para a Presidência do país na vida real. 

Estão disponíveis no YouTube (vide janelinha abaixo), com legendas em inglês. Não morri de rir nem diria que a série é uma obra-prima, mas ela é interessante e tem alguns bons momentos.

Muita gente, especialmente aqueles que dão razão total ou parcial a Vladimir Putin, gosta de qualificar o presidente ucraniano como comediante, com o intuito de diminuí-lo. O próprio Jair Bolsonaro foi nessa toada. 

Não chego a defender que escolhamos nossos líderes exclusivamente entre comediantes, mas creio que a sociedade subestima os vínculos virtuosos entre humor e política. O humor pode ser profundamente subversivo e tiranos o temem com razão. 

As piadas que se contavam sobre as agruras do socialismo no Leste Europeu foram importantes para a derrocada desses regimes. É que elas permitiam às pessoas que revelassem umas às outras suas desconfianças em relação ao sistema sem se expor demais. 

Como todo mundo contava essas anedotas, ou, pelo menos, ria delas, todos sabiam que ninguém era fã incondicional do regime. 

Assim, quando surgiram as condições para que ele fosse contestado, os indivíduos puderam engrossar o coro já sabendo que não estariam sozinhos. O humor ajudou a resolver o problema da coordenação de expectativas, que é sempre um desafio para a ação coletiva.

Quer você considere a posição de Zelenski de estimular os ucranianos a enfrentar as tropas russas heroica ou irresponsável, não dá para negar a um país invadido o direito de tentar resistir. Fazê-lo tornaria as invasões um crime perfeito.

O tempo dirá se os ucranianos fizeram bem em eleger um líder que surgiu para o país como comediante.

Certamente não erraram tanto quanto os brasileiros, que elegeram um parvo. (por Hélio Schwartsman)
Dois primeiros episódios da série Servo do Povo

domingo, 20 de março de 2022

A OTAN HOJE TREINA E ARMA NEONAZISTAS NA UCRÂNIA

O ultradireitista português André Ventura vai lutar ao lado das tropas ucranianas
A
invasão à Ucrânia, ordenada por Putin, pode trazer uma consequência nefasta para o mundo, além das perdas de vidas: estão Indo para lá legiões de neonazistas e militantes da extrema-direita de várias partes do globo. 

Notícia recente, por exemplo, dá conta de que centenas de neofascistas portugueses se encaminham para o campo de batalha, juntando-se a grupos ultradireitistas já presentes lá desde anos. Um deles, notório apoiador de André Ventura, o Bolsonaro das terras lusitanas, já teve até mesmo autorização para se juntar às tropas ucranianas. 

Iguais aos portugueses, outros milhares fazem o mesmo caminho. Do Brasil, não foram poucos os bolsonaristas dispostos a partir para o leste europeu. 
Em manifestação na avenida Paulista, bolsonaristas 
exibem bandeira de ultradireitistas ucranianos. Terão
mudado de ideia quando o Bozo gamou pelo Putin?
 
 

Para além da propaganda russa, de que o governo ucraniano seria nazista –uma inverdade, por óbvio–, é preciso estarmos atentos à presença de forças da extrema-direita mundial no atual conflito na Ucrânia, isto porque tais forças um dia retornarão a seus países, armados e treinados pela Otan. 

Joe Biden, que de tão preocupado com a paz não cansa de enviar armamentos para o governo ucraniano, parece não se incomodar com o fato de estar municiando o neofascismo mundial com tecnologia militar supermoderna e treinamento avançado. 

Ele, que muitos acreditavam ter sepultado o neofascismo ao derrotar Trump, pode estar dando um gás inesperado para o extremismo de direita. 

Não seria a primeira vez. Sabemos que o governo dos EUA financiou os futuros talibãs na década de 1980 para combater a URSS no Afeganistão. Foi ele também quem deu aparato militar e econômico aos grupos paramilitares de direita na Colômbia. 

Mas, agora, a situação pode ser mais dramática, porque extremistas do mundo inteiro estão acessando o know how estadunidense na Ucrânia, podendo voltar a seus países municiados de algo muito mais poderoso que fake news. (por David Emanuel Coelho)

sábado, 19 de março de 2022

PARA OS FILHOS DE MARX, OS FILHOS DE PUTIN NADA MAIS SÃO DO QUE FILHOS D...

demétrio magnoli
TOMOGRAFIA DO DISCURSO PUTÍNICO
Os papagaios brasileiros de Putin, alvoroçados antes da invasão, calaram-se depois que as forças russas, incapazes de alcançar seus objetivos militares, engajaram-se no vandalismo, bombardeando os edifícios residenciais, hospitais e abrigos de civis. 

Contudo, a algazarra retornará no minuto seguinte à eventual cessação de hostilidades. Vai aí, então, uma descrição das vertentes principais do discurso putínico de justificação da guerra de agressão.​
1. "A Rússia nasceu em Kiev –e, portanto, a Ucrânia não é uma nação legítima, mas um fragmento da Mãe Rússia"O argumento do Putin historiador, extraído dos anais clássicos do chauvinismo grão-russo, caberia na voz de um czar. Por aqui, circula livremente entre professores universitários.

De fato, Ucrânia e Rússia nasceram juntas. No plano puramente lógico, seria possível virar o argumento putínico ao avesso para postular que a Rússia não passa de uma extensão da Mãe Ucrânia
Curioso –e um tanto melancólico– é constatar que os acadêmicos dispostos a ecoar a falácia histórica putínica rejeitam, corretamente, a justificação bíblica para o controle de Israel sobre o conjunto da Terra Santa.
2"A operação militar especial russa destina-se a desnazificar a Ucrânia"A lenda de uma Ucrânia submetida à hegemonia nazista, verdade oficial russa, ganhou tração nas redes sociais e, sob formas disfarçadas, na imprensa brasileira. O argumento sustenta-se, apenas, nas muletas da ignorância.

A Ucrânia tem um sistema político plural, competitivo, com eleições livres. O partido da direita ultranacionalista Svoboda obteve 2% dos votos e uma solitária cadeira parlamentar nas eleições ucranianas. 

Há quase 20 anos, o Svoboda expulsou os grupelhos neonazistas que o frequentavam. Uma facção minoritária neonazista participa da milícia Batalhão Azov, que apoiou a campanha eleitoral do Svoboda.

Os papagaios de Putin, que procuram com lupa neonazistas ucranianos, praticam o duplipensar. Eles jamais se recordam de que diversos partidos da extrema-direita europeia bebem na fonte (às vezes, nas finanças) do chefe do Kremlin.
3
"A Rússia defende a sua segurança nacional, evitando a adesão da Ucrânia à Otan"O argumento da moda, disseminado tanto pela esquerda petista quanto pela direita bolsonarista, tem a finalidade de desviar a responsabilidade pela guerra ao imperialismo americano ou ao globalismo liberal.

A expansão da Otan merece exame crítico, que precisaria abranger o abandono ocidental do governo reformista russo de Yeltsin, no início da década de 1990. Mas não se pode atribuir a ela a agressão russa, pois a pretensão ucraniana de integrar a Otan foi congelada desde 2014.

Mais: a Otan comprometeu-se com a Rússia, em 1997, a não deslocar forças significativas ou armas nucleares ao território de seus novos integrantes. A obrigação foi honrada. Inexistia o risco, alegado por Lula, de estabelecimento de bases militares americanas na Ucrânia.

A barbárie desencadeada na Ucrânia desmoralizou os discursos putínicos explícitos, gerando duas novas variantes, menos letais mas muito mais infecciosas. A primeira inspira-se no pacifismo; a segunda, no identitarismo.

De acordo com a variante pacifista"não há mocinhos, nem bandidos", uma profunda conclusão filosófica compartilhada por Guilherme Boulos e Marcos Feliciano. É o truque típico, grosseiro, para borrar a fronteira entre agressor e vítima.
Já a variante
identitária enxerga, na indignação diante das colunas de refugiados, uma suposta hipocrisia ocidental"Tudo isso apenas porque são europeus e brancos", acusam. 

Os sacerdotes identitários, figuras abundantes nas páginas da Folha de S. Paulo, apostam suas fichas no colapso da memória histórica: a Guerra do Vietnã começou a acabar quando emergiram as imagens dos bombardeios de napalm sobre aldeias vietnamitas. (por Demétrio Magnoli)
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