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segunda-feira, 24 de março de 2025

O MUNDO GIRA, A LUSITANA RODA. MAS O ANÚNCIO DE JORNAL BACANA CONTINUA SEMPRE O MESMO

E
s
tá no Estadão de hoje a informação de que até 2030, a consultoria Bain estima que haverá 1,5 milhão de brasileiros de alta renda acumulando US$ 1,1 trilhão, com capacidade de consumir artigos de grandes grifes.

A notícia celebra o fato de que, enquanto noutros países a desigualdade social diminui, no Brasil continua aumentando (o céu é o limite!): 
Apesar da desaceleração do setor em grandes mercados como Estados Unidos, Europa e China, o Brasil segue na contramão, com um aumento no interesse por bens exclusivos e de alto valor.
Nada mudou, portanto, desde que, em 1966, Ary Toledo interpretava no Fino da Bossa a composição de César Roldão Vieira cujos trechos reproduzo abaixo. Quase seis décadas depois, continuamos sendo o país do privilégio de poucos e do miserê de muitos.

O fictício anúncio de jornal citado na música é o seguinte:
Compra-se casa, mansão ou palacete no Jardim América, com um mínimo de 17 quartos para criadagem e sala de estar, de jogar, de dançar, de fumar, de brilhar, salões de chá, café e chocolate, piscina, jardim de inverno e de outono, quintal onde se possa praticar esportes caseiros como hipismo, golfe, tênis e bola-ao-cesto. 
Não podem faltar acomodações dignas para cães, gatos e onças de pequeno porte (de preferência com aquecimento interno), sendo também desejável a existência de um pequeno aeroporto de dimensões internacionais...
E a conclusão do cantador, ecoando a voz dos brasileiros explorados, humilhados e ofendidos, é a seguinte (mas os grandes empreendedores imobiliários estão se lixando para ela): 
Quando eu era menino, tinha um cachorro
e uma beleza de canarinho.
Tudo passou, daqui a pouco eu morro
e é só tristeza no meu caminho... 

Eu só queria um boi, uma vaca magra
e um casebre para morar,
batendo a foice, facão, enxada,
ganhar da terra o que a terra dá!

terça-feira, 7 de julho de 2020

A TRAGÉDIA TEMPORÁRIA DA PANDEMIA ESCANCARA NOSSAS MAZELAS SECULARES

ricardo kotscho
COVID-19 MATA MAIS PRETOS E POBRES: A
AUTÓPSIA DA DESIGUALDADE E DO RACISMO
No rastro das mais de 65 mil mortes provocadas pela pandemia de Covid-19, duas chagas da sociedade brasileira foram escrachadas como nunca antes: a profunda desigualdade social e o racismo estrutural. 

Na verdade, desigualdade e racismo andaram juntas desde sempre neste país que normalizou a escravidão e a injustiça social, onde crescem a concentração de renda, de um lado, e os níveis de miséria, de outro. 

São pretos, pobres e indígenas os que mais morrem nos hospitais, quando conseguem vaga num hospital, excluídos dos direitos mais básicos da cidadania, abandonados ao seu próprio destino. 

De uma hora para outra, descobrimos que nossa população é em sua maioria constituída de negros e mulheres, historicamente tratadas como minorias, assim como os pobres excluídos do mercado. 

E a imensa maioria dos que ainda têm trabalho ganham menos de dois salários-mínimos por mês, vivendo em condições sub-humanas nas periferias urbanas e rurais, nas favelas, nos cortiços, nas palafitas, sem saneamento básico, sem assistência médica, sem segurança alimentar. 

Manchete da Folha de S. Paulo desta 2ª feira (6) revela que 100 milhões de brasileiros vivem em locais sem leitos de UTI, só encontrados em 6% das cidades do país. 

Não é preciso ir longe para encontrar as consequências dessa iniquidade de um Brasil governado para poucos: aqui em São Paulo, a maior cidade do país, boletim epidemiológico da prefeitura, divulgado no final de abril, informa que a morte de negros por Covid-19 é 62% maior em relação aos brancos. 
Mata-se por desídia também o futuro do país: levantamento feito pela Agência Publica mostra que o número de mortes entre menores de 19 anos no Brasil é maior do que em outros países atingidos pela pandemia. 

Especialistas apontam a pobreza como fator de risco para as principais comorbidades infantis.

Em São Paulo, 93% das mortes de crianças e adolescentes por síndrome respiratória aguda são de moradores da periferia e de comunidades de baixa renda. 

Só agora as autoridades descobriram uma população de mais de 30 milhões de invisíveis, sem lenço nem documento, ao fazer o cadastro para o auxílio emergencial. 

Claro que isso é uma obra de séculos, não de um ou outro governo. 

Mas nunca a população brasileira se sentiu tão desamparada do poder público, sem um comando centralizado, uma situação que só não é mais grave graças ao SUS e suas bravas equipes, antes tão desprezado pelas elites deletérias e predadoras, assim como as cotas para negros e pobres nas universidades, o Bolsa Família e todos os programas de assistência social implantados nos últimos anos. 

Cansei de ouvir gente rica reclamando de que ficam distribuindo o dinheiro dos meus impostos para esses vagabundos do Nordeste, mesmo sendo contumazes sonegadores.

A pandemia não atinge a todos igualmente, como muitos costumam dizer. Todos os indicadores sociais e econômicos de um estudo do IBGE do ano passado, ainda antes da pandemia, mostram que a população negra é a maior vítima da estrutura econômica e enfrenta mais dificuldades para ter acesso à educação e à saúde. 

Racismo não é só chamar o negro de macaco ou pisar no seu pescoço, mas lhe negar as mesmas oportunidades oferecidas à população branca. 

Se existe algo de positivo nessa tragédia que estamos vivendo é ter aberto os olhos de muita gente para este Brasil real, que se procurava esconder debaixo do tapete.

Dá gosto de ver que agora a imprensa está pautando esses assuntos. Já aparecem mais negros nas propagandas, nas entrevistas da televisão, nos debates na internet e nas colunas dos jornais. 

Nada será como antes depois da pandemia, assim espero. 

Vida que segue. (por Ricardo Kotscho)

sábado, 4 de julho de 2020

VÍTIMAS PREFERENCIAIS DA DESIGUALDADE E DO POPULISMO TÊM CLASSE E COR

oscar vilhena vieira
A DESIGUALDADE MATA
É desconcertante a constatação feita pelo Nobel da Economia Jeffrey Sachs, de que 46% das mortes decorrentes do novo coronavírus ocorreram em apenas três países: Estados Unidos, Brasil e México, que representam não mais do que 8,6% de população mundial.

Uma das hipóteses explicativas para essa tragédia humanitária é a conjugação de populismo e desigualdade.

Como foi apontado pelos pesquisadores da Escola de Economia da FGV-SP Nicolas Ajenman, Tiago Cavalcanti e Daniel da Mata, a qualidade da liderança política tem um forte impacto sobre a condução de pandemias.

Na ausência de vacinas e remédios eficazes, o enfrentamento de uma pandemia como a do coronavírus depende da capacidade de a liderança política coordenar as ações das diversas esferas da administração pública na prevenção e mitigação da doença e, sobretudo, de conduzir a população a um comportamento coletivo que reduza os riscos de propagação da pandemia.

Como o acesso à informação, especialmente no início de uma crise como a da Covid-19, tende sempre a ser muito desigual e fragmentário, é fundamental que a liderança política seja capaz de construir um forte elo de confiança com a população, de forma a reduzir os comportamentos irracionais e oportunistas, que aumentem o risco de toda a comunidade. 

Para isso é preciso falar a verdade, não negligenciar o conhecimento científico e propor medidas que protejam toda a população, especialmente os grupos mais vulneráveis. Da perspectiva jurídica e moral, a diretriz é clara: ninguém deve ser deixado para trás.

Como sabemos, não é isso que têm feito os líderes populistas de Estados Unidos, México e Brasil. 

Ao negar a virulência da pandemia, desprezar a ciência, boicotar aqueles que estão levando o combate da Covid-19 a sério e estimular a população a não tomar os devidos cuidados com a doença, cada um desses líderes vem dando sua parcela de contribuição para quase metade das mortes relacionadas ao Covid-19 que ocorreram em todo o planeta, até o presente momento, como indica a alta comissária de Direitos Humanos da ONU.

A magnitude dessa tragédia sanitária, no entanto, também tem sido potencializada por altos padrões de desigualdade nesses três países. Apesar de sua pujança econômica, os Estados Unidos são o mais desigual entre os países desenvolvidos. 

Da mesma forma, o Brasil, embora se encontre entre as dez maiores economias do mundo, ocupa uma constrangedora posição entre os países mais desiguais do planeta.

Essa desigualdade profunda e estrutural, como aponta Paulo Chapchap, diretor do Hospital Sírio-Libanês, lança os mais pobres numa condição de enorme vulnerabilidade frente ao vírus. A falta de condições sanitárias, a precariedade da moradia, a necessidade de busca diária pelo ganha-pão, afeta desproporcionalmente os mais pobres, mesmo num país dotado de um sistema sofisticado como o SUS.

Como indica a pesquisa SoroEpi MSP, coordenada por pesquisadores da USP, Laboratório Fleury e Ibope, voltada a aferir a proporção de indivíduos que já desenvolveram anticorpos em São Paulo, a maior cidade brasileira vive duas pandemias. O número de infectados é 4,5 vezes maior entre aqueles que não têm o primeiro grau completo do que entre aqueles que têm o ensino superior completo. 

No mesmo sentido, enquanto 19,7% dos que se declararam negros e 14% dos pardos são soropositivo, essa número cai para 7,9% para os brancos.

Se o vírus não discrimina, as vítimas preferenciais da desigualdade e populismo têm classe e cor. (por Oscar Vilhena Vieira)

segunda-feira, 20 de abril de 2020

DRAUZIO VARELLA ADVERTE: ESTAMOS NA IMINÊNCIA DE UMA TRAGÉDIA NACIONAL, COM NÚMERO MUITO GRANDE DE MORTES

Uma das mais esclarecedoras matérias jornalísticas sobre as perspectivas da pandemia no Brasil é a longa entrevista do cancerologista Drauzio Varella à repórter Lígia Guimarães, colocada hoje (20) no ar pela BBC News Brasil

Recomendando enfaticamente a leitura da íntegra (clique aqui para acessar), reproduzo abaixo as respostas de Varella que considerei de maior interesse para os leitores deste blog. (o editor)
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DESIGUALDADE SOCIAL: AGORA VEM A CONTA A PAGAR
"...agora é que nós vamos pagar o preço por essa desigualdade social com a qual nós convivemos por décadas e décadas, aceitando como uma coisa praticamente natural. Agora vem a conta a pagar. Porque é a primeira vez que nós vamos ter a epidemia se disseminando em larga escala num país de dimensões continentais e com tanta desigualdade. 

...as pessoas que introduziram o vírus no país (...) vieram de fora, de viagens internacionais, e trouxeram o vírus para cá. E aí estamos vendo o que acontece nas cidades que tiveram um afluxo maior desses brasileiros que viajaram. São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Manaus também, estamos tendo esse primeiro impacto.

Vamos ter, forçosamente, a disseminação dessa epidemia para as camadas sociais mais desfavorecidas. É assim que está acontecendo em Nova York hoje, onde os negros são representados em muito maior proporção nas mortes que acontecem nas cidades. 
"esse vírus vai atingir todo mundo"

Nós não sabemos ainda o que vai acontecer quando esses 13 milhões de brasileiros que vivem em condições precárias de habitação e que têm condições precárias de saúde também vão se infectar. Não sabemos o que vai acontecer, vamos aprender agora a duras penas. 

...você tem um cômodo em que moram quatro adultos e três, quatro crianças. De dia aquele cômodo é a sala de refeições, de noite a mesa vai para o canto e os colchões saem da parede e vão para o chão, e as pessoas dormem ali. Você não tem condição mínima de separação. Vão dizer fica em casa, não vão para a rua. Como é que essas pessoas não vão para a rua?

...em dois, três dias essas pessoas não têm o que comer. Porque a luta é sair, e conseguir passar no supermercado e levar alguma coisa para casa, diariamente. Imagina você o dinheiro que você tem não dá para aguentar dois, três dias isolada, porque não vai ter o que comer. E a ajuda do governo, lógico que é importante, mas é difícil organizar também.

...enquanto tiver gente vivendo nessas condições, se infectando e transmitindo o vírus uns para os outros, esse vírus vai atingir todo mundo, porque as pessoas se interconectam de uma forma ou de outra, ou dividem espaços comunitários de um jeito ou de outro.

Enquanto tivermos essa disseminação em lugares impróprios para a vida humana, como são esses, você não se livra do vírus. E é esse vírus que ameaça a todos, o tempo inteiro.
"gente vivendo nessas condições, se infectando e transmitindo o vírus uns para os outros"
Tenho visto a movimentação em todos os cantos, mas o problema é que a transmissão é muito rápida. Eu acho que vai acontecer uma tragédia nacional, eu não tenho dúvida disso. Eu acho que nós vamos ter um número muito grande de mortes, vamos ter um impacto na economia enorme, vamos ter uma duração prolongada.

A crise econômica já está estabelecida. quando você tem uma epidemia desse jeito, se você deixar as pessoas saírem, se infectarem pela rua, à vontade, a crise econômica vai acontecer da mesma maneira. Isso é irreversível. Nós vamos ter a crise. 

O que os médicos defendem, e muitos economistas defendem: a crise nós vamos enfrentar de qualquer jeito. Então vamos tentar reduzir o número de doentes para abreviar a duração da crise". (trechos selecionados das respostas de Drauzio Varella à repórter Lígia Guimarães)

quinta-feira, 11 de julho de 2019

UM DEPOIMENTO: POR QUE CONTINUO REVOLUCIONÁRIO, MEIO SÉCULO DEPOIS?

Eu fiz a minha opção revolucionária no final de 1967, quando convidado para um aprendizado de marxismo durante as férias.  

Algo parecido com o mostrado no filme A Chinesa, do Godard, só que os aprendizes éramos apenas quatro. 

A colega que me convidou hoje é muito crítica crítica com relação à esquerda em geral e ao PT em particular. O Eremias morreu heroicamente aos 18 anos. Dos outros dois, irmão e irmã, nunca mais ouvi falar.

Nunca saí do caminho que escolhi após uns poucos meses de trabalho de massa na minha escola; aprofundei-me cada vez mais nele. 

Talvez por não haver tomado tal decisão por mera indignação com a ditadura, que, mais dia, menos dia, acabaria. Eu era contra o capitalismo e a sociedade por ele erigida. Não via sentido em dedicar a minha vida a ganhar dinheiro e obter o que o dinheiro compra. Desde os 15 anos procurava algo diferente, um propósito maior. 

Um dos pontos de chegada da minha trajetória viria a ser a constatação de que a humanidade passara milênios tangida à competição zoológica por não haver condições materiais para todos os seres humanos disporem do necessário para uma existência digna, daí a exacerbação da disputa por pedaços maiores do bolo e a consequente prevalência dos mais fortes, hábeis ou esforçados sobre os mais fracos, consumando-se então a distribuição desigual do que fazia falta para todos. 

Mas a barreira da necessidade foi transposta no século passado e hoje temos conhecimentos e recursos mais do que suficientes para provermos o essencial para cada um dos habitantes do planeta. Bastaria reorganizarmos a sociedade de forma racional e igualitária, ultrapassando todas as falsas divisões estabelecidas naqueles sombrios tempos de competição e penúria, e que são artificialmente perpetuadas pela (cada vez mais ínfima) minoria que concentra o poder econômico, em detrimento da grande maioria  dos por ela explorados.

E o outro: ao passar pelos porões do regime militar, compreendi que nada, absolutamente nada, justificava submeterem-se seres humanos a tais horrores. A partir daí, descartei por completo qualquer ditadura (inclusive a do proletariado, mesmo que supostamente transitória, porque é mais fácil construirmos ditaduras do que sairmos delas depois); e passei a colocar a liberdade, o respeito aos direitos civis e aos direitos humanos), no mesmo plano de importância da justiça social. 

Minha consciência até hoje é a que formei na segunda metade dos anos 60 e primeira dos '70. E morrerei fiel a meus valores, mantendo a esperança de que, quando estiver sob ameaça de extinção, a humanidade encontre forças para tomar seu destino nas mãos e construir o reino da liberdade, para além da necessidade profetizado por Marx. Pouco importa se estarei ou não aqui para ver. (Celso Lungaretti)

domingo, 24 de julho de 2016

HÁ 1.840 MANSÕES EM SÃO PAULO; SUA ÁREA PODERIA ABRIGAR 107 MIL FAMÍLIAS.

A majestosa mansão no Morumbi do antigo dono do Banco Santos. "E o corvo disse: nunca mais!"
Poucos ainda se lembram de que Ary Toledo, hoje com 78 anos, se projetou como um talentoso compositor e intérprete da voga da chamada Moderna Música Popular Brasileira, inclusive emplacando um grande sucesso: "Pau de arara", de Carlos Lyra e Vinícius de Moraes. 

Depois, descobriu um filão mais rentável e a ele, melancolicamente, se limitou: o das músicas pornográficas e escatológicas, que passou a gravar e também a interpretar no teatro (entremeadas com piadas obscenas, de extrema vulgaridade, apropriadas para meninos de 12 anos e adultos com cérebro equivalente).

Pasmem: um dia ele foi artista de verdade!
Uma das pérolas de quando Ary Toledo ainda era um artista de verdade: "O anúncio", de César Roldão Vieira, que ele chegou a cantar, há cerca de meio século,  no saudoso Fino da Bossa.

A canção contrastava dois universos. O do camponês paupérrimo era apresentado nos trechos cantados, tendo versos como estes:

"No sertão a vida é triste,
minha gente sofre muito,
o que mais se tem no mundo é morte,
o que mais se tem na vida é morte,
mas, meu Deus do céu, sou homem,
não vou sair do meu Norte... 
Quando eu era menino, tinha um cachorro
e uma beleza de canarinho.
Tudo passou, daqui a pouco eu morro
e é só tristeza no meu caminho... 
Eu só queria um boi, uma vaca magra
e um casebre para morar,
batendo a foice, facão, enxada,
ganhar da terra o que a terra dá!"
Ferreira ficou sem adega. Tadinho!
Já o dos ricaços do bairro paulistano onde morava a chamada elite quatrocentona, era retratado num anúncio de jornal, apenas lido no meio da canção: 
"Compra-se casa, mansão ou palacete no Jardim América, com um mínimo de 17 quartos para criadagem e sala de estar, de jogar, de dançar, de fumar, de brilhar, salões de chá, café e chocolate, piscina, jardim de inverno e de outono, quintal onde se possa praticar esportes caseiros como hipismo, golfe, tênis e bola-ao-cesto, além de acomodações dignas para cães, gatos e onças de pequeno porte (de preferência com aquecimento interno). É desejável a existência de um pequeno pequeno aeroporto de dimensões internacionais...".
A versão atualizada dessa música, meio século depois, é a notícia publicada na edição dominical da Folha de S. Paulo, segundo a qual existem na capital paulista 1.840 mansões com mais de 700 metros quadrados, cuja área total, equivalente a mais de dois parques Ibirapuera, seria suficiente para construir prédios populares capazes de abrigar 107,2 mil famílias, eliminando, de uma tacada só, quase um terço do déficit habitacional do município.

A segunda maior da lista, com 8.182 m² de área, pertence a Edemar Cid Ferreira, ex-controlador do Banco Santos, que sofreu intervenção do Banco Central em 2004 e teve sua falência decretada no ano seguinte. 
A mansão do Faustão está na lista

Ele foi condenado a 21 anos de prisão, por lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e gestão fraudulenta, tendo também respondido a processo na vara de Falências. Já esteve preso, mas o Supremo Tribunal Federal o colocou na rua e, no ano passado, a Justiça Federal decidiu anular toda a fase de interrogatório e a sentença do seu processo, que voltou à estaca zero

A Justiça de São Paulo determinou, em fevereiro de 2015, que sua mansão no Morumbi fosse levada a leilão pelo valor mínimo de R$ 116,5 milhões. Segundo o despacho, a mansão, cujo projeto arquitetônico foi assinado por Ruy Ohtake e conta com paisagismo de Burle Marx, tinha automação gerenciada por sistema eletrônico, incluindo controle remoto da sonorização, sistemas de vídeo, sistemas de iluminação e de segurança. Além disso, todos os ambientes eram climatizados por sistemas centrais de ar-condicionado.

Investidores perderam cerca de US$ 1 bilhão que aplicaram em bancos controlados por Ferreira ou ligados a ele.

Fausto Silva, o Faustão, também possui seu elefante branco, com 4.635 m², avaliado em R$ 22 milhões.
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Clique aqui e ouça o áudio de O anúncio
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