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terça-feira, 31 de março de 2026

LEMBRANDO O GOLPE DO DIA DA MENTIRA DE 1964: GOULART FOI DERRUBADO PELO PETELOCO DE UM 'MAD DOG' FARDADO

N
ão há muito o que se dizer sobre a nefasta e nefanda quartelada de 1964,  que amanhã (1º de abril) estará soprando 62 velinhas ensanguentadas, num Brasil que em passado recente andou flertando de novo com o abismo, mas tomou a saudável decisão de nele não atirar-se. 

Enfim, como a História ultimamente se tornou um campo de batalha entre os que pesquisam e analisam os acontecimentos para conseguir interpretá-los e os que distorcem os acontecimentos para encaixá-los dentro de suas convicções prévias de um primarismo atroz, tentemos alinhavar o que realmente importa. 

Começando pela obviedade de que a conspiração direitista vinha de longe e quase emplacara quando da destrambelhada renúncia de Jânio Quadros.  O dispositivo golpista, contudo, ainda não estava pronto e a tentativa de aproveitamento de uma oportunidade de ocasião se revelou precipitada. 

As principais mudanças ocorridas entre aquele agosto de 1961 e o dia da grande mentira em 1964 foram:
Mourão Filho atravessou o samba 
e os golpistas o escantearam
— após a firmeza do governador gaúcho Leonel Brizola e dos cabos e sargentos das Forças Armadas ter frustrado os golpistas e garantido sua posse, o bobalhão João Goulart tudo fez para apaziguar os inimigos.

Chegou ao cúmulo de permitir que os oficiais reacionários desencadeassem um amplo expurgo na caserna, transferindo os líderes dos subalternos para bem longe das respectivas bases. 

As associações dos legalistas ainda continuaram estridentes, como convinha aos planos dos reaças de usá-los como espantalhos, mas eles passaram a ser caciques com poucos índios e poder de fogo quase nenhum;

— a participação civil no golpe, inexistente em 1961, foi buscada mediante propaganda enganosa maciça e parcerias com  a direita católica, não porque tivesse verdadeira importância no script conspiratório, mas como azeitona na empada, a fim de tornar a virada de mesa mais palatável no Brasil e, principalmente, no exterior;

— o Governo João Goulart vagava à deriva, ora inclinando-se à esquerda, ora contemporizando com a direita, o que fez os dois campos o encararem com suspeitas e não priorizarem a defesa do mandato legítimo;

quando o atentado de Dallas atirou a presidência dos EUA no colo do caipirão Lyndon Johnson, os pratos feitos da CIA voltaram a ser engolidos na Casa Branca (dificilmente John Kennedy deixaria suas digitais impressas numa ruptura constitucional no Brasil, assim como evitou oficializar o envolvimento estadunidense na invasão da Baia dos Porcos, negando apoio aéreo aos mercenários recrutados pelos gusanos de Miami para a derrubada de Fidel Castro); e

Eu vou, eu vou, derrubar o governo agora
eu vou, pararatimbum, pararatimbum...
 
Mesmo com todos os ases e curingas nas mãos, os líderes golpistas hesitavam. Aí, o impasse foi quebrado por um ferrabrás que tinha papel secundário na conspiração: o general Olímpio Mourão Filho. 

Tratava-se de um fascistão com carteirinha assinada. Fora um dos líderes da Ação Integralista Brasileira e autor em 1937 do famoso Plano Cohen, falso rol de intenções da Internacional Comunista que os galinhas verdes colocaram em circulação para assustar milicos. 

Sedento de glória, em 1964 ele botou o bloco na rua, precipitando os acontecimentos: sem aval do Estado Maior golpista, marchou com suas tropas de Juiz de Fora para o Rio de Janeiro.  Foi duramente criticado pelo governador Magalhães Pinto (MG), para quem tal bravata poderia ter causado um banho de sangue.

Mas, a ameaça comunista na verdade inexistia, daí a marcha pela então BR-3 (hoje rodovia BR-040) acabar sendo um passeio (vide foto acima). Dois ou três caças da FAB teriam sido suficientes para a abortarem, pois os inexperientes recrutas, que mais pareciam patos de estandes de tiro, debandariam em pânico logo à primeira rajada de metralhadora disparada sobre suas cabeças à guisa de advertência. 

Já o poderoso Partido Comunista Brasileiro se embananava todo ao acreditar que os bons militares defenderiam Goulart.
Como consequência, o partidão semeava a confusão entre a esquerda (esta ficou sabendo tarde demais que não contaria com apoio fardado nenhum contra o golpe, só dependendo da resistência que ela própria conseguisse antepor).

A traquinagem do histérico Mourão Filho não o beneficiou: o poder acabou ficando com os conspiradores históricos, articulados em torno de Castello Branco. Eles é que estavam preparados para governar.

Pode-se dizer que João Goulart foi derrubado pelo peteleco de um mad dog fardado. (por Celso Lungaretti)

sábado, 29 de março de 2025

GOLPISTAS DE 1964 ERAM PROFISSIONAIS. OS DE 2023 NÃO PASSAVAM DE VIRA-LATAS.

Chegou a ser chocante a incompetência com que os aprendizes de golpistas do 08.01.2023 tentaram seguir os passos dos seus antecessores de 1964, tropeçando nas próprias pernas e deixando um mundo de provas para trás, como se jamais lhes tivesse passado pelas cabeças ocas que seu putsch poderia fracassar, sujeitando os envolvidos na quartelada a severas punições.

É verdade que os castellistas aprenderam com o fracasso de 1961 a evitarem os principais erros cometidos, enquanto os bolsonaristas, depois de muito refugarem, tiveram de partir para o tudo ou nada, sem margem para uma segunda tentativa.

Afora que, como militar de carreira, Jair Bolsonaro jamais chegou aos pés do Castello Branco, tanto que o primeiro era respeitadíssimo por seus pares e o segundo acabou expulso da caserna, obrigado a aposentar a farda da forma mais desonrosa possível.

O esquema dos golpistas de 1964 vinha sendo montado desde a década anterior, mas ainda não estava pronto quando da renúncia do presidente Jânio Quadros em 25 de agosto de 1961. 

Os conspiradores nela viram, contudo, uma oportunidade de queimar etapas, daí terem decidido precipitar as coisas: convenceram os comandantes das três Armas a tentarem impedir a posse do vice-presidente legal (João Goulart), que estava ausente, visitando a China em missão oficial.

Como o afobado come cru, eles foram derrotados:
1961: governador valente e general legalista barram o golpe
— pela resistência do governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, que passou a conclamar o Brasil inteiro a não permitir a usurpação de poder, utilizando para tanto uma rede de emissoras de rádio que se formou espontaneamente  (a Rede da Legalidade);
— pela decisão do comandante do III Exército (RS), o general legalista Machado Lopes, de colocar-se ao lado de Brizola, passando, portanto, a existir a ameaça de militares combaterem uns aos outros, hipótese que sempre horrorizou nossas Forças Armadas; e
— pela firme oposição de cabos e sargentos do Exército e Marinha ao golpe, criando outra divisão entre os fardados.

A crise acabou com a solução conciliatória de se dar posse a Goulart mas instituir-se o parlamentarismo, de forma que os poderes presidenciais foram momentaneamente reduzidos (o plebiscito de janeiro de 1963, contudo, restabeleceu o status quo ante).

Os conspiradores, face ao fracasso inicial, tiveram de repensar todo seu planejamento. Desfecharam perseguições nos quartéis, isolando e transferindo para unidades distantes os líderes dos subalternos que haviam se colocado contra o golpe, enquanto o pusilânime Goulart nada fazia para proteger quem lhe havia sido leal.

E, percebendo que careciam de algum respaldo na coletividade, partiram para a conquista do apoio da classe média conservadora, contando para tanto com o apoio do clero reacionário e de entidades anticomunistas como a TFP e a TFM. Só se considerariam prontos para nova tentativa 20 meses depois.
Arcebispo de SP convenceu seu rebanho a ajudar os lobos
O passo final foi a conquista da caserna, empreitada facilitada pelo apoio crescente que passaram a ter da classe média (afinal, os oficiais eram majoritariamente dela oriundos) e pelos préstimos de provocadores como o cabo Anselmo, que radicalizaram ao máximo a insubordinação dos cabos e sargentos das Forças Armadas contra o oficialato. 

[Meu saudoso companheiro na VPR, o José Raimundo da Costa, o Moisés, era um dos líderes dos marinheiros e nunca quis acreditar que Anselmo fosse um infiltrado, embora já existissem suspeitas. 

O Moisés me contou como ele e os marujos atiraram no mar um capitão que veio prendê-lo. O oficial, furibundo com a humilhação que sofrera, ingressou no Cenimar após o golpe e o que mais fez foi perseguir o Moisés, com o propósito obsessivo de capturá-lo para o torturar até a morte.]

O que os oficiais mais prezam é sua autoridade. E, dias antes do golpe, a viram estridentemente ultrapassada por Jango. 

Com o mandato cada vez mais ameaçado, Goulart havia finalmente descido do muro; daí ter ousado proibir a prisão de marinheiros e fuzileiros navais responsáveis por uma comemoração levada a efeito depois de vetada pelos escalões superiores. Foi a gota d'água: o oficialato alinhou-se em massa com o golpe. 
Johnson gostava de ser clicado como Texas ranger

A ruptura da ordem legal àquela altura já estava sendo amplamente requerida pelos capitalistas e latifundiários, além de endossada pelo presidente Lyndon Johnson.

A CIA favorecia e financiava os conspiradores há muito tempo, mas John Kennedy, caso tivesse sobrevivido ao atentado de Dallas, dificilmente lhe daria sinal verde, assim como não autorizou a disponibilização de cobertura aérea para a invasão da Baía dos Porcos, crucial para o sucesso da empreitada, mas que deixaria as digitais dos EUA impressas numa flagrante interferência na política interna de um país soberano (Cuba). 

A posse em 22 de novembro de 1963 de Johnson, um texano anticomunista que comeria na mão da CIA, significou a remoção de um importante obstáculo para o golpe, tanto que, a partir daí, só transcorreriam quatro meses e uma semana até Olympio Mourão Filho começar a descer a BR-3 (hoje rodovia BR-040) com suas tropas.

Enfim, com idênticas intenções. os golpistas de 1964 foram profissionais ao planejarem e executarem a tomada ilegal do poder, enquanto os de 2023 pavimentaram o caminho do fracasso com uma sucessão interminável de erros e lambanças.

Se, por um milagre, gente tão despreparada como os bolsonaristas lograsse êxito, teríamos obtusos irascíveis no poder. Seus principais quadros eram vira-latas mesmo para os pouco exigentes padrões da direita brasileira. 
            
                                  (por Celso Lungaretti)

quinta-feira, 31 de março de 2022

O DIA EM QUE A LIBERDADE FOI-SE EMBORA

Não há muito o que se dizer sobre a nefasta e nefanda quartelada de 1964,  que amanhã (1º de abril) estará soprando 58 velinhas ensanguentadas, num Brasil que em passado recente andou flertando de novo com o abismo, mas tomou a decisão definitiva de não atirar-se nele no último dia 7 de setembro. 

Enfim, como a História ultimamente se tornou um campo de batalha entre os que pesquisam e analisam os acontecimentos para conseguir interpretá-los e os que distorcem os acontecimentos para encaixá-los dentro de suas convicções prévias de um primarismo atroz, tentemos alinhavar o que realmente importa. 

Começando pela obviedade de que a conspiração direitista vinha de longe e quase emplacara quando da destrambelhada renúncia de Jânio Quadros.  O dispositivo golpista, contudo, ainda não estava pronto e a tentativa de aproveitamento de uma oportunidade de ocasião se revelou precipitada. 

As principais mudanças ocorridas entre aquele agosto de 1961 e o dia da grande mentira em 1964 foram:
Mourão Filho atravessou o samba; 
os golpistas logo o botaram pra escanteio
— após a firmeza do governador gaúcho Leonel Brizola e dos cabos e sargentos das Forças Armadas ter frustrado os golpistas e garantido sua posse, o bobalhão João Goulart tudo fez para apaziguar os inimigos. Chegou ao cúmulo de permitir que os oficiais reacionários desencadeassem um amplo expurgo na caserna, transferindo os líderes dos subalternos para bem longe das respectivas bases. (suas associações continuaram ruidosas, como convinha aos planos desses reaças, mas não poderosas, pois, dispersos, passaram a ser caciques com poucos índios);
— a participação civil no golpe, inexistente em 1961, foi buscada mediante propaganda enganosa maciça e parcerias com  a direita católica, não porque tivesse verdadeira importância no script conspiratório, mas como azeitona na empada, a fim de tornar a virada de mesa mais palatável no Brasil e, principalmente, no exterior;
— o Governo João Goulart vagava à deriva, ora inclinando-se à esquerda, ora contemporizando com a direita, o que fez os dois campos o encararem com suspeitas e não priorizarem a defesa do mandato legítimo;
— quando o atentado de Dallas atirou a presidência dos EUA no colo do caipirão Lyndon Johnson, os pratos feitos da CIA voltaram a ser engolidos na Casa Branca (dificilmente John Kennedy deixaria suas digitais impressas numa ruptura constitucional no Brasil, assim como evitou oficializar o envolvimento estadunidense na invasão da Baia dos Porcos, negando apoio aéreo aos mercenários recrutados pelos gusanos de Miami para a derrubada de Fidel Castro); e
— o hegemônico Partido Comunista Brasileiro se embananava todo ao acreditar que militares legalistas defenderiam Goulart e, como consequência, semeava a confusão entre a esquerda (esta ficou sabendo tarde demais que não contaria com apoio fardado nenhum contra o golpe, só dependendo da resistência que ela própria conseguisse estruturar).

Mesmo com todos os ases e curingas nas mãos, os líderes golpistas hesitavam. Aí, o impasse foi quebrado por um ferrabrás que tinha papel secundário na conspiração: o general Olímpio Mourão Filho.

Tratava-se de um fascistão com carteirinha assinada. Fora um dos líderes da Ação Integralista Brasileira e autor em 1937 do famoso 
Plano Cohen, falso rol de intenções da Internacional Comunista que os 
galinhas verdes colocaram em circulação como espantalho para assustar milicos.

Sedento de glória, em 1964 ele botou o bloco na rua, precipitando os acontecimentos: sem aval do Estado Maior golpista, marchou com suas tropas de Juiz de Fora para o Rio de Janeiro.  Foi duramente criticado pelo governador Magalhães Pinto (MG), para quem sua bravata poderia ter causado um banho de sangue.

Mas, a ameaça comunista na verdade inexistia, daí a marcha pela então BR-3 (hoje rodovia BR-040) acabar sendo um passeio (vide foto acima). Dois ou três caças da FAB teriam sido suficientes para a abortarem, pois os inexperientes recrutas, que mais pareciam patos de estandes de tiro, debandariam em pânico logo à primeira rajada de metralhadora disparada sobre suas cabeças à guisa de advertência.

A traquinagem do histérico Mourão Filho não o beneficiou: o poder acabou ficando com os conspiradores históricos, articulados em torno de Castello Branco.

Pode-se dizer que João Goulart foi derrubado pelo piparote de um mad dog fardado. (por Celso Lungaretti)

sábado, 19 de dezembro de 2020

O QUE OS BRASILEIROS MAIS QUEREM SABER SOBRE 2021 É QUANTO DURARÁ O DESGOVERNO. MEU PALPITE: ATÉ MAIO

J
ohn Kennedy, que não comia na mão da CIA e barrou o fornecimento de apoio aéreo para a invasão da Baia dos Porcos pelos cubanos emigrados e mercenários por eles pagos, condenando-a ao fracasso, foi assassinado em 22 de novembro de 1963. 

No mesmo dia tomou posse o vice Lyndon Johnson, caipirão texano que engoliu as lorotas alarmistas da CIA e deu sinal verde para o golpe militar de 1º de abril de 1964.

Ou seja, 130 dias depois, da troca de presidente estadunidense resultou um fruto podre no Brasil.

Hoje temos um presidente com flagrantes traços de insanidade mental, embora falte um laudo psiquiátrico para determinar se ela é de tal gravidade que, se esta joça fosse um país sério, o incapacitaria para o exercício do cargo.

Um presidente flagrantemente responsável por dezenas de mortes evitáveis decorrentes da pandemia, pois sabotou desde o primeiro dia o combate científico ao coronavírus, tudo fazendo para dificultar/desacreditar as medidas necessárias e estimular decisões disparatadas do povaréu desinformado (desde a crença em remédios milagrosos até o temor à vacina).

Um presidente flagrantemente culpado por, com suas medidas e declarações na contramão da civilização, ter tornado o Brasil um pária entre as nações, motivo de chacotas, desprezo e indignação dos outros povos.

Um presidente que flagrantemente está maximizando, com sua desgovernança inspirada numa visão arcaica e fanática da realidade, a depressão econômica que devastará o mundo e o Brasil (o Brasil mais ainda do que o mundo) em 2021, tida desde já pelos expertos como mais terrível do que a Grande Depressão dos anos 30.

Tendo Joe Biden sido eleito exatamente como alternativa civilizada ao Bolsonaro selvagem de lá, bem pode acontecer que a troca na Casa Branca acabe influenciando de novo os rumos da política brasileira, favorecendo o afastamento do Trump tresloucado de cá.

Uma vez foi para melhor, em 1945, quando os EUA pressionaram fortemente nos bastidores para a saída de um ditador que tinha vários pontos em comum com aqueles que os estadunidenses haviam derrotado nos campos de batalha da 2ª Guerra Mundial.

A seguinte foi para pior, em 1964, condenando-nos a 21 anos de trevas.

Mas, há uma diferença significativa: sem o empurrãozinho que os estadunidenses deram na História, colocando-a na direção que lhes apetecia, nada teria ocorrido de realmente desastroso para o Brasil. Vargas acabaria mesmo caindo e a derrubada de João Goulart não passou de uma artificialidade forjada por golpistas que, desde a década anterior, conspiravam neste sentido.

Agora, pelo contrário, quanto mais alongar-se o mandato do pior presidente brasileiro de todos os tempos, não só genocida como totalmente inepto, mais nosso povo sofrerá, pois nada indica que a administração do tsunami econômico que vem por aí será diferente da sua administração catastrófica da covid-19.
E, vale lembrar, os EUA continuam sendo a única potência mundial capaz de socorrer o Brasil em 2021, quando estivermos no olho do furacão. Nem o bloco europeu, nem a China, nem a Rússia, por motivos diversos, cumprirá tal papel.  

Leio que, enquanto Biden e seu pessoal não querem saber do Bolsonaro nem pintado de anjo, políticos oposicionistas brasileiros já estão deles se aproximando e sendo bem recebidos.

E não deixou de ser surpreendente a firmeza com que a quase totalidade dos ministros do Supremo desta vez reagiu às pirraças assassinas do Bolsonaro relativas à vacinação. Há algo no ar além dos aviões de carreira, diria o Barão de Itararé. 

Provavelmente, a mesma ficha que há muito caiu para mim –a de que o Brasil será levado à explosão social e ao caos se a presidência da República continuar acéfala em 2021– já está caindo para os donos do PIB e seus parceiros estrangeiros. E, quando isto se tornar consensual, as consequências não tardarão.

Biden será empossado no dia 20 de janeiro. Caso a História se repita, 130 dias depois, no finzinho de maio, o Brasil estará se livrando de outra aberração, tão vergonhosa para nós quanto o foi a escravidão. E se isto acontecer antes, melhor ainda! (por Celso Lungaretti)    

quinta-feira, 28 de março de 2019

JOÃO GOULART FOI DERRUBADO PELO PIPAROTE DE UM MAD DOG FARDADO

Não há muito o que se dizer sobre a nefasta e nefanda quartelada de 1964, que neste 1º de abril soprará 595 velinhas ensanguentadas, num Brasil que andou flertando de novo com o abismo, mas o rechaçou definitivamente no último 7 de setembro, quando a maracutaia golpista do Bozo flopou de forma ridícula

Enfim, como a História ultimamente se tornou um campo de batalha entre os que pesquisam e analisam os acontecimentos para conseguir interpretá-los e os que distorcem os acontecimentos para encaixá-los dentro de suas convicções prévias de um primarismo atroz, tentemos alinhavar o que realmente importa. 

Começando pela obviedade de que a conspiração direitista vinha de longe e quase emplacara quando da destrambelhada renúncia de Jânio Quadros.  O dispositivo golpista, contudo, ainda não estava pronto e a tentativa de aproveitamento de uma oportunidade de ocasião se revelou precipitada. 

As principais mudanças ocorridas entre agosto de 1961 e o dia da grande mentira em 1964 foram:
  • após a firmeza do governador gaúcho Leonel Brizola e dos cabos e sargentos das Forças Armadas ter frustrado os golpistas e garantido sua posse, o bobalhão João Goulart tudo fez para apaziguar os inimigos. Chegou ao cúmulo de permitir que os oficiais reacionários desencadeassem um verdadeiro expurgo na caserna, transferindo os líderes dos subalternos para bem longe das respectivas bases (suas associações continuaram ruidosas, como convinha aos planos desses reaças, mas não poderosas, pois, dispersos, passaram a ser caciques com poucos índios);
Mourão Filho, macaqueando MacArthur
  • a participação civil no golpe, inexistente em 1961, foi buscada mediante propaganda enganosa maciça e parcerias com  a direita católica, não porque tivesse verdadeira importância no script conspiratório, mas como azeitona na empada, a fim de tornar a virada de mesa mais palatável no Brasil e, principalmente, no exterior;
  • o Governo João Goulart vagava à deriva, ora inclinando-se à esquerda, ora contemporizando com a direita, o que fez os dois campos o encararem com suspeitas e não priorizarem a defesa do mandato legítimo; 
  • quando o atentado de Dallas atirou a presidência dos EUA no colo do caipirão Lyndon Johnson, os pratos feitos da CIA voltaram a ser engolidos na Casa Branca (dificilmente John Kennedy deixaria suas digitais impressas numa ruptura constitucional no Brasil, assim como evitou oficializar o envolvimento estadunidense na invasão da Baia dos Porcos, negando apoio aéreo aos mercenários recrutados pelos gusanos de Miami para a derrubada de Fidel Castro); e 
  • o hegemônico Partido Comunista Brasileiro se embananava todo ao acreditar que militares legalistas defenderiam Goulart e, como consequência, semeava a confusão entre a esquerda (esta ficou sabendo tarde demais que não contaria com apoio fardado nenhum contra o golpe, só dependendo da resistência que ela própria conseguisse estruturar).
Mesmo com todos os ases e curingas nas mãos, os líderes golpistas hesitavam. Aí, o impasse foi quebrado por um ferrabrás que tinha papel secundário na conspiração: o general Olímpio Mourão Filho.

Tratava-se de um fascistão com carteirinha assinada. Fora um dos líderes da Ação Integralista Brasileira e redator do famoso Plano Cohen, falso rol de intenções da Internacional Comunista que os galinhas verdes colocaram em circulação como espantalho para assustar milicos.
Recrutas passeando pela BR-3, qual patos em estande de tiro

Sedento de glória, ele botou o bloco na rua, precipitando os acontecimentos: sem aval do Estado Maior golpista, marchou com suas tropas de Juiz de Fora para o Rio de Janeiro.  Foi duramente criticado pelo governador Magalhães Pinto (MG), para quem sua bravata poderia ter causado um banho de sangue.

Mas, porque a tão trombeteada ameaça comunista na verdade inexistia, a marcha pela então BR-3 (hoje rodovia BR-040) acabou sendo um passeio. Dois ou três caças da FAB teriam sido suficientes para a abortarem, pois os inexperientes recrutas debandariam em pânico logo à primeira rajada de metralhadora disparada sobre suas cabeças à guisa de advertência.

A traquinagem do histérico Mourão Filho não o beneficiou: o poder acabou ficando com os conspiradores históricos, articulados em torno de Castello Branco.

Pode-se dizer que João Goulart foi derrubado pelo piparote de um mad dog fardado. (por Celso Lungaretti)

terça-feira, 18 de março de 2014

ATRAÇÃO PARA SÁBADO: O INCRÍVEL EXÉRCITO DE BRANCALEONE EM MARCHA!


Não compartilho as apreensões do filósofo Vladimir Safatle, que, num interessante artigo sobre o negacionismo (vide aqui), alerta para "a repetição à qual as sociedades estão submetidas quando são incapazes de elaborar seu passado". Ele está certíssimo em vituperar as falácias na linha da ditabranda, mas exagera os riscos atuais.

Para mim, o anunciada bis da Marcha da Família, com Deus, pela Liberdade será apenas a reprise da tragédia como farsa. 

Aquele desfilar de bobalhões engravatados e peruas pernósticas, tangidos pela carolice e pelo alarmismo que o esquema golpista fomentou, não teve real importância na derrubada do governo legítimo de João Goulart. Foi apenas um argumento propagandístico que os conspiradores produziram para utilizar depois contra os que denunciariam a quartelada como quartelada. Armaram um teatrinho de fantoches para fingir que os civis apitaram alguma coisa no desfecho de uma conspiração que fermentava há muito na caserna.
As cansadinhas de 1964...

A primeira tentativa mais ambiciosa, quando da renúncia de Jânio Quadros, fracassara porque o poder econômico ainda não se dispunha a uma virada de mesa e os Estados Unidos, sob John Kennedy, idem.

A segunda tentativa redundou porque burguesia e latifundiários finalmente deram sinal verde para o golpe e, mais importante, porque os EUA tinham a anta Lyndon Johnson como presidente.

O sofisticado Kennedy fora capaz de antever quão desastrosa seria a invasão de Cuba por mercenários arregimentados pelos ricaços de Miami e pela CIA, negando-lhe o apoio aéreo que não deixaria dúvidas quanto à participação estadunidense na aventura. 

Já Johnson, o caipira texano, mergulhou de cabeça numa grotesca intervenção nos assuntos internos de uma nação soberana, deixando que as digitais dos EUA ficassem nitidamente impressas no golpe brasileiro.

Não sei se é para rir ou para chorar, mas o total abandono da pauta revolucionária por parte do PT, se fez com que o Brasil neste século não avançasse um milímetro sequer na direção do fim do pesadelo capitalista, por outro lado nos imunizou contra qualquer possibilidade real de nova quartelada. 
...e os cansadinhos de 2007.

Banqueiros, grandes empresários e agronegócio têm seus interesses caninamente defendidos pelos governos petistas. Por que se arriscariam a um salto no escuro?

E, como o Brasil não teve sequer a dignidade de atender ao pedido de asilo de Edward Snowden, sua fidelidade é a última das preocupações de Barack Obama. Melhor vassalo, impossível.

É óbvio que ainda existe uma direita golpista, ladrando mas não mordendo, porque quem manda mesmo são os donos do canil. Fracassou rotundamente com o Cansei! e vai tentar outra vez no próximo sábado, 22.

Será o Incrível Exército de Brancaleone novamente em marcha, para aumentar a quota de fiascos, dando mais uma demonstração de anacronismo e irrelevância.

De resto, eu perdi a conta de quantos manifestos de pijamados pirracentos li desde a volta à democracia. 

Tendo como palco principal o Clube Militar, trata-se do psicodrama favorito dos que, como a Carolina da canção célebre de Chico Buarque, relutam em reconhecer que o tempo passou na janela e só eles não viram.

E, mais ainda, não se conformam com o fim do seu mundo ter ocorrido antes de eles próprios morrerem. 

sábado, 28 de abril de 2012

DE HORA EM HORA OBAMA PIORA

Crer que algo vá mudar com a troca da guarda na presidência dos EUA sempre foi a maior roubada. Quem manda é o  stablishment, pouco importando as características do seu serviçal da vez na Casa Branca.

John Kennedy, p. ex., nem de longe pode ser considerado a  pomba  que dele fizeram, embora assassinado por  falcões

Deu sinal verde para a invasão da Baía dos Porcos em abril/1961, mas refugou quando o show já começara. Deixou de fornecer a prometida cobertura aérea para o desembarque dos  gusanos  e estes foram facilmente dominados.

Mas, não fez objeção nenhuma a que exilados cubanos utilizassem o território dos EUA para prepararem uma incursão armada contra seu país, nem descartou o apoio intervencionista a tal empreitada.

Foi só na enésima hora que reconsiderou, preferindo evitar um comprometimento tão ostensivo com a agressão a uma nação soberana sem ter-lhe declarado guerra.

Resultado: o mundo inteiro ficou sabendo, da mesmíssima maneira, que os EUA estavam acumpliciados com a invasão. E esta fracassou rotundamente.

Depois que John e Robert Kennedy foram assassinados por ultradireitistas hidrófobos, houve quem os tentasse erigir em grandes democratas.

"JOÃO DO AMOR"?!

Em 1968, no IV Festival de MPB da TV Record, foi até inscrita uma música homenageando o clã, composta por Ary Toledo e Chico Anysio. John Kennedy, quem diria, metamorfoseou-se em "João do amor" que "cantava a paz e o bem", mas cuja canção foi calada por "um tiro à traição". Dessa vez, o simpático Jair Rodrigues não recebeu muitos aplausos por sua interpretação...

Justiça seja feita, John Kennedy teve lá seu grande momento quando administrou a crise dos mísseis cubanos sem ceder às pressões militares para endurecer com a URSS. Com um Nixon na presidência, talvez a humanidade tivesse ido pro beleléu.

Durante a Guerra do Vietnã, eram bem heterodoxos os discursos do precandidato democrata à presidência em 1968, Eugene McCarthy, a ponto de sensibilizarem os jovens contestadores, que fizeram campanha por ele. Mas a indicação acabou ficando com o anódino Hubert Humphrey. Nunca saberemos se Gene, no poder, teria sido fiel à sua retórica.

George McGovern, menos à esquerda mas igualmente comprometido com o fim da guerra, conseguiu ser candidato em 1972, perdendo a eleição para o coadjuvante do macartismo Richard Nixon.

O menos pior dos presidentes estadunidenses nas últimas décadas foi, sem dúvida, Jimmy Carter, que estimulou a redemocratização da América Latina tanto quanto seus antecessores haviam semeado ditaduras. Foi mediador do primeiro acordo de paz entre um país árabe (o Egito) e Israel, amenizou o embargo econômico a Cuba e adotou uma política de paz em relação aos países comunistas. 

...E O VENTO LEVOU!

Está sendo uma completa decepção a  grande esperança negra  Barack Obama (aquele que, dentre outras promessas que o vento levou, comprometeu-se a desativar Guantánamo, só faltando assinar um  papelzinho  como os do Serra).

Tão insignificante vem sendo seu governo que nada melhor ele tem para erigir em trunfo eleitoral, nesta altura da campanha para reeleger-se, do que a hedionda operação pirata para extermínio de Osama Bin Laden e quem mais estivesse por perto, ao arrepio da soberania do governo paquistanês.

Tolamente, o rival republicano Mitt Romney afirmou que "não vale mover céus e terras gastando milhares de dólares só para pegar uma pessoa".

Levantou a bola para os democratas explorarem um tema que lhes favorece junto ao eleitorado de jecas e brucutus dos EUA.

Começando por Bill Clinton, que deu uma declaração mais feia ainda do que as mulheres que escolhe para  pular a cerca: disse que, ao tomar a decisão de autorizar uma  vendetta  caracteristicamente mafiosa contra Bin Laden, Obama teria escolhido "o mais difícil e mais honrado caminho".

Fez-me lembrar o título em inglês de um ótimo filme policial francês (d. Jean Herman, 1968, com Alain Delon e Charles Bronson): Honra entre ladrões.

Pois nada existe de mais desonroso do que ordenar matança tão covarde.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

VOLTANDO AOS MAUS TEMPOS

CHARGE DE CLEUBER (clique para ampliar)
http://www.tracodeguerrilha.blogspot.com/

O mês é outubro e o ano, 1962. Em todos os países há pessoas com o ouvido colado nos rádios e lançando olhares angustiados para o céu, à beira do pânico.

Nunca estiveram tão presentes nas mentes e tão opressivas nos corações as imagens dantescas dos genocídios de Hiroshima e Nagasaki. Era concreta a possibilidade de repetição daqueles horrores em escala muito mais ampla.

É que os EUA, ao obterem provas fotográficas da existência de silos de mísseis soviéticos em Cuba, deram um ultimato à URSS, exigindo sua imediata remoção.

A União Soviética, inicialmente, não cedeu. Pelo contrário, ao saber que os norte-americanos haviam iniciado um bloqueio naval e aéreo de cuba, despachou uma frota que o tentaria romper.

Um único disparo e começaria a reação em cadeia! Estava-se a um passo da guerra nuclear entre duas nações que acumulavam poder destrutivo suficiente para exterminar a espécie humana.

Foram 13 dias que apavoraram o mundo, enquanto se desenvolviam tensas negociações entre os governos de John Kennedy e Nikita Kruschev. Nunca os estadunidenses compraram tanto cimento e tijolo como nesse período em que construíram sofregamente abrigos nucleares em suas casas.

A histeria coletiva inspirou um episódio magistral da série de TV Além da Imaginação, sobre vizinhos que, ao confraternizarem numa festa, recebem a notícia de que a guerra atômica pode estar começando.

O único que havia transformado seu porão em abrigo, nele entrincheira-se com a família, negando acesso aos demais, por não haver mantimentos, água e espaço físico para tanta gente.

Quando os outros estão pondo abaixo a porta, empunhando tacos de beisebol e outras armas improvisadas, chega o desmentido: rebate falso. Mas, suas reações primitivas e egoístas durante a emergência revelara a todos como eles realmente eram, sob o verniz da hipocrisia social.

KRUSCHEV OBTÉM CONCESSÕES.
KENNEDY, HOLOFOTES


A crise dos mísseis cubanos terminou com cada lado cedendo um pouco e o mundo suspirando aliviado.

Os EUA concordaram em, posteriormente e sem alarde, retirarem mísseis similares que haviam instalado na Turquia. Comprometeram-se, ainda, a nunca mais realizarem ou estimularem invasões de Cuba, como a que a CIA e exilados cubanos haviam tentado em abril daquele ano na Baía dos Porcos. Eram estes os acontecimentos que haviam motivado os soviéticos a exibirem também o muque.

Kruschev, por sua vez, ordenou o desmantelamento dos silos e a retirada dos mísseis, saindo do episódio com uma vitória real (obtivera as contrapartidas desejadas) e uma derrota propagandística, pois concordou em manter secretas as cláusulas que lhe eram favoráveis.

De quebra, as superpotências decidiram colaborar para que novos sobressaltos fossem evitados, tendo sido instalada uma ligação telefônica direta (o famoso telefone vermelho) entre Kennedy e Kruschev, para que se entendessem antes dos pequenos problemas virarem grandes crises.

Nos EUA e em grandes capitais européias, houve júbilo incontido. Cidadãos festejavam nas praças e parques, lotavam os bares. Casais redescobriram a atração sexual, estranhos iam para a cama depois de trocarem duas palavras [O número de crianças nascidas nove meses depois foi muito superior ao habitual...].

A explosão de vida sucedeu aos augúrios de morte. Emblematicamente, a música até então ignorada de quatro jovens de Liverpool decolaria para a consagração mundial, tornando-se a trilha sonora da maior revolução de costumes que o mundo já vivenciou.

CHERNOBIL: 6,6 MILHÕES
FORAM CONTAMINADOS

Mas, se diminuiu consideravalmente a ameaça de que a guerra fria entre EUA e URSS se tornasse quente e radioativa, nem por isso a energia atômica deixou de provocar pesadelos e paranóias.

Em abril de 1986, um acidente nuclear na usina soviética de Chernobil, na Ucrânia, liberou uma nuvem de radioatividade que atingiria a URSS, Europa Oriental, Escandinávia e Reino Unido.

Grandes áreas da Ucrânia, Bielorrússia e Rússia foram muito contaminadas, expondo 6,6 milhões de pessoas e tornando necessárias a evacuação e reassentamento de aproximadamente 200 mil habitantes.

A ONU computou 56 mortes decorrentes do acidente na primeira década, estimando que outras 4 mil ainda viriam a ocorrer; o Greenpeace retrucou que esses números eram bem inferiores aos reais. A usina foi desativada.

Por que estou evocando dois episódios tão deprimentes? Pelo simples motivo de que isso pode acontecer de novo. Está no noticiário:
  • a Coréia do Norte realiza testes nucleares repudiados pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas e vistos com apreensão pela Coréia do Sul e Japão;
  • um vazamento de material radioativo na usina de Angra 2, ocorrido em 15 de maio último, só foi comunicado à população 11 dias depois, com a garantia de que os seis empregados afetados não correm maiores riscos [Houve tempo para se preparar bem a versão tranquilizadora, mas não me surpreenderei se a história estiver sendo malcontada].
O acidente no reator de Three Mile Island, bem menos grave que o de Chernobil, motivou nos EUA o lançamento da campanha No Nukes, com a participação de músicos famosos como Jackson Browne, Bonnie Raitt e Graham Nash.

Três décadas depois eles continuam protestando, agora contra um projeto de lei que amplia o estímulo a empreendimentos ligados à energia nuclear.

É mais do que tempo de fazermos algo semelhante por aqui. A população de Angra dos Reis e municípios próximos seria a primeira a agradecer.
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