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quinta-feira, 18 de agosto de 2022

A POLARIZAÇÃO É ENTRE DOIS MÍSEROS CANDIDATOS POPULISTAS. POR QUE?

william waack
OS INFLUENCERS LULA E BOLSONARO
Para Waack, "Lula e Bolsonaro...
H
enry Kissinger acabou de completar 99 anos e de publicar mais um livro: Leadership (Liderança). É quase um testamento de quem pessoalmente viu de tudo: de Hitler a Merkel, de Mao a Xi Jinping, de Kruchev a Putin, de Eisenhower a Biden. 

Goste-se ou não de Kissinger, esse hiper-realista tem algo a dizer sobre qualidades de líderes políticos.

No livro ele nem cita o Brasil, mas que lugar ocupariam Bolsonaro e Lula, os dois líderes brasileiros do momento, na grande separação universal que Kissinger faz entre estadistas e profetas? Nem um, nem outro. 

O estadista, diz o autor, teme a personalização da política, pois sabe como são frágeis as estruturas que dependem sobretudo do indivíduo. Lula e Bolsonaro são populistas por definição.

Na visão de Kissinger os dois brasileiros liderando a política teriam algo de profetas. Mas apenas num aspecto muito restrito: acham que, simplesmente por terem uma visão, isso lhes confere razão. 

Estão a galáxias de distância daqueles que superaram as circunstâncias que herdaram e conduziram suas sociedades para as fronteiras do possível (profetas na História, para Kissinger, foram Robespierre, Lenin, Joana D’Arc e Gandhi).

A capacidade de atuação do líder político, afirma o autor, depende de entender o passado e projetar o futuro. Nesse sentido, Bolsonaro e Lula são vítimas de dois fenômenos modernos que Kissinger considera extraordinariamente prejudiciais à formação de líderes de grande alcance.
...são populistas por definição".

O primeiro é a perda generalizada do que se chama
alfabetização profunda, isto é, a capacidade de aprimorar o senso analítico sobretudo pela leitura profunda. É famosa a aversão de Bolsonaro e Lula por textos longos. 

Esse fenômeno está associado a outro, considerado ainda mais prejudicial à formação de líderes: as tecnologias digitais. Trata-se da passagem da cultura da palavra impressa para a cultura da imagem, e sua preponderância nas redes sociais. 

Para a formação de líderes a era digital traz quatro tipos de vieses prejudiciais: o imediatismo, a intensidade, a polarização e a conformidade

É o resultado de uma atmosfera na qual lideranças são suplantadas por uma combinação de emoções pessoais e de massas inflamadas por imagens.

O Brasil é parte relevante do fenômeno, incentivado pelas redes sociais, da divisão da sociedade em tribos – do qual Bolsonaro e Lula são expressão fidedigna, embora venham de outros tempos. 

A polarização e o conformismo dependem um do outro e se reforçam: as pessoas passam a pertencer a uma tribo que, por sua vez, policia o que as pessoas pensam.

Está passando para a política, conclui o velho cínico Kissinger, aquilo que as plataformas digitais já estabeleceram. Usuários são divididos entre influencers e seguidores. Não há mais líderes. (por William Waack, n'O Estado de S. Paulo)

sexta-feira, 17 de julho de 2020

SAI O BOZONAZI, VOLTA O BOLSONARO DO BAIXO CLERO. SE NÃO NOS MEXERMOS, VIRÃO 29 MESES DE PASMACEIRA – 1

Ele bem que tentou tornar-se diferente...
ricardo kotscho
PARA MILITARES DO GOVERNO, 1964 AINDA NÃO ACABOU
Levantamento divulgado nesta 6ª feira (17) pelo Tribunal de Contas da União informa que o número de cargos civis ocupados por militares já chega a 6.100 em todas as áreas do governo. Quem vai tomar conta dos quartéis? 

"É proibido militar na política? É proibido militar ser ministro?", perguntou candidamente o presidente Jair Bolsonaro, em sua live de 5ª feira, ao rebater críticas à progressiva militarização do governo. E ele mesmo respondeu: "Não!" 

Proibido não é, de fato. Mas lotear o governo com fardados não é papel dos militares numa democracia. Segundo a Constituição, as Forças Armadas são uma instituição do Estado, não dos governos de turno. Devem estar a serviço do país, para proteger seus cidadãos e as nossas fronteiras, não para tomar partido nas disputas políticas nem para receitar cloroquina. 

As coisas estão de um tal jeito, mas de um tal jeito viradas do avesso do avesso, que .daqui a pouco vamos ter que consultar novamente o Almanaque do Exército para saber quem será o próximo ministro ou presidente. 

Era assim na época da ditadura militar, de não saudosa memória, que parecia para sempre enterrada.

Para cerca de 3 mil militares da ativa ou da reserva, no entanto, que estão aboletados no Palácio do Planalto e por toda parte no governo, sob o comando do capitão Bolsonaro, 1964 ainda não acabou.  
...mas teve de voltar a ser o que sempre foi.
Até o cargo de chefe da Casa Civil da Presidência da República agora é ocupado por um general, assim como o Ministério da Saúde, que em plena pandemia está há dois meses com um interino, acompanhado de um batalhão de oficiais de várias patentes. 

A Amazônia foi entregue de porteira fechada ao vice-presidente, general Mourão, que pretende ficar lá com as suas tropas até o final do governo Bolsonaro, enquanto o ministro Ricardo Salles passa com a boiada. 

Desde a redemocratização do país em 1985, não se falava tanto de militares no noticiário político. 

Especula-se a todo momento sobre o que os generais palacianos acharam ou deixaram de achar sobre qualquer evento político ou jurídico. 

Eles estão sempre incomodados, cheios de não me toques, contrariados, indignados, como se fossem os intocáveis da República, acima do bem e do mal, inimputáveis como as crianças e os índios.

Ouvir o que pensa o Forte Apache, como é conhecido o QG do Exército em Brasília, passou a ser uma pauta permanente de alguns colunistas políticos.

As fontes costumam ser anônimas. Quando muito, se dá a patente dos que falam em nome da tropa. 

Para alimentar de ódio as falanges bolsonaristas nas redes sociais, é preciso sempre ter um inimigo para combater.

O alvo da vez é o ministro Gilmar Mendes, do STF, que teve a ousadia de advertir o Exército por se associar a um governo genocida, que já deixou um rastro de quase 80 mil mortos e mais de 2 milhões de brasileiros contaminados pelo coronavírus, incluindo o presidente da República, que vetou o fornecimento de água potável e comida para as populações indígenas. 

Notas de repúdio contra as declarações do ministro do STF não bastaram para acalmar o ânimo dos militares e, então, o general da Defesa, Fernando Azevedo, resolveu enquadrar Gilmar Mendes na Lei de Segurança Nacional e no Código Penal Militar (?). 

Nem o general Médici, no auge do AI-5, tinha chegado a tamanho desatino contra um ministro do Supremo. 

Com Bolsonaro fora de combate, confinado no Alvorada, até ele teve que entrar em ação, junto com os bombeiros do Supremo e do Congresso, para colocar panos quentes na querela entre Gilmar e o Exército, que não vai dar em nada. 

Há um grande acordo em marcha entre civis e militares, magistrados e parlamentares, milicianos e evangélicos, gregos e troianos, para deixar tudo como está e ver como é que fica. Bolsonaro seria sarneyzado, com apenas um ano e meio de governo, depois de garantir todos os penduricalhos e aposentadorias especiais da guilda brasiliense. 

"Descolonizem o governo, senhores! Voltem para os quartéis e peçam desculpas aos brasileiros e às respectivas tropas", pede O Reinaldo Azevedo em sua coluna da Folha/UOL

Desconfio que isso não será tão fácil, nem acontecerá tão cedo. Eles demoraram 35 anos para sair novamente dos quartéis e agora vão demorar para voltar. 

O poder, já dizia Ulysses (ou foi Tancredo?), é afrodisíaco. 

Vida que segue. (por Ricardo Kotscho)
Toque do editor — Mestre, creio ter sido Henry Kissinger quem disse que "o poder é o afrodisíaco mais forte". Mas, pouco importa.

Mais relevante é esclarecer aos leitores cá do blog que seu título sobre 1964 ainda não ter acabado se refere não às bestialidades da ditadura militar, mas sim à oportunidade que ela ofereceu aos fardados para se apossarem de um mundo de cargos na administração pública, nas estatais e até em grandes empresas privadas que precisavam ter um oficial pijamado em seu conselho diretivo para que seus interesses fossem devidamente considerados em Brasília. 

Quanto à tendência atual, é esta mesma que Kotscho aponta, assim como Thomas Milz o fizera no post que publicamos ontem (16/07). 

Tendo deixado o combate à corrupção pelo caminho e não podendo mais desenvolver manipulação das consciências em larguíssima escala por meio das redes sociais, além de estar vulnerabilizado por cada vez mais saber-se o que ele e os filhos fizeram em muitos verões passados, Bolsonaro foi emparedado pelo sistema.
Consumada a derrota, agora vai é tratar é de sobreviver até o final do mandato, mansinho a ponto de ajudar a impedir que Gilmar Mendes se tornasse o Márcio Moreira Alves de 2020. Antes, ele pedia a todos os diabos do inferno que lhe atirassem no colo uma oportunidade dessas...

Amanhã falarei mais sobre o que nos espera daqui para a frente. Mas, adianto que concordo em gênero, número e grau com o Kotscho, quanto à sarneyzação de Bolsonaro: 
"Há um grande acordo em marcha entre civis e militares, magistrados e parlamentares, milicianos e evangélicos, gregos e troianos, para deixar tudo como está e ver como é que fica".
Então, ou nos mexemos, ou teremos de suportar 30 meses de estagnação e pasmaceira. (por Celso Lungaretti) 

sexta-feira, 11 de maio de 2018

DOCUMENTO SECRETO DA CIA REVELA QUE PELO MENOS 104 PRESOS POLÍTICOS FORAM EXECUTADOS NO MANDATO DE MÉDICI

Por Celso Lungaretti
Desde sempre eu tenho sustentado que os assassinatos, torturas e outras atrocidades perpetradas pela ditadura militar eram parte de uma política de Estado, com pleno conhecimento e anuência de toda a cadeia de comando das Forças Armadas, inclusive dos generais ditadores. 

E, claro, muitos outros companheiros, historiadores, jornalistas, escritores, artistas e cidadãos honestos já haviam chegado à mesma conclusão e a externado publicamente.

Ainda assim, é louvável que o Matias Spektor, professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas, tenha desencavado um documento secreto da CIA (clique aqui para abri-lo) que confirma o que tantos já sabíamos. Serve para tapar a boca dos que negam estridentemente o Holocausto aqui praticado pelos néo-integralistas, enquanto que nos países civilizados quem nega o Holocausto praticado pelos nazistas se sujeita até à prisão.

Graças ao Spektor, ficamos sabendo que a continuidade das execuções, que já totalizavam pelo menos 104 assassinados ao término do mandato de Médici (1969-1974), tenha sido autorizada pessoalmente pelo ditador seguinte (Geisel), que delegou ao chefe do SNI (Figueiredo) a macabra tarefa de decidir quem morreria e quem sobreviveria:
"Eu já matei 104 pra te poupar trabalho"

"Este é o documento secreto mais perturbador que já li em vinte anos de pesquisa. 

É um relato da CIA sobre reunião de março de 1974 entre o general Ernesto Geisel, presidente da República recém-empossado, e três assessores: o general que estava deixando o comando do Centro de Informações do Exército (CIE), o general que viria a sucedê-lo no comando e o General João Figueiredo, indicado por Geisel para o Serviço Nacional de Inteligência (SNI). 

O grupo informa a Geisel da execução sumária de 104 pessoas no CIE durante o governo Médici, e pede autorização para continuar a política de assassinatos no novo governo. Geisel explicita sua relutância e pede tempo para pensar. 

No dia seguinte, Geisel dá luz verde a Figueiredo para seguir com a política, mas impõe duas condições. Primeiro, “apenas subversivos perigosos” deveriam ser executados. Segundo, o CIE não mataria a esmo: o Palácio do Planalto, na figura de Figueiredo, teria de aprovar cada decisão, caso a caso. 

De tudo o que já vi, é a evidência mais direta do envolvimento da cúpula do regime (Médici, Geisel e Figueiredo) com a política de assassinatos. E a pergunta que fica: quem era o informante da CIA?

O relato da CIA foi endereçado a Henry Kissinger, então secretário de Estado. Kissinger montou uma política intensa de aproximação diplomática com Geisel"
"Assassinos de razões! Assassinos de vidas! Que nunca tenham
repouso em nenhum de seus dias! E que até a morte
os persigam nossas memórias! Assassinos!"
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