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terça-feira, 7 de setembro de 2021

ACUMPLICIAR-SE COM A MICARETA GOLPISTA DO GENOCIDA É INDIGNO DE UM CRISTÃO E TÍPICO DOS DEVOTOS DO BEZERRO DE OURO

rui martins
EVANGÉLICOS PERDEM CREDIBILIDADE AO
APOIAREM BOLSONARO NO 7 DE SETEMBRO
Trata-se da incitação feita por muitos pastores evangélicos aos fieis para participarem das manifestações golpistas contra a democracia e o STF.

Faz exatamente um mês, publiquei aqui este artigo alertando os leitores sobre a responsabilidade dos evangélicos. Eu indagava:
"Quanto vai custar às igrejas e grupos evangélicos, em termos de credibilidade, terem apoiado a eleição e sustentado até agora o governo de Jair Bolsonaro, embora seu programa eleitoral e suas decisões e indecisões como presidente nada tenham a ver com os princípios morais do cristianismo?"
E concluía:
"Quando acabar este pesadelo no qual vivemos, o evangelismo e o protestantismo brasileiro deverão também assumir suas responsabilidades, como fizeram, depois da 2ª Guerra Mundial, os luteranos e evangélicos alemães enfeitiçados por Hitler. Mas aí eles terão perdido muito de sua credibilidade"

Ainda neste domingo (4), muitos pastores exortaram os seus seguidores a participarem das manifestações do 7 de setembro, sob a alegação de que defenderiam a liberdade, ignorando ou querendo ignorar seu caráter eminentemente golpista; omitindo as ameaças do Bolsonaro e sua intenção de reunir seus seguidores numa demonstração de força contra a Constituição e a democracia.

Alguns pastores, como o carioca Cláudio Duarte, qualificaram de uma questão de honra o evangélico participar do badernaço em favor das ideias golpistas e autoritárias de Bolsonaro, alegando mesmo e vaticinando mesmo que estaríamos à beira de uma guerra civil. 

Como Cláudio Duarte e Silas Malafaia (que convocou seus seguidores para os atos de Brasília e São Paulo) podem utilizar os púlpitos de suas igrejas, nisso sendo imitados por muitos outras pastores, quando o Brasil é um país laico e quando as religiões não devem se meter em política? Não podem esquecer que o próprio Cristo falou que seu reino não era deste mundo!

Fora isso, como apoiar um presidente francamente de extrema-direita, chamado de nazifascista por tantos comentaristas políticos que, ademais, o responsabilizam por quase 600 mil mortes pelo coronavírus, chamando-o de genocida? 

Sem esquecermos do recente escândalo das
rachadinhas, verdadeiro crime de roubo e peculato, um escândalo que ainda dará muitas dores de cabeça à família Bolsonaro?

Além disto, como apoiam e incitam seus seguidores evangélicos a participarem de movimentações que nada têm de religioso e foram convocadas pelas redes sociais do ódio e das fake news? Manifestações que poderão degenerar em violência, gerando caos e insegurança, além de colocarem colocando em perigo seus seguidores.

Não se poderá esquecer a responsabilidade dos pastores que transformaram as igrejas evangélicas em focos golpistas de sustentação de um governo que prega a desobediência à Constituição e à democracia. Atitude criticada por pastores batistas neste manifesto do último dia 3.

Como induzir seus seguidores a um ato de apoio a Bolsonaro, quando a economia brasileira vai mal e quando a imprensa mundial e tantas empresas estrangeiras se preocupam com uma crise institucional no Brasil? Crise que só poderá agravar a situação econômica e provocar novos aumentos no custo de vida, nos preços do gás, da gasolina? 

O desvario do desmatamento da Amazônia e dos Pantanal já está causando seca e falta d'água, impulsionando mudança climática no Brasil. É esse o presidente escolhido por Deus, que os pastores evangélicos respaldam e apoiam ?

Seja qual for o resultado das manifestações do 7 de setembro, é importante registrar a perda da credibilidade dos evangélicos por terem participado ativamente desse desafio à democracia e às leis brasileiras. (por Rui Martins)

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

AGORA VAI: ATÉ OS DONOS DO PIB ESTÃO VAZANDO DO TREM FANTASMA DO BOZO

vinicius torres freire
PACOTE ELEITORAL DE BOLSONARO  CORRE MAIS RISCO DE IR PARA O RALO
J
air Bolsonaro enfim conseguiu arrumar um turumbamba com boa parte da elite econômica. Seu pacote eleitoral e popular corre mais risco de ir para o ralo, ainda que, com pacote e com tudo, o povo vá passar mal por muito tempo. 

Por exemplo, nos últimos três anos, a inflação da comida aumentou quase 31%; o salário médio, 14,3% (o dos mais pobres, menos ainda). A poucos dias da pororoca golpista armada para o 7 de Setembro, vários caldos azedam.

A Fiesp soltou nota contra a reforma do Imposto de Renda, essa mixórdia tosca aprovada pela Câmara, aliás com apoio da esquerda. A Fiesp de Paulo Skaf quer apenas umas reduções de impostos, mas esse lobby pode dificultar ainda mais a aprovação dessa barafunda tributária no Senado.

Sabe-se lá o que vai sair do Senado, se é que vai, mas essa reforma do IR inclui um item do pacote eleitoral de Bolsonaro, a redução do dito cujo para parte menor da classe média. 

De resto, pode ser que mexidas adicionais diminuam a receita de impostos, ajudando a piorar as perspectivas para a dívida pública, o que leva os donos do dinheiro, credores do governo, a cobrar mais caro pelos empréstimos, elevando os juros na praça em geral.

A Febraban soltou nota a favor do
manifesto das associações empresariais, aquele avacalhado pela Fiesp e atacado pelo governo, em particular pelos seus sequazes na economia, Paulo Guedes e Pedro Guimarães, presidente da Caixa, e pelo premiê colaboracionista, Arthur Lira, presidente da Câmara. 

De passagem, a nota da Febraban dá umas caneladas na Fiesp e diz que respeita, mas na prática ignora, as ameaças de Caixa e Banco do Brasil deixarem a associação. Deram uma banana para o governo. Os bancos, note-se de passagem, não gostaram nada da reforma do IR.

Mesmo divididas pelos ataques do governo, pelo governismo das decrépitas federações estaduais da indústria e pela colaboração da Fiesp quinta-coluna, as associações empresariais ajudam a azedar o caldo bolsonariano.

A mudança no IR causa revolta desde que apareceu. O manifesto das associações empresariais acabou indo para a rua, ainda que de modo desordenado. Além disso, empresários mineiros graúdos, vários deles bolsonaristas até ontem (ou talvez até hoje), assinaram um manifesto meio parnasiano e adoidado, mas que pinga mais um limão no caldo do governo e confronta a Federação das Indústrias de Minas, que atacava o Supremo, colaborando com Bolsonaro.

O agronegócio racional soltou um manifesto por conta própria quando viu a desordem nas hostes empresariais, que não sabiam o que fazer com seu
manifesto quando Skaf lhes dava uma rasteira e o governo fazia ameaças. Bateram bem no governismo. Até o agro ogro corre o risco de rachar.

A aprovação da mudança no IR ajudou a derrubar a Bolsa. São os donos do dinheiro votando com os pés, vendendo ativos, ações, no caso. A reforma afeta rendimentos do capital e os bancos.

Na 4ª feira (1º), o Senado derrubou a reforma trabalhista picareta e outros desejos de Guedes.

Em resumo, o salseiro aumenta. Se criar ainda mais caso com o Supremo, Bolsonaro pode perder a mãozinha estendida por Luiz Fux, presidente do STF, que tentava ajudar o governo a dar um calote provisório nos precatórios (coisinha de R$ 50 bilhões). Essa moratória arrumaria dinheiro para Bolsonaro engordar o Bolsa Família e pagar o aluguel dos parlamentares do centrão.

Convém não esquecer: ainda morrem 20 mil pessoas por mês, de Covid. Enquanto isso, Bolsonaro nem mais finge que governa, ocupado em organizar um putsch. (por Vinicius Torres Freire)

sábado, 20 de junho de 2020

IMPLOSÃO DO BOLSONARISMO ELIMINA HIPÓTESE DE GOLPE, MAS AINDA PODE VIR UM PUTSCH PARA CAUSAR MUITO ESTRAGO

Com a prisão do homem-bomba Fabrício Queiroz, o bolsonarismo faz água por todos os lados. 

Agora, muitos outros analistas vieram somar-se à conclusão a que cheguei já no dia (24/04) da ruptura do Sergio Moro com o presidente miliciano, assim expressa no artigo Moro deverá acrescentar hoje outra marca à coronha de sua arma:    
"...desde aquele domingo em que Bolsonaro afrontou as determinações sanitárias do seu próprio governo ao participar de uma manifestação ultradireitista, procedendo como um espalha-vírus alucinado, ele só tem feito cavar a sepultura do mandato que um destino insólito atirou-lhe no colo. 
São 40 dias cometendo erro após erro, dia após dia, a ponto de levantar suspeitas cada vez maiores de que lhe faltam condições mentais para o exercício do cargo. Os mais perspicazes já não tinham dúvida de que ele era um cadáver político insepulto, à espera do enterro
A imperdoável e asnática exoneração do ministro Mandetta foi algo assim como o penúltimo degrau do cadafalso. Faltava só a gota d'água, o episódio que causasse uma sensação generalizada de agora passou da conta, não dá mais!, tanto em termos políticos quanto jurídicos.
E Moro roubou o espetáculo, (...) empurrando Bolsonaro para o abismo".
A partir de então, passei a me referir ao Bolsonaro como um cadáver político à espera do rabecão institucional. Ontem (19/06) Reinaldo Azevedo buscou em Fernando Pessoa um rótulo semelhante, na coluna que foi seu ponto de chegada onde eu já estava havia oito semanas:
"O governo Bolsonaro acabou. A reforma da Previdência (é o) único marco que ficará destes dias, durem quanto durar... Isso à parte, sobra pregação golpista. E só.
Quanto tempo o mito ainda fica por aí? Não sei. Mas é um cadáver adiado que procria, para lembrar verso de Fernando Pessoa em caso bem mais nobre. E qualquer coisa que venha à luz, nessas circunstâncias, será necessariamente ruim.
Não temos mais um presidente, mas um refém do fundão do centrão".
De onde veio minha certeza imediata e absoluta de que, ao sair atirando, Moro ferira de morte o (des)Governo Bolsonaro? 

De que, no Brasil pós-pandemia, imerso na pior depressão econômica de sua História, um estadista de verdade vai fazer tanta falta que será impossível a permanência de alguém tão despreparado e desequilibrado na presidência da República.

Restava, unicamente, a hipótese do autogolpe, que sempre habitou os sonhos de Bolsonaro. Mas, pela convivência forçada que tive com os militares quando prisioneiro político nos anos de chumbo, eu sabia que era praticamente impossível eles virarem a mesa para manter um oficial de baixa patente como presidente. 

[Ainda mais um capitão a quem haviam empurrado para o portão de saída por ter questionado publicamente decisões superiores e tramado atentados terroristas. Quando eles dão golpe no Brasil, é para entregar a faixa presidencial a um general.]   

Mais: eles se veem como integrantes de uma instituição permanente, sendo grande seu empenho em legarem uma imagem íntegra aos que virão depois.

Então, depois do trabalhão que tiveram para superar o opróbrio das torturas e execuções durante a ditadura de 1965/85, jamais lhes passaria pela cabeça assumir responsabilidades tão espinhosas quando os augúrios para o Brasil são nada menos do que péssimos: depois que a pior crise sanitária de nossa História finalmente dissipar-se, será a vez da pior depressão econômica de nossa História desabar com impacto total sobre nós. 

Quem quererá ter sua imagem associada a tais desgraceiras? Só imbecis. E os altos comandantes militares, apesar do estereótipo de bicho-papão que impregna os comentários de uma infinidade de internautas, não o são.

Enfim, são águas passadas. Agora que a prisão do faz-tudo do clã escancara o envolvimento dos Bolsonaros com o crime comum até a eleição de 2018, seu filme está definitivamente queimado com os altos comandantes militares, que podem relevar truculências mas nunca, jamais, parcerias com a contravenção.

Os cadáveres que o delegado Sergio Fleury produzira como líder do Esquadrão da Morte de São Paulo, expostos pelo grande Hélio Bicudo, não fizeram com que eles retirassem a proteção que lhe concediam por haver, em seguida, passado a atuar na repressão política. Até uma lei criaram para evitar que fosse preso.

Mas, quando Bicudo provou que, naquele passado, Fleury não comandava o extermínio de criminosos para limpar as ruas, mas sim a soldo de um grande traficante que o utilizava para eliminar a concorrência, os verde-olivas de imediato o deixaram entregue à própria sorte. Pouco tempo depois, ele se tornou um raríssimo exemplo de dono de barco que cai no mar e se afoga... 

Por último, Demétrio Magnoli veio hoje (20/06) ao encontro da minha posição (vide aqui), trazendo um acréscimo importante: se golpe de Estado bem sucedido é carta fora do baralho, tentativa malograda pode haver, sim. Com isto eu concordo.

Putsch integralista será bisado 82 anos depois?
Algo nessa linha pode provir, principalmente, das polícias estaduais junto às quais os bolsonaristas desenvolvem intenso proselitismo, mas elas servem para arruaças (como na greve dos PMs cearenses) e tiroteios contra bandidos, não para empreitadas complexas; e de amadores metidos a bestas, como os zumbis evangélicos que estão recebendo treinamentos militares pra lá de suspeitos.

Mas, no frigir dos ovos, prevalecerá a velha tese marxista de que, na democracia burguesa, o poder dominante é o econômico. Então, os grandes empresários e banqueiros saberão impedir que seus negócios sejam fortemente prejudicados por aventuras estapafúrdias.

O que vem por aí são anos de marcha lenta na economia e de penúria entre o povo, com permanente risco de explosões sociais. Então, os donos do PIB têm total clareza de que o Brasil precisará de um apaziguamento dos espíritos e da boa vontade das outras nações para atravessar, a duras penas, tal período dramático.

Não terá uma coisa nem outra sob Bolsonaro (daí ele estar com os dias contados) nem sob qualquer outro governo autoritário e truculento, ainda que menos descerebrado. 

Então, um putsch pode mesmo acontecer e causar muito estrago antes do fracasso anunciado. Temos de ficar atentos a tal possibilidade. (por Celso Lungaretti)       
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