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sábado, 10 de fevereiro de 2024

HAJA PACIÊNCIA! TEREMOS DESBOZIFICAÇÃO EM MARCHA LENTA, EMBORA O DEFUNTO POLÍTICO JÁ EXALE UM FEDOR INSUPORTÁVEL

"A prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro tarda, mas não falha e tem até um cronograma.

O Supremo Tribunal Federal e a Polícia Federal não pretendem correr nenhum risco jurídico, policial ou político e só pretendem chegar a esse ponto depois das investigações, das instâncias de julgamento e da eventual condenação pela mais alta corte de justiça do País. 

Não estão previstas prisão preventiva ou temporária, só depois da tramitação em julgado.

A estratégia é rigorosa e detalhada, com uma sequência de operações da Polícia Federal, uma lista crescente de alvos e a apresentação robusta de provas até que não haja mais nenhum fiapo de dúvidas sobre a responsabilidade direta de Bolsonaro pela armação de um golpe de Estado em que ele seria o principal beneficiado.

STF e PF têm obsessão com o rigor na investigação, na produção das provas e na avaliação jurídica, lei por lei, artigo por artigo, para não dar margens nem alimentar o discurso bolsonarista de que estaria agindo em conluio com o governo Lula para perseguir Bolsonaro e evitar seu retorno à política e às eleições.

Uma parte importante da estratégia é preparar os ânimos da população, mostrando as provas e montando a história do golpe detalhe por detalhe, participante por participante, até criar a consciência da culpa e de que a prisão é justa." (Eliane Cantanhêde)
C
omo a considero a melhor opção na grande imprensa brasileira para quem quer saber com exatidão o que rola nos bastidores dos Poderes, acredito que a jornalista Eliane Cantanhêde esteja certa quanto à lengalenga que nos espera até o enterro político do genocida insano e trapalhão. 

Enfim, como tal cautela pra lá de excessiva é uma tradição brasileira quando se trata de punir criminosos poderosos (e às vezes a punição nunca chega, como no caso dos exterminadores, torturadores e estupradores da ditadura militar), o jeito é jogarmos paciência ou fazermos tricô.

Mas, o diabo é que o defunto político já está fedendo e seria até um ato de caridade sepultá-lo de uma vez por todas! (Celso Lungaretti 
"Estas perdiendo el tiempo,  pensando, pensando, por
lo que mas tu quieras, hasta cuándo? Hasta cuándo?"

terça-feira, 22 de junho de 2021

ESTAMOS PERDENDO TEMPO, PENSANDO, PENSANDO SOBRE AQUILO QUE MAIS QUEREMOS. ATÉ QUANDO? ATÉ QUANDO?

hélio schwartsman
COMO BOLSONARO NÃO FOI DEPOSTO?
O fim de semana foi agitado, mas as duas grandes notícias do feriado, os 500 mil mortos e as manifestações contra Bolsonaro, não me comovem muito. 

Calma, eu explico. Cada uma das mortes é uma tragédia e ver as pessoas se mobilizando para depor o pior presidente da história é positivo. Receio, porém, que a forma como essas notícias se colocam obscurece a gravidade da situação.

Meu pendor racionalista faz com que eu não veja diferença de escala ou essência entre 500.000 e, digamos, 502.324, mas, mesmo que aquiesçamos ao fetiche humano por números redondos, a marca do meio milhão já foi ultrapassada um bom tempo atrás.

O fenômeno da subnotificação é quase universal. Até há países como a Bélgica em que o cômputo dos óbitos pelo Sars-CoV-2 é praticamente o mesmo que o do excesso de mortes em relação a anos não pandêmicos, só que isso é uma raridade. 

Na maioria das nações, a contagem oficial fica sistematicamente abaixo da de óbitos não esperados. Em casos extremos, como o de alguns estados indianos, o número real de vítimas pode ser até dez vezes maior que o oficial.

Para o Brasil, estudos como o da infectologista Ana Luiza Bierrenbach estimam uma subnotificação da ordem de 30%. Isso significa que ultrapassamos os 500 mil lá pelo meio de abril e já nos aproximamos dos 700 mil.

Algo parecido ocorre com as manifestações. Como prefiro medidas objetivas a impressionismos, dou mais relevo a pesquisas que a fotos. 

E o Datafolha nos diz que 49% dos brasileiros com mais de 16 anos defendem o impeachment. Estamos falando de um universo de descontentes da ordem de 75 milhões de pessoas, o que empalidece até as mais fantasiosas estimativas dos organizadores sobre o número de manifestantes no sábado.

A moral que extraio dessas considerações é que estamos atrasados. Com quase 700 mil mortos e maioria relativa a favor do afastamento, como Bolsonaro continua no poder? (por Hélio Schwartsman)
T
OQUE DO EDITOR 
– Elementar, meu caro Schwartsman, embora tão vexatório que poucos ousam somar 2 mais 2 e anunciarem 4 como resultado.

Ocorre que os brasileiros somos historicamente dóceis ao autoritarismo e (não há maneira mais delicada de dizer) pusilânimes quando nos cabe enfrentar o tirano da vez, mesmo que ele não passe de um palhaço demente.

Para não alongar-me, lembrarei que, houvesse um mínimo de determinação e ousadia, o projeto dos inconfidentes teria sido assumido por toda a colônia e coroado de êxito, com a independência sendo conquistada pra valer, ao invés de se reduzir a uma mera troca, tardia ainda por cima, da dependência política a Portugal pela dependência econômica à Inglaterra. 

"Se todos quisermos, poderemos fazer deste país uma grande nação", disse o Tiradentes, mas ele era exceção e quase todos tinham algo a perder, preferindo então permanecer em cima do muro.

Das maiores ditaduras do século passado, a de 15 e a de 21 anos, saímos pela porta dos fundos, com a redemocratização ocorrendo apenas ambas quando se tornaram insustentáveis e contraproducentes; os que ousaram resistir a elas antes disso se viram entregues às bestas-feras, exatamente como Tiradentes.

E por aí vai.  O povo heroico, ao invés de fazer ecoarem seus brados retumbantes,  é useiro e vezeiro em miar quando deveria rugir. (por Celso Lungaretti)
"Estas perdiendo el tiempo / Pensando, pensando /
Por lo que mas tu quieras / ¿Hasta cuándo? ¿Hasta cuándo?"

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

QUANDO O GUINNESS AFINAL ANUNCIARÁ QUE O BOZO É RECORDISTA MUNDIAL DE CRIMES DE RESPONSABILIDADE IMPUNES?

O
Reinaldo Azevedo, que gosta de fazer tal contabilidade, atribuiu ao Bozo o cometimento do 17º crime de responsabilidade suficiente para justificar o seu impeachment em novembro último, como se pode ler aqui.

O Celso Rocha de Barros atualizou a relação, detectando uma tentativa de chantagear e/ou intimidar o Ministério Público no minuto 34 da última live presidencial de 2020. O trecho é o seguinte: 
"Agora, o MP do Rio, presta bem atenção aqui: imagine se um dos filhos de autoridade do MP do Rio fosse acusado de tráfico internacional de drogas. O que aconteceria, MP do Rio de Janeiro? Vocês aprofundariam a investigação ou mandariam o filho dessa autoridade pra fora do Brasil e procuraria (sic) uma maneira de arquivar esse inquérito? 

Um caso hipotético, falando de um caso hipotético (...). Caso um filho de uma autoridade do Ministério Público do Rio de Janeiro entrasse no inquérito da Polícia Civil do Rio e ali um delator tivesse falado que ele participava de tráfico internacional de drogas. Fica (sic) com a palavra as autoridades do Ministério Público do Rio de Janeiro".
Tanto a ele quanto a mim parece claríssimo que o Bozo, graças a seu serviço de espionagem paralelo e ilegal, ficou sabendo de algo que desconhecemos a respeito do filho de alguém importante no Ministério Público do Rio e ameaça trombeteá-lo se o MP não mudar sua postura nas investigações da
rachadinha do Flávio Bolsonaro, passando a tapar o sol com a peneira.

Assino embaixo da conclusão do meu xará colunista:
"Quanto à acusação feita pelo presidente, de duas, uma. Se ela for verdadeira, Bolsonaro vazou dados sigilosos de uma investigação da Polícia Civil que obteve ilegalmente. Se ela for falsa, Bolsonaro caluniou tanto o Ministério Público quanto a Polícia Civil.

A propósito, se Bolsonaro tiver aparelhado a polícia a ponto de vazar a acusação, pode perfeitamente tê-la aparelhado a ponto de forjá-la".
Por último, recomendo ao Rodrigo Maia, que de tanto sentar em cima dos pedidos de abertura de processo de impeachment contra o Bozo acabará batendo com a cabeça no teto, o velho sucesso de Osvaldo Farrés, Quizás, quizás, quizás, no qual há uma estrofe que parece ter sido composta especialmente para ele: 
"Estás perdiendo el tiempo/ Pensando, pensando/ Por lo que más tú quieras/ ¿Hasta cuándo? ¿Hasta cuándo?" (por Celso Lungaretti)
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