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sábado, 9 de novembro de 2024

CAPITALISMO E SEU PROPÓSITO INÚTIL


D
urante a segunda revolução industrial ocorrida no início do século 20, também chamada de revolução fordista pelo uso na indústria automobilística de padrão de produção incorporando os novos saberes tecnológicos de então, como o motor a combustão de minerais fósseis - o petróleo - e a energia elétrica, e outros minerais, bem como recursos da engenharia de produção entre outros comportamentos, manifestou-se o início de um novo tipo de domínio político: o grande capitalismo econômico-financeiro e industrial mundial. 

O engenheiro de produção Frederick W. Taylor (1856-1915) havia introduzido a melhoria da produtividade industrial a partir da produção por peças na qual cada trabalhador repetia um fazer específico que lhe dava agilidade produtiva, método que ficou conhecido como taylorismo. 

Henri Ford, precursor da indústria automobilística em Detroit, Estados Unidos, aproveitou os ensinamentos de Taylor e foi além, adaptando a máquina ao homem, introduzindo a forma de esteiras na qual os operários repetiam o gesto de produção repetidamente, mas sem precisar se locomover do local onde estavam, modo de produção opressor tão bem retratado por Charles Chaplin no antológico filme Tempos Modernos. 

Tais recursos tecnológicos - energia e engenharia de produção - aplicados à produção de mercadorias gerou lucros capitalistas antes inimagináveis ao mesmo tempo que promoveu o consumo das mercadorias barateadas que se tornaram acessíveis ao consumo popular. Tudo parecia confirmar novos e promissores tempos. 

O automóvel, por exemplo, que era caro e somente acessível à elite, passou a ser comprado mais comodamente e usado largamente no transporte de mercadorias e gente, substituindo em parte a ferrovia a vapor de então. Outros produtos modernos também surgiram concomitantemente, como os refrigeradores, a iluminação pública e residencial à luz elétrica, o rádio, entre outros apetrechos e ganhos civilizatórios.     

Entretanto, tais eventos resultaram no aguçamento pelo novo tipo de domínio político-econômico, diferente do mal-intencionado colonialismo antigo, qual fosse o domínio da tecnologia na produção de mercadorias pelos países mais desenvolvidos nessa área, para produzi-las e vende-las com valor agregado obtendo acúmulo de riqueza abstrata - capital.  

 A produção industrial é predominantemente urbana e assim os braços antes usados na agricultura de subsistência foram chamados às cidades com os apelos da vida moderna e o sentido gregário que permeia a vida humana; então começou a se formarem os grandes centros urbanos.  

Tais movimentos migratórios e de produção geraram a primeira grande guerra mundial na qual a Alemanha tentou dominar a Europa e parte do leste euroasiático - Rússia e países mais ao leste - com a teoria do lebensraum  - espaço vital - que provocou a primeira guerra mundial com o uso de máquinas da morte antes desconhecidas, causando um genocídio de cerca de 10 milhões de pessoas e mais de 20 milhões feridos e mutilados. 

O capital é assassino!  

Como resultado da primeira guerra mundial, dos movimentos migratórios e dos novos modos de produção, surgiu a primeira grande crise do capitalismo consubstanciada em 1929/1930 e cognominada como a grande depressão causando miséria, grandes turbulências sociais e o surgimento do crime organizado com as máfias estadunidenses da época da lei seca, no mesmo período. 

A miséria social é mãe do crime organizado, como ocorre neste Brasil haitizado de hoje.   

Entretanto, a grande depressão pôde ser parcialmente contornada com medidas estatizantes de indução ao consumo, como o New Deal do Presidente Franklin Delano Roosevelt, que consistiu em intervenção de socorro aos bancos, empresas, e crescimento de obras públicas, tudo dentro do figurino preconizado por John Maynard Keynes, defensor da tese de intervenção estatal na economia que ficou conhecida como keynesianismo.  

É daí que surgem os primeiros sintomas de inflação, ou seja, de perda de substância da moeda, que vem se agravando, e agora toma forma incontornável dentro das regras capitalistas, keynesianas ou neoliberais. 

Mas os efeitos colaterais do capitalismo nunca desaparecem.  

Com a Alemanha se recuperando dos graves e pesados encargos do pós-primeira guerra - a inflação na Alemanha de 1923 transformou as cédulas de sua moeda em lixo - surgiu o Partido Nazista - Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães – o capitalismo sempre exaltou o trabalho e o trabalhador, seiva de sua exploração e existência - que ganhou popularidade apelando para o sentimento de revanche pelo sofrimento imposto no pós-guerra e resgate do orgulho alemão que fora ferido, e tudo junto com a tentativa de resgate de sua antiga e frustrada intenção de dominação, que resultou na segunda guerra mundial conduzida por um tirano eleito, Adolf Hitler. 

Portanto, são as mudanças do modo de produção de mercadorias, e de capital, aquilo que tem tornado o ser humano refém de genocídios repetidos ao longo de mais de um século e que agora atinge um grau de letalidade capaz de nos destruir a todos, bem como de sermos extintos como espécie pela crise ecológica causada pela irracionalidade de um sistema de produção irracional e genocida.  

O capitalismo foi indutor do desenvolvimento do saber e viabilização da vida de bilhões de pessoas? Sim, do mesmo modo que as guerras induziram descobertas. Entretanto, isso não significa que tais evoluções provocadas por ambos certifiquem que ele seja saudável, e muito menos as guerras, e nem que não pudessem ser obtidas por outras formas de relações sociais sem os genocídios do capitalismo e de suas guerras imanentes.  

Atingimos atualmente a era da terceira revolução industrial da microeletrônica que criou a cibernética, que com mais profundidade do que as transformações sociais havidas na segunda revolução industrial fordista, simplesmente conspira contra as regras de funcionalidade da relação social sob a égide do capital, impelindo-nos à sua superação radical, sob pena de sucumbirmos junto com ela se não a superarmos. 

Karl Marx tinha razão quando disse que o capitalismo cava a sua própria sepultura! 

O desenvolvimento da cibernética a partir da descoberta e uso da microeletrônica está para o surgimento do motor à combustão fóssil e energia elétrica com o mesmo sentido de transformação das relações sociais perturbadoras, só que esta última com uma dimensão de irreversibilidade incontornável e maior grau de prejudicialidade. 

Note-se que todas as invenções aplicadas ao modo de produção de mercadorias ocorreram como modo de geração de lucros individuais e exacerbação da extração de mais-valia e tudo sob a indução e controle da mão invisível do mercado, como assim a cognominou o pai da economia moderna, Adam Smith.  

Entretanto, o lucro individual obtido na guerra concorrencial de mercado, paradoxalmente, conspira contra a produção da massa global de valor e decreta a falência do capitalismo que ora respira por aparelhos, com emissão de moeda oficial falsa, dívidas públicas com juros impagáveis e insuportáveis imputados aos países devedores pobres, e depressão econômica.  

Parabéns a Karl Marx por ter desvendado o mistério da exploração social encoberta pela farsa da prosperidade social capitalista há quase 170 anos.  

É sob tal contexto de decadência do imperialismo belicista ocidental pelos motivos aqui expostos que se quer retomar a antiga ideia de formação de um outro bloco antagônico ao da OTAN, mas infelizmente sob os mesmos pressupostos mercantilistas e econômico-financeiros decadentes. É claro que isso não resolve a crise e somente vai provocar uma guerra fratricida perigosa. 

Precisamos de bons exemplos que sirvam de norte para toda a humanidade e não apenas mais do mesmo - Estados Unidos e China, locomotivas chefes destas disputam de blocos, são os dois maiores poluentes promotores irracionais do aquecimento global. 

É sob tal contexto que se retoma a ideia antiga de formação de blocos capitalistas que disputam, tal qual o pequeno comerciante de Bairro com seus concorrentes ali estabelecidos, a vitória de Pirro na guerra da concorrência industrial, comercial e financeira mundial, para se ser detentor do comando político serviçal de uma pretendida hegemonia econômica num momento de depressão da dita cuja.  

Senhores da OTAN e dos BRICS, vocês mais se parecem com crianças brincando com armas altamente letais carregadas nas mãos! 

Nosotros, menos interessados no poder político a serviço do capital, devemos ter a consciência de retirar das mãos desses adultos infantis e vaidosos, eleitos pela manipulação do poder econômico e midiático, ou pela fraude ou negação da derrota eleitoral escancarada, ou ainda pela exclusão de má qualidade dos seus adversários eleitorais, as armas da morte cuja pólvora se chama capitalismo. (por Dalton Rosado)

sábado, 14 de maio de 2022

O PT AVALIA QUE NÃO VAI TER GOLPE. DESTA VEZ EU CONCORDO.

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A avaliação é quase unânime no PT e no grupo de auxiliares diretos de Lula: Bolsonaro pode até tentar, mas dificilmente conseguirá ser bem-sucedido num golpe caso perca – ou perceba que vai perder – as eleições de outubro.

...os petistas acreditam que falta a Bolsonaro o tripé descrito na página 2 do Manual do Golpista Sulamericano Mirim: apoio simultâneo dos detentores do dinheiro – banqueiros e empresários –, dos Estados Unidos e, principalmente, a unidade das Forças Armadas em torno do projeto golpista."
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A informação é de Ricardo Galhardo, num artigo que acabo de receber do Intercept Brasil por e-mail e ainda não aparece nem no seu site nem na busca do Google, intitulado O PT não tem medo de golpe.

Ele veio ao encontro da minha avaliação pessoal, várias vezes reiteradas neste blog. 

Eu apenas aprofundaria um pouco a questão da grana: não é só ao Bozo que falta o apoio dos poderosos do capitalismo, mas faltaria a qualquer outro golpista, pois o sistema de exploração do homem pelo homem está colapsando à medida que não consegue mais manter o contínuo crescimento do qual depende sua sobrevivência

[Com outras palavras, o companheiro Dalton Rosado bate nesta mesma tecla em seus artigos.]

O motivo disto é que Marx estava certíssimo ao prever a derrocada do capitalismo por força de sua contradição básica: ele permite a uma ínfima minoria apropriar-se de uma fatia descomunal das receitas advindas do trabalho humano, não dando à imensa maioria poder aquisitivo suficiente para adquirir todos os bens ofertados.

É um mecanismo perverso que vem desde as crises cíclicas do capitalismo, que outrora ocorriam mais ou menos a cada dez anos. Muitos paliativos já foram adotados, como a sempre lembrada queima de café no porto de Santos no início do século passado, para que a oferta excessiva do produto não causasse uma queda acentuada de seu preço no mercado internacional.

Os produtos também independem do poder aquisitivo dos consumidores individuais quando se destinam às matanças e países pagam por eles. Assim, p. ex., os Estados Unidos só saíram da recessão econômica iniciada em 1929 (e que se alongou pela década de 1930 adentro) quando suas indústrias passaram a produzir armamentos para os países europeus utilizarem contra nazistas e fascistas.

E houve também a introdução de muitos artifícios para ir-se empurrando o acerto de contas com a barriga através da concessão de crédito muito além da capacidade que os tomadores de empréstimos têm de honrá-los. A crise do subprime nos EUA, no final da década retrasada, é o exemplo mais emblemático.

Mas, tal sobrevivência artificial do capitalismo não pode prolongar-se indefinidamente. Então, hoje o Tio Sam não tem mais poder de fogo para investir pesadamente no Brasil quando o poder balança, como fez em 1969/1970 para fabricar o ilusório milagre brasileiro, uma miragem que logo se dissiparia, mas foi o suficiente para garantir o apoio de boa parte da classe média à ditadura militar.

Os golpistas de 1964 conspiravam desde a década anterior, mas só conseguiram êxito no seu intento quando o Governo João Goulart se evidenciou impotente para debelar a crise econômica e os EUA pareciam prontinhos para acudir o Brasil (na verdade, a cor do dinheiro só foi vista cinco anos depois, quando a vaca já estava a caminho do brejo).  

Evidentemente, se o genocida disser aos grandes empresários que Biden vai soltar a grana de que o Brasil carece desesperadamente, os ditos cujos rirão na cara dele. Com seus consultores caríssimos pensando por eles, não se deixam iludir por bicos de mamadeiras com formato de pênis, promessas de (logo quem!) combater a corrupção e outras sandices que só bolsominions são desinformados e tolos a ponto de engolirem.

Então, pelo menos uma vez na vida os dirigentes do PT estão certos: não vai ter golpe.

O que não os exime de, sabotando o impeachment do celerado para facilitar a vitória do Lula nas urnas, terem condenado à morte centenas de milhares de brasileiros que sobreviveriam à pandemia caso houvesse um presidente de verdade no Palácio do Planalto e não um arruaceiro desvairado investindo no caos. (por Celso Lungaretti)
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