Mostrando postagens com marcador Anastasio Somoza. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Anastasio Somoza. Mostrar todas as postagens

domingo, 31 de julho de 2022

OS ULTRACONSERVADORES ESTÃO ISOLADOS, MAS VOCIFERANDO – 1

dalton rosado
O STABLISHMENT BURGUÊS
A ditadura burguesa é espécie consciente e aloprada do gênero capitalismo.

A democracia burguesa é espécie hipocritamente civilizada do gênero capitalismo.

Ambas são, além de autodestrutivas, predatórias da vida social e do meio ambiente. 

Como o capitalismo não é este santo todo que se quer apregoar quando se faz a defesa enfática dos cânones democrático-burgueses, há que se desconfiar sempre de sua santidade. 

É claro que há matizes mais ou menos acentuados em cada espécie do gênero capitalismo; mas tudo é apenas uma questão de circunstâncias. 

Um ditador nascido de pressupostos racistas e beligerantes como os que fundaram o Partido Nazista, mesmo que ungido ao poder pelo voto (mas só depois do fracassado putsch da cervejaria ), jamais perdeu a sua essência original, metamorfoseando-se de acordo com cada circunstância. O gigante se conhece pelo dedo.

Assim Adolf Hitler procedeu até assumir a identidade cruelmente genocida e incontrolável e a manter até a derrocada final. Infelizmente, graças à desesperança no capitalismo democrático-burguês, observamos haver tendências de ressurreições nazistas cada vez menos subterrâneas.

O führer era um aloprado e todos os dirigentes que o seguiram na sanha genocida implementada de 1933 a 1945 também o eram. Semelhante atrai semelhante é regra sociológica cientificamente comprovada. 

O que esperar de quem afirma que a ditadura militar deveria ter matado 30 mil subversivos; que tem como ídolo um militar que torturava e matava presos indefesos, os quais, até na guerra convencional, costumam ser relativamente respeitados; e que condecorou milicianos??? 

Quem não te conhece que te compre.

Mas a democracia burguesa é aquela que civilizadamente mandou matar:
 Che Guevara já preso e indefeso, com ordens que transitaram desde o Capitólio até seus submissos gerdarmes sul-americanos, os quais as obedeceram incontinenti;  
 Salvador Allende, por intermédio de militares chilenos, embora estivesse exercendo o poder democrático-burguês para o qual fora democraticamente eleito; e
 por farsa judicial Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzetti, na verdade como exemplo para intimidar cidadãos que pensassem diferentemente do stablishment burguês.

E governos democraticamente eleitos raras vezes deixaram de apertar a mão, sem constrangimento, dos bastardos a que se referiam como nossos filhos da puta (governantes como o nicaraguense Anastasio Somoza e o saudita Salman bin Abdulaziz Saud, ambos assassinos de opositores).
Como se considerar democrático um sistema sob o qual grassa a fome e a desigualdade econômica?

Como se qualificar de democrática a discriminação racial sistémica que manda para os guetos e prisões uma desproporcional porcentagem de pessoas da etnia africana?

Como se aceitar o analfabetismo crônico secular numa era digital?

Como se atribuir a condição de democrático a um parlamento fisiológico, eleito sob o tacão da pobreza dos rincões interioranos profundos, e que controla os impostos pagos pelo povo exaurido ao talante do interesse mantenedor da dominação num ciclo perniciosamente secular?

Não quero aqui equiparar as ditaduras que governam sem os filtros da democracia burguesa aos presidencialismos e parlamentarismos nos quais ainda são preservados os cânones civilizatórios conquistados a duras penas. 

Mas é preciso se dizer que muitos mártires desses avanços civilizatórios hoje vigentes eram tidos como criminosos pelo stablishment escravista anterior, recebendo hoje, merecidamente, o tratamento de heróis. (por Dalton Rosado continua neste post)

terça-feira, 29 de março de 2022

PRAGMATISMO POLÍTICO COSTUMA SER DESCULPA PARA ATOS ESPÚRIOS – 1

dalton rosado
QUANDO OS PRETENSOS OPOSTOS SE ATRAEM
Em política, como na guerra e nos processos judiciais, a primeira coisa que sucumbe é a verdade.

Comecemos pelo direito. Nos meus quase 46 anos de advocacia confirmei aquilo se ouvia na faculdade: a subjetividade interpretativa das leis encontra justificativa para tudo. 

Já vi juízes corruptos fundamentarem a injustiça com palavreado pomposo do jargão jurídico e, com isto, fazerem valer direitos inexistentes que nada mais são do que a negação do direito como realização do ideal moral de justiça. 

Vale ressalvar que ainda existem muitos juízes probos, mas eles são obrigados ao cumprimento da lei injusta, mesmo que isto fira o seu senso de justiça.

Graças à interpretação capciosa da lei pelos julgadores, abundam os julgamentos tendenciosos, que apenas alavancam o antidireito codificado e doutrinariamente justificado (que já é, por si só, segregacionista na sociedade do capital, pois no capitalismo o direito é um mal social). 

Na política, a interpretação e versão facciosa dos fatos ocorre até com mais intensidade. Verificamos a negação de princípios virtuosos em nome da pretensa realização da virtude; e a defesa do indefensável, como se, por questões táticas, fosse sempre necessário engolir sapos que, de tão volumosos, terminam por infectar o organismo no qual se instalam.  

Há muita gente bem intencionada que, p. ex., justifica a agressão do Vladimir Putin à Ucrânia como se fosse comportamento correto por conta de uma contraposição ao capitalismo ocidental hipócrita e não menos criminoso. Uma injustiça não justifica outra.

Putin tem um histórico pessoal de inclinação totalitária firmado e afirmado por sua profissão de policial do serviço de Inteligência da Rússia, cuja tradição sempre foi a de atuar como tribunal de exceção que aterroriza, julga, condena e mata. 

A antiga KGB e Stalin formaram um simbiose tenebrosa que a propaganda inimiga fez os desinformados do mundo inteiro tomarem como exemplo de um regime comunista, o que a URSS nunca foi. Putin pertence a esta escola doutrinária nefasta.   

O perpetuado mandatário russo no poder gosta das lutas marciais nas quais se tornou faixa preta e se insere num figurino pragmático ditatorial que se encaixa perfeitamente em face de tantas agressões por ele praticadas às nações que um dia pertenceram à União Soviética (a qual, aliás, se desintegrou em momento de necessidade da expansão capitalista que tudo determina).  

O ocidente capitalista também tem pecados indesculpáveis neste campo de atuação e interesses.

Mas não precisamos ir muito longe, de vez que temos em nossa casa a evidência de pretensos opostos que se atraem. Não é que o discípulo tupiniquim de Donald Trump resolveu alçar um voo de estadista de aza quebrada ao ninho putinista, anteriormente por ele próprio criticado? Lembram-se da rejeição dele à vacina comunista da Rússia
 
Boçalnaro, o ignaro, vale lembrar, até ontem considerava Nicolás Maduro (aquele ditador venezuelano que disse ser visitado por um passarinho verde-oliva no qual se encarnava o espírito de Hugo Chaves...) e a ele se referia como uma exata personificação do mal comunista. Agora, Maduro e o genocida brasileiro estão alinhados no apoio a Putin!

Quem completa o trio de aliados paradoxais de Putin é Daniel Ortega, ex-guerrilheiro sandinista que se transmutou em ditador totalitário religioso de fazer inveja ao antecessor nicaraguense Anastasio Somoza. Quantas voltas o mundo dá... (por Dalton Rosado continua neste post)

segunda-feira, 21 de junho de 2021

DALTON ROSADO: SAÚDO A TODOS QUE FORAM ÀS RUAS CLAMAR PELO BOTA FORA DO GENOCIDA E POR NOSSA EMANCIPAÇÃO

POR UMA QUESTÃO DE PRINCÍPIOS
É inquestionável: o justo, sob o ponto de vista moral e ético, não comporta atitudes escravistas, racistas, segregacionistas, elitistas, misóginas, xonófobas, homofóbicas, populistas, ou seja, antipopulares na sua razão última, anticientíficas, fundamentalistas religiosas, genocidas, egoístas, ecocidas, etc. 

Tais atitudes negam o humanismo que deve nortear as nossas ações e comportamentos, independentemente de rótulos comportamentais.

Não há dúvidas de que o capitalismo, como forma de relação social, incorpora todas as adjetivações acima, ainda que muitos tentem dar-lhe a conotação de mal necessário para impulsionar o progresso. 

Numa entrevista dada por Paulo Guedes na enganosa campanha eleitoral de 2018, afirmou que o capitalismo havia retirado uma grande parte da humanidade da miséria mais cruel. Tal afirmação, falaciosa e oportunista, deve ser explicitada. 

O que proporcionou o avanço substancial dos meios de sobrevivência da humanidade foram os ganhos científicos por ela acumulados, malgrado muitos deles tenham decorrido das guerras e das invenções bélicas, além, é claro, da volúpia capitalista pelos lucros. 

Os ganhos da ciência, que poderiam ter acontecido de modo mais cômodo para a humanidade, ocorreram apesar dos regimes escravistas (imperiais, feudais e capitalistas) que dominaram as sociedades humanas ao longo dos últimos milênios, e ainda dominam, e não por causa deles.

Não há como se excluir da lógica funcional capitalista, representada pela existência de suas categorias fundantes (valor, dinheiro, trabalho abstrato, mercadoria, mercado, Estado e política) a maior parte, se não todos os motivos da permanência e intensificação das mazelas humanas listadas acima.

Um segmento mais consciencioso da humanidade tem procurado humanizar o capitalismo, acreditando ser possível dar-lhe uma feição civilizada. 

Entretanto, mesmo que se considerem os avanços alcançados, eles não têm o condão de evitar os retrocessos, que são inevitáveis por conta da natureza de uma forma de relação social cuja origem é escravista (e escravista ainda é). 

Não se pode querer que o diabo seja bom e generoso, ainda que às vezes ele ilusoriamente o pareça ser. O diabo termina sempre por mostrar a sua verdadeira face, tal como acaba se revelando Mefistófeles clássico Fausto

Que a direita defenda, sem pejo, postulados desumanos, tentando fazer o injusto passar por mal menor e necessário, é coerente com seu papel na ordem das coisas. 

Mas a esquerda não tem o direito de deixar-se enganar por Mefistófeles, muito menos o de reproduzir a máscara de ilusório caráter do personagem de Goethe. O meio jamais justifica os fins. 

Por que se admite a extração de mais-valia em países que se dizem marxistas e anticapitalistas? 

Por que se proíbe a livre manifestação da opinião na China, dita comunista, quando se sabe que a busca da verdade comporta o contraditório e a diversidade de visões, traduzida na defesa da tese e da antítese, que resulta na síntese?
Por que a China se tornou o segundo maior emissor de gases poluentes na atmosfera (rivalizando com os Estados Unidos, a meca do capitalismo) e produtor de mercadorias vendidas no mundo inteiro, dessubstancializando o próprio valor e ameaçando os fundamentos de sua própria economia e da economia mundial, que caminha a passos largos para o colapso econômico e ecológico? 

Por que Daniel Ortega (outrora guerrilheiro revolucionário de esquerda, atualmente ditador da Nicarágua) agora se faz passar por místico religioso, enquanto continue prendendo e arrebentando opositores, ou seja, repetindo descaradamente tudo aquilo que condenava no tirano que o antecedeu, o direitista Anastasio Somoza?

Por que Lula pede hipocritamente perdão aos italianos por não ter extraditado Cesari Battisti, um combatente dos anos de chumbo naquele país, depois de hipocritamente o ter salvado por exigência de dirigentes importantes do PT, embora desse mostras cabais de o estar fazendo a contragosto?

Por que o mesmo Lula assume ares de defensor do capitalismo e afirma, sorridente, que com ele a Ford não teria ido embora do país, escancarando a sua posição cada vez mais convergente com a centro-direita e contraditória com seu passado (o sindicalista se tornou defensor da exploração dos sindicalizados pelo capitalismo!)?

Por que o PT defende uma ditadura corrupta, sustentada pelas forças militares dirigentes de estatais na Venezuela, como se aquele país, por ter sido (e ainda estar sendo) fustigado pelos ultradireitistas, representasse os ideais emancipacionistas que negam as categorias capitalistas na sua totalidade? 

Por que, como alternativa à volta de ditaduras de direita, se apoiam governos democrata burgueses, quando não passam de duas faces da mesma moeda, nenhuma delas merecedora de nosso apoio (apontar os primeiros como o inimigo menos pernicioso num determinado momento pode ser uma necessidade tática, mas apoiá-los equivale a passar recibo de uma identidade estratégica). 

Os governos de esquerda, antes e agora, sempre funcionaram sob uma base capitalista, ainda que se dissessem proletários, daí terminarem por sucumbir às ditatoriais regras de sua lógica funcional; dinheiro e poder são irmãos siameses. Não se pode construir o bem a partir de critérios consentâneos com o mal. 

Será que os postulados emancipatórios são tão difíceis de serem compreendidos e assimilados por uma população historicamente espremida entre projetos conservadores de um lado, e projetos políticos sociais-democratas, democratas burgueses e socialistas do outro lado, como se fosse impossível negar o poder vertical, e criarmos um estrutura de organização social horizontalizada e sob bases de produção social voltada para a satisfação de necessidades e não para a acumulação do lucro? 

Mas a vida caminha no sentido da superação do velho e assimilação do novo, representado por uma organização social que seja capaz de negar a negatividade.

Portanto, fico feliz quando a população oprimida abandona as teses políticas institucionais e, mesmo, sem compreender que a base dos seus problemas reside numa mediação social subtrativa da riqueza socialmente produzida, se rebela contra:
 o apartheid social racista (vide o movimento estadunidense black lives matter, ou seja, vidas negras importam, que se alastrou mundo afora);
— o movimento dos coletes amarelos na França, que encostou na parede os projetos falsamente dicotômicos da direita, do centro, e da esquerda institucional, e de tantos quantos se posicionem geografica e ideologicamente a favor da manutenção das causas da opressão;
— 
a surpreendente postura de grupos brasileiros de torcedores de futebol, que, para fazer inveja aos comprometidos e acovardados partidos de esquerda e sindicatos, se posicionam contra os nacionalistas verde-amarelos, promotores do ódio e da violência contra os oprimidos; 
— idem, idem quando a população aturdida com um genocídio premeditadamente praticado contra si, acorda e vai às ruas lançando um sonoro não!  ao morticínio em curso e exigindo mudança de rumos (sem nem mesmo saber como ou para onde ir, mas sabendo muito bem o que pode continuar ocorrendo); 
— idem, idem, idem quando um grupo de militantes se articula para promover um Tribunal do Genocídio e Ecocídio (vide aqui), visando dar nomes tanto ao que está na base de tal tragédia humana e ecológica, quanto aos seus executores, num espectro amplo que inclui crimes de misoginia, racismo, impossibilidade material de provimento da vida, escravismo indireto pelo trabalho abstrato e tantas outras mazelas sociais que se incorporam ao processo genocida em curso. 

Destarte, termino por saudar a todos que no sábado passado, deixando o aconchego dos seus lares e os atrativos de suas horas de lazer, foram às ruas clamar pelo bota fora do genocida, numa verdadeira festa da emancipação!

#Fora Bolsonaro! (por Dalton Rosado)

domingo, 13 de janeiro de 2019

ESTARÁ EVO MORALES À ALTURA DO GESTO DE SOBERANIA QUE O MOMENTO EXIGE?

dalton rosado
A ALEGRIA E HIPOCRISIA DOS CARRASCOS
O motivo da encarniçada perseguição a Cesare Battisti não é a realização da justiça, mas sim a demonstração de que não vale a pena lutar contra o poderio avassalador do establishment, ainda que ele seja genocida em larga escala.

Por que não se condena a príncipe saudita Mohammed Bin Salman, que mandou matar o jornalista Jamal Khoshoggi, seu conterrâneo, numa embaixada na Turquia?

Por que jamais se condenou à prisão qualquer torturador e assassino brasileiro pelas atrocidades e crimes praticados durante a ditadura militar?

Por que Lula, o único brasileiro operário guindado à Presidência da República pelo voto popular (graças à falência da burguesia em administrar o que é seu), mesmo com toda a sua subserviência ao sistema e pacto corrupto com a escória da política brasileira, acabou sendo nosso único presidente encarcerado?

Por que um magistrado de primeira instância que de uma hora para outra resolver processar e prender (corretamente) políticos como jamais aconteceu na nossa história de tradição de corrupção, é premiado com o mais alto posto do comando da promoção administrativa da justiça no Brasil?
Criminosos de guerra impunes: o senhor e seu lacaio.

Por que jamais se condenou George W. Bush que bombardeou o Iraque com aviões distantes 10 mil metros de altura, matando grande quantidade de civis inocentes, inclusive crianças que dormiam, sob a alegação da existência de armas químicas jamais comprovadas? Por que não é considerado terrorista?

Por que há quem apoie o sanguinário ditador da Síria Bashar Al-Assad, relativizando os crimes hediondos que marcam sua infame trajetória?

Por que os Estados Unidos aceitavam um ditador corrupto e subserviente aos seus interesses, Fulgêncio Batista, inclusive asilando-o em seu solo com toda a sua riqueza saqueada ao povo cubano, mas financiaram a invasão da ilha para a derrubada de Fidel Castro?

Por que o corrupto ex-presidente paraguaio Alfredo Stroessner pode viver tranquilamente em Brasília, desfrutando comodamente sua fortuna, sem jamais ser extraditado? 

Por que Anastácio Somoza, o sanguinário e corruto ditador da Nicarágua recebeu pronta assistência militar e apoio financeiro na sua luta contra os sandinistas (desvios condenáveis e deploráveis do Daniel Ortega, que se subsumiu à lógica do capital, à parte)?

Por que Jesus Cristo foi condenado a morrer na Cruz por uma massa induzida? 
"gestos altaneiros que podem afirmar a dignidade de um povo"

Seriam intermináveis os porquês da história.

Mas há também gestos altaneiros que podem afirmar a dignidade de povo, como se fosse um Davi diante do Golias a dizer peremptoriamente: aqui decidimos conforme nossas próprias convicções e um perseguido político, uma vez em nosso solo, não se submeterá a nenhum submisso capricho alheio.

Estará Evo Morales à altura do gesto de soberania que o momento dele exige?    

Basta! 

Coloquemos abaixo a hipocrisia, pois ela, por si só, jamais se autocriticará; é seu instrumento de manipulação das consciências! (por Dalton Rosado, que recomenda aos leitores esta sua composição em homenagem ao Cesare)
PS: falando nisso, por que o Lula, ex-presidente da República, era conduzido
coercitivamente para prestar depoimento, enquanto o Queiroz dança,
deita e rola no hospital Albert Einstein, debochando da Justiça?

sábado, 28 de julho de 2018

QUEM SE PROPÕE A GOVERNAR O ESTADO BURGUÊS EM BENEFÍCIO DO POVO, OU É INGÊNUO OU MAL INTENCIONADO...

dalton rosado
O PODER POLÍTICO SOB O CAPITAL
Nada é mais negativamente impositivo do que a lógica do capital sobre as ações do poder político de Estado, esse último seu servo obediente e fiel.   

Qualquer governante com sensibilidade social inabalável e conhecendo a dinâmica da mediação social sob a forma-valor (dinheiro e mercadorias) compreenderá que é impossível continuar o exercício do poder político sob o capital em substancial benefício social sem deixá-lo, e voltando-se contra ele próprio, e passando a combatê-lo. 

A outra opção, própria a quem antes combatia o capital e agora se aferra aos encantos do poder político capitalista privado ou estatal (sendo laçado pela gravata, como diria o Tom Zé) é negar todos os postulados pró-povo que antes defendera. 

Essa foi a conclusão a que cheguei quando exerci função pública estatal de comando e pude constatar a incoerência do exercício do poder político sob o capital por alguém com sensibilidade para o drama social vivido pelos trabalhadores assalariados de renda média e baixa (a grande maioria) e que seja conhecedor da crítica da economia política marxiana.

O barro que molda a gestão política de Estado numa sociedade mediada sob a forma-valor não dá liga com a razão emancipacionista. São matérias comportamentais incompatíveis, e a razão desta incompatibilidade reside no caráter fetichista da forma-mercadoria.

Ora, a forma-mercadoria tem uma dinâmica própria de reprodução do valor que é, antes de tudo, segregacionista e cumulativa, na medida em que o valor, para existir, necessita de retenção constante e crescente, sem a qual ele perece irremediavelmente. 
Esta é uma prova do caráter meramente abstrato da forma-valor, ademais insensível à questão social, da qual faz mero uso utilitário. O valor econômico é um fantasma que se torna real, inebria e mata.

O processo de acumulação constante do capital implica um fim autotélico interminável no qual, quanto mais se acumula, mais se necessita acumular, deixando para as calendas gregas a ideia de sua distribuição, ainda que uma determinada fatia do bolo beneficie quem o administra (capitalistas privados ou estatais) e alguns beneficiários indiretos (a chamada aristocracia operária, burocratas de alto escalão do poder do Estado e alguns profissionais de nível superior). 

Tal processo dura somente até o momento em que a concorrência mundial de mercado impõe a redução de custos de produção mediante a dispensa do trabalho abstrato produtor de valor pela via da tecnologia aplicada à produção, bem como promove a concentração de riqueza daí derivada, tornando-se cada vez mais elitista.  

Por sua vez o Estado, cujo acesso se dá pela via política, tem limitações econômico-administrativas cada vez mais acentuadas, decorrentes do alto custo da máquina institucional (salários, gastos militares e manutenção), além dos investimentos na conservação e criação de obras públicas de infraestrutura para o funcionamento da vida mercantil, pagamento dos juros da dívida pública e, atualmente, do complemento financeiro do déficit previdenciário.

Torna-se quase impossível o atendimento das demandas sociais, até porque, além dos custos da máquina estatal acima referidos, existem as amarras constitucionais que impossibilitam o exercício pleno de uma administração pública compatível com os interesses maiores da coletividade. 

O Estado burguês, qualquer que seja a inclinação ideológica do governante, termina sempre por se evidenciar no longo prazo como um algoz do povo, mesmo que a propaganda e as ações populistas mascarem a verdadeira essência do poder. 

Quem se propõe a governar o Estado burguês em benefício do povo, ou é ingênuo e acaba sendo por ele governado; ou está, desde o início, mal intencionado.

É evidente que, nos países de economia desenvolvida (e que assim o são na inversa e inevitável proporção do empobrecimento dos demais países), o Estado pode proporcionar um relativo bem-estar social, criando a falsa expectativa de que todos possam ter o mesmo destino. 

A busca de imitação do chamado 1º mundo pelos países pobres corresponde a uma ilusão derivada da incompreensão da dinâmica do capital, segundo a qual, a cada ilha de riqueza, corresponde sempre um mar de pobreza. 

Por sua vez, também a busca do chamado desenvolvimento econômico dos países periféricos ao capitalismo corresponde a uma busca impossível de se realizar; algo assim como se querer que um time de futebol de várzea consiga tornar-se campeão do Brasileirão. 
.
CONSEQUÊNCIAS DO APEGO AO ESTADO BURGUÊS — O que está acontecendo na Nicarágua, sob a presidência continuada de Daniel Ortega (o antigo líder da revolução sandinista que derrubou o ditador Anastácio Somoza), é o mesmo que aconteceu a Dilma Rousseff e tantos outros governantes da América Latina que, eleitos com um discurso de redenção dos seculares sofrimentos do povo, passaram a oprimi-lo.

Todos os governantes que se apegam ao poder, ainda que bem intencionados, terminam sempre por se ajustarem aos ditames do limite da governabilidade capitalista, negando bandeiras anteriormente defendidas por força da lógica capitalista lhes é imposta; ou terminam por fazer uma vergonhosa e inaceitável concessão de favores ao capital como forma de manutenção do poder, além de firmarem alianças políticas que garantam a governabilidade. 

O poder corrompe e a perpetuidade no poder corrompe muito mais, diz a oposição, mas apenas quando fora do poder. 

A ebulição da insatisfação popular contra Daniel Ortega explodiu sob a forma de repúdio à reforma da previdência social, que mais não é do que a restrição à concessão de direitos adquiridos. Mas, este foi apenas um ponto dentro da insatisfação generalizada que eclodiu socialmente.

Diante disto, e do apego ao poder, reproduz-se na Nicarágua (e noutros países latinos cujos governos são tidos como de esquerda) a repressão popular sangrenta que apenas denuncia como é mesquinho e manipulador das mentes humanas o exercício do poder político estatal burguês. É sempre bom lembrar que estão presentes e em pleno funcionamento na Nicarágua todas as categorias fundantes do capitalismo).

A questão que se coloca não é o combate à forma de poder ou a qualidade do seu exercício, mas a negação do próprio poder. O exercício do poder pró-povo é algo assim tão irrealizável como se querer a justa distribuição do dinheiro. Aliás, uma coisa está indissoluvelmente ligada à outra.

Não se pode distribuir o dinheiro de forma justa exatamente porque ele somente existe a partir de sua acumulação injusta e permanente. A questão que se coloca não é tentar distribui-lo de forma justa, mas superá-lo; esta é a forma eficaz de combatê-lo.
Querer um Estado pró-povo é querer que o próprio direito sob o qual se assenta toda a estrutura jurídica que dá legalidade à exploração do capital seja abolido; é querer inverter a sua natureza, ou seja, é querer que o pé de caju dê manga.   

Ora, se almejamos uma nova estrutura de vida social, a primeira coisa que devemos fazer é abolir o próprio Estado. Resultará sempre inútil a tentativa de bom exercício, estando ele como está subjugado ao poder econômico (que é o responsável último por nossas agruras). 

O Estado moderno, a política e o poder econômico são tão indissociáveis quanto elementos químicos que somente juntos formam um terceiro elemento. A falta de um deles pressupõe as suas extinções mútuas. 

Agora, no Brasil, vamos assistir nos próximos meses ao mais enfadonho discurso televisivo da governabilidade pró-povo, que corresponde a um estelionato eleitoral – a propaganda gratuita dos partidos políticos e dos seus candidatos.

Tal propaganda oficial, pretensamente apartidária, institucional, que se pretende voz da sociedade civil e que chama para o exercício do voto, vai nos ensinar que devemos avaliar os candidatos para vermos aquele que tem propostas governamentais exequíveis e confiáveis, como se fosse possível, tanto para a direita como para a esquerda, pela via político-eleitoral, determinar a soberania comportamental de uma lógica econômica previamente definida e que agora vive os seus estertores. 

Aviso aos navegantes: o próximo governo, seja qual for o seu matiz ideológico, vai ter de resolver o problema de déficit da previdência social, que no ano passado totalizou R$ 268,8 bilhões (e está aumentando em 2018), além dos juros da dívida pública, e não se aceita que se jogue o direito às pensões previdenciárias para além da expectativa de vida saudável.

Este é um exemplo significativo do que será governar nesse momento de debacle do capital. 

Diante disso, pergunta-se: por que alguém que diz almejar uma sociedade saudável e livre das injustiças se disporia a governar o ingovernável, remediar o irremediável e sofrer para salvar o capitalismo na sua fase de derrocada irreversível? 

Tal empreitada somente se justifica para aqueles que querem o poder para se locupletarem, darem azo às suas vaidades, ou, ainda, para os paus mandados do capital. 

Francamente, como diz o Celso Lungaretti, "não me engana que eu não gosto". (por Dalton Rosado).
"A gravata já me laçou/ A gravata já me enforcou/ Amém!"      

quinta-feira, 26 de julho de 2018

LEONARDO BOFF LAVA NOSSAS ALMAS: É UM ESQUERDISTA QUE NÃO LAMBE AS BOTAS ENSANGUENTADAS DOS TIRANOS!

"Como presidente de honra de nosso Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Petrópolis, Rio, uno-me ao Centro Nicaraguense de Direitos Humanos que, com seu comunicado de apoio aos bispos, faz uma justa crítica ao governo que está perseguindo, sequestrando e assassinando seus próprios compatriotas

Repito as palavras do papa João Paulo II: não há guerra santa, nem guerra justa, nem guerra humanitária, porque toda guerra mata e ofende a Deus. O mesmo vale para quem comanda práticas semelhantes contra seu povo.

Estou perplexo pelo fato de que um governo que conduziu a libertação da Nicarágua possa imitar as práticas do antigo ditador. O poder não existe para impor-se a seu povo, mas sim para servi-lo com justiça e em paz.
A Nicarágua necessita do diálogo, mas, antes de tudo, necessita que as forças repressivas parem de matar, especialmente aos jovens. Isto é inaceitável. A Nicarágua necessita de paz e, de novo, paz."
(Leonardo Boff, teólogo, escritor e professor universitário)

quinta-feira, 19 de julho de 2018

"TALVEZ NADA SEJA MAIS EMBLEMÁTICO DO PESADELO EM QUE SE TRANSFORMARAM REVOLUÇÕES DE SONHO QUE A NICARÁGUA"

clóvis rossi
A REVOLUÇÃO TRAIU OS SONHOS
"...que triste ver que os sonhos que sonharam parcelas significativas dos jovens e não tão jovens latino-americanos tenham sido soterrados por ditaduras.

Talvez nada seja, hoje em dia, mais emblemático do pesadelo em que se transformaram revoluções de sonho —sonho de liberdade— que a Nicarágua.

Nesta 4ª feira (18), a Organização dos Estados Americanos discutia resolução de censura à repressão desatada pelo governo de Daniel Ortega e sua mulher, a vice Rosario Murillo, contra principalmente os estudantes rebelados. Repressão que, segundo organismos de direitos humanos, deixou ao menos 351 mortos em três meses de levante popular.
.
A triste ironia é que, há 39 anos, a mesma OEA aprovou em junho resolução condenando o regime de Anastasio Somoza Debayle, o ditador de turno, e exigiu sua substituição imediata.

Um mês depois, Somoza caiu e assumiu Daniel Ortega, o líder da Frente Sandinista de Libertação Nacional que comandava os muchachos, os jovens que usavam os cachecóis rubro-negros da Frente.

Nesta 5ª feira (19), comemoram-se precisamente 39 anos da vitória do sonho de liberdade que à época se sonhava.

Agora, no entanto, os muchachos estão do outro lado das barricadas, exigindo a saída do novo Somoza, como chamam Ortega, o traidor da revolução, que se aliou à fatia mais reacionária e corrupta da elite nicaraguense para tornar-se um tiranete.

Os muchachos agora se declaram em "desobediência estudantil acadêmica", como parte da rebelião contra o novo Somoza. Explicam que governo e autoridades acadêmicas são incapazes de "respeitar e salvaguardar nossa integridade física e mental, a liberdade de expressão, a autonomia universitária e, mais importante ainda, nosso direito de viver".

Agora, a igreja, parte da qual apoiara e ajudara os muchachos de cachecóis rubro-negros, apoia e ajuda os muchachos que marcham contra o governo sandinista e vestem a bandeira azul e branca da Nicarágua.

A Conferência Episcopal nicaraguense convocou um jejum para esta 6ª feira (20) de explícito conteúdo político. Será, dizem os bispos, "um ato de desagravo pelas profanações realizadas estes últimos meses contra Deus" (alusão óbvia à violência que o governo vem empregando contra manifestações em geral pacíficas).

É razoável supor que o jejum tende a ser o estopim para novas manifestações contra o governo e, por extensão, por novas profanações contra Deus (e contra as pessoas, principalmente os jovens).
Será mais uma oportunidade para saber se os muchachos têm o direito de sonhar e de viver o sonho de liberdade pelo qual seus pais e avós deram o sangue."(por Clóvis Rossi)
Related Posts with Thumbnails