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sexta-feira, 6 de maio de 2022

SAIBA POR QUE TODAS AS MICARETAS GOLPISTAS DO BOZO FLOPARÃO

kennedy alencar
BOLSONARO QUER DAR GOLPE, MAS NÃO
HÁ CONDIÇÃO OBJETIVA PARA SUCESSO
As eleições não estão ameaçadas porque o presidente Jair Bolsonaro não tem as condições objetivas para dar um golpe de estado, quais sejam:
— apoio interno da elite econômica e política;
— unanimidade nas Forças Armadas;
— cenário internacional favorável;
— apoio de fatia significativa da imprensa; e
— um governo minimamente funcional. 

Nenhuma dessas condições está presente na conjuntura brasileira. A elite política e econômica lida com um governo que fabrica crises em série, gerando instabilidades institucional e econômica, péssimas para o ambiente de negócios.

As Forças Armadas estão desgastadas com a associação a um presidente que foi considerado mau militar pelo ditador e general Ernesto Geisel. Não há na ativa respaldo para um golpe, apesar do discurso golpista frequente de generais da reserva. 

Na cena internacional, Bolsonaro é visto e tratado como um pária. O Brasil perdeu relevância geopolítica e está isolado no cenário global. 

A comunidade internacional, com exceção de um autocrata aqui e outro ali, não tem apreço pelo presidente brasileiro e o vê como uma ameaça ao planeta devido à política ambiental ecocida. 

Apesar de ter normalizado um fascista em 2018, a maioria da imprensa brasileira entende os riscos de um segundo mandato de um candidato a ditador que vem destruindo políticas públicas e enfraquecendo nossas instituições. 

Vivemos o pior momento desde a redemocratização de 1985. A imprensa sabe disso, apesar de ainda ser frequente a falsa simetria entre Bolsonaro e o ex-presidente Lula, que polarizam a disputa presidencial. 

Por último, não existe uma obra governamental de Bolsonaro que possa ser vendida como exitosa, nem uma política pública:
— a gestão desastrosa da pandemia é a marca do atual Poder Executivo; 
 o ministro da Economia, Paulo Guedes, é figura desrespeitada no Congresso e no mercado financeiro; e
— a economia, como um todo, está em frangalhos, com inflação e desemprego nas alturas. 

Bolsonaro gostaria de empastelar as eleições? Sim. 

Sonha em dar um golpe? Sim. 

No entanto, para o bem do Brasil, não há condições objetivas que permitam ao genocida querer eternizar-se no poder. Bolsonaro não passará. (por Kennedy Alencar)

segunda-feira, 21 de junho de 2021

DALTON ROSADO: SAÚDO A TODOS QUE FORAM ÀS RUAS CLAMAR PELO BOTA FORA DO GENOCIDA E POR NOSSA EMANCIPAÇÃO

POR UMA QUESTÃO DE PRINCÍPIOS
É inquestionável: o justo, sob o ponto de vista moral e ético, não comporta atitudes escravistas, racistas, segregacionistas, elitistas, misóginas, xonófobas, homofóbicas, populistas, ou seja, antipopulares na sua razão última, anticientíficas, fundamentalistas religiosas, genocidas, egoístas, ecocidas, etc. 

Tais atitudes negam o humanismo que deve nortear as nossas ações e comportamentos, independentemente de rótulos comportamentais.

Não há dúvidas de que o capitalismo, como forma de relação social, incorpora todas as adjetivações acima, ainda que muitos tentem dar-lhe a conotação de mal necessário para impulsionar o progresso. 

Numa entrevista dada por Paulo Guedes na enganosa campanha eleitoral de 2018, afirmou que o capitalismo havia retirado uma grande parte da humanidade da miséria mais cruel. Tal afirmação, falaciosa e oportunista, deve ser explicitada. 

O que proporcionou o avanço substancial dos meios de sobrevivência da humanidade foram os ganhos científicos por ela acumulados, malgrado muitos deles tenham decorrido das guerras e das invenções bélicas, além, é claro, da volúpia capitalista pelos lucros. 

Os ganhos da ciência, que poderiam ter acontecido de modo mais cômodo para a humanidade, ocorreram apesar dos regimes escravistas (imperiais, feudais e capitalistas) que dominaram as sociedades humanas ao longo dos últimos milênios, e ainda dominam, e não por causa deles.

Não há como se excluir da lógica funcional capitalista, representada pela existência de suas categorias fundantes (valor, dinheiro, trabalho abstrato, mercadoria, mercado, Estado e política) a maior parte, se não todos os motivos da permanência e intensificação das mazelas humanas listadas acima.

Um segmento mais consciencioso da humanidade tem procurado humanizar o capitalismo, acreditando ser possível dar-lhe uma feição civilizada. 

Entretanto, mesmo que se considerem os avanços alcançados, eles não têm o condão de evitar os retrocessos, que são inevitáveis por conta da natureza de uma forma de relação social cuja origem é escravista (e escravista ainda é). 

Não se pode querer que o diabo seja bom e generoso, ainda que às vezes ele ilusoriamente o pareça ser. O diabo termina sempre por mostrar a sua verdadeira face, tal como acaba se revelando Mefistófeles clássico Fausto

Que a direita defenda, sem pejo, postulados desumanos, tentando fazer o injusto passar por mal menor e necessário, é coerente com seu papel na ordem das coisas. 

Mas a esquerda não tem o direito de deixar-se enganar por Mefistófeles, muito menos o de reproduzir a máscara de ilusório caráter do personagem de Goethe. O meio jamais justifica os fins. 

Por que se admite a extração de mais-valia em países que se dizem marxistas e anticapitalistas? 

Por que se proíbe a livre manifestação da opinião na China, dita comunista, quando se sabe que a busca da verdade comporta o contraditório e a diversidade de visões, traduzida na defesa da tese e da antítese, que resulta na síntese?
Por que a China se tornou o segundo maior emissor de gases poluentes na atmosfera (rivalizando com os Estados Unidos, a meca do capitalismo) e produtor de mercadorias vendidas no mundo inteiro, dessubstancializando o próprio valor e ameaçando os fundamentos de sua própria economia e da economia mundial, que caminha a passos largos para o colapso econômico e ecológico? 

Por que Daniel Ortega (outrora guerrilheiro revolucionário de esquerda, atualmente ditador da Nicarágua) agora se faz passar por místico religioso, enquanto continue prendendo e arrebentando opositores, ou seja, repetindo descaradamente tudo aquilo que condenava no tirano que o antecedeu, o direitista Anastasio Somoza?

Por que Lula pede hipocritamente perdão aos italianos por não ter extraditado Cesari Battisti, um combatente dos anos de chumbo naquele país, depois de hipocritamente o ter salvado por exigência de dirigentes importantes do PT, embora desse mostras cabais de o estar fazendo a contragosto?

Por que o mesmo Lula assume ares de defensor do capitalismo e afirma, sorridente, que com ele a Ford não teria ido embora do país, escancarando a sua posição cada vez mais convergente com a centro-direita e contraditória com seu passado (o sindicalista se tornou defensor da exploração dos sindicalizados pelo capitalismo!)?

Por que o PT defende uma ditadura corrupta, sustentada pelas forças militares dirigentes de estatais na Venezuela, como se aquele país, por ter sido (e ainda estar sendo) fustigado pelos ultradireitistas, representasse os ideais emancipacionistas que negam as categorias capitalistas na sua totalidade? 

Por que, como alternativa à volta de ditaduras de direita, se apoiam governos democrata burgueses, quando não passam de duas faces da mesma moeda, nenhuma delas merecedora de nosso apoio (apontar os primeiros como o inimigo menos pernicioso num determinado momento pode ser uma necessidade tática, mas apoiá-los equivale a passar recibo de uma identidade estratégica). 

Os governos de esquerda, antes e agora, sempre funcionaram sob uma base capitalista, ainda que se dissessem proletários, daí terminarem por sucumbir às ditatoriais regras de sua lógica funcional; dinheiro e poder são irmãos siameses. Não se pode construir o bem a partir de critérios consentâneos com o mal. 

Será que os postulados emancipatórios são tão difíceis de serem compreendidos e assimilados por uma população historicamente espremida entre projetos conservadores de um lado, e projetos políticos sociais-democratas, democratas burgueses e socialistas do outro lado, como se fosse impossível negar o poder vertical, e criarmos um estrutura de organização social horizontalizada e sob bases de produção social voltada para a satisfação de necessidades e não para a acumulação do lucro? 

Mas a vida caminha no sentido da superação do velho e assimilação do novo, representado por uma organização social que seja capaz de negar a negatividade.

Portanto, fico feliz quando a população oprimida abandona as teses políticas institucionais e, mesmo, sem compreender que a base dos seus problemas reside numa mediação social subtrativa da riqueza socialmente produzida, se rebela contra:
 o apartheid social racista (vide o movimento estadunidense black lives matter, ou seja, vidas negras importam, que se alastrou mundo afora);
— o movimento dos coletes amarelos na França, que encostou na parede os projetos falsamente dicotômicos da direita, do centro, e da esquerda institucional, e de tantos quantos se posicionem geografica e ideologicamente a favor da manutenção das causas da opressão;
— 
a surpreendente postura de grupos brasileiros de torcedores de futebol, que, para fazer inveja aos comprometidos e acovardados partidos de esquerda e sindicatos, se posicionam contra os nacionalistas verde-amarelos, promotores do ódio e da violência contra os oprimidos; 
— idem, idem quando a população aturdida com um genocídio premeditadamente praticado contra si, acorda e vai às ruas lançando um sonoro não!  ao morticínio em curso e exigindo mudança de rumos (sem nem mesmo saber como ou para onde ir, mas sabendo muito bem o que pode continuar ocorrendo); 
— idem, idem, idem quando um grupo de militantes se articula para promover um Tribunal do Genocídio e Ecocídio (vide aqui), visando dar nomes tanto ao que está na base de tal tragédia humana e ecológica, quanto aos seus executores, num espectro amplo que inclui crimes de misoginia, racismo, impossibilidade material de provimento da vida, escravismo indireto pelo trabalho abstrato e tantas outras mazelas sociais que se incorporam ao processo genocida em curso. 

Destarte, termino por saudar a todos que no sábado passado, deixando o aconchego dos seus lares e os atrativos de suas horas de lazer, foram às ruas clamar pelo bota fora do genocida, numa verdadeira festa da emancipação!

#Fora Bolsonaro! (por Dalton Rosado)

terça-feira, 10 de novembro de 2020

A VITÓRIA DE BIDEN SELOU O REFLUXO DA ONDA NEOFASCISTA E O INÍCIO DA VOLTA À CIVILIZAÇÃO. ISTO LÁ É POUCA COISA?!

rui martins
QUANDO NOSSA ESQUERDA FALA COMO BOLSONARO
Estávamos perto da reta da chegada das eleições estadunidenses. A CNN ia juntando, ao vivo, o total dos votos dos grandes eleitores para Trump e Biden, à medida que avançavam as apurações. Faltando ainda contar os votos em seis Estados, percebia-se, pouco a pouco, que aumentava a vantagem de Biden, tornando impossível a Trump recuperar a diferença. Já se via a vitória de Biden, embora ainda faltassem as viradas ocorridas na apuração dos votos da Georgia e Pensilvânia.

Foi nesse momento que recebi pelo WhatsApp uma curta mensagem coletiva, de um conhecido grupo de esquerda, dizendo para ninguém se entusiasmar com a próxima vitória do Biden, porque (para não usar o linguajar chulo) tanto Biden quanto Trump eram farinha do mesmo saco. E a mensagem vinha seguido de um tweet #ForaBiden. No dia seguinte, num WhatsApp, alguém queria me explicar porque Biden e Trump eram a mesma m…, ou farinha do mesmo saco.

Minha primeira impressão foi de desolação por constatar que nossa esquerda falava quase como Bolsonaro, num discurso populista sem profundidade, sem inteligência, destinado a alimentar o fanatismo de seguidores desprovidos de qualquer visão de política internacional. Esse recurso à repetição de chavões me lembra mesmo a descrição do totalitarismo na distopia 1984, de George Orwell, com seus minutos de ódio. Tudo muito elementar. Um populismo delirante.

Bolsonaro não queria a vitória de Joe Biden e continua não querendo, tanto que até agora não reconheceu a vitória do democrata, assim como os dirigentes russos e chineses. Por quê? Porque sua desastrosa política até agora aplicada no Brasil copiava a do desastroso Donald Trump. 

Como um cachorrinho amestrado, vinha imitando seu dono e já via o Brasil participando de um grupo de países conservadores, reacionários e retrógrados europeus, liderados pelos Estados Unidos de Trump.

Não é à-toa que a catástrofe do coronavírus no Brasil se assemelha à dos Estados Unidos. Trump ria das máscaras e Bolsonaro mandava seu gado tomar cloroquina para se curar da gripezinha. Tanto um como o outro são responsáveis pelo grande número de mortos registrado nos EUA e no Brasil e pelo abandono da Organização Mundial da Saúde. 

Bolsonaro e seu ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles queriam prosseguir, com a benção de Trump, devastando a Amazônia e mostrando o dedo do meio para quem falasse em aquecimento global e necessidade de se salvar o planeta com a aplicação do Acordo de Paris sobre o Clima. Bolsonaro seguia Trump por sentir-se livre de qualquer inibição ao mandar às favas os direitos humanos.

E o que significa para nós a vitória de Biden? A necessidade de o Brasil levar a sério as recomendações da OMS de proteção à população e de combate ao coronavírus. Ou existe um nacionalismo verde-amarelo contra a OMS, em favor da cloroquina e de um recorde mundial em número de mortes? Será antipatriótico apagar-se o fogo na Amazônia sob pressão estadunidense?

Nossos coleguinhas dessa esquerda delirante queriam mesmo a derrota do Trump ou acreditam que, quanto pior é o inimigo, é melhor para quem quer fazer a revolução? 

Sentem-se agora decepcionados com a perspectiva de terem um inimigo diferente, com propostas aceitáveis, capazes de comprometer o impacto das campanhas anti-imperialistas, esquecendo-se de que vivemos todos numa comunidade global, onde cada avanço, em cada país, contribui para o avanço em todo o planeta? 

Enquanto escrevia, me chegavam por WhatsApp acusações, distribuídas por setores da esquerda, também contra a vice-presidente Kamala Harris, dando as razões pelas quais nos devemos opor a ela. Daqui a pouco, vai circular outro tweet #ForaKamalaHarris ou será o filho do Bolsonaro quem está atacando Biden e Kamala, na esperança de um vitória tardia de Trump?

Fora das repercussões no Brasil, no que o governo de Biden será diferente do dirigido até agora pelo Trump? 

Ele pretende engajar toda força dos EUA na defesa do clima e dotar o país de geradores eólicos de eletricidade, limpos e sem combustíveis, acionados pelo vento. Isso é ruim ou bom para o socialismo? 

E manterá os EUA no Acordo de Paris, uma medida criará centenas de milhares de empregos, diminuirá a poluição atmosférica e será mais saudável para quem vive nos centros urbanos. Serão ações contra-revolucionárias?
Biden pretende baixar os impostos para a classe média e aumentar para os mais ricos e para as grandes empresas. Com isto também poderá aumentar em 200 dólares o salário-mínimo federal.

Outro setor visado por Biden é o da saúde. Existem nos EUA 21 milhões de pessoas sem seguro de saúde e, por isso, sem médico e sem hospital. Os EUA, mesmo com o
Obamacare, não têm um seguro de saúde para todos como nosso SUS, que o Bolsonaro queria destruir.

Nos EUA, é necessária a participação em convênios de saúde, ao qual a camada mais pobre não tem acesso. Biden pretende aplicar milhões de dólares numa expansão do Obamacare, ao qual se terá acesso pagando-se 8,5% do salário. Se aplicada como está no programa de governo, esta medida revolucionará o setor da saúde nos EUA. Biden não é contra o aborto, como os evangélicos, conservadores e a extrema-direita de Trump.

Ele também preconiza um governo sem preferências raciais ou de gênero. A prova é ter feito parceria com Kamala Harris de origem indiana e jamaicana, ampliando o caminho da representação das mulheres brancas ou negras na política. Biden não pretende anular tudo quanto foi feito por Trump, assim será mantido o recente acordo multilateral assinado com Israel e países árabes.

Biden não é um presidente de esquerda, não fará a revolução socialista nos EUA, nem fará jogo mole com o Brasil no comércio internacional, nem usará de ameaças nas relações com a China. Mas, para o povo estadunidense, deverá ser bem melhor que Trump. E as eleições, apesar de todas ameaças e tentativas de pressões de Trump, confirmaram a democracia existente no país. 

É nesse quadro que nossa esquerda deve propor, com inteligência e sem o uso do populismo e do fanatismo, suas reformas. E preparar-se para os shows, comédias e ameaças que Bolsonaro fará dentro de dois anos, quando, por certo, não será reeleito.
(por Rui Martins)
TOQUE DO EDITOR – Está certíssimo o amigo Rui quanto a ser totalmente equivocada a posição desses sectários que igualam Biden a Trump. É coisa de scholars que elucubram no mundo etéreo de suas fantasias, sem a mais remota noção de como se travam as batalhas políticas no mundo real. 

Espanta-me o pouquíssimo apreço que mostram ter pela vida humana, pois simplesmente parecem ter esquecido o adicional de dezenas de milhares de mortes evitáveis que os desastrosos Trump e Bolsonaro acrescentaram à já terrível tragédia da pandemia; ou do enorme risco que a humanidade está correndo de ser varrida da face da Terra pelas catástrofes que o desprezo pelo clima por parte desses dois genocidas está incubando.

Há óbvias diferenças entre os interesses capitalistas selvagens representados pelo Partido Republicano e os interesses capitalistas mais civilizados representados pelo Partido Democrata. Daí os primeiros quererem voltar para o tempo em que a cegueira nacionalista causava guerras mundiais e os segundos serem globalistas.

E a mudança de guarda na Casa Branca facilitará imensamente a faxina no Palácio do Planalto. 
As chances agora de que o Bozo caia em 2021 devem estar na casa de uns 99%, pois país pobre não consegue atravessar uma depressão econômica devastadora como a que sofreremos no ano que vem sem o apoio de uma nação poderosa.

Só que o bloco europeu não quer ver o Bozo nem pintado de anjo, a China se move apenas por interesses negociais e a Rússia é indiferente ao Brasil. Então, o poder econômico dará um jeito de remover o Bozo simplesmente por ele estar ferrando nossa economia com seus disparates insanos.

E, a julgar pela quase nenhuma combatividade da nossa esquerda ao longo de 2020, a ponto de depender de secundaristas e dos Gaviões da Fiel para a reconquista das ruas, precisaremos mesmo que outros façam o serviço por nós. 

É vergonhoso ao extremo que não tenhamos expelido o genocida até agora! (CL)

sábado, 19 de setembro de 2020

DENÚNCIA GRAVÍSSIMA: AGROTROGLODITAS DESTROEM AS MATAS SOB O COMANDO DE UMA VASTA ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA

demétrio magnoli
LABAREDAS NO PANTANAL E NA AMAZÔNIA INDICAM AÇÃO CRIMINOSA E COORDENADA EM LARGA ESCALA 
O fogo devasta as florestas do oeste dos EUA e, em outro hemisfério e outras latitudes, extensas áreas da Amazônia e do Pantanal. 

As mudanças climáticas aproximam os incêndios deles dos nossos. Mas são fogos diferentes: aqui, as labaredas indicam ação criminosa, coordenada em larga escala.

Nos EUA, Trump revela uma vez mais sua aversão à ciência quando nega o papel decisivo das mudanças climáticas. Contudo, tem razão ao mencionar o diagnóstico de técnicos florestais que acusam o ambientalismo fundamentalista pelo agravamento da crise.

Florestas temperadas de clima subúmido exigem permanente manejo para evitar o adensamento excessivo da vegetação. Nas últimas décadas, porém, sob pressão de grupos preservacionistas extremados, reduziu-se tanto a exploração madeireira sustentável como a boa prática de incêndios controlados.

Na sua vastidão, os incêndios florestais nos EUA relacionam-se primariamente com o aquecimento global, mas é difícil negar a contribuição do acúmulo de matéria orgânica, viva e morta, nos estratos inferiores.

Os sistemas ecológicos tropicais da Amazônia e do Pantanal funcionam de forma diversa. O fogo é um componente deles, durante as estações secas, mas o intrincado tecido de superfícies líquidas opera como fator limitante.

Normalmente, focos amplos de incêndio acabam contidos pelos rios, furos, igarapés, corixos e lagoas de vazante. Incêndios tão extensos como os que estão em curso só podem ser explicados por ações humanas persistentes e deliberadas. [todos os grifos são meus (CL)]

O aquecimento global está na base dos incêndios, mas há fogos e fogos. Queimadas comuns para a limpeza de pastos não se confundem com as labaredas ateadas depois da derrubada criminosa de áreas de reserva legal com a finalidade de substituí-las por pastagens. 

O segundo fenômeno origina inúmeros dos incêndios amazônicos e pantaneiros. É que o crime compensa, quando o governo simula não vê-lo.

Desta vez, entretanto, a escala do desastre solicita um crime maior. Nos sistemas ecológicos do trópico úmido, incêndios que saltam incontáveis barreiras líquidas só podem nascer de fogos ateados simultaneamente ao longo de arcos de centenas de quilômetros.

Imagens de satélite indicam uma origem coordenada desses incêndios. A PF dispõe de meios para chegar aos organizadores de um crime ambiental aterrador. O obstáculo não é técnico, mas político: os criminosos agem à sombra do poder.

O Ministério do Meio Ambiente é parte do problema, não da solução. Seu titular, Ricardo Salles, não é um fanfarrão ideológico, um adorador de mestres místicos, um Weintraub qualquer, mas um operador profissional que serve aos interesses da devastação ambiental. Sua missão oficiosa consiste em desmontar os aparatos de fiscalização do Ibama e do ICMBio.

Restaria a esperança na ação dos militares, sob o comando de Hamilton Mourão. O vice-presidente fala, para alguns públicos, na proteção da floresta e ensaia a formação de uma força tática da Amazônia
Mas vale a pena apostar na figura que, em parceria com Salles, postou o célebre vídeo negacionista do mico-leão-dourado?

"Nós temos que fazer a contrapropaganda. Isso faz parte do negócio", justificou-se Mourão, confundindo o dever institucional de dizer a verdade com a guerrilha da informação típica do bolsonarismo de redes sociais.

O declínio de um vice que chegou a funcionar como contraponto civilizado de Bolsonaro mancha, inevitavelmente, a imagem das Forças Armadas.

Os militares são um símbolo perene da soberania nacional na Amazônia. A história os colocou na linha de frente da preservação do patrimônio ambiental constituído pelas florestas.

Hoje, porém, em nome de lealdades políticas circunstanciais ou de privilégios corporativos que se acumulam, eles curvam a espinha diante do crime ambiental. 

Isso não faz parte do negócio —e não será esquecido.​ (por Demétrio Magnoli)
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