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sexta-feira, 25 de agosto de 2017

DIZE-ME COM QUEM ANDAS...


Sartre dizia que fazer política é "mergulhar a mão na merda"
Lula se solidariza a Renan Calheiro face às investidas da Operação Lava-Jato e vai encontrar-se com José Sarney na visita que fará ao Maranhão. Alguma surpresa?

Não, nenhuma. Afinal, já sabíamos que ambos são bons companheiros do Lula (no sentido do filme de Martin Scorcese), assim como Fernando Collor, Paulo Maluf, Antônio Carlos Magalhães, Jader Barbalho e outros vilões com carteirinha assinada.

Minha única dúvida: é o Lula que não percebe as diferenças existentes entre ele e a corja dos políticos profissionais ou éramos nós que não percebíamos as semelhanças existentes entre o Lula e os ditos sujos?
Em 89, a campanha do Collor revelou a amante que Lula escondia

Enfim, como o Lula andou fazendo comparações futebolísticas durante as andanças pelo Nordeste com sua Caravana Rolidei, sugiro que, da próxima vez, esqueça o Neymar e cite quem realmente parece com ele: o Pelé.

Pois, ao deitar tão inoportuna falação em defesa de Renan Calheiros, campeão de processos no STF, o Lula se fez merecedor da mesma ironia que Romário certa vez lançou contra o rei do futebol: calado, ele é um poeta.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

O GOVERNO JUSTIFICA (?) AS PEDALADAS FISCAIS: "TODOS FAZIAM", "FOI POR PERÍODOS CURTOS"...

Adams: só por "períodos curtos".
A defesa formal da presidenta Dilma Rousseff no caso das chamadas pedaladas fiscais (*), entregue ao Tribunal de Contas da União pelo titular da Advocacia Geral da União Luís Inácio Adams, bate na surrada tecla do nós fizemos, mas os outros também faziam

Trata-se de uma saída pela tangente que, desde o mensalão, vem sendo amplamente utilizada como justificativa retórica de irregularidades e ilicitudes. Como é anêmica em termos legais, só recorre a ela quem não tem coisa melhor para alegar. 

Os petistas não estão mentindo, o rigor do Judiciário e da imprensa com relação às administrações peemedebistas, tucanas, etc., era mesmo bem menor. Mas, há um porém: foi exatamente para acabar com tais práticas viciadas e viciosas que tantos idealistas ralaram tanto para levarem o PT ao poder. Constatarmos que continua tudo como dantes no quartel de Abrantes é, no mínimo, desalentador.

Adams admitiu que as pedaladas realmente ocorreram, mas "em períodos curtos". Fico imaginando qual sentença receberia um réu que, indagado se estuprou, respondesse ao juiz: "Estuprei sim, mas foi por períodos curtos".

Segundo Adams, esse tipo de contrato de prestação de serviços é adotado há vários anos e não foi objeto de questionamento por parte do TCU em gestões anteriores:
"Os números da Caixa [Econômica Federal] mostram que existe uma sistemática com relação ao repasse dos bancos públicos em que havia situações de pagamentos descobertos. Essa prática tinha momento de volumes maiores ou menores, mas o fato é que ela se incorporou como uma realidade do ponto de vista do sistema de pagamentos".
O que não quer dizer absolutamente nada; se todo delito não punido servir como pretexto para delitos posteriores também não serem punidos, a impunidade vai eternizar-se e acabaremos numa geleia geral. Em algum ponto do caminho alguém tem de dar um basta!

Os petistas deveriam estar carecas de saber que corriam enorme risco de tal basta! ser dado quando chegasse a vez deles no Palácio do Planalto, daí o imperativo de não fornecerem, de mão beijada, motivos para acusações fundamentadas. Vacilaram e agora é tarde, Inês é morta. 

Fizeram, sim, o que todos faziam, mas fica ridículo pretenderem que não devam ser punidos porque outros não o foram. O homem comum, cujos deslizes fazem invariavelmente desabar sobre si todo o rigor da lei, não engole que os poderosos sempre escapem ilesos. Estão aí as pesquisas de avaliação de Dilma.2, que não me deixam mentir; nunca dantes neste país um governo foi tão rejeitado logo no seu sétimo mês, e isto se deve, em boa parte, à percepção generalizada de que é conivente com a avacalhação.

Uma das coisas que mais me incomodam no PT de hoje, tão distante daquele de 1980, é ter descambado para uma constrangedora amoralidade. Jogou os princípios no lixo e se move ao sabor das conveniências. 

Já fez alianças com vilões de carteirinha da política brasileira (José Sarney, Paulo Maluf, Fernando Collor, Renan Calheiros, ACM, Jader Barbalho, etc.). Já defendeu os piores segmentos do empresariado (é estarrecedor estar derramando lágrimas de crocodilo pelos grandes empreiteiros, apenas e tão somente para desacreditar a Operação Lava-Jato!!!). Já ajoelhou e rezou nos biliardários templos dos mais cínicos exploradores da fé. Já se omitiu vergonhosamente quando escabrosas ditaduras barbarizavam seus dissidentes. 

Parece nunca lhe ocorrer que, agindo assim, está levando o povo a crer que esquerdistas descumprem as leis, pactuam até com o diabo para obterem vantagens políticas, alinham-se com inimigos figadais sempre que lhes convém, são coniventes com vis estelionatários e estão se lixando para os direitos humanos. Um prato cheio para a propaganda adversa da direita e da extrema-direita.. 

PT, quem te viu, quem te vê... Quem não o conhece, não pode mais ver pra crer. Quem jamais o esquece, não pode reconhecer!

* atraso proposital, por parte do Tesouro Nacional, do repasse de dinheiro para autarquias e bancos (públicos e privados), com o objetivo de maquilar --melhorar artificialmente-- as contas federais.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

JÁ COMEÇOU A CAMPANHA DE DESQUALIFICAÇÃO DA MARINA

Emir Sader é um sociólogo petista que se apresenta também como cientista político. Fez, claro, um doutorado que lhe dá o direito de portar título tão pomposo, mas eu acho graça em atribuir-se cientificidade à política. 

Para entendermos os lances atuais da nossa política e dos nossos políticos profissionais, melhor instrumental nos dão Freud e Agatha Christie. Para explicar-nos os episódios do passado, bastam os historiadores. E, sem possuir estatísticas a respeito (alguém as tem?), suspeito que a taxa de acerto dos prognósticos de cientistas políticos seja inferior à de cartomantes, tarólogos e jogadores de búzios. 

O certo é que não vi ciência nenhuma na análise de Sader a respeito da candidatura de Marina Silva à Presidência da República, apenas wishful thinking de quem a teme e, desde já, a combate. Começando pelo título: A direita quer que Marina seja sua tábua de salvação (acesse o artigo clicando aqui).

Ou seja, é preciso martelar na cabeça do eleitorado de esquerda uma inexistente associação entre Marina e a direita, para favorecer a candidata que, como presidenta da República, jamais peitou pra valer o grande capital, o agronegócio, os bancos, os picaretas que exploram a fé e os militares que debocham da Comissão da Verdade, entre outros. E que nem sequer teve a coragem de dar asilo a Edward Snowden, mostrando ser uma criatura bem pior do que o criador, pois Lula não virou as costas a Cesare Battisti.

Para preservar sua respeitabilidade acadêmica, lá pelas tantas Sader coloca esta ressalva, seguida de mais veneno:
"Plenamente dispostos (?) a enterrar definitivamente ao (?) debilitado Aecio, a(?) vozes  da direita se excitam, entre frenesi e angustia de perder essa oportunidade. Não importa se Marina não é uma pessoa confiável. Que pode assustar os empresários do agronegócio. Que tenha suas manias ecológicas. O que importa é tirar o PT do governo. Depois a gente vê. Se ela  chegar a ganhar, vai precisar do apoio parlamentar e dos governadores tucanos, vai precisar da mídia. Se dá uns apertões e ela vai ceder, até porque não tem apoio próprio".
Erros de concordância e de regência à parte, o certo é que Marina bate de frente, sim, com o capitalismo. E exatamente no que ele tem de mais terrível e ameaçador nos dias atuais: o fato de estar simplesmente encaminhando a espécie humana para a extinção. 

Marina merece ser tratada com respeito, sem jogo sujo.
Se danosa ao extremo é a exploração do homem pelo homem e se deveríamos chorar lágrimas de sangue por continuar havendo tanta miséria e sofrimento inútil quando já estão dadas as condições para todos os seres humanos disporem do necessário para uma sobrevivência digna, é no front ecológico que se trava a batalha primordial do momento. Ou desarmamos a armadilha em tempo, ou poderá não existir século 22. 

Precisamos mudar radicalmente a sociedade em que vivemos, mas a prioridade primeira é assegurarmos que vá haver um amanhã, caso contrário todo o resto será inútil. Simples assim. E Marina, com "suas manias ecológicas", está bem no centro desta discussão, a mais importante para a humanidade quando já se vislumbra o Leviatã no horizonte.

Quanto à base parlamentar para garantir a tal da governabilidade, é engraçado o Sader tocar neste assunto, se lembrarmos que foi ela o motivo de o PT haver traído tantos princípios, incorrido em práticas tão condenáveis e colado sua imagem à de figuras execráveis como Paulo Maluf, José Sarney, Fernando Collor, Renan Calheiros, Jader Barbalho, ACM e que tais.

Marina é uma incógnita e Dilma, a certeza de que tudo permanecerá como dantes no quartel de Abrantes. Terá a acriana disposição e garra para, eleita, lutar verdadeiramente contra a podridão política, ao invés de a ela se adequar, ainda que a contragosto e cedendo a chantagens, como o PT tem feito desde 2002? Honestamente, não dá para sabermos agora.

Futrica de Sader: candidatura de Marina conviria à direita.
Assim como Sader não tem como saber se bastam "uns apertões e ela vai ceder, até porque não tem apoio próprio" -a opinião que ele atribui aos direitistas mas, no fundo, no fundo, quer mesmo é plantar na cabeça dos seus leitores. Os incautos podem passar batidos por tais sutilezas, mas não um jornalista veterano como eu.

Enfim, sugerir que adversários pertencentes ao campo da esquerda estariam sendo circunstancialmente úteis para a direita, sem exibir evidência nenhuma de anuência da parte deles, é apenas futrica -cujo arsenal, segundo Sader, já estava quase esgotado do lado da direita, mas parece ser inesgotável nos arraiais de certa esquerda que nada aprendeu nem esqueceu desde o stalinismo.

Por último, como sou um mero comunicador e não almejo à respeitabilidade acadêmica, vou fazer um paralelo futebolístico. Depois de o grande goleiro do tricolor paulista, falhando três vezes, propiciar nova desclassificação de sua equipe, o comentarista Juca Kfouri aconselhou-lhe a aposentadoria: "Rogério Ceni precisa escolher se gosta mais do São Paulo ou de si mesmo".

O PT também precisa decidir se gosta tanto de si mesmo a ponto de colocar em risco a permanência da esquerda no Palácio do Planalto. Pois só não vê quem não quer que, num 2º turno entre Dilma e Aécio Neves, o PSDB terá suas chances muito aumentadas em função do desgaste acumulado pelo situacionismo em três governos sucessivos, do desempenho pífio da economia brasileira e do desencanto que todos percebemos existir e já pipoca nas ruas faz mais de um ano.

Enquanto isto, a carismática Marina, personificando a mudança e trazendo esperança, tiraria a escada de Aécio (o antipetismo), deixando-o pendurado na brocha.

É algo em que os petistas deveriam pensar, antes de utilizarem contra uma adversária métodos que pegam mal até mesmo quando usados contra os inimigos.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

EFEITO CONTRÁRIO: KÁTIA ABREU ENCHE A BOLA DA MARINA E ESVAZIA A DA DILMA

A senadora ruralista Kátia Abreu (ex-DEM, atualmente no PMDB) afirmou que seria "desastroso" o sucesso da chapa do PSB na eleição presidencial de 2014. 

Motivo? Marina Silva teria contribuído "para que alguns preconceitos fossem construídos com relação ao produtor rural brasileiro como um destruidor do meio ambiente". 

Com a maior cara de pau, ela acrescenta: "E não somos isso". 

Acredite quem quiser. Eu creria antes na existência do Papai Noel e da fada dos dentes...

Está rindo do quê, Dilma? A Wanda choraria
Kátia afirma que foi um equívoco não votar na Dilma em 2010, mas apoiará sua reeleição.

Depois da amarga decepção que tive ao ver figurinhas carimbadas como o Sarney, ACM, Renan Calheiros, Jader Barbalho, Collor, Maluf e que tais aos beijos e abraços com o Lula, adoraria se a Dilma mandasse essa senhora procurar sua turma.

Lamentavelmente, temo que nossa ilustre presidenta vá continuar recebendo Kátia Abreu com um sorriso nos lábios quando esta for lhe levar (como disse que costuma fazer) as "demandas do agronegócio" --sem sequer cogitar a hipótese de pedir que seja designado(a) um(a) interlocutor(a) menos reacionário(a).

Eu seria capaz até de apostar em que ela aceitará de bom grado o apoio dos ruralistas em 2014, se estes o concederem. Nada é impossível na geleia geral brasileira...

Com o devido respeito, eu me espelharei em Cristo: "Meu reino não é deste mundo". Daí hoje avaliar como uma das maiores  roubadas  da minha vida ter-me deixado convencer a participar de uma campanha eleitoral. 

Se eleito, acabaria vomitando até as tripas por ser obrigado ao convívio frequente com  elementos ativos, ferozes e nocivos ao bem estar comum  como os acima citados; e enfartando de indignação quando não conseguisse impedir os vereadores paulistanos de outorgarem salvas de prata aos jagunços do asfalto.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

AGORA ENTENDO O LULA-LÁ: ELE ESTAVA CÁ E FOI PARA O LADO DE LÁ.....

Delfim Netto com o amigo de hoje
Houve um tempo em que Lula, o metalúrgico, era dr. Jeckyll para nós e mr. Hide para a direita. Chegou até a passar 31 dias preso no Deops, quando Paulo Maluf governava São Paulo.

No Brasil redemocratizado, o dirigente patronal Mário Amato garantiu que haveria uma fuga em massa de empresários para o exterior caso Lula chegasse ao poder. Derrotá-lo constituiu prioridade máxima para os grandes capitalistas nas três últimas eleições presidenciais do século passado.

Tudo mudou a partir de 2002, quando Lula, por intermédio do Zé Dirceu, pactuou com Mefistófeles... ou melhor, com Roberto Marinho e outros donos do Brasil.

Permitiram-lhe ganhar a eleição e ele permitiu que os banqueiros e demais expoentes da exploração do homem pelo homem dormissem tranquilos, com a certeza de que seus privilégios permaneceriam  imexíveis

Sucederam-se as fotos repulsivas de Lula aos beijos e abraços com figuras que ele e o PT antes acusavam de  inimigos do povo: Toninho Malvadeza, Renan Calheiros, Jader Barbalho, Fernando Collor, José Sarney, Paulo Maluf.

As mais chocantes foram as aproximações com Collor, que trombeteara para milhões de brasileiros sua infidelidade, a paternidade de uma filha ilegítima e a tentativa de convencer a mãe a abortar; e com Maluf, o antigo carcereiro, aquele cujo principal mote de campanha era "vou botar a Rota na rua!".

E muitos no mercado financeiro sabiam que uma execrável eminência parda ditava a política econômica do Governo Lula, enquanto os Paloccis da vida posavam de ministros de Fazenda: o serviçal predileto dos generais ditadores e signatário do AI-5, Delfim Netto. Isto foi antes do Lula sair do armário, quando ele ainda tinha certo pudor em assumir publicamente suas relações promíscuas.

Ahora, no más! O  estranho casal  hoje se exibe com total desenvoltura, a ponto de o Delfim alinhar-se com os principais empenhados em blindar a imagem de Lula durante o julgamento do  mensalão  e o tiroteio eleitoral.

Delfim Netto com os amigos de outrora
Na sua coluna desta 4ª feira (26), ele não hesita em insinuar que a mídia, assumindo "o partido que melhor reflete sua visão de mundo", está afrouxando "os compromissos com a moralidade pública", ao publicar com destaque os "excessos verbais" e a "agressão selvagem" que tucanos & cia. fazem a Lula.

Delfim  --pasmem!-- qualifica de  abusiva  a conduta de alguns meios de comunicação, por estarem  procurando maliciosamente, "no calor da disputa eleitoral, tentar destruir, com aleivosias genéricas, a imagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ignorando o grande avanço social e econômico por ele produzido com a inserção social, o fortalecimento das instituições, a redução das desigualdades e a superação dos constrangimentos externos que sempre prejudicaram o nosso desenvolvimento". 

Ele não se expressava de forma tão rebuscada ao bajular o carniceiro Médici. Sua retórica melhorou com o tempo.

O caráter, não. Coturnos ou sapatos, ele lambe o que for necessário para manter sua influência no círculo do poder

Quanto ao Lula, eu não chegaria ao extremo de afirmar que ele virou um  monstro  para nós. Mas, não resta dúvida de que os piores direitistas agora o veem como  médico.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

O PT FEZ PACTO COM O DIABO OU COALIZÃO COM JUDAS?

Em seu editorial desta 5ª feira (19), É dando que se recebe (ver íntegra aqui), a Folha de S. Paulo constata: houve um "repentino e acentuado aumento de emendas parlamentares liberadas em benefício do Partido Progressista (PP), do deputado federal paulista Paulo Maluf ... paralelamente à aproximação entre a agremiação malufista e o PT para apoiar a candidatura de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo".

Sem quê nem pra quê, a quinta maior bancada do Legislativo se tornou a segunda em acesso aos cofres da  viúva, superando o próprio PT e só ficando atrás do PMDB.

Os dados exibidos pelo jornal da  ditabranda  (cujas opiniões e interpretações costumam ser, no mínimo, discutíveis, mas que jamais ousaria distorcer informações que qualquer um pode checar) são conclusivos:
"Desde janeiro, o PP fora contemplado com a liberação de R$ 7,2 milhões. Nos últimos 30 dias, já obteve concessão para emendas [no Orçamento federal] que atingem R$ 36,6 milhões".
Desta vez, não há como discordarmos da conclusão da Folha:
"A estrutura pública, que deveria ser mantida à distância do jogo eleitoral, é instrumentalizada para servir a candidaturas e interesses partidários".
Não considero Maluf (veja seu perfil aqui) o pior diabo com quem o PT já fez pactos para atender a interesses eleitoreiros ou garantir a  governabilidade ao preço da amoralidade. Eu colocaria Antônio Carlos Magalhães, José Sarney e Fernando Collor no mesmíssimo patamar infernal. 

E faço questão de deixar registrado meu repúdio à promiscuidade do Partido dos Trabalhadores (ao qual me filiei antes mesmo de ele obter o registro na Justiça Eleitoral e do qual me desfiliei quando começou a negociar sua alma) com capetas menores como Renan Calheiros e Jader Barbalho.

Aliás, numa de suas frases mais infelizes, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou perceber qual a imagem que realmente tem desses aliados circunstanciais: ele os equiparou a ninguém menos do que Judas, além de invocar o santo nome do Senhor em vão, para tentar justificar o injustificável:
"Se Jesus Cristo viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão".
O que explica a facilidade com que ele aparece aos beijos e abraços com o  Judas  da vez.

E não hesita em favorecê-lo escancaradamente, usando como moeda de troca os recursos de que o Governo petista é depositário (não proprietário) e, por respeito à democracia e também às suas bandeiras de outrora, deveria destinar aos usos mais urgentes e necessários para a coletividade, não aos que sirvam para aumentar o prestígio de tal ou qual partido.
Obs.: por não haver, desta vez, incompatibilidade, estou publicando aqui também o artigo do blogue Diário de campanha do Lungaretti

quinta-feira, 21 de junho de 2012

O HOMEM QUE TODOS AMAM ODIAR: PAULO MALUF

Nunca antes neste país se viu um político detentor de enorme popularidade sofrer rejeição tão extremada e generalizada quanto a que o ex-presidente Luiz Inácio Lula experimentou ao serem divulgadas as fotos de sua alegre contraternização com Paulo Maluf.

É óbvio que tal reação foi principalmente a de um público bem informado, que se interessa pela política, acompanhando-a pela imprensa ou internet (nas quais aquelas imagens repercutiram da forma mais negativa possível). Até agora não se aferiu a impressão causada naqueles que veem Lula como o novo  pai dos pobres. Terão se indignado? Pelo menos sabem quem é Maluf?

E os bem pensantes, sabem?

Eu, que acompanho a carreira de Maluf desde os primórdios, sempre estranhei que estes últimos o erigissem no mais execrável de todos os execráveis políticos direitistas.

Em bateboca memorável num debate eleitoral de 1989, Leonel Brizola o qualificou várias vezes de "filhote da ditadura", o que não é toda a verdade.

Os  filhotes  paradigmáticos eram aqueles políticos inexpressivos e servis que  governaram São Paulo unicamente por terem o beneplácito dos ditadores, como Laudo Natel e Paulo Egydio Martins.

Maluf foi, isto sim, um sapo direitista que a ditadura ultradireitista engoliu. Com sorte e muita habilidade para cooptar e corromper delegados, três vezes conseguiu arrobar a festa.

Dona Flor e seus dois maridos
O governador Abreu Sodré escolheu Luiz Arroba Martins para ser nomeado prefeito de São Paulo, mas o dito cujo cometeu o deslize de, numa reunião no Palácio dos Bandeirantes, criticar o poder central. Imediatamente os militares o vetaram e Sodré foi obrigado a digerir a nomeação do pretendente alternativo, aquele presidente da Associação Comercial que Delfim Netto protegia. Assim Maluf se tornou prefeito (1969-1971).

Com seu estilo de  tocador de obras, fez muitas, tanto como prefeito quanto como secretário dos Transportes do Governo de Natel (1971-1975). E, claro, a corrupção correu solta --o que nunca foi novidade no Brasil. Vide seu antecessor mais célebre em SP, o interventor federal, prefeito e governador Adhemar de Barros, popularmente conhecido como o  rouba-mas-faz.

Agradeceria a Natel pelo trampolim disponibilizado para sua ascensão política... traindo-o e o derrotando de forma vexatória. Natel foi escolhido pelos militares para governar São Paulo pela terceira vez e pensou que os convencionais da Arena bateriam continência; não deu a mínima para eles.

Maluf visitou os 1.261, um por um e, com os argumentos sonantes  habituais, acabou seduzindo 617 e ganhando a convenção por diferença de 28 votos. Os fardados, estupefatos, cogitaram virar a mesa, mas acabaram se conformando.

Lula preso pelo Dops. Adivinhem quem era o governador...
Cansaram de afastar arbitrariamente os políticos opositores e os que, mesmo estando ao seu lado no momento da quartelada, depois passaram a defender a redemocratização do País. Hesitaram, contudo, em dar o mesmo tratamento àquele que era o maior dos seus puxa-sacos; Maluf só os contrariava no tocante a suas ambições pessoais, beijando-lhes abjetamente os coturnos em todo o resto.

A pior faceta de Maluf, o motivo que o faz mais merecedor de repúdio (no meu entender) foi, como governador (1979-1982), ter dado carta branca para a tropa de choque da Polícia Militar, a Rota, barbarizar os bairros pobres, atuando com truculência desmedida e exterminando marginais com sanha comparável à do antigo Esquadrão da Morte. Depois, em cada uma das quatro tentativas frustradas de voltar ao Palácio dos Bandeirantes, repetiu o bordão: "Vou colocar a Rota na rua!".

Vale lembrar que, em Rota 66 - A polícia que mata, o repórter Caco Barcelos documentou 4.200 casos (totalizando cerca de 12 mil vítimas inocentes) de assassinatos cometidos pela Rota nas décadas de 1970 e 1980, tendo como alvos, quase sempre, jovens pobres, pardos e negros, muitas vezes sem antecedentes criminais. Os cidadãos honestos atingidos por engano seriam em maior número do que os verdadeiros criminosos - cuja condição, claro, não eximia os policiais do dever de entregá-los à Justiça, ao invés de simplesmente os abater como moscas.

VALORES DISTORCIDOS

Para lembrar outro filme: "Dormindo com o inimigo"...
Até hoje me indigna que Maluf haja se tornado um criminoso procurado pela Interpol em razão de crimes financeiros e não como patrono e incentivador de assassinos seriais, responsável último por uma infinidade de execuções maquiladas em  resistência à prisão. Isto dá uma boa idEia da escala desumana de valores do sistema capitalista...

Nos estertores da ditadura, Maluf repetiu a proeza de conquistar os convencionais do partido governista, convencendo-os a não endossarem a candidatura oficial de Mário Andreazza. Mas, uma parte deles preferiu debandar e constituir o PFL, garantindo sua permanência no poder como aliados do PMDB.

Foi o fim das chances presidenciais de Maluf, que chegou perto mas não levou... felizmente! Teve de contentar-se em ser mais uma vez prefeito de São Paulo (1993-1996), mas a tentativa de nova decolagem enguiçou quando o sucessor que elegeu, Celso Pitta, teve gestão escandalosa e acabou rejeitado, como   ruim  ou   péssimo, por 83% dos paulistanos.

Lula salvou Sarney de ser escorraçado. Pode?
E Maluf acabou sendo mais execrado ainda do que Fernando Collor, o outro populista de direita importante das últimas décadas. Merece sê-lo por seu absoluto desprezo pelos direitos humanos, principalmente dos pobres e excluídos. Mas, no restante, corrupção inclusa, os dois são farinha do mesmíssimo saco.

Quanto a Lula, considero tão infames seus salamaleques com Maluf como com outros três grandes vilãos da direita: Collor (o cafajeste que invadiu sua intimidade e tornou público um assunto constrangedor --a existência de uma filha que ocultava-- para usá-lo como munição eleitoral), Sarney (vaquinha de presépio dos milicos que deu um jeito de continuar emporcalhando a cena política depois de 1985) e ACM (o coronelão nordestino que mais poder acumulou durante a ditadura).

Sei lá por que foi desta vez que o copo transbordou. Mas, a intuição do Lula parece ter evaporado, pois a consequência daquelas fotos era mais do que previsível.

terça-feira, 15 de maio de 2012

AS MALVADEZAS DO TONINHO E O ENXOFRE QUE EMPESTEIA O AR

Antônio Carlos Magalhães, um dos piores coronelões nordestinos, passou a ditadura inteira lambendo o coturno dos militares.

Quando ela estava no estertores, pulou da canoa furada e se compôs com o outro lado, o que lhe valeria adiante um cargo de ministro das Comunicações da Nova República (ou seria o de interventor da Rede Globo no Ministério das Comunicações?).

Na ocasião, houve quem perdoasse seu passado infame, propondo que ele não fosse mais apelidado de  Toninho Malvadeza. Chegaram até a sugerir a alternativa de  Toninho Ternura...

E, claro, ACM passou o resto da vida praticando suas malvadezas, a serviço das forças que mandavam no Brasil até 1985 e continuaram mandando depois de 1985. A dominação burguesa atravessou incólume a redemocratização, só mudando a indumentária dos seus serviçais no plano da política. Saíram os de farda e entraram os de terno, com a consequente adequação dos métodos para se atingirem os mesmíssimos objetivos -- como a troca do porrete pelo talão de cheques.

Será que agora assistiremos a uma idêntica  reabilitação  do Fernando Collor, por conta de suas diátribes contra a Veja?

É, sem dúvida, pitoresco vermos Collor acusando o chefe da quadr..., quer dizer, da sucursal da Veja em Brasília de "coautor do crime".

E não há o que objetarmos quanto a este repto que ele lançou:
"Desafio o chefe maior desse grupelho, o senhor Roberto Civita, a comparecer também à CPMI para falar da coabitação que, a seu mando, a revista de sua propriedade e alguns de seus jornalistas mantêm com o crime organizado".
Mas, devagar com o andor. Em brigas como a de Asmodeu com Astaroth ou do pseudo caçador de marajás com o carro-chefe do jornalismo de esgoto, manda a sabedoria popular que acreditemos piamente em tudo que um lado afirma sobre o outro, e em nada do que alega na sua defesa.

Nunca falha.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

LULA SE COMPARA À IGREJA UNIVERSAL: DIZ QUE AMBOS SÃO VÍTIMAS DE PRECONCEITOS


Para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quem continua esquerdista ao se tornar sexagenário tem um parafuso solto na cabeça.

Foi só uma frase infeliz? Não. Tratou-se, à sua maneira rústica, de uma declaração de princípios.

Pois, semana após semana, dia após dia, ele vai renegando todos os valores que dizia professar, e em nome dos quais os abnegados voluntários do Partido dos Trabalhadores fizeram campanha por ele, nas eleições perdidas para presidente da República (1989, 1994 e 1998) e governador (1982), bem como na que ganhou para a Câmara Federal (1996).

Em 2002 entendeu-se com o grande capital, para que lhe fosse permitido conquistar o ambicionado troféu que três vezes lhe escapara.

Este compromisso, ao contrário dos que firmou com os idealistas, ele cumpriu integralmente: os bancos registraram, ao longo de seus quase sete anos de governo, lucros estratosféricos. Estão entre os mais rentáveis do planeta.

Antes da última crise global do capitalismo, festejavam a cada mês novas quebras dos seus recordes de faturamento.

Durante a crise, receberam verdadeiras doações do Governo Federal, para que não estrangulassem o crédito aos que trabalham e produzem.

Em vão: usaram os recursos para precaverem-se contra as inadimplências, tratando apenas da salvação de si próprios.

Não por causa deles, o País se salvou. E os bancos continuam rapinantes, recebendo brandas admoestações de Lula pelos juros escorchantes dos cheques especiais e outros produtos.

Ao lado do puxão de orelhas de pai para filho, vem o conselho ao cidadão comum: administre melhor seus gastos!

Já tratou os retrógrados usineiros como "heróis" do nosso sofrido país.

Já colocou os interesses do agronegócio acima da própria vida do bispo Luiz Flávio Cappio.

Já renegou o uso do termo "burguesia" para qualificar os que antes ele designava como vis "exploradores".

Já fez as alianças políticas mais esdrúxulas, com desmoralizadíssimos partidos fisiológicos.

Já proibiu seus ministros Tarso Genro e Paulo Vannuchi de encaminharem, no âmbito do Executivo, a revogação da anistia autoconcedida pela ditadura a seus esbirros, obrigando-os a deslocar essa luta para a esfera do Judiciário.

Já salvou a cabeça de um dos símbolos do coronelismo brasileiro, José Sarney, além de haver aceitado e agradecido o apoio de outro, Antonio Carlos Magalhães.

Já apareceu aos abraços com figuras execradas da política brasileira, inclusive Fernando Collor, que tornou público seu adultério, sua filha ilegítima e sua tentativa de convencer a amante a abortar.

Já deu contribuição destacada para que o Brasil continuasse o país da impunidade, no qual políticos e seus corruptores nunca têm punição à altura dos seus delitos.

E, last but not least, já colocou o Exército a serviço da campanha eleitoral de um figurão da Igreja Universal do Reino de Deus, daí resultando quatro mortes estúpidas, além do péssimo precedente de trazer de novo as Forças Armadas para cuidar de questões sociais (da última vez, levamos 21 anos para reconduzi-las aos quartéis!).

Agora, necessitando dos votos da Igreja Universal para eleger Dilma Rousseff, não se vexou de equiparar a IURD a si próprio, como "vítima de preconceito"!

Prestigiando a inauguração de dois estúdios da TV Record em Vargem Grande (RJ), lembrou que a atriz Cristina Pereira, pertencente ao cast da emissora, fez campanha por ele: "Cristina saía para bater bumbo com um metalúrgico, vítima de preconceito, como a Record é vítima de preconceito".

Adiante, voltou a bater nessa tecla: "Acompanho os meios de comunicação no Brasil e sei o quanto a Record e o povo da Record foram vítimas de preconceito".

Só esqueceu um síngelo detalhe: ele próprio era vítima de preconceito por sua origem humilde, enquanto os outros são tidos e havidos como responsáveis por práticas financeiras ilícitas, lavagem de dinheiro (por meio da própria TV Record!), estelionato, curandeirismo e lavagem cerebral.

Constituíram bancadas, adquiriram influência política e têm conseguido sobreviver às muitas tentativas dos promotores de colocá-los atrás das grades.

Pior: arrancam até o último centavo de seres humanos fragilizados, que em seu desespero abrem mão dos bens materiais na esperança de obter retribuição divina.

E, como os nazistas faziam com os judeus, imantam seu rebanho unindo-o contra um inimigo comum, os cultos afrobrasileiros, alvos de uma perseguição religiosa que amiúde descamba para o vandalismo (outra reminiscência do nazismo e seus ferrabrazes).

Além dos dóceis eleitores da Igreja Universal, Lula também aprecia o tipo de jornalismo que a TV Record desenvolve, bem de acordo com sua noção de que o papel da imprensa é informar e não fiscalizar.

Assim, elogiou o investimento que a emissora está fazendo para a produção de novelas como uma "demonstração extraordinária de que acreditam no Brasil".

Acrescentou que a concorrência entre as emissoras de TV elevaria o nível do jornalismo e da cultura nacional, permitindo "que o povo brasileiro não seja vítima de alguns formadores de opinião que querem conduzi-la para formar um pensamento único".

Também aí esqueceu um singelo detalhe: a indústria cultural é mesmo altamente manipulatória, mas ainda se direciona a leitores e espectadores capazes de formar juízo próprio, enquanto a TV Record tem como objetivo último ampliar a legião de pobres coitados que atribuem qualquer evento adverso às maquinações do Capeta.

No auge das denúncias na imprensa, e mesmo quando apareceu na TV o registro chocante da divisão do butim, o rebanho fechou olhos e ouvidos à realidade escancarada, preferindo acreditar que era outra provação para testar sua fé.

E é isso que os poderosos sempre quiseram: transformar eleitores em zumbis. O que a IURD está aos poucos forjando é uma versão modernizada (e ainda mais nociva) dos currais eleitorais nordestinos, que Lula conhece tão bem.

O último dos singelos detalhes esquecidos é o de que essa máquina político-religiosa trabalha sempre ao lado dos que estão no poder... e ele, Lula, não durará para sempre.

Então, o seu legado poderá ser o de ter montado a engrenagem perfeita para evitar que, no futuro, algum sindicalista atrevido abra caminho na política, driblando todos os preconceitos, até chegar à Presidência da República.
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