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quarta-feira, 18 de novembro de 2020

TERÃO TRUMP E BOLSONARO SIDO APENAS UM MOMENTO PSIQUIÁTRICO NA HISTÓRIA? ESTAREMOS AGORA VOLTANDO AO NORMAL?

marcelo coelho
ELEIÇÕES MOSTRAM ALGUM ARREFECIMENTO
DO SURTO DESTRUTIVO BOLSONARISTA
D
e 2018 para cá parece ter havido alguma mudança. Maior controle sobre fake news? Contas extremistas bloqueadas? Robôs menos atuantes? 

A força demonstrada por partidos tradicionais nestas eleições não deixa de ser, em parte, resultado dos velhos filmetes e jingles da propaganda eleitoral, com sua propensão para buscar algum consenso mais centrista.

Assim como Antonio Prata, senti um grande alívio ao ver os primeiros pronunciamentos de Joe Biden depois da vitória.

Candidato sem brilho, meio engessado e com sabor de chuchu, ele se mostrou ao menos capaz de mostrar respeito pelas pessoas e pelo cargo.

Será que Trump e Bolsonaro foram apenas um surto, um momento psiquiátrico na História, e estamos aos poucos voltando ao normal?

A questão é que foi esse mesmo estado de coisas normal que produziu tamanhas aberrações. O desemprego, o desmonte do Estado, o crescimento do fundamentalismo evangélico, o ressentimento racista, machista e xenófobo —tudo isso vem de antes. Não sei o quanto políticos moderados e tradicionais, como Biden, são capazes de mudar esse quadro.

Estranhamente, o que estamos vendo é a colisão entre dois surtos: o do populismo de extrema-direita e o de
covid-19.

Bolsonaro e Trump poderiam ter se fortalecido na pandemia; bastava não se comportarem como Nero ou Calígula. O menosprezo pelas centenas de milhares de mortes aumentou sua rejeição —mas não tanto como seria justo esperar.

Poderíamos então pensar que, sem a covid, Bolsonaro não teria se saído tão mal nestas eleições. Não se trata de especulação ociosa: trata-se de ver se, quando tudo voltar ao normal, teremos de fato um declínio da extrema-direita.

Sem dúvida, Bolsonaro poderá amargar as consequências de uma recessão prolongada, de uma alta da inflação, de acordos fisiológicos, de escândalos em família e das inúmeras besteiras que ainda haverá de fazer. 

Mas fico em dúvida quanto à possibilidade de se desfazer o clima ideológico predominante. A classe média que votou em Bolsonaro se mantém firme, acho, na ideia de que os pobres têm de se virar por própria conta e que a atuação do Estado é um entrave para o desenvolvimento.

Verdade que a resistência ao racismo e à homofobia se mostra vigorosa, e há grande futuro político para quem representa os jovens negros da periferia, vitimados pela violência policial e pelas péssimas condições de ensino.

Não me parece igualmente forte a presença de políticos que defendam abertamente o fim da hegemonia neoliberal; com Palocci e Joaquim Levy no Ministério da Fazenda, Lula e Dilma seguiram a onda, que no fim os destruiu. 
Ciro Gomes, que concentra seu discurso na crítica ao neoliberalismo, não sei se terá tanta penetração.

E quando um dos principais adversários do bolsonarismo, hoje, é João Doria, a perspectiva de uma virada antidireitista continua distante.

Sim, Bolsonaro foi um surto, um ataque de fúria destrutiva e antidemocrática que tomou a maioria do eleitorado. O ódio ao PT e à esquerda arrefeceu. Guilherme Boulos e Manuela d'Ávila mostram força.

Mas os majores, os capitães e os delegados que se elegem vereadores por todos os cantos do país, por partidos tradicionais ou não, mostram que o declínio de Bolsonaro não é o declínio do bolsonarismo.

Uma volta aos políticos normais me traz grande alívio, claro. Mas o normal, passada a demência de Trump ou Bolsonaro, vai ainda precisar de muito conserto. (por Marcelo Leite)

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

O FINANCIAMENTO EMPRESARIAL DAS CAMPANHAS ELEITORAIS, POR ANTÔNIO PALOCCI (PhD EM PILANTROPIA)

"Um ano antes da eleição é muito comum o empresariado criar um tema de grande porte, normalmente tributário, para que possa, na negociação desse tema, trabalhar o financiamento das campanhas dos políticos com dinheiro público. Então vão ao Congresso buscar um benefício de US$ 1 bilhão para doar US$ 100 milhões... 

É uma forma de fazer com que a campanha futura seja paga com recurso público.

Isso é muito comum. Todo fim de ano anterior à eleição você vai ver uma demanda de grande porte do setor empresarial –normalmente aprovada maciçamente pelo Congresso porque 70% dos deputados estão vinculando o pagamento de suas campanhas a esse projeto." 
(Antonio Palocci, forte candidato a entrar para o 
Livro Guiness dos Recordes, categoria delações premiadas)

terça-feira, 19 de março de 2019

CARTA ABERTA AO LULA – 2

(continuação deste post)
"Não se faz isso com um companheiro"
Com a bifurcação conceitual de governo entre o nosso projeto de então e o projeto do PT, que se tornou cada vez mais evidente e distanciada, veio a nossa expulsão sob o argumento mentiroso de que a prefeita havia indicado um candidato do seu colete e sem qualificação à sua sucessão. 

Dalton Rosado, o modesto colaborador permanente desse blog, secretário de finanças da administração popular, foi o personagem pessoal dessa ocorrência política que bem demonstra o curso das coisas.   

Aliás, você mesmo, Lula, que me conheceu pessoalmente nas lutas populares em Fortaleza como advogado, e depois no exercício das minhas funções na prefeitura, sabia muito bem que eu não havia caído de pára-quedas, como tentou me rotular para o Brasil que não me conhecia. 

Não se faz isso a um companheiro sem que a História se encarregue de restabelecer a verdade com as devidas e cruéis consequências.  

O projeto do PT já havia passado a ser, mesmo antes de tal episódio, voltado para a mesmice do jogo político tradicional, no qual se exige muito dinheiro para participar com chance de vitória do processo eleitoral e, depois, para a conciliação com os poderes institucionais e corporativos. 

Daí para o envolvimento do PT com o que sempre houve de mais podre em termos de convivência política sistêmica foi um passo: o partido aceitou o fisiologismo como método de atuação política em todo o Brasil, passando a nortear-se, na prática, pela célebre frase com que o sinistro ministro Jarbas Passarinho justificou a assinatura do AI-5: “Às favas, sr. presidente, neste momento, com todos os escrúpulos de consciência!”. 
Outra expulsão traumática: a do ex-guerrilheiro Venceslau em 87

Os melhores e mais combativos quadros do PT foram paulatinamente alijados e substituídos pelos subservientes e pelos novos cristãos oportunistas (Delcídio do Amaral e tantos outros da mesma estirpe). 

Mas, confiar nos inimigos de classe nunca foi comportamento que trouxesse segurança para a esquerda que o adota, e o castelo de cartas começou a desabar com a auto-denúncia suicida de Roberto Jefferson, que fez balançar o PT no caso do mensalão e somente não lhe destituiu da Presidência da República em face de uma certa maré mansa da economia. 

Quando a marolinha virou um tsunami veio a Lava-Jato que trouxe à tona toda a podridão que permeia antes, hoje e sempre, o funcionamento da máquina estatal e os negócios de suas empresas milionárias com o mundo político e o empresariado privado. 

Assim, ruiu o edifício sobre cujo alicerce se erigiu um projeto político nascido sob a égide de pretensões populares ou revolucionárias e que descambou (como sempre acontece com poderes sob o comando fetichista da forma-valor) para uma negação de tudo que se possa conceber como emancipação popular. 
A Convergência Socialista, aqui vista desafiando a ditadura em 1978, seria expulsa do PT em 1992
Para os revolucionários, atingidos antes pelos desvios ideológicos do PT, e depois pelo descrédito que no Brasil de hoje atinge toda a doxa conceitual do pensamento libertador da humanidade, resta a humildade de, tal qual uma Fênix renascida das cinzas, aproveitar as experiências acumuladas e os desenvolvimentos teóricos das últimas décadas para tentar reconstruir e viabilizar o sonho de emancipação humana.

Se governar em prol do povo é impossível, porque o próprio Estado se constitui uma instância de governo opressora a serviço do verdadeiro poder (o econômico), criticar os governantes denunciando a natureza opressora desse mesmo Estado é tarefa possível e coerente.

É justamente a coerência da análise teórica e prática sobre os fundamentos sociais que estão na base do poder institucional que dá consistência à nossa crítica aos governos de direita, de centro ou de qualquer outro rótulo.  
Lula light em 1984, com Montoro, Brizola, Mário Soares...
[E até aos partidos de esquerda envolvidos numa aparente oposição sistêmica que somente contribui para a legitimação do poder que se diz voltado para o bem social, mas que é opressor na sua natureza ontológica.]

Caro companheiro Lula,

Hoje já consigo traçar um perfil daquilo em que você acredita como forma política ideal: aposta, como bom social-democrata, na humanização do capitalismo. 

A social-democracia é um hibrido de viés moderadamente esquerdista, com incentivo capitalista da produção; a estrela do PT não representa, portanto, fielmente a orientação político-ideológica do partido (a mão segurando a rosa, símbolo socialista, talvez fosse mais apropriada).

Social-democracia e liberalismo de direita são espécies de um mesmo gênero: o capitalismo. A primeira corrente quer um estado forte e intervencionista, keynesiano; e a segunda, um Estado mínimo e protetor das regras do livre mercado, do laissez-faire de Adam Smith. 

As diferenças são meramente políticas e terminam por aí, sempre convergindo para um mesmo proposito: a ontologização e permanência da mediação social sob a forma-valor.     

Mas, direitistas brasileiros são politicamente tão ignorantes que tomam você por comunista. Eles nem imaginam que você expulsou quase todos os comunistas do partido, só deixando ficar aqueles que lhe juraram fidelidade canina, como o ex-trotskista Antônio Palocci. 
Lula tinha confiança irrestrita no delator serial Palocci

Você escolheu mal em quem confiar, à direita e à esquerda.  

Aliás é esquisito como no Brasil os nomes dos partidos diferem do seu conteúdo, senão vejamos:
— o Partido da Social Democracia (PSDB) é de centro-direita, mais para o liberalismo ortodoxo do que qualquer outra coisa; 
— o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) é de direita, embora tenha o descaramento de se pretender herdeiro do trabalhismo getulista; 
— o DEM, tido como democrata, parece mais o Partido Republicano dos Estados Unidos. O Bob Fields [Roberto Campos] teria dado um grande presidente do Dem;
— o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) não passa de um amontoado de políticos fisiológicos, tanto que melhor seria chamá-lo de shopping-center da democracia
— o PDT, este sim herdeiro do trabalhismo getulista, agora está mais para Partido dos Ferreira Gomes, pelo menos até que outra mudança seja vantajosa para o clã; 
— o PC do B, Partido Comunista do Brasil, o que mais propõe é a retomada do crescimento, ou seja, mais capitalismo (é de fazer Marx remexer no túmulo 136 anos após a sua morte);
— o Psol faz lembrar aquela antiga propaganda de vodca, eu sou você amanhã;
— o PV, Partido Verde, é multicolor;
— e esse entreguista PSL, para fazer jus à grande maioria das notícias publicadas a seu respeito, deveria se chamar Partido Semeador de Laranjas(continua neste post)
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(por Dalton Rosado)

sábado, 19 de janeiro de 2019

"RASTEIRAS AMIGAS" NA DISPUTA PELO PODER: DILMA PRIVOU LULA DE RECUR$O$ PARA DISPUTAR A PRESIDÊNCIA EM 2014.

Nunca dei total crédito ao que o Antonio Palocci dizia e, na sua condição atual de faço-tudo-para-não-ficar-em-cana, a credibilidade que ele nunca teve diminuiu ainda mais. 

No entanto, os trechos que a colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, divulgou da delação premiada do Palocci são peças que se encaixam perfeitamente no quebra-cabeças que eu já vinha montando das relações entre Dilma Rousseff e Lula, ponto de partida das terríveis desgraças que se abateram sobre o PT nos últimos anos, com fortes repercussões no restante da esquerda.

Então, mesmo com muitas ressalvas, vale a pena trazer tal informação para o blog, permitindo que cada leitor tire suas conclusões. 

Eis o que há de mais significativo no relato da Mônica Bergamo:
O diabo riu por último...
"Segundo Palocci, havia uma ruptura entre Lula e Dilma e dois grupos distintos tinham sido formados dentro do PT. Ele diz que a briga entre os dois começou com a indicação de Graça Foster para a presidência da Petrobras.
A nomeação de Graça (...) representava 'meios de Dilma inviabilizar o financiamento eleitoral dos projetos de Lula retornar à Presidência'.
...naquele momento, Dilma tentava se afastar do controle de Lula.  ​[o ex-presidente da estatal Sérgio] Gabrielli era íntimo de Lula, ao passo que Graça era íntima de Dilma. Não havia qualquer intimidade entre Lula e Graça e a relação entre Dilma e Gabrielli comportava permanentes atritos'. 
...O ex-ministro diz que chegou a perguntar ao ex-presidente: 'Por que você não pega o dinheiro de uma palestra e paga o seu tríplex?'. E que Lula teria respondido que um apartamento na praia não caberia em sua biografia".
Resumo da ópera: se tudo isto for verdade, a responsabilidade da Dilma nos nossos infortúnios atuais terá sido imensa.

Diretamente, por sua teimosia em retirar do baú de velharias, no primeiro mandato, o nacional-desenvolvimentismo  da década de 1950, acreditando que, por meio de receitas de mais de meio século atrás faria o carro da economia pegar no tranco. O que conseguiu foi incubar uma formidável recessão, que abriu caminho para seu impeachment e para a volta da extrema-direita à Presidência da República.
E indiretamente, porque sua disparatada pretensão de equiparar-se a Lula, descumprindo o combinado entre ambos quando ele a carregou nas costas para o Palácio do Planalto, teve consequências nefastas ao extremo: 
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— a Presidência ficou praticamente acéfala durante o decisivo ano de 2015, ao fim do qual o grande capital desistiu de vez da Dilma e passou a apoiar sua deposição; e 
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— o abalo que tal situação de impotência deve ter provocado em Lula, o qual, a partir daí, começou a cometer erro após erro, até o mais amargo fim.

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

COM MAIS REALISMO E MENOS SOBERBA, LULA E DILMA TERIAM GARANTIDO A PERMANÊNCIA EM LIBERDADE

josias de souza
"O QUE SE PRETENDE É QUE LULA MORRA", DIZ GLEISI
A longevidade da prisão de Lula inquieta a cúpula do PT, produzindo ajustes na retórica oficial da legenda. O discurso que vendia Lula como herói da resistência vai sendo gradativamente substituído por uma pregação que o apresenta com um personagem frágil, cuja saúde estaria debilitada. 

Em discurso na tribuna do Senado, Gleisi Hoffmann, a presidente do PT, insinuou que a vida do prisioneiro corre risco. “O que querem é acabar com o Lula, o que querem é que Lula não sobreviva”, declarou Gleisi, antes de apontar o dedo para o futuro presidente da República e seu ministro da Justiça: 
"Eu quero dizer desta tribuna: o que se pretende é que Lula morra. É isso que estão fazendo. É esta a promessa de Jair Bolsonaro na Avenida Paulista: deixá-lo apodrecer na prisão. E esta é ação do senhor Sergio Moro, que não tem outra coisa na vida a fazer senão a sua vingança, o seu ódio contra Luiz Inácio Lula da Silva".
A solução humanitária seria fácil de obter antes. Agora complicou
Em meio a ataques dirigidos ao delator-companheiro Antonio Palocci, ex-ministro dos governos de Lula e Dilma Rousseff, Gleisi emendou: 
"Que fique bem claro: se algo acontecer a Lula, a responsabilidade é dessa Operação Lava Jato, que não tem nenhuma – nenhuma! – responsabilidade com a verdade, com as provas e com o devido processo legal".
O discurso foi proferido nesta 3ª feira (27), mesmo dia em que a 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal decidiu que julgará antes do final do ano o mais recente pedido de liberdade protocolado pela defesa de Lula. 

Nele, os advogados sustentam que Sergio Moro “revelou clara parcialidade e motivação política” ao condenar Lula. Alega-se que a hipotética falta de isenção do ex-juiz da Lava Jato ficou patente no instante em que ele aceitou o convite para ser ministro da Justiça da gestão Bolsonaro.

Moro dá de ombros para a acusação. Declara que Lula está preso porque cometeu crimes. Reitera que a sentença condenatória foi ratificada pelo TRF-4, que elevou a pena para 12 anos e um mês de prisão. ''Não posso pautar minha vida por um álibi falso de perseguição política'', afirmou Moro sobre o fato de ter migrado da Lava Jato para a Esplanada dos Ministérios.
De que adianta atacar Moro quando ele está na crista da onda?

O julgamento do recurso de Lula pode ser marcado para os dias 4, 11 ou 18 de dezembro. A hipótese de o preso ser libertado é considerada remota até pela oligarquia petista. 

Daí a mudança de tom. Tenta-se transformar o Lula livre numa espécie de causa humanitária. Preso desde 7 de abril, Lula deve passar o Natal, o Ano Novo e até o Carnaval na cadeia. (por Josias de Souza)
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Observações do editor: os leitores habituais deste blog conhecem a minha posição inarredável de rechaçar o encarceramento de idosos que tenham deixado de representar risco para a sociedade e não hajam cometido graves crimes contra a pessoa humana (homicídio, extermínio, genocídio, tortura, terrorismo (na acepção correta, de insuflar o caos por meio da violência, o que é bem diferente de resistir a tiranias), latrocínio, extorsão seguida de morte, extorsão mediante sequestro, estupro, tráfico de entorpecentes e propagação de epidemia com ameaça de morte).

Ou seja, coloco em plano inferior os crimes econômicos, como a falsificação e a corrupção. E nestes casos defendo que os idosos cumpram as penas respectivas em regime de prisão domiciliar, pois é desumanidade extrema privar da convivência familiar quem já sofre os agravos da velhice e se aproxima da morte. Como raciocino em termos de princípios e não de pessoas, nunca diferenciei, p. ex., Lula e Maluf neste aspecto.
Subestimar o perigo tende a ser sempre desastroso

Lamento, contudo, que Lula esteja agora nesta situação deprimente porque tantos dirigentes petistas irresponsavelmente não ousaram tentar incutir-lhe um mínimo de realismo no passado, preferindo deixá-lo entregue a suas fantasias. 

Já em setembro de 2016 eu alertava (vide aqui) que lhe era impossível vencer uma queda-de-braço com a Operação Lava-Jato, só lhe restando uma opção sensata, a de negociar com o outro lado, nos bastidores, sua permanência em liberdade.

E em junho de 2018, voltei a fazê-lo (vide aqui), pois percebi que não eram palavras ao vento que a colunista Mônica Bergamo revelou terem saído da boca de um ministro do STF: "'Mais tarde, [se continuar rejeitando a hipótese de prisão domiciliar] nem para casa ele vai".

Lula está aprendendo, da pior maneira possível, como foi insensato ao desperdiçar as oportunidades que teve de colocar-se a salvo. A última delas quando, poucas semanas antes de sua prisão, vangloriava-se de haver estado numa cidade da fronteira entre Brasil e Uruguai, em que, simplesmente atravessando a pé para o outro lado de uma avenida, ingressaria no território uruguaio (os acompanhantes que, em vão, o incentivaram a fazê-lo é que estavam certos!).
Dilma: faltou humildade para colocar-se a salvo por 4 anos
Assim como a Dilma poderá aprender da pior maneira possível que deveria ter tomado a decisão de disputar uma cadeira na Câmara federal, pois a vitória era favas contadas e lhe garantiria a permanência em liberdade pelos próximos quatro anos. 

Mas, com a soberba habitual, preferiu tentar a sorte numa eleição para o Senado e agora está com um pé na prisão, pois já se tornou ré e deverá ser o alvo principal do restante da delação premiada do Antonio Palocci. 

E, embora a veja como a principal responsável por todas as desgraças que se abateram nos últimos anos sobre o PT (prejudicando acentuadamente também a esquerda não-petista, pois o cidadão não faz distinção entre um e outra), caso a septuagenária Dilma seja condenada, também defenderei que cumpra sua condenação em casa. (por Celso Lungaretti)

terça-feira, 2 de outubro de 2018

O VALE-TUDO ELEITORAL TEM DEDO NO OLHO, CHUTE NA VIRILHA E DESFAÇATEZ ILIMITADA

Sempre combati a censura, primeiramente por princípio; e também por haver sido uma de suas vítimas menores.

É que a ditadura militar, afora os quatro processos que me moveu por subversão, também me fez perder tardes inteiras com um quinto, totalmente descabido, relativo à minha atuação jornalística (a acusação não tinha nem pé, nem cabeça, mas a lengalenga se arrastou por um tempão e só no julgamento o Ministério Público finalmente reconheceu o óbvio, recomendando minha absolvição). 

Então, tenho autoridade moral de sobra para dizer que a pendenga Folha de S. Paulo x STF não passa de uma Batalha de Itararé, aquela que não houve.

O ex-presidente Lula teve sua candidatura impugnada pela Justiça Eleitoral porque a corte entendeu que sua condenação na Justiça Comum o privara desse direito, de acordo com a Lei da Ficha Limpa.

Ora, se não pode ser candidato, evidentemente também não pode influenciar em grande estilo o resultado do pleito.

Nem de longe ele está sendo censurado, pois recebe visitas aos montes e esses visitantes dão a público tudo que ele que divulgar. Afora as cartas escritas dentro da prisão e amplamente divulgadas fora dela.

Se, além dessa situação tão especial, nem de longe estendida a outros presos, autorizar-se a realização de uma entrevista alguns dias antes do 1º turno, com direito à entrada na prisão da entrevistadora e "respectiva equipe técnica, acompanhada dos equipamentos necessários à captação de áudio, vídeo e fotojornalismo", o que se criará é, obviamente, um fato eleitoral de primeira grandeza. 

Publicada na véspera ou no dia do pleito, com o previsível estardalhaço, inevitavelmente influenciará decisões de votos. E dará a um cidadão que a Justiça Eleitoral considerou não estar no gozo de seus direitos políticos peso decisivo numa eleição presidencial! 

Como todos sabemos que Lula nada terá a dizer que já não haja dito zilhões de vezes e seus pombos-correios não cansam de repetir para os brasileiros, o que se quer é apenas criar um tipo de showmício às vésperas da eleição. 

A Folha clama por liberdade de expressão, mas o que realmente almeja é a liberdade de espetacularização da política, o que tem mais a ver com business jornalístico do que com quaisquer convicções ideológicas.

Sendo o Jair Bolsonaro um presidenciável totalmente inaceitável para os civilizados, eu até poderia ver bons olhos algo que servisse para diminuir o risco de uma invasão bárbara. Mas, não com tanta desfaçatez e de forma tão oportunista!
Passemos para outra distorção: concordo em gênero, número e grau com a avaliação de que a impugnação de 3,6 milhões de eleitores por não terem cadastro biométrico é uma aberração e, mais do que qualquer urna eletrônica, coloca a eleição sob suspeita, pois até as pedras das ruas nordestinas sabem que a grande maioria votaria no Lula.

E mais uma: salta aos olhos e clama aos céus que o juiz Sérgio Moro decidiu quebrar neste exato instante o sigilo de trechos da delação premiada do ex-ministro Antonio Palocci para causar consequências eleitorais. 

Desse jeito, vou acabar acreditando que os paladinos da Lava-Jato querem mesmo é que o candidato da suástica tupiniquim chegue ao Palácio do Governo, conforme afirmou um colunista do qual discordo em 99% das vezes (será esta a exceção que serve para confirmar a regra?).

A atual eleição está sendo muito educativa: põe a nu, elevadas à máxima potência, as mazelas da democracia burguesa.

É uma lástima que, pela desgraceira que a eleição de um nazista destrambelhado tenderia a causar, eu não possa, desta vez, recomendar a meus leitores o voto nulo. Sinto-me lesado...

sábado, 23 de junho de 2018

DELAÇÃO PREMIADA DO PALOCCI É HOMOLOGADA E PT PODERÁ TER SEU REGISTRO CASSADO

Antonio Palocci me faz lembrar um western italiano.

Antes que o leitor comece a suspeitar de Alzheimer, esclareço: refiro-me a um diálogo magistral do filme Quando os brutos se defrontam (d. Sergio Sollima, 1967), um dos que melhor conseguiu embutir assuntos sérios num enredo de ação, satisfazendo tanto aos espectadores que buscavam apenas emoções baratas quanto aos capazes de captar algo além do óbvio.

Mostra o professor tísico de um colégio de elite do Leste estadunidense (Gian-Maria Volonté) indo ao Oeste para, num clima quente e seco, tentar recuperar a saúde. Lá seu destino se entrelaça com o de um chefe de bandidos (Tomas Milian)  e acaba surgindo uma improvável amizade entre ambos. 

Mas, a interação os transforma. O selvagem desenvolve sentimentos nobres e o civilizado, ao mesmo tempo que se fortalece fisicamente, fica embriagado com o poder que seus conhecimentos e sua inteligência privilegiada lhe podem proporcionar entre os rústicos.

Acaba se tornando o líder de todos os foras-da-lei da região. E, quando desmascara e está prestes a executar um espião da agência de detetives Pinkerton, diz ao sujeito que, mesmo tentando passar-se por inculto, ele ainda deixava perceber que era uma pessoa estudada.

E o homem da Pinkerton lhe responde: "Já você é a pior espécie de parasita. Civilizado entre os civilizados, selvagem entre os selvagens, se adapta perfeitamente a qualquer ambiente e passa a manipular todos ao redor, tendo como único objetivo satisfazer sua ambição desmedida".   
Igualzinho ao Palocci, que, quando estava entre os idealistas, era simpático ao trotskismo e pertenceu à Libelu; depois, ao se ver diante das tentações da política profissional, cedeu a todas elas, mandou os escrúpulos às favas, tornou-se um ás da corrupção, encheu-se de grana, tudo fez para esmagar um coitadeza com sua autoridade ministerial e, preso, se revelou o maior delator serial do petrolão, com um comportamento mais vergonhoso ainda que o de muitos empresários cuja única ideologia era o enriquecei! capitalista.

E por que falar no Palocci agora? É que nesta 6ª feira (22) o Tribunal Regional Federal da 4ª Região homologou sua delação premiada. O acordo com a Polícia Federal de Curitiba já estava fechado e assinado desde abril, mas o Ministério Público Federal discordava.

Dois dias depois (!) de o Supremo Tribunal Federal haver decidido que a Polícia Federal também tem autoridade para firmar tais acordos, o TRF-4 correu a dar sinal verde ao Palocci para usar seus conhecimentos e sua inteligência privilegiada na inglória faina de safar-se da prisão passando por cima dos cadáveres (em sentido figurado, claro...) de quantos ex-companheiros de partido ele conseguir ferrar.

Até mesmo o registro do PT corre perigo, pois sabe-se que Palocci vai sustentar que o ditador líbio Muammar Gaddafi forneceu US$ 1 milhão para a campanha presidencial de Lula em 2002, o que é terminantemente vedado pela Constituição Federal:
Art. 28. O Tribunal Superior Eleitoral, após trânsito em julgado de decisão, determina o cancelamento do registro civil e do estatuto do partido contra o qual fique provado:I - ter recebido ou estar recebendo recursos financeiros de procedência estrangeira;II - estar subordinado a entidade ou governo estrangeiros... 
Se conseguir fornecer alguma prova concreta de que isto realmente aconteceu, Palocci poderá jogar a pá de cal no caixão do PT.

domingo, 20 de maio de 2018

DALTON ROSADO E O INFORTÚNIO DO PT: É NISSO QUE DÁ ACREDITAR NO CAPITALISMO!

Quando me sentei na cadeira de secretário de Finanças do primeiro governo petista de uma capital, em Fortaleza (1986 a 1988), e pude constatar o que representava a nossa administração popular do ponto de vista financeiro, comecei a questionar a validade de ali estarmos. 

A realidade financeira da prefeitura era caótica. Vínhamos de governos municipais (indicados pela ditadura militar) que haviam destroçado as finanças públicas; e a Constituição Federal que devolveria relativa autonomia financeira aos municípios só viria mais tarde, promulgada em 1988 e passando a vigorar no ano seguinte.    

Diante de um quadro de receitas inferiores às despesas, fomos obrigados a ajustar as contas públicas, sob pena de marcharmos para um colapso financeiro (algo que os nossos adversários auguravam e pelo qual torciam ansiosamente).

Ajustar as contas públicas significava negar as bandeiras sob as quais havíamos sido eleitos, quais fossem: 
As promessas eram sinceras, mas...
— pagar o piso salarial das categorias profissionais; 
— promover políticas habitacionais; 
— melhorar as condições de atendimento nos postos de saúde; 
— melhorar os salários dos professores e as condições das escolas públicas;
— promover o funcionamento e aumento da capacidade de acolhimento nas creches municipais;
— melhorar a coleta de lixo, principalmente nas favelas e locais de difícil acesso, que até então recebiam precariamente tais serviços; 
— melhorar a pavimentação de ruas esburacadas e implementar a pavimentação de novas vias públicas;
— melhorar as condições de iluminação pública;
— promover melhorias na questão cultural, trazendo para os bairros pobres entretenimento cultural de qualidade;
— melhorar as precárias condições de trânsito (em Fortaleza, havia uma absurda concentração de ônibus no centro da cidade para beneficiar os lojistas em detrimento do correto fluxo de transeuntes e usuários de ônibus); e
— conservar logradouros públicos, entre outras inúmeras funções de serviços públicos sob a nossa incumbência. 

Mas não havia condições financeiras para tal e, ainda por cima, nos eram cobrados os juros da dívida pública impagável (continua assim até hoje), com muito rigor; afinal, estávamos sob a égide do governo de José Sarney, a quem fazíamos oposição. 

Diante de todas as dificuldades que apontavam para uma situação de ingovernabilidade, a solução que a direção nacional do PT (e a direção do membros do PT local) nos apontava era a da conciliação com os eternos algozes do povo, como forma de minimamente assegurarmos a governabilidade. Ou seja, curvarmo-nos ao ou dá ou desce.
"José Dirceu veio comunicar o veto à minha candidatura"

Preferimos a via do combate e enfrentamos todas as dificuldades. Veio-me, já naquele longínquo ano de 1986, a certeza de que nós não deveríamos concorrer aos cargos eletivos do sistema porque isto significa defender o próprio sistema, à medida que se evidenciava a impossibilidade de combatê-lo por dentro. 

O PT acreditou na quimera de que poderia estabelecer uma relação esperta com os donos do PIB e sua elite política, que lhe permitiria fazer algumas concessões às demandas populares e, assim, perpetuar-se no poder acendendo uma vela a Deus e outra ao diabo. 

Mesmo sem guardar mágoa de ninguém, não posso deixar de me referir a um episódio que me afetou pessoalmente. Definida pelo grupo da prefeita Maria Luíza a minha condição de candidato a candidato dentro do PT, e como tínhamos condições de ganhar a disputa no âmbito municipal, tal pretensão foi vetada pela direção nacional por causa da minha postura (e do meu grupo) de combate à conciliação. 

Foi José Dirceu o emissário da direção nacional que veio comunicar o veto à minha candidatura. Ele, pelo menos, nunca negou o que fez, dando a cara pra bater; Lula, pelo contrário, se esconderia sob argumentos fantasiosos, como se eu fosse um mero pau mandado da prefeita. Insistimos e fomos expulsos do PT.
Seminário em 2017: nem mesmo o impeachment dissipou as ilusões na democracia burguesa!
O QUE É O ATO DE GOVERNAR SOB A ÉGIDE DO CAPITAL – Governar significa estabelecer uma relação direta com o capital. Nenhum governo pode opor-se ao capital a partir do exercício do ato de governar tendo como base os limites dos seus mesquinhos critérios segregacionistas.  

Isto vale também para o chamado socialismo real, pois todas as experiências marxistas-leninistas-maoístas tradicionais, embora baseadas em revoluções armadas, não se desvencilharam da relação de produção capitalista (sistema produtor de mercadorias). 

O grande capitalista passou a ser o próprio Estado, sem os novos dirigentes se aperceberem (ou se apercebendo e mantendo dita relação por oportunismo ou covardia) de que o poder reificador do fetiche da mercadoria submete a vontade política aos ditames ditatoriais da lógica de reprodução do capital.
Slogan de campanha do PT em 2002. Bons tempos...
Governar sob a égide do capital significa precisar de capital; e o capital, como sabemos, somente se reproduz de forma aumentada e cumulativa ad eternum a partir da subtração dos valores de quem o produz (os trabalhadores). 

Ora, isto significa que governar sob critérios das categorias capitalistas termina sempre na negação ao povo do acesso às riquezas abstratas produzidas pela trabalho abstrato e até das riquezas materiais existentes na natureza.  

Governar sob a égide do capital significa fazer concessões (leia-se corrupção) para se participar com chances de êxito do oneroso jogo político. 

A prática da corrupção (pela qual oPTou o Partido dos trabalhadores) torna vulnerável qualquer governo com tendência de esquerda aos olhos do sistema liberal democrático; e aí entra, como faca em melancia, o poder Judiciário, com a sua hipócrita pose de neutralidade. 

Foram ingênuos os governantes petistas em acreditarem que poderiam confiar nos Delcídios do Amaral e até mesmo nos Antônios Paloccis da vida, este último de repugnante postura acovardada e de traição aos seus companheiros de maracutaias.
Por Dalton Rosado

Acreditar no sistema capitalista, moldado e aperfeiçoado ao longo dos últimos cinco séculos, como algo que possa ser consertado por dentro, é como querer que o Pelé de hoje repita os chapéus que ele deu nos suecos ao fazer um dos gols mais bonitos de todas as Copas na final de 1958.

Acreditar em Papai Noel capitalista é nisso que dá!
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