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terça-feira, 26 de novembro de 2024

A BELEZA E O AFETO AINDA PODEM SALVAR O MUNDO!


Gabriel Garcia Márquez em seu famoso romance O amor nos tempos do cólera deixa de lado seu tradicional realismo mágico para falar do amor.  

O cólera, no caso, se refere a uma doença intestinal causada por uma bactéria, muito comum nos países pobres, que não impede a cena do amor tardio, mas realizado, e por ele narrado com a maestria do grande literato colombiano que é e que ganhou o Prêmio Nobel de literatura do ano de 1982 por sua magnum opus Cem anos de solidão.      

A paráfrase aqui usada serve para evocar os tempos atuais se modifica se usarmos a preposição “a” para a ligação com palavra cólera, que assim expressa sentimento de raiva e fúria, mudando de significado e dando sentido a este artigo de avaliação desses tempos coléricos. 

No seu famoso romance, Gabo, como era conhecido pelos seus, quis fazer a contraposição entre a dor e o amor para dizer que são sentimentos intrínsecos à existência humana e que podem coexistir e coexistem, apesar de tudo, e para a nossa sobrevivência, felizmente, no que diz respeito ao amor. 

Vivemos tempos esquisitos no sentido negativo desta palavra  - a cólera - no qual se invertem conceitos de virtudes e o mal passa a ser encarado como um bem como se houvesse nas mentes humanas um torpor induzido por um mecanismo esquizofrênico de comando que contraria os próprios interesses dos indivíduos sociais transformados em cidadãos; como numa ação suicida. 

O ser mercantil, que formatou a mercadoria e concomitantemente foi por ela formatado, age de tal forma inconscientemente induzido pela avidez de obtenção do quase único meio de sobrevivência que formatou socialmente  - trabalhar para ganhar dinheiro para comprar mercadorias em dinheiro -, que o meio se transformou num fim em si, e passou a adorá-lo.       

É evidente que todos nós gostamos e precisamos de um copo d’água para matar a sede; ou de um bom prato com alimentos bem temperados, que são substâncias concretas indispensáveis à sustentação da vida. Mas, para obtê-las, precisamos do dinheiro, algo abstrato, e é nesse momento e circunstância que passamos a idolatrar uma abstração numérica pelo simples fato dela ser o meio de obtermos o que precisamos.  

O meio se transforma num fim em si adorado, como dissemos. 

O que é mais greve nessa forma de relação social estabelecida por critérios de sociabilidades negativos inconfessáveis, mas tidos equivocadamente como “facilitadores” de vida social, tal qual um deus formatado pelos homens, é que a sua essência constitutivas intrínseca é desconhecida - porque esse segrego não lhes é esclarecido e ensinado -, ou seja, amamos o nosso algoz sem conhecer a sua negatividade, tal qual um toxicômano que se ilude com a alegria inicial, momentânea e ilusória da droga entorpecente que vai lhe escravizar.  

Costumo dizer que a mercadoria é uma droga; mas, coincidentemente, a droga é uma mercadoria. O traficante de drogas não consome a mercadoria que vende - embora, segundo o síndico Tim Maia, o Brasil é tão descolado da real que por aqui há traficante viciado -  mas é com a dependência dos seus “clientes” a elas que realiza o objeto do seu interesse: o dinheiro e a acumulação do mesmo.  

Como explicar a adesão do eleitorado inconsciente aos postulados da direita, que lhe são adversos na essência? 

Só se pode explicar esse fenômeno se se compreender que é a dependência do eleitor ao valor - representado pelo dinheiro, a mercadoria especial, e única que não tem valor de uso, bem como pela mercadoria sensível, que tem valor de uso e de troca -, inconsciente da essência de tal mecanismo, o fetichismo que faz com que ele queira assumir o lugar do seu escravizador a quem admira e desejar ficar rico, pois o capitalista age como gerente privilegiado do capital que o acumula e não quer e não pode distribui-lo.  

A cantilena ilusória da direita, num cenário de depressão capitalista no qual a obtenção - redução da média de salários e desemprego estrutural - e poder de compra do dinheiro, causada pela inflação, estão cada vez mais precarizadas, e que seus candidatos anunciam a solução do problema - dizem, do alto de suas prepotências enganadoras, que o mal, causado pela droga mercadoria, pode ser solucionado com uma dose maior do próprio mal -, para um ser que quer assumir o lugar de privilégio patronal e de seu representante político, torna-se muito atraente, ainda que a cada ciclo eleitoral sua ilusão se desvaneça e acredite no surgimento de um novo salvador da pátria como se todos sofressem de amnésia coletiva causada pelo torpor mercantil.  

Além dessa explicação fundamental, podemos dizer que o interesse imediato de obtenção de recursos e/ou privilégios pelo eleitor, que permeia todas as classes sociais, influi na eleição de modo complementar e decisivo que transforma todas as eleições numa corrida econômica de gastos e interesses particulares, que em tudo e por tudo é alheio ao interesse médio coletivo e de uma verdadeira participação social dos indivíduos conscientes na gerência dos seus próprios destinos.   

Disse Giordano Bruno, frade dominicano italiano, a caminho da fogueira, em condenação da Igreja Católica pela acusação de crime de heresia contra a teologia, já em 1.600: “que ingenuidade pedir a quem tem poder para mudar o poder”.   

A beleza e o afeto são inconciliáveis com a lógica do capital, justamente porque não há beleza e nem virtude na guerra concorrencial de mercado, mas apenas egoísmo e prepotência do vencedor sobre o vencido, que traz infelicidade a ambos, como nas vitórias pírricas. 

Exemplo de beleza da arte revolucionária é a estética que narra a beleza do sentimento contra a crueldade da truculência do regime de exceção expressa pela arte cênica, com Fernanda Montenegro e sua filha Fernanda Montenegro, no filme Ainda estou aqui, de Walter Salles, que é um forte libelo acusatório contra aqueles que ousaram matar premeditadamente em nome da “defesa da democracia” e obedientes ao comando da chamada “operação condor” orquestrada pelos Estados Unidos para a América do Sul.  

Mas para confirmar a força do sentido da beleza como capacidade transformadora, por paradoxal que pareça, um filme que aborda uma prisão seguida de morte por militares a um parlamentar que naquele momento era são e indefeso, é mais a história de uma família carioca - é locado na beleza natural de paisagem deslumbrante da cidade do Rio de Janeiro - de classe média com seus dramas e seu significado para os dias de hoje. Maravilhoso.   


Agradeço ao Alder Teixeira, pelo resgate da frase de Fiodor Dostoiévski na qual ele diz que “a beleza salvará o mundo”. Ora, do ponto de vista filosófico, a beleza é gênero do qual muitas espécies de virtudes nela se inserem, e entre elas o afeto que distingue o ser humano sensível do insensível.  

A direita é insensível ao drama humano tal qual um Mefistófeles sedutor, que na essência é um feio e cruel demônio que se traveste de uma cantilena de falso progresso capturando almas inocentes através da apropriação indébita dos seus esforços, corpos e mentes transformados em tempo-valor. 

Mas dá pra mudar isso!  (por Dalton Rosado) 

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

QUEM CONFRONTOU O OBSCURANTISMO MERECE NOSSA ETERNA GRATIDÃO

N
o dia 17 de fevereiro de 1600 foi queimado vivo, aos 52 anos, um mártir da luta do saber contra as trevas da ignorância e do fanatismo: o escritor, filósofo, frade dominicano, matemático, ocultista hermético, poeta, teólogo e  teórico de cosmologia Giordano Bruno. 

Aproveito a oportunidade para disponibilizar aqui a cinebiografia que leva seu nome, lançada em 1973, com direção do ótimo Giuliano Montaldo e Gian-Maria Volonté no papel principal. 

Desta vez não darei meus pitacos sobre o filme porque faz quase meio século que o assisti e, embora o tenha considerado excelente, a reconstituição explícita das torturas e violências que sofreu me revirou o estômago, a ponto de nunca ter reunido ânimo para uma segunda apreciação. 

Foi algo que só me ocorreu neste caso e no de Actas de Marusia (d. Miguel Littin, 1975), dentre as muitas dezenas de fitas com sequências de tortura que já vi. Por quê? Sei lá...

Para preencher a lacuna, eis um resumo da sua trajetória, a partir do texto de Dilma Frazão no site ebiografia (vide integra aqui):
Giordano Bruno, nome religioso de Filipo Bruno, nasceu próximo à Nápoles, filho dos nobres Giovanni Bruno e Fraulissa Savolino. 

Com 14 anos começou a estudar Humanidades, Lógica e Dialética, tendo aos 17 ingressado como noviço no convento Dominicano de San Dominica Maggiore. 

Ordenado sacerdote em 1572, doutorou-se em Teologia três anos depois. 
Durante seus anos de convento, interessou-se sobretudo por Aristóteles, Johannes Kepler e Erasmo de Roterdã. Defendia alguns textos que questionavam os princípios da Igreja.

Em fevereiro de 1576 fugiu para Roma, após ser submetido pelos próprios dominicanos a um primeiro processo de heresia. Logo depois abandonou o hábito e iniciou uma longa peregrinação.

Em 1578 foi para Genebra, onde adotou o calvinismo, mas, ao escrever um artigo contestando algumas ideias calvinistas, foi excomungado do movimento.

Em 1582 seguiu para a França, passando a lecionar em Toulouse. Em seguida se mudou para Paris, tendo oferecido ao rei Henrique III a obra As Sombras das Ideias. Escreveu também Sinais dos Tempos.

Dali seguiu para a Inglaterra, onde permaneceu até 1585 entre Oxford e Londres, sob a proteção do embaixador francês. Nessa época escreveu a trilogia Diálogos Italianos, El Candelero e La Cena del Niércoles de Ceniza. Após ser acusado de plagiar o trabalho de um colega foi expulso de Oxford.

Em 1591, Giordano Bruno foi viver em Frankfurt, onde se converteu ao luteranismo. Mais uma vez se desentende e sofre a excomunhão da Igreja Luterana.

No ano seguinte, conhece o nobre veneziano Giovanni Mocenigo, que o convida para visitar Veneza. Segundo alguns historiadores, foi uma armadilha para prender Bruno que, havia muitos anos, estava na lista dos procurados pela Inquisição.
Volonté: superlativo!
No dia 23 de maio de 1592, Bruno foi levado para o cárcere do Santo Ofício de San Domênico de Castello. Em Roma, após um processo que se arrastou por sete anos, a Inquisição o declarou culpado

As numerosas acusações contra Giordano Bruno eram baseadas em alguns de seus livros, que para a Igreja continham blasfêmia, conduta imoral e heresia aos dogmas católicos.

Para livra-lo da morte, a Santa Inquisição exigia a retratação integral de suas teorias. Quando questionado pelos inquisidores, destacava que suas ideias eram puramente filosóficas e não religiosas, mas o argumento não foi aceito (*).

No dia 18 de fevereiro de 1600, foi condenado à morte na fogueira e obrigado a ouvir sua sentença de joelhos. Nesse momento desabafou:
"Talvez vocês sintam maior temor ao pronunciar esta sentença do que eu ao ouvi-la".
Giordano Bruno foi queimado na fogueira, no Campo de Fiori, em Roma.

Ele prenunciou o avanço da ciência com suas teorias do universo infinito e da multiplicidade dos mundos.

Escreveu em defesa da teoria heliocêntrica de Copérnico, segundo a qual o Sol estava no centro do universo, contrariando a teoria geocêntrica imposta pela Igreja.

Afirmava que a Bíblia deveria ser seguida apenas por seus ensinamentos morais, para evitar contradições entre a religião e a ciência.

Escreveu
Do Infinito Universo e Mundos, que defendia que o Universo era infinito e estava inacabado, ou seja, não era a obra perfeita e concluída de Deus.

Afirmava que havia mundos habitados. Essas teorias avançadas iam de encontro a tudo o que a Igreja pregava e defendia.

* Não encontrei como esclarecer se é correto o desfecho mostrado no filme. A Igreja afinal teria resolvido poupar Giordano Bruno, oferecendo-lhe a salvação em troca apenas de ele confirmar uma confissão que fizera anteriormente, mas aí ele recusa. E justifica para um amigo, referindo-se ao inquisidor que lhe comunicara a oferta: "Havia sangue demais naquelas mãos". (CL)
 

quarta-feira, 8 de maio de 2019

CRISTO APOIARIA OS EVANGÉLICOS NUMA INVASÃO DA VENEZUELA?

Neste quinto mês de governo com a economia em recesso; queda do apoio da população; desconfiança dos mais pobres, dos professores, mulheres e trabalhadores rurais quanto aos efeitos da revisão da Previdência nas suas futuras aposentadorias; oposição de todos os organismos internacionais ligados aos direitos humanos; e rachadura com o vice-presidente comprometendo a relação com os militares, tudo parece ir mal com a família Bolsonaro no poder.

Fiéis ainda a Bolsonaro, só os evangélicos, hoje cerca de 30% da população. A quase totalidade, vivendo do salário-mínimo ou menos, seguia, ainda há alguns anos o líder Lula.

De formação primária, leitores de um livro só (a Bíblia), são alimentados ideologicamente por pastores, blogs e fake news produzidos pela direção dos diversos movimentos evangélicos.

Só um acontecimento marcante poderá evitar a degringolada do governo, saudado, na sua vitória eleitoral, como messiânico e uma intervenção direta da mão divina na política brasileira. Não é preciso ser vidente e nem ter os dons esotéricos do feiticeiro de Virgínia, Olavo de Carvalho, para adivinhar qual poderá ser o fator capaz de provocar uma união nacional em torno de Bolsonaro.

Bastará ocorrer um incidente militar com a Venezuela capaz de sensibilizar a opinião pública brasileira e provocar uma reação patriótica. Pode estar mesmo em gestação adiantada esse incidente, que colocaria o povo revoltado nas ruas pedindo vingança.

Imaginem uma armação, na qual um grupo de soldados brasileiros são metralhados dentro de nossas fronteiras por venezuelanos bolivarianos, sem faltar a filmagem do começo dessa afronta por um dos soldados, pouco antes de ser também baleado.

Numa situação dessas, no calor patriótico, será fácil convencer o povo da necessidade de uma resposta. E nem o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, conseguiria conter uma declaração de guerra.

Entretanto, o voto do grupo de deputados evangélicos e a pregação dos pastores evangélicos poderão evitar essa aventura guerreira.

Por isso, a questão que colocamos, diante dessa hipotética situação, é de cunho teológico – os evangélicos, professando uma fé baseada no amor e no perdão, aceitarão aprovar essa aventura guerreira?
O Deus do Velho Testamento é tão cruel quanto Júpiter...

Fizemos essa pergunta num reduto evangélico e obtivemos algumas respostas preocupantes e sintomáticas. A maioria preferiu não responder o que é também alarmante, pois como bons cordeiros esperam a decisão de seus pastores.

Os favoráveis a uma guerra de invasão da Venezuela se reportam ao Deus do Velho Testamento, que incentivava guerras de invasão, ocupação, tendo, numa delas, chegado mesmo a parar o Sol e a Lua no céu para dar a vitória ao seu povo contra os amorreus.

Esse trecho da Bíblia, contando uma intervenção direta de Deus numa guerra, está no Livro de Josué 10: 12 a 14 (1). 

Entretanto, embora tal narração reforce para muitos fiéis sua fé em Deus, um Deus guerreiro que não abandona seu povo, ela é absurda diante dos conhecimentos científicos que temos hoje da astronomia e movimento dos astros no Universo.

Pior ainda, durante séculos, esse trecho bíblico reforçou a crença praticamente transformada em dogma, de que a Terra era plana, fixa e que o Sol girava em torno dela. E muitos cientistas dessa época que provaram o contrário (como Giordano Bruno) foram queimados por apostasia. Galileu que afirmava ser a Terra que girava em tornou do Sol, só escapou da fogueira por ter-se renegado.
...diferentemente da imagem de um Deus paternal e compassivo

Pode parecer um tanto absurda aos leitores esta referência a um livro religioso, e mesmo aos sombrios anos da Idade Média. Porém, entendam, naquela época, em lugar dos evangélicos, era a Igreja Católica quem fazia a cabeça do povo e mesmo dos dirigentes, tendo como um dos argumentos principais o castigo da fogueira. 

Retornando ao nosso tema, justificar a necessidade de uma guerra contra a Venezuela não será difícil aos pastores evangélicos porque, neste caso, embora se digam seguidores da nova aliança criada por Jesus Cristo, prefeririam o Deus cruel de nome Jeová ou Adonai.

O qual, vale dizer, era tão cruel quanto o Júpiter, da mitologia greco-romana, que devorava seus filhos. Um exemplo, o Velho Testamento conta que Onã foi morto por praticar masturbação, coito interrupto ou cunilíngua, não se sabe ao certo, para evitar descendência (2).

Diante disso, entende-se o provérbio de Salomão no livro bíblico Eclesiastes, “o temor de Deus é o princípio da sabedoria”. A mensagem do perdão e do amor divino veio com Cristo, mas persistiu a pena da punição eterna, assimilada ao fogo do inferno.

No Catecismo de Westminster, um dos livros básicos doutrinários do presbiterianismo consta a possibilidade da guerra justa, um conceito flexível que não impediu tantas guerras injustas, como o ataque e invasão do Iraque.
Billy Graham no Maracanã (1974)

O que se passa hoje nos EUA é semelhante ao Brasil. Um terço da população, a com menos poder aquisitivo ou a camada popular, é evangélica praticante ou fundamentalista.

Diante da dificuldade de terem uma vida terrena melhor social e economicamente, aderem em massa ao culto da transposição de suas esperanças para o além depois da morte, com as prometidas riquezas e delícias espirituais do céu, não bem explicadas, junto de Deus.

O evangelismo atual nasceu do fundamentalismo ou interpretação literal das Escrituras, defendido pelo pastor presbiteriano Carl McIntire, que morreu em 2002 com 95 anos e esteve em São Paulo nos anos 60, quando pronunciou conferências no Teatro Municipal (um de seus seguidores no Brasil foi o pastor Boanerges Ribeiro, que durante 12 anos dirigiu o Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana).

O mais conhecido defensor do evangelismo atual era o pregador Billy Graham, que enchia estádios nos Estados Unidos e mesmo noutros países, proclamando a necessidade de um reavivamento cristão, que era também moral e conservador.

Para quem se surpreendeu com a cerimônia evangélica transmitida pela televisão, tão logo confirmada a vitória do candidato Bolsonaro na eleição presidencial, vale lembrar que a posse de Bill Clinton também se assemelhou a um culto evangélico com oração por um pastor, canto de hino evangélico e presença de Billy Graham.

Os democratas perderam o pouco da simpatia que lhes restava dos evangélicos estadunidenses, transferida para o atual presidente Donald Trump.  
Aliás, a maioria dos evangélicos já estava com os republicanos dos presidentes pai e filho Bush (o sonho dos Bolsonaros seria de repetir isso no Brasil). Em 2001, logo depois do atentado islamita contra as Torres Gêmeas, os evangélicos deram total apoio à guerra de Bush contra o Iraque, chamada de a guerra contra o terror da nova Babilônia.

Na verdade, se fosse uma guerra de reação contra os atentados praticados pelos islamitas, o alvo seria o Afeganistão, onde vivia Bin Laden, e não o Iraque (cujo dirigente era ateu) e contra os islamitas. Porém, para os EUA a guerra não era uma vingança, mas visava outra coisa: o petróleo iraquiano.

Hoje, a Venezuela não é chamada de Babilônia nem atacou ninguém, mas o pretexto é acabar com o marxismo ou comunismo, embora a ameaça de bolivarização da América Latina não exista. Esse pretexto, contudo, é suficiente para mobilizar os evangélicos e obter seu apoio com orações, pregações e talvez até soldados combatendo em nome de Deus.

Mas, a razão principal do interesse dos Estados Unidos pela democracia na Venezuela é bem outra. Trata-se da mesma que provocou a guerra no Iraque e gerou o caos reinante até hoje no Oriente Médio: tomar posse do petróleo.
Um artigo de Rui Martins

A participação do Brasil – que está entregando docilmente seu petróleo sem guerra – tornará a invasão uma questão latino-americana, evitando um confronto direto dos EUA com a Rússia, disposta a defender Maduro.
notas 
1 Sobre o Dia mais Longo
Josué 10: 12 a 14
12 Então Josué falou ao Senhor, no dia em que o Senhor entregou os amorreus na mão dos filhos de Israel, e disse na presença de Israel: Sol, detém-se sobre Gibeão, e tu, lua, sobre o vale de Aijalom. 
13 E o sol se deteve, e a lua parou, até que o povo se vingou de seus inimigos. Não está isto escrito no livro de Jasar? O sol, pois, se deteve no meio do céu, e não se apressou a pôr-se, quase um dia inteiro. 
14 E não houve dia semelhante a esse, nem antes nem depois dele, atendendo o Senhor assim a voz de um homem; pois o Senhor pelejava por Israel. 
2 Sobre Onã e masturbação
Gênesis 38:8 a 10
Então disse Judá a Onã:
Toma a mulher do teu irmão, e casa-te com ela, e suscita descendência a teu irmão.Onã, porém, soube que esta descendência não havia de ser para ele; e aconteceu que, quando possuía a mulher de seu irmão, derramava o sêmen na terra, para não dar descendência a seu irmão. E o que fazia era mau aos olhos do Senhor, pelo que também o matou.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

FIM DE PAPO: ONU NÃO VAI DESCASCAR O ABACAXI PARA O LULA. SÓ INGÊNUOS ACREDITARAM EM FINAL FELIZ

A ONU hoje está mais para um inócuo muro de lamentações...
Infelizmente, o Lula está aprendendo da pior maneira possível o acerto de todos os alertas que nós, revolucionários, lhe vimos fazendo há uma eternidade:
— que a Justiça, na democracia burguesa, sempre tem um viés favorável à classe dominante; 
— que as eleições, na democracia burguesa, só dão acesso ao poder de decidir sobre miudezas e ninharias, mas as decisões realmente importantes são impostas pelo poder econômico; e 
— que direitos, na democracia burguesa, só temos garantidos aqueles que conseguimos defender nas ruas, com militantes organizados e combativos, pois sempre haverá formas e subterfúgios para nos negarem aqueles que estão nos textos legais.
Desde a década de 1980 o Lula tudo sempre fez para tanger o PT à participação no sistema, ao invés de apostar suas fichas no combate ao sistema. Perdeu: o sistema o condenou.
Uma palavra de ordem cai no vazio quando foi mal escolhida

E agora, após o Judiciário ter validado o impeachment da Dilma e depois de sua própria condenação seguida de encarceramento, só agora o Lula vem colocar em dúvida a independência e a lisura dos togados?! Um pouquinho tarde, não?

Eis as lições a serem extraídas dessa sequência de erros e fracassos:
— NÓS precisamos desencanar, de uma vez por todas, de que seja possível vencermos a burguesia no estádio da burguesia, com a burguesia como torcida única e o juiz roubando em favor da burguesia. Nossa luta não é na Praça dos Três Poderes, mas sim onde se encontra a fonte primeira do poder: tem de ser travada nas ruas, praças e locais de trabalho, pois é lá que o povo está.  
Já passou da hora de irmos até o povo para mudarmos verdadeiramente a sociedade, e não para incutir-lhe ilusões conciliatórias e reformistas durante a estação de caça ao voto (e, depois da posse, lhe causarmos terríveis decepções).
— Quanto ao LULA, se não quiser tornar-se o decano dos presidiários da Lava Jato, precisa desencanar, de uma vez por todas, do sonho de uma noite de verão de que lhe permitirão sair de Curitiba como um vitorioso.  
Afinal, não vieram até aqui para, quando estão com a faca e o queijo na mão, jogarem no lixo o fruto de todos os esforços desenvolvidos desde a virada de 2015 para 2016 (foi quando decidiram que não queriam mais o PT como parceiro menor, pois a fase seguinte seria de imposição de rigores à sociedade e não de continuarem fazendo as pequenas concessões necessárias para manter a ilusão da conciliação de classe).  
Será que o Lula acha este um bom lugar para ficar?!
É hora de o Lula dar um fim às estridências e litigâncias inúteis, liberando os quadros mais sensatos do partido para negociarem, nas esferas política e jurídica, sua passagem ao regime de prisão domiciliar. 

O que mais rola nos bastidores é que, caindo na real, ele irá para casa em 2019. 

Caso contrário, vai continuar indefinidamente mofando na hospedaria do Moro.  

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

VEJA, EM VÍDEO, UM MENINO JESUS DIFERENTE: O DE CHICO BUARQUE.

Assim como o leopardo nunca perde as pintas, a Igreja Católica jamais se conformou com a perda da autoridade que no passado detinha para censurar, mutilar, banir e emascular tudo o que lhe desse na telha, chegando a colocar obras inteiras no index e, muitas vezes, seus autores na fogueira. O martírio de Giordano Bruno lançará uma sombra sobre o Vaticano até o final dos tempos!

Em pleno século 20 a Igreja ainda tentava determinar o que seu rebanho poderia ou não curtir, mas os tempos eram outros e de nada lhe adiantou classificar de blasfemo o filme O bebê de Rosemary (de Roman Polanski, 1968) nem excomungar o Je vou salue, Marie  (de Jean Luc-Godard, 1985). Quase ninguém ligou, salvo o inacreditável presidente José Sarney, que mandou proibir a exibição do segundo, esquecido de que no Brasil vige a separação entre Igreja e Estado.

Curiosamente, o Vaticano não adotava a mesma postura patética e obtusa com relação à música popular, de forma que Lúcio Dalla e Paola Palotino não sofreram idênticas perseguições por implicitamente compararem os relatos bíblicos sobre Cristo com as desventuras de uma mãe solteira e do seu filho bastardo, que acaba se tornando conhecido na zona do cais como Menino Jesus.

A versão que Chico Buarque fez para o Brasil é belíssima; e foi providencial a mudança nos arranjos (de autoria do maestro Rogério Duprat e do Magro do MPB-4), que tornaram a canção mais lenta e melancólica.

Eis algumas informações mais, do site do Dr. Zen:
"A música Minha História tem alguns fatos curiosos na sua gênese e na própria justificativa do seu nome. A música original, 4 marzo 1943, também é conhecida como Gesú Bambino — Menino Jesus em italiano — foi composta no início dos anos 70 na Itália por Lúcio Dalla e Paola Palotino e abordava a história das mães solteiras adolescentes sob a ótica dos filhos, frutos de relacionamentos com soldados estrangeiros no período da 2° grande guerra, daí seu subtítulo: Os filhos da guerra. A versão italiana foi premiada com o 3º lugar do Festival de San Remo de 1971.  
Chico Buarque, amigo de Dalla, com o brilhantismo de sempre, adaptou a letra para nossa realidade tratando a música sob o prisma de um filho de uma prostituta de caís. O compositor brasileiro brincava em relação ao subtítulo da música italiana, dizendo que sua música seria chamada Os filhos da puta. Brincadeiras à parte, Buarque resolveu colocar o nome de Menino Jesus. 
Era tempo de ditadura, os militares não gostaram e, como era comum na época, censuraram. O cantor resolveu colocar o nome definitivo de Minha história". 

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

GRANDES NOMES DA HISTÓRIA

Rei Leônidas: comandou os 300 guerreiros espartanos que resistiram até a morte ao poderoso exército persa do rei Xerxes.

Jesus Cristo: sabendo que teria como destino morrer na cruz, aceitou sacrificar-se em nome de suas crenças.

Filósofo Giordano Bruno: preso e torturado pelo Santo Ofício por mais de sete anos, recusou salvar-se com uma tímida abjuração, preferindo morrer, porque, segundo suas palavras, havia "sangue demais" nas mãos dos inquisidores.

Tiradentes: assumiu toda a culpa e isentou os outros conspiradores de responsabilidades pela Inconfidência Mineira, afirmando que "se dez vidas eu tivesse, dez vidas eu daria para salvar as deles"


General Charles Gordon: era uma lenda viva no Oriente quando decidiu permanecer em Khartoum, cercada pelos fanáticos guerreiros do Mahdi, na esperança de que os britânicos, intervindo para salvar sua vida, evitassem o massacre da população. A cidade caiu e ele morreu.


Presidente Getúlio Vargas: na iminência de sofrer impeachment, respondeu com o suicídio e uma dramática carta-testamento que motivou as forças populares a reagirem, impedindo a tomada do poder pelos conspiradores direitistas.


Presidente Charles De Gaulle: fazia questão de, durante os atentados que sofria dos terroristas da OAS (inconformados com a retirada dos colonialistas franceses da Argélia), mostrar total indiferença às balas que zuniam a seu redor.


Comandante Joaquim Câmara Ferreira: barbaramente torturado durante a ditadura varguista, garantiu que isto nunca se repetiria. Preso no regime militar, atracou-se com os torturadores, confrontando-os vigorosamente até forçar um ataque cardíaco.

Companheiro Presidente Salvador Allende: recusou a oferta dos golpistas de Pinochet, que lhe permitiriam sair do Chile, num avião, com os seguidores que escolhesse. Falou ao povo pela rádio, despedindo-se e manifestando sua confiança num destino socialista. E deu cabo da vida.   

Bobby Sands: militante do Exército Repúblicano Irlandês (IRA) que morreu após sustentar uma greve de fome por 66 dias contra o jugo inglês.


José Serra: em 2010, interrompeu sua campanha presidencial na reta final, para recuperar-se do terrível trauma que sofreu ao ser atingido por uma bolinha de papel e um rolinho de fita crepe.
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