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sábado, 1 de agosto de 2020

O 30º ANIVERSÁRIO DO FORO DE SÃO PAULO ME FEZ RECORDAR O SLOGAN DE 1968: "NÃO CONFIE EM NINGUÉM COM MAIS DE 30 ANOS"

Começou com pompa e circunstância...
Em notícia que entrou no ar há algumas horas no site da Folha de S. Paulo, Fábio Zanini relata:
"Para celebrar os 30 anos do Foro de São Paulo, o PT e a nata das ditaduras latino-americanas participaram de um debate online na 3ª feira (28)...

O evento reuniu os ditadores da Nicarágua, Daniel Ortega, e da Venezuela, Nicolás Maduro, além do líder do regime ditatorial cubano, Miguel Díaz-Canel.

Foi mediado pela dirigente petista Mônica Valente, secretária-executiva do Foro, que reúne 123 partidos de esquerda de 27 países da América Latina e do Caribe.

Apesar da presença estrelada, o debate teve audiência pífia, com menos de 800 visualizações até a tarde desta 6ª feira (31) no canal do PT no YouTube, que o transmitiu conjuntamente com a Presidência de Cuba.
Desde o seu surgimento o Foro demonstrou que eram factíveis novos objetivos de luta, de construir uma sociedade mais justa e com igualdade de oportunidade para todos, disse Valente na abertura, após chamar Ortega, Maduro e Diáz-Canel de companheiros.
...e hoje definha melancolicamente...
Criado em 1990 por inspiração do então ditador cubano Fidel Castro e do petista Luiz Inácio Lula da Silva, o Foro de São Paulo viveu seu auge na primeira década deste século, quando diversos presidentes de esquerda chegaram ao poder. 

Nos últimos anos, perdeu influência com o refluxo da onda vermelha, mas continua sendo pintado como uma espécie de bicho-papão pela direita, sobretudo apoiadores do presidente Jair Bolsonaro. O Foro, segundo eles, seria uma perigosa ameaça comunista que justificaria a radicalização do discurso conservador".
NÃO TOLERO LERO-LERO – Vou abster-me de entrar na tediosa discussão sobre se os regimes venezuelano e cubano são ou não ditaduras pois, seja lá o que forem, seu peso na definição dos rumos da humanidade se tornou infinitesimal e, parafraseando o poeta Cacaso, chegando aos 70 anos não tolero lero-lero, preferindo aproveitar o tempo que me resta com questões realmente importantes.

Então, reproduzi a notícia do Zanini apenas porque evidencia:
— o fim de feira a que foi reduzida aquela esquerda que, na década de 1990, acreditava ter chegado ao paraíso mesmo sem haver acabado com o capitalismo;
— que, além de não ter dado contribuição significativa para a revolução latino-americana, o tal Foro alavancou poderosamente a rearticulação dos inimigos, que o utilizaram como espantalho para colocar os bestalhões bovinizados em pânico e para arrancar generosas contribuições dos ricaços reaças (está aí o Olavo de Carvalho que não me deixa mentir).

E, por falar no dito cujo, o Fôro de São Paulo foi o pivô da polêmica que travei com o guru charlatão no final de 2007 (vide aqui). 
...só servindo para picaretas do alarmismo faturarem sua grana
Creio já ter esgotado o assunto quase 13 anos atrás, nada havendo a acrescentar agora (minha única dúvida é se a melhor ilustração para o significado da atual efeméride é a palavra-de-ordem das barricadas parisienses e a canção dela derivada – Com mais de 30 – ou o filme Mamãe faz 100 anos, então usei ambos):
.
"Esta polêmica começou quando toquei num calo dolorido dos profissionais do anticomunismo. Em 1964 eles usaram a conspiração comunista internacional como bicho-papão para assustarem a classe média e conseguirem êxito em sua segunda tentativa de usurpação do poder, depois que a resistência legalista fez abortar o golpe de 1961.

Não há espantalho igualmente apropriado nos dias de hoje. Então, para suprir a lacuna, eles tiveram de satanizar uma inexpressiva reunião de partidos e organizações de esquerda da América Latina, o Foro de São Paulo, apresentando-a como uma sinistra articulação para, nas palavras de OC, reivindicar o poder ditatorial sobre todo o continente.

Ou seja, Chávez e Morales estariam em vias de hastear a bandeira bolivariana em Wall Street, privando OC da segunda pátria que é a primeira no seu coração...

Efeméride tão retrô merecia um cartaz destes 
Evidentemente, eu só poderia comparar um disparate desses a fantasias cinematográficas como Moscou Contra 007 e O Rato Que Ruge...

Onde está a comprovação documental de que Brasil e Argentina, as nações com peso decisivo na América do Sul, estejam sendo teleguiadas pelo Foro de São Paulo, em vez de perseguirem seus próprios objetivos geopolíticos? Em lugar nenhum, claro!

Os saraus da esquerda sempre produziram um blablablá triunfalista que nada tem a ver com a correlação real de forças. Aí vem um OC da vida, pinça meia-dúzia de arroubos retóricos, junta com uma interpretação distorcida dos fatos e sai trombeteando que o continente americano inteiro está a caminho de se tornar uma constelação de ditaduras esquerdistas.

Se tivesse um mínimo de honestidade intelectual, ele esclareceria que existem apenas alguns candidatos a caudilhos com projetos populistas-autoritários de perpetuação no poder, sem ruptura real com o capitalismo. Nem de longe a perspectiva de novos regimes castristas; quanto muito, tentativas de bisar o PRI mexicano.

Mas, claro, nunca se pode esperar sinceridade dos manipuladores políticos. E menos ainda daqueles que servem de gurus para os medíocres e ressentidos, fornecendo-lhes explicações simplistas para seus fracassos cotidianos: 
A culpa é do Governo Lula! O Governo Lula é de esquerda!Então, a culpa é da esquerda!
Embora se pavoneie como autoridade em lógica, OC só parece ter verdadeira afinidade com os sofismas".  
(por Celso Lungaretti)

sábado, 26 de outubro de 2019

QUE BELO ESPETÁCULO É A REJEIÇÃO DOS RIGORES CAPITALISTAS EM ESCALA AMPLA!

Equador em estado de exceção desde o dia 3
demétrio magnoli
DA REVOLUÇÃO
 À REVOLTA
Vladimir Putin atribuiu a revolução ucraniana de 2014 a um complô americano. 

O governo chinês menciona a mão negra da Casa Branca quando fala das manifestações em Hong Kong. 

Segundo Filipe Martins, o sábio assessor internacional do Planalto, “os recentes movimentos de desestabilização de países sul-americanos” derivam de “uma estratégia definida pela ditadura cubana, por sua proxy venezuelana e pela rede de solidariedade que as sustenta”. Quando o temível Foro de São Paulo estala os dedos, milhares erguem barricadas em Quito e Santiago... 

A razão conspiratória é o lar compartilhado por regimes ditatoriais e ideólogos primitivos. A agitação social não se restringe à América do Sul. No Líbano e no Iraque, protestos de massa coincidiram com as mobilizações chilenas. Bem antes do Equador, os coletes amarelos conflagraram as cidades francesas, motivados também por aumentos nos combustíveis. Há algo aí, além da coincidência temporal.

São histórias singulares, países diferentes, modelos distintos. Numa ponta, a França social-democrata, com desigualdades moderadas e taxas letárgicas de crescimento econômico. Na outra, o Chile liberal, com rápida expansão econômica e fortes contrastes sociais. 
Na França, os coletes amarelos estão prestes a completar 50 semanas de mobilização
Porém, em todos os casos, a centelha da revolta são cortes de subsídios de transportes, elevações de preços da gasolina, tributos sobre produtos ou serviços de consumo geral. No Líbano, a faísca foi uma taxa sobre ligações por WhatsApp.

A primeira década do século, um longo ciclo de expansão mundial, deixou um rastro de gastos públicos insustentáveis. Os ajustes em curso, que refletem a redução do crescimento global e se destinam a reequilibrar as contas públicas, são os alvos das manifestações. 

Não é pelos 20 centavos: o conflito organiza-se em torno de contratos sociais em mutação. Como repartir a conta da austeridade? A pergunta, cedo ou tarde, chegará ao Brasil, como uma mancha de óleo. Tomem nota, Bolsonaro e Guedes.

Os governos nascem das urnas, sob a lógica da dinâmica político-partidária. As revoltas nascem das ruas, na moldura da desintermediação política generalizada. 
Mais de 1 milhão de manifestantes foram às ruas de Santiago nesta 6ª feira (25)
Os partidos declinam, as redes sociais tomam o lugar que foi deles. Nas margens, minorias radicalizadas explodem coquetéis molotov, enfrentam a polícia, desafiam até mesmo soldados. 

O quebra-quebra carece de respaldo majoritário. Contudo, que ninguém se iluda: os manifestantes contam com extenso apoio popular.

Não são levantes espontâneos, algo inexistente no planeta da política. Nas ruas, destacam-se as bandeiras de sindicatos, entidades estudantis, grupos organizados. Mas a desintermediação tem um preço, expresso pela ausência de lideranças definidas e de agendas nítidas de reivindicações.

As redes sociais operam como máquinas de replicação. O recuo de Emmanuel Macron, que anulou o tributo sobre a gasolina, animou mobilizações em terras distantes. 

Libaneses não aceitam pagar mais pelas ligações por WhatsApp
A retirada do equatoriano Lenin Moreno ajudou a acender o pavio em Santiago. No fim, sitiado, o chileno Sebastián Piñera desistiu do discurso da guerra, ofereceu desculpas ao povo e improvisou um pacote social. 

Sem um Pinochet (ou um Xi Jinping), o programa ultraliberal converte-se em utopia: uma ideia fora do tempo.

Derrubar o governo —a meta extrema emergiu em todos os lugares, logo depois da conquista inicial. Os coletes amarelos pedem nada menos que a renúncia de Macron. A mesma exigência surgiu no Equador e, nesses dias, ecoa no Chile. 

A revolução, venerável senhora, o maior dos mitos modernos, levantou-se da cadeira de balanço?

Revolução, só com intermediação política. Não basta clamar pela queda do governo: é preciso definir os contornos de um poder alternativo e o desenho de um novo contrato social. 

A era das redes sociais, esse outono dos partidos, assinala um retrocesso. A revolução política cede à revolta social. (por Demétrio Magnoli).

Toque do editor  É pena que, analisando tão bem a onda de revoltas que varre o planeta, Magnoli tenha encerrado o artigo com três parágrafos pífios. 

Eis aquilo de que ele ainda não se deu conta ou reluta em admitir: os governos (que) nascem das urnas, longe de estarem em condição de acentuada superioridade com relação às revoltas (que) nascem das ruas, como parece ser a convicção de Magnoli, tendem, isto sim, a se tornarem cada dia mais instáveis. 

Isto se deve ao fato de a crise capitalista estar chegando ao descontrole. Então, neste exato momento, a revolução entendida como a consolidação de um poder alternativo e o desenho de um novo contrato social também pode ser colocada no balaio das utopias fora do tempo.

Tudo indica que, primeiramente, virá a mãe de todas as depressões econômicas (ela tenta dar o ar de sua desgraça desde 2008!) e só depois, quando a humanidade for juntar os cacos, é que se abrirão janelas de oportunidades para a substituição do primado da ganância pela priorização do bem comum.

Mas, trata-se de um tema complexo e que exige abordagem extensa, então eu deixarei para pegar tal touro pelos chifres depois que a poeira baixar. Por enquanto curtamos, ao vivo e em cores, essa rejeição dos rigores capitalistas em escala ampla. É um belo espetáculo! (por Celso Lungaretti)

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

HEIL, BOLSONARO!

Houve dois discursos do presidente Jair Bolsonaro na abertura da Assembléia Mundial da ONU:
— um para consumo interno no Brasil, que deve ter entusiasmado seus fieis devotos, por verem seu mito ofendendo países e se fazendo de valentão; e
— outro para os representantes de 192 países reunidos em Nova York, que devem ter-se espantado com seu estilo grosso, com sua arrogância e petulância, com seu vergonhoso discurso francamente de extrema-direita.

Tanto num como no outro, houve muitas mentiras, facilmente desmascaradas com fotos, como no caso dos incêndios na Amazônia. Houve provocações, ofensas, ameaças veladas... 

Tudo somado, surge um balanço negativo para o Brasil. Sua maneira surpreendeu e retira do Brasil uma respeitabilidade conquistada e mantida desde a criação da ONU.

E há esperanças? Há esperanças para nosso futuro próximo? Não, não há, nenhuma. 

A maioria dos brasileiros continuará acreditando ainda mais em Bolsonaro que nos seus críticos. Por falta de cultura e por não ter uma ideia do que representa a ONU no cenário internacional.

Agora, o mito, no seu retorno ao Brasil, será considerado machão, embora, na verdade, possa ser colocado o país num isolamento internacional.

Mas chegou também a hora de se deixar de se falar em Bozo, de se tratar o presidente como idiota. Não é por aí que se conseguirá reverter a situação política no Brasil. Ele até que pode ser, ou se fazer como se fosse, mas, ali na tribuna da ONU, lendo seu discurso, ele se comportou como um líder nacionalista de extrema-direita, um Hitler tupiniquim.

Ele não treme quando mente e nem quando cita um versículo bíblico como e conhecereis a verdade e a verdade vos libertará (deveria ser, isto sim, e conhecereis a mentira e a mentira vos enganará.

Não se deve subestimar os inimigos mas, infelizmente, é isso o que vem fazendo a esquerda, dividida e petrificada em torno de Lula. 

Nossa esquerda não pode existir sem o culto do personalismo? Qual foi o resultado? O povo brasileiro, que não evoluiu do populismo, foi induzido a crer agora, com fé religiosa, num mito antipetista.

Existe no Brasil um partido socialista com um programa bem definido, cujas bases principais tivessem sido popularizadas e bem explicadas para proteger o povo do surgimento de mitos? Não, e o resultado é um governo capaz de destruir em quatro anos, tudo quanto já foi construído no passado.

Em todos esses anos de avanço social, a esquerda não soube se unir para evitar o estrago atual. E houve mesmo um momento em que a esquerda poderia ter eleito quem, além de prosseguir com um programa social, incluía um programa de respeito ao meio-ambiente, à ecologia contra o aquecimento do planeta e proteção da Amazônia.
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MENTIRAS POR ATACADO

Há alguma esperança à vista? Não, nenhuma.

Enquanto isto, Bolsonaro continuará tentando mudar nossa história, negando ter havido um golpe e contando a lorota de que o Brasil esteve à beira do socialismo.

Nosso führer não tem vergonha de falar em desregulamentação no trabalho, mesmo porque os pobres não têm ideia do que isso significa. E bate bem na tecla que lhe garantiu a vitória – os valores familiares e religiosos que formam nossas tradições.

Mais além trombeteia igualmente sua homofobia, sempre se escorando nos evangélicos. Bolsonaro, o líder nacionalista que defende nossa soberania, não diz ser o evangelismo um produto de importação estadunidense, made in USA, responsável pela destruição  gradativa de nossa cultura.

O presidente aproveitou a oportunidade de ter uma tribuna mundial na ONU para atacar Cuba, Venezuela e proferir ameaças ao Foro de São Paulo, uma provocação que foi um insulto aos esforços de Oswaldo Aranha no passado.

O teto não lhe caiu na cabeça, quando com o maior cinismo, proferiu as seguintes mentiras nuas e cruas: “Meu governo tem um compromisso solene com a preservação do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável…nossa Amazônia (…) permanece praticamente intocada. Prova de que somos um dos países que mais protegem o meio ambiente”.
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SOBERANIA BRASILEIRA E INDÍGENAS

Menosprezando a inteligência dos presentes, Bolsonaro afirma que os incêndios na Amazônia são invenção da mídia, pretexto para se declarar em defesa da soberania brasileira, para logo mais adiante elogiar o presidente Trump, ao qual ninguém ignora sua sujeição.

Ao enumerar os 14% de terra indígena protegida, Bolsonaro se esquece de mencionar serem alvo de ataques constantes e argumenta em favor da assimilação dos indígenas, como se com isTo passassem a ter maiores direitos e proteção, quando ocorre justamente o contrário.

Esquece de contar, como diz fora da ONU, que não deixará um centímetro quadrado para os índios, e aproveita para criticar o líder indígena Raoni, indicado como candidato ao Prêmio Nobel da Paz.

Deixa veladamente uma ameaça aos índios das reservas Ianomâmi e Raposa Serra do Sol, que vivem em terras ricas em ouro, diamante, urânio, nióbio e outros minérios.

Para justificar, seu desejo de utilizar as terras indígenas para a agricultura intensiva, além das exploração de seus minérios, Bolsonaro afirma que apenas 8% das terras brasileiras são utilizadas, enquanto a  França e Alemanha utilizam 50% de suas terras.

Não faltou um elogio ao ministro Sérgio Moro, embora dentro do Brasil circulem notícias de sua próxima queda. (por Rui Martins, de Genebra)

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

A SIGLA "URSAL" É UMA PIADA DE 2001 QUE NOS FEZ RIR DO CABO DACIOLO EM 2018

O bombeiro Daciolo Fonseca dos Santos, conhecido como cabo Daciolo, tem 42 anos. Dá para imaginarmos o quanto ele deve ter sonhado com a popularidade que o 1º debate entre os presidenciáveis lhe proporcionou. Talvez até imaginasse que os pastores evangélicos um dia mencionariam seu nome nos sermões, como exemplo de religioso exemplar.

Bem, as chances de ele ser citado nos sermões aumentaram, mas não como ele gostaria. Isto porque é bem capaz de Daciolo servir para personificar aqueles que, segundo Jesus Cristo, deveriam ser perdoados por não saberem o que faziam...

Entre outras sandices, Daciolo perguntou a Ciro Gomes: "O que pode falar sobre o Plano Ursal? Tem algo a dizer para a nação brasileira?”.

Quando o adversário negou estar envolvido com, ou mesmo conhecer tal plano, Daciolo insistiu: seria a União das Repúblicas Socialistas da América Latina, fundada para estabelecer em nosso continente algo semelhante à antiga União Soviética (cuja sigla era URSS). 

E, triunfante, concluiu: “No nosso governo, o comunismo não vai ter vez". 

Como a Ursal era uma ilustre desconhecida do distinto público, a imprensa resolveu apurar de onde surgira tal disparate. 

E acabou descobrindo que se tratou apenas de uma galhofa da socióloga e professora universitária aposentada Maria Lúcia Victor Barbosa que, em artigo publicado em dezembro de 2001, indagou, debochando do alarmismo direitista acerca do Foro de São Paulo:
"Mas qual seria, me pergunto, essa tal integração no modelo Castro-Chávez-Lula? Quem sabe, a criação da União das Republiquetas Socialistas da América Latina (Ursal)?"
Ou seja, a piada de 2001, que se evidenciava claramente na utilização do termo pejorativo Republiquetas, não só confundiu os obtusos de então, como continua sendo até hoje levada a sério pelos Daciolos da vida. 

O que vem demonstrar quão profético foi o rei do entretenimento P. T. Barnum (1810-1891), em sua frase mais célebre: 
"Nasce um otário a cada minuto e, com a explosão populacional, logo deverão estar nascendo cinco otários por minuto".
Um desses cinco, nem preciso dizer quem seja... 

sábado, 11 de agosto de 2018

SE AS PROPOSTAS DOS PRESIDENCIÁVEIS FOREM PRA VALER, O ITAMARATY SOFRERÁ UMA INVASÃO BÁRBARA EM 2019...

patrícia campos mello
A MARAVILHOSA POLÍTICA EXTERNA
DO ALCKMIN, DO BOLSONARO E DO PT
A senadora Ana Amélia (PP), candidata a vice na chapa do tucano Geraldo Alckmin, acha que tudo bem o governo brasileiro fechar os olhos para a mania da Rússia de sair envenenando as pessoas com armas químicas, desde que o Brasil fature alguns milhões de dólares por não condenar o Kremlin. 

“Quando houve aquele episódio na Inglaterra do envenenamento do russo (Serguei Skripal, que foi envenenado junto com a filha com Novichok), vários países, a começar pela Inglaterra, impuseram sanções à Rússia, sanções de natureza econômica. O Brasil não fez nada, não teve nenhum gesto e a Rússia mantém o embargo à carne suína brasileira”, disse a senadora em entrevista à Reuters nesta semana. O mercado russo está fechado para a carne suína brasileira há oito meses.

“O Brasil deveria aproveitar esse episódio e dizer: olha, a negociação comercial, a relação comercial com a relação político-diplomática estão caminhando juntas. Nós não fizemos nenhuma ação de represália ou de sanção então deem um gesto de boa vontade, para abrir a porta para a carne suína brasileira que continua sob embargo. Eu tenho essa visão, eu acho que esse é o pragmatismo comercial, uma visão na área da relação comercial bastante clara.”
"Nada como uma política externa pragmática, certo?"

Nada como uma política externa pragmática, certo?

Depende. Exatos oito anos atrás, o então chanceler, Celso Amorim, foi duramente criticado por tucanos ao justificar a visita do ex-presidente Lula à Guiné Equatorial, governada há quase quarenta anos pelo ditador Teodoro Obiang. 

“Negócios são negócios” disse Amorim, e chamou de “pregação moralista” as menções às violações dos direitos humanos cometidas pelo ditador.

Não há muita diferença entre Obiang e Putin, um autocrata no poder desde 1999, cujas violações de direitos humanos na Rússia são amplamente divulgadas.

Ana Amélia vem apimentar o chuchu insosso de seu parceiro de chapa —vale lembrar que a senadora foi aquela que equiparou a rede de TV Al Jazeera, do governo do Qatar, à facção terrorista Estado Islâmico.

Política externa certamente não está entre as prioridades do eleitor brasileiro (ou de qualquer país, na realidade). Mas o tema sempre revela muito sobre a personalidade –e ignorância— dos candidatos a presidente e seus vices.

O candidato Jair Bolsonaro (PSL) copia sua plataforma de política externa do americano Donald Trump. Bolsonaro já disse que, caso eleito, vai tirar o Brasil do Acordo do Clima de Paris, tal como seu vizinho do norte.
A insanidade de um réprobo da civilização...
Não vou nem entrar no mérito sobre a diferença do Brasil, um dos países mais bem equipados para enfrentar o desafio do aquecimento global, e dos EUA, e quanto o Brasil teria a ganhar se abraçasse com mais ênfase –e não abandonasse– a negociação climática.

Bolsonaro também declarou que vai transferir a embaixada do Brasil em Israel de Tel Aviv para Jerusalém. Com isso, o Brasil se uniria à multidão de quatro países –Estados Unidos, Honduras, Guatemala e Paraguai– que mudaram sua embaixada e irritaram profundamente nações árabes, além de minar as já combalidas negociações entre israelenses e palestinos. 

Mas, afinal, para Bolsonaro, “Palestina não é um país, então não deveria existir uma embaixada aqui”, disse ele, referindo-se a sua intenção de fechar a embaixada da Palestina em Brasília.

As sandices internacionais não são monopólio da direita.

O PT e o PC do B continuam apoiando de forma incondicional a ditadura de Nicolás Maduro na Venezuela e a de Daniel Ortega na Nicarágua.

Em nota após as eleições de 20 de maio, os partidos celebram a “retumbante vitória política e eleitoral do presidente Nicolás Maduro”, que seria uma “expressão da vitalidade do sistema eleitoral democrático venezuelano e dos sólidos laços do governo com o povo.”
...obviamente seria macaqueada por outro obtuso.

Eleições livres que vetaram partidos, prenderam candidatos, reagiram a manifestações com bombas. Sem falar das fake news. “A transparência e os mecanismos de verificação [das eleições venezuelanas] são reconhecidos por personalidades como o ex-presidente americano Jimmy Carter”, diz o comunicado do Foro de São Paulo, com apoio do PT. 

Faz muitos anos que o Carter Center não reconhece eleições venezuelanas. “A eleição da Assembleia Nacional Constituinte (no ano passado) se deu com a completa inexistência de integridade eleitoral, representa sérios problemas de legitimidade e legalidade. As medidas adotadas pelo governo para cercear a liberdade de expressão e o direito a manifestações pacíficas vão contra os valores democráticos”, foi o comunicado do Carter Center.

Em relação à Nicarágua, onde morreram mais de 300 pessoas em protestos nos últimos meses, o PT lamentou “profundamente as mortes e eventuais violações de direitos humanos ocorridas". Eventuais... 
(por Patrícia Campos Mello, ex-correspondente da Folha de S. Paulo nos
EUA e ganhadora do prêmio internacional de jornalismo Rei da Espanha)

quinta-feira, 26 de julho de 2018

"SIGNIFICATIVA PARCELA DA ESQUERDA BRASILEIRA E LATINO-AMERICANA ADOTA COMPORTAMENTO DE SEITA RELIGIOSA"

clóvis rossi
NICARÁGUA, PT E BOLSONARO (trechos)
Há esquerdistas como Boff, que não seguem o rebanho...
O PT não tem qualificação moral para criticar Jair Bolsonaro por defender a ditadura e fazer apologia da tortura. Claro que ambas as atitudes são abjetas, mas todas as ditaduras o são e deveriam, pois, ser igualmente criticadas.

Não é o que o PT está fazendo em relação à Nicarágua: no encontro do Foro de São Paulo, conglomerado de partidos e organizações ditas de esquerda, líderes petistas apoiaram o governo de Daniel Ortega.

Lá estavam, entre outros e outras petistas menos votadas, a ex-presidente Dilma Rousseff e a presidente nacional do partido, Gleisi Hoffmann.

Apoiaram um autocrata que comanda um morticínio que já fez mais de 360 vítimas, que tortura indiscriminadamente, que sequestra e faz desaparecer quem se manifesta contra o regime —mesmos crimes que a ditadura brasileira também cometeu e que Bolsonaro defende.
...e há quem nos faça semelhantes aos zumbis de seitas religiosas

...E o PT, em vez de solidarizar-se com os jovens que estão à frente dos protestos, solidariza-se com quem persegue, sequestra e assassina seus próprios compatriotas, para citar Boff [cuja carta pode ser acessada aqui].

Boff só é referência para o PT quando visita Lula na prisão?

...[Eu] diria que significativa parcela da esquerda brasileira e latino-americana adota comportamento de seita religiosa, movida a dogmas que não ousa contestar.

Como criticar, então, a outra seita, a dos seguidores de Bolsomito? (por Clóvis Rossi)

segunda-feira, 2 de julho de 2018

BOLSONARISTAS LANÇAM NO FIM DE JULHO UMA VERSÃO DARK DO FORO DE SÃO PAULO

Os convidados...
A direita está organizando um evento para servir de contraponto ao Foro de São Paulo. Assim, enquanto o tradicional encontro de legendas de esquerda vai ser realizado entre 15 e 17 de julho, em Cuba, a versão dark está marcada para o dia 28 de julho, em Foz do Iguaçu, PR.

O nome que melhor expressaria a intenção de criarem uma alternativa ao Foro de São Paulo seria, claro, Foro de Foz. Com uma vantagem adicional, qual seja sua pertinência com o que se pretende reunir: exatamente aquelas excreções que vão sendo despejadas nos rios e são por estes conduzidas à foz, desaguando em oceanos, mares, outros rios, lagos ou lagoas. 
...e o anfitrião.

No caso em pauta, só a última opção se aplica. Mas, ao contrário do que ocorre nas lagoas de tratamento dos esgotos, temo que a purificação seja impossível. 

Enfim, optaram pela denominação de Cúpula Conservadora das Américas, evitando uma piada pronta mas dando ensejo a outra: o que resultará dessa cópula, o monstro da lagoa negra?

Já confirmaram presença o ex-senador chileno Nicolás Díaz, o economista bolsonarista Paulo Guedes e o general Augusto Heleno Ribeiro Pereira, cotado para vice do presidenciável cuja candidatura se pretende alavancar com o evento (o general Heleno é aquele saudosista da ditadura militar que será eternamente lembrado por sua apologia do extermínio na frase "A Colômbia ficou 50 anos em guerra civil porque não fizeram o que fizemos no Araguaia"). A participação de Olavo de Carvalho será online.
Ausências lamentadas (o diabo não os liberou...)
A expectativa dos organizadores é que baixem umas 3 mil almas penadas para debaterem plataformas malignas nas áreas de economia, segurança, cultura e política. Alguém conhece um bom exorcista?

Segundo o deputado Delegado Fernando Francischini (PSL-PR), está prevista a elaboração de uma carta de princípios da direita (Guia do Retrocesso?): "A ideia é, com a eleição do Bolsonaro, formar um novo eixo político, econômico e cultural na região”.

Presumo que esse novo eixo terá muita afinidade com aquele da 2ª Guerra Mundial, constituído por Alemanha, Itália e Japão...

domingo, 24 de junho de 2018

A POLÊMICA NA QUAL DESCONSTRUÍ O ESPANTALHO DE UM ANTICOMUNISTA PROFISSIONAL AINDA REPERCUTE

Minha grande arma sempre foi a palavra...
Já lá se vão 10 anos e 8 meses que polemizei com Olavo de Carvalho sobre o Foro de São Paulo. Eis o post no qual reproduzi todos os textos da polêmica.

Foi tempo suficiente para ficar inteiramente comprovado o acerto da avaliação que fiz então do Foro: um "sarau de esquerda" que produzia (produz até hoje, aliás, mas reduzido a tal insignificância que nem para espantalho dos anticomunistas profissionais serve mais...) "um blablablá triunfalista que nada tem a ver com a correlação real de forças".
...já o OC adora exibir outras. Freud explica.

Dito e feito. Nenhuma revolução decorreu da atuação do Foro e os ricaços que deram contribuições financeiras ao OC para ajudar a combater a ameaça comunista, já devem ter percebido que queimaram dinheiro.

Acabo de tomar conhecimento de que a polêmica rendeu o vídeo abaixo no Youtube. Está feito  o registro.
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