Era 16 de março de 1970 e eu tinha 19 anos e 10 meses de idade.
Entrei pela avenida 13 de maio e, no cruzamento com a rua Jaime Benevolo, estava uma casa branca de esquina, bem pintada e cuidada, simples e bela como são as coisas sem ostentação e com grande significado.
Nela havia uma placa de advogado que atendia na residência.
Eu, como legítimo rapaz latino americano, sem dinheiro no banco e vindo do interior para cursar a Faculdade de Direito, pensei com meus botões: se conseguir como advogado ter uma casa como essa já estará muito bom...
Consegui muito mais do que a minha modesta pretensão podia alcançar.
Mas a minha maior gratidão não reside nas coisas materiais que a cidade me deu, mas sim no acolhimento que se expressa em ter-me tornado em 1982 oficialmente cidadão de Fortaleza por lei municipal e de haver nela construído o bem mais importante de todos: minha família. juntamente com Albeniza, companheira por 51 anos e que era também uma fortaleza.
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Clique aqui para ver o vídeo de Vou pra Fortaleza, composta pelo Dalton e cantada por Graça Santos. |
Minha esposa, a Albeniza, foi uma grande companheira por 51 anos. Ela era também uma fortaleza. Juntos geramos três filhos e fomos por eles contemplados com oito netos maraviliosos.
Fortaleza é nome feminino que expressa a força da mulher; é uma cidade-mulher com coração de mãe.
56 anos após, você, como é próprio às mães nordestinas, transformou-se na terceira capital do Brasil (Brasília, como Distrito Federal, não conta) e bairrismo incluso, esse texto é só pra dizer que te amo!
Poderia acrescentar que você é a melhor cidade do mundo, mas não quero repetir tal obviedade.
Digo-a apenas nessa música que compus para você e é cantada pela Graça Santos, que nasceu e vive por aqui e empresta a sua voz nessa homenagem: Obrigado! (por Dalton Rosado)
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