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quinta-feira, 22 de agosto de 2019

ELE É NÃO SÓ O PIOR PRESIDENTE DE TODOS OS TEMPOS, COMO TAMBÉM O MAIOR VILÃO AMBIENTAL EMPODERADO DA HISTÓRIA!

josias de souza
SENTIMENTO DO CAPITÃO VIRA SENTENÇA AMBIENTAL
Em meio a tantos flagelos ambientais, as queimadas deram um salto neste ano da graça de 2019. O acréscimo foi de 83% de janeiro ao início desta semana, numa comparação com o mesmo período do ano passado. 

Numa de suas paradinhas na frente do palácio residencial do Alvorada, Jair Bolsonaro disse enxergar crime por trás da fumaça. Declarou que seu sentimento indica que as ONGs são responsáveis pelo fogaréu. Hummm… 
Vale a pena ouvir o presidente: 
"Pode estar havendo, não estou afirmando, ação criminosa desses ongueiros para exatamente chamar a atenção contra a minha pessoa, contra o governo do Brasil. Essa é a guerra que nós enfrentamos. Vamos fazer o possível e o impossível para conter esse incêndio criminoso". 
Um pouco mais de Bolsonaro: 
"O crime existe. E nós temos de fazer o possível para que esse crime não aumente, mas nós tiramos dinheiros de ONGs. Dos repasses de fora, 40% ia para ONGs. Não tem mais. Acabamos também com o repasse de dinheiro público, de forma que esse pessoal está sentindo a falta do dinheiro".
O sentimento de Bolsonaro é uma lição de vida. Que governante precisa mais do que isso, uma língua solta, meia dúzia de microfones e as ONGs para levarem todas as culpas? É tão prático quanto um misto quente: presunto, queijo e duas torradas.

A política convive com uma regra antiga. Foi importada da propaganda. Baseia-se num procedimento elementar: personalize! 

Qualquer coisa pode ser vendida —de óleo de peroba à desfaçatez— se tiver uma cara e um enredo. Dê um nome ao seu inimigo, ornamente-o com um rabo e um par de chifres e pronto! Seus problemas acabaram. A identificação do demônio libera o exorcista do exame de todo o mal. 

Na área ambiental, Bolsonaro personalizou o demônio: as ONGs. Muitos podem enxergar nas palavras do presidente algo parecido com uma denunciação caluniosa. 

Mas para o capitão sentimento é uma outra palavra para sentença. Isso exime Bolsonaro de qualquer tipo de exame. A começar pelo auto-exame. 

Há de tudo em Brasília, menos culpados no reflexo do espelho do Palácio da Alvorada. (por Josias de Souza)
Já o drama do tamanduá mirim cego fugindo da queimada não 
despertou sentimento nenhum no flagelo da Amazônia... 

sábado, 27 de outubro de 2018

JOAQUIM BARBOSA MANDA BOLSONARO À LONA E DÁ UMA LIÇÃO DE MORAL AO PT

Esta é a estatura moral de Barbosa, comparativamente à do...
Num momento em que cabe aos homens de verdade justificarem as calças compridas que vestem, Joaquim Barbosa deu uma acachapante lição de moral ao PT: entrou corajosamente na luta contra a candidatura fascista de Jair Bolsonaro, com direito ao cala-boca antológico que aplicou no pregador da barbárie.

Primeiramente, declarou voto em Haddad com a justificativa de que, "'pela primeira vez, em 32 anos de exercício do direito de voto, um candidato me inspira medo".

O ogro retrucou num post: "Ele mesmo [Barbosa] disse que só Bolsonaro não foi comprado pelo PT no esquema de corrupção conhecido como Mensalão".

E foi à lona com este cruzado de direita de Barbosa, que atingiu-o em cheio no queixo: 
"Bolsonaro não era líder nem presidente de partido. Ele não fazia parte do processo do mensalão. Só se julga quem é parte no processo. Portanto, eu jamais poderia tê-lo absolvido ou exonerado, ou julgado. É falso, portanto, o que vem dizendo por aí".
Bravo! Bravíssimo! 
...liliputiano Bolsonaro.
Orgulho-me de, quando o PT satanizava repulsivamente Barbosa, eu ter sido um dos raríssimos homens de esquerda a defendê-lo, como fiz em fevereiro de 2014, quando escrevi: 
"Estou longe de encarar o JB como Satã com chifres e rabo pontiagudo.
Acompanhando com muita atenção, de fio a pavio, as quatro longas sessões de julgamento do Caso Battisti, avaliei JB como um homem alinhado basicamente com as posições de esquerda. 
Mostrava-se muito sensível às questões sociais e raciais (claro!). E, num momento em que suas dores nas costas lhe causavam visível sofrimento, não arredava pé do campo de batalha, intervindo firmemente nos momentos cruciais. Enquanto Marco Aurélio Mello se destacava como o mais articulado dos ministros que se opunham aos linchadores, JB era o mais inflamado.
Bate-boca inesquecível: Barbosa detonando Gilmar Mendes
...Como relator do processo do mensalão, contudo, JB desde o início deixou transparecer que não aliviaria para os réus. 
Por quê? Aqui só podemos ficar no terreno das conjeturas, se quisermos fazer uma análise e não produzir um panfleto de desqualificação. 
O certo é que ele não procedeu assim por convicções direitistas. Parafraseando a frase marcante do filme Os suspeitos, o maior truque do PT é fingir que continua revolucionário e todos os seus adversários são reacionários.
Foi um erro gravíssimo dos petistas colocarem JB nessa vala comum. Tornaram-no um inimigo figadal".
E levantei a hipótese de que a postura de Barbosa se devesse à repulsa que visivelmente lhe inspirava a secular impunidade dos poderosos no Brasil: 
"JB detesta os abusos dos poderosos e poderia estar considerando de suma importância a punição exemplar de personagens que normalmente escapam incólumes".
Concedi-lhe o benefício da dúvida, negado por quase toda a esquerda. Agora ele mostra quem realmente é. 

Ao mesmo tempo, lança luzes sobre quem realmente eram os que o desqualificavam com tamanha leviandade. (por Celso Lungaretti)

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

REDUÇÃO DA POLÍTICA À EXACERBAÇÃO DE ANTAGONISMOS E SATANIZAÇÃO DOS ADVERSÁRIOS SATUROU ARGENTINOS

Por Clóvis Rossi
CRISPAÇÃO CANSOU A ARGENTINA

Não foi exatamente um modelo inteiro que ruiu nas urnas argentinas deste domingo, 22, mas, acima de tudo, a maneira rude de exercê-lo.

Que o modelo não foi inteiramente derrotado prova-o o fato de que seu antagonista, o vencedor Mauricio Macri, empenhou-se durante toda a campanha em jurar que não mexeria nos programas sociais que deram popularidade primeiro a Néstor Kircher e depois à Cristina Kirchner.

Essa fatia do modelo —o esforço de de inclusão social, sincero ou demagógico, a juízo de cada leitor— é um ativo que veio para ficar e não só na Argentina.

No Brasil, por exemplo, não houve, em 2014, e não haverá em 2018 ou depois qualquer candidato, por mais reacionário que seja, capaz de pôr em dúvida a permanência do Bolsa Família, para citar apenas um dos símbolos dos governos do PT, como o foi na Argentina, ainda que com outro nome (Asignación Universal por Hijo).

Macri se beneficiou da rejeição à dinastia Kirchner 
Outros aspectos do modelo, como o excesso de intervenção do Estado, podem ter sido rejeitados nas urnas deste domingo, mas é algo que só dirão as análises sociológicas que o tempo do jornalismo dificulta.

O que, sim, do meu ponto de vista, pode se afirmar com segurança que perdeu foi a maneira imperial de exercer a Presidência, a crispação permanente que Cristina, muito mais que Néstor, impôs ao país.

Produziu um estado de ânimo que só é adequadamente descrito por uma palavra espanhola, hartazgo. Em português, é cansaço, esgotamento, mas hartazgo, ainda mais com o forte acento portenho, soa definitivo.

Constata para El País, p. ex., o intelectual En­ri­que Va­lien­te Noai­lles: "A Ar­gen­ti­na se fartou de si mesma, de viver num ambiente que produz seu próprio monóxido de car­bono".

Reforça Ricardo Kirschbaum, que, como editor-chefe do Clarín, foi um dos alvos permanentes da crispação: "Hoje se acaba um ciclo político que fez do antagonismo sua razão de ser".

Presidência imperial é rejeitada pelos hermanos
Até Daniel Scioli, o candidato (a contragosto) de Cristina, admitiu na antevéspera da votação: "Talvez estejam [os eleitores] irritados com as brigas, mas comigo é diferente. Sou um homem de diálogo, como já demonstrou a minha vida".

É bom ressaltar que outros regimes que se dizem de esquerda na América do Sul, Brasil inclusive, adotaram o mesmo mecanismo de satanizar os adversários, tratando-os como inimigos da pátria.

Pode-se, por extensão, supor que o cansaço dessa confrontação permanente estender-se-á além da Argentina, quando houver eleições.

Aliás, Jorge Fontevecchia, diretor do grupo Perfil, outro alvo da crispação do kirchnerismo, dizia à Folha ainda antes da eleição:
"Creio que vivemos [Brasil e Argentina] ciclos parecidos. Essa mudança aqui [na Argentina] talvez tivesse ocorrido também na última eleição brasileira, caso ocorresse alguns meses depois".
O palpite parece correto: Dilma Rousseff ganhou a eleição com pequena diferença, mas depois dela sua popularidade mergulhou num infernal tobogã.

Como a Argentina, o Brasil parece cansado desse perene nós contra eles / eles contra nós.

sábado, 10 de outubro de 2015

A VERDADE É REVOLUCIONÁRIA. O MANIQUEÍSMO, UMA MULETA PARA SIMPLÓRIOS E FANÁTICOS.

A crise de identidade dos 35 anos está sendo pior ainda...
Neste sábado (10) trouxe para cá um artigo magistral de Demétrio Magnoli, pelo qual muitos companheiros normalmente passariam batidos por puro preconceito. Dei-lhes a chance de conhecerem um dos mais eloquentes libelos já lançados contra a guerra ao terror de George Bush e toda a paranoia referente ao terrorismo.

Magnoli é um dos muitos críticos do petismo que estão longe de serem reacionários e/ou vendidos à direita, mas que ficaram com tal pecha graças à faina repulsiva dos assassinos de reputações.

Trata-se de uma das práticas mais chocantes de uma esquerda desvirtuada e aburguesada, que um dia pregou a revolução mas hoje se limita a buscar, manter e tentar expandir seus nacos de poder dentro do capitalismo, pois agora é movida pelo poder, só o poder e nada mais do que o poder; crava os dentes no osso com tal sofreguidão que até os trinca...

É por isto que em 2015 foi escorraçada das ruas; seu habitat natural hoje são os gabinetes luxuosos dos governos e a sede de entidades e sindicatos cada vez mais inócuos e domesticados.

Quanto mais a esquerda chapa branca se afasta da revolução, mais investe no maniqueísmo e na satanização para desqualificar seus críticos e opositores. Como na última campanha presidencial, quando desconstruiu Marina Silva com métodos de fazerem inveja a Joseph Goebbels, seu longínquo inspirador.
O grande guru da rede chapa branca 

Marina marchava para uma vitória inevitável, pois tinha tudo para chegar ao 2º turno, sepultando as chances de reeleição de Dilma Rousseff, já que os tucanos, fora do páreo, necessariamente despejariam seus votos na ex-seringueira. Então, os petistas transtornados com a perspectiva de perderem suas boquinhas e míopes a ponto de não perceberem que seria uma grande roubada governarem o país quando o grande capital exigia um devastador arrocho fiscal (e eles jamais ousariam deixar de atendê-lo!), optaram por desconstruírem-na a qualquer preço. 

Chegaram ao cúmulo de apontá-la como fantoche do Banco Itaú, apenas porque uma herdeira entediada da família proprietária lhe dava apoio, tanto quanto apoiara o candidato petista a prefeito (Fernando Haddad) na eleição anterior. Bastaria um pingo de honestidade e uma pesquisa de três minutos na internet para se constatar que a tal Neca Setúbal não apitava nada nas decisões do grupo, limitando-se a receber sua gorda mesada e gastá-la em cruzadas edificantes. [Paradoxalmente, seria Dilma quem comeria nas mãos do presidente do Banco Itaú, Luís Carlos Trabuco, a ponto de convidá-lo para ministro da Fazenda e, face à recusa, aceitar que ele indicasse para o posto um de seus funcionários menores, o inexpressivo Joaquim Levy].

Isto não impediu que, repetindo dia e noite esta e outras mentiras cabeludas (como a de que a autonomia do Banco Central fosse uma espécie de fim do mundo...), a central de guerra psicológica e desinformação petista acabasse por desviar de Marina votos de classe média em proporção suficiente para alijá-la do 2º turno, assegurando a reeleição de Dilma, seu impeachment vindouro e a destruição do PT, que talvez nunca mais eleja um presidente como consequência de sua extrema desmoralização em 2015. Mágica mais besta, impossível!
E o que foi que a Dilma e o Levy fizeram?!

É da mesma forma, embora com menos fúria homicida, que são tratados muitos intelectuais independentes, como Magnoli, que não rezam sempre pela cartilha petista nem se alinham em todas as questões com a direita. Nos bons tempos da esquerda civilizada, procurava-se atrair pessoas desse tipo, principalmente quando eram brilhantes, ao invés de hostilizá-las encarniçadamente, como se o desejável fosse atirá-las nos braços do inimigo.

Faço questão de registrar que alguns petistas andam incomodados com meus artigos I-N-D-E-P-E-N-D-E-N-T-E-S e começaram a postar comentários na mesma linha goebbelsliana. P. ex., um me acusou de copiar um reaça menor que eu nem sequer conhecia, não aceitou minha negativa, voltou à carga alegando que eu publicara uma imagem qualquer da Dilma que havia saído no blogue do dito cujo e novamente ignorou minha paciente explicação de que garimpo imagens no Google e nunca me interessei por sua proveniência, só por sua pertinência.

Como ele insistisse no seu delírio inicial, deixei de autorizar seus comentários, pois não vejo sentido nenhum em debater com quem quer me fazer passar por mentiroso. Não sou nenhum moleque, tenho uma trajetória de quase cinco décadas de luta contra a direita e seus porta-vozes.

Na esteira veio mais um fanático batendo na mesmíssima tecla e ainda botando outra ovelha negra na relação dos meus pseudos-inspiradores, o Olavo de Carvalho. Seria cômico se não fosse trágico pois, quando alguns esquerdistas fugiam covardemente dos reiterados desafios lançados pelo OC, fui eu que ergui a luva e polemizei com ele, provando que não passava de um tigre de papel (vide aqui).

A mim, jamais intimidarão! Muito menos recorrendo a tolices e chutes na virilha...
A esquerda precisa muito mais de militantes que de votantes

Sempre afirmei que deter presidências da República, para revolucionários, tem importância meramente TÁTICA, não sendo nem de longe para nós um objetivo ESTRATÉGICO.

Quando estão ajudando a alavancar a revolução, devem ser defendidas. Quando se tornam baluartes do neoliberalismo, que os banqueiros as defendam. É simples assim.

Se houver ameaça de tanques nas ruas, arriscarei novamente a vida para evitar outra ditadura. Mas, enquanto a coisa se mantiver nos marcos constitucionais, estarei priorizando é a reconstrução da esquerda, pois depois do tsunami teremos muito o que fazer, juntando os cacos e tentando reencontrar nosso caminho. 

Torço e darei minha melhor contribuição para que a esquerda extraia deste desastroso 2015 a lição de que precisa desesperadamente voltar às raízes, reassumindo suas bandeiras históricas e recolocando como objetivo supremo o fim do capitalismo e a construção de uma sociedade fundada na justiça social e na verdadeira liberdade.
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