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terça-feira, 18 de julho de 2017

O CASO FRANCENILDO ESTARÁ NO MENU DA DELAÇÃO PREMIADA DO PALOCCI. O QUE ELE PRETENDE, JOGAR A CULPA NO LULA?

Quando o noticiário de imprensa antecipa que a quebra ilegal do sigilo bancário e fiscal do caseiro Francenildo Costa será abordada pelo ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci na sua delação premiada (em fase final de negociação), será instrutivo recordarmos tal episódio, um dos mais emblemáticos da descaracterização do Partido dos Trabalhadores ao lambuzar-se com o poder.

Em 2006, último ano do primeiro mandato presidencial de Lula, era Palocci o ministro que fazia a interlocução com o grande empresariado, zelando para que seus interesses fossem atendidos e a lua de mel entre os donos do Brasil e o governo federal perdurasse. 

Evidentemente, isto tornava Palocci um alvo preferencial da oposição, ansiosa por, desgastando-o, ter maiores chances de herdar o apoio do poder econômico na eleição que se avizinhava. 

Então, sem surpresa nenhuma, em março alguém soprou para a grande imprensa que Palocci e seus assessores mais próximos se encontravam amiúde com empresários e lobistas num casarão de Brasília, onde, entre bebedeiras e orgias com prostitutas de luxo, acertavam maracutaias.

O pior de tudo, claro, foi o caseiro haver confirmado a presença constante do Palocci nessas esbórnias. Daí, também sem surpresa nenhuma, ter logo ocorrido uma tentativa de o desacreditar: a revista Época trombeteou que uma suspeita dinheirama havia sido depositada na conta corrente de Francenildo, supostamente como suborno para ele comprometer Palocci.

As investigações da Polícia Federal, contudo,  apuraram que:
  • Palocci, o presidente da Caixa Econômica Federal e um assessor de imprensa do governo tinham se mancomunado para municiar a revista, cometendo o crime de quebra de sigilo;
  • e que o humilde caseiro recebera honestamente aquela grana, pois se tratava da compensação de um pai biológico que no passado não o reconhecera como filho e queria evitar uma ação indenizatória.
O escândalo forçou Palocci a demitir-se do ministério antes que o mal crescesse (os tucanos já haviam entrado com um pedido de impeachment), ainda em março de 2006;  mas, noutra de suas sentenças grotescas e aberrantes, Supremo Tribunal Federal absolveu Palocci em agosto de 2009, acompanhando o voto do ministro relator Gilmar Mendes, que, por sinal, também presidia a casa.

Agora, na delação premiada, Palocci promete revelar ainda mais detalhes sórdidos do episódio. A imundície nunca se esgota? Pretenderá ele jogar a culpa no Lula, apontando-o como responsável maior das ilegalidades cometidas?
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A CAUSA DOS HUMILDES E A
ARROGÂNCIA DOS PODEROSOS
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Palocci (1º à esq.) era trotskista há três décadas...
De resto, considero o que escrevi em várias ocasiões sobre o Caso Francenildo como grandes momentos meus na defesa dos valores revolucionários contra o utilitarismo daqueles antigos esquerdistas que abrem mão de seus princípios para atender às conveniências da politicalha mais imunda.

Em Palpite infeliz, expliquei o porquê:
"...leio que Marta Suplicy apontou o ex-ministro Antonio Palocci como melhor quadro do Partido dos Trabalhadores para concorrer à sucessão estadual [em 2010].
Não consigo pensar em nome pior. Os mensaleiros avacalharam as bandeiras éticas do partido, mas Palocci conseguiu atingir um valor ainda mais sagrado: o engajamento na causa dos humildes, contra a arrogância dos poderosos.
Ao mobilizar toda sua influência ministerial para pressionar um mero caseiro, atingindo vários direitos de um coitadeza da vida, Palocci se comportou como um daqueles atrabiliários coronéis nordestinos do tempo de Lampião.
É o anti-PT por excelência – pelo menos quanto aos ideais que nortearam a fundação do partido".
...mas hoje prefere a moral deles.
E em O espírito de Justiça e a nudez dos reis, no dia seguinte à absolvição de Palocci pelo STF, esmiucei a argumentação utilizada para Gilmar Mendes para sustentar que 2+2=5, atirando-lhe na cara que o homem da esquina, cuja opinião ele arrogantemente dissera não levar em conta na tomada de decisões jurídicas, poderia ser bem mais sábio e justo do que ele:
"...essa insólita reunião na casa de Palocci [na qual o repórter recebeu o extrato bancário de Francenildo] foi obviamente tramada para produzir o resultado que produziu. E a ligação entre os personagens secundários só aconteceu porque foram convocados pelo personagem principal.
Ademais, mesmo ao zé mané mais crédulo ocorreria a pergunta que não quer calar: se dar conhecimento a terceiros de dados sigilosos que se detém em função do cargo ocupado é crime, como um ministro de Estado pôde testemunhar o crime cometido pelo presidente da CEF [único culpado, segundo o voto de Gilmar Mendes] sem tomar providência nenhuma contra seu autor?
...Enfim, com malabarismos e interpretações tortuosas pode-se criar a ilusão de que a conduta de Palocci não feriu a letra da Lei, só o alfabeto completo da ética. Mas, o espírito de Justiça continuará levando cada zé mané a concluir, corretamente, que tanto o mandante [Palocci] quanto o segundo pau mandado [o assessor de imprensa] também eram culpados".

segunda-feira, 26 de junho de 2017

NEM MORO PODE MANDAR PALOCCI E JOÃO SANTANA PARA ONDE ELES MERECEM: O INFERNO DE DANTE!

Estou velho demais para me tornar religioso, então atribuirei os fatos abaixo a ironias do destino, não cedendo à tentação de ver neles uma confirmação do velho clichê de que Deus escreveria certo por linhas tortas:
O medalhão Palocci e o caseiro Francenildo: péssimo exemplo!
— Antonio Palocci acaba de ser condenado pelo juiz Sérgio Moro a 12 anos, dois meses e 20 dias de prisão. Como não acredito nos podres Poderes da democracia burguesa e considero que combater a corrupção pela via policialesca equivale a enxugar gelo (enquanto não acabarmos com o capitalismo, haverá espertalhões encontrando atalhos ditos ilegais para concretizar o objetivo supremo da nossa sociedade de classes, o enriquecei! capitalista), não opinarei sobre a pertinência ou não da sentença. 
Mas direi que, do ponto de vista dos valores revolucionários que um dia ele assumiu e depois arrastou na lama, Palocci merece tudo que existir de pior, por haver, qual um Robin Hood às avessas, mobilizado todo o poder do Estado para esmagar um coitadeza da vida (o caseiro Francenildo Costa). Se não agirmos de forma diametralmente oposta –  protegendo os fracos e oprimidos dos abusos dos poderosos e, assim, irmos acumulando forças para um dia transformarmos a sociedade e acabarmos com a exploração do homem pelo homem –, para que, afinal, serviremos?!
João Santana, o Goebbels brasileiro.
— João Santana e Mônica Moura foram, na mesma sentença, condenados a 7 anos e 6 meses de prisão. Pouco importa para mim se eles são ou não os corruptos alegados. 
Mas, nada se constituiria em punição suficiente para o malefício que causaram à esquerda e ao povo brasileiro, ao serem os pais do pior estelionato eleitoral das eleições brasileiras em todos os tempos, jogando no lixo o compromisso da esquerda com a verdade e reelegendo Dilma Rousseff à custa de mentiras descaradas, como se fossem pupilos de Joseph Goebbels, o ministro da Propaganda nazista. 
Todas as desgraças posteriores – a desmoralização do PT quando Dilma deu carta branca para um ministro neoliberal tentar consertar as lambanças do seu primeiro mandato, o impeachment, a posse de um vice medíocre, o perigoso jacobinismo judiciário que pode desembocar num estado policial, etc. – tiveram como ponto de partida o conto do vigário que o casal aplicou nos eleitores brasileiros, principalmente ao prometer que, com a reeleição de Dilma, não haveria o satânico ajuste fiscal que os adversários tramavam.
Até que seria bom se Deus existisse, pois assim poderia dar a esses três o destino que realmente merecem: o inferno de Dante... 

A Justiça dos homens, infelizmente, não julga caracteres (nem pune os que são deles desprovidos).

terça-feira, 18 de abril de 2017

PALOCCI TAMBÉM VAI DELATAR O LULA. ALGUÉM ESTÁ SURPRESO?

A pergunta que não quer calar: o que o Lula cochicharia hoje para o Palocci?
Como nunca coloquei assuntos policiais no centro das minhas preocupações, não teria escrito uma linha sobre as investigações da CPI dos Bingos e a participação de Antonio Palocci nas roubalheiras se, em 2006, este não houvesse abusado de sua autoridade ministerial para tentar desacreditar uma testemunha contra si: o caseiro Francenildo Costa. 

Invadiu a conta bancária desse coitadeza na esperança de encontrar um depósito que comprovasse ter sido subornado pela revista à qual dera entrevista. A ilegalidade acabou vindo à tona e pegou tão mal que Lula teve de demitir Palocci do cargo de ministro da Fazenda.

Fiquei indignado com o significado simbólico do episódio: o todo poderoso ministro petista achatando um dos humilhados e ofendidos que seu partido nasceu para representar, defender e proteger. Repulsivo!
Os defensores incondicionais do PT soltaram os cachorros em cima de mim por ainda colocar essas preocupações antiquadas à frente das conveniências de momento. O importante era manter o poder, não manter a coerência. Hoje estamos vendo os resultados desse amoralismo todo.

Quanto a Palocci, está ultimando os detalhes para sua delação premiada, depois de ter manifestado tal intenção à força-tarefa da Polícia Federal em Curitiba, há cerca de duas semanas.

Eis o que vem por aí, segundo a Folha de S. Paulo:
"Pessoas ligadas a Palocci dizem que os principais temas que o político pretende tratar envolvem corrupção de empresas do sistema financeiro, como bancos, além de conglomerados que não integram grupos de empreiteiras.
Na lista também há fatos ligados ao ex-presidente Lula – de quem ele defendeu interesses econômicos – e às campanhas do PT".
Se depender do Palocci, o Lula já pode ir colocando escova de dentes e uma muda de roupa na bagagem.
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