O Brasil ganhou dos ridículos selecionados do Papa Doc Duvalier e do Tio Patinhas. Há muito tempo eu não via escretes tão medíocres.
Poderia impor goleadas históricas a ambos, mas conformou-se com os 3x0 conquistados no primeiro tempo.
E não conseguiu vencer sequer os marrecos, um pouco menos ruins do que esses bêbados nos quais bateu preguiçosamente.
Mesmo assim nosso povo já está entrando na euforia habitual, que antecede os vexames habituais
Quem tem uma mínima noção do que seja o futebol moderno está careca de saber que passarmos das oitavas-de-final será difícil e das quartas, impossível, pelo que mostrou até agora, por escalar o canela de vidro Neymar e por ter um técnico decadente, que há duas temporadas não ganha porra nenhuma.
Assisto aos vídeos de 24 anos para trás e vejo o Caetano Veloso cantando triste Brasil, oh tão dessemelhante! Que fim de feira! (por Celso Lungaretti)
O choro do menino torcedor em 1982 não se repetirá: ninguém espera nada do Brasil
Ôps, desculpe a nossa falha. Esta será a manchete cá do blog no dia em que a seleção brasileira estiver disputando e perdendo mais uma partida de quartas de final (se chegar até lá, o que hoje é duvidoso).
Para manter o alto nível do blog, tenho de antemão preparado algumas aberturas sobre acontecimentos cujo desfecho é pra lá de previsível. Como este.
Agora falando sério, não vejo a menor chance de o Brasil ir longe neste Mundial após a convocação deplorável do Carlo Ancelotti, que:
-- inclui um ex-futebolista que, além de não estar vendo a cor da bola, invariavelmente se contunde ou se esconde quando mais se precisa dele;
-- exclui os melhores artilheiros do Brasil, Pedro e João Pedro, sabe-se lá se por miopia ou má fé;
-- deixa de lado o principal pegador de pênaltis do Brasil, Hugo Souza, que poderia substituir o goleiro nos instantes finais de uma partida empatada;
-- dá toda pinta de que seu técnico italiano apostará, como sempre, em defesa fechada e contra-ataques rápidos, sem levar em conta partidas como PSG 5x4 Bayern, quando a modernidade no futebol esteve à mostra.
Anceiotti inclusive parece não ter aprendido nada com a goleada Barcelona 5x2 Real Madrid, embora já se tenham passado 16 meses.
Foi o maior fiasco de uma temporada em que o timaço por ele treinado passou em branco, daí ter vindo para o Brasil como saída honrosa, já que acabaria sendo demitido na Espanha.
Um conselho: consiga vídeos de nosso escrete em 1970 e assista-os quando o Brasil estiver maltratando a bola.
Será um antídoto ao anacronismo futebolístico e forma de evitar uma indigestão. (porCelso Lungaretti)
Alembrança mais forte que tenho de Neymar na seleção brasileira é a da desclassificação diante da Croácia no Mundial de 2022: ganhávamos por 1x0 na finzinho da prorrogação, mas aí os croatas contra-atacaram e Neymar não deu um passo para ir ajudar os defensores.
Ficou resmungando no ataque, com as mãos na cintura; o gol adversário se consumou e perdemos nos pênaltis.
Afora estar visivelmente acabado para o futebol e ter canela de vidro, Neymar se comporta como um reizinho, embora só tenha conquistado com a camiseta do escrete uma mísera Copa das Confederações.
É pouco e o desperdício de uma vaga para ele no banco de reservas poderá custar-nos caro.
Hoje o decadente Carlo Ancelotti mostrará se está lá para fazer o que é certo ou não tem personalidade para resistir a pressões descabidas.
Não espero muito dele, pois os melhores selecionados já aprenderam a furar retrancas e a recompor suas defesas ao perderem a bola. O Carletto já era. (por Celso Lungaretti)
O jogador Raphinha, 28 anos, não só é o melhor futebolista brasileiro em atividade no exterior como também demonstra possuir muita personalidade e caráter, ao contrário de eternos imaturos como o Neymar.
Ele estava tendo um desempenho insatisfatório no Barcelona e era até cogitado para negociações quando o técnico Hansi Flick assumiu no final de maio/2024 e liberou-o de ficar o tempo todo colado à linha lateral, dando-lhe mais amplitude de atuação.
Aí seu futebol cresceu de maneira espantosa, tanto que o Raphinha e o Lamine Yamal são os grandes responsáveis pela fase goleadora do time da Catalunha sob Flick.
Agora, candidatíssimo à Bola de Ouro e com vaga garantida no nosso escrete, não se cala como um cordeirinho ante a insensatez que está sendo imposta aos futebolistas pelos cartolas.
Sem receio de que suas palavras possam ser interpretadas como críticas indiretas aos parasitas da CBF num momento melindroso (aproxima-se o Mundial de seleções), Raphinha solta a voz:
"A gente ter de abrir mão das nossas férias por obrigação é muito complicado. É direito nosso, todo mundo está de acordo e todo mundo merece ao menos um mês de férias, três semanas que seja".
Sua tomada de posição é importante até por vir ao encontro da corrente dos dirigentes que (como Javier Tebas, presidente de La Liga) criticam a Fifa por ter sobrecarregado ainda mais o calendário futebolístico com a criação da Copa do Mundo de Clubes.
Solidário, Raphinha tomou as dores dos adversários do PSG, sujeitos a críticas por não estarem cheios de gás:
"Marquinhos e Beraldo jogaram a final daChampions, nem comemoraram direito, viajaram para jogar com a seleção, acabou o segundo jogo, voltaram para se apresentar para jogar o Mundial. Eles ainda não pararam. Então, muita gente fala que isso é desculpa, pode até ser, ou não".
Para os atletas que atuam na Europa, há o agravante de que, no final de uma temporada exaustiva (a deles vai até o meio do ano) estão sendo obrigados a atuar sob temperaturas bem mais elevadas do que aquelas às quais estão habituados.
Resultado: seu desempenho eventualmente é prejudicado e as contusões aumentam significativamente.
A seleção brasileira pode afinal ter encontrado um líder de verdade. (por Celso Lungaretti)
"Os novos, os novos/ Patinho, coxão e filé/ As velhas coisas/
Pelancas, ossos, quem quer?/ Do boi só se perde o berro"
Otécnico Tite teve duas chances de conquistar o Mundial Fifa de seleções, em 2018 e 2022, só chegando até as quartas-de-final.
Foi crucificado de forma praticamente unânime por cronistas esportivos e torcedores, que preferiram ver nele o incompetente que desperdiçara osuperlativotalento de nossos craques. Mas a verdade era bem outra, como agora está se constatando.
Antes de o retrocesso civilizatório se tornar tão acentuado (e as opiniões sobre todas as coisas, tão fanáticas e desequilibradas) no Brasil, Telê Santana também ficou com as mãos abanando após as Copas do Mundo de 1982 e 1986. Para piorar, era favoritaço na primeira, com Falcâo, Cerezzo, Sócrates e Zico na auge de suas carreiras.
Mas, fascinados com o futebol de sonhos que o nosso escrete praticava do meio de campo para a frente, poucos o acusaram de ter armado uma defesa firme como geleia, o que acabou sendo fatal na azarada partida contra a Itália
Já no caso de Tite. não se levou em conta que possuía um único fora-de-série à disposição, Neymar, que fracassou miseravelmente nas duas eliminações.
Então, não deixei de reconhecê-lo como o melhor treinador brasileiro em atividade, embora isto perdesse um pouco de significado face à mediocridade dos concorrentes.
Agora o quadro está mais claro.
Antes do Tite, nossa seleção sofreu a maior humilhação de uma história centenária em 2014, goleada por 7x1 em casa, com o Felipão prostrado no banco, sem mexer um músculo ou dizer uma única palavra, enquanto os germânicos marcavam quatro gols seguidos entre os 23' e os 29' da fase inicial.
Nas eliminatórias de 2018, o aproveitamento sob Dunga era de míseros 50% dos pontos disputados nas seis primeiras partidas, com o Brasil fora da zona de classificação. Entrou Tite e, nos 12 jogos restantes, o escrete conquistou 32 pontos (aproveitamento de 88,9%!), disparando na liderança.
Nas de 2022 também deixou os adversários comendo poeira, com 83,3% de aproveitamento.
Agora, com 8 das 18 rodadas concluídas, o Brasil divide o quinto lugar com a Venezuela (!), tendo 41,7% de aproveitamento, após perder 3 partidas e empatar em casa com o Peru sob o comando de Fernando Diniz e ter duas atuações horrorosas com Dorival Jr. no banco.
Conclusão: ruim com Tite, péssimo sem ele.
E pouco se fala na ausência gritante de um meio-campista hábil e cerebral, que dite o ritmo da equipe, organize o setor ofensivo e crie oportunidades de gol para os atacantes. Alguém como Lionel Messi, que fez a diferença entre a Argentina campeã e o Brasil sétimo colocado em 2022.
E por que não produzimos mais esse tipo de craque, como Didi em 1958 e 1962, Gerson em 1970 e Sócrates em 1982?
Porque o mendicante futebol brasileiro agora quer formar pés-de-obra para o mercado internacional, então prioriza, desde as escolinhas, garotos que sejam bons dribladores e marquem gols, como Endrick e Estevão, para vendê-los aos gringos antes mesmo de completarem 18 anos.
Quanto aos cérebros das equipes, não é o que os europeus (principalmente) esperam dos jogadores brasileiros, então os formamos cada vez menos, curvando-nos aos preconceitos dos nossos antigos colonizadores, que ainda nos veem como eternos bugres.(porCelso Lungaretti)
Uma partida deste sábado (13) pelo campeonato inglês me fez lembrar do grande futebol brasileiro da década de 1960, quando havia partidas igualmente repletas de lances perigosos e com gols tão bonitos quanto os de Newcastle 2x3 Manchester City.
Com a diferença de que atualmente se joga com muito mais velocidade e as defesas nem de longe se comparam com as peneiras de outrora, que tinham buracos por todos os lados.
Atacante nenhum consegue marcar agora oito gols numa partida, como fez Pelé em 1964, num Santos 11x0 Botafogo de Ribeirão Preto (que era o mandante).
Afora terem sido uma raridade os quatro golaços numa única contenda. O segundo do Newcastle foi a exceção, pois o chute de Gordon era defensável e Ortega, goleiro reserva do City, falhou.
Destaque para a exibição de gala do belga Kevin De Bruyne que, fora do time por contusão desde agosto, só atuou durante os 20 minutos finais, suficientes para ele comandar uma virada eletrizante.
Primeiramente, aos 29' do 2º tempo, ele arrematou de fora da área, fazendo a bola passar por entre as pernas do zagueiro Schär e entrar rasteira, roçando a trave do inspirado goleiro Dúbravka.
Depois, já nos acréscimos deu um passe mágico para Bobb, com agilidade e frieza, desempatar.
Guardiola foi à loucura, vibrando como nunca. Não sem razão, pois acabara de ver um dos melhores jogadores do mundo voltar em perfeita forma.
Mas, claro, o Neymar retornará aos gramados melhor ainda, já que é um dos três maiores do planeta, segundo afirmou o técnico Dorival Jr. Acredite quem quiser... (por Celso Lungaretti)
O hino do Corinthians mente: ele não é "do Brasil, o clube mais brasileiro", até porque nasceu em 1910 de uma iniciativa de membros das colônias espanhola e italiana em São Paulo. Os segundos racharam em 1914 e saíram para fundar o Palestra Itália.
Quem mais merece tal qualificação é o Santos, pois sua trajetória de altos e baixos tem muitos pontos em comum com a da Seleção Brasileira.
Assim, a grande fase do Santos começa exatamente em 1958. O ano da primeira Copa do Mundo conquistada pelo Brasil foi, também, o ano em que Pelé obteve seu primeiro título oficial pelo Santos, o de campeão paulista.
O Santos já vinha num crescendo: depois de vencer o certame estadual em 1935 e só voltar a fazê-lo em 1955, repetiu a dose em 1956.
Mas, foi a partir de 1958, durante a era Pelé, que deslanchou de fez, a ponto de tornar-se o segundo melhor time de futebol do planeta durante as décadas de 1950 e 1960, atrás apenas do Real Madrid.
E, no cenário brasileiro, sua hegemonia foi avassaladora, ainda que o grande Botafogo de Nilton Santos, Didi e Garrincha às vezes o surpreendesse.
Seus mais memoráveis momentos foram quando venceu a Libertadores de América em 1962 e 1963, sagrando-se, em seguida, campeão mundial, ao destruir o Benfica e ao arrancar um triunfo na raça contra o Milan, embora inferiorizado por uma contusão do Pelé.
Um ridículo revisionismo da Fifa, mais de 60 anos depois, rebaixou tais decisões entre o campeão europeu e o campeão sul-americano a meras copas intercontinentais, como se houvesse naquela época, no restante do mundo, times capazes de não serem massacrados pelos melhores da América do Sul e da Europa.
Também venceu a Libertadores da América em 2011, já na geração de Neymar. Contudo, o brilho dessa conquista foi empanado pelo baile que levou do Barcelona, ao tentar emplacar o Mundial de Clubes. Além dos 4x0 no lombo, ficou nítido o desinteresse do clube catalão em ampliar a goleada, inclusive concluindo com displicência um rosário de outras chances de gols que criou.
Resumindo, o Santos e a Seleção Brasileira atingiram seus ápices em 1958/1970 e vêm decaindo desde então.
O escrete ainda vitoriou-se em 1994 na loteria dos pênaltis, após a decisão mais tediosa de um Mundial da Fifa em todos os tempos (120 minutos 0x0!!!); e em 2002, quando os principais adversários atravessavam períodos de entressafra.
Ou seja, nada de que pudéssemos nos orgulhar como nos orgulhamos das conquistas mágicas de 1958 e 1970, e até mesmo da Copa que tínhamos tudo para ganhar e deixamos escapar por míseros detalhes (1982).
O Santos, nem isto. Neste século, só campeonatos paulistas que os outros grandes já não disputam a sério, o Brasileirão de 2002 e de 2004, a Copa do Brasil de 2010 e a Libertadores de 2011. Já nos últimos anos, aparece apenas no noticiário lutando para não ser rebaixado ou por conta dos sucessivos episódios de pancadaria na Vila Belmiro (mais dia, menos dia, alguém morrerá).
Mas, há outras semelhanças com a decadência da Seleção: os piores vexames do Santos neste século foram os 7x1 que tomou do Corinthians em 2005 e a surra, pelo mesmo placar, que o Internacional lhe aplicou neste domingo (22). Ou seja, o mesmíssimo 7x1 que o Brasil sofreu da Alemanha em 2014, a pior derrota do nosso escrete em todos os tempos!
Finalmente, foram igualmente péssimos os dirigentes que ora conduzem o Santos diretamente para a série B e os que conduziram o Brasil a cinco Mundiais pífios consecutivos, igualando as duas maiores secas do escrete canarinho (de 1930 a 1954 e de 1974 a 1990), com a agravante de que nada, por enquanto, indica que possa dar a volta por cima em 2026.
Afora o fato de que as gestões do período de fim de feira foram marcadas por escândalos escabrosos de corrupção, a ponto de um dirigente do futebol brasileiro (João Havelange) ter de renunciar à presidência da Fifa para não ir em cana e outro (José Maria Marin), sem a mesma indulgência, ter visto o sol nascer quadrado nos EUA.
Quanto ao clube praieiro (como o Milton Neves faz questão de sempre lembrar), a coisa chegou ao ridículo, pois, "nos anos 60, alguns dirigentes santistas explicaram da seguinte forma o desaparecimento de parte da grana da excursão feita pelo time: a porta do avião se abriu em pleno voo e uma das malas caiu".
Um negócio da China no qual o Santos torrou rios de dinheiro, o Parque Balneário, também teve muitos desdobramentos na Justiça, mala de dinheiro com uma verdadeira fortuna esquecida em cima de um balcão, etc.
Pobre Pelé, que tantas vezes jogou baleado para garantir o queijo desses cartolas roedores! (por Celso Lungaretti)
A seleção brasileira está na estaca zero. Esse é o resultado deixado pela comissão técnica de Tite após a Copa do Mundo do Catar, com seis anos no comando, e de todos os jogadores que fracassaram no último Mundial. O Brasil amarga cinco Copas sem sucesso. Continua longe do seu torcedor e começa março, mês em que voltará a atuar em amistoso internacional no dia 25, contra Marrocos, sem rumo. A constatação é dolorida para a seleção pentacampeã do mundo, mas ela é real. O Brasil morreu.
Ao contrário de Messi, Neymar não foi um líder em campo.
Não sobrou nada após o Catar. Não há treinador definido nem próximo de ser contratado. Ramon assume o posto ao cair de paraquedas no cargo após comandar o time nacional dos garotos. Nada a ver com a história do país cinco vezes campeão do mundo, de Pelé e Garrincha, Sócrates e Zico, Romário e Bebeto, Ronaldo e Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho e Adriano e tantos outros.
Ramon foi um jeitinho encontrado pela CBF para ganhar tempo e cumprir seu primeiro compromisso no ano, inclusive financeiro com os patrocinadores.
Ninguém sabe nada sobre a seleção. E mesmo esse time que será montado por Ramon, que não tem culpa de nada e está ajudando por ser membro da CBF, não vale nada. Ramon não ficará no cargo. Ele é tampão até o presidente Ednaldo Rodrigues encontrar um substituto para Tite.
A situação é tão ruim que faz três meses que o cargo está vago, sem cheiro de quem poderá ocupá-lo. Não há nomes fortes no cenário nacional. Todos são discutidos. Nenhum é unanimidade. Pior, com mais características negativas do que positivas. Na Europa, há mais sonhos do que vida real. Pep Guardiola, Carlo Ancelotti, Zidane, são todos nomes ventilados, mas que têm com seus clubes contratos longos e milionários. Zidane está no mercado, mas sem nenhuma identificação com o Brasil, a não ser ter derrubado o time de Zagallo em 1998. Pep Guardiola recebe R$ 13 milhões por mês no Manchester City. Ancelotti tem carinho aparente pelos jogadores brasileiros e pelo futebol da seleção de tempos passados, mas tem um gigante Real Madrid para cuidar e ganhar taças e onde parece também feliz e ambientado.
Há os mesmo jogadores que estavam no Catar para chamar. Não dá mais. Já ficou mais do que provado que um dos maiores problemas da seleção é a falta de esquemas e jogadas, de ensaios e de inteligência, com muito tratamento privilegiado e uma turma de atletas mimadinhos.
O Brasil tem sido time cheio de craques, mas sem comando, que entra em campo bagunçado e achando que vai decidir o resultado de um jogo no talento. No futebol de seleções, isso não existe mais. Vez ou outra um craque resolve tudo, como fez Messi para a Argentina na Copa do Catar. Mas isso está se tornando cada vez mais raro. A massa nacional é crua e sem gosto.
Tite não deixa nenhum legado.
Neymar também é responsável pelo Brasil estar na estaca zero. O camisa 10 não sabe se quer mais jogar no time. Disputou três Copas e fracassou em todas. É um jogador pior agora do que era em sua primeira participação em Mundiais, em 2014, no Brasil. Nesses últimos três meses, apenas Vinicius Junior cresceu, mesmo assim é preciso ver como o treinador vai usá-lo. É consenso que os jogadores brasileiros atuam melhor em seus times na Europa do que na seleção brasileira.
Há gente boa e interessada na CBF para resolver esse problema. Mas é fato que a seleção hoje não existe. Tudo o que se pretendia fazer na era Tite deu errado. Não há um legado ou uma transição. A gestão foi péssima. Não há um tijolo no seu devido lugar. Em breve, as seleções vão começar a disputar novamente as Eliminatórias e muito rapidamente a próxima Copa do Mundo vai chegar. O Brasil precisa voltar a ter uma camisa pesada. Não tem mais. Aqui dentro do País, o sentimento é de que a seleção está morta. (Robson Morelli)
Parafraseando uma das mais belas crônicas, poemas, do poeta e escritor Paulo Mendes Campos, o amor acaba, por dezenas de motivos. Parece certo que terminou o profundo e longo relacionamento afetivo entre Messi e Barcelona.
A gota d’água foi a derrota de 8 a 2 para o Bayern, pelas quartas de final da Liga dos Campeões. Messi se sentiu humilhado e já tinha avisado, após a perda do título espanhol para o Real Madrid, que a equipe, se não melhorasse, passaria por muitas vergonhas. Ele não sabia que seria tão grande.
O amor acabou muito antes, por causa das condutas da diretoria, como as de criticar os jogadores por algumas derrotas, pelas negociatas relatadas na imprensa e por não se empenhar na contratação de Neymar, a pedido de Messi, que queria fazê-lo seu herdeiro.
O fascínio terminou quando Messi viu também que a bola que saía de seus pés não voltava como ele queria e que tinha de fazer muito mais esforço para marcar seus gols. Viu que o Barcelona estava desajustado, ultrapassado. Constatou ainda o óbvio, que o tempo passa e que ele não é eterno.
O Barcelona implodiu. Não quer ficar mais com vários de seus principais jogadores, como Suárez, Rakitic, Busquets, Piqué e Jordi Alba, muitos deles da geração de Messi, formados em La Masia, centro de formação de jogadores do clube.
Iniesta, Messi e Xavi faziam do Barça o melhor time da História
O clube catalão se iludiu que a grande geração de Messi, que teve também Xavi, Iniesta e Fàbregas, poderia ser replicada em laboratório e que haveria uma fórmula mágica de produção de craques.
Da geração seguinte ainda não surgiu nenhum fora de série, embora haja algumas promessas. A maioria já foi testada, não apresentou qualidades para jogar no Barcelona e foi cedida para times médios da Europa.
A estrutura física e técnica na formação de atletas é importantíssima, essencial, mas não é garantia que sempre surgirão craques. Algumas vezes, os fenômenos nascem do nada, sem explicação. Muitas grandes equipes da história foram formadas assim, por acaso.
Por causa da pouca qualidade da geração seguinte à de Messi, o clube gastou fortunas para contratação de jogadores, sem sucesso, como Coutinho, Arthur, Dembélé, Griezmann e outros. Todos são muito bons, mas criaram uma expectativa acima da realidade. O time atual possui várias deficiências coletivas e individuais.
O amor acaba, mas pode renascer noutro clube, país, com novos companheiros. Há sempre alguém à espera, com muito carinho. A carreira magistral de Messi ainda não terminou. Precisamos vê-lo por mais tempo. Será um vazio sem ele.
Ou Messi está cansado de tanta pressão, de tanta responsabilidade, de ser, em todos os jogos, o genial atleta que é?
Messi pode estar com vontade de voltar a Rosário (onde jogou na infância) e encerrar a carreira no Newell’s Old Boys; ou de sentar-se na praça e sonhar com outros prazeres, antes que a sociedade do espetáculo, sedenta por novos ídolos, se canse dele. (Tostão, tri mundial em 1970 e nosso melhor comentarista esportivo atual)
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TOQUE DO EDITOR— Nos esportes torço, acima de tudo, pela arte. Então, antecipadamente lamento o vazio que a aposentadoria do (indiscutivelmente) melhor futebolista do século 21 e (provavelmente) maior de todos os tempos deixará.
Os idiotas da objetividade (como Nelson Rodrigues qualificava os incapazes de captar a beleza em estado puro que a vida às vezes nos proporciona, limitados ao perde/ganha que lhes dá uma ilusão de serem vitoriosos e não os eternos perdedores que são na injusta sociedade atual) exibirão números, eu prefiro o êxtase. A cada um, o seu.
Era apaixonado pelo futebol da socrática democracia corinthiana, ia em todas as suas partidas no Morumbi ou Pacaembu; enquanto reinou, Muhammad Ali me ver boxe como nunca antes nem depois; após Federer pendurar a raquete, provavelmente passarei anos sem interessar-me pelo tênis; até no xadrez me viciei quando o destemido Kasparov desafiava os burocráticos e cautelosos Karpovs que tinham, todos, a cara da revolução traída.
Está chegando a hora de me deixar órfão futebolístico por uns tempos o cracaço Messi, maior símbolo da revolução catalã da década passada, quando voltei a me deliciar com um futebol brilhante, alegre e ofensivo que pensava ter deixado para trás.
Torço para que, seja ao lado de Guardiola e De Bruyne, ou de Neymar e Mbappé, ele tenha um fim de carreira à altura de sua genialidade e de toda beleza que nos entregou.
Gostaria que houvesse sido na heroica e rebelde Catalunha, pela qual tanto apreço tenho. Mas, um atleta com a idade dele não tem mais tempo útil pela frente que lhe permita esperar o Barcelona renascer das cinzas.
Paciência. Mesmo que seja num time da pérfida Albion, mas ao lado do melhor técnico da nossa época, que tenha um canto de carreira capaz de calar até o mais obtuso e empedernido idiota da objetividade!(por Celso Lungaretti)
Quem acompanha minha trajetória sabe que, em agosto/2010, Boris Casoy me moveu uma ação criminal por eu ter colocado em post informação (ou erro de informação) que milhares de blogueiros e comentaristas da internet também incluíram em seus escritos relativos ao chamado episódio dos garis.
Como a hipótese de retratação não existe para mim quando do outro lado está um antípoda ideológico tão emblemático quanto ele, e não tendo então (como agora) recursos para contratar advogado que abraçasse a causa respeitando minha decisão de arguir a exceção da verdade, estressei-me e passei por muito sufoco até finalmente conseguir a absolvição em janeiro/2011 (videaqui).
Desde então, evito incluir, em textos por mim escritos para publicação ou colocação no ar, afirmações que possam dar pretexto para que alguém me mova ações por calúnia, injúria ou difamação.
Mas, fiel ao espírito jornalístico deste blog, jamais deixarei de postar artigos alheios que levantem discussões importantes para nosso país e nosso povo.
Caso do artigo Bolsonaro é um caso clínico, o que não o livra de responder por seus atos, do Reinaldo Azevedo, pois tem suma importância para os brasileiros saberem se estão sendo governados por um louco e qual a gravidade do seu caso clínico. A ele, pois!(por Celso Lungaretti).
* * *
"Oevento— já que entrevista não foi — protagonizado por Jair Bolsonaro nesta sexta, às portas do Palácio da Alvorada, não é próprio de uma pessoa no pleno gozo das chamadasfaculdades mentais.
Sempre me pareceu haver entre Bolsonaro e a realidade um certo déficit cognitivo. Ele tem domínio (claro!) do contexto político em que está inserido; evidenciou que sabe obter vantagens pessoais da vida pública — o patrimônio declarado da família se aproxima de R$ 15 milhões; manteve um mandato de deputado por 28 anos; três filhos seus são políticos eleitos; já lançou um quarto na vida pública e, maior de todas as conquistas, é presidente da República. E aqui está uma questão. Damos de barato que um idiota clínico não chegaria tão longe. A minha avaliação: depende!
Se o partido que chegou a representar a esperança de milhões de pessoas cai em desgraça; se uma força-tarefa do Ministério Público e da Polícia Federal destrói o espaço público sob o pretexto de caçar corruptos; se a própria imprensa ajuda a demonizar a política; se um maluco tenta matar um idiota clínico, franqueando-lhe o papel de herói da resistência, então um idiota clínico pode, sim, assumir o lugar do protagonista. Chega ao topo. E continua a ser quem é.
É evidente que Bolsonaro tem noção da gravidade das acusações que engolfaram Flávio Bolsonaro — e, na verdade, a sua família. Tudo índica que o filho era o operador de um método do clã.
Ainda que tivesse uma moralidade deformada para a vida pública, alguém que estivesse os neurônios ajustados, mesmo que com a disposição de enganar o público, teria uma reação muito distinta daquilo que se viu nesta sexta. Sabemos que Bolsonaro é reacionário, agressivo, homofóbico, misógino… E essas características se manifestaram na sua conversa com repórteres, com as manifestações de praxe de seus seguidores, que representam o coro da boçalidade da bolha de opinião na qual é herói. É parte do jogo. É a expressão daquilo que ele é e representa. A minha questão aqui é outra. Diz respeito à pertinência.
Os exemplos a que ele recorreu para se explicar — ou para fugir das questões — não guardam conexão com a realidade. Mesmo o ânimo para ofender tem de guardar relação transitiva com o assunto em pauta. Não é o caso. Entendam: as agressões do presidente não fazem sentido.
Ele não domina nem a arte do insulto, que também é um exercício de inteligência — ainda que se possa fazer mau uso desse atributo. Ou por outra: os ataques de Bolsonaro são burros; não funcionam nem como resposta diversionista. E, se notarem, é a cara do seu governo.
Exceção feita à gestão da política econômica, na qual não apita, e aos esforços empreendidos por Tarcísio Gomes de Freitas [ministro da Infraestrutura], que também passam longe da diretriz presidencial, o governo é tão alucinado como o seu condutor. Não sou especialista, mas é, sim, um caso de idiotia clínica.
Vamos ver. Indagado se tem o comprovante do empréstimo de R$ 40 mil que diz ter feito a Queiroz, responde:
'Oh rapaz, pergunta para a tua mãe o comprovante que ela deu para o teu pai, tá certo?'
Sim! É estúpido, grosseiro, misógino, asqueroso, repulsivo. Mas indago: que conexão guarda a sua ofensa com a indagação feita? É, em suma, a resposta de um doido.
E ele prosseguiu:
'Você tem a nota fiscal desse relógio no teu braço? Não tem. Você tem nota fiscal do teu sapato? Você tem do teu carro, o documento? Tudo para o outro lado tem que ter nota fiscal e comprovante.
Eu conheço o Queiroz desde 1985, nunca tive problema. Pescava comigo, andava comigo no Rio de Janeiro. Tinha que ter segurança comigo, andava com meu filho. Se ele fez besteira, que responda pelos atos dele'.
Poderia dizer aqui que consumidores não são obrigados a andar com a nota fiscal daquilo que compram. Mas isso corresponderia a dar uma resposta racional, técnica, organizada, a a quem está falando qualquer coisa.
Terá esta frase sido premonitória?
O que tem a ver Queiroz com a sua pergunta retórica sobre nota fiscal? Nada faz sentido. Mas que se note ali um lapso na linguagem: trata a si e aos seus como o outro lado. Outro lado de quê? Resposta: do mundo em que transitam as demais pessoas. Bolsonaro se sente em guerra contra o mundo.
Ao responder uma pergunta sobre a investigação que alcança Flávio, disparou:
'Você tem uma cara de homossexual terrível, nem por isso eu te acuso de ser homossexual. Se bem que não é crime ser homossexual'.
De novo: à parte o ânimo para ofender — e ele considera que associar alguém à homossexualidade é uma agressão terrível —, o que há de comum ou contrastante — de transitivo! — entre a sexualidade do repórter e a pergunta que lhe foi dirigida para que ele opte por essa tentativa de paralelismo?
Há tanto nexo entre uma coisa e outra como dizer: 'Você tem cara de que gosta de comer pão com leite condensado; nem por isso eu te acuso de comer pão com leite condensado. Se bem que não é crime comer pão com leite condensado'.
Mas tomar uma parte ou a totalidade do salário de funcionários da Assembleia Legislativa do Rio lotados em gabinetes de deputados é, sim, crime!
O salto mais formidável no valo demencial se deu quando indagado se iria transferir a embaixada do Brasil em Israel de Tel Aviv para Jerusalém:
'Você pretende se casar comigo um dia? Não seja preconceituoso. Você não gosta de loiro de olhos azuis? Isso é homofobia, vão te processar por homofobia'.
Filho 01 e seus chocolates ultra-hiper-super-lucrativos
Há aí uma dupla desconexão entre texto e realidade: uma externa e outra interna. A externa é evidente: em que o suposto exemplo responde à demanda, ainda que por metáfora?
E há a interna: na fala do presidente, a homofobia e caracterizaria por um homem não querer se casar com um louro de olhos azuis. Sem contar a nada discreta sugestão de que ele considera que tais atributos o colocam acima de morenos de olhos escuros.
E, vejam lá, sobraram ataques para o governador Wilson Witzel e o juiz Flávio Itabaiana de Oliveira Nicolau, embora ele não tenha um só elemento objetivo a sustentar suas acusações. Imaginem só. Um presidente da República disparou a seguinte frase:
'O Rio é o Estado mais corrupto do Brasil'.
O NEYMAR — Ademais, Bolsonaro não inova nem quando tem de emular com os piores momentos de Lula, ainda a sua Nêmesis imaginária.
Indagado sobre a razão de Flávio Bolsonaro ficar com a maior parte do lucro da loja de chocolates, pouco sobrando o sócio, o presidente saiu-se com esta:
'Acusaram ele também de estar ganhando mais na casa de chocolate. Quem leva mais cliente —e ele leva um montão de gente importante pra lá— ganha mais.
Fazendo demagogia barata no "Estado mais corrupto do Brasil"
É a mesma coisa de chegar para o Neymar [e perguntar]: 'Por que ele está ganhando mais do que os outros jogadores?' Porque ele é mais importante. Não é comunismo'.
Em 2006, ao responder sobre o sucesso da vida empresarial de um de seus filhos, Lula o associou a Ronaldinho.
ENCERRO — Sim, estou convencido de que Bolsonaro tem um problema que é clínico. Suas respostas, a meu juízo, o evidenciam com clareza.
Ocupa, no entanto, um lugar de quem está obrigado a responder por seus atos. O único remédio que a institucionalidade tem de ministrar a ele é o triunfo da lei.
O Brasil não pode se transformar em seu hospício privado".(por Reinaldo Azevedo)