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segunda-feira, 30 de julho de 2018

COM FALSO MEA CULPA, NEYMAR TOMBOU MAIS ALGUNS CENTÍMETROS

Toque do editor
Se há algo que jamais farei é comentar alguma peça publicitária em particular, pois considero-as todas nocivas: impingem produtos e serviços quase sempre desnecessários, insuflando o consumismo desenfreado, além de incutirem subliminarmente os valores de uma sociedade desumana e injusta ao extremo. 

Caso o Zé Celso Martinez Correa não tivesse afirmado que "os publicitários são filhos de Goebbels", é bem provável que eu mesmo criasse tal frase. Ela simplesmente esgota o assunto.

Mas, o comercial tentando limpar a barra do Neymar, no qual lê uma lenga-lenga piegas que jamais teria capacidade para escrever e que todos sabemos não representar seus reais sentimentos, foi um insulto à inteligência de quantos nos frustramos com o desempenho dele no último Mundial. Então decidi, excepcionalmente, não deixá-lo passar em branco. 

Como não me sentiria bem escrevendo tal crítica, decidi reproduzir a ferina catilinária do roteirista de cinema e TV Tony Goes, que matou a cobra e mostrou o pau....
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COMERCIAL EM QUE DESABAFA É MAIS UMA BOLA FORA DO NEYMAR
Chororô no sábado da eliminação...
Neymar virou um problema para seus patrocinadores. Contratado a peso de ouro por algumas das maiores marcas do mundo, o jogador saiu da Copa do Mundo da Rússia com a imagem chamuscada.

O que derrubou Neymar não foi a derrota da seleção brasileira. O egípcio Salah não conseguiu que seu time passasse da 1ª fase e, mesmo assim, entrou para o ranking dos dez melhores do mundo divulgado pela Fifa (o brasileiro ficou de fora). Cristiano Ronaldo caiu com Portugal nas oitavas de final e assinou um contrato milionário com a Juventus antes mesmo do final do torneio.

Neymar despencou por causa de seu comportamento de prima-dona, sem compensar esses chiliques com gols. À menor resvalada durante um jogo, o rapaz se atira ao chão, se contorce de dor, exagera na encenação. Virou piada a nível planetário.

Um professor de teatro entrevistado pelo jornal The New York Times avaliou a performance do jogador como pífia e não convincente. “Neymar faz o que todos os atores principiantes fazem", disse Jim Calder. "Eles exageram os eventos." 
...e uma alegre noitada de pôquer na 4ª feira seguinte. Serão só as faltas que ele simula?!
Assustada com a súbita queda no valor simbólico de seu garoto propaganda, a Gillette entrou em campo. Durante um intervalo do Fantástico neste domingo (29), o anunciante veiculou um comercial de um minuto e meio (uma duração três vezes maior do que a habitual), em dramático preto e branco, com Neymar recitando em off um texto em que admite alguns erros, mas não chega a pedir desculpas.

Tenho pena do redator que escreveu esse texto. Cada palavra deve ter sido repensada centenas de vezes e submetida ao crivo de muita gente – inclusive ao do próprio Neymar, é claro. Pena que, no final, a coisa descamba, piorando ainda mais a combalida reputação do jogador.

“Eu caí, mas só quem cai pode se levantar”, diz Neymar no fim do comercial. “Você pode continuar jogando pedra, ou pode jogar essas pedras fora e me ajudar a ficar de pé. E quando eu fico de pé, parça, o Brasil inteiro levanta comigo.”

Oi? Quer dizer então que a responsabilidade é nossa? Que temos que ajudar o coitadinho do Neymar a se reerguer, depois dele ter agido feito um moleque mimado durante anos a fio, dando muito pouco em troca aos torcedores de seus times?

O que Neymar tem feito para justificar a paixão dos brasileiros? Nem aqui ele joga mais. Largou o Santos de uma hora para a outra e foi para o Barcelona. Chutou o Barcelona para escanteio e se bandeou para o Paris Saint-Germain, onde ainda não disse a que veio.

Enquanto isso, não perde uma oportunidade de monetizar cada segundo de sua vida pessoal. Solta mal disfarçadas mensagens publicitárias em seus perfis nas redes sociais. Posa em trajes menores ao lado da namorada, a atriz Bruna Marquezine, para uma campanha de uma loja de roupas. E agora deu um jeito de faturar com o vexame que protagonizou no Mundial.

No filme da Gillette, Neymar insiste que ainda é um menino. Não é: é um homem de 26 anos, pai de um filho, que acumulou uma fortuna por seus próprios méritos.

Já passou da hora dele se comportar feito um adulto. Deixar de ser seduzido pelo canto de sereia da publicidade e assessorado por gente que não pensa a médio prazo. Basta conferir a reação largamente negativa dos internautas a esse falso mea culpa: Neymar tombou mais alguns centímetros.

Terá que fazer muito gol para conseguir se levantar. (por Tony Goes)
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Como a bola de ouro ele não vai mesmo ganhar, que tal o Profissionais do
Ano? Desde, claro, que haja prêmio para a peça publicitária mais cínica...

quarta-feira, 25 de julho de 2018

"A CULPA FOI DO TURCO!" — HITLER EXPLICA.

clóvis rossi
SÓ A DERROTA É RACISTA
A Alemanha fracassou em 2018 e Özil virou turco...
Mesut Özil, o meia alemão, pôs o dedo na ferida do racismo na carta em que anunciou no domingo (22) sua despedida da seleção alemã:
"Eu sou alemão quando ganhamos, mas imigrante quando perdemos".
É a mais pura verdade e revela a tremenda hipocrisia do racismo —essa indecência abjeta em viés de alta em quase todo o mundo. Na Alemanha, prova-o o fato de a xenófoba Alternativa para a Alemanha ter obtido 12,6% dos votos e 94 assentos no Parlamento, no pleito de 2017.

Em 2014, na Copa do Brasil, Özil era alemão e foi um dos destaques da seleção campeã do mundo (sim, aquela dos 7 a 1 que ninguém esquece).

Em 2018, na Copa da Rússia, Özil virou turco. Fracassou, como todos os seus companheiros, eliminados ainda na primeira fase da competição, com um desempenho pavoroso.

Daria até para dizer que só a derrota é racista, não fora pela frase seguinte da carta do jogador: 
"Ainda não sou aceito na sociedade. Me tratam como alguém diferente".
...já quando quando ganhou a Copa de 2014, Özil era alemão.
Achei que Özil desistiria da seleção antes até da Copa da Rússia. Fiquei com vergonha alheia ao ouvir o quanto ele era vaiado, durante o último amistoso da Alemanha antes da Copa, contra a Arábia Saudita, disputado em Leverkusen. Vaias também para Gündogan, igualmente de origem turca.

O crime de ambos: terem posado para fotos ao lado do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, então em campanha para reeleger-se (o que conseguiu). 

Acho Erdogan um horror, como todo autocrata, mas qualquer cidadão turco ou de origem turca, como é o caso dos dois jogadores, tem o direito de apoiar qualquer candidato. Ao menos, enquanto existirem vestígios de democracia no país, o que ainda é o caso da Turquia, sabe-se lá por quanto tempo.

Como a vitória não é racista, os alemães não se incomodaram com o fato de que, dos 23 campeões de 2014, seis eram imigrantes: Klose e Podolski, nascidos na Polônia e naturalizados alemães; Khedira, de pais tunisianos; Boateng, descendente de ganeses; e Mustafi, de albaneses, além de Özil.
Desgraças nacionais continuam sendo culpa de estrangeiros
O mais indecente no episódio de Özil é que a campanha contra ele foi desatada pelo próprio presidente da Federação Alemã de Futebol, Reinhard Grindel, ex-deputado da União Democrata-Cristã, partido que encabeça a coligação governante.

O jogador conta que Grindel quis afastá-lo da seleção pela foto com Erdogan, mas não conseguiu porque o técnico, Joachim Löw, e o diretor esportivo, Oliver Bierhoff, não permitiram.

Se serve de consolo para os brasileiros, vê-se que Marco Polo del Nero, o ex-presidente da CBF, não é o único comandante do futebol indigno do cargo.

Em tempo: saiu a lista dos 10 jogadores candidatos a melhor do mundo. Nenhum brasileiro aparece. Não chega a ser tão triste quanto as cenas de racismo explícito que afastaram Özil da seleção alemã, mas é, sim, incômodo sinal dos tempos. (por Clóvis Rossi)

terça-feira, 17 de julho de 2018

TOSTÃO ADVERTE: "NEYMAR PRECISA DA AJUDA DE PROFISSIONAIS, E NÃO DOS BAJULADORES, PARA SALVAR A CARREIRA"

Trechos da coluna do Tostão
Não sei em quem eu votaria como melhor da Copa (...). Muitos foram brilhantes. Se Neymar bobear, um deles fura a fila e se torna o herdeiro de Cristiano Ronaldo e Messi.

As críticas a Neymar, que já existiam desde o início de sua carreira, explodiram e se tornaram chacotas e piadas mundiais. Ele é o responsável por isso.

Há um exagero, um prazer em derrubar uma celebridade e, principalmente, um aviso, de que o futebol não tolera os cai-cai e os simuladores. Ele terá de mudar para salvar a carreira. Para isso, precisa da ajuda de profissionais e não dos bajuladores.
"Os gestos teatrais se tornaram automáticos"

O futebol não deveria tolerar também os marcadores violentos, que adoram intimidar, provocar e induzir os grandes jogadores a serem expulsos.

O comportamento de Neymar, que no início da carreira era feito de gestos teatrais para levar vantagem, frequente na sociedade brasileira, se tornou automático.

Por isso, receio que ele, mesmo se tiver vontade de mudar, se iniba e deixe de driblar e de procurar o confronto individual. Não quero que ele seja um cai-cai, um simulador, nem um jogador comum, previsível.

domingo, 15 de julho de 2018

ACABOU A FARRA DOS AZARÕES

Dois grandes acontecimentos esportivos tiveram o mesmo desfecho neste domingo, 15: os azarões jogaram como nunca e perderam como sempre.

Na decisão do Mundial de futebol, o consistente selecionado da França derrotou por 4x2 o voluntarioso escrete da Croácia. Saiu barato.

Os franceses lembraram o Corinthians do técnico Fábio Carille, campeão brasileiro de 2017: ao se defender sabia sofrer, aguentando  a pressão adversária sem se descontrolar nem ceder chances claras de gol; e no ataque, tirava ótimo proveito das contra-ofensivas, tornando-as fulminantes. De quebra, os gauleses mostraram muita competência nas bolas paradas.

Marcaram dois gols com belos arremates de fora da área (Pogba e Mbappé) e acharam os outros dois com o croata Mandzukic fernandinhando num chuveirinho e seu companheiro Perisic cometendo um toque casual que hoje é considerado pênalti.

O mesmo Perisic conseguiu fazer um golaço para a Croácia, descobrindo um espaço para seu disparo atravessar uma floresta de pernas; e o goleiro francês Lloris entregou um gol de graça ao tentar driblar Mandzukic.

Venceu o selecionado com melhor jogo coletivo  e que possuía mais jogadores talentosos, capazes de fazer a diferença nos momentos nevrálgicos. A Croácia precisaria de outros Modrics para ter chances reais de levar a taça, um não bastou.

Muita onda se fará acerca da arbitragem, mas:

— o primeiro gol da França começou numa falta duvidosa, como há aos montes em todas as partidas de futebol; não era lance perigoso em si e a marcação do árbitro passaria despercebida se Mandzukic não houvesse dado uma cabeçada típica de centroavante... contra sua meta; e
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— antes o pênalti era assinalado quando um defensor cometia toque intencional dentro da área, mas em 2014 a Fifa mudou a interpretação (passou-se a considerar penalidade se a bola for interceptada com a mão ou com o braço, mesmo sem intenção). O atleta agora só se salva se estiver com o braço colado ao corpo. Perisic estava com o braço em movimento e as duas trajetórias se encontraram, a do braço e a da bola. Não concordo com tal regra, mas é a vigente e, segundo ela, foi, sim, pênalti.
                                                                                                                                                   .          
O CAMPEÃO VOLTOU E KEVIN ANDERSON MORREU NA PRAIA – Assim como a Croácia jamais atingira uma final de Copa do Mundo e precisou desgastar-se enormemente (três prorrogações!) para chegar a um passo da glória, o tenista sul-africano Kevin Anderson teve de suar sangue para conseguir, aos 32 anos, sua primeira chance de sagrar-se campeão em Wimbledon, o mais tradicional dos slams.

Foram cerca de quatro horas e meia na quadra diante de Roger Federer na quarta-de-final e seis horas e meia contra John Isner na semifinal. Caindo aos pedaços, foi facilmente dominado pelo sérvio Novak Djokovic nos dois primeiros sets (6x2 e 6x2).
Mais um troféu de vice para Anderson

No terceiro buscou energias no fundo da alma para tentar salvar-se, mas conseguiu apenas levar a decisão para o tie-break, quando a categoria e sangue-frio do Djoko prevaleceram (7x3).

Diferentemente da Croácia, Anderson já batera uma vez na porta do paraíso, com o mesmo resultado decepcionante: foi derrotado por Rafael Nadal na final do US Open do ano passado.

Com isto, encerrou-se uma estranha etapa do tênis profissional. Tidos como já decadentes e vindo de contusões e apagões, Federer e Nadal ressuscitaram ao mesmo tempo em 2017: com mudanças significativas na maneira de atuar, aproveitaram bem um momento em que a bruxa andava à solta pelos lados de Djokovic, Andy Murray e Wawrinka, bem como dos talentos promissores da nova geração. 

Com isto, numa idade em que ganharem um último slam já seria uma grande proeza, conquistaram três cada (os quatro do ano passado e os dois primeiros deste ano).

Agora, com Djokovic finalmente recuperando a forma, a fonte deve ter secado.

sábado, 14 de julho de 2018

CURIOSIDADE: HINO NACIONAL DA CROÁCIA (1846) CHEIRA A MOFO, MAS A MARSELHESA (1792) CONTINUA EMOCIONANTE. CONFIRA!

"Somos todos soldados para vos combater / Se tombam os nossos jovens
heróis / A terra de novo os produz / Contra vós, todos
prontos a vos vencer!"
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"Querida nos és gloriosa, / Querida nos és única. / Querida nos és
onde plana, / Querida nos és onde montanha!"

sexta-feira, 13 de julho de 2018

OS GOLS NECESSÁRIOS ELES FICARAM DEVENDO. MAS, TALVEZ TENHAM FEITO ALGUMAS QUADRAS E FULL HANDS...

Inconsoláveis, Neymar e Gabriel Jesus esforçam-se para rirem, mesmo estando com os corações partidos
Na última 6ª feira (6), o Brasil foi eliminado da Copa do Mundo. Neymar (o que quase sempre nega fogo nas grandes decisões) e Gabriel Jesus (o centroavante que esteve em campo cinco vezes e não fez um gol sequer) foram os titulares que mais decepcionaram, ao lado do reserva Fernandinho, substituto do suspenso Casemiro.

Neymar, tão poltrão que nem ousou encarar a imprensa brasileira, tuitou: "Foi o momento mais triste da minha carreira".

A tristeza passou depressa: na 4ª feira (11)  lá estava ele participando de um evento de pôquer, ao lado do Gabriel Jesus, num bar chique do Itaim Bibi.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

BOLSONARO TORCERÁ PARA A CROÁCIA. ENTÃO, NÃO PERCAMOS DE VISTA O FUNDAMENTAL: A LIBERDADE É AZUL!

Se razões de ordem política pesarem na escolha da seleção para a qual devemos torcer no próximo domingo, o cineasta polonês Krzysztof Kieślowski deu uma ótima dica: a liberdade é azul.

Não que os franceses de 2018 tenham muito a ver com les enfants de la patrie contra os quais os estandartes sangrentos da tirania se erguiam em 1792, quando o oficial Claude Joseph Rouget de Lisle compôs A Marselhesa.

Mas, infelizmente, parte dos croatas de 2018 continua identificando-se com os ocupantes de seu país durante a 2ª Guerra Mundial, os nazistas. São nostálgicos da bestialidade, assim como Jair Bolsonaro e os pregadores de uma intervenção militar no Brasil.

E o pior é que ousaram glorificar os vilões do passado em pleno Mundial de 2018! Escolheram para isto essa lembrança muito ofensiva para os russos: a ocupação da Ucrânia.

Uma das repúblicas soviéticas enfeixadas na URSS, após a Batalha de Kiev (aquela que, travada entre agosto e setembro de 1941, é considerada o maior cerco de tropas da História) a Ucrânia caiu em poder das tropas alemãs, que chegaram a ser recebidas por nacionalistas locais como libertadoras. 
Vida gravou um vídeo louvando a morte
Depois, as perseguições contra judeus, ciganos e outras minorias, incluindo deportações para campos de trabalho, fizeram a maioria da população passar a ver com outros olhos o novo regime. E, ao final da 2ª Guerra Mundial, a Ucrânia voltaria a ser soviética.

Há, contudo, quem sinta prazer em ser tratado a pontapés, a ponto de até hoje cultivar a lembrança daquela situação aviltante. Gosto não se discute...

Eis o relato do colunista esportivo Juca Kfouri:
"O (...) defensor croata Vida (...) gravou um vídeo em conjunto com Ognjen Vukojevic, ex-jogador ucraniano, exaltando o regime fascista de Kiev. 

O vídeo foi adicionado ao Facebook por um jornalista ucraniano, e nele viu-se o jogador Vida, gritando Glória a Ucrânia, depois de a Croácia eliminar a Rússia. 

Este lema, usado pelo fascismo ucraniano, é semelhante ao usado pelo franquismo, Arriba España. 

Por isso, ontem [11/07], a cada vez que Vida pegava na bola era fortemente vaiado pela torcida russa no jogo contra a Inglaterra. 

Não é a primeira vez em que a Croácia se vê em situações semelhantes.
Simunic e sua saudação nazista dissimulada

Foi um escândalo, p. ex., quando, em um vídeo divulgado pelo jogador Lovren, vários jogadores da Croácia, entre eles Vrsaljko do Atlético de Madrid, cantaram Bojná Cavoglave, uma canção da banda Thompson, que pede desculpas ao regime fascista croata do Ustacha durante a 2ª Guerra Mundial.

Em 2015, a UEFA sancionou a própria Federação Croata de Futebol com um jogo de portas fechadas e 50 mil euros de multa por insultos racistas dos seus adeptos. 

Esse jogo, diante da Itália, foi jogado com uma suástica pintada com clippers no gramado do estádio, o que levou a UEFA a abrir processos disciplinares contra a Croácia.

Em 2013, o jogador croata Simunic foi multado em 3.500 euros por gritos nazistas. Durante uma celebração, o jogador pediu à platéia para cantar com ele um lema bem conhecido dos ustachis. 

Za dom (Em casa) disse Simunic três vezes para o estádio, microfone na mão levantada, enquanto o público respondeu Spremni ( Pronto!). 
Essa foi uma das saudações dos ustachis, o protetorado croata da Alemanha nazista".

segunda-feira, 9 de julho de 2018

O RESCALDO DA TRAGÉDIA DA ARENA KAZAN

Sempre temos algo a aprender com o grande Tostão, que foi um dos heróis do tri e hoje é o melhor comentarista esportivo do Brasil. Sua coluna deste domingo, 8 (vide aqui) sintetiza otimamente o que foi a tragédia da Arena Kazan:
"O treinador Martínez usou a mesma formação tática do México, com quatro defensores, três no meio-campo e três mais adiantados (De Bruyne, pelo centro, e Lukaku e Hazard, um de cada lado). De Bruyne, livre, deitou e rolou.
Por outro lado, a Bélgica marcou mal, já que os três mais adiantados não voltavam. A Bélgica correu riscos. Deixava Marcelo livre e colocava Lukaku em suas costas. Deu certo. 
O Brasil também correu riscos. Deu errado. A seleção brasileira criou um grande número de chances de gol e só não marcou por erros de finalizações e pela atuação do goleiro Courtois.
O perigo dessas eliminações são as conclusões tendenciosas, equivocadas e absurdas (...). O Brasil foi eliminado por causa de erros individuais e coletivos, do acaso e, principalmente, porque a Bélgica possui quatro jogadores que estão entre os melhores em suas posições no mundo (Courtois, De Bruyne, Hazard e Lukaku). Temos de deixar a soberba de lado e aprender com o óbvio, que, contra grandes seleções, as chances de vitória são iguais"
Farei umas poucas ressalvas. Concordo que fosse mesmo um jogo de grandes seleções, embora a atuação pra lá de inconvincente da Bélgica contra o Japão me tenha levado a subestimá-la; mas não existia igualdade entre ambas, a brasileira era, teoricamente, melhor.

E foi por estar ciente da inferioridade do seu selecionado que o técnico Roberto Martínez (um espanhol que fez carreira medíocre como jogador e depois se tornou treinador de equipes menores do futebol inglês, até assumir o escrete belga em 2016) resolveu partir para o tudo ou nada contra o Brasil, colocando De Bruyne, Lukaku e Hazard à frente da linha da bola, na esperança de que sua defesa fragilizada segurasse as pontas e seu ataque reforçado fizesse gols.

Ou seja, acabou aplicando um nó tático em Tite, que se notabilizou exatamente por dar nós táticos noutros treinadores e assim obter vitórias surpreendentes contra adversários mais fortes. 
Gol que desestabilizou o Brasil: uma sucessão de erros

Será que ninguém da Comissão Técnica estava ciente de que Martínez é conhecido como técnico inovador e seria bem capaz de atuar de uma forma inusitada contra o Brasil?!

O resto foi o que todos sabem: 
  • o apagão de Philippe Coutinho (este por esgotamento físico), Neymar e Gabriel Jesus, no pior momento possível;
  • o azar de ter Casemiro fora e Fernandinho dentro;
  • o azar de não ter feito um gol logo de cara, na bola que Thiago Silva desajeitadamente empurrou contra a trave;
  • a imprecisão de Renato Augusto, que sucumbiu ao nervosismo e desperdiçou a grande chance que teve no finalzinho da partida; 
  • a insistência de Tite com Gabriel Jesus, Paulinho e Willian;
  • o erro de Tite ao promover o retorno de Marcelo, esburacando a defesa e não resolvendo na frente.
Tite costuma dar nós táticos; levou um no pior momento
Concordo com Tostão quanto ao fato de o Brasil ter sido eliminado por causa de erros individuais e coletivos, e do acaso; e não rasgaria tanta seda para os quatro melhores jogadores belgas, vejo apenas De Bruyne e Hazard como foras de série.

Por último, a grande pergunta é: mesmo Tite não sendo infalível, isto é motivo para jogarmos no lixo o trabalho mais consistente de um treinador do nosso escrete desde o de João Saldanha?

Mais: existe alguém melhor do que ele para tocar a renovação que se impõe a partir de agora (vide aqui)?

Pessoas simples muitas vezes precisam inculpar alguém quando das decepções mais dolorosas. E há também pessoas que não são simples e estão fazendo tudo que podem para direcionar tal catarse contra Tite, o único treinador em décadas que conseguiu isolar a seleção das influências nefastas da cartolagem.

Derrubar Tite abrirá caminho para a CBF voltar a priorizar outros interesses que não os do futebol, como marcar amistosos caça-niqueis, sem justificativa técnica nenhuma; e escalar jogadores apenas para valorizá-los no mercado internacional, em conluio com agentes e pilantras de todo tipo.

É patético que muitos empenhados no afastamento de Tite sejam exatamente os frustrados com o impeachment da Dilma e a prisão do Lula. Parecem querer que todos os circos peguem fogo ao mesmo tempo!

Comportam-se como se o Adenor fosse um mísero Dunga ou um Felipão qualquer, e não um homem politicamente consciente, que utiliza todo seu jogo de cintura para tentar atingir seus (justos) objetivos em meio às contradições brasileiras, mas, sem dúvida nenhuma, um cidadão contrário ao situacionismo. 

Ou seja, alguns que tanto o hostilizam com seus teclados são, além de injustos, míopes.

domingo, 8 de julho de 2018

TOSTÃO É UMA VOZ LÚCIDA EM MEIO A TANTO DESENCANTO, AMARGOR E TENDENCIOSIDADE

JOGO DE RISCOS
Tostão: "conclusões equivocadas e absurdas"
Antes da Copa, Tite planejou e treinou em dois amistosos, contra Alemanha e Rússia, as duas formações táticas que usaria no Mundial da Rússia.

Uma, mais ofensiva, para a primeira fase, contra seleções inferiores e retrancadas, com Coutinho pelo centro, formando um trio, com Paulinho e Casemiro. 

Outra, para as partidas eliminatórias, contra seleções mais fortes, com Paulinho, Fernandinho e Casemiro. Coutinho passaria a jogar pela direita, e sairia Willian.

Porém, como Coutinho foi o destaque da primeira fase, Tite manteve, corretamente e com o apoio de todos, o jogador do Barcelona pelo centro, ainda mais que o México não está entre as seleções mais fortes.

Coutinho, que, no início, voltava para marcar, morreu fisicamente durante a competição, como disse o jornalista Arnaldo Ribeiro. Além disso, Paulinho se preocupava muito mais em se infiltrar e fazer gols do que em marcar. Casemiro ficou isolado. Havia sempre um mexicano, livre, para receber a bola, na intermediária, e passá-la para os dois atacantes, um de cada lado. O México só não fez gols por incompetência, e, no outro dia, só se falava da maravilhosa defesa brasileira.
Técnico belga foi para tudo ou nada

Tudo isso se repetiu contra a Bélgica, com Fernandinho também sozinho. O treinador Martínez usou a mesma formação tática do México, com quatro defensores, três no meio-campo e três mais adiantados (De Bruyne, pelo centro, e Lukaku e Hazard, um de cada lado). De Bruyne, livre, deitou e rolou.

Por outro lado, a Bélgica marcou mal, já que os três mais adiantados não voltavam. A Bélgica correu riscos. Deixava Marcelo livre e colocava Lukaku em suas costas. Deu certo. 

O Brasil também correu riscos. Deu errado. A seleção brasileira criou um grande número de chances de gol e só não marcou por erros de finalizações e pela atuação do goleiro Courtois.

O perigo dessas eliminações são as conclusões tendenciosas, equivocadas e absurdas, como a de que Hazard é superior a Neymar, que jogou muito mal, mesmo com facilidades para brilhar.

O Brasil foi eliminado por causa de erros individuais e coletivos, do acaso e, principalmente, porque a Bélgica possui quatro jogadores que estão entre os melhores em suas posições no mundo (Courtois, De Bruyne, Hazard e Lukaku). Temos de deixar a soberba de lado e aprender com o óbvio, que, contra grandes seleções, as chances de vitória são iguais.

sábado, 7 de julho de 2018

PERDER DÓI, MAS É SAUDÁVEL...

“Papai, não chore, que eu ainda vou ganhar uma Copa do Mundo para você” (Pelé aos 9 anos, quando Dondinho
chorava após a perda do Mundial de 1950)
Perder dói, mas é saudável! 

Calma aí... Não estou defendendo nenhuma tese masoquista; e muito menos querendo ser um pai experiente que tenta consolar o filho inconsolável. Quero apenas fazer uma reflexão sobre o que torna grandiosa a vitória!

Por mais paradoxal que pareça, é a derrota aquilo que torna a vitória valiosa quando ela acontece. A vitória é o lado bom de uma fruta apetitosa cuja outro lado ficou amassado na queda da árvore e perdeu o viço.

Na história das copas do mundo, que já soma 76 anos (descontados os Mundiais cuja realização foi cancelada devido à 2ª Guerra Mundial), somos o país mais vencedor. Cinco ao todo (1958, 1962, 1970, 1994 e 2002). Em termos de futebol, estamos na categoria cinco estrelas. 

Estivemos presentes em todas as Copas do Mundo e por duas vezes fomos vice-campeões (o que, para os brasileiros, não vale nada). 

Cedo já tivemos um artilheiro que encantou o mundo, com 9 gols marcados nos Mundiais de 1934 e 1938 (com a camisa brasileira foram 37 gols em 37 jogos!): o diamante negro, Leônidas da Silva, inventor da bicicleta. 
Raridade: uma bicicleta do grande Leônidas da Silva

Tivemos Garrincha, a alegria do povo, mundialmente admirado. E pertence a nós o rei do futebol, Pelé, o maior conquistador de Copas, ganhando três das quatro de que participou.

A dor profunda que tomou conta do país em 1950, levando à execração injusta do goleiro Barbosa por ter-se posicionado para interceptar um centro e ser surpreendido por um arremate direto e quase sem ângulo, condenou-o à pena mais longeva que jamais teve um criminoso qualquer em nosso país (50 anos, até 2000, quando faleceu). 

Foi, contudo, o elixir capaz de levar ao delírio o nosso povo em 1958, com vitórias retumbantes sobre a França nas semifinais (5x2) e sobre os donos da casa, a Suécia, na final (outro 5x2).    

Já imaginou quão chato seria se ganhássemos todas as copas? Pareceria tão fácil a ponto de entediar. 

Mas perder, dói, principalmente quando sabemos que somos melhores. 

Perdemos algumas Copas para nós mesmos, e esta de 2018 foi um exemplo. Tamanho era nosso medo de perder que acabamos mesmo perdendo. A ansiedade tomou conta de um escrete que se desorganizou num momento-chave, tomou um gol bobo e outro em contra-ataque; e que depois teve várias chances de marcar e, por nervosismo, não foi capaz de traduzir em gols o seu domínio

Abriu a defesa no impulso de empatar logo e tomou um segundo gol graças ao deslize cometido no primeiro gol, quando, também por ansiedade, Fernandinho e Gabriel Jesus bateram cabeça num corner. 
O fatídico gol contra que desestabilizou a seleção
É que o nosso Brasil, de tão carente que anda de boas notícias, acaba encarando o futebol como uma grande chance de redenção mundial, atirando responsabilidade demasiada sobre o ombro dos atletas. 

É preciso salientar que o mundo inteiro sabe que estamos entre os melhores ou que somos os melhores, se quisermos ser pretensiosos (e temos o direito de sê-lo em matéria de futebol). 

Daí as outras seleções sentirem-se tão aliviadas quando passam pelo Brasil ou mesmo quando veem que saímos pelas mãos de outras seleções, pois aí o caminho da conquista fica mais fácil ou possível. 

Agora, só existem duas seleções campeãs do mundo na disputa: França e Inglaterra. Portanto, são as únicas que podem almejar a glória de serem bicampeãs. Nós somos pentacampeões e daqui a mais quatro, oito ou mais anos (três toques na madeira) seremos hexacampeões. 

Do alto dos meus 68 anos, espero ainda estar por aqui para ver a glória dessa conquista, que será valorizada pela dor que hoje sentimos todos. 

Como as outras seleções gostariam de ter os nossos números (ainda que o presente seja sempre mais valorizado do que o passado, pois parece ser sempre definitivo)!

Não façamos com Gabriel Jesus o que fizemos com Barbosa. Esse jovem talento não merece carregar o peso da nossa derrota nas costas. 
Barbosa: Ninguém merece tal estigmatização!

Não deixemos de apreciar o excepcional comando do Tite, que certamente está sendo observado pelos astutos times europeus, os quais já enxergaram nele uma mistura de conhecimento técnico, capacidade de comando, seriedade, discernimento, lhaneza e talento para comunicar aquilo que está dentro de sua boa cabeça pensante.  

Quanto ao Neymar Jr. devemos entender que as críticas direcionadas às seus contínuas quedas diante das botinadas e empurrões dos adversários, por mais teatrais que sejam, são injustas; por que não pensarmos que o maior erro é as botinadas e empurrões não serem punidos com rigor pelos árbitros? Afinal, não se trata de uma exibição de artes marciais...

O futebol, por ser a mercadoria (infelizmente) mais preciosa do mundo do esporte, é atingido por interesses de merchandising globalizados e, por isso, não fica imune às ingerências nefastas que cercam uma Copa do Mundo. 

Mas, isto não deve servir de desculpa para a nossa derrota. 

Perdemos porque não soubemos controlar os nossos nervos e definir um resultado que nos era possível conseguir; perdemos porque o adversário soube reconhecer a sua inferioridade e se fechar  bem, atacando quando possível e defendendo o resultado quando necessário (a maior parte do tempo). 

É isso o que faz do futebol um esporte maravilhoso: a possibilidade de um time inferior sair vencedor a partir de uma estratégia bem definida. 

A Bélgica mereceu vencer exatamente porque soube ser assim: modesta no reconhecimento da sua inferioridade; e grandiosa na sua estratégia e crença na vitória.
Por Dalton Rosado

Ao Brasil deve restar o aprendizado de que perder não é o fim do mundo, mas a valorização da vitória futura, para que, assim compreendendo, possa doravante encarar com naturalidade os gols que venha a sofrer e a possibilidade de derrotas, sem o desespero que só atrapalhou contra a Bélgica. 

Até 2022 (pois espero que passemos bem, com Tite, pelas eliminatórias)! 
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