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domingo, 19 de fevereiro de 2023

A LÓGICA CONTRADITÓRIA DO CAPITAL CONDUZ INEVITALVEMENTE AO IRRACIONALISMO DA SOCIEDADE

 


A
relação social capitalista obedece a uma lógica contraditória que conspira permanentemente contra a racionalidade. A lógica capitalista de necessidade de autorreprodução permanente da forma-valor, operando ad infinitum, entra em choque com limites existenciais próprios desta contraditoriedade funcional, tais como a guerra concorrencial de mercado e a capacidade de consumo.  

As mercadorias, que são a materialização do valor, digladiam-se no confronto épico da guerra concorrencial de mercado, explicitando a equação irresolúvel desse modo de relação social. 

Não é por menos que Marx, já no início da sua maturidade, aos 40 anos, deixando mais ao lado a sua intromissão nos eventos políticos das dores do fim da transição feudal para o capitalismo, começa sua obra fundamental, O Capital - da qual os GRUNDISSE foi o alicerce sob a forma de rascunho - dissecando a essência da forma mercadoria que serve de base para toda a sua análise crítica da economia política.  

Nenhum economista burguês, ou filósofo exotérico, conseguiu contraditar consistentemente as suas análises de conteúdo que o levaram ao vaticínio segundo o qual o capitalismo fatalmente viria a se chocar com a questão de forma como agora acontece.  

Até mesmo os marxistas exotéricos, apegados ao conceito pífio de distribuição humanizada da forma-valor pelo estado proletário - o nome já indica sub-repticiamente a perpetuação e incenso do trabalho  abstrato produtor de valor, expresso nas insígnias da foice e do martelo - não souberam ou não quiseram, por mero apego ao poder político vertical, caminhar no sentido da superação das categorias capitalistas e dos seus conceitos de relações sociais tão contraditórios.   


O capital vem se conservando a partir da entourage de institutos políticos-jurídicos constitucionais ou consuetudinários que agora demonstram as suas falácias e fundamentos opressores. O exemplo maior disso é o campo do direito e suas firulas que tentam transformar o que é intrinsecamente injusto em justo

As categorias capitalistas do gênero forma-valor se plasmam socialmente como espécies dele derivadas e compõem o universo da irracionalidade social clamando por superação. Deste conjunto social fantasmagórico, temos: 

- trabalho abstrato;  

- dinheiro, a única mercadoria sem valor de uso que compra todas as outras, a abstração por excelência;  

- mercadorias sensíveis e serviços com valor de uso e de troca, sendo uma concreta outra abstrata;  

- mercado;  

- estado  com suas instituições e formas políticas; 

A irracionalidade social comportamental obedece a um critério autocrático que escraviza a humanidade sem ela perceber os grilhões lhe manietando a ação e o pensar, e  ainda determina  os indivíduos sociais neles inseridos na qualidade de cidadãos a sofrerem as consequências de seu modo cruel e desumano.  

O capital deseduca e transforma os indivíduos sociais em cidadãos contribuintes da sua própria opressão e adversários entre si. A solidariedade, traço comportamental responsável pela evolução dos hominídeos, transforma-se em competição fratricida.    

Neste quadro, surgem as mais diversas teses políticas que vão desde a ultradireita conservadora, agora ressurgida passados 78 anos desde o fim da Segunda Guerra Mundial - quando, diante dos horrores da bestialidade irracional da guerra, os nazifascistas mantiveram-se calados nos subterrâneos da incivilidade -, até os bem intencionados membros da esquerda institucional, hoje  dependente de todas as categorias capitalistas pelas quais é sustentada, que pregam a retomada do desenvolvimento econômico sem compreender a necessidade de superação daquilo visto por eles como salvação.  

O movimento das doutrinas políticas sob o capital mais parece o pêndulo de um relógio, transitando de um lado para outro sem sair do lugar.  

São muitas as demonstrações perfeitamente visíveis dos comportamentos socialmente irracionais que obedecem à voracidade onívora da forma-mercadoria em sua necessidade de expansão infinita, tais como: 

- congestionamento do trânsito nos grandes centros urbanos que transforma veículos velozes em carroças empacadas nas vias públicas, quando se poderia usar um sistema público de transporte eficaz, com eliminação de CO² na atmosfera e consumo desnecessário de peças; 

- poluição de rios, lagoas, mares, solo, subsolo e atmosfera, além de emissão de gases poluentes que formam o efeito estufa, cientificamente comprovado como fator de alteração climática destrutiva; 

- critério de trabalho abstrato - assalariado - gerador de valor e acumulação concentrada e excludente de capital como forma de remuneração do consumo social pela forma-valor , ao mesmo tempo que desenvolve tecnologias de produção robótica e cibernética capazes de reduzir substancialmente a mesma capacidade de obtenção de salários, causa do desemprego estrutural hoje mundialmente observado;   

- produção clandestina de substancias tóxicas capazes de enlouquecer e tornar dependentes os seus usuários, como forma de se ganhar dinheiro com o tráfico e cumplicidade de setores policiais, igualzinho quando da lei seca estadunidense nos anos da grande depressão econômica. 

-  considerar-se democrático um processo eleitoral sabidamente viciado pela corrupção econômica na qual o eleitor incrédulo nos políticos e suas instituições procura obter uma vantagem econômica individual pretensamente compensatória a partir do voto, e o político corrompe o eleitor sob várias formas recebendo uma outorga de poder delegado no qual o eleitor outorgante se distancia da outorga concedido e fica à mercê de quem o representa infielmente, e que sempre em grande maioria parlamentar representa apenas os interesses dos detentores do capital; 

- aceitar-se e normalizar-se a violência urbana com altos níveis de letalidade e assaltos à mão armada como questão meramente policial; 

- aceitar-se os altos índices de analfabetismo e semialfabetização do povo como traço cultural;  

- aceitar-se a desassistência médica preventiva e hospitalar da população  e os altos preços dos remédios laboratoriais patenteados - muitos delas meramente paliativos, pois muitas doenças poderiam ser curadas com remédios eficazes e definitivos que são boicotados-, e tudo tratado como questão de mercado e meramente administrativa governamental; 

- não  se considerar o niilismo e a raiva juvenil dos adolescentes como a resultante de uma sociedade socialmente injusta e sem perspectivas de realização pessoal profissional e humana que está se plasmando no bojo dos limites expansionistas e de saturação da relação social capitalista;  

- considerar-se que o oposto do processo democrático eleitoral é a ditadura, como se somente houvesse duas formas políticas de estruturação jurídico social, ambas antipovo, e pior, ver que após o processo eleitoral os derrotados clamam diante de quarteis militares por ditadura militar como forma de salvação democrática nacional, fazendo-se continência para pneus queimados e marchando-se em ordens unidas militares com símbolos patrióticos;  

- aceitar-se passivamente e sem questionamento que a humanidade adquiriu imensos saberes tecnológicos capazes de realizações de proezas nas áreas da comunicação via satélite, da computação, da microeletrônica e da biomedicina, enquanto se vê aumentar a fome e a miséria mundiais, se atribuindo, quando muito,  a questões periféricas que contribuem para o agravamento destes problemas, mas não correspondem às suas verdadeiras causas;  

- negar-se o esforço de biólogos, verdadeiros heróis da humanidade,  que em laboratórios mundo afora pesquisaram a natureza biológica do vírus da covi19 como forma de criação de vacinas capazes de combater os seus efeitos letais, de  validades estatisticamente comprovadas, admitindo-se que tais vacinas podem promover mutações genéticas,  principalmente por quem não tendo conhecimento científico sobre a matéria e com a  responsabilidade do ex-Presidente da República coloca em dúvida a sua eficácia e admite jocosamente a possibilidade da transformar os seus usuários em gay ou jacaré;    

- submeter-se qualquer atividade social ao crivo restringente da viabilidade econômica, ou seja, somente se faz aquilo que dá lucro, mesmo que a coletividade esteja necessitando com urgência de uma determinada providência que se torna impossível de ser tomada caso tal iniciativa não resulte na síntese desumana do comando mercantilista como a derrubada de florestas sem um replantio sustentável, ou o uso de combustíveis fósseis poluentes quando se pode usar energias limpas e a não canalização das águas fluviais para as  regiões secas de baixas densidades pluviométricas; 

- ver crescer o fundamentalismo religioso tacanho e charlatão que se aproveita da ingenuidade e sofrimento coletivos na terra vendendo lotes da salvação no Céu ao mesmo tempo que doutrina sub-repticiamente a aceitação dos sofrimentos terrenos, não podendo, contudo isso ser confundido com o direito humano de crença religiosa de boa-fé merecedora de respeitabilidade; 

A sociedade capitalista somente permanece viva, apesar da sua flagrante disfuncionalidade social, graças à inconsciência da maioria da população sobre suas mazelas, bem como pelo desconhecimento de que é possível se viver socialmente, e bem melhor, sem o Deus da modernidade: a forma-valor.  

Os que conhecem o teor da irracionalidade capitalista e dela se beneficiam desejam que ela permaneça socialmente imperceptível; os que deveriam ter interesse em sua superação, a desconhecem.  

Mas, apesar dessa inconsciência sobre si mesma e do caráter negativo contido no modo de produção social capitalista, há um fator conjuntural forçando o despertar da letargia coletiva suicida, a impossibilidade crescente de se viver socialmente sob as contradições inerentes e imanentes à forma-valor.  

A nós todos cabe promover o despertar da emancipação humana antes que seja tarde. (por Dalton Rosado)


segunda-feira, 10 de agosto de 2020

A PANDEMIA É A RESPOSTA BIOLÓGICA DO PLANETA ÀS EMERGÊNCIAS ECOLÓGICAS E SOCIAIS NEGLIGENCIADAS. IMPERDÍVEL!!!

A melhor interpretação da crise sanitária que nos assola, de quantas tomei conhecimento até agora, é a do físico e ambientalista austríaco Fritjof Capra, 81 anos.

Diretor do Centro de Alfabetização Ecológica (sediado em Berkeley, EUA), ele é autor de best-sellers internacionais como O Tao da Física e Ponto de Mutação, nos quais propôs uma reflexão em profundidade sobre como a humanidade e suas ações estão conectadas com os ciclos de transformação da vida no planeta.

Da entrevista que ele deu por e-mail à repórter Fernanda Mena, publicada na edição desta 2ª feira (10) da Folha de S. Paulo, fiz a síntese abaixo das respostas mais significativas, que recomendo fortemente aos leitores. (o editor)
.
"A ILUSÃO DE UM CRESCIMENTO ILIMITADO NUM PLANETA FINITO É O DILEMA FUNDAMENTAL QUE PERMEIA NOSSOS PROBLEMAS GLOBAIS"
O coronavírus deve ser visto como uma resposta biológica de Gaia, nosso planeta vivo, à emergência social e ecológica que a humanidade criou para si própria. A pandemia emergiu de um desequilíbrio ecológico e tem consequências dramáticas por conta de desigualdades sociais e econômicas.

Cientistas e ativistas ambientais há décadas vêm alertando para as terríveis consequências de sistemas sociais, econômicos e políticos insustentáveis. Mas até agora as lideranças corporativas e políticas teimaram em resistir a esses alarmes. 

Agora elas foram forçadas a prestar atenção, já que a Covid-19 trouxe os avisos de antes para a realidade de hoje.

Com a pandemia, Gaia nos trouxe lições valiosas capazes de salvar vidas. As questões são:
— teremos a sabedoria e a vontade política necessárias para ouvir essas lições? 
— mudaremos do modelo de crescimento econômico indiferenciado baseado no extrativismo para outro de crescimento qualitativo e regenerativo? 
— vamos substituir combustíveis fósseis por formas renováveis de energia que deem conta de todas as nossas necessidades? 
— vamos substituir nosso sistema centralizado de agricultura industrial com uso intensivo de energia por um sistema orgânico de agricultura regenerativa, familiar e comunitária? 
— vamos plantar bilhões de árvores capazes de retirar o CO2 da atmosfera e de restaurar diferentes ecossistemas do mundo?

Se temos todo o conhecimento científico e tecnológico para construirmos um futuro sustentável, porque não o fazemos simplesmente?
A densidade populacional excessiva favorece as pandemias e precisa ser reduzida
A crença num progresso contínuo e, em particular, a obsessão de nossos economistas e políticos com a ilusão de um crescimento ilimitado num planeta finito constituem o dilema fundamental que permeia nossos problemas globais.

Isso equivale ao choque entre o pensamento linear e os padrões não lineares da nossa biosfera —a interdependência dos sistemas ecológicos e os ciclos que constituem a teia da vida. Essa rede global altamente não linear contém inúmeras alças de retroalimentação por meio das quais o planeta se regula e se equilibra.

Nosso sistema econômico atual, ao contrário, parece não reconhecer a existência de limites.
Já passou da hora de eliminarmos os combustíveis fósseis

Nele, um crescimento perpétuo é perseguido incessantemente através da promoção do consumo excessivo e de uma economia do descarte que usa de maneira extravagante tanto recursos como energia, aumentando a desigualdade econômica.

Esses problemas são exacerbados pela emergência climática global, causada pelas tecnologias de uso intensivo de energia e baseada em combustíveis fósseis.

Valores humanos, no entanto, podem mudar porque eles não são leis naturais. A mesma rede eletrônica de fluxos financeiros pode ter nela embutidos outros valores. O ponto crítico não é a tecnologia, mas a política.

Para prevenir o alastramento da pandemia, agora e no futuro, teremos de reduzir densidades populacionais excessivas, como ocorre no turismo de massa e em condições de vida marcadas pela superlotação. Ao mesmo tempo, necessitamos de cooperação global.

O aprofundamento das desigualdades é uma característica inerente ao sistema econômico capitalista de hoje. O chamado mercado global é, em verdade, uma rede de máquinas programadas de acordo com o princípio fundamental segundo o qual ganhar dinheiro tem primazia sobre direitos humanos, democracia, proteção ambiental.
Justiça social é questão de vida ou morte em pandemias

A justiça social se torna uma questão de vida ou morte durante uma pandemia como a da Covid-19. E ela só pode ser superada por meio de ações coletivas e cooperativas.

Quando nós entendemos que compartilhamos não apenas as moléculas básicas da vida, mas também princípios elementares de organização com o restante do mundo vivo, percebemos o quão firmemente estamos costurados em todo o tecido da vida.

sexta-feira, 17 de julho de 2020

A DISFUNCIONALIDADE DO CAPITALISMO TORNA IMPERATIVA A SUA SUPERAÇÃO. A ALTERNATIVA É UM GENOCÍDIO SEM FIM – 2

(continuação deste post)
Como corretamente identificou Paul Mason, esta é a principal fraqueza daquilo a que chamou de choque interno (e Marx de contradição em processo).   

Mas há as pressões externas, que confluem para a obsolescência desse modo de relação social que se desenvolve há milênios e agora atingiu o seu ponto de inflexão e declínio. 

Devemos considerar que a sociedade poderia ter tomado um rumo diferente daquele que tomou, posto que o capitalismo não é resultante de uma inevitabilidade histórica; nada impede que, noutras circunstâncias, a evolução do saber social superasse o teor escravagista inicial das sociedades pre-modernas.

Mas tal não ocorreu e, como não há mal que dure para sempre, eis que ele está sendo atacado por todos os lados. Mason acerta quando afirma que alguns fatores externos ora existentes atingem em cheio nosso atual modo de ser social, cuja base é a negatividade. 

Talvez o principal deles seja a sua análise sobre a insustentabilidade de emissão de moedas sem lastro para suprir necessidades de consumo populacional diante da paralisia econômica causada pela depressão de antes da pandemia e potencializada agora pela dita cuja. 

É claro que a circulação de moeda sem lastro, além de provocar a inflação (que somente não atinge patamares mais exagerados por conta de deflação, que é ainda pior) responsável pela corrosão dos salários e pelo aumento dos lucros dos produtores e comerciantes, não resolve o problema social. 

Trata-se apenas de um paliativo para que uma população exaurida continue sobrevivendo e não haja uma séria convulsão social.

Mas, como medida emergencial que é, a distribuição de dinheiro sem lastro não pode prosseguir indefinidamente, devido aos males que causa ao controle monetário da forma-valor, o qual é regulado pelas relações mercantis. 

[Daí a insistência dos Trumps e Bolsonaros da vida em, ao custo de muitas vidas humanas, tentarem forçar a abertura temerária das relações mercantis sem as quais todo o universo do capital entra em colapso.] 

Tal qual uma semente que traz desde a sua concepção toda a carga genética que lhe formatará o futuro orgânico, o capitalismo traz no seu cerne genético toda a negatividade do seu itinerário de sangue e de dor (que, acreditamos, está bem próximo do fim!). 

O envelhecimento populacional como consequência dos avanços da medicina se constitui noutro encurtador da sobrevida do capitalismo. 
Mason acerta quando afirma que o envelhecimento da população é um problema exógeno antes inimaginável, uma vez que o capitalismo não existe para amparar as pessoas, mas para explorá-las.

É que o saber médico-científico geral, ao deixar os seres humanos vivos por mais tempo, mas com menor capacidade de esforço físico de produção e com maior necessidade de consumo de remédios e cuidados, está em contradição com uma lógica fundada na força de trabalho e, evidentemente, se transforma num impasse social. Trata-se, portanto, de mais uma contradição socialmente irresolúvel sob critérios capitalistas.

Apesar de sua menor letalidade do que outras pragas (como a peste negra), a Covid-19 tem um grau de contaminação sem precedentes na história, graças à interligação de viagens entre os habitantes dos vários continentes. Isto tem provocado a paralisia da produção e consumo de mercadorias atingindo em cheio a vital e crescente necessidade de reprodução aumentada do valor. 

Neste sentido, o coronavírus acaba sendo um gatilho que provoca tanto a morte de pessoas quanto a das atividades capitalistas, demonstrando o oportunismo do modo de ser dessa relação social que apenas usa a necessidade de consumo para segregar socialmente a maior parte da população mundial (e não para supri-la em suas necessidades de consumo). 

Quanto à ligação de surgimento de pandemias por fatores ecológicos como o aquecimento global ou a poluição territorial, fluvial e oceânica, não podemos descartar tal possibilidade (que bem pode estar provocando, p. ex., a intensificação da procriação de gafanhotos), mesmo que ainda pendente de comprovação científica. (por Dalton Rosado)
(continua neste post)

terça-feira, 3 de setembro de 2019

GOVERNO OU MOSTRENGO IDEOLÓGICO? O PRESIDENTE TEM VIÉS DITATORIAL E O GURU ECONÔMICO É UM LIBERAL ANACRÔNICO – 8

(continuação deste post)
Sobre a crise ecológica – Falar-se sobre contenção (e, mais ainda, sobre superação) da crise ecológica sob o capitalismo é como pretender que o fogo não queime. 

A natureza da produção de valor é a exacerbação da luta das mercadorias que o representam no sentido de imporem sua hegemonia de mercado. Cada mercadoria busca a vitória sobre as outras tantas que existem como forma de sobrevivência do capital, e isto tem um custo ecológico predatório irremediável. 

Reduzir custos de produção significa a viabilização hegemônica de cada produção de mercadoria, o que acarreta serias consequências. 

Trata-se de reduzir os custos de produção de mercadorias, condição permanente e inafastável que implica investimento crescente de capital fixo (máquinas, instalações, laboratórios de pesquisa, etc.) e diminuição dos custos com capital variável (Marx); e é necessário levar-se também em conta o trabalho abstrato necessário (tendência de compra da mercadoria força de trabalho em cada vez menor quantidade e a valores mais baixos).

Estabelece-se, então, um embate entre a crescente consciência social sobre a necessidade de preservação do meio ambiente territorial, fluvial, marítimo e atmosférico, e a necessidade de vitória dos produtores de mercadorias na guerra fratricida de mercado.
Fumaça das queimadas na Amazônia fez tarde virar noite em São Paulo
Este é um componente socialmente contraditório que o Estado não pode resolver, seja porque não tem meios materiais de punição aos agressores do meio ambiente, ávidos pelo oxigênio vital às suas atividades (o lucro), seja pela função estatal de apoio e indução ao desenvolvimento econômico do qual tira o seu sustento.

Quando vejo partidos de esquerda (todos) pugnando pela retomada do desenvolvimento econômico e, ao mesmo tempo, bradando contra as agressões ao meio ambiente fico a me perguntar: tal postura deriva de deslavado cinismo ou da ignorância sobre a dinâmica do funcionamento da lógica irracional do capitalismo?

Qualquer opção por uma das hipóteses acima, ou até pelas duas concomitantemente, demonstra quão inconscientes ou oportunistas são os programas partidários (coisa que hoje não vale nada no Brasil) e seus representantes políticos. É de dar náuseas! 

O governo do Boçalnaro, o ignaro demonstra, nas questões ambientais, a incongruência ideológica do seu governo que, a um só tempo, é liberal ortodoxo (quando quer que as mineradoras internacionais devastem a Amazônia) e nacionalista (quando defende a soberania brasileira sobre a imensa região e suas riquezas materiais (água, principalmente, elemento químico vital e cada vez mais escasso mundo afora). 

Esta contradição ideológica é inevitável justamente pelo acima demonstrado, ou seja, não há capitalismo saudável do ponto de vista ecológico (como pretende o ministro liberal Paulo Guedes), nem funciona o nacionalismo isolacionista e militar do capitão presidente, num mundo dominado por relações econômicas globalizadas.

A aberrante postura do governo brasileiro com relação à Amazônia, com discurso na base do liberou geral para grileiros, latifundiários e mineradoras, é posicionamento cada vez mais fora de sintonia com o pensamento dominante de multilateralismo e formação de blocos econômicos (como o Mercosul e alianças comerciais com a União Europeia). 

Tudo isso ocorre no exato momento em que o mundo rico se dá conta de que o aquecimento global atinge a todos, ou seja, não fustigará apenas os empobrecidos do mundo. Daí a retórica governamental do presidente Boçalnaro, o ignaro lembrar um elefante numa loja de louças: para cada lado que se volta, alguma coisa sai quebrada e imprestável.  

Mas não é apenas na Amazônia que os problemas ecológicos confirmam as contradições capitalistas. Os municípios brasileiros, cada vez mais falidos por conta da recessão econômica que castiga fortemente o país há cerca de 5 anos (entre outras mazelas como a tradicional corrupção e juros altos incidentes sobre a dívida pública), dão dá um destino ecologicamente correto e economicamente inteligente ao lixo urbano produzido. 

Neles temos os lixões como forma de depósitos dos resíduos sólidos urbanos, nos quais uma parte da população socialmente excluída disputa com os urubus a primazia de comer os restos inservíveis ou recolher objetos recicláveis (muitos dos quais poderiam ser seletivamente reciclados com redução dos custos econômicos das coletas).

Os rios urbanos que recebem todo tipo de poluição são exemplo claro dessa impossibilidade de convívio social harmonioso sob o regime de exploração do homem pelo homem. 

Se o capitalismo é ecologicamente predatório por sua própria natureza, razão pela qual até os países ricos estão sofrendo as restrições da debacle econômica renitente que ora por lá se instala, no Brasil, com o capitalismo burro e cartorial que praticamos, a coisa se torna ainda mais prejudicial à sofrida população. (por Dalton Rosado)
(continua neste post)

quarta-feira, 29 de maio de 2019

GOVERNO É INTELECTUALMENTE DOMINADO POR UM "FARSANTE, OBSCENO E FASCISTA, UMA ESPÉCIE DE RASPUTIN DE BORDEL"

rogério cezar de cerqueira leite
CARTA A UM JOVEM BRASILEIRO
Eu gostaria de escrever-lhe uma carta sobre poesia, embora sem o talento do alemão Rainer Maria Rilke, sobre a importância da literatura, das artes, do conhecimento; enfim, sobre tudo o que enriquece a humanidade. Mas, eis que nossos líderes agridem tudo que alicerça a cultura de um povo, tal seja a filosofia, a sociologia, a história.

Eu queria escrever-lhe sobre a dádiva da natureza ao brasileiro, sobre as nossas matas, os nossos rios, a nossa fauna e a nossa rica e bela biodiversidade. Pois bem, nossos dirigentes não apenas corrompem as providências para amenizar as inexoráveis e trágicas consequências do aquecimento global como também incentivam o desmatamento e a poluição da atmosfera.

Eu queria falar-lhe, jovem brasileiro, da dignidade do trabalho e da necessidade de conhecimento para enfrentar a dinâmica implacável do progresso tecnológico. Entretanto, esse novo governo asfixia nossas universidades com cortes de verbas e obtusa perseguição.

"nossos líderes agridem tudo que alicerça a cultura de um povo"
Eu queria falar-lhe de ciência e tecnologia, da consequente industrialização do nosso país e dos benefícios sociais e econômicos que adviriam de investimentos em pesquisas. Mas esses nossos governantes continuam a desindustrialização começada nos governos Collor e FHC, cortando recursos para ciência, tecnologia e formação pós-graduada, sem o que não haverá industrialização possível já em futuro próximo.

Eu queria escrever-lhe sobre o valor da cidadania, da liberdade, sobre a decência do homem de bem. Porém, esses arremedos de déspotas que presidem esta nação liberam a posse de armas, cooptam e protegem milicianos, homenageiam extorsionários e torturadores, estimulam a violência.

Eu gostaria de poder falar-lhe sobre nosso país, sobre nossa história, nossa arte, nossos escritores, nossa música, nossas conquistas. Mas não posso. Nosso país se curva aos interesses imperialistas dos EUA. 

Eu queria falar-lhe do ideal de justiça, da solidariedade. Contudo, só vejo ostentação, narcisismo. Juízes vivendo em palácios nababescos, servidos a lagostas, pagas com o suor do trabalhador brasileiro.  
"corte de verbas e obtusa perseguição"
O que um juiz do Supremo come de lagosta e bebe de vinho importado, diariamente em uma única refeição, equivale ao que come por mês uma família que vive com salário mínimo. E, ao contrário de suas excelências, o cidadão brasileiro paga por suas refeições.

Eu pensava em conversarmos sobre seu futuro, seus sonhos. E olho para nossos congressistas, supostos guardiões da cidadania e de seu porvir. E só ostentam escandalosa cupidez.

Confesso que eu queria inculcar-lhe, jovem brasileiro, uma certa compulsão por justiça social, um certo interesse pelo próximo e pelo distante, um pouco de civilidade enfim. 

Mas seria um esforço perdido, tendo em vista a dominação intelectual e ideológica desse governo por um farsante, obsceno e fascista, uma espécie de Rasputin de bordel.

Eu gostaria de encontrar alguma palavra de alento para apaziguá-lo. Eu não queria ser cínico ou parecer desalentado, derrotado. Seria talvez bom se eu pudesse fingir, mentir um pouco. 

Mas não. Só posso pedir-lhe que me perdoe, e a todos aqueles das gerações que precederam a sua, pelo que lhe subtraíram e talvez também pelo que lhe ensinaram. (por Rogério Cezar de Cerqueira Leite, 87 anos, lenda viva da ciência brasileira )

domingo, 27 de janeiro de 2019

PORQUE NÃO DEVEMOS GOVERNAR, NEM ALMEJAR O PODER (6ª parte)

(continuação deste post)
g) a crise ecológica nas suas duas dimensões, a terrestre e a atmosférica por uma infeliz coincidência, eu já começava e escrever este capítulo quando chegaram as notícias sobre a impressionante ruptura da barragem mineralógica da empresa Vale S/A (ex-Cia. Vale do Rio Doce), em Brumadinho, MG, causando o assassinato de pelo menos 37 trabalhadores e populares, atingidos por mais esta tragédia anunciada.

Prevê-se que o total de óbitos ultrapassará a casa de 100 e é certo que os danos ambientais se prolongarão por muito tempo, até que a natureza restaure o status quo ante, corrigindo os estragos causados pela insensatez dos homens. 

Apenas três anos após outra tragédia do mesmo naipe, ocorrida em Mariana, MG (cidade de nascimento do meu pai, e que para mim é particularmente cara), ter vitimado 19 pessoas e arruinado a vida de milhares de outras, vemos se repetir esse fenômeno devastador.

Sob o primado da ganância capitalista, as tragédias ecológicas com custos humanos acentuados ocorrem sob as mais variadas formas.

O que dizer do lixo despejado nos oceanos, vitimando um sem-número de espécies marinhas?  

O que dizer da poluição da baía de Guanabara, a apodrecer a sua deslumbrante beleza? 

O que dizer da redução do rio Tietê (que corta a cidade de São Paulo, a maior metrópole brasileira) a um esgoto a céu aberto, como estivesse a testemunhar a irracionalidade de um modo de relação social suicida? 

O que dizer do desmatamento irracional da Amazônia, com todas as consequências climáticas para o Brasil e o mundo?

O que dizer da suicida continuidade da emissão de gás carbônico pela queima de combustível fóssil em milhões de veículos, quando possuímos tecnologias suficientemente desenvolvidas para a produção de energias limpas que poderiam servir-lhe de alternativa?

O que dizer dos lixões a céu aberto na quase totalidade das metrópoles brasileiras, danificando o lençol freático e expondo a miséria social dos catadores que disputam com os urubus as suas sobrevivências?

O que dizer do uso de agrotóxicos nos alimentos, priorizando uma maior produtividade e ignorando o câncer que pode provocar nos organismos dos consumidores? 
Seriam milhares os exemplos de agressões ecológicas a serem citados. Enquanto isto, elegemos um presidente que claramente minimiza as agressões ambientais em favor do liberalismo econômico de mercado (sua afirmação de que o Ibama multa demais, perseguindo produtores, foi emblemática neste sentido).  

O que está na base desse comportamento irracional é a obediência cega ao fetichismo da mercadoria. Tornamo-nos reféns de uma lógica de relação social predatória que, atingido o seu limite de expansão em razão das próprias contradições internas que apontam para a necessidade de sua superação, ao invés de refletir conscientemente sobre a sua própria natureza, prefere negá-la como Calibã ao reconhecer sua imagem no espelho.

Será que esse quadro dantesco da crise ecológica é culpa do pensamento anticapitalista e dos movimentos que defendem a convivência harmoniosa com as diferenças de gênero, de opções sexuais e comportamentais?
Que a culpa é da falta de patriotismo? 

Que a culpa é dos comunistas comedores de criancinhas, que querem substituir a cor da bandeira brasileira? 

Chega de burrice, hipocrisia e insensatez! 

O que acontece com todas as tragédias ecológicas brasileiras e mundiais é que o capital, à medida que mais e mais se acentua a impossibilidade da sua reprodução aumentada (no seu caso, um imperativo de sobrevivência), não hesita em lançar mão de todos e quaisquer mecanismos de redução de custos de produção, ainda que causando a morte de seres humanos.

Esse é o leitmotiv do comportamento abominável das mineradoras que provocaram os dois últimos acidentes ecológicos devastadores.  

As discussões midiáticas sobre medidas legais cíveis e criminais,   bem como sobre providências administrativas e possíveis iniciativas políticas, são insubsistentes e fora de foco, justamente por não terem (nem poderem ter, em função dos compromissos das autoridades com o capital, grande vilão da história) a possibilidade de colocar o dedo na ferida.

A correta manutenção de barragens, quer estejam em atividade ou desativadas, representa prejuízos ou redução de lucros das empresas mineradoras, cujo objetivo primordial não é produzir mercadorias para a satisfação de necessidades de consumo, mas apenas utilizar tais necessidades para a realização dos seus lucros. 

Tanto faz produzir remédios que salvam, como produzir bombas que matam, o objetivo é o mesmo: a vital reprodução aumentada do capital pela extração de mais-valia e do lucro.

As pesadas despesas em dinheiro (valor) de manutenção das barragens equivalem a prejuízos, dentro da lógica capitalista. Para tal lógica reificada, abstrata, meramente numérica, vidas humanas são nada e o lucro é tudo.           

Por último vem a crise do aquecimento global provocada pela emissão de gases que provocam o efeito-estufa, impedindo que os raios solares refletidos desde a superfície da terra se espalhem na amplidão do universo. 

Essa constatação é científica, pouco importando os questionamentos (decorrentes da ignorância ou da ganância) de palpiteiros de direita ou de esquerda que ora estejam no poder político, igualmente submissos à lógica destrutiva e autodestrutiva do capital.

O aumento da temperatura planetária tem causado variações climáticas que promovem:
  • desertificação;
  • aumento do nível do mar ameaçando populações à beira-mar e de ilhas; 
  • problemas como o aumento da fome no mundo;
  • incêndios e invernos anormalmente rigorosos;
  • morte de corais; calor insuportável, 
  • e tantos outros transtornos para a vida animal e vegetal.   
Por trás de tudo isso está uma lógica insana e insensível à vida. 

O capital, embute por trás do brilho feérico das grandes metrópoles e da opulência dos reduzidos segmentos bem aquinhoados da população, uma compulsão macabra para a morte. 

O capital é assassino, e a crise ecológica é a resultante não seletiva de sua ação destrutiva. Que o digam as vítimas da catástrofe de Brumadinho, a quem transmito meus sentimentos de profundo pesar. (por Dalton Rosado) 
(continua neste post)

sábado, 29 de dezembro de 2018

AVISO AOS RECALCITRANTES: A CRISE ECOLÓGICA NÃO É SELETIVA!

"Convém evitar uma concepção mágica do mercado, que tende a pensar que os problemas se resolvem apenas com o crescimento dos lucros das empresas ou dos indivíduos. 

Será realista esperar que quem está obcecado com a maximização dos lucros se detenha a considerar os efeitos ambientais que deixará às próximas gerações?" (papa Francisco)
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Incêndio de proporções jamais vistas na Califórnia. 

Degelo nos polos norte e sul, elevando o nível dos oceanos e ameaçando ilhas e regiões costeiras.

Chuvas torrenciais nas monções da Índia (e até no Oriente Médio!).

Poluição do ar insuportável na China.

Calor intenso e insuportável em várias regiões do planeta, alternado com nevascas congelantes em regiões do extremo norte e sul. 

Secas prolongadas e intermitentes no nordeste do Brasil, com desertificação de vastas áreas. 

Desabamentos de encostas provocadas pelas fortes chuvas que atingem os moradores em situação de risco, por absoluta falta de poder aquisitivo das mercadorias terra e habitação em áreas seguras.
Mais dia, menos dia, elevação do nível dos oceanos submergirá Veneza

Erupção vulcânica que provocou um tsunami e tremores de terra na região de Palu, na Indonésia, deixando até agora cerca de 2 mil mortos e uns 500 mil desabrigados.

Erupção do vulcão Etna, na região italiana da Sicília, concomitante a um terremoto de 5.0. 

Isso para ficarmos apenas nos últimos episódios, dentre tantos outros fenômenos climáticos inquietantes que têm pipocado pelo mundo.

A crise ecológica não é seletiva (como o é a apropriação da riqueza), ameaçando indistintamente pobres e ricos; estes últimos têm recursos para resolver momentaneamente os seus problemas, mas terminarão sendo também atingidos, mais cedo ou mais tarde, de um modo ou de outro. 

A insistência dos governantes estadunidenses e chineses em desconhecer o aquecimento global causado pela emissão de monóxido de carbono (CO²) está ligada à lógica ditatorial do fetichismo da mercadoria, que os obriga a uma ininterrupta fuga para a frente, sob pena de verem ruir todo o frágil alicerce sobre o qual erguem as suas irracionais vidas sociais. 
Donald Trump e Xi Jinping: exterminadores do futuro 

O que mais os preocupa é o fato de que tal fuga para a frente (a intensificação da produção de mercadorias) bate de frente com um mercado que tem na capacidade de consumo humana mundial e na perda global do poder aquisitivo um limite impeditivo da continuidade de seu poder, alicerçado numa forma de relação social e exaurida.

A crise ecológica se soma à crise econômica; elas têm uma causa comum.  

Por todos os lados o capitalismo faz água, e é devido às suas contradições internas que se verificou na quinzena passada uma queda de 6,9% na bolsa estadunidense, a maior desde o tsunami do subprime em 2008, sinalizando a preocupante volatilidade no valor dos ativos empresariais.  

As medidas protecionistas dos Estados Unidos e de seu destrumpelhado presidente têm, como um bumerangue, evidenciado aquilo que está encoberto aos olhos desatentos da maioria das pessoas: a economia estadunidense se sustenta artificialmente, e às custas da crença internacional na sua moeda emitida sem lastro e da emissão volumosa dos seus títulos da dívida pública a juros baixos. 

O capitalismo tem uma lógica matemática autotélica que apenas usa as necessidades de consumo para existir, sem nenhum compromisso com essa necessidade em si, do ponto de vista ecológico e social. 
Poluição das águas pelo despejo de itens não degradáveis 

Tal lógica torna obrigatória a reprodução aumentada do valor global em circulação. A extração predatória dos recurso da natureza está diretamente ligada à insensibilidade dessa prática, razão pela qual a poluição de lagoas, rios, mares, etc., bem como  a emissão de gás carbônico na atmosfera, estão acima de qualquer possibilidade de convivência social ecologicamente saudável. 

A reprodução aumentada do valor pelo lucro e extração de mais-valia é pressuposto superior a qualquer compromisso com a preservação do habitat que possibilita a existência de homens, animais e plantas.

A agressão ecológica, portanto, se funda em três formas convergentes:
— a poluição do solo por infiltração de substâncias tóxicas em aterros sanitários precarizados, bem como de de resíduos industriais;
— a poluição de lagoas, rios e mares pelo despejo de substâncias tóxicas, plásticos, dejetos humanos e outros itens não degradáveis;
—  a emissão de gás carbônico que provoca o efeito-estufa na camada de ozônio, daí resultando um processo de aquecimento do Planeta Terra que os cientistas conhecedores do assunto consideram de extrema gravidade para o futuro de nossa espécie. 

O alheamento de governantes de direita (e até de esquerda) com relação a isto tudo não é pura ignorância científica, mas crime doloso e impulsionado pela lógica a que servem e que os submete. 
Bolsonaro sacrificará até a última árvore aos ruralistas
O estado, previsivelmente, tem sido impotente no combate a tais agressões (chegando até mesmo a induzi-las conscientemente em vários casos): é que, como instância política-institucional reguladora da vida mercantil e, portanto, parte indissolúvel e dependente desse modo de relação social, não pode voltar-se contra a sua própria natureza abstrata, mesmo que, com isto, atinja a natureza biossistêmica. 

Assim, os poderes Judiciário, Executivo e Legislativo, instâncias que servem como pilares de sustentação do organismo estatal, são incapazes de coibir eficazmente tais agressões; e a sociedade, mesmo que sofra as consequências das perdas e danos ecológicos, não tem consciência de sua origem causal, quando muito questionando apenas o não cumprimento de algumas regras comezinhas de comportamentos ecologicamente saudáveis legalmente determinados.  

Aliás, falta à sociedade civil instrumentos e canais de combate à estupidez estatal a serviço do capital, mormente agora, quando se revigora o discurso de que os poucos organismos sociais independentes (como as ONG’s específicas) são nocivos à boa administração pública. Demonizam-nos como fonte de corrupção política, qualificando seus defensores de de eco-xiitas

Que se louve o heroísmo dos defensores do meio ambiente, mesmo que existam exageros, deturpações e eventuais desvios de conduta (que estão muito longe de representarem regra geral de comportamento).  
"que se louve o heroísmo dos defensores do meio ambiente"

Aliás, está na moda satanizar-se quaisquer virtudes pela contaminação dos desvios, como forma de condená-las integralmente ao fogo dos infernos e se praticar retrocessos civilizatórios impunemente.

O capital tem suas artimanhas e sabe como é manipulável a opinião pública sub-repticiamente conduzida.  

Os tripulantes desta astronave conhecida como Planeta Terra correm perigo. A própria astronave corre perigo. Daí o questionamento que se impõe: quem promove tal navegação de risco?

São os seres humanos, agindo inconscientemente sob o comando hipnótico e impositivo de uma relação social fetichista, destrutiva e autodestrutiva (porque contraditória na sua essência, cujo sujeito é uma pura forma, o valor).

Valor que tem como objeto teleológico a sua própria sustentação pelo auto-crescimento contínuo, tendente ao infinito, limitado por sua base veicular, o mercado. Estamos, portanto, diante de uma contradição endógena irresolúvel sob seus próprios conceitos, destituída de conteúdo virtuoso e que nos conduz celeremente ao abismo.

A crise ecológica é cria da forma-valor; somente com a sua superação poderemos pensar numa vida social ecologicamente compatível, com aquilo que a mãe natureza tão generosamente nos oferece. 
Que os destrumpelhados e ignaros frutos dessa lógica possam ser desmascarados num futuro breve, para que possamos construir um caminho ambientalmente saudável e de produção social equânime! (por Dalton Rosado)

Obs. clique aqui para escutar Ecocídio, composição do Dalton que tem tudo a ver com o assunto deste post.
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