Mostrando postagens com marcador Seleção Brasileira de futebol. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Seleção Brasileira de futebol. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 19 de maio de 2026

BRASIL DESCLASSIFICADO DE NOVO!!!

O choro do menino torcedor em 1982 não
se repetirá: ninguém espera nada do Brasil
Ô
ps, desculpe a nossa falha. Esta será a manchete cá do blog no dia em que a seleção brasileira estiver disputando e perdendo mais uma partida de quartas de final (se chegar até lá, o que hoje é duvidoso). 

Para manter o alto nível do blog, tenho de antemão preparado algumas aberturas  sobre acontecimentos cujo desfecho é pra lá de previsível. Como este.

Agora falando sério, não vejo a menor chance de o Brasil ir longe neste Mundial após a convocação deplorável do Carlo Ancelotti, que: 
-- inclui um ex-futebolista que, além de não estar vendo a cor da bola, invariavelmente se contunde ou se esconde quando mais se precisa dele;  
-- exclui os melhores artilheiros do Brasil, Pedro e João Pedro, sabe-se lá se por miopia ou má fé;  
-- deixa de lado o principal pegador de pênaltis do Brasil, Hugo Souza, que poderia substituir o goleiro nos instantes finais de uma partida empatada;
-- dá toda pinta de que seu técnico italiano apostará, como sempre, em defesa fechada e contra-ataques rápidos, sem levar em conta partidas como PSG 5x4 Bayern, quando a modernidade no futebol esteve à mostra.

Anceiotti inclusive parece não ter aprendido nada com a goleada Barcelona 5x2 Real Madrid, embora já se tenham passado 16 meses. 

Foi o maior fiasco de uma temporada em que o timaço por ele treinado passou em branco, daí ter vindo para o Brasil como  saída honrosa, já que acabaria sendo demitido na Espanha.
Um conselho: consiga vídeos de nosso escrete em 1970 e assista-os quando o Brasil estiver maltratando a bola. 

Será um antídoto ao anacronismo futebolístico e  forma de evitar uma indigestão. (por Celso Lungaretti)

quarta-feira, 21 de junho de 2023

A MELHOR OPÇÃO COMO TÉCNICO INTERINO ATÉ A CHEGADA DO ANCELOTTI É... TITE!

Tite não deixaria o escrete no
fundo do poço, engolindo sapos...
"
Sou funcionário da CBF e estou à disposição. Com coragem e muita confiança para seguir fazendo meu trabalho"
, afirmou o técnico interino da seleção brasileira, Ramon Menezes. 

O fracasso parece ter-lhe subido à cabeça, pois acabava de dirigir o escrete na ridícula atuação contra Senegal, quando a defesa apresentou mais furos do que uma peneira e aceitou quatro gols, enquanto a produção ofensiva se limitou a um tento marcado por mérito (Lucas Paquetá) e outro por acidente (Marquinhos). 

O 4x2 saiu barato, pois as chances claras desperdiçadas pelos senegaleses seriam suficientes para eles também fazerem sete gols, a exemplo dos alemães no 7x1 de julho de 2014. Aliás, nos quase nove anos transcorridos desde então, o máximo de gols sofridos pelo Brasil numa partida era de três. Era. 

O ciclo de Ramon como técnico interino inclui derrota por 2x1 diante de outra seleção africana respeitável (o Marrocos) e a goleada que impôs à fraquíssima Guiné (4x1). Ou seja, perdeu dos adversários de verdade e bateu em bêbado.

Mesmo assim, Ramon não se vexa de fazer lobby para continuar humilhando a seleção pentacampeã do mundo até a chegada de Carlo Ancelotti, sabe-se lá quando (com certeza após terminar o contrato com o Real Madrid em junho de 2024 – talvez antes se os merengues já tiverem se cansado dele após conquistar tão somente a Copa do Rei nas três principais competições da temporada recém-finda (comeu a poeira do Barcelona em La Liga e levou um baile do Manchester City na Champions).

Afora os resultados pífios em sua interinidade, Ramon foi uma completa decepção em termos de organização tática, pois o escrete mais parecia um bando catado a esmo e colocado em campo sem nenhum treino ou plano de jogo. Pior, impossível.
....dos emergentes senegalenses, que deitaram
e rolaram por cima da seleção pentacampeã!
Mas, a vacilação da CBF é compreensível, já que a maioria dos comentaristas esportivos teima em tentar impor-lhe um belo técnico português que vira uma fera e fica parecendo um desvairado quando dirige seu time, daí ser recordista absoluto de cartões vermelhos e amarelos.

Ademais, não passa de um discípulo do retranqueiro José Mourinho. Assim, mesmo dispondo de um elenco forte e se beneficiando da má fase do futebol brasileiro, quase sempre vence com sua defesa cerrada e seus gols ensaiados de bola parada, mas quase nunca encanta. 

Outro preferido da imprensa é um treinador que, em 14 anos de carreira, teve como única conquista na prateleira de cima o Campeonato Carioca de 2023; e como maior vexame a perda de um Brasileirão praticamente ganho em 2022, quando sua equipe esfarelou na reta de chegada.

Na verdade, a melhor solução ninguém apontou ainda: um apelo ao técnico Tite no sentido de que, de preferência ao lado de um homem de confiança de Ancelotti, faça o que já mostrou saber fazer: campanhas respeitáveis nas eliminatórias para a Copa e nos amistosos caça-níqueis que ocorrerão no período. Mesmo porque tudo leva a crer que, pelo menos na Copa América que começará em 20 de junho do ano que vem, o italiano já estará no cargo.
Ramon tem mais é de ir
logo reassumir a sub-20

Tite dificilmente deixaria de prestar tal favor à CBF, pois é um homem dado ao bom-mocismo e não está empregado, ao contrário de outro que também seria um bom tapa-buraco, o Dorival Jr. 

Esses dois saberiam preservar o prestígio da seleção, até porque estariam enfrentando adversários fracos (já o Ramon nos faria engolir sapos aos montes, levando jeito de ser goleado até pelo Chile, o que, aliás, já aconteceu uma vez, os 4x0 na Copa América de 1987).

Quanto a Abel Ferreira e Fernando Diniz, ainda estão na fase da auto-afirmação, pois o primeiro só deu certo no Palmeiras e o segundo (mais ou menos) nesta sua segunda passagem pelo Fluminense.

Não gostariam de abdicar dos próprios conceitos para apenas aplicar os do Ancelotti, que estaria monitorando à distância. (por Celso Lungaretti)

sexta-feira, 3 de março de 2023

NO RETORNO APÓS A COPA É PRECISO CONSTATAR QUE A SELEÇÃO BRASILEIRA ESTÁ MORTA



 
robson morelli

Seleção Brasileira está morta

A seleção brasileira está na estaca zero. Esse é o resultado deixado pela comissão técnica de Tite após a Copa do Mundo do Catar, com seis anos no comando, e de todos os jogadores que fracassaram no último Mundial. O Brasil amarga cinco Copas sem sucesso. Continua longe do seu torcedor e começa março, mês em que voltará a atuar em amistoso internacional no dia 25, contra Marrocos, sem rumo. A constatação é dolorida para a seleção pentacampeã do mundo, mas ela é real. O Brasil morreu.

Ao contrário de Messi, Neymar não
foi um líder em campo. 

Não sobrou nada após o Catar. Não há treinador definido nem próximo de ser contratado. Ramon assume o posto ao cair de paraquedas no cargo após comandar o time nacional dos garotos. Nada a ver com a história do país cinco vezes campeão do mundo, de Pelé e Garrincha, Sócrates e Zico, Romário e Bebeto, Ronaldo e Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho e Adriano e tantos outros.

Ramon foi um jeitinho encontrado pela CBF para ganhar tempo e cumprir seu primeiro compromisso no ano, inclusive financeiro com os patrocinadores.

Ninguém sabe nada sobre a seleção. E mesmo esse time que será montado por Ramon, que não tem culpa de nada e está ajudando por ser membro da CBF, não vale nada. Ramon não ficará no cargo. Ele é tampão até o presidente Ednaldo Rodrigues encontrar um substituto para Tite.

A situação é tão ruim que faz três meses que o cargo está vago, sem cheiro de quem poderá ocupá-lo. Não há nomes fortes no cenário nacional. Todos são discutidos. Nenhum é unanimidade. Pior, com mais características negativas do que positivas. Na Europa, há mais sonhos do que vida real. Pep Guardiola, Carlo Ancelotti, Zidane, são todos nomes ventilados, mas que têm com seus clubes contratos longos e milionários. Zidane está no mercado, mas sem nenhuma identificação com o Brasil, a não ser ter derrubado o time de Zagallo em 1998. Pep Guardiola recebe R$ 13 milhões por mês no Manchester City. Ancelotti tem carinho aparente pelos jogadores brasileiros e pelo futebol da seleção de tempos passados, mas tem um gigante Real Madrid para cuidar e ganhar taças e onde parece também feliz e ambientado.

Há os mesmo jogadores que estavam no Catar para chamar. Não dá mais. Já ficou mais do que provado que um dos maiores problemas da seleção é a falta de esquemas e jogadas, de ensaios e de inteligência, com muito tratamento privilegiado e uma turma de atletas mimadinhos.

O Brasil tem sido time cheio de craques, mas sem comando, que entra em campo bagunçado e achando que vai decidir o resultado de um jogo no talento. No futebol de seleções, isso não existe mais. Vez ou outra um craque resolve tudo, como fez Messi para a Argentina na Copa do Catar. Mas isso está se tornando cada vez mais raro. A massa nacional é crua e sem gosto.

Tite não deixa nenhum legado. 

Neymar também é responsável pelo Brasil estar na estaca zero. O camisa 10 não sabe se quer mais jogar no time. Disputou três Copas e fracassou em todas. É um jogador pior agora do que era em sua primeira participação em Mundiais, em 2014, no Brasil. Nesses últimos três meses, apenas Vinicius Junior cresceu, mesmo assim é preciso ver como o treinador vai usá-lo. É consenso que os jogadores brasileiros atuam melhor em seus times na Europa do que na seleção brasileira.

Há gente boa e interessada na CBF para resolver esse problema. Mas é fato que a seleção hoje não existe. Tudo o que se pretendia fazer na era Tite deu errado. Não há um legado ou uma transição. A gestão foi péssima. Não há um tijolo no seu devido lugar. Em breve, as seleções vão começar a disputar novamente as Eliminatórias e muito rapidamente a próxima Copa do Mundo vai chegar. O Brasil precisa voltar a ter uma camisa pesada. Não tem mais. Aqui dentro do País, o sentimento é de que a seleção está morta. (Robson Morelli)




quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

DERROTA DO FLAMENGO NO MARROCOS É SÓ MAIS UM CAPÍTULO NA DECADÊNCIA DO FUTEBOL BRASILEIRO


 M
ais uma derrota do futebol brasileiro. Pouco antes de completarem-se dois meses da desclassificação do selecionado da CBF na Copa do Catar, foi a vez do Flamengo ser atropelado pelo poderoso Al-Hilal, da Arábia Saudita, na semifinal do Mundial de clubes da FIFA. 

O time carioca não está sozinho no vexame. Antes dele, Internacional (2010), Atlético-MG (2013) e Palmeiras (2020) também tinham sido eliminados na fase semifinal do torneio, sempre para times irrisórios de países de pouca expressão futebolística. Outros sulamericanos também caíram do mesmo modo: Atlético Nacional (2016) e River Plate (2018), somando, portanto, seis quedas na fase preliminar da competição. O último sulamericano a vencer o Mundial foi o Corianthians em 2012.

Tais derrocadas apontam para um fato claríssimo, se antes o futebol brasileiro, e sulamericano, já estava anos luz de distância do europeu, agora também  perde espaço mesmo para partes do planeta onde o esporte é quase semiprofissional.  E isto tem relação direta com a condição brasileira no capitalismo do século XXI. 

A decadência econômica nacional, com o Brasil reduzido à condição de fornecedor de comodities, levou à fragilidade financeira dos clubes e ao empobrecimento dos campeonatos nacionais. Incapazes de reter por muito tempo seus jogadores, as equipes nacionais foram obrigadas a se transformarem em fornecedoras de pé-de-obra para salvarem-se das constantes ameaças de falências. 

A isso, se juntou a transformação do futebol de pratica popular em entretenimento, tornando-se o esporte mais um ramo da Indústria Cultural com a consequente inversão de somas vultuosas de dinheiro. Hoje, um jogador custar o mesmo que uma grande empresa é algo corriqueiro, mas seria impensável décadas atrás. Com essa metamorfose em espetáculo midiático, os clubes brasileiros ficaram em situação ainda mais complicada, pois é praticamente impossível a eles concorrer com os valores astronômicos pagos a jogadores a título de salário, direitos de imagem e outros penduricalhos na Europa e em outros lugares.  

Futebol hoje é parte da Indústria Cultural. 
Cada jogador vale mais por sua imagem
do que pelo que faz em campo. 


O resultado é o rebaixamento técnico do futebol praticado por aqui, pois apenas jogadores de terceiro ou quarto escalão permanecem no país, indo os de ponta para a Europa ou para paragens inferiores, mas com maior poder financeiro. As poucas equipes que conseguem manter um plantel melhor - caso de Atlético-MG, Palmeiras e Flamengo - o fazem ou com a ajuda de mecenas ou às custas de perigoso endividamento. 

O rebaixamento técnico implica na deterioração da própria formação dos treinadores, pois, na ausência de massa crítica competitiva, tendem a definhar na criatividade e no pensamento tático, repetindo, à exaustão, modelos preguiçosos e esquemões, além de copiarem porcamente as inovações feitas no centro europeu do futebol, assemelhando-se nisso aos bacharéis que iam para a Europa no século XIX e de lá voltavam repetindo frases feitas e filosofias cujo real sentido eles não dominavam. 

Por isso, mesmo quando os treinadores brasileiros possuem um grande time em suas mãos, o resultado é medíocre, como foi demonstrado na campanha do selecionado na última Copa. Certamente, Tite era o melhor técnico brasileiro à época, mas a nível mundial não estava nem na quinta prateleira. 

Para contornar a decadência técnica, muitos clubes seguiram o Flamengo e começaram a trazer treinadores estrangeiros, sobretudo portugueses. Mas, conforme a derrota no Mundial mostrou, nem todos os portugueses são iguais, sendo alguns tão ruins quanto os brasileiros. Isto para não considerarmos o fato de serem os treinadores da nossa ex-metrópole terceiro nível dentro do próprio continente europeu. 

A recente transformação dos clubes em SAF (Sociedade Anônima de Futebol) foi uma tentativa, ao menos no discurso, de alinhar o futebol daqui com as práticas mercadológicas europeias. Vendia-se a ideia de que Xeques, oligarcas e outros multimilionários estrangeiros desembarcariam em nossas praias e elevariam os campeonatos nacionais a Champion League tupiniquins.

 Com o baixíssimo poder de compra do trabalhador brasileiro, contudo, nenhum destes super capitalistas se interessou em investir seus dólares e euros, pois o retorno é irrisório. O Cruzeiro é o maior exemplo disso, pois após ter sido prometido a compra do clube por Magnatas Árabes do petróleo, a torcida teve de se contentar com o pé rapado Ronaldo, o qual, até hoje, mais de um ano após o negócio ser concretizado, praticamente nenhum centavo de seu próprio bolso investiu no clube. 

Jorge Jesus colocou os limitados treinadores brasileiros
no chinelo. Contudo, na Europa, ele não está nos primeiros
escalões e nunca treinaria os maiores clubes.

Fato é que o destino futebol brasileiro está ligado ao destino econômico e social do país. Estrangeiros podem elevar a medíocre situação técnica, mas muito pouco farão em um contexto onde o material humano é de baixa qualidade, ou onde os clubes vivem sempre à beira da bancarrota e, por fim, onde rapineiros se aproveitam de ideias impraticáveis no país para se apoderar dos bens das associações, agora empresas.   

Pelo caminhar da carruagem, o futebol brasileiro será reduzido por completo a força mundial mediana, lutando não mais contra os gigantes, mas contra os anões, com mais eliminações para equipes do baixo escalão a se repetirem. 

Tão pouco podem sonhar muito os hermanos, que também não se encontram tão bem, embora ainda desfrutem de clubes mais sólidos, um campeonato mais bem organizado, formação mais estruturada de técnicos e, sobretudo, de uma torcida mais aguerrida. Porém, tudo indica ter sido o título mundial mais uma moeda a cair em pé do que fruto de um sistema bem articulado, compartilhando a Argentina, no fim, o mesmo papel subordinado no capitalismo contemporâneo. 

Em toda América do Sul, o ocaso social, econômico e futebolístico segue a todo vapor. (por David Emanuel Coelho


sábado, 7 de agosto de 2021

JÚLIO GOMES DESABAFA: "A RACIONALIDADE CAPITALISTA NÃO COMBINA COM MINHA MANEIRA DE ENCARAR O MUNDO"

DANI ALVES É UM DOS MAIORES DA HISTÓRIA.
QUEM VAI CRITICÁ-LO POR SONHAR?
Daniel Alves, 38 anos, campeão de praticamente tudo na vida, resolveu ganhar mais uma. Resolveu ganhar a medalha de ouro olímpica. 

E ganhou. Com sorriso de menino, como meninos são os que estavam ao seu lado, como menino ele foi um dia. Como menino ele era em 2003, quando ganhou o Mundial sub-20 com o Brasil em cima da Espanha. 

Hoje, de novo contra meninos espanhóis, mas que agora têm idade para ser filho dele, Daniel encerra com chave de ouro (ou melhor, medalha de ouro) uma carreira impressionante.

Daniel não é unanimidade no Brasil porque nunca venceu uma Copa do Mundo. E daí?, pergunto eu. Quantos jogadores enormes do mundo nunca conquistaram uma Copa? 

Somos arrogantes quando o assunto é futebol, esquecemos que o esporte mais jogado do mundo é competitivo, que outros também querem ganhar. Só aqui para uma figura como Daniel Alves não ser unanimidade – no resto do mundo, ele é. 

E só num país como o nosso é que se questiona a decisão de um cara de 38 anos de idade sonhar com uma medalha olímpica. De quantos sonhos é formada uma Olimpíada? Entre estes sonhos, estava o de Daniel. 
"Que se dane o São Paulo, a Libertadores,
o salário que se paga ou não se paga"
Com todo respeito, mas que se dane o São Paulo, a Libertadores, o salário que se paga ou não se paga. 

Acho lamentável o Flamengo ter impedido Pedro de viver o sonho que outros rapazes viveram. É uma racionalidade capitalista que não combina com minha maneira de encarar o mundo. 

Não podemos elogiar cartolas que impedem sonhos. Não podemos fazer o papel de torcedores apaixonados que colocam seus clubes de coração acima do bem e do mal. 

Daniel Alves está de parabéns por ter vivido seu sonho, mais um. Por ter ajudado o Brasil a ganhar mais uma medalha de ouro olímpica – custou tanto a sair e agora vieram duas seguidas. E possivelmente serão muitas mais, porque o fardo era muito grande e atrapalhava. 

A adversária desta final, a Espanha, com seis titulares da Eurocopa (todos com idade olímpica, diga-se), era muito mais forte do que aquela Alemanha que pegou o Brasil na Rio-2016. Muito mais forte. 

Mas, no Rio, era o fardo que atrapalhava, não o adversário. O Brasil fez um jogo bom contra a Espanha, que também mostrou que tem material humano para muitos anos. 
Os cartolas bolsonaristas do Flamengo impediram
que Pedro abrisse um sorriso destes em Yokohama
 

Somos uma fábrica de futebolistas, é o esporte que está enraizado em nossa cultura, talvez até demais. Mas jogadores de futebol sonham, do mesmo jeito que sonhava Isaquías com seu ouro, que sonhava Hebert com o dele. 

Sim, jogadores de futebol têm muito mais condições de desempenhar no alto nível do que atletas de outras modalidades, mas, por outro lado, a pressão sobre eles é muito maior e o filtro para chegar lá, ao futebol profissional e a uma seleção brasileira, é muito mais apertado. 

Talvez Daniel Alves ainda ganhe mais alguma coisa na carreira, ele joga no São Paulo e na seleção brasileira principal. Sempre pode ser. Mas, se ele parar hoje, ele vai parar com uma medalha olímpica no peito e outros 41 títulos na carreira. É o maior chama títulos da história do esporte. 

Daniel Alves merece uma estátua. É um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro. E quem quiser criticá-lo por ter sonhado, que critique. Daniel Alves tem uma medalha de ouro para guardar para o resto da vida. E sonhar com ela no peito. (por Júlio Gomes, comentarista esportivo no UOL)
Related Posts with Thumbnails