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quinta-feira, 10 de outubro de 2019

PIRRAÇA COM CHICO BUARQUE COMPROVA: O BOZO É UM PRESIDENTE DA REPÚBLICA COM ALMA DE VEREADOR DE GROTÃO

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bruno boghossian
MISTÉRIO DE BOLSONARO SOBRE PRÊMIO A CHICO É
ATO DE GOVERNO MESQUINHO
Em 30 de maio de 2010, Ferreira Gullar fez uma de suas críticas ácidas ao então presidente Lula durante uma entrevista à Folha de S. Paulo. "O Lula é um farsante, não merece confiança", disparou. No dia seguinte, o escritor foi anunciado vencedor do Prêmio Camões, entregue pelos governos do Brasil e de Portugal.

O petista assinou o diploma que foi entregue a Gullar meses depois. O poeta recebeu um cheque de € 100 mil e continuou fazendo comentários sobre política. Declarou voto em José Serra e chamou Lula de "uma pessoa desonesta, um demagogo".

Jair Bolsonaro mostra que não consegue dissociar atos de governo de suas paixões ideológicas. Ao fazer mistério sobre a assinatura do certificado do Prêmio Camões concedido a Chico Buarque neste ano, ele submete o governo a suas vontades pessoais mais mesquinhas.

A ala radical do Planalto pressiona Bolsonaro a não incluir seu nome no documento, já que o músico fez campanha para Fernando Haddad e visitou Lula na prisão. Na 3ª feira (8), o presidente quis fazer piada: "Até 31 de dezembro de 2026 eu assino".

Chico respondeu nas redes sociais, em tom político. "A não assinatura do Bolsonaro no diploma é para mim um segundo Prêmio Camões."

Em maio, quando Chico foi escolhido, o ministro Osmar Terra ficou furioso e quase demitiu o secretário de Cultura, Henrique Pires. Ele deixou o cargo em agosto, devido a outras interferências em sua área.

A cegueira política do governo neste caso é a mesma que faz com que Bolsonaro se cale diante da morte de João Gilberto, mas homenageie o artista MC Reaça, que apoiou sua campanha. Ele se suicidou em junho. Uma mulher diz que foi espancada por ele momentos antes.

Na cerimônia do Camões de 2016, o premiado Raduan Nassar disse que Michel Temer era repressor e havia praticado um golpe.

 Houve bate-boca entre o público e o ministro Roberto Freire, que pontuou: "Quem dá prêmio a adversário político não é ditadura". Bolsonaro gosta de emitir sinais no sentido contrário. (por Bruno Boghossian)
                                                                                                  .
TOQUE DO EDITOR: a nova mesquinharia do Bolsonaro me fez lembrar a defesa que Salomão Jorge fez de Rui Barbosa, apelidado de águia de Haia por seu brilhantismo ao liderar a delegação brasileira numa conferência de paz de 1907 e que havia sido duramente criticado num livro de Raimundo Magalhães Jr. 

Salomão Jorge lançou uma réplica com um título que foi um verdadeiro achado: Um piolho na asa da águia. Caberia como uma luva na presente situação. (por Celso Lungaretti)

sexta-feira, 26 de abril de 2019

"OS MILICOS SÃO COVARDES, PÚSTULAS, INCULTOS, PREGUIÇOSOS, UM BANDO DE CAGÃO" (ass: Olavo de Carvalho)

O astrólogo da corte pode dizer cobras e lagartos dos militares...
ruy castro
RECRUTA ZERO
São mesmo outros tempos. Hoje, pode-se dizer qualquer coisa do Exército sem que nada aconteça. 

Mas, nos anos 60, quando houve o que Jair Bolsonaro afirma que não foi ditadura, era diferente. Estudantes, jornalistas ou simples cidadãos, tínhamos de andar na ponta dos pés. 

Uma referência aos militares como gorilas, feita de passagem para um amigo na porta do seu prédio, podia ser ouvida pelo porteiro e relatada ao general de pijama que morava no seu andar. Sei disso porque meu vizinho general, aliás, de pijama, veio me cobrar no hall do elevador.
...que o presidente não dará a mínima...

Em 1966, Nara Leão, a musa do protesto, disse a um jornal que os militares “podiam entender de canhão e metralhadora, mas não ‘pescavam’ nada de política”. E que, mesmo assim, no dia do golpe, tinham usado “veículos com pneu furado”. 

Costa e Silva, ministro da Guerra, quis enquadrar Nara na Lei de Segurança Nacional. O que motivou Ferreira Gullar a escrever: “Moço, não se meta/ Com uma tal de Nara Leão/ Que ela anda armada/ De uma flor e uma canção”.

Dois anos depois, quando o deputado Marcio Moreira Alves, em discurso para as cadeiras vazias da Câmara, exortou as moças brasileiras a se recusarem a dançar com os cadetes nos bailes do dia 7 de setembro, o governo tentou processá-lo, no que foi barrado pelo Congresso —e, por isso, decretou o AI-5, que nos asfixiou por dez anos. 
...pois tem outras prioridades.
Hoje, o astrólogo Olavo de Carvalho pode tachar os militares de covardes, pústulas, incultos, preguiçosos, um bando de cagão, chamar o general e vice-presidente Hamilton Mourão de idiota e até acusá-lo de pintar o cabelo.

Como minha carreira militar, de reles reservista de terceira categoria, limitou-se a namorar a filha de um coronel, por acaso cassado em 1964, não concordo nem discordo. 

Mas o presidente Bolsonaro, cuja passagem pelo Exército lembra a do Recruta Zero, parece concordar com as opiniões de seu mestre. (por Ruy Castro)

domingo, 11 de dezembro de 2016

LEIA O ARTIGO QUE FERREIRA GULLAR DITOU PARA A NETA EM SEU LEITO DE HOSPITAL

Por Ferreira Gullar
NÃO CUSTA NADA ACREDITAR QUE UMA NOVA ARTE ESTÁ PARA NASCER
Se eu tentasse entender o que hoje se chama de arte contemporânea -que, aliás, tem um número indeterminado de definições-, teria que me ater a dois fatores fundamentais: a arte e a técnica.

Aliás, esses são os fatores inevitavelmente presentes em todas as manifestações artísticas, quaisquer que tenham sido os rumos que elas tenham tomado.

Para me fazer entender melhor, devo me referir a alguns movimentos altamente significantes da arte ocidental que marcaram época e definiram o futuro dessa arte.

Um dos exemplos do que digo foi a fase da arte constituída pela pintura mural, quando a expressão criativa se confundia com o próprio processo de elaboração da superfície pintada, no muro.

Nessa etapa da pintura, tanto a matéria pictórica quanto a cor nasciam no mesmo material que constituía a parede. Como o próprio nome está dizendo, essa arte era própria do muro, ela nascia no muro, da terra, dos detritos, do pó colorido, enfim, de tudo aquilo que constituiria a parede de uma capela, do mural de um convento. Uma coisa dependia da outra. Não havia, consequentemente, a expressão pictórica autônoma, fora da parede.

Surgiu então a tela, o que significou por si só uma revolução da parte pictórica que duraria por séculos.
Os murais mexicanos tinham tudo a ver com a revolução

Se você levar em conta que, para realizar a pintura mural, era necessário o muro, imagine o que significou a descoberta da pintura a óleo, que, por sua vez, possibilitou pintar sobre superfícies autônomas, pintura que não dependia da parede, dando nascimento ao que se passou a chamar tela.

Como a tela não tem que estar inevitavelmente pendurada na parede, surgiu a possibilidade de o pintor realizar tantas telas quanto quisesse, onde lhe fosse permitido. Isso deu origem aos colecionadores de arte e aos museus, que passaram a exibir e a manter em seus acervos dezenas e até mesmo centenas de obras pictóricas. Como se não bastasse, esse fato fez nascer o mercado de arte, que deu um impulso extraordinário às realizações pictóricas.

Além do mais, a pintura a óleo possibilitou o aperfeiçoamento técnico da pintura, emprestando-lhe o caráter realista nunca obtido antes. Não posso dizer se foi esse caráter realista que deu origem à fotografia -a verdade, porém, é que a capacidade que a fotografia possibilitava, não de imitar a imagem real, mas de captá-la, determinou uma verdadeira revolução na arte da pintura. De certo modo é daí que nasce a pintura impressionista, que determinaria uma mudança radical na história da pintura.

A partir de então, em vez de pretender copiar fielmente a realidade exterior, a pintura, por assim dizer, passa a inventá-la. De fato, uma paisagem de Monet não tem qualquer propósito de retratar o mundo objetivo tal como ele se apresenta à lente fotográfica, pelo contrário, os recursos pictóricos passam a ser usados para exprimir a experiência subjetiva no mundo real.
Paisagem com tempestade, de Monet.

Nasce uma nova pintura que quer ser, ela mesma, uma expressão outra do mundo objetivo. Não por acaso Cézanne afirmava que "a maçã que eu pinto não é maçã, é pintura". 

Mas o impressionismo foi apenas o início de uma transformação que mudou drasticamente a arte do século 20. Aquela frase de Cézanne trazia nela embutida uma mudança radical que começa com o cubismo de Picasso e Braque.

Como tudo o que estivesse no quadro se tornaria pintura -isto é, arte-, introduziram na tela tudo o que se poderia imaginar: envelope de carta, recorte de jornal, areia, arame e o que mais lhes desse na telha. 

Pouco depois, Marcel Duchamp afirmava: "Será arte tudo o que eu disser que é arte". E, então, expôs em Nova York um urinol produzido industrialmente assinado com o pseudônimo de R.Mutt. Estava aberto o caminho para o vale-tudo. Por isso mesmo as Bienais internacionais expõem tudo o que se possa imaginar. A conclusão inevitável é que o que até aqui se chamou de arte já não o é.

Mas, assim como no Renascimento, surgiu uma nova linguagem artística que mudou a história da arte. Assim, não custa nada imaginar que, em função das novas tecnologias, uma nova arte esteja para nascer.

Obs.: a Folha de S. Paulo publicou, neste domingo (11), a última coluna de Ferreira Gullar, que a ditou para a neta Celeste em seu finalzinho de vida.

Quando ela lhe sugeriu que terminassem noutro dia, pois estava visivelmente exausto, Gullar respondeu que era melhor concluírem logo, pois "não sabia o que poderia acontecer". 

Embora pintura não seja um assunto habitual neste blogue, o post é uma humilde homenagem que presto a um de nossos imprescindíveis. (CL)

domingo, 4 de dezembro de 2016

FERREIRA GULLAR (1930-2016): ERA ARTE, SIM. DAS MELHORES!

"Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
– que é uma questão
de vida ou morte –
será arte?"
.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

TRUMP: AMEAÇA À HUMANIDADE OU BUFÃO QUE SE FINGIRÁ DE REI?

Por Ferreira Gullar
O CAPITALISMO TRUMPARIANO SE APROXIMA DO NACIONALISMO NAZISTA
.
Se a vitória de Donald Trump para a Presidência dos Estados Unidos, sob certos aspectos, foi uma surpresa, sob outros resulta coerente com determinadas mudanças verificadas nas últimas décadas na realidade contemporânea a partir do fim do sistema soviético.

O término da Guerra Fria, que dividia o mundo em duas facções hostis, provocou uma série de mudanças políticas, econômicas e ideológicas.

Elas geraram desde o radicalismo islâmico no Oriente Médio até o populismo latino-americano, que vive seus últimos momentos. Mas não só: provocou também reações diversas tanto no capitalismo europeu quanto no capitalismo norte-americano, de que a eleição de Trump é, sem dúvida, uma das consequências mais graves.

É claro que o fim do sistema soviético fortaleceu o capitalismo tanto econômica como ideologicamente, mas também provocou divisões no próprio capitalismo, de um lado favorecendo a tendência mais moderna –que aprendera com o socialismo a lição da igualdade social– mas, de outro, estimulando ideologicamente o capitalismo atrasado, que se valeu do sectarismo comunista para justificar a exploração sem limites e o lucro máximo.

Não é novidade dizer que o sonho da sociedade justa que o comunismo inspirava estimulou o surgimento de partidos e movimentos políticos que, durante quase um século, puseram em questão o regime capitalista, cujo caráter explorador do trabalho humano é indiscutível.

Esses movimentos e partidos, por sua vez, provocaram da parte dos setores mais conservadores reações –nazismo e fascismo foram exemplos extremos, mas não os únicos. Em muitos momentos e países, estabeleceu-se uma divisão insuperável, que se define até hoje como esquerda e direita.

Se é verdade que os erros do regime comunista –mesmo antes de sua derrocada final– impediram uma pretendida hegemonia mundial, o fim dele como realidade política e econômica teria consequências diferentes nos diferentes países capitalistas, indo desde certa socialização do capitalismo em alguns países até, contraditoriamente, a exacerbação da exploração capitalista, já que –segundo estes– ficara demonstrado pela história como a tese de que o capitalismo seria um mal a ser extirpado era resultado de um preconceito e de um erro da esquerda.

E essa tese não foi aceita apenas pelos militantes anticomunistas, mas também pelos setores mais diversos de alguns países europeus que optaram recentemente por governos de direita, não radicais como o de Donald Trump, mas igualmente dispostos a apagar, de uma vez por todas, o pesadelo do anticapitalismo que os assustou por décadas e décadas.

Esse anticomunismo é, portanto, bem mais radical que o europeu, porque a ele se soma a necessidade de erradicar do capitalismo todo e qualquer preconceito socializante, o que o opõe não apenas ao falecido comunismo como também ao chamado capitalismo moderno, minado de intenções progressistas.

Esse caráter do capitalismo trumpariano caracteriza-o como uma opção abertamente reacionária que, não por acaso, o aproxima do nacionalismo nazista, do qual estão excluídos quaisquer sentimentos de solidariedade com o sofrimento humano. Tudo isso é encarado como hipocrisia.

O capitalismo, assim entendido, é o regime dos mais capazes e dos vitoriosos, como Donald Trump.

O que importa é o lucro, ou seja, o aumento do capital e da riqueza, não importando que consequências tenham. Azar daqueles que a natureza criou incapazes.

Por isso mesmo, Trump nega que o desenvolvimento industrial gere o aquecimento do planeta e ameace a sobrevivência da humanidade. Ou seja, après moi, le déluge (depois de mim, o dilúvio).

Gostaria de concluir esta crônica tranquilizando o leitor com a seguinte lembrança: todas as tentativas semelhantes a essas, que ignoraram a realidade do processo econômico, político e científico, fracassaram.

Puderam até por algum tempo ganhar o apoio dos menos lúcidos e ressentidos, mas não sobrevivem porque são fruto do sectarismo, de ilusões e de ressentimentos, sem base na realidade. 
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Pitaco do editor
O APRESENTADOR DO "BIG BROTHER" NÃO PODE DEMITIR OS PATROCINADORES DO PROGRAMA
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Dentre os analistas que levam o Pato Donald Trump a sério, o veteraníssimo Ferreira Gullar foi o que melhor discorreu sobre o pesadelo que nos aguardaria. 

Não é o meu caso, mas considerei interessante apresentar suas divagações aos leitores deste blogue. Muitos, decerto, concordarão. E a discussão civilizada de pontos de vista discordantes é sempre proveitosa.

O que estamos assistindo,  no meu entender, é a repetição da História como farsa. Adolf Hitler detinha realmente o poder e podia realmente ordenar sandices como a invasão da URSS, que acabou quebrando a espinha da Wehrmacht.

A retórica e o passado macartista de Richard Nixon nos levavam a crer que acabaria desencadeando a 3ª Guerra Mundial. Ao invés disto, estabeleceu um modus vivendi com a URSS e a China, assegurando a paz entre as maiores potências militares do planeta.

O canastrão Ronald Reagan, surpreendendo quem tomava ao pé da letra seus discursos, combateu o império do mal com armas econômicas, deixado de lado as bélicas, salvo para sovar pigmeus como a Líbia.

George Bush, o pior dos últimos presidentes republicanos, jogou a civilização no lixo com sua guerra ao terror, restabelecendo, ele sim, práticas nazistas. Mas, nem de longe, provocou furacão equiparável ao que Gullar antevê a partir da posse de Trump.

Por que? Porque, no capitalismo globalizado, o poder político se tornou mero fantoche do econômico, o palco em que os bufões se fingem de reis, enquanto as verdadeiras majestades permanecem na sombra, tomando as decisões verdadeiramente importantes.

Talvez Hitler, tendo a bomba atômica, conseguisse efetivamente lançá-la sobre os EUA e a Inglaterra. Duvido que deixem Trump fazê-lo, caso queira. Isto rende boas novelas de ficção e filmes de sci-fi, nada mais.

Uma ou outra de suas promessas Trump precisará cumprir, para manter as aparências. A deportação de imigrantes sem documentos, p. ex. Mas que vá erguer barreiras nacionalistas a torto e a direito, afetando os interesses das maiores empresas do planeta, lá isto eu duvido. 

Estamos na sociedade do espetáculo e o apresentador do Big Brother estadunidense não tem poder suficiente para demitir os patrocinadores do programa. (por Celso Lungaretti)

terça-feira, 11 de outubro de 2016

OS COLECIONADORES DE DERROTAS PERDEM MAIS UMA BATALHA

Muito barulho por nada: a aprovação da PEC 241 era favas contadas!
A possibilidade de o congelamento dos gastos federais ser barrado no Congresso é nenhuma. Mas, por não ter extraído as conclusões necessárias da fragorosa derrota que sofreu na batalha do impeachment e do seu apequenamento nas últimas eleições municipais, a esquerda mais uma vez levantou a bola para os inimigos marcarem o ponto. E o fará novamente nas próximas votações da mesma matéria, para colher o mesmíssimo resultado.

Por que, afinal, tentar impedir a todo custo que o governo federal passe a gastar menos?

Em termos mais amplos, porque a hegemonia petista foi extremamente danosa para a esquerda, já que o PT se transformou "num organismo voltado principalmente a manter o poder, como qualquer outro partido fez até agora, abdicando do utopismo democrático e libertário", na definição exemplar de Tarso Genro (vide aqui). E, sem utopia, a esquerda retrocedeu para a nefasta e embolorada estatolatria (culto ao Estado). 
Um enorme equívoco da esquerda: a estatolatria.

E, em termos mais didáticos, como Ferreira Gullar explicou num artigo irrepreensível, "o populismo troca a luta de operários contra a burguesia pela luta de pobres contra ricos". 

Então, a esquerda que desistiu de superar o capitalismo pela via revolucionária, dando fim à exploração do homem pelo homem, agora se limita a apoiar e promover o inchaço do Estado, para que este possa distribuir migalhas e paliativos aos pobres. Quer realizar um simulacro de justiça social à custa dos impostos pagos pelos contribuintes. Não funciona.

Mas, é o suficiente para seus expoentes conquistarem o voto dos pobres, obtendo cadeiras no Legislativo e até assumindo alguns governos, nos quais nunca ousam alçar voos maiores, limitando-se a apenas gerirem a desigualdade estrutural com um tiquinho de compaixão.

Mas, como não há sopa grátis sob o capitalismo, a gastança acaba superando a arrecadação e tais governos entram em parafuso, quando a sociedade acaba sendo levada a admitir que os remédios amargos são melhores do que a disparada do desemprego e da inflação.

É a fase em que nos encontramos agora e não adianta a esquerda ir contra a corrente, enfraquecida e desmoralizada como está. A mídia adversa a apresenta como sabotadora da recuperação econômica e o povo acredita, assim como engoliu a retórica do "ame-o ou deixe-o" durante a ditadura militar.
Temos mais é de reconquistar as ruas
O que fazermos, então?

Primeiramente, pararmos de confrontar o Governo Temer no terreno minado do Congresso, pois continuaremos perdendo todas as batalhas importantes e, com isto, conferindo-lhe a legitimidade de que tanto carecia. 

Se não temos poder de fogo para prevalecermos na Praça dos Três Poderes, o jeito é lutarmos na sociedade – o que, aliás, jamais deveria ter deixado de ser a prioridade da esquerda. Precisamos recuperar nossa credibilidade e acumular forças, e só o conseguiremos voltando a realizar o trabalho de formiguinha, longe dos palácios do governo e próximos do cotidiano sofrido dos explorados.

E temos de abandonar de uma vez por todas a estatolatria, esta pálida e ilusória substituta da revolução. Se queremos que os homens tomem seu destino na mão, passando a colaborar fraternalmente para a promoção do bem comum e a felicidade de todos, para que, cargas d'água, precisamos do Estado (aquele que tanto marxistas quanto anarquistas sempre condenaram ao desaparecimento, só divergindo quanto à etapa do processo de libertação da humanidade em que tal ocorreria)?! 

Lutando pelo menos, passamos as últimas décadas patinando sem sair de lugar, enquanto o capitalismo foi se tornando cada vez mais nocivo e destrutivo, a ponto de atualmente ameaçar a própria sobrevivência da humanidade.

É hora de voltarmos a lutar pelo mais, a verdadeira e única solução dos nossos problemas: o fim do capitalismo.

domingo, 9 de outubro de 2016

UMA ANÁLISE IMPECÁVEL DO COLAPSO DO POPULISMO NA AMÉRICA LATINA

Um artigo de Ferreira Gullar
NÃO BASTA TER RAZÃO
Não tem cabimento demonizar o populismo, ainda que ele contenha inevitavelmente contradições que podem levá-lo ao impasse. É inegável, porém, que ele parte da constatação de que a sociedade é, sem dúvida alguma, desigual.

Há uma minoria rica, uma classe média de alguns recursos e –particularmente em países com o nosso– uma maioria que vive ao nível da necessidade, mal tendo como sustentar e educar os filhos.

Eleger como objetivo de governo a melhoria das condições de vida dos mais pobres é indiscutivelmente um propósito louvável. Mas não basta ter razão para estar certo.

O problema é que esse populismo é ideológico e, por isso, faz do propósito de ajuda aos mais pobres um projeto de governo. Ao contar com o apoio dessa maioria carente, transforma-se em um modo de permanecer indefinidamente no poder.

Hugo Chávez, por exemplo, chegou a fazer aprovar uma lei que permitiria que ele fosse reeleito indefinidamente pelo resto da vida. Para enganar o povo, inventou um outro que daria à maioria o direito de depor o governante se ele traísse o interesse popular. 
O populismo trouxe de volta o culto ao homem providencial

Se  digo que o populismo latino-americano é ideológico, é que ele surgiu em decorrência da revolução cubana –que provocou um surto de guerrilhas no continente– como alternativa, após o fim dos regimes comunistas em quase todo o mundo.

De qualquer modo, o sonho da revolução proletária se desfez. O populismo troca a luta de operários contra a burguesia pela luta de pobres contra ricos. Assim, se o populismo não se assume comunista, procura em compensação se apresentar como anticapitalista. 

Como não nasce de uma revolução que elimina da sociedade a classe capitalista, vale-se do governo para usar os recursos públicos na tarefa de dar casa, comida, escola e outros confortos até então fora de seu alcance, para assim, ao mesmo tempo, conquistar os votos dessa maioria da população.

Mas, para fazer isso, tem que contar com o apoio do capitalismo, como ocorreu na Argentina, na Venezuela e no Brasil..
"O populismo troca a luta de operários contra a burguesia pela luta de pobres contra ricos. Assim, se o populismo
 não se assume comunista, procura em compensação se apresentar 
como anticapitalista"

Essa aliança inevitável compromete, de certo modo, o caráter anticapitalista que o populismo necessita ostentar. Para superar a contradição, é levado a adotar medidas e atitudes que aparentem sua hostilidade ao capitalismo, como dificultar as relações políticas com os norte-americanos e adotar exigências nos contratos com grandes empresas. Isso termina por reduzir –como no caso do Brasil– o comércio exterior e, internamente, leva ao fracasso projetos econômicos que necessitam de capital privado.

Somado isso às despesas com os programas sociais que beneficiam milhões de pessoas, é inevitável que a crise econômica termine por se instalar no país.

Para que se veja com clareza a diferença entre um governo não populista e um governo populista, tomo como exemplo os programas sociais do governo Fernando Henrique Cardoso e o do governo Lula.
FHC criou os programas Bolsa Escola, Bolsa Alimentação e Luz no Campo, que Lula criticou, acusando o presidente do PSDB de estar dando esmola aos trabalhadores e a suas famílias.

Quando assumiu o governo, porém, adotou os mesmos programas, trocando os nomes para Bolsa Família e Luz para Todos, aumentando em vários milhões o número dos beneficiados.

O resultado foi que a fusão dos programas e esse aumento de milhões de pessoas tornaram quase impossível a sua fiscalização, o que induziu muita gente a largar seu emprego para viver da ajuda do governo. Há mesmo exemplo de pequenos municípios em que quase todos vivem do Bolsa Família.

É que o populismo, na melhor das intenções, parte de que o problema da desigualdade social se resolve com o dispêndio do dinheiro público. Trata-se de uma ilusão. Não há mágica capaz de resolver problema tão complexo, do dia para a noite, às custas do Tesouro Nacional.

A solução efetiva desse problema exige que os mais pobres tenham condições efetivas de criarem seus filhos, educá-los e dar-lhes qualificação profissional. E temos que tomar isso a peito, sem demagogia.  

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

DOIS PERDIDOS NA NOITE SUJA DO CAPITALISMO: FERREIRA GULLAR E O PT.

Por Dalton Rosado
No campo dos que condenam o capitalismo por todos os desastres históricos e segregações sociais havidas no seu itinerário de sangue, há mais divergências do que no campo dos que entendem que o capitalismo é um ganho civilizacional. 

Estes, no máximo, veem o capitalismo como um mal menor dentre os sistemas sociais. É compreensível que seja assim, porque há sempre consenso em quem admite a segregação social com satisfação, tolerância ou indiferença, e não quer mesmo aprofundar discussões sobre a natureza do sistema que a promove. 

No mais recôndito interior de suas consciências, contudo, os defensores do capitalismo sabem que corroboram a injustiça, a menos que tenham um nível de ignorância tal que coloquem a culpa pelo infortúnio social nas costas das próprias vitimas.      

Entre os contestadores do capitalismo, as teses em circulação são as mais variadas e devem ser discutidas sem sectarismos. Ferreira Gullar, a quem respeito tanto por sua brilhante verve poética quanto pela sua contribuição histórica nos embates com a ditadura de 1964/85 (quando emprestou seu prestígio pessoal, juntamente com outros intelectuais, ao combate contra o arbítrio militar a serviço do capital internacional), não deve, obviamente, permanecer imune às nossas críticas no sentido de promovermos a superação dos dramas sociais vividos pelos 80% de perdedores sociais, aos quais se somam agora parte dos 15% do segmento intermediário entre ricos e pobres, a chamada classe média

Vivermos submetidos ao capitalismo é um fato que está posto. Mas, isto não significa que o devamos aceitar. Ao contrário, temos mais é de combatê-lo com todas as nossas forças, e para tanto se faz necessário pensar o impensável e fazer o impossível. 

Foi assim que Karl Marx ousou contrariar as teses então em voga no capitalismo ascendente da primeira revolução industrial da metade do século XIX, quando os burgueses emergentes confrontavam as forças retrógradas dos monarquistas constitucionais ou absolutistas do feudalismo. 

Marx foi mais além das discussões em curso e, em bases científicas (a partir de sua crítica da economia política), rejeitou as duas opções que estavam postas, condenando tanto o escravismo feudal escancarado quanto o escravismo capitalista disfarçado de liberdade de escolha da pessoa do seu novo senhor (o capital).

Karl Marx nunca foi tão atual e se Ferreira Gullar, em sua crônica jornalística, quis dizer que há uma imperiosa realidade de fim do comunismo (ele confunde o Marx exotérico, que ele conhece, com o Marx esotérico, que parece desconhecer) que se opõe à realidade posta na mente da jovem universitária, quando o primeiro defende os grandes condutores revolucionários marxistas da história, quero aqui me posicionar. 

O Marx da maturidade conjeturou com admirável acerto que a transformação dos meios de produção com o uso da alta tecnologia faria os custos de produção a partir do trabalho abstrato se reduzirem a uma base miserável, e que tal fato, consequentemente, jogaria pelos ares todos os fundamentos da vida social capitalista. 
Gullar: conformismo.

Tal dedução, cuja realidade agora foi atingida, demonstra para todos nós que os postulados do marxismo tradicional teriam de ter sido revistos no curso do processo revolucionário, independentemente da boa intenção dos seus dirigentes e dos êxitos pontuais que evitaram o esmagamento de nações inteiras. 

O papel que a URSS desempenhou na resistência ao nazi-fascismo na 2ª guerra mundial, bem como o da China em defesa de países asiáticos invadidos pelos EUA, deve ser louvado, mas não podemos esquecer que ambas se fecharam nas suas fronteiras e, à concorrência de mercado do capitalismo liberal mundial, apenas contrapuseram um capitalismo de estado autoritário

Obtiveram bons resultados imediatos, mas teriam depois de fazer uma revolução dentro da revolução e ficaram devendo, pois o uso do cachimbo faz a boca torta

O Estado marxista-leninista ou maoísta, ao invés de encaminhar a eliminação do capitalismo de estado, do próprio estado e do partido do proletariado, como já queria o Marx da juventude, seguiu o curso da expansão do capitalismo de estado, acabando por abrir as suas fronteiras para o capitalismo liberal. A queda do muro de Berlim, antes de significar o fim do pensamento de Karl Marx, significou a correção de seus ensinamentos e o limite da fronteira da expansão capitalista. 

Ferreira Gullar não faz uma análise aprofundada, encampando a racionália simplista e demagógica dos devotos do capitalismo, num conformismo que nega os postulados revolucionários. O alerta de Celso Lungaretti a ele neste blogue é procedente.

O PROJETO REFORMISTA E ASSISTENCIAL DO PT NÃO LEVAVA EM CONTA A CRISE AGUDA DO CAPITALISMO

Com o PT ocorre algo pior. Na verdade, a bandeira vermelha e estrelada do Partido dos Trabalhadores terminou por se configurar como um engodo e um arremedo de combate ao capitalismo, pois conciliou com este de forma oportunista (e está se dando mal!).

A direção petista desde cedo tratou de expurgar os marxistas do partido e cooptar com vantagens e cargos aqueles que aderissem ao seu projeto reformista e assistencial, derivado de um sindicalismo de resultados que é igualmente nocivo e prejudicial à emancipação dos trabalhadores. Daí para a conivência e a prática da corrupção e a aceitação das injustiças partidárias como norma de conduta para tentar manter o poder político foi um passo. 

A burguesia, dona do poder econômico (o verdadeiro poder sob o capitalismo), ainda que constrangida por ter sido apeada do poder político que sempre deteve, agradeceu a conciliação de classes dos governos petistas e aguardou o momento oportuno para mostrar o veneno contido na sua cauda de escorpião. É o que agora se processa no Congresso Nacional.
"fragilizados pedintes de mais empregos"

Dizia Marx que as transformações das forças produtivas transformam a própria essência da relação social capitalista. 

Na esteira destes ensinamentos, Robert Kurz assim analisou o estágio atual do capitalismo: 
"A nossa nova teoria da crise esboçou a tese de que a dessubstancialização do capital levada a cabo pela terceira revolução industrial da microelectrônica representa um limite interno absoluto do processo de acumulação. 
Pela primeira vez na história capitalista, realiza-se uma racionalização que torna dispensável a força de trabalho de modo mais rápido (e em volume maior) do que a ampliação dos mercados possibilitada pelo barateamento dos produtos. 
Assim se esvai o mecanismo de compensação das crises vigente até então. O capital foge da acumulação real para o capital fictício (Marx) em bolhas financeiras que, em última instância, têm de estourar, não apenas conjunturalmente, mas estruturalmente. 
Na medida em que se demonstra, nesta crise qualitativamente nova, o limite histórico da acumulação do “modo de produção baseado no valor” (Marx), torna-se obsoleto o sistema produtor de mercadorias, o trabalho abstrato, e, com ele, a ontologia marxista do trabalho".
O atual estágio do limite interno de expansão capitalista, previsto por Marx, contraria a ideia de uma revolução cujo sujeito histórico seria o proletariado nas fábricas, vez que o desemprego estrutural transformou os trabalhadores e sindicatos em fragilizados pedintes de mais empregos; a realidade atual, portanto, está a requerer novos conceitos revolucionários. 

A equivocada luta por mais empregos representa, implicitamente, o hoje irrealizável desejo de retomada do desenvolvimento econômico (mais capitalismo), estando incluídos na defesa desta tese todos os partidos políticos. A revolução, contudo, tem hoje outros parâmetros e formas, devendo ser, mais do que nunca, guiada por fundamentos marxianos adaptados aos tempos presentes (afinal, já se passaram 133 anos desde que o velho barbudo morreu...).

De pé sobre os ombros de Marx, haveremos de promover a emancipação humana!

domingo, 28 de agosto de 2016

FERREIRA GULLAR VIAJA NA MAIONESE. PRECISA TOMAR CUIDADO, OU VIRARÁ UM REINALDO AZEVEDO QUALQUER!

Gente desiludida é um bicho mais complicado ainda...
O poeta Ferreira Gullar, às vezes, é um observador sagaz da cena política. Mas, quando deita falação sobre assuntos sobre que ultrapassam em muito seus vãos conhecimentos, viaja (com fardão e tudo!) na maionese....

Um exemplo é esta conversa que ele diz ter mantido "com uma jovem universitária a propósito de um jornal que seu grupo editava na faculdade" e relembrou (mais uma vez!) em sua coluna dominical:
– O que esse jornal afirma –disse-lhe eu– dá a entender que o comunismo não acabou.
– E não acabou mesmo –respondeu ela. O que acabou não era o comunismo verdadeiro.
Ou seja, como ela necessitava acreditar no sonho marxista, tudo o que ocorreu, desde a revolução soviética de 1917 até hoje, era falso comunismo. Nem Lênin, nem Stalin, nem Mao Tsé-tung, nem Fidel Castro: nenhum deles era comunista de verdade. Só ela e seu pequeno grupo de universitários.
Por isso, digo que gente é bicho complicado. Claro que nem todo mundo chega ao exagero dessa jovem carioca, mas cada qual à sua maneira inventa uma realidade que só existe em sua mente.
Livros para principiantes há aos montes
Para encurtar o assunto:
  • Gullar ignora que, de acordo com Marx, comunismo seria a etapa final da edificação revolucionária, quando já não existiriam classes nem nações e os homens colaborariam fraternalmente para a felicidade geral, priorizando o bem comum. Então, comunistas de verdade só viriam a existir na sociedade comunista do futuro, não agora. Alguém que conhecesse o bê-a-bá do marxismo saberia que nem Lênin, nem Stalin, nem Mao, nem Fidel, nem o pequeno grupo de universitários a que pertencia a jovem carioca, nenhum deles seria considerado comunista de verdade pelo velho barbudo;
  • Gullar ignora que, de acordo com Marx, o socialismo (não o distante comunismo) chegaria com a superação do capitalismo, começando pelas nações economicamente mais desenvolvidas, que arrastariam as restantes na sua esteira, pois são as pujantes que determinam a direção para a qual se encaminham as demais. Então, longe de ser uma realidade que só existe na sua (da jovem carioca) cabeça, faz todo sentido falarmos que a URSS de Stalin, a China de Mao e a Cuba de Fidel não eram socialistas de verdade, pois nelas a revolução precisou cumprir uma etapa anterior (eram tão atrasadas que os revolucionários precisaram, antes, criar, ou tentar criar, a infra-estrutura básica de uma economia moderna), e tendo de fazê-lo sob ataques militares, bloqueios, embargos e ameaças terríveis dos gigantes capitalistas, acabaram por resvalar inexoravelmente para o totalitarismo.
Fiquemos por aqui, para não esticar demais o post (aos interessados num aprofundamento da questão, sugiro este texto). 

O certo é que o capitalismo teve a oportunidade de instalar-se plenamente e construir uma sociedade à sua imagem e semelhança: o inferno pamonha que está aí, na definição ferina do Paulo Francis.
Não se iguale aos anticomunistas profissionais, Gullar!

Até agora as tentativas de construção do socialismo se deram nos países que Marx considerava os mais inadequados para tanto, havendo um abismo entre o sonho marxista do advento do reino da liberdade, para além da necessidade e as toscas ditaduras que invocaram o nome do velho profeta em vão.

Recomendo ao Gullar que passe a opinar apenas sobre aquilo de que realmente entende. Se não, acabará se igualando a qualquer Reinaldo Azevedo da vida. 

[Aquele que já papagaiou centenas de vezes que os resistentes armados não queriam libertar o Brasil da ditadura, mas apenas instalar outra ditadura, como se tais intenções remotas tivessem qualquer importância no contexto das lutas contra o despotismo e o terrorismo de estado, nas quais a regra de ouro, segundo o entendimento civilizado, é que os cidadãos têm o direito e até o dever de pegarem em armas contra uma tirania, pouco importando qual o desenho de sociedade ideal que trazem nas mentes.]
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