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sexta-feira, 5 de abril de 2024

USP ADOTA CRITÉRIOS RACISTAS AO CHECAR A NEGRITUDE DE APROVADOS PELAS COTAS

Al Jolson, ator branco que fez o papel de
negro no filme O Cantor de Jazz (1927)
As cotas raciais no ensino público estão gerando consequências tão desagradáveis quanto constrangedoras, como a constituição de uma banca na USP para determinar quem é realmente negro (e, portanto merecedor do favorecimento) e quem é oportunista tentando se passar por negro. 

Um candidato aprovado em 10º lugar em Medicina pelo Provão Paulista foi à Justiça e reverteu a decisão que impugnava sua negritude por ele possuir "pele clara, boca e lábios finos e cabelos raspados". 

Provocou arrepios. Da última vez em que se procurou definir a raça das pessoas por critérios desse tipo, os reprovados não perdiam vagas no ensino superior, perdiam a vida em campos de extermínio. 

Lamentável a USP dar tal contribuição para a retrocesso civilizatório em curso; esperava-se que reagisse ao emburrecimento e embrutecimento dos brasileiros, mas está se prostrando a ele. 

Agora, só falta colocar na entrada da Cidade Universitária o letreiro Arbeit macht frei, aquele que conhecemos sobretudo pelas imagens do campo de Auschwitz, mas estava também presente em muitos congêneres... (CL)
As voltas que o mundo dá: o cabelo pixaim já foi visto como desvantagem,
mas hoje tê-lo facilita o acesso a faculdades cujas vagas são disputadíssimas

quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

UNIDADE ENTRE TEORIA E PRÁXIS REVOLUCIONÁRIAS PARA A SOLUÇÃO DO ENIGMA ATUAL - PARTE 1

 

"O Trabalho Liberta", dizia a entrada do Campo nazista de Auschwitz
Disse Lenin: “sem teoria revolucionária não pode haver movimento revolucionário”. Mas qual a diferença entre movimento revolucionário, a simples tomada do poder burguês e a consolidação da revolução anti-capitalista, anti-burguesa? O conceito de revolução social precisa ser bem definido à luz das experiências vividas na história e seus ensinamentos.  

Movimento revolucionário, como seu próprio nome está a indicar, é guerra de movimento, ou seja, é processo; a revolução consolidada é conceito mais profundo, significando situações nas quais não há lugar para retrocessos sociais.  

Como exemplo de comportamento social irreversível e, portanto, revolucionário, podemos citar a eliminação legal e conceitual da propriedade de um ser humano, devidamente registrada em cartório, como havia no Brasil e outros países que praticaram o escravismo direto de africanos, até ser substituído pelo escravismo indireto do trabalho abstrato induzido pela própria dinâmica dos interesses sociais em mutação.  

A propriedade humana do escravismo direto é hoje prática inconcebível de aceitação como lei pelas sociedades, ainda que existam de modo clandestino em muitos lugares - e que vem se acentuando. Podemos, assim, dizer que o fim da propriedade humana no escravismo direto foi alvo de uma revolução cultural e comportamental irreversível.  

O Império do Capital em sua marcha
insensata 

Mas há revoluções comportamentais de costumes e práticas sociais. O uso dos lampiões à gás, substituídos pelos modernos refletores, representam técnicas de usos sociais irreversíveis e de evoluções comportamentais revolucionárias irreversíveis como tantas outras que poderiam ser citadas e que ocorrem cotidianamente até serem substituídas por outras mais modernas: é o processo de revolução comportamental dentro das revoluções.  

Como, por exemplo, se chamar de revolução o golpe militar de 1964, que antes de revolucionar qualquer coisa, apenas retrocedeu no tempo e demonstrou o primarismo de seus propósitos e práticas caindo de podre? 

Revolução social somente pode ter esse nome quando relativa a fatos irreversíveis nas relações sociais. Nesse sentido, a revolução somente é atingível em seu processo de mutação social que se revela irreversível; o próprio movimento revolucionário, que se dá no interior das revoluções, é algo intrínseco à dialética do movimento das relações sociais.  

A consolidação da revolução é guerra de posição que somente pode ser assim considerada se houver permanentemente revoluções dentro da própria revolução, ou seja, se houver evolução no sentido do crescimento do intelecto humano que torne ridículas e inaceitáveis as práticas anteriores. 

Referimo-nos à evolução humana como  uma visão estética integral do homo sapiens, como bem se referiu a jornalista Heliana Quirino, do Jornal Segunda Opinião, em seu instrutivo artigo “Educação Estética e a Arte Esquecida de Moldar a Alma Humana”, ao se referir ao significado da educação grega dos primórdios - a paideia - e seu modo abrangente dos vários aspectos da vida humana - desenvolvimento e apreensão das ciências humanas, científicas, das artes, dos valores morais e éticos, da virtude, fisiculturismo, etc. - e teoria crítica da “alienação” humana da vida social - Hegel, Ludwig Feuerbach, Marx.  

Nesse sentido, a contribuição de Marx sobre a alienação do trabalho é fundamento indispensável para a compreensão do que estamos vivendo hoje, período no qual tal alienação atinge um estágio de separação do homem daquilo que ele mesmo produz de tal modo acentuado que o próprio ser humano passou a ser supérfluo.     

A guerra é o meio do capitalismo em
solucionar suas contradições

Marx é fundamentalmente revolucionário quando analisa a natureza das sociedades capitalistas e o faz num momento de transição final destas perante as sociedades feudais monárquicas absolutistas e eclesiásticas, para concluir que o modo de produção social é o que define o caráter de uma sociedade; a organicidade política estatal ou comunitária é mero instrumento de ratificação do modo dessa produção.   

Nesse sentido, o que podemos dizer de uma sociedade na qual a riqueza socialmente produzida de modo coletivo fica nas mãos de grupos econômicos monopolistas e que implementam a produção tecnológica de mercadorias e serviços de modo a eliminar a substância da sua própria existência, o trabalho abstrato produtor de valor e remunerado por valor?  

O modo de produção capitalista é contraditório e irracional do ponto de vista da consecução do equilíbrio social, e é por isso mesmo que caminha para o cadafalso. 

Disse Marx: “devemos lembrar que que há um pressuposto de toda a existência humana, a saber, que os homens devem estar em condições de poder viver a fim de fazer história. Mas, para viver, é necessário antes de mais nada beber, comer, ter um teto onde abrigar-se, etc.”  

Ora, basta olharmos para o cenário mundial para concluirmos que toda a vida social está em processo de deterioração acelerada como resultante de uma irracionalidade de práticas sociais que conspiram contra elas mesmas. 

A concentração de riquezas patrocinada pela guerra concorrencial de mercado e a irreversível tentativa de redução de custos de produção de mercadorias com eliminação da mercadoria trabalho abstrato, alienado, significa a inviabilidade de toda a ordem capitalista num futuro próximo e pelos próprios fundamentos, aí incluída a falência do Estado, cidadela capitalista republicana e, também, é claro, da suicida questão ecológica dela resultante.     

O cenário atual é de multidões caminhando à pé - incluindo-se gestantes, crianças e idosos - desde a América Central até as portas da América do Norte, via México, em busca do eldorado capitalista estadunidense belicista e explorador, ao invés de se oporem revolucionariamente nos seus locais de origem às causas dos seus infortúnios.   

Lênin: não há revolução sem
teoria revolucionária

Poderíamos aqui encher páginas de denúncias das misérias mundo afora que se explicitam pelo deslocamento mundial de populações famintas e desesperadas do hemisfério sul e zonas equatoriais para o hemisfério norte em busca de sobrevivência; de genocídios pelas guerras - agora se anuncia a escalada destas pelo oriente médio; de catástrofes ambientais cada vez mais severas e que ocorrem em ciclos cada vez menores de tempo; pelos frequentes massacres de estudantes de colégios e universidades praticados por atiradores em surtos psicóticos, etc. 

 Para constatarmos isso, basta ligar a televisão ou o celular no noticiário e, portanto, fixemo-nos aqui na questão da necessidade de superação disso tudo, enquanto ainda há tempo.  

Há que haver a subjetividade teórica para tal superação e aí entra a questão da práxis revolucionária apoiada na teoria revolucionária.  

Viciamo-nos num modo de vida que fetichiza como nunca a antiga aura sacra fames, a sagrada sede do ouro, representada pela forma-valor em processo de dessubstancialização irreversível, e com ela morremos como um toxicômano que perde a vida por overdose de entorpecentes por dependência química insuperável, quando busca no seu consumo o alívio da dor da abstinência.  

Podemos sair deste torpor de modo gradativo, como quer - ou não quer? - a civilizada socialdemocracia de Joe Biden, Lula, Emmanuel Macron, Olaf Scholz, Rishi Sunak, Narendra Modi, em seus vários matizes? 

- ou exacerbar o capitalismo liberal como quer a direita de Javier Milei, Bolsonaro, Trump, Putin, Nicolás Maduro, Xi Jinping, Victor Urban, Marine Le pen, Matteo Salvini, Recep Tayyip Erdogan, Oleh Tyahnybok, Nicolaos Michalolkiakos, Andrezj Duda, Alujandro Giammatei, Benjamin Netanyahu e tantos outros?   

- ou adotar o capitalismo de estado de Nicolas Maduro, Xi Jinping, kim Jong-un, Daniel Ortega, Miguel Diaz-Canel? 

A Revolução é a mudança radical de uma
sociedade

- ou as dinastias árabes de um sanguinário como Mohammad Bin Salman, da Arábia Saudita, ou o governo teocrático fundamentalista do Irã de Ebraim Raisi, ou o fundamentalismo religioso da Al-Qaeda e do Estado Islâmico e sua “sharia” assassina em nome de Alá?  

O que têm estes senhores em comum? Um estado e um poder político verticais; a produção de mercadorias para o mercado; e um padrão monetário a representar o valor de tudo!!!  (por Dalton Rosado, continua aqui

sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

COMO O NAZISMO IRROMPEU NA ALEMANHA (no Brasil, o ovo da serpente foi gorado) – 3

(continuação deste post)
Hitler em cana (deveriam
ter jogado a chave fora!)
E
ntre os presos estavam Adolf Hitler e Rudolf Hess (*), que compartilharam a mesma cela. 

Após o desespero da prisão e desmantelamento do movimento nazista. Hitler pensou em se suicidar. Entretanto, com o passar do tempo e o aprofundamento da penúria do povo germânico, ele começou a perceber que muitos alemães insatisfeitos, passavam a enxergar um certo estoicismo naqueles militantes corajosos e violentos, ainda que arbitrários e policialescos. 

No seu julgamento Hitler usou a própria defesa como libelo acusatório contra os que o prenderam,  com isto granjeando a simpatia de muitos dos próprios julgadores e da plateia, tanto que recebeu uma pena bem menor que a esperada (pena de morte, inclusive): apenas cinco anos, dos quais cumpriria apenas um ano, libertado em 1924.

Na cadeia, ajudado por Rudolf Hess, escreveu o que seria a bíblia do nazismo, um monte de ideias absurdas (antissemitas, homofóbicas, misóginas e totalitárias por excelência) mas que pareciam redentoras para os angustiados alemães de então: Minha Luta.

[Muitos simplistas de hoje, vítimas de amnésia histórica, tentam reintroduzir tais disparates como alternativa à depressão econômica, tal qual ocorreu na geração do nazismo. 

Libertado, Hitler, com a concordância da cúpula do partido, constatou que estavam dadas as condições para os nazistas capitalizarem os ideais de resgate do orgulho do povo alemão (em 1923 o marco perdera totalmente o valor, com a inflação atingindo patamares insuportáveis, enquanto o desemprego grassava avassalador) mediante discursos inflamados e simbologia ostensiva (fardamentos paramilitares e suástica), mas concorrendo aos cargos eletivos.

Embora embora eles não tivessem obtido sucesso na eleição de 1925 (ficando com apenas 1,1% dos votos e nenhuma vaga no Reichstag, o parlamento alemão), Hitler continuou com a cantilena que atribuía a penúria alemã aos judeus e à socialdemocracia que teria traído o povo germânico ao celebrar o inclemente Tratado de Versalhes. 
O Reich de mil anos desabou em apenas doze
Havia então, na Alemanha ultrajada, denotava forte simpatia pelo marxismo-leninismo. O Partido Comunista tinha muitos simpatizantes. 

O nazismo intitulava-se também socialista e criticava o capitalismo internacional (que via como fruto da uma conspiração do judaísmo mundial), além de exaltar a defesa dos trabalhadores alemães. 

Só que, embora adotando tais bandeiras do comunismo stalinista de então, paradoxalmente se apresentava como o seu oposto, apontando os comunistas como os seus mais ferrenhos adversários (mesmo porque com aqueles disputava um mesmo eleitorado).

O nazismo conservara entre seus princípios doutrinários a ideia da necessidade do espaço vital, pois o dito cujo era tido como necessário aos seus planos megalomaníacos de germanização do mundo; acalentava, portanto, o sonho de expandir-se para o leste europeu, de olho nas riquezas minerais da Rússia e adjacências. 

A raça ariana, descendente dos celtas, considerava-se superior à raça eslava do leste europeu, vendo-a como inculta e pouco desenvolvida economicamente, ainda relegada a uma vida campesina e rude. Este erro essencial de avaliação viria a ser catastrófico num futuro próximo.  

Tão logo voltou à liberdade, Hitler começou a remodelar as diretrizes de seu partido, copiando as do fascismo, inclusive com a adoção de disciplina rígida e a formação de grupos paramilitares. 

Hitler acreditava que o povo alemão era descendente da raça ariana, destinada a dominar o mundo e empreender a construção de uma nação forte e próspera. .
O Bozo nega vacinas às crianças brasileiras, mas Hitler
fazia pior com as judias: mandava-as para Auschwitz

Para tanto, o nazismo deveria vetar a diversidade étnica em seu território, evitando que suas forças produtivas fossem conspurcadas pelas raças inferiores.

No campo político, o partido de Hitler era contrário a um regime político pluripartidário, embora admitisse atuar, em sua escalada para o poder, dentro da institucionalidade então vigente . 

Via as diferenças ideológicas entre os partidos como fomentadoras da desunião de uma nação que deveria estar engajada em ideais maiores. Pregava o descarte das liberdades democráticas para que prevalecesse um único partido, liderado por uma única autoridade (ele mesmo!) comprometida com a construção de uma nação soberana e que buscasse a hegemonia econômica e étnica. 

Entre outras prioridades, Hitler defendia enfaticamente a construção de um espaço vital para que a nação ariana pudesse cumprir seu destino.

O ideário nazista, prometendo prosperidade e o fim da miséria do povo alemão, alcançou grande popularidade com a crise de 1929. Os nazistas organizavam grandes manifestações públicas nas quais os ataques doutrinários e físicos ocorriam por onde passavam, tendo como alvos:
— os judeus, cujas lojas eram saqueadas ou incendiadas:
— os homossexuais, que tinham seus bares incendiados e cujos donos eram obrigados a vender seus estabelecimentos por preços vis, para não serem espancados e mortos impunemente; e
— os comunistas e democratas, vergastados com discursos de ódio sistematicamente repetidos como um mantra.
Soldados se exibindo: a Wehrmatch estava
excluída da intolerância com homossexuais?

Prometendo o fim das imposições do Tratado de Versalhes, os hitleristas pareciam querer para o povo alemão tudo de que ele mais precisava; em pouco tempo, o apoio popular assim obtido levou grupos empresariais a financiarem o Partido Nazista e suas propostas absolutistas.

Como vimos no capítulo anterior desta série, o partido tinha alcançado uma vitória expressiva nas eleições de 1933, conquistando 288 das 647 cadeiras do Poder Legislativo alemão. 

Hitler, que perdera as eleições presidenciais de 1932 para o marechal Hindenburg, deu a volta por cima no ano seguinte: sitiado, o velho militar finalmente cedeu, empossando Hitler como chanceler. 

Pouco tempo após a morte de Hindenburg, Hitler aplicou com êxito sucessivos golpes políticos, que lhe deram o controle absoluto da Alemanha. Tornou-se o führer, detentor do poder supremo, superior a todo e qualquer outro poder que se lhe tentasse antepor.

O resta da história nós já sabemos.  

Há muitas semelhanças com o que aqui ocorreu desde 2013, com reflexos graves em 2018, mas, felizmente, o Brasil e o capitalismo na sua fase de declínio já não comportam fantasias tresloucadas de tiranos destrambelhados. 

2022 e anos seguinte, prenhes de crises econômicas e climáticas prometem muitos rebuliços. Aguardemos. (por Dalton Rosado)
Hess supôs que conseguiria sozinho acabar com a
guerra: sua presunção lhe valeu 46 anos de prisão
.
* Outro dos fundadores do Partido Nazista, Rudolf Walter Richard Hess (1894-1987) recebeu em 1933 de Hitler a recompensa por sua fidelidade desde os primeiros momentos, sendo nomeado vice-führer.
Ou seja, passou a ser o terceiro homem mais poderoso do país, atrás de Hitler e Göring, tendo redigido grande parte da legislação da era nazista, inclusive as Leis de Nuremberg de 1935, que suprimiram os direitos dos judeus. 
Contrário à guerra com a Inglaterra, pela qual nutria certa simpatia, e visivelmente abalado tanto com as pressões que aumentavam cada vez mais devido ao conflito, quanto com as constantes intrigas e disputa de poder no seio do núcleo duro nazista (do qual estava sendo alijado), em 1941 voou sozinho e pousou de pára-quedas na Escócia.
Supondo que seria recebido por Winston Churchill, pretendia negociar uma trégua. Mas, sem o aval de Hitler para tal intento, não foi considerado interlocutor habilitado. 
Preso e humilhado, fracassou numa tentativa de suicídio e permaneceu preso até o fim da vida. Foi condenado à prisão perpétua pelo Tribunal de Nuremberg e só saiu da prisão berlinense de Spandau para o sepultamento: enforcou-se aos 103 anos de idade! 
 Dalton Rosado e Graça Santos juntos: ele compõe, ela interpreta 

segunda-feira, 15 de novembro de 2021

ALGUMAS IDIOTICES ABSOLUTAS – 3

(continuação deste post)
O
s camisas-pardas nazistas, ainda no início da década de 1930, invadiam bares gays, saqueavam lojas de judeus, perseguiam ciganos e prendiam divergentes políticos (principalmente comunistas) simplesmente por serem considerados por estes grupamentos paramilitares como nocivos aos interesses da Alemanha, tudo sob critérios superficiais de julgamentos doutrinários sumários. 

O povo alemão, que ficava calado por medo e covardia, apoiava Hitler e sua turma, até que um dia viram seus filhos mortos nos campos de batalha e suas casas bombardeadas como revide a uma guerra mundial insana provocada pelos nazistas. 

O nazismo, não importa o nome político que adote, é uma doutrina do terror estatal, e quando ganha apoio popular torna-se terrivelmente despótico e anticivilizatório. 

O Brasil por algum momento embarcou nesta canoa, mas felizmente parece que a consciência histórica aliada a descrédito governamental causado pela depressão econômica capitalista e evidência do genocídio epidêmico viral evitou o pior, por enquanto.  
CONSIDERAR-SE ABSOLUTAMENTE ANTAGÔNICOS O CAPITAL E O TRABALHO ABSTRATO  –  Capital e trabalho abstrato são apenas faces de uma mesma moeda, literal e conceitualmente. Um não existe sem o outro. 

Não é por menos que doutrinas políticas aparentemente tão dispares, como o capitalismo de Estado, o nazismo e o capitalismo liberal democrático burguês colocam no altar dos santos imaculados o trabalhador e o trabalho.
Entrada de Auschwitz: o trabalho liberta mesmo?!

O capital, valor acumulado em razão do roubo do tempo de trabalho abstrato produtor dos ditos cujos (capital e valor), é uma forma desenvolvida do antigo escravismo direto, no qual um ser humano era proprietário de outro e ainda não havia, em sua acepção mais completa, o conceito de capitalismo.

Destarte, o trabalho abstrato, pretensamente libertador do escravismo direto feudal, é a primeira categoria formadora do capitalismo, que transformou tudo em mercadoria (sendo a mercadoria
força de trabalho, mensurada sob o critério de tempo-valor, a sua primeira e primária fonte existencial). 

Os marxistas tradicionais colocaram em suas bandeiras a foice e o martelo, símbolos dos trabalhadores industriais e campesinos, como se estes fossem os artífices da libertação social deles mesmos, quando. na verdade, a conservação de tais categorias apenas representava a continuidade do escravismo capitalista sob outra forma política e de propriedade (que passou a ser estatal), conservando-se o próprio obtuso e segregacionista conceito jurídico de propriedade. 

Tais categorias capitalistas deveriam ter sido negadas e, ao invés de um Estado proletário, deveria ter sido instituída uma sociedade de homens livres, autodeterminados juridicamente (por cânones legais que horizontalizasse as decisões coletivas e não as centralizasse) e produtivamente (com produção de bens e serviços destinados ao consumo coletivo e não de mercadorias).

Os nazistas eram capitalistas nacionalistas e tinham no endeusamento do trabalho abstrato produtor de valor uma de suas bandeiras principais, sob a qual exaltavam a capacidade produtiva do trabalhador ariano em detrimento de outros trabalhadores que consideravam menos capazes e aos quais pretendiam escravizar política e militarmente (com viés racista declaradamente admitido). 
A frase o trabalho liberta, na entrada dos campos de concentração nazistas, dá bem a dimensão simbólica e doutrinária do que seja um ser humano produtor de bens para toda coletividade transformado em cidadão trabalhador abstrato produtor de capital, esta última se configurando como a forma engenhosa sob a qual se pode ter o domínio legal e monetário, a partir da propriedade de mercadorias e de um quantum de valor monetário.

Os liberais democratas, por sua vez, também exaltam o trabalho e o trabalhador, mas sob uma ordem jurídico-econômica-constitucional na qual a raposa se locupleta fartamente diante das galinhas num mesmo galinheiro, com tentáculos mundiais. 

Com sua hegemonia econômica e financeira, os países ricos que exportam mercadorias manufaturadas possuem importantes patentes industriais, sistema de moedas fortes, sistema bancário detentor de hegemonia de moeda internacional, etc.; e agora veem as suas industrias migrarem para os países pobres por conta da concorrência internacional de mercado, que obriga as ditas cujas a buscarem trabalho abstrato barato. 

Tal ocorrência, que tem tantos problemas internos tem causado nos países ricos, mostra como funciona o processo dialético social: este sempre termina por expor as contradições daquilo que é essencialmente contraditório. Não há mal que sempre dure. 

O trabalho abstrato é o cerne de todo o complexo funcional capitalista! 

Se um capitalista possui milhões num banco, tem, automaticamente, a capacidade de ser dono de quaisquer outras mercadorias dimensionadas sob o critério jurídico e econômico dos muitos tempos-valores de trabalhos abstratos coagulados nessas mesmas mercadorias. 

Daí um partido de trabalhadores (até o partido nazista se dizia trabalhista) ser, acima de tudo, uma entidade que depende da continuidade político-jurídica-econômica dessa relação cumpliciada e escravista entre capital e trabalho.

Tanto os capitalistas como os trabalhadores se digladiam para a obtenção de uma única mercadoria: o dinheiro. O pretenso antagonismo se opera sob regras predeterminadas e dentro de um mesmo jogo, sendo, portanto, apenas relativa, e não absoluta.  

Evidentemente, é desigual a correlação de forças entre a síntese de todas as categorias (o capitalismo) e seu administrador (o capitalista privado ou estatal), na comparação com as categorias capitalistas trabalhador e trabalho abstrato, mormente num estágio de depressão econômica na qual a oferta de mão-de-obra abundante torna a mercadoria trabalho profundamente desvalorizada em termos da lei capitalista da oferta e da procura. 

A questão, portanto,  não é nos emanciparmos NO trabalho, mas sim nos emanciparmos DO trabalho. (por Dalton Rosado) 
Nos artigos e nas canções, o Dalton reafirma sempre a sua certeza
de que a exploração do homem pelo homem tem os dias contados 

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

GRAVÍSSIMO: 200 BRASILEIROS MORRERAM AO SERVIREM DE COBAIAS NUMA PESQUISA DE ALTO RISCO NO AMAZONAS.

O
relator da CPI da Pandemia, Renan Calheiros, já antecipou que, "com certeza", vai pedir o indiciamento do genocida Jair Bolsonaro "pelo que praticou", detalhando:
"Nós utilizaremos os tipos penais do crime comum, do crime de responsabilidade, do crime contra a vida, do crime contra a humanidade e estamos avaliando, com relação aos indígenas, [se cabe] a utilização do [da acusação de] genocídio".
Com o relatório prestes a ser entregue, Calheiros acaba de receber da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura o que leva todo jeito de ser a cereja do bolo.

É que a Unesco denunciou 200 mortes de voluntários numa pesquisa clínica patrocinada pela rede de hospitais privada Samel, com outra droga que o Bozo supunha ser milagrosa, a proxalutamida. Foi "uma das infrações éticas mais graves e sérias da história da América Latina", segundo a agência.

Mais um medicamento que se comprovou inócuo contra o coronavírus, a proxalutamida não passa de um bloqueador de hormônios masculinos ainda em desenvolvimento pela farmacêutica chinesa Kintour, cujo emprego contra tumores de mama e próstata está sendo estudado, não havendo, portanto, comprovação científica. No mês passado a Anvisa vetou o uso da proxalutamida contra a covid.

Ou seja, 200 brasileiros morreram como cobaias em pesquisa de alto risco, tendo sido o crime praticado no Amazonas, onde os sucessores brasileiros do carrasco nazista Josef Mengele acreditavam que estariam a salvo da vigilância da imprensa. 

Mas, tal abominação chegou ao conhecimento da Unesco e certamente horrorizará o mundo (o que, aliás, não vai ser novidade, tratando-se do desgoverno do palhaço sinistro). 

Se nem assim forem iniciados os procedimentos para o urgente afastamento de Bolsonaro da presidência da República, é melhor devolvermos logo o Brasil para os portugueses. (por Celso Lungaretti)

terça-feira, 28 de setembro de 2021

UM CONVÊNIO MÉDICO CUJO JURAMENTO É DE HIPÓCRITA, UM GOVERNO SAUDOSO DE AUSCHWITZ E O GOLAÇO DO JUCA KFOURI

SORDIDEZ E GANÂNCIA SEM LIMITES
O
depoimento da advogada Bruna Morato, representante de 12 médicos que denunciaram a Prevent Senior à CPI da Pandemia, revela, mais do que fatos estarrecedores, a sordidez da rede de saúde em conluio com o governo federal e setores da mídia. 

O chamado tratamento precoce não foi nada mais que medida para economizar internações e evitar a política de isolamento social, de acordo com a agenda genocida de Brasília. 

Quando se ligam todos os pontos fica claro por que a Jovem Pan, por meio de seu carro chefe, Os Pingos nos Is, sempre deu espaço aos médicos argentários que defendiam cloroquinas e outras barbaridades. 

A emissora, em busca de explorar uma concessão pública de televisão, virou corrente de transmissão do que há de pior na vida brasileira, fala apenas para uma audiência fanatizada e, mais cedo ou mais tarde, será também responsabilizada por quase 600 mil mortes no país. 

A sordidez e a ganância não conhecem limites. (por Juca Kfouri)
.
Obs. – O campo de concentração de Auschwitz é lembrado no título e na foto acima porque foi nele que os nazistas realizaram suas mais infames experiências com cobaias humanas, inclusive crianças. 

sexta-feira, 9 de julho de 2021

PRESIDENTE EXTERMINADOR DO SEU POVO TEM MORAL PARA CRITICAR ORIENTAÇÃO SEXUAL DE QUEM QUER QUE SEJA? – 2

(continuação deste post)
O
que dizer daquela família de emergentes no capitalismo mercantil anti-feudalista, que, embora se dizendo abolicionista humanitário da escravidão da etnia africana, jamais aceitaria sua filhinha branca namorar e engravidar de um preto oriundo da senzala? 

Há mais de 2 mil anos, com uma argumentação antipreconceito, Jesus Cristo salvou uma mulher adúltera do apedrejamento até a morte por falsos moralistas, ao dizer atire a primeira pedra aquele que não tiver pecado.  Será que a própria conceituação de pecado, já não seria um preconceito?

A tirania costuma apropriar-se de conceitos tidos como consensualmente corretos para exercer a opressão intrínseca aos seus pressupostos torturadores. 

Exemplo flagrante disso é a frase que os nazistas  faziam ser exposta na entrada de campos de concentração como o de Auschwitz: O trabalho liberta.

Ademais, os nazistas se referiam, hipócrita e morbidamente, aos campos de concentração como locais de reeducação de judeus, ciganos e comunistas, num exemplo claro e histórico do inaceitável preconceito racial genocida. 

Neles também eram exaltados o trabalho e o trabalhador como artífices de liberdade, apesar de o trabalho abstrato produtor de valor nada mais ser do que a base capitalista de toda a opressão contida na mediação social pela forma-valor. Infelizmente, nações em que prevaleceu o chamado socialismo real incorriam no mesmíssimo erro conceitual e político.

Grupos de humanos tiveram, em tempos remotos, de se unirem para fazer frente tanto aos animais ferozes e muito mais fortes do que cada indivíduo em particular, quanto para resistir às intempéries, mas hoje vivem em conflito com a solidariedade sem a qual nossa espécie teria sido então varrida do planeta. 

Este conflito hoje se corporifica na luta titânica entre a tirania da segunda natureza racional humana e seu oposto, que é a solidariedade própria à nossa espécie.

Os governos verticais, todos, são déspotas, e exercem as suas tiranias intrínsecas em nome do resguardo cidadão contra a própria tirania que exercem, numa inversão de sentido que permanece embotando a melhor compreensão societária. Daí Sócrates, o grande filósofo grego, ter afirmado que a cidadania é o cadáver do homem.   

O que levou 39% dos brasileiros a votarem em alguém que vociferou ódio em sua campanha eleitoral, dando sequência aos enfáticos e tirânicos conceitos de sua vida parlamentar medíocre?  

A resposta não pode ser outra senão a simbiose entre a insatisfação com o que está posto e seu pretenso contrário, como se o que estava sendo anunciado como contraponto o fosse verdadeiramente, diferenciando-se para melhor. Assim, a ignorância, irmã gêmea do preconceito, triunfou.

Mas, a verdade, tal como óleo dentro d’água, teima em emergir, ainda que a um custo muito alto, inclusive de dezenas de milhares de vidas humanos daqueles que o elegeram.

Já agora verificamos uma reversão do quadro de crença messiânica num falso salvador da pátria expressa nas multidões que saem às ruas para se contrapor àquilo que até ontem muitos consideravam uma promessa de redenção.

Há tirania braba em termos de:
— corrupção com o dinheiro público (tido como do povo, ainda que nunca o seja), que mata sob a forma de falta de vacinas, remédios e hospitais; 
— de inexistência de uma educação básica libertadora; 
— da concentração de pobres em moradias insalubres que provocam doenças; 
— do não-fornecimento de  alimentos que garantam a sustentação fortalecida de crianças nas escolas;
— de atividades econômicas que produzem a poluição da atmosfera objetivando o lucro, etc., etc., etc.  
.
Mas também existe uma tirania que para muitos é imperceptível na sua essência ontológica, e que muitas vezes passa até como redentora, numa inversão de significado. 

Falamos do capitalismo, quando relacionado com o passado da tirania do feudalismo escravista direto (ou seja, ao admitirmos o ruim por medo do péssimo). Sempre que tal ocorre, o medo dominador e paralisante é aliado da escravização do ser humano pela tirania.

E principalmente falamos da tirania do capital, que se traduz na impessoalidade do sujeito-automático e abstrato da forma valor, que nos escraviza a todos, ainda que de forma diferenciada sobre os vários segmentos de classes sociais: com os assalariados, pelo medo de perda do emprego e salário (ou seja, por medo de perder a possibilidade de ser explorado); e, para os capitalistas, pelo medo da falência, hoje cada vez mais frequente.  

Ah, tirania, essa megera que acompanha o itinerário sofrido da humanidade! 
Até quando vamos ter de aturá-la? 

Ou será para sempre, tal qual um mal imortal inerente à nossa condição humana, como se Deus quisesse afirmar a nossa inferioridade perante sua sabedoria suprema? 

Acredito que quando atingirmos um grau superior de nossa evolução, em curso apesar dos retrocessos episodicamente sofridos, poderemos aferir a nossa capacidade de compreender e exorcizar a tirania, ou pelo menos puni-la, transformando-a, nesse último estágio, em ocorrência pontual e excepcional. 

Mas, isto apenas caso ela própria não venha a, antes disso, extinguir-nos como espécie. (por Dalton Rosado)

terça-feira, 20 de abril de 2021

MARX FOI TRAÍDO PELOS MARXISTAS

dalton rosado
É NOSSO PAPEL ADMINISTRAR A CRISE DO CAPITALISMO?
A
falência estatal, que não foi causada mas sim agravada pela quarentena social mundial, é a prova da dependência submissa do Estado à economia e, por consequência, da sua condição de instrumento auxiliar indispensável à segregação social que lhe é implícita. 

Impõe-se, portanto, a conclusão de que quem se opõe ao capitalismo, e não quer apenas humanizá-lo por caridade social parcial ou oportunismo político, não deve administrar a sua crise político-estatal conexa à debacle de sua forma de relação social em colapso funcional. 

Os marxistas tradicionais, aliados da luta de classes, posicionando-se em prol dos trabalhadores, mas sem questionarem o instrumento de base da existência das classes sociais (ou seja, sem questionarem a própria condição dos trabalhadores abstratos produtores de valor pela via da produção de mercadorias), estavam equivocados. 

Ao invés de condenarem a condição de trabalhadores assalariados, produtores da riqueza abstrata expressa em valor (dinheiro e mercadorias, daí o termo trabalho abstrato), exaltaram a figura do trabalhador como móvel irreversível da revolução socialista que levaria a classe operária ao paraíso. 

Hoje os trabalhadores desempregados pressionam mais que os empregados, pois estes perderam força reivindicatória e mendigam por empregos e salários, ou seja, humildemente rogam por um pouco mais de escravização pelo salário. 

O que se viu, e não poderia ser diferente, é que, após cumprida a etapa do desenvolvimento capitalista estatal retardatário intramuros, os países ditos socialistas fecharam as fronteiras para se protegerem da dominação mercantil externa, mais desenvolvida, e o Estado passou a ser o único patrão extrator de mais-valia. 

Tal paliativo deu certo inicialmente, apesar do comportamento stalinista ou maoísta de verdade absoluta unilateral + injustiças e mortes contra dissidentes; depois, contudo, eles foram obrigados a abrir suas fronteiras, como neocapitalistas dispostos ao confronto épico de mercado. 

Apesar de se dizerem marxistas, deixaram de cumprir os ensinamentos do velho barbudo, que vaticinava a inviabilidade das relações capitalistas por seus próprios fundamentos e contradições, devendo, portanto, as relações de produção caminharem para a extinção das categorias capitalistas (dentre, estas, principalmente, a superação do Estado e do trabalho assalariado, por ele denominado de abstrato, por razões óbvias). 

Na verdade Marx foi traído pelos ditos marxistas, que mais não foram do que capitalistas de Estado, e como tais, traidores da própria classe explorada que diziam defender. A foice e o martelo, que entraram nas bandeiras ditas comunistas como símbolos do trabalho, incensavam o trabalhador abstrato, omitindo que o próprio Marx propugnava por sua própria superação enquanto tal.

[Hitler também louvava os trabalhadores e o trabalho abstrato, daí o dístico na entrada dos campos de concentração: Arbeit macht frei, ou seja, O trabalho liberta!!!).  

O que são a Rússia e a China senão Estados capitalistas alicerçados sobre formatações políticas ditatoriais e fadadas à falência, tanto no aspecto político como econômico, junta e concomitantemente aos seus aliados econômicos do ocidente, com quem interagem e disputam a hegemonia de mercado. 

[Como, aliás o fazem todos os empresários do mundo capitalista, num processo autofágico aparentemente interminável, mas destrutivo socialmente e autodestrutivo da própria forma no longo prazo.] 

A verdade é que estamos chegando ao fim da linha. A queda do muro de Berlim, que foi entendida como o fim do comunismo e o apogeu definitivo do capitalismo, sinalizou justamente o contrário.

Alguém duvida de que os Estados nacionais estejam (todos) falidos, aí incluídas as esferas estatais de sobcontroles administrativos de regulamentações como os estados-membros e as prefeituras municipais? 

Já não há mais produção de valor válido (advindo da chamada economia real, produtora e comercializadora de mercadorias) que propicie ao Estado o cumprimento das suas funções estratégicas capitalistas, ainda que justifiquem tais funções com o cada vez mais precário atendimento de demandas sociais básicas (saúde e educação).

A emissão de dinheiro sem valor tem prazo de validade estabelecido, e que está próximo do vencimento...    
O povo, iludido, clama pela presença do Estado pretensamente salvador, sem compreender que quem come do meu pirão, prova do meu cinturão, como ameaçavam os senhores de escravos. 

O corononavírus, ao tornar necessário o isolamento social a contragosto dos governantes e produtores e comerciantes de mercadorias, que não admitem formas alternativas de produção e abastecimento, expôs e antecipou algo que já vinha se delineando desde a década de 1970, com a 3ª revolução industrial, a da microeletrônica: a mediação da forma social capitalista se contrapôs definitivamente ao conteúdo social de sua própria forma e está a nos impor dialeticamente um novo modo de produção e de organização jurídico-constitucional. 

Estou escrevendo este artigo no Dia do Índio (19 de abril) E nada mais elucidativo e didático daquilo que estamos expondo do que o choque cultural entre aqueles homens e mulheres que, no dizer de Pero Vaz de Caminha, eram tão formosos que não pode mais ser e sem nenhuma coisa que lhes cobrisse suas vergonhas (partes pudendas).

Podemos perfeitamente estabelecer uma analogia entre o ano de 1500, quando os ameríndios viram chegar do mar um barco gigantesco com aquelas pessoas trajadas de forma estranha e cheias de escorbuto, as quais, por sua vez, os consideravam como semi-humanos, quase animais.
A analogia se adequa ao estranhamento comum aos diferenciamentos grupais. Atualmente, há: 
— de um lado, quem diga que, "ao invés de negar o capitalismo e seu aparelho de Estado, devemos recusar a administração da sua falência, ao mesmo tempo em que nos cabe denunciar a sua obsolescência, juntamente com a de todas as suas instituições"
— do outro lado, quem diga que "só a política e as eleições democráticas podem nos salvar da ditadura que é o seu oposto"; e,
— ainda, quem diga que "só uma ditadura militar pode pôr ordem na casa".

Não! Democracia burguesa não é o único contraponto à ditadura política militar ou eletiva (tais como a de Hitler e a que Boçalnaro, o ignaro, gostaria de instituir); a ditadura econômica não é o oposto da ditadura política; e o mercado não é a única forma de vida social possível. 

È neste sentido que o voto nulo representa uma alternativa sensata, verdadeiramente emancipacionista, que visa questionar o que está posto politica e economicamente, e não uma postura de inocentes úteis aproveitada utilitariamente pelos que querem calar o povo, como dizem seus antagonistas. 

Que a direita queira administrar o espólio falimentar dos seus aparelhos de Estado e preservá-los como cidadelas inexpugnáveis de defesa da regulamentação legal, do controle monetário e da indução ao desenvolvimento capitalista do qual se beneficia, é compreensível, ainda que aí fique demonstrada a sua insensibilidade social.

Mas, por que a esquerda, com seu discurso pretensamente anticapitalista, humanista, deseja ocupar tal espaço político? Será por conta das migalhas de poder e financiamento dos seus partidos, de seus políticos e assessores? Será pelo bem intencionado (mas prejudicial, estruturalmente falando) movimento de atenuação das misérias socais causadas pela capitalismo? Será que há um desejo inconfessado de solapar (o que jamais foi possível) por dentro tais instituições? 

Considero incorreta qualquer justificativa que se dê para a participação política da esquerda no processo eleitoral, for mesmo quando bem intencionada e não meramente oportunista. 

Não nos cabe assumir o desgaste popular inevitável em administrar um aparelho de estado falido e tentar dar-lhe uma feição humana.

Qualquer administrador público que assuma a cadeira estatal no presente estágio da debacle capitalista terá de preservar constitucionalmente as tarefas vitais do Estado, sob pena de cometimento de crime de responsabilidade, acusação de pedaladas e que tais...

Não devemos estimular ilusões, como o fazem os partidos de esquerda, numa impossível retomada do desenvolvimento econômico linear mundial, até porque, mesmo no apogeu desenvolvimentista do capital, nunca houve equidade na distribuição da riqueza socialmente produzida.

Está equivocado o PT, mesmo quando não pratica a corrupção nem concilia com a politicalha corrupta, mas atua em defesa dos trabalhadores sem jamais propor a superação de sua condição de trabalhadores, o que corresponderia a sua auto-superação.

Está equivocado, pelos mesmos motivos já expostos, tanto o Psol como como todos os partidos que legitimam, no parlamento ou nos governos estaduais e municipais, o processo desigual de representação eletiva democrático-burguesa. 

A realidade social caminha numa direção e o segmento político em direção oposta. A História haverá de constatar tal inadequação de rumos. (por Dalton Rosado)
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