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sábado, 17 de dezembro de 2022

CASO CEDA ÀS CHANTAGENS DO CENTRÃO, O LULA SE IGUALARÁ AO BOZO!

Desde 30 de outubro o Lula estava ficando com o Artur Lira, agora assumiu a relação
hélio schwartsman
STF FAZ POLÍTICA NO ROLO DO ORÇAMENTO SECRETO
Num mundo em que as palavras correspondessem às coisas, a missão de uma corte constitucional, quando aprecia um diploma legal ou hábito político, seria decidir se ele se conforma ou não aos ditames da Carta. Em caso positivo, deveria apor seu nihil obstat; em caso negativo, deveria invalidá-lo. 

Vivemos, porém, num mundo menos inequívoco, em que grande parte das realizações humanas é intermediada pela política. E é aí que a porca torce o rabo.

O voto da ministra Rosa Weber sobre o chamado orçamento secreto é tecnicamente irreparável. Ela mostrou as muitas dimensões em que as emendas parlamentares a cargo do relator do Orçamento violam princípios constitucionais, notadamente os da separação dos Poderes, impessoalidade, publicidade e eficácia da administração pública. 

Se a maioria da corte optar por aniquilar as emendas RP9, o nome oficial do arranjo, terá razões jurídicas de sobra para fazê-lo. Essa análise, aliás, vai ao encontro do que dizia Lula na campanha eleitoral, quando qualificou o orçamento secreto de maior bandidagem já feita em 200 anos.
Até quando o PT decepcionará seus eleitores idealistas com a desculpa da governabilidade?
Por ora, o placar do STF está em 5 a 4 pela extinção do orçamento secreto. Mas os dois ministros que ainda precisam votar, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes, já sinalizaram que estariam abertos a negociação. Se o Parlamento vier com uma proposta de reforma que sane ao menos parte dos vícios, eles poderiam poupá-lo do cadafalso.

"Em jogo aqui está a governabilidade", disse Gilmar Mendes. A uma guerra aberta entre os Poderes (Lira contra o STF com balas perdidas sobrando para Lula), seria preferível encontrar uma fórmula que permita a cada ator conservar ou retomar parte do controle.

Lula já vinha dando passos em direção a um entendimento com Lira e o centrão, que, dependendo de outras negociações, poderiam até vir a compor a base de apoio do presidente eleito.

Num mundo melhor, eu fecharia com Rosa Weber. (por Hélio Schwartsman)
"Palavra de homem racha, mas não volta diferente"

quarta-feira, 19 de outubro de 2022

LULA AGORA PAGA O PREÇO DE NÃO TER FEITO A OBRIGATÓRIA AUTOCRÍTICA

elio gaspari
A BOLA ESTÁ NOS PÉS DE LULA. A  QUESTÃO É O QUE ELE VAI FAZER COM ELA. 
Lula já viu isso. 

Celso Rocha de Barros conta no seu livro PT, uma história que, no primeiro semestre de 1994, Lula pediu ao presidente do PT, Rui Falcão, que começasse a sondar nomes para seu governo. 

Pudera, em fevereiro ele tinha 30% das intenções de voto e Fernando Henrique Cardoso, com sua promessa de estabilização da moeda, patinava em 7%. 

Falcão não gostou da ideia. Achava-a prematura. Em julho, Lula caiu de 41% para 38% e FHC foi para 21%. Em outubro, deu no que deu.

Sem levar em conta o debate de domingo (16), o ponteiro da pesquisa do Ipec não se mexeu. No debate, Lula entrou cavalgando o Bolsonaro da pandemia. Estonteou-o. Nos segmentos seguintes, Bolsonaro trouxe-o para a discussão das malfeitorias praticadas durante seus oito anos de governo.

Lula repetiu o mantra do comissariado: as roubalheiras foram penalizadas pelos instrumentos que seu governo respeitou. Quebraram empreiteiras,  desempregando milhares de pessoas. 

A Lava Jato foi uma operação enviesada. A presença do ex-juiz Sergio Moro na comitiva ilustrava essa acusação. Até aí, cada um acha o que bem entende.

No entanto, o Lula do debate mostrou que não está convencido do que fala. Numa ocasião disse: "Se houve corrupção na Petrobras". Noutra, emendou: "Pode ter havido". 

Moro foi um juiz parcial, e muitos procuradores agiram como dirigentes de grêmio estudantil, mas a roubalheira estava lá.

O modelito das plataformas estava lá desde o governo de Fernando Henrique Cardoso e ele nomeou Henri Philippe Reichstul para a presidência da empresa para cuidar do caso. Em 2003, com a chegada do PT ao governo, os cuidados acabaram.

As empreiteiras devolveram R$ 6,17 bilhões como pessoas jurídicas e os malfeitores devolveram mais de R$ 100 milhões como pessoas físicas. Se houve corrupção na Petrobras? Pode ter havido?

Bolsonaro tem nos pés a bola de ferro das centenas de milhares de mortos de um presidente que chamava de "maricas" quem tinha medo da Covid e queria se vacinar. 
Ele foi além, dizendo numa mensagem de madrugada, que não compraria a vacina chinesa. Orgulha-se de ter comprado o fármaco, mas quem começou a vacinar foi o governador paulista João Doria.

No debate de domingo o capitão mostrou que não tem uma resposta razoável para seu comportamento. Nem Lula para as roubalheiras da Petrobras.

Pouco habituado a debates com adversários, Lula desorientou-se no último bloco do debate, quando Bolsonaro trouxe a Petrobras para a roda, 

Lula não prestou atenção ao cronômetro. Ambos tinham 15 minutos de crédito. A certa altura o capitão tinha cerca de 6 minutos e Lula pouco mais de 1 minuto. Gastou-o dizendo que em janeiro o capitão iria para casa. Deixou Bolsonaro com 5 minutos e 42 segundos.

Na lógica do futebol, deixou o adversário com o domínio da bola na pequena área. Para seu alívio, Bolsonaro chutou na trave, vestindo a camisa da campanha de 2018.

Para quem ainda não decidiu seu voto, um não explicou sua conduta na pandemia e o outro diz que pode ter havido corrupção na Petrobras.

Falta a ambos a sabedoria de Juscelino Kubitschek: 
"Não tenho compromisso com o erro". 

Isso precisa ser repetido porque eles querem governar o Brasil nos próximos quatro anos.  (por Elio Gaspari)
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