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quinta-feira, 6 de setembro de 2018

ALOPRADO QUE ESFAQUEOU BOLSONARO BISA LAMBANÇA DE GREGÓRIO FORTUNATO

Quando, num primeiro momento, a notícia era de que Jair Bolsonaro havia sido esfaqueado sem gravidade, cheguei até a colocar neste blog uma frase na linha de que ele tanto pregara a solução de problemas pela força que um energúmeno acabara fazendo exatamente isso.

Agora, contudo, surge a informação de que o ferimento poderá ter consequências severas e até fatais. Então, como não faz parte do meu caráter tripudiar sobre a dor alheia, acabo de deletar o post.

Espero que, se escapar, Bolsonaro faça uma reflexão sobre aonde podem levar as pregações do ódio. Afinal, agora está sentindo na carne que elas não valem a pena, jamais!

Quanto ao aloprado que esfaqueou Bolsonaro, foi filiado ao Psol entre 2007 e 2014, o que certamente será capitalizado à exaustão pelos inimigos do partido. O dano que ele causou ao Psol e a toda a esquerda brasileira é gigantesco. Simplesmente, abriu uma brecha para o imponderável. Daqui pra frente, tudo pode acontecer.

Aparenta ser um homem de tão poucas leituras quanto luzes, portanto dificilmente conhecerá a história de Gregório Fortunato, um guarda-costas de Getúlio Vargas que, além do dever profissional, tinha verdadeira adoração pelo chefe. 
Oliveira: dano gigantesco!

Indignado com as críticas virulentas que o jornalista Carlos Lacerda fazia a Vargas, decidiu calá-lo a tiros por conta própria, em agosto de 1954. 

Tão trapalhão quanto o de hoje, apenas atingiu seu alvo na perna, mas os disparos acabaram matando um oficial da aeronáutica que acompanhava o Lacerda. 

Resultado: foi o impulso definitivo para as Forças Armadas ficarem em pé de guerra, exigindo a renúncia de Vargas. 

À alternativa de sair do poder escorraçado, Getúlio preferiu o suicídio, a forma que lhe restara para (por meio da carta-testamento) contra-atacar, frustrando os planos de tomada de poder por parte da direita. 

O tal Adélio Bispo de Oliveira já deve ter conseguido matar a candidatura de Guilherme Boulos. Vejamos quantos estragos mais sua estupidez causará. (Celso Lungaretti)
Daqui pra frente, tudo poder acontecer

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

DITADORES NÃO MERECEM LÁGRIMAS

No dia 24 de agosto de 1954, aos 72 anos de idade, o presidente Getúlio Dornelles Vargas se matou com um tiro no coração, após uma tensa reunião com seu ministério, quando teve de assumir o compromisso de licenciar-se do cargo.

Suficientemente perspicaz para saber que era apenas uma fórmula para dourar a pílula de seu definitivo afastamento, preferiu uma saída digna. Como os hermanos diriam, ao menos cojones ele tinha...

Sendo os mandatários bananas uma expressiva maioria nestes tristes trópicos, não há como deixarmos de admirar a coragem de Vargas e Allende, embora o segundo tivesse muitos outros méritos e o camaleão gaúcho, quase que apenas o de ter sacrificado a vida para assestar um último golpe nos seus inimigos, a famosa carta-testamento que acabou abortando os planos da UDN para assenhorar-se do poder sem eleição nenhuma.

Na maré autoritária subsequente à 1ª guerra mundial e à aguda crise econômica que varreu o mundo na década de 1920, Vargas topou encabeçar um golpe de estado e tornar-se ditador do Brasil a partir de 1930. Exímio equilibrista, manteve-se no poder durante 15 anos, apoiando-se na esquerda contra a direita e vice-versa, ao sabor das circunstâncias.    

Como um Napoleão Bonaparte em miniatura, ficava no centro e manobrava com as extremas, não hesitando em afundá-las para manter-se à tona. Foi o que fez com os integralistas de Plínio Salgado, apesar das evidentes afinidades ideológicas que tinha com eles.

Suas mais sinceras simpatias, assim como as dos principais militares golpistas de 1930, iam para o fascismo de Mussolini, do qual Vargas copiou descaradamente a legislação trabalhista. E, na repressão aos comunistas depois da fracassada Intentona, deu carta branca ao carrasco Filinto faltou-alguém-em-Nuremberg Muller para desencadear um verdadeiro festival de horrores, trailer do que os militares nos imporiam nos anos de chumbo.

Também como equilibrista, ele optou por fazer o contrário do que gostaria, alinhando o Brasil com os Estados Unidos na 2ª guerra mundial; curvou-se à evidência do fato de que o nosso país era um quintal dos EUA. E usou o limão para fazer limonada, arrancando algumas concessões do grande irmão do Norte e obtendo algumas vantagens econômicas.

Mesmo assim, terminado o conflito, os estadunidenses moveram os fios nos bastidores para que sua ditadura fosse deposta por um espécime raro em nossa fauna: um golpe militar redemocratizador.

Continuou influente, fazendo eleger o poste Eurico Gaspar Dutra para tomar conta da cadeira presidencial e retornando depois ao Palácio do Catete pelo voto popular.

A mágoa com os EUA foi determinante na posição nacionalista-estatista que assumiu desde a campanha presidencial, contando com o apoio aberrante do PCB (algo assim como nossa esquerda apoiar o Médici, caso ele tivesse sido apeado do poder e depois pedisse votos colocando uma pele verde-amarela sobre os pelos escuros de lobo...).

Acabou sendo levado à beira do abismo como consequência de uma lambança do aloprado Gregório Fortunato e do famoso mar de lama no qual seu governo, segundo os opositores, teria se transformado.

O verso do poeta-compositor Peter Sinfield cai como uma luva para ele: "confusão será meu epitáfio".

Teve muitas vezes como aliados aqueles que o destruiriam.

Não passou de um conservador e direitista, cujo fim, paradoxalmente, foi precipitado pelas tramoias dos seus iguais.

Pilotou uma ditadura durante 15 anos e acabou recebendo o golpe fatal das mãos de aspirantes a ditadores.

Massacrou a esquerda e foi velado pela esquerda. 

sábado, 15 de agosto de 2015

APOLLO NATALI: "VARGAS E LACERDA, UMA HISTORINHA ESPÍRITA"

Era uma vez um velho rei muito malvado, num país muito distante. Ele maltratava seu povo, não deixava barata nenhuma crítica ou oposição ao seu governo e reservava o cárcere, a tortura e a morte para quem ousava fazer-lhe frente. Quando comecei a ler esta historinha num livro espírita, lembrei que desde criança me pergunto por que reis e governantes sempre têm de ser cruéis e capricham nos maus tratos ao povo.

Eis que dos casebres daquele povo maltratado e faminto surge um jovem forte e impetuoso, trajes esvoaçantes, inconformado com as injustiças e desmandos do seu rei. Esse jovem combatente da dignidade humana logo foi considerado o inimigo número um daquele longínquo reinado. E passa a ser ferozmente perseguido. Até que um dia ele é preso, encarcerado, torturado longamente e morto na presença do rei. Quando o espírito do moço saiu do corpo, ele jurou que ia perseguir o rei para sempre e não sossegaria até vê-lo morto se o encontrasse numa encarnação qualquer. E o encontrou. 

Quando os dois se encontraram em encarnação recente, o rei logo percebeu que a sua antiga vítima se tornara seu inimigo número um. O jovem não sossegou até ver o antigo rei tirano morto. E viu.
Dois hábeis golpistas, o camaleão gaúcho...
Deus concedeu uma encarnação ao velho rei para que evoluísse moralmente pelo trabalho e ajudasse um outro povo faminto e maltratado. Mas, como costuma acontecer, o lobo perdera o pelo mas não o hábito. Mesmo tendo a tarefa divina de ajudar o novo povo, não se desfez dos trajes encardidos dos seus ímpetos ditatoriais e instalou uma ditadura no novo país onde reencarnou; prosseguiu a reservar o cárcere a tortura e a morte para quem ousava fazer-lhe frente.

O moço que lutava pelos pobres de seu país contra a crueldade do antigo rei reconheceu o antigo algoz de antanhos e agiu febrilmente para derrubá-lo do poder. De alguma maneira, por caminhos que apenas as circunstâncias explicam, conseguiu derrubar. O antigo rei e atual ditador no novo país disse textualmente no livro espírita editado recentemente que esse jovem era seu principal inimigo.

O rei malvado reencarnou no novo País chamado Brasil onde, apesar de continuar a se comportar como um tirano, conseguiu ajudar o povo com várias realizações. No seu novo corpo recebeu o nome de Getulio Dornelles Vargas. O jovem que não encontrou paz enquanto não o visse morto, e viu, foi batizado com o nome de Carlos Lacerda.
...e o corvo carioca.

Numa mensagem psicografada de Getúlio, ele lamenta ter tirado a própria vida por puro orgulho. Diz que poderia muito bem ter se curvado à sanha dos seus inimigos e entregue o poder pacificamente. Descansaria por algum tempo em suas vastas glebas de terras gaúchas e tinha a certeza de que seria carregado festivamente nos braços do povo de volta ao poder. Justificou que a tentativa de morte contra Lacerda não foi iniciativa sua, mas de seus auxiliares, sem o seu conhecimento.

Pena que dessa trama circunstancial resultou um inocente morto, o major Vaz. Os espíritas esperam que o major e Lacerda algum dia perdoem e não queiram ver morto numa encarnação qualquer Gregório Fortunato, segurança de Getúlio que arquitetou a tentativa de morte de Lacerda.

Dia mais dia menos, isso digo eu, não está no livro espírita, eles deverão reconhecer numa encarnação qualquer por aí, principalmente o velho rei absolutista, que o melhor mesmo é todos apreciarmos conviver em paz, com saúde, prosperidade e sem maltratar o povo numa bela democracia. (Apollo Natali)

terça-feira, 3 de março de 2015

GOVERNO DE DILMA NÃO ESTÁ EM FASE TERMINAL, MAS JÁ ESGOTOU SUA QUOTA DE ERROS.

Quando ela disse adotar o "padrão Felipão"...
A democracia brasileira corre óbvios riscos, mas é exagero comparar a situação atual ao pré-1964, assim como há grande diferença entre o locaute de caminhoneiros orquestrado e financiado pela CIA em 1972 no Chile e os últimos acontecimentos no Brasil, cujos protagonistas apenas defendem o próprio bolso.

Teorias conspiratórias à parte, não há nenhuma evidência real de que os EUA estejam agora envolvidos em tramoias para defenestrar Dilma, Cristina Kirchner e Nicolas Maduro, até porque os três tropeçam nas próprias pernas e são os principais responsáveis pelas crises em curso nos seus países. 

Exatamente por inexistir um esquema golpista estruturado, competente e com recursos financeiros de sobra, como o que tentou tomar o poder em 1961 e conseguiu em 1964, o caso de Dilma Rousseff não é terminal. 

Mas, chegou a hora de o PT começar a dar os passos certos, pois a quota de errados está mais do que esgotada. 

Ela tentou apaziguar o grande capital adotando a receita neoliberal para cenários de queda de investimentos, perda de competitividade e estouro das contas públicas: a recessão purgativa. 

Não levou em conta, contudo, a indignação do eleitorado, por ter sido levado a crer que, reelegendo-a, escaparia deste remédio amargo.
...não imaginava estar sendo premonitória...

Nem o instinto de sobrevivência dos políticos do próprio PT e da base aliada, que temem ser castigados nas urnas se apoiarem o draconiano pacote de ajuste fiscal.

Por último, confiou a tarefa de preparar o saco de maldades a um Chicago boy de segunda categoria, sem jogo de cintura para preencher o espaço de czar da área econômica, permitindo que Dilma se mantivesse convenientemente à distância para a impopularidade não respingar nela.

Deu tudo errado. Joaquim Levy não passa de um coadjuvante que se embanana todo ao ter os holofotes voltados para si, dá declarações as mais inoportunas, desconstrói-se sozinho e acaba forçando Dilma a manifestar-se... contra ele! Resumindo: além de estar vendendo peixe podre, consegue piorar a coisa com seu evidente amadorismo.

João Goulart, em circunstâncias semelhantes, recorria a nomes de primeira grandeza como Carvalho Pinto, Celso Furtado e São Tiago Dantas. E nem assim funcionou, pois o PCB e Leonel Brizola torpedearam suas gestões até que saíssem, derrotados.

Então, se os grãos petistas quiserem evitar o impeachment de Dilma ou (pior ainda) um golpe de estado, têm de considerar opções como a articulação de um governo de união nacional, a montagem de um gabinete de crise e/ou a renúncia da presidenta, acompanhada ou não pela renúncia do vice Michel Temer. Mesmo que percam os anéis, conservarão os dedos e a enorme chance de reassumirem a Presidência com Lula em 2018.
...no pior sentido possível!

Se nada fizerem de impactante, a contagem regressiva continuará, com a Dilma tão impotente diante do agravamento da crise quanto Felipão ao ver a Alemanha marcar gol após gol sem esboçar a mínima reação, pois tinha sido superado pela adversidade. 

E, continuando nos paralelos futebolísticos, para a partida do impeachment começar só falta um motivo (ou pretexto) à altura, como algum testemunho de delator premiado que envolva Dilma com a roubalheira na Petrobrás; uma ocorrência dramática nas manifestações oposicionistas do próximo dia 15; uma lambança de aloprado do PT na linha do atentado de Gregório Fortunato contra Carlos Lacerda, etc. O que cair primeiro na rede será peixe.

Então, o governo do PT precisa retomar rapidinho a iniciativa política, deixando de dar sopa pro azar. 

E tendo a humildade de reconhecer que as soluções plausíveis implicam todas uma redução do poder de Dilma, em benefício de atores políticos que não estejam tão queimados e ainda sejam capazes de incutir esperança nos brasileiros. 

Pois, enquanto não passar a sinistrose atual, nada dará certo.

sábado, 25 de agosto de 2012

JOÃO PAULO CUNHA É CULPADO...

...DE FAZER 
UMA PÉSSIMA 
COMPARAÇÃO 
HISTÓRICA.

Sempre me repugnou julgar outras pessoas.

Os sites fascistas mantêm no ar até hoje uma lorota que companheiros presos devem ter impingido à repressão ao serem torturados: a de que teria sido eu um dos três juízes do tribunal revolucionário a que foi submetido um quadro da VPR. Na verdade, durante a minha militância nem sequer tive ciência da realização de tal julgamento. Só fiquei conhecendo o caso na década passada.

Na minha carreira jornalística, sempre fiz o possível e o impossível para evitar demissões de colegas. Liderando equipes, só uma vez tomei a iniciativa de colocar alguém no olho da rua, mas era caso extremo: a repórter deixara de cumprir uma pauta para ir tratar de assunto pessoal e depois tentou me iludir. Mau desempenho dá para administrarmos, má fé não tem conserto.

Então, não sou eu que opinarei sobre a culpabilidade ou inocência de João Paulo Cunha, um dos réus do julgamento do  mensalão.

Mas, detesto as incorreções históricas, as versões convenientes que vão tomando o lugar da verdade quando são evocados personagens com grandes virtudes e grandes pecados.

Vargas (o mais baixo) também tinha seu Brilhante
Ustra: o terrível Filinto Muller (o mais alto)
Como Getúlio Vargas, que liderou uma mera quartelada (jamais uma revolução!), pilotou uma ditadura de características inconfundivelmente fascistas, era admirador e tentou seguir os passos de Hitler e Mussolini, teve como chefe da polícia política um dos piores torturadores da nossa História, deixou que Olga Benário fosse entregue aos carrascos nazistas... e, lá pela metade de uma trajetória até então das mais negativas, deu uma guinada para a esquerda, assumindo a postura nacionalista que lhe valeu o apoio do PCB e a perseguição dos EUA e seus lacaios.

Hoje a esquerda só lembra do seu  grand finale: ter optado pelo suicídio na iminência de ser derrubado por uma articulação reacionária, deixando a carta-testamento que acabaria por abortar a escalada da UDN e seus aliados fardados rumo ao poder.

Omite, contudo, aquilo que nunca poderemos relevar: as atrocidades de Filinto Muller, a cumplicidade no martírio de Olga, o apoio inicialmente dado aos integralistas de Plínio Salgado (seus parceiros na instalação do Estado Novo)  y otras cosita más...

Memória seletiva nunca foi comigo. Sigo Rosa Luxemburgo: "A verdade é revolucionária".

Jamais deixarei de prestar tributo à dignidade de Getúlio, raríssima nestes tristes trópicos. Cada vez que os Zelayas da vida são enxotados do poder com um pé na bunda (deixar-se embarcar num avião de pijama equivale a isto...) faço questão de lembrar que houve quem preferisse a morte à desonra, como Allende e Vargas.

Mas, daí a retocar o lado ruim de uma biografia vai uma grande diferença. Não estou no ramo da maquilagem.

O   tiro ao corvo   foi desastrado:
acertou também o pé de Vargas.
Foi exatamente o que João Paulo Cunha fez, ao comemorar o voto favorável recebido do revisor Ricardo Lewandowski.

Comparando-se a Getúlio, afirmou que este "se matou porque a elite brasileira, os ricos e poderosos pressionavam e diziam que por baixo do Palácio do Catete jorrava um mar de lama e corrupção".

Menos, Cunha, bem menos. Apenas o  mar de lama  teria sido insuficiente para derrubar Vargas, assim como o  mensalão  foi insuficiente para derrubar Lula.

Ocorre que um primata a serviço de Vargas (mas não por sua ordem) ofereceu numa bandeja o ingrediente emocional de que tanto careciam os direitistas: o chefe da guarda pessoal de Getúlio, Gregório Fortunato, comandou um asnático atentado ao principal porta-voz dos conspiradores, Carlos Lacerda, no qual foi mortalmente baleado um major da Aeronáutica. O  corvo, por sua vez, safou-se apenas com um tiro no pé.

Aí, com as lágrimas de crocodilo jorrando aos borbotões e os militares enfurecidos, não havia mais como segurar a onda. E Getúlio cumpriu sua promessa de só sair morto do Palácio do Catete.

É este passado que João Paulo Cunha quis trazer à baila?! Está pagando para receber tortas na cara.  Os paralelos possíveis são muitos, e a maioria desfavorável. Alguém pode dizer, p. ex., que um aloprado jogou Getúlio às feras e outros aloprados quase nocautearam Lula...

Quanto ao  mar de lama, nunca deixou de existir na política brasileira. Às vezes convém à direita utilizá-lo como trunfo, às vezes convém à esquerda. Às vezes o mesmo político (Lula) serve-se dele para derrubar um adversário (Collor) e depois é quase derrubado por ele.

Só acabará quando a sociedade não tiver mais como mandamento supremo o enriquecei! capitalista.

Até lá, nós da esquerda deveríamos ocupar-nos das tarefas revolucionárias, não de forçar a troca de mandatários sem que verdadeiramente sejam alteradas as relações de poder; e muito menos de garantir a governabilidade (sob o capitalismo!!!) usando os mesmos métodos dos nossos inimigos de classe.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

AS AMEAÇAS EXISTEM E IGNORÁ-LAS PODERÁ SER TRÁGICO

Vamos falar sério.

A eleição de Dilma Rousseff está mais do que definida.

O escândalo da invasão de dados siligosos de pessoas próximas a José Serra não tem apelo eleitoral suficiente para alterar o resultado do pleito.

Nem mesmo para evitar que a eleição seja decidida no 1º turno.

Mas, dá combustível para tentativas golpistas. Dos mais inflamáveis.

O jogo não vai ser virado. A mesa, talvez.

Foi com que sonharam os articuladores do  Cansei!.  Quando o que seria sua  Marcha da Família com Deus Pela Liberdade só mobilizou 4 mil gatos pingados, decidiram recuar, à espera de oportunidade melhor.

Resignaram-se ao cumprimento integral do segundo mandato do presidente Lula.

Aceitarão, da mesma forma, o mandato da sucessora que Lula produziu, mais a perspectiva de que ele próprio conquiste outro (eu quase ia escrevendo  um quarto...) em 2014?

Têm oito anos de pão e água pela frente e um mote e tanto para tentarem reeditar 1964.

Daquela vez, o pretexto era a conspiração comunista internacional, o  ouro de Moscou, etc. Funcionou.

Em 2007, ergueram o espantalho do Fôro de São Paulo, Chávez, etc. Não funcionou.

Agora, o bicho-papão será o estado policial, tentacular, conforme proposto pela Veja em recente matéria de capa (foto acima) cujo texto e ilustração têm mais a ver com   sci-fi  do que com jornalismo...

Sejamos francos: existe organização popular suficiente para que a resistência a uma eventual quartelada seja mais eficaz do que em 1964?

Não. A ênfase do lulo-petismo tem sido a de ganhar eleições, não a de estruturar, fora e independentemente do Estado, o poder popular. Então, a tomada do governo pelas forças reacionárias o privaria da fonte principal de sua força e capacidade de reação.

Podemos confiar em que as Forças Armadas desta vez não cedam à tentação golpista?

O quadro é pior do que em 1964, quando a maioria dos militares queria respeitar a Constituição, um núcleo de conspiradores esforçava-se para assumir a liderança da caserna e havia remanescentes dos cabos e sargentos que heroicamente impediram a primeira tentativa de usurpação do poder, em 1961.

Agora, a maioria continua preferindo atuar profissionalmente, o núcleo de oficiais conspiradores existe (contando com expressivo contingente de nostálgicos da ditadura) e nada restou de espírito resistente nos escalões inferiores.

Então, o fiel da balança é o poder econômico.

A anemia do  Cansei!  se deveu à falta de apoio do grande capital, dos banqueiros, da agroindústria, da Rede Globo. Os senhores do Brasil consideravam que seus interesses estavam sendo bem servidos e não viam motivos para aventuras.

Nada indica que tenham mudado de opinião, haja vista a profusão de recursos com que abastecem a campanha de Dilma.

Mas, nada é definitivo na política e os cenários se modificam com muita rapidez.

Podemos dar como favas contadas que haverá cidadãos querendo derrubar o governo no início de 2011.

Não se produziu até agora o fato político capaz de alterar os humores dos verdadeiramente poderosos. 

Mas, tudo é possível. Há sempre um Gregório Fortunato para fazer uma monumental lambança, ou um Cabo Anselmo para incitar radicalização desmedida.

Então, seria sensato, talvez até providencial, se os dirigentes petistas tomassem duas providências:
  • apagarem o incêndio na Receita Federal, demitindo superiores que não zelaram como deveriam pelos dados sob sua guarda e apurando rigorosamente as responsabilidades desses aloprados que, com suas ações criminosas e estúpidas, acabaram servindo como inocentes úteis para a arregimentação das forças inimigas;
  • passarem a se preocupar um pouco menos com a eleição, que marcha a contento, e um pouco mais com a sustentação do resultado que sairá das urnas.
Outubro não é preocupante. A incógnita são os meses seguintes.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

CADA ALOPRADO É UM GREGÓRIO FORTUNATO EM POTENCIAL

A comunicação empresarial é uma atividade que nunca me agradou, mas que fui obrigado a exercer durante muitos anos, por falta de opção melhor.

Tive de ajudar a se lançarem produtos duvidosos, colocar palavras inteligentes na boca de empresários tacanhos e administrar as crises que sua atuação irresponsável lhes acarretava.

Particularmente doloroso foi haver desempenhado papel de destaque na salvação de uma empresa ameaçada por uma onda de desconfiança no mercado (nossa agência ganhou até prêmio internacional por tal  proeza) e, um ano mais tarde, assistir à sua falência fraudulenta, que lesou milhares de investidores.

Acabei contribuindo para que tivesse esse ano de sobrevida, sem imaginar que o resultado concreto dos meus esforços seria dar-lhe condições para depenar mais otários ainda e preparar melhor o  pulo do gato. Ingenuidade mata.

Algo que eu aprendi na administração de crises -- tanto daquelas em que atuei como profissional, como das muitas que permearam minha militância -- é: empresa, partido ou governo que se coloca numa situação vulnerável, deve sair dela imediatamente e com transparência, caso contrário maximizará as perdas.

Eu apostaria que o vazamento de dados sigilosos da Receita Federal acerca de seus adversários políticos não teve a anuência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da candidata Dilma Rousseff, de ministro ou personagem do alto escalão.

Mas, aloprados cometeram esse asnático crime e têm de ser punidos. Como dizia o Paulo Francis, quem é burro pede a Deus que o mate e ao diabo que o carregue.

Se cauterizar a ferida o quanto antes, o Governo não sairá incólume, mas vai evitar que supure até a eleição, talvez mudando o resultado que se delineia neste instante, talvez fornecendo pretexto para  viradas de mesa.

Vale lembrar: a lambança de um guarda-costas mais realista do que o rei (Gregório Gortunato, que tentou matar o líder udenista Carlos Lacerda), capitalizada ao máximo pelos eternos  golpistas, quase levou à destituição de Vargas em 1954. Para frustrar-lhes os planos, teve de sacrificar a vida.

Não há solução indolor para o  Receitagate. E, a cada vacilo e negaceio, o custo político aumentará.

Quem avisa, amigo é.
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