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quarta-feira, 12 de agosto de 2020

O PROJETO DE UMA RENDA BÁSICA PARA TODOS FINALMENTE VAI DECOLAR?

rui martins
DA UTOPIA PARA A REALIDADE: UMA PROPOSTA QUE PODERÁ VINGAR NO MUNDO PÓS-PANDEMIA
Faz três anos, enviei ao editor os originais de um livro provavelmente ainda muito prematuro, na época, para o Brasil. Tanto que até hoje continua inédito.

Porém, a crise social e econômica provocada pelo coronavírus, agravando ainda mais a pobreza e ameaçando tornar irreversível a situação de miséria para milhões de famílias em todo o mundo, trouxe à atualidade uma antiga ideia: a de todos os países garantirem a todos seus cidadãos uma renda básica mínima para poderem viver dignamente. 

Honra a quem de direito: foi Thomas More, o primeiro a imaginar essa solução, ainda no século 16, no seu livro Utopia.

O tema vem sendo abordado pelas organizações internacionais como um principal recurso capaz de evitar uma depressão econômica internacional. Ainda é recente um texto do professor Guy Standing, da Universidade de Londres, publicado pelo Fórum Econômico de Davos, mostrando não ser uma solução de inspiração exclusiva de esquerda.

A fragilidade do atual sistema econômico mundial decorre da sua transformação num capitalismo de renda, argumenta Standing, do qual se beneficiam exageradamente os que vivem de rendas de propriedades ou de investimentos financeiros. 

A mundialização desenfreada criou, assim, oito gigantes modernos: a desigualdade, a insegurança, a dívida, o estresse, a precariedade, a automatização, a extinção e o populismo neo-fascista. Essa situação chegou ao seu clímax com a crise decorrente do coronavírus.

Após o auê, o PT praticamente ignorou a proposta de Suplicy
A Espanha decidiu, desde maio, criar algo semelhante para 22% da população em situação de precariedade. O Brasil também criou uma ajuda temporária, chamada emergencial. Entretanto, tais iniciativas não correspondem à essência da renda básica, por serem mínimas e transitórias.

É o caso também do programa Bolsa Família, uma ajuda irrisória distribuída a 20% das famílias brasileiras, e que poderá ser aumentada, não se sabe quanto, com o anunciado programa Renda Brasil, pelo ministro Paulo Guedes. 

O novo programa incluiria os trabalhadores autônomos, informais e desempregados. Em contrapartida, outros benefícios já concedidos aos trabalhadores de renda mínima seriam suprimidos.

O Partido dos Trabalhadores perdeu sua grande chance de fazer história, em termos de política econômica, ao praticamente ignorar o projeto de renda básica universal, proposto pelo ex-senador Eduardo Suplicy, criado há mais de 30 anos e constante em três de seus livros.

Transformada em projeto, tal proposta, apresentada ao Senado em 1994, chegou a ser aprovada em 2004 pelo Congresso, mas não foi aplicada concretamente pelo governo petista. 

Hoje, o governo Bolsonaro pretende utilizar essa mesma ideia básica, com as deturpações que lhe são costumeiras, dando-lhe um formato paternalista a fim de garantir sua reeleição.

Seguem alguns trechos originais do meu livro A revolução do salário sem trabalho, ainda sem a atualização necessária face ao coronavírus, à espera de publicação.
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O Capitão Bozo se apropriando do tesouro do PT: o bolsa-família
UM SALÁRIO-MÍNIMO PARA TODOS  O projeto de se criar uma renda fixa para todos não é mais um sonho utópico. O desenvolvimento da automatização aplicável não só nas indústrias de produção como nas atividades humanas cotidianas, com a utilização crescente de robôs, cada vez mais perfeitos graças ao avanço da inteligência artificial acoplada com a nova linguagem numerotizada dos computadores, vai provocar o fim de numerosas carreiras profissionais.

Em termos práticos, isso significará um aumento incontrolável do desemprego, gerando desestabilização social e política nos países desenvolvidos.

O mundo mudou, a esquerda e a direita até aqui não conseguiram lançar bases duradouras para uma sociedade com menos desigualdades e surge a iminência do aumento do desemprego, incontrolável com o desenvolvimento das novas tecnologias, automatização, robotização e inteligência artificial, que, na verdade, são transformações e modernizações positivas para todos nós.

Assim como a internet revolucionou as comunicações e os contatos sociais, chegou a hora de se repensar a solução para os problemas que se arrastam pelos séculos, utilizando os instrumentos e experiências sociais e econômicas hoje existentes.

Mesmo tendo o próprio Cristo declarado a perenidade da miséria com sua frase os pobres, sempre os tereis convosco, nossa maturidade social, neste começo do 3º milênio, pode permitir o lançamento das bases para se colocar um fim definitivo na fome e na miséria em termos locais, regionais, nacionais e mesmo em todo o planeta.
Uma comunidade hippie estadunidense dos anos 60

Não se trata de uma ação política, plano religioso assistencial ou de filantropia, mas de um projeto econômico e social, vindo de tempos remotos, materializado, pela primeira vez, no livro visionário de Thomas More, publicado há tempos, no século 16, Utopia.

Esse livro conta a existência de uma ilha ideal, onde as riquezas eram partilhadas por todos, antecipando os sonhos e o surgimento de tantas comunidades, geralmente religiosas, muitas vivendo em autarcia, bastando a si próprias, e sem contato maior com o mundo exterior.

Na década de 1960, o inconformismo com os padrões legados de geração a geração levou os jovens, principalmente nos EUA, à ruptura e à criação de comunidades hippies, nas quais viviam partilhando tudo quanto possuíam, de uma maneira intuitiva, improvisada e um tanto precária, em torno de seus ideais, que eram basicamente de ruptura e de busca de realização individual, desvinculadas de projetos de reformas políticas.

Poucas comunidades sobreviveram ao avanço da idade de seus participantes, que acabaram por se integrar no sistema de classes e concorrência econômica e social do qual haviam saído.

Foi, entretanto, a Revolução de 1917, na Rússia, que deu origem à principal tentativa e experiência de sociedade igualitária e sem classes sociais, com oportunidades iguais para todos e sem os bolsões de miséria, existentes nas periferias e favelas de todos os outros países.

A experiência durou 70 anos e, embora pretendesse acabar com a desigualdade social, reforçou o aparelho do Estado, reduziu as liberdades, criou uma burocracia e se desviou para o totalitarismo com suas repressões e o culto da personalidade.
Verne chegou lá 104 anos antes

Não sendo, portanto, uma opção religiosa, nem dos jovens em ruptura social e nem um projeto político interessado em colocar na prática o marxismo, qual a novidade que, nos dias de hoje, sem recorrer à força ou necessidade de uma revolução, poderia acabar com os segmentos de miséria, aceitos como fatalidades normais nas sociedades humanas?

Trata-se de uma utopia capaz de se tornar realidade, como as histórias de ficção-científica de Jules Verne, H. G. Wells ou Asimov anteciparam importantes invenções e descobertas tecnológicas que hoje fazer parte do nosso cotidiano.

Alguma coisa palpável, concreta, como o dinheiro: criar-se uma renda, um pagamento, um tipo de pensão ou bolsa, como um salário mas sem a obrigação do trabalho, que seria paga a toda a população mas destinada a beneficiar as pessoas de baixa renda.

Por que se pagar essa renda para todas as pessoas? Para se evitar a humilhação aos mais pobres de se inscreverem como necessitados, ato aos quais muitos se negam, preferindo arcar com as restrições da miséria. Esse pagamento seria logo devolvido pelos não-necessitados, junto com o imposto de renda.

Esst solução prática na luta contra a miséria, aparentemente dispendiosa demais para o Estado, mas na verdade nem tanto, é conhecida, com pequenas variantes, pelos nomes de renda garantida, renda básica para todos ou renda mínima incondicional e universal.

Economistas de direita e de esquerda, com algumas modificações, consideram ser essa renda a maneira de se transformar as atuais relações sociais, suplantando-se as perspectivas sombrias do desemprego.

Na contracorrente, os países com crescentes problemas estruturais de desemprego crônico ainda tentam recorrer aos seguros-desemprego e ajudas assistenciais sempre insuficientes e degradantes, enquanto outros simplesmente abandonam essa parcela da população.

Ao mesmo tempo, aumentam a idade para a aposentadoria, quando as empresas não contratam maiores de 50 anos e muito menos idosos de 60, criando novos bolsões sociais de desempregados, condenados a um fim de vida na miséria. (por Rui Martins)

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

ALOPRADO QUE ESFAQUEOU BOLSONARO BISA LAMBANÇA DE GREGÓRIO FORTUNATO

Quando, num primeiro momento, a notícia era de que Jair Bolsonaro havia sido esfaqueado sem gravidade, cheguei até a colocar neste blog uma frase na linha de que ele tanto pregara a solução de problemas pela força que um energúmeno acabara fazendo exatamente isso.

Agora, contudo, surge a informação de que o ferimento poderá ter consequências severas e até fatais. Então, como não faz parte do meu caráter tripudiar sobre a dor alheia, acabo de deletar o post.

Espero que, se escapar, Bolsonaro faça uma reflexão sobre aonde podem levar as pregações do ódio. Afinal, agora está sentindo na carne que elas não valem a pena, jamais!

Quanto ao aloprado que esfaqueou Bolsonaro, foi filiado ao Psol entre 2007 e 2014, o que certamente será capitalizado à exaustão pelos inimigos do partido. O dano que ele causou ao Psol e a toda a esquerda brasileira é gigantesco. Simplesmente, abriu uma brecha para o imponderável. Daqui pra frente, tudo pode acontecer.

Aparenta ser um homem de tão poucas leituras quanto luzes, portanto dificilmente conhecerá a história de Gregório Fortunato, um guarda-costas de Getúlio Vargas que, além do dever profissional, tinha verdadeira adoração pelo chefe. 
Oliveira: dano gigantesco!

Indignado com as críticas virulentas que o jornalista Carlos Lacerda fazia a Vargas, decidiu calá-lo a tiros por conta própria, em agosto de 1954. 

Tão trapalhão quanto o de hoje, apenas atingiu seu alvo na perna, mas os disparos acabaram matando um oficial da aeronáutica que acompanhava o Lacerda. 

Resultado: foi o impulso definitivo para as Forças Armadas ficarem em pé de guerra, exigindo a renúncia de Vargas. 

À alternativa de sair do poder escorraçado, Getúlio preferiu o suicídio, a forma que lhe restara para (por meio da carta-testamento) contra-atacar, frustrando os planos de tomada de poder por parte da direita. 

O tal Adélio Bispo de Oliveira já deve ter conseguido matar a candidatura de Guilherme Boulos. Vejamos quantos estragos mais sua estupidez causará. (Celso Lungaretti)
Daqui pra frente, tudo poder acontecer

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

"MOBY DICK" DISSECA OS LÍDERES MESSIÂNICOS E CATASTRÓFICOS

Adaptação cinematográfica clássica de um clássico da literatura, o Moby Dick de 1956 (que vocês podem assistir, completo e legendado, na janelinha abaixo) é praticamente insuperável, em função da excelência da trinca de grandes talentos que reuniu e da perfeita sinergia que se verificou entre eles: 
  • o diretor John Huston, cuja alma de aventureiro lhe permitia valorizar como ninguém as histórias de homens que se propõem desafios quase inalcançáveis e desenvolvem esforços descomunais para concretizá-los -caso também dos fundamentais O tesouro de Sierra Madre (1948) e O homem que queria ser rei (1975).
  • o roteirista Ray Bradbury que, como escritor, foi um dos pais das novelas de sci-fi, tendo praticamente lançado a tendência de enfocar mais as consequências dos avanços científicos sobre os homens e a sociedade, do que embasbacar-se com as geringonças futuristas, como fazia Isaac Asimov. Sem Bradbury não teriam existido Philip K. Dick, Robert Silvelberg, Robert A. Henlein e outros autores que, basicamente, projetaram no futuro, amplificadas, as inquietações e ameaças do presente. Gente desse quilate não trabalha mais para Hollywood, privando o cinema comercial das centelhas de vida inteligente que lhe serviam como álibi para a infinidade de tralhas que despejava nas telas.
  • e Gregory Peck, o ator que parece ter nascido para interpretar o Capitão Ahab. É difícil imaginarmos algum outro ator que tivesse não só a competência artística, mas também o enorme carisma que o papel exige.
A insânia do projeto de Ahab e a liderança messiânica que exerce, envolvendo a marujada na sua idéia fixa e fazendo com que ela marche passivamente para a própria destruição, é o cerne desta obra-prima de Huston. 

Neste sentido, pode-se dizer que inspirou outro filme seminal: Aguirre, a cólera dos deuses (1972), de Werner Herzog. E que ambos foram fortemente inspirados por Adolf Hitler, o homem que mesmerizou o povo alemão e arrastou-o para o mais amargo fim.

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