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quinta-feira, 28 de outubro de 2021

NÃO HÁ MÁGICA CAPAZ DE TRANSFORMAR A SUBTRAÇÃO DOS EXPLORADOS EM ADIÇÃO DE RIQUEZA PARA A MAIORIA DELES – 1

dalton rosado
TRÊS ECONOMISTAS BRASILEIROS E
 A CRÍTICA DA ECONOMIA POLÍTICA
Karl Liebknecht
Assisti recentemente na Globonews a um debate entre três economistas, ligados respectivamente aos projetos políticos do PT, do PSDB e do liberalismo clássico prometido por Paulo Guedes (e que terminou em fake news:
— Nelson Barbosa, o ex-ministro da Fazenda do governo Dilma Rousseff, da social-democracia trabalhista petista; 
 Elena Landau, que participou da elaboração do Plano Real e serviu ao governo FHC, hoje definindo-se como liberal-progressista; e
— Hélio Beltrão, um defensor do liberalismo ortodoxo que apoiou a candidatura do Boçalnaro, o ignaro e agora está arrependido.

Os três e eu temos uma única convergência: somos todos críticos do ministro Paulo Guedes, seja porque nunca concordamos com seus argumentos de campanha, seja (como no caso do Hélio Beltrão) porque não cumpriu a agenda liberal prometida e obedeceu ao projeto populista-nacionalista do chefe a quem serve, apegando-se ao cargo como um musgo na pedra em face do vai-e-vem das ondas da maré). 

Os argumentos das três correntes às quais pertencem contém meias-verdades que terminam por ser equivocados nas suas essências porque todas elas têm um erro comum: não consideram que a dinâmica do capitalismo atingiu o seu ponto de saturação (ou limite interno e externo de expansão) e colapsou nos campos político, social, econômico e ecológico.
Da esq. p/ a dir.: Nelson Barbosa, Elena Landau e Hélio Beltrão.
Os três, portanto, não levam em conta que o Estado falido (em todas as vertentes ideológicas que dão sustentação à relação social capitalista, total ou parcialmente estatista ou privatista) é incapaz de cumprir a sua função reguladora ou assistencial justamente por ser apenas uma correia de transmissão de uma relação social cada vez mais anêmica.

A agenda político-administrativa econômica obedece, sempre, aos humores da insatisfação popular e princípios de governabilidade de sobrevivência.

Aliás, já se disse que nada há de mais liberal que um economista keynesiano nos tempos (breves e localizados) das vacas gordas capitalistas; e nada mais keynesiano do que um liberal na depressão capitalista (vide o Guedes de antes e de agora). 

Social-democratas como Nelson Barbosa querem um Estado forte, estatizante, assistencialista, preocupado com o atendimento das demandas sociais básicas e outras que considera tão importantes quanto, intervencionista e, ao mesmo tempo, indutor do desenvolvimento econômico capitalista (como os governos petistas fizeram, principalmente por meio do BNDES). 
Assim como os militares, o PT mantém-se empacado
no ideário estatizante de meados do século passado 
 

Elena Landau, que se auto intitula liberal-progressista, tem um pé na social-democracia assistencialista e outro pé na privatização liberal das estatais, admitindo que o Estado é um mau empresário e deve privatizar as estatais, mas com o governo tendo uma pretensa sensibilidade social, e defendendo os rigores do controle fiscal e monetário como forma de proporcionar o equilíbrio das relações capitalistas de produção.

Elena está no que se poderia chamar de centro-político ideológico (não confundir com o centrão, cuja única ideologia é sempre a das próximas eleições e o próprio bolso).

Hélio Beltrão é claramente defensor do liberalismo econômico clássico do laissez faire, laissez passer, que propõe um Estado mínimo, não-intervencionista, vendo o mercado como um santo graal capaz de tudo equalizar, em obediência ao que considera bons propósitos da lógica de produção de mercadorias, na qual ganha a guerra concorrencial quem for mais competente e esperto (aos perdedores, as batatas...), entendendo que isto seja, ao final, o melhor para ao povo 

Há uma crença comum a todas estas escolas econômicas, muito bem definidas no debate e defendidas pelos debatedores sem subterfúgios quanto ao que creem, convictos que são e estão do acerto de suas proposições.

Diferentemente dos governantes e partidos a que servem (ou das escolas doutrinárias econômicas a que estão atrelados), os quais mudam seus comportamentos doutrinários (os estatutos partidários são meros cânones de penalidades aos dissidentes) de acordo os interesses eleitorais, eles (os economistas presentes ao debate) tiveram a dignidade de defender aquilo que acreditam.

Estão, contudo, equivocados na essência e conteúdo de suas crenças, além de saberem muito bem que os governantes raramente são,  na prática, fiéis a elas, agindo, isto sim, ao sabor de suas conveniências em cada momento.
(por Dalton Rosado - continua neste post) 
Mais uma composição do Dalton na voz do Gomes Brasil

quinta-feira, 26 de maio de 2016

DALTON ROSADO: "UMA ANÁLISE DO CAOS NA VENEZUELA"

"Marx, nos Grundrisse, chega a vislumbrar 
momento em que o avanço dos métodos 
capitalistas de produção tornariam 
tempo de trabalho uma base miserável 
para a valorização da imensa massa de 
valor que deverá funcionar como capital."
(Luiz Gonzaga Belluzzo, na introdução do livro 
de Isaac Rubin, A teoria marxista do valor, 1987)
O povo venezuelano vive uma situação de caos político e de miséria material; e não poderia ser diferente. 

Não porque o capitalismo seja a solução dos problemas (na verdade ele é a sua causa primária), mas porque o chamado socialismo bolivariano nada mais é do que uma forma híbrida e indefinida de capitalismo de estado com capitalismo liberal. 

Ambas as formas atingiram um estágio limite e essa forma híbrida venezuelana é a pior delas, pois sua dupla personalidade faz com que uma tendência anule a outra e o caos se estabeleça, de modo que nem a força militar poderá conter a insatisfação popular. 

A solução não está na hegemonia de nenhuma das duas formas de relação social político-econômica em disputa na Venezuela, pois qualquer uma que prevaleça não conseguirá emancipar verdadeiramente o seu povo. 

A Venezuela teve na venda de petróleo pela estatal PDVSA – Petróleo de Venezuela S/A, a sua base de sustentação econômica. Tal fato, por si só, já denuncia a dependência à ordem econômica internacional e, portanto, capitalista na sua essência constitutiva (e pior, tendo como seu principal comprador de petróleo o proclamado inimigo, os Estados Unidos). 

Agora, que o preço do barril de petróleo está em queda no mercado mundial (e, se a humanidade tiver juízo, superará o seu consumo que provoca a emissão de gás carbônico na atmosfera, substituindo-o por fontes de energias limpas como a hidráulica, eólica, solar, etc.), sua principal fonte de recursos reduziu-se drasticamente, e o país está mergulhado no caos do abastecimento, desemprego, falência estatal, endividamento público, a mais alta inflação do mundo, etc. 

As suas dificuldades são econômicas, como está demonstrado, porque são aferidas pela lógica e funcionamento da economia e suas consequências, e somente a superação da própria economia, coisa que não se discute e nem se defende na Venezuela (e em quase todo o mundo), poderá reverter essa situação convenientemente.

O quadro internacional é de depressão econômica que impõe sacrifícios à classe trabalhadora (principalmente nos países periféricos do capitalismo, nos quais a devastação é total e onde se observa famílias inteiras obrigadas ao risco de morte numa emigração indesejada). 

A França, país membro da reduzidíssima cúpula dos ricos da econômica mundial, está hoje com seus trabalhadores do setor petrolífero e nuclear em greve por não aceitarem as reduções de direitos trabalhistas propostas pelo governo socialista do premiê François Hollande; seria a mesma coisa se quem estivesse no governo fosse seu antecessor, o conservador Nicolas Sarkozy. 

A Grécia acabou de ser beneficiada com um empréstimo de 10 bilhões de euros para pagar dívidas vencidas (ou seja, nada mais é do que uma rolagem contábil de dívida) como prêmio por medidas de arrochos fiscais patrocinadas pelo seu primeiro ministro, o até ontem radical esquerdista Alexis Tsípras.

É que o receituário econômico é sempre o mesmo (vide as últimas medidas do governo do presidente Temerário no Brasil, que seriam as mesmas se a presidenta Dilma estivesse no comando político brasileiro.
Aliás, as medidas propostas pelo ministro Meirelles estão muito próximas daquelas propostas por Nelson Barbosa, seu antecessor), pois obedece à lógica fetichista do sistema produtor de mercadorias este, sim, aquilo que deve ser superado como forma de se extirpar o atual cenário de retrocesso civilizatório mundial.    

Defender o presidente que está caindo de Maduro na Venezuela, como assim se se estivesse sendo anticapitalista, é desconhecer a natureza da relação social patrocinada pelo sistema produtor de mercadorias; é um atestado de ignorância sobre a natureza daquilo que se diz combater; é desconhecer a teoria marxiana da crítica à forma-valor; é querer humanizar o capitalismo. 

Posicionar-se a favor de um regime democrático liberal burguês na Venezuela é caminhar na contramão da história, por ignorância ou por um vil e mesquinho interesse capitalista. 

O que deve estar na pauta dos movimentos emancipacionistas, no mundo como um todo e na Venezuela em particular, é:
a) a superação da própria economia e não o seu aperfeiçoamento por meio de medidas periféricas e inócuas como o combate à corrupção estatal, a liberdade e melhoria da qualidade do voto, o ajuste da receita fiscal às despesas estatais, a promoção do empreendedorismo privado de pequenos empresários (como está a ocorrer em Cuba), etc.;  
b) a discussão de como chegarmos a um modo de produção mundialmente integrado, visando à satisfação das necessidades coletivas e destravando o restritivo mecanismo da viabilidade econômica do fazer (que está fazendo é aumentar a fome no mundo...), o que implicaria transcendermos o conceito de nação criado pela lógica capitalista; 
c) a plena incorporação do saber tecnológico adquirido pela humanidade ao processo produtivo, para, a partir disso, podermos promover uma distribuição planejada de bens indispensáveis à vida, de modo racional e ecologicamente sustentável, observando-se as vocações regionais e tendo-se em vista o interesse transnacional.
O povo venezuelano, como de resto os povos dos demais países periféricos do capitalismo, padecem as agruras do próprio capitalismo, e não o seu contrário. O socialismo bolivariano se baseia em categorias capitalistas para o pretenso combate ao capitalismo, algo assim como querer apagar o incêndio com gasolina; e tudo isso acontece por ignorância da natureza constitutiva do capital, ou por manipulação política inadmissível, o que seria um desvio de intenção abominável.

A primeira hipótese de ação política seria temerária e inócua, apenas fortalecendo politicamente os capitalistas liberais no longo prazo, quando a débâcle capitalista bater à porta; a segunda seria desonesta. 
Prefiro acreditar que o governo imaturo do socialismo bolivariano se situe na primeira hipótese, por acreditar na equivocada intenção dos que pensam afrontar o capitalismo, ainda que com armas inadequadas.  (por Dalton Rosado) 

quarta-feira, 16 de março de 2016

LULA SUPERMINISTRO. VAI DAR CERTO?

posse de Luiz Inácio Lula da Silva como superministro significa, em termos práticos, que Dilma Rousseff desistiu de ser presidente de fato e tentará manter-se como presidente figurativa, cumprindo funções cerimoniais até o final do seu mandato.

Mas, nem isto está garantido. O Plano Lula, sua derradeira cartada, só se viabilizará se o PMDB recuar da decisão de abandonar o barco que está afundando. Ocorre que há muito dirigente peemedebista sob risco de ir pro xilindró e preferindo que Dilma caia logo para, talvez, as investigações sobre o petrolão passarem a segundo plano e os tradicionais jeitinhos voltarem a ser dados.

Caso seja superado tal obstáculo, haverá outro: é possível tirar o Brasil da recessão apenas queimando as reservas cambiais e contando com uma mudança no ânimo dos empresários? Em curto e médio prazos, trata-se de uma incógnita.

No longo prazo, a única chance de não dar errado é o Brasil passar a receber injeções vultosas de recursos, cuja(s) fonte(s) ainda não se vislumbra(m) no horizonte. É aposta característica de viciados em jogos de azar, não de formuladores de política econômica.

Daí Lula ter hesitado tanto antes de aceitar uma investidura que o fará ser apontado pelos inimigos como um criminoso que se acoitou no ministério para escapar da Justiça e como um homem indigno a ponto de salvar-se sozinho enquanto esposa e filhos corriam risco de prisão. Que chances eleitorais ele terá doravante, com tais acusações lhe sendo atiradas na cara o tempo todo?

Há, portanto, grande chance de estar arcando com um custo muito alto em troca de benefício nenhum (caso o PMDB não vá na sua onda e o impeachment aconteça do mesmo jeito).

Suspeito de que ele tenha feito um péssimo negócio, mas só o saberemos adiante.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

BOULOS: RECESSÃO PODE TRAZER PARA AS RUAS A "MASSA TRABALHADORA VINDA DO ASFALTO ESBURACADO DAS PERIFERIAS".

Mais uma vez os articulistas de esquerda começam a chegar onde estou há um bom tempo. Em julho de 2015 eu alertava:
"O arrocho fiscal do Joaquim Levy vai matar brasileiros de fome e consequências da miséria, literalmente. Temos de procurar uma saída heterodoxa para o buraco em que estamos. A ortodoxa é impraticável, vai gerar um tsunami social. 
...se [a política econômica] não mudar, este país vai pegar fogo..."
Bem, o malfadado austericídio continua aí, só mudou o encarregado de no-lo impor. Nisto admito ter cometido um erro de autoria: o ajuste fiscal, com todas as suas mazelas e injustiças, deve ser creditado inteiramente à Dilma; não era do Levy nem é do Barbosa, meros executantes.

E o quadro de convulsão social não chegou com a rapidez que eu imaginava, mas está cada vez mais próximo de nós.

É o que o Guilherme Boulos, do MTST, adverte, com a sensibilidade aguçada de quem, como eu, está muito próximo das ruas e bem longe dos palácios.
DA CRISE POLÍTICA À 
CRISE SOCIAL (trechos)

...Se 2015 ficou marcado pela crise política, tudo indica que 2016 será lembrado pela crise social.

...Dilma segue obstinada em aplicar a estranha fórmula de recuperação da popularidade com medidas impopulares. Saiu Levy, ficou o ajuste. Nem parece que 2015 acabou. 

Na semana passada o Credit Suisse publicou um relatório em que afirma que o Brasil vive a pior recessão de sua história. Nunca o país teve três anos seguidos de retração econômica, o que possivelmente se completará em 2017. Mesmo o atual biênio recessivo (2015-16) só tem precedentes há mais de 80 anos, no contexto da crise de 1929. Em 2015, a queda do PIB foi próxima a 4%. A expectativa do Credit Suisse é de uma nova queda de 4% este ano e mais uma em 2017, desta vez entre 0,5% e 1%.

Mesmo que possamos considerar pessimista a avaliação do banco de investimentos suíço, é inquestionável que o país está afundado numa recessão gravíssima. Se considerarmos que a queda da economia começou já no segundo trimestre de 2014, o triênio recessivo está ainda mais próximo. No caso do estado de São Paulo já é realidade. Segundo dados da Fipe, o PIB paulista caiu 2% em 2014, 4% no ano passado e a previsão é de uma nova queda de 2,6% neste ano.

Mais do que os números, importa seu impacto na situação social do país. A economia despencando significa aumento do desemprego, redução da renda do trabalhador e também da arrecadação –que, por sua vez, estanca investimentos públicos e políticas sociais.

Em 2015 foram fechados 1,5 milhão de postos de trabalho. A massa salarial caiu 12,2%, maior recuo desde 2003. E a arrecadação do governo caiu 5,6%. A previsão do Credit Suisse é que o Brasil possa chegar em 2017 a uma taxa de desemprego superior a 13%, índice alarmante.

A isso podemos somar a anunciada saturação dos serviços públicos, em especial da saúde. Uma das primeiras coisas que o trabalhador que ascendeu à dita classe C fez foi buscar um plano de saúde privado e, por vezes, colocar seus filhos em escolas particulares de pequeno e médio portes, que cresceram a olhos vistos nas periferias. A primeira coisa que este mesmo trabalhador já está fazendo ante a deterioração do orçamento familiar é voltar para o SUS e para a escola pública. Precisamente num momento em que os investimentos tendem a ser comprimidos pelo ajuste fiscal.

Ou seja, o cenário de 2016 provavelmente será de desemprego crescente, arrocho salarial, precarização dos serviços públicos e enfraquecimento dos programas sociais. Não será surpresa se isso se traduzir em fortes mobilizações populares.

E aqui não estamos falando dos desfiles cívicos na avenida Paulista. Estamos falando da massa trabalhadora, vinda do asfalto esburacado das periferias, que, embora até aqui insatisfeita, ainda não entrou em cena de forma ruidosa.

Com o desemprego em dois dígitos e fortes sinais de perda das conquistas que teve no último período, é possível que o andar de baixo comece a se movimentar mais em 2016. O aumento expressivo das greves e ocupações registrado nos últimos anos já tem dado este sinal.

A força e o alcance disso é algo incerto. Assim como os rumos que um processo como este poderá tomar, principalmente, dada a dimensão da atual crise econômica e social. Há ainda o agravante da descrença generalizada de que o governo –e, pior, a oposição– possam apresentar saídas populares para a crise.

Apenas uma coisa é certa. Se este povo for às ruas em 2016 não será para tirar selfies com a tropa de choque.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

PRESIDENTE DO PT TAMBÉM COBRA MUDANÇA DA POLÍTICA ECONÔMICA

"Entre o final de 2015 e o início de 2016, o governo da presidente Dilma Rousseff precisa se concentrar na construção de uma pauta econômica que devolva à população a confiança perdida após a frustração dos primeiros atos de governo.

...é hora de apresentar propostas capazes de retomar o crescimento econômico, de garantir o emprego, preservar a renda e os salários, controlar a inflação, investir, assegurar os direitos duramente conquistados pelo povo.

Chega de altas de juros e de cortes em investimentos...

Sabemos da competência, habilidade e capacidade de diálogo dos novos ministros...

Confiamos em que eles deem conta da tarefa, mudando com responsabilidade e ousadia a política econômica."
(Rui Falcão, presidente do PT)

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

STEDILE RUGE: "NENHUM DESEMPREGADO A MAIS", "SE MEXER NA APOSENTADORIA RURAL HAVERÁ UMA REVOLTA NO CAMPO".

"Haverá uma revolta no campo. Estou avisando"
Acabou a paciência da esquerda com a presidente Dilma Rousseff. É o que se depreende do tom, contundente ao extremo, que João Pedro Stedile utilizou na longa entrevista concedida a Bruno Pavan, do Brasil de Fato

Vale reconhecer: o líder dos sem-terra disse o que havia mesmo para ser dito, depois de todas as trapalhadas e abandono de princípios que caracterizaram a atuação governamental no desastroso ano que se encerra.

Eis os trechos principais (os grifos são todos meus):

"2015 foi um ano perdido para os trabalhadores brasileiros. Um ano no qual a mediocridade política imperou. A maioria do povo brasileiro, com seus 54 milhões de votos, reelegeu a presidenta Dilma. Porém, setores das classes dominantes e os partidos mais conservadores não se deram por vencidos e quiseram retomar o comando do Executivo no tapetão. (...) O governo federal se assustou, montou um ministério medíocre, que não representa as forças que elegeram a presidenta. E passou o ano se defendendo, gerando uma situação de disputa e de manobras apenas em torno da pequena política.
"É preciso mudar a política econômica, não apenas o gerente"

"A economia brasileira vive uma grave crise, fruto de sua dependência do capitalismo internacional e do controle hegemônico dos bancos e das empresas transnacionais. Terminamos o ano com queda de 4% no PIB. Caíram os investimentos produtivos, seja por parte do governo e empresas estatais, seja por parte dos empresários. O governo cometeu vários erros que agravaram a crise. Primeiro, trouxe um neoliberal para o Ministério da Fazenda, que certamente teria sido ministro da chapa Aécio Neves. As medidas neoliberais de aumento da taxa de juros de 7 para 14,15%, os cortes nos gastos sociais, o tal ajuste fiscal, só produziram mais problemas para o povo e para a economia. A inflação atingiu os 10% ao ano e o desemprego alcançou a média de 8,9% da população trabalhadora.  O Tesouro Nacional pagou R$ 484 bilhões em juros e amortização aos bancos. Usaram dinheiro público para garantir o rentismo da especulação financeira, em vez de investir na solução de problemas e no investimento produtivo. Felizmente, o ministro caiu. Deixou, porém, um ano perdido. É preciso mudar a política econômica, não apenas o gerente.

"Entregou a Agricultura ao que tem de pior na política brasileira"
"Também foi um ano perdido para os sem terra e para a agricultura familiar. O governo escalou uma boa equipe no Ministério do Desenvolvimento Agrário e no Incra, porém entregou o Ministério da Agricultura para o que tem de pior na política brasileira. E com os cortes do ajustes fiscal neoliberal, atingiu em cheio a reforma agrária. As poucas conquistas que ocorreram foram fruto de muita mobilização e pressão social. (...) Espero que o governo pare de se iludir com o agronegócio, que se locupleta com o lucro das exportações de commodities pelas empresas transnacionais, mas não representa nenhum ganho para a sociedade.

"Se o governo não der sinais que vai mudar, que vai assumir o que defendeu na campanha, será um governo que se auto-condenará ao fracasso.  Pois não tem confiança das elites, que tentaram derrubá-lo, e ao mesmo tempo não toma medidas para a imensa base social, que é 85% da população brasileira. Espero que o governo tenha um mínimo de visão política para escolher o lado certo.

"...a reforma trabalhista, para desmanchar a CLT..."
"E os sinais que o sr. Barbosa esta dando na imprensa não são bons, ao retomar a agenda neoliberal-empresarial, da reforma da previdência, para aumentar a idade mínima, a reforma tributária, para consolidar as desonerações e a reforma trabalhista para desmanchar a CLT. A CUT já avisou que vai lutar contra. E nós também estaremos juntos com o movimento sindical. Se o governo mexer na idade mínima da aposentadoria rural, haverá uma revolta no campo, e contra o governo. Estou apenas avisando.

"Tenho escutado muitos economistas, empresários, pesquisadores e políticos nacionalistas. E todos têm propostas claras. O problema é que o governo é surdo e auto-suficiente. O governo precisa apresentar urgente um plano de retomada do crescimento da economia, e propôr um pacto entre trabalhadores e empresários que cesse o aumento do desemprego. Nenhum desempregado a mais, a partir de agora."

sábado, 19 de dezembro de 2015

VISÕES DA CRISE: APROFUNDAR O AUSTERICÍDIO OU BUSCAR CAMINHOS POPULARES PARA SAIR DA RECESSÃO?

Por Guilherme Boulos
VAI TARDE
A saída de Joaquim Levy do Ministério da Fazenda é uma boa notícia. Levy entrou há um ano prometendo ajustar as contas, que hoje estão ainda mais desajustadas. Prometeu também uma "travessia para o crescimento", mas afundou o país em uma recessão histórica. Era o fiador do "grau de investimento". Este também se foi.

A questão agora é se a política econômica vai junto com o ministro. De nada adianta crucificar Levy e esquecer que foi Dilma quem o colocou e o manteve até agora. De nada adianta tirá-lo do cargo e deixar intocada a política suicida de austeridade (*). Seria trocar seis por meia dúzia.

O ajuste fiscal de Dilma e Levy –além de desastroso para os trabalhadores– jogou a economia num ciclo vicioso, alavancado pela redução do investimento público, a retração do consumo e o aumento dos juros.

O desestímulo à atividade produtiva e ao consumo popular reduziu consideravelmente a arrecadação. Em outubro, caiu 11,3% em relação ao ano anterior. A queda acumulada de 2015 chega próxima a 4%, levando à pior arrecadação em cinco anos. Redução da arrecadação significa desajuste fiscal.

Outro disparate foi o aumento galopante dos juros. Das eleições de 2014 para cá, a taxa Selic foi elevada em 3,25%. Segundo cálculo do economista João Luis Mascolo, realizado para a BBC, cada meio ponto percentual de aumento dos juros representa um ônus de até R$ 10 bilhões por ano para a União com o pagamento da dívida pública. Ou seja, R$ 65 bilhões de acréscimo com juros apenas em 2015. Novo desajuste fiscal.

Por isso, este ajuste não é apenas antipopular. Além de atacar direitos trabalhistas, cortar investimentos em programas sociais e produzir recessão e desemprego, nem sequer ajustou as contas. Ao contrário, ampliou o rombo.

Para manter o pacto com a elite financeira, Dilma reforçou a ideia do senso comum midiático de que as dificuldades fiscais remetiam a gastos sociais elevados. Argumento falacioso de quem tem preguiça de ver os números. Muito mais do que programas sociais, o que pressiona o Orçamento são as desonerações fiscais e subsídios pelo BNDES –o Bolsa Empresárioe principalmente os escorchantes juros da dívida pública –o Bolsa Banqueiro.

Neste ano, estima-se a perda de R$ 104 bilhões em desonerações e R$ 25,5 bilhões em empréstimos subsidiados, que, aliás, foram ambos "compensados" pelos empresários com retração de investimentos e com demissões. O gasto com juros da dívida ultrapassou R$ 277 bilhões. A previsão para o Orçamento de 2016 é de R$ 304 bilhões, sem contar a amortização.

Já o investimento com o Bolsa Família foi de R$ 27 bilhões neste ano. Com o Fies de R$ 12 bilhões. O Minha Casa, Minha Vida foi praticamente paralisado em 2015. O ajuste fechou a torneira no andar de baixo e a manteve escancarada no andar de cima.

Essa política fracassou. Conseguiu de uma só vez agravar a recessão, retrair a indústria, ampliar o desemprego e atacar duramente os mais pobres. Só os bancos comemoram novo aumento de seus ganhos.

Levy vai tarde e não deixará saudades. Nelson Barbosa, o novo ministro, cumprirá as ordens da chefe. Resta saber quais serão elas. Afundar o país de vez na política de austeridade ou apontar caminhos populares para o enfrentamento da crise.

Por tudo o que temos visto, é difícil acreditar na segunda opção, mas talvez seja esta a última chance de Dilma Rousseff.
* os grifos são todos meus

VISÕES DA CRISE: O LULISMO VOLTA AOS TRILHOS, MAS O GOVERNO RESPIRA POR APARELHOS.

Por André Singer
ANTES TARDE
Após um ano trágico, a presidente Dilma Rousseff corrige o dramático erro que cometeu ao optar por Joaquim Levy e coloca no Ministério da Fazenda aquele que deveria ter sido o escolhido desde o início. Diante das opções moderadas que a correlação de forças provavelmente impunha naquele distante novembro de 2014, o economista Nelson Barbosa era a melhor escolha. Vamos ver o que conseguirá fazer agora que o país rola no despenhadeiro do austericídio.

As condições em que Barbosa assume são das mais difíceis. No entanto, chega ao comando da economia quando novo pacto de classe aponta no horizonte. Depois do fracasso do ensaio desenvolvimentista apoiado na coalizão entre trabalho e capital formalizada em maio de 2011, houve reagrupamento da burguesia em torno do ajuste recessivo. De 2013 em diante, a frente produtivista se desfez.

Opção por Joaquim Levy foi um "dramático erro"
Foi necessário que, em 2015, uma das mais graves retrações em décadas ameaçasse não só as conquistas recentes dos empregados, mas igualmente a sobrevivência dos capitalistas, para que a unidade do setor produtivo começasse a se restabelecer. Na terça passada, representantes da CUT, da Força Sindical e de outras quatro centrais, junto a relevantes associações de empresários, entre elas a Confederação Nacional da Indústria (CNI), entregaram a Dilma documento sob o título "Compromisso pelo desenvolvimento".

De acordo com Clemente Ganz Lúcio, diretor do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), a proposta, destinada a propiciar transição rápida para o crescimento, sugere a retomada do investimento público e privado em infraestrutura, em particular nos setores de petróleo e gás; o destravamento da área da construção; o incentivo à exportação industrial; a ampliação do capital de giro para as empresas e o fortalecimento do mercado interno.

"A missão do novo ministro é quase impossível"
A adesão do capital a essa agenda não é completa, como o demonstra a significativa ausência da Fiesp entre os signatários. Dada a fragilidade política do governo, a tarefa número um do novo ministro seria a de negociar o apoio dos até aqui recalcitrantes. Contudo, há sinais de que mesmo o setor financeiro estava insatisfeito com a política seguida por Levy, o que poderia facilitar em algo a tarefa de unificar a sociedade em torno de um horizonte construtivo.

Dada a profundidade do buraco econômico em que caímos e a gravidade da crise política, a missão do novo ministro é quase impossível. Mas depois de ter tomado caminho por completo equivocado, o lulismo volta aos próprios trilhos. Pode ser tarde demais para salvar paciente que respira por aparelhos, mas ao menos o médico intensivista quer fazê-lo. O anterior exalava evidente antipatia pelo doente.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

NÃO PASSA DE MAIS UM PACOTE TORTO E NATIMORTO

Estes nos faziam rir...
A Folha de S. Paulo intimou, Dilma obedeceu. 

"Medidas extremas precisam ser tomadas... É imprescindível conter o aumento da dívida pública e a degradação econômica" --esbravejou Otávio Frias Filho, o boneco de ventríloquo por meio do qual os banqueiros trombetearam seu ultimato.

Dilma repassou a Diktat para os atônitos Nelson Barbosa e Joaquim Levy, o Gordo e o Magro da chanchada nacional.

Com o cansaço estampado nos rostos e barbas por fazer, ambos vieram apresentar o novo saco de maldades (que dificilmente o Congresso aprovará, começando pela volta da impopularíssima CPMF, uma lâmina de guilhotina pairando sobre a reeleição do parlamentar que cair na besteira de fazer a vontade da Dilma... quer dizer, do Trabuco do Bradesco).

Só com ela o governo pretende garfar R$ 32 bilhões da sociedade para acertar a contabilidade dos bancos, enquanto a recessão se agrava, as máquinas param, as lojas fecham e os empregos evaporam. 

...os anjos da cara suja só nos fazem chorar.
Lênin já cantara a bola em 1900 (Imperialismo, etapa superior do capitalismo): quem dá as cartas na dita fase é o setor parasitário e inútil da economia, o da agiotagem institucionalizada. A indústria e a agricultura (que produzem bens) e o comércio (que distribui os bens) se tornaram sócios menores, sem poder de fogo para confrontarem os Trabucos. Só lhes resta exercerem o jus sperniandi, conforme lemos na coluna do Vinícius Torre Freire: 
"Pelo menos parte da indústria vai fazer campanha feroz contra (Fiesp). A CNI preferiu não dizer nada além de que é 'contra aumentos da carga tributária' e quer 'reformas estruturais'. A Firjan foi dura. As associações do comércio de São Paulo criticaram em tom de enorme desalento".
Eis mais maldades do saco:
  • confisco até agosto de 2016 dos reajustes de salário dos servidores federais, lesando-os em R$ 7 bilhões (sempre desprezei menos aqueles que assaltam com armas na mão, correndo muitos riscos, do que aqueles que assaltam com a caneta na mão, não correndo risco nenhum);
  • expropriação (é um termo mais correto do que o utilizado, apropriação) de 30% das contribuições para o Sesc, Sesi, Senai, etc, totalizando R$ 6 bilhões;
  • o Minha Casa, Minha Vida terá de trocar de nome, pois, com o corte de R$ 4,8 bilhões, será melhor intitulá-lo Meu Barraco, Minha Vida;
  • o corte de R$ 3,8 bilhões em gastos com Saúde é simplesmente estarrecedor, inconcebível, inaceitável, ainda mais num país cujos sucessivos governos sucatearam a Previdência Social, afugentando o povo para a medicina privada (embora tivessem o compromisso de proporcionar aos trabalhadores, como contrapartida das contribuições previdenciárias, não apenas a aposentadoria, mas também atendimento médico com um mínimo de qualidade).
Para não me chamarem de tendencioso, há também medidas mais ou menos corretas no pacote:
  • a criação (se saísse do papel) de um imposto sobre “ganho de capital progressivo”, que seria cobrado quando dos aumentos de receita das pessoas físicas. Mas, com impacto estimado em apenas R$ 1,8 bilhão e um certo viés de desestimular empreendedores. Há muitíssimo mais grana para ser colhida e motivos muitíssimos melhores para colhê-la no nicho das heranças e grandes fortunas, como fazem as principais nações capitalistas e como o Brasil deveria estar fazendo desde 1988 (o dispositivo constitucional neste sentido não foi regulamentado até hoje!!!);
  • cancelamento de 80% do valor das emendas parlamentares, evitando que R$ 7,6 bilhões sejam desperdiçados para ajudar a reeleger os detentores de mandatos. Se conseguissem colocar o guizo no pescoço do gato seria ótimo, mas nem mesmo os autores da proposta devem acreditar que o felino consentirá, é só jogo de cena);
  • redução de R$ 2 bilhões em despesas discricionárias com DAS (cargos comissionados) e gastos administrativos;
  • economia de R$ 200 milhões com extinção de ministérios e cargos de confiança. Só?! Num país que tem 39 ministérios e só precisa de um terço disto, daria para enfiarem a faca bem mais fundo. De quebra, seriam evitadas miríades de maracutaias tramadas e/ou executadas a partir dessas Pastas.
Resumo da opereta: nem sei por que perco tempo analisando o que não acontecerá. Governo fraco, com a popularidade no fundo do poço, jamais consegue arrochar a sociedade. Os bancos podem muito, mas não podem tudo. E o fracasso anunciado desse pacote torto e natimorto debilitará ainda mais a posição da Dilma.

Quem mandou ela escutar o estrondo do Trabuco? Deste jeito, perderá a audição junto com o cargo...

Padrinho por padrinho, teria sido melhor a Dilma continuar pedindo a benção ao Lula, afinal foi ele quem a colocou lá. 

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

"QUEDA BRUTAL DA APROVAÇÃO A DILMA EXPRESSA A DIMENSÃO GIGANTESCA DA REPULSA À SUA POLÍTICA ECONÔMICA"

FORA DO LUGAR

Por Jânio de Freitas
Se Dilma não pode "resistir por três anos e meio com esse índice baixo" de popularidade, aí está uma hipótese feita por seu vice Michel Temer; que Dilma Rousseff não pode melhorar seu índice de aprovação com a atual política econômica e social, isto é uma realidade.

Do ponto de vista ético, o vice que se diz aliado não poderia fazer, para um auditório de adversários extremados da presidente, as declarações que Michel Temer lhes presenteou. Como conduta pessoal e dever político, não importa quem sejam o vice aliado e o presidente: é ato de aliado desleal. Ainda mais por ser apresentada como certeza, a hipótese de Temer inclui o estímulo indireto de mais hostilidades públicas à sua aliada.

Não termina aí. Temer opinou que Dilma, sendo "uma guerreira", parece-lhe avessa a renúncia. Ou seja, não termina o mandato sem melhorar a popularidade e não renuncia: Temer fala, sem dizer, em derrubada.
Enquanto estes faziam o povo rir...

Há um mês, o vice aliado disse ser "preciso alguém com capacidade de unir a todos". Muitos comentaristas e, claro, o PT acharam que estava se propondo à sucessão imediata. Vê-se que tal papel de unificador não lhe fica bem.

Mas o índice é uma linguagem. Mesmo com as ressalvas que as estatísticas possam merecer, a queda brutal da aprovação a Dilma exprime a dimensão gigantesca da repulsa à sua política econômica e, portanto, também social. E seus efeitos estão só no começo. Como, de resto, estão as próprias medidas apregoadas por Joaquim Levy.

Parece não haver, em Dilma e na equipe central do governo, nem a menor percepção desse problema. Dilma está preocupada e ocupada com a Câmara, com os partidos, com os cargos reivindicados na chantagem de líderes de bancadas. 
...Levy, Barbosa e Tombini só fazem o povo chorar.

Mas tudo isso é efeito. O seu problema fundamental está na política econômica e na maneira como (não) é conduzida. Uma e outra não aprovadas por absolutamente ninguém. 

O pequeno grupo de empresários que pleiteou a permanência de Levy, nos últimos dias, deixou perceptível a ação por medo de agravarem-se ainda mais, na área econômica, a sinuosidade da condução e a obscuridade das medidas vindouras.

Mesmo para a opção por uma política econômica neoliberaloide, como Dilma quis, Joaquim Levy e Alexandre Tombini, no Banco Central, são as pessoas convenientes? Oito meses, dois terços do ano, de respostas insuficientes ou contrárias ao esperado –como dito pelo próprio Joaquim Levy– indicam que não.

E atribuir as dificuldades à Câmara é fácil, mas pouco verdadeiro. A perplexidade, os desencontros e a falta de criatividade na condução econômica é que proporcionam espaço e clima para as saliências da Câmara. Quando percebem segurança e clareza, com o consequente apoio de setores influentes, os congressistas não desafiam nem abusam.

O problema fundamental de Dilma Rousseff está onde ela supõe estar a solução.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

O BRASIL VAI PRA PONTE QUE PARTIU

O ministro da Fazenda, Joaquim Rolando Lero Levy, disse a repórteres em Washington que o sol gira ao redor da Terra, que dois e dois são cinco e que o Brasil tem "bastante chance de ver uma segunda metade do ano favorável para a economia". 

O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, num evento da FGV, admitiu que o aperto fiscal vai durar pelo menos até 2017, mas o governo trabalha com expectativa de recuperação no final do próximo ano (as vendas natalinas?!).

O FMI, que não participa do esforço de desinformação do governo brasileiro, projeta para nosso PIB uma queda de 1% em 2015 e baixo crescimento até o final da década (0,9% em 2016 e entre 2,2% e 2,5% nos quatro anos seguintes).

Nesses casos, o mais sensato é multiplicarmos os maus augúrios por dois e dividirmos o auê engana-trouxas pela metade.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

VÃO SURGINDO OS NOMES DO MINISTÉRIO FIM DE FEIRA

Para atrair tico-ticos o fubá do Palácio do Planalto serve...
Segundo mandato presidencial no Brasil costuma ser fim de feira, mas Dilma Rousseff não precisava exagerar. Os nomes que vão sendo definidos para o seu novo Ministério parece que conseguirão o impossível: fazer-nos sentir saudades do anterior...

Para pilotar a economia em transe, dois subalternos de governos anteriores, os esforçados Joaquim Levy (Fazenda) e Nelson Barbosa (Planejamento). Igualzinho a time de futebol sem banco de reservas à altura: quando o titular é convocado para a Seleção, o técnico bota um garoto da base e fica rezando para dar certo. Deus dificilmente atende. 

Milagreiro dos milicos pode ser ministro de fato. De direito, não.
Fico surpreso por ela não ter recorrido ao Delfim Netto, eminência parda da política econômica nos dois primeiros governos do PT.  Pelo menos, já está acostumado a jogar no time principal.

Talvez seja apenas para não associar-se de forma tão explícita à nefanda ditadura militar. Por baixo do pano pode, conforme reza o evangelho segundo Lula: bastaria botar um Antonio Palocci qualquer fingindo dar as ordens, enquanto estivesse seguindo aplicadamente as diretrizes traçadas por quem é do ramo.

Mas, se o motivo for a péssima reputação do gordo signatário do AI-5, o que dizer da escolha da grande dama do agronegócio selvagem, Kátia Abreu, para o Ministério da Agricultura? Aí eu não entendo mais nada...

Por que não mudar o nome para Ministério do Agronegócio?
Finalmente, como Dilma é bem diferente de Marina Silva e Aécio Neves (a quem ela atribuía vassalagem ao grande capital), o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio será Armando Monteiro, a menina dos olhos da Confederação Nacional da Indústria. 

E o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, só não ficou com a Pasta da Fazenda porque não quis. Entre o poderoso chefão Lázaro Brandão e a presidenta da República, ele preferiu obedecer ao primeiro. Entre o poder econômico e o poder político, ele sabe muito bem quem realmente manda no Brasil

Mais fim de feira, impossível.
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