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segunda-feira, 6 de março de 2023

OU SE INVESTIGA A FUNDO O CASO DAS JOIAS SAUDITAS OU SERÁ APENAS MAIS UM CAPÍTULO DO UDENISMO NACIONAL

 


Q
ue a família Bolsonaro é macomunada em todo tipo de banditismo, não é novidade. Desde as rachadinhas, espécie de acumulação primitiva bozoísta, até a ladroagem na compra de vacinas, descoberta pela CPI da Pandemia, a lista é grande. 

Contudo, o recente escândalo das Joias Sauditas parece mais uma forma de ocultar o essencial do que de apanhar a famílicia em mais uma maracutaia. Não me interpretem errado, Bozo e sua turma são sim perfeitamente capazes de se apropriar de uma coroa de diamantes, porém o que ninguém questiona é o motivo do ditador da Árabia Saudita - considerado pelo ex-presidente fujão como um irmão - ter dado tal caríssimo presente.

Pura amizade sincera de dois déspotas, um imaginário o outro concreto? Cortesia diplomática? Paixão do  Príncipe pela Princesa Micheque? Ou algo muito mais efetivo e relacionado à venda de uma Petrolífera para aquele país a preço inferior ao de mercado e outros possíveis investimentos sauditas no setor brasileiro de petróleo?

 Inclusive, seria coincidência o record de funcionários do governo federal indo visitar a Árabia Saudita? Quem teria se beneficiado de tais acordos? Existem atravessadores no alto empresariado brasileiro? A ditadura saudita pagava propina a funcionários do governo?

Nada disso, no entanto, parece interessar à nossa imprensa ou mesmo ao governo Lula. Reitera-se apenas o contrabando da coroa, algo de menor importância em um país onde fraudar o fisco é esporte nacional. E, aliás, o que é fraudar a Receita Federal perto da morte de um milhão de brasileiros durante a pandemia, um crime do qual não há sequer sombra de possível punição a Bolsonaro?

Então, ou se investiga a fundo o caso da Coroa, com todas as consequências possíveis não apenas para a família Bolsonaro, mas também para membros graúdos do empresariado nacional, ou este caso será mais um exemplo do undenismo típico de nossas elites, que sempre usam o moralismo para esconder o essencial. (por David Emanuel Coelho) 

quarta-feira, 13 de julho de 2016

NÓS, QUE TEMOS CONSCIÊNCIA ECOLÓGICA, DEVEMOS APOIAR E APLAUDIR A EXPLORAÇÃO DO PRÉ-SAL?

PRODUÇÃO DE ENERGIA FÓSSIL: MAIS UMA PEDRA NO SAPATO CAPITALISTA.
.
"O melhor negócio do  mundo é 
uma companhia de petróleo bem
administrada; o segundo melhor
negócio é uma companhia de 
petróleo mal administrada." 
(John D. Rockfeller, magnata do petróleo)
. 
Como sabemos, o que importa na vida mercantil é a geração de lucro; tudo que esteja fora desta lógica é perfumaria descartável. Tudo, portanto, é mensurado sob a ótica do interesse mercantil e dos custos de produção visando à vitória no mercado. 

Produzir armas, que nada mais fazem senão matar (embora muitos defendam a absurda tese de que as armas salvam vidas), é um ramo industrial considerado como um importante fator econômico gerador de lucros, impostos e empregos. 

Dentro do mesmo raciocínio irracional capitalista, a produção e consumo de energia fóssil, apesar de ser altamente poluente a partir da emissão na atmosfera do gás carbônico que causa o efeito estufa, cientificamente comprovado como fator do aquecimento global e desequilíbrio ecológico, é igualmente considerado como importante contributo econômico, vez que sua produção e distribuição proporciona lucros monopolistas com custos baixos em relação a outras fontes energéticas limpas, além de impostos. 

Assim, a indústria petrolífera tem de continuar, independentemente dos danos que cause a todos. A existência do consumo de combustíveis fósseis (petróleo, gás e carvão) é exemplo flagrante da inconsciência social que submete todos à lógica fetichista do sistema produtor de mercadorias.

Mas, como não há mal que dure para sempre, eis que a ciência vem desenvolvendo tecnologias de produção de energia fotovoltaica, a partir do aproveitamento dos raios solares por meio de sensores, bem como energia eólica, usando os intermináveis e bem-vindos ventos, que são fontes inesgotáveis e limpas de energia. 

Além da questão ecológica, que clama pela substituição da queima de combustíveis fósseis pelo uso de energias limpas (o desequilíbrio ecológico atinge a todos, ricos e pobres, e aí se torna objeto de questionamento dos alegres beneficiários do capitalismo), os custos de produção e, principalmente, distribuição das energias limpas, estão se aproximando das energias produzidas pelos combustíveis fósseis, e viabilizando sua produção e consumo no mundo mercantil. Ainda não é uma questão de preponderância da consciência social, mas algo imposto pela necessidade de equação do problema ecológico, juntamente com oportunismo de mercado. 

As fontes de energia nada poluentes como a fotovoltaica e eólica há muito já deveriam ter largo uso, mas o forte lobby da indústria petrolífera mundial não permitia o seu avanço, Agora, contudo, a questão ecológica está a impor a substituição – a qual vem provocando uma reviravolta no capitalismo planetário, pois é mais um fator de desestabilização tal ordem econômica mundial. 

Motivo: a energia solar e dos ventos é comum a todos os lugares e tem produção próxima do local de consumo, não necessitando de grandes redes de concentração e distribuição, o que favorece a quebra dos monopólios petrolíferos e de distribuição de energia. 

Ainda que se considere a importância do uso do petróleo na fabricação de inúmeros produtos dele derivados, é na produção de energia que ele é mais largamente utilizado. A tendência, portanto, é que percam importância na economia mundial as grandes empresas petrolíferas, as chamadas seis irmãs, controladoras do monopólio do petróleo. São elas: 
  • Royal Dutch Shell, atualmente chamada simplesmente de Shell;
  • Anglo/Persian Oil Company (Apoc), mais tarde, British Petroleum Amoco, ou BP Amoco, atualmente conhecida apenas pelas iniciais BP;
  • Standard Oil of New Jersey (Esso), ou Exxon, que se fundiu com a Mobil, atualmente, Exxon/Mobil;
  • Standard Oil of New York (Socony), mais tarde, Mobil, que se fundiu com a Exxon, formando a ExxonMobil;
  • Texaco, que posteriormente fundiu-se com a Chevron, formando a Chevron/Texaco de 2001 até 2005, quando o nome da companhia voltou a ser apenas Texaco;
  • Standard Oil of California (Socal), que posteriormente formou a Chevron, incorporou a Gulf Oil e depois se fundiu com a Texaco. A Gulf Oil foi absorvida pela Chevron, passando a se chamar Chevron/Texaco.
Assim, as tais seis irmãs, graças às fusões (fenômeno comum às grandes empresas monopolistas de mercado e dentro da tendência capitalista de concentração de riqueza), tornaram-se apenas quatro: ExxonMobil, Chevron/Texaco, Shell e BP. Mas, elas já não podem mandar no mundo como antigamente. 

A gigante brasileira Petrobrás, também perde força em razão do declínio da commodity petróleo no mercado mundial, juntamente com os países que baseavam sua força econômica nesta fonte de energia (é uma das razões do declínio econômico do mundo árabe). O petróleo do pré-sal brasileiro, louvado e aclamado como descoberta redentora da nossa economia, deixa de sê-lo nessa conjuntura.    

A energia nuclear é temerária, por causa da possibilidade de vazamento radioativo e deve ser descartada para o uso em larga escala; a energia hidráulica, embora cause problemas de desequilíbrios ambientais, pode ser monitorada e de modo a evitá-los; e a energia vegetal, mesmo provocando alguma poluição atmosférica (86% menor que a fóssil), pode também ter o seu uso administrado. Estas duas últimas, que têm a virtude de serem perenes ou renováveis, deverão ser usadas largamente no futuro.    

A queda no preço mundial de commodities como o petróleo está desestabilizando não apenas o mundo capitalista liberal burguês, mas também o resíduo do mundo capitalista de estado, e exemplo flagrante disso é a ruína econômica da Venezuela (Cuba também sofre com o fenômeno da queda das commodities no mercado internacional, ou seja, o socialismo real não é tão anticapitalista como se pensava). 

Resumo da opereta: o suicida monopólio capitalista da produção de energia fóssil está ameaçado e faz água, sendo este mais um fator de desestabilização da economia mundial capitalista, a apontar para a necessidade urgente de sua superação como alternativa de viabilização da vida planetária.

A emancipação social dos povos implica necessariamente a superação do modelo mercantil de socialização; e a questão da produção de energia por meio de fontes não poluentes é um dos pontos cruciais desta necessidade de transformação. 

O interesse social numa sociedade consciente de si mesma (que não é caso das sociedades capitalistas, mercantis) tende a descartar o consumo de energias suicidas e desenvolver a produção e consumo de energias limpas, perenes e renováveis. (por Dalton Rosado)

quinta-feira, 26 de maio de 2016

DALTON ROSADO: "UMA ANÁLISE DO CAOS NA VENEZUELA"

"Marx, nos Grundrisse, chega a vislumbrar 
o momento em que o avanço dos métodos 
capitalistas de produção tornariam o 
tempo de trabalho uma base miserável 
para a valorização da imensa massa de 
valor que deverá funcionar como capital."
(Luiz Gonzaga Belluzzo, na introdução do livro 
de Isaac Rubin, A teoria marxista do valor, 1987)
O povo venezuelano vive uma situação de caos político e de miséria material; e não poderia ser diferente. 

Não porque o capitalismo seja a solução dos problemas (na verdade ele é a sua causa primária), mas porque o chamado socialismo bolivariano nada mais é do que uma forma híbrida e indefinida de capitalismo de estado com capitalismo liberal. 

Ambas as formas atingiram um estágio limite e essa forma híbrida venezuelana é a pior delas, pois sua dupla personalidade faz com que uma tendência anule a outra e o caos se estabeleça, de modo que nem a força militar poderá conter a insatisfação popular. 

A solução não está na hegemonia de nenhuma das duas formas de relação social político-econômica em disputa na Venezuela, pois qualquer uma que prevaleça não conseguirá emancipar verdadeiramente o seu povo. 

A Venezuela teve na venda de petróleo pela estatal PDVSA – Petróleo de Venezuela S/A, a sua base de sustentação econômica. Tal fato, por si só, já denuncia a dependência à ordem econômica internacional e, portanto, capitalista na sua essência constitutiva (e pior, tendo como seu principal comprador de petróleo o proclamado inimigo, os Estados Unidos). 

Agora, que o preço do barril de petróleo está em queda no mercado mundial (e, se a humanidade tiver juízo, superará o seu consumo que provoca a emissão de gás carbônico na atmosfera, substituindo-o por fontes de energias limpas como a hidráulica, eólica, solar, etc.), sua principal fonte de recursos reduziu-se drasticamente, e o país está mergulhado no caos do abastecimento, desemprego, falência estatal, endividamento público, a mais alta inflação do mundo, etc. 

As suas dificuldades são econômicas, como está demonstrado, porque são aferidas pela lógica e funcionamento da economia e suas consequências, e somente a superação da própria economia, coisa que não se discute e nem se defende na Venezuela (e em quase todo o mundo), poderá reverter essa situação convenientemente.

O quadro internacional é de depressão econômica que impõe sacrifícios à classe trabalhadora (principalmente nos países periféricos do capitalismo, nos quais a devastação é total e onde se observa famílias inteiras obrigadas ao risco de morte numa emigração indesejada). 

A França, país membro da reduzidíssima cúpula dos ricos da econômica mundial, está hoje com seus trabalhadores do setor petrolífero e nuclear em greve por não aceitarem as reduções de direitos trabalhistas propostas pelo governo socialista do premiê François Hollande; seria a mesma coisa se quem estivesse no governo fosse seu antecessor, o conservador Nicolas Sarkozy. 

A Grécia acabou de ser beneficiada com um empréstimo de 10 bilhões de euros para pagar dívidas vencidas (ou seja, nada mais é do que uma rolagem contábil de dívida) como prêmio por medidas de arrochos fiscais patrocinadas pelo seu primeiro ministro, o até ontem radical esquerdista Alexis Tsípras.

É que o receituário econômico é sempre o mesmo (vide as últimas medidas do governo do presidente Temerário no Brasil, que seriam as mesmas se a presidenta Dilma estivesse no comando político brasileiro.
Aliás, as medidas propostas pelo ministro Meirelles estão muito próximas daquelas propostas por Nelson Barbosa, seu antecessor), pois obedece à lógica fetichista do sistema produtor de mercadorias –este, sim, aquilo que deve ser superado como forma de se extirpar o atual cenário de retrocesso civilizatório mundial.    

Defender o presidente que está caindo de Maduro na Venezuela, como assim se se estivesse sendo anticapitalista, é desconhecer a natureza da relação social patrocinada pelo sistema produtor de mercadorias; é um atestado de ignorância sobre a natureza daquilo que se diz combater; é desconhecer a teoria marxiana da crítica à forma-valor; é querer humanizar o capitalismo. 

Posicionar-se a favor de um regime democrático liberal burguês na Venezuela é caminhar na contramão da história, por ignorância ou por um vil e mesquinho interesse capitalista. 

O que deve estar na pauta dos movimentos emancipacionistas, no mundo como um todo e na Venezuela em particular, é:
a) a superação da própria economia e não o seu aperfeiçoamento por meio de medidas periféricas e inócuas como o combate à corrupção estatal, a liberdade e melhoria da qualidade do voto, o ajuste da receita fiscal às despesas estatais, a promoção do empreendedorismo privado de pequenos empresários (como está a ocorrer em Cuba), etc.;  
b) a discussão de como chegarmos a um modo de produção mundialmente integrado, visando à satisfação das necessidades coletivas e destravando o restritivo mecanismo da viabilidade econômica do fazer (que está fazendo é aumentar a fome no mundo...), o que implicaria transcendermos o conceito de nação criado pela lógica capitalista; 
c) a plena incorporação do saber tecnológico adquirido pela humanidade ao processo produtivo, para, a partir disso, podermos promover uma distribuição planejada de bens indispensáveis à vida, de modo racional e ecologicamente sustentável, observando-se as vocações regionais e tendo-se em vista o interesse transnacional.
O povo venezuelano, como de resto os povos dos demais países periféricos do capitalismo, padecem as agruras do próprio capitalismo, e não o seu contrário. O socialismo bolivariano se baseia em categorias capitalistas para o pretenso combate ao capitalismo, algo assim como querer apagar o incêndio com gasolina; e tudo isso acontece por ignorância da natureza constitutiva do capital, ou por manipulação política inadmissível, o que seria um desvio de intenção abominável.

A primeira hipótese de ação política seria temerária e inócua, apenas fortalecendo politicamente os capitalistas liberais no longo prazo, quando a débâcle capitalista bater à porta; a segunda seria desonesta. 
Prefiro acreditar que o governo imaturo do socialismo bolivariano se situe na primeira hipótese, por acreditar na equivocada intenção dos que pensam afrontar o capitalismo, ainda que com armas inadequadas.  (por Dalton Rosado) 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

SUGESTÃO DE DILMA, A ABDUZIDA: "NÃO TÊM ÁGUA? BEBAM PETRÓLEO!"

A ficha ainda parece não ter caído para a presidenta Dilma Rousseff: como a Petrobrás derrete e encolhe a olhos vistos, mesmo que sobreviva ao tsunami da Operação Lava-Jato, nem remotamente disporá de recursos suficientes para a exploração do pré-sal.

Tão distante da realidade se mostram seus discursos ufanistas que ela dá a impressão de ter sido abduzida e de extraterrestres estarem controlando sua fala, quando diz que o Brasil deve usar os proventos da exploração do pré-sal como "passaporte" para melhorar a qualidade do nosso ensino. 

Que proventos, cara pálida? Pois Dilma e o PT estão entre três opções que lhes são igualmente indigestas: ou congelam os planos relativos ao pré-sal, ou privatizam a Petrobrás, ou oferecem mais vantagens aos parceiros estrangeiros. 

Isto, claro, dentro da ótica de que o pré-sal seja uma espécie de salvação da lavoura para o Brasil. Mas, será mesmo? Ou representa nossa prestimosa contribuição à marcha da insensatez?

A pergunta que não quer calar é: foi para que ele cravasse pregos no caixão da espécie humana que tanto ralamos, até conseguirmos levar um partido de esquerda ao poder? O sonho virou pesadelo?

Pois, só não vê quem não quer: o aquecimento global e as alterações climáticas já estão secando nossas torneiras, como um trailer das catástrofes terríveis que nos aguardam adiante. O petróleo é fóssil e ameaça tornar-nos, a todos, fósseis.

Vamos, por um punhado de dólares, agravar um quadro que já é dos mais agourentos? De que adiantará a melhora da qualidade do ensino, se não houver sobreviventes para aprenderem?

Talvez a Dilma, como a rainha Maria Antonieta, aponte esta solução imediata para os sedentos: "Não têm água? Bebam petróleo!". 

E mais tarde, quando estivermos sucumbindo à devastação global, complete: "Pelo menos, morremos educados!".
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