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quinta-feira, 1 de maio de 2025

ACORDO ENTRE STF E CONGRESSO, COM O AVAL DO LULA, VAI MESMO ESCANCARAR A PORTA DA CELA PARA BOLSONARO ENTRAR

A
o tomar conhecimento, nesta terça-feira (29), do acordo que estava sendo articulado entre o Supremo Tribunal Federal, o Senado e a Câmara dos Deputados, não tive nenhuma dúvida de que se tratava do golpe de misericórdia nas ilusões de impunidade do Jair Bolsonaro.  

Esvai-se sua última esperança de salvar-se da prisão iminente como golpista que, para manter-se ilegalmente no poder, admitira até mesmo o assassinato do presidente eleito, do seu vice e de um ministro do STF. 

Bolsonaro pretendia, inspirando compaixão pelos descerebrados presos ao contribuírem com sua tentativa de autogolpe do 8/1, alavancar uma anistia que lhe servisse de cavalo de Tróia.

Davi Alcolumbre e Hugo Motta se uniram para esvaziar a sórdida tramoia bolsonarista para, a pretexto de reduzir-se o excesso de severidade adotado contra os paus mandados, viabilizar uma anistia que acabasse incluindo também os mandantes, começando pelo próprio ex-presidente, indiscutível líder e beneficiário da pretendida virada de mesa.

Dois dias depois tal interpretação se tornou praticamente consensual. O competente Josias de Souza, por exemplo, já qualifica as tratativas em curso de um xeque-mate no Bolsonaro, explicando:

"Pelo acordo, o Congresso aprova um projeto para reduzir as penas leoninas dos condenados de 8 de Janeiro, sem atenuar as prováveis punições que serão impostas pelo Supremo a Bolsonaro e aos seus altos cúmplices do golpe. 

...alguns dos peixes pequenos podem ser libertados, outros podem ser beneficiados com a troca da tranca por uma prisão domiciliar. E, com isso, o projeto de lei  da anistia, empinado pelo Bolsonaro em causa lógica [ou seja, própria], perderia o sentido e a falange bolsonarista no Legislativo seria constrangida a aprovar. 

Os riscos sempre são possíveis na política, mas, enquanto os dois presidentes da Casa [encabeçarem o acordo], esse risco [de beneficiar o maior culpado] estará afastado".

O senador Jaques Wagner, líder da bancada do governo no Senado, confirmou que o novo projeto deverá isolar os cabeças do golpe que ainda insistem na votação do PL da Anistia.
Celso Lungaretti

E, para finalizar: quem é o sujeito oculto nessa história toda? Segundo o Josias de Souza, trata-se do que Nelson Rodrigues qualificaria de óbvio ululante:

"O senador Jaques Wagner disse que o presidente Lula não está diretamente envolvido nesse acordo, mas ele faz isso de maneira protocolar, porque é evidente que o Lula o está até o último fio de cabelo que ainda lhe resta"...

quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

...E SE A CONTRAMESTRE AFUNDAR COM O NAVIO, ISTO BASTARÁ PARA ESQUECERMOS QUE O PRINCIPAL CULPADO FOI O CAPITÃO?

thaís oyama
O PT OFERECE A CABEÇA DE GLEISI DE
 OLHO NA DE LULA, MAS PODE SER TARDE
L
ula nunca tinha ouvido nada assim. 

Menos de 48 horas depois de as urnas revelarem a fragorosa derrota do PT para siglas de direita, centro-direita, centro-esquerda e esquerda também, expoentes do partido vieram a público dizer em alto e bom som o que há tempos já sussurravam nas coxias. 

"O Lula já deu muito para o partido. É hora de abrir espaço", disse Alberto Cantalice, do diretório nacional do PT. 

O senador Jaques Wagner, ex-governador da Bahia, foi mais claro: "A gente não pode ficar refém. Eu sou amigo irmão do Lula, mas vou ficar refém dele a vida inteira? Não faz sentido". 

Há 40 anos, o PT não dá um passo sem a bênção de seu caudilho. Nenhuma aliança vinga sem a aprovação do ex-presidente. Toda estratégia emana da sua voz. 

Nas eleições municipais, partiu de Lula o comando para a sigla lançar o maior número de candidatos no país, em vez de apoiar outras legendas em cidades estratégicas onde as chances da esquerda eram boas. 

A presidente do PT, para quem Lula é destituído da característica da falibilidade, apenas executou o plano – que nada tinha de novo. 

Entre vencer o adversário do campo oponente (mas no papel de coadjuvante) e correr o risco de perder (mas no figurino de líder da oposição), o PT sempre preferiu o segundo caminho. 

Age, assim, à imagem e semelhança de seu presidente eterno. 

Entre abrir espaço para o crescimento de novos nomes e fortalecer o partido e a esquerda, ou manter o seu como única opção, mesmo com prejuízo do partido e da esquerda, Lula sempre escolheu ficar ao lado dele mesmo. 

Foi assim quando queimou Eduardo Suplicy em 2002, depois que o então senador ousou disputar prévias internas com ele. 

Foi assim quando aplicou mais de uma rasteira em Ciro Gomes, o ex-aliado do PDT a quem prometera dar as mãos. 

Foi assim com Jaques Wagner, por ele preterido para as eleições de 2018, e foi assim com Fernando Haddad, cuja oficialização da candidatura naquele ano Lula só liberou a 20 dias das eleições –muito tempo depois de até as paredes da cela que o abrigavam na Polícia Federal estarem conformadas com a impossibilidade legal de ele disputar o pleito.

Agora, diante da pior surra eleitoral da sua história, o PT planeja oferecer a cabeça de sua presidente num ritual de sacrifício destinado a preservar, ao menos simbolicamente, a do artífice da derrota. 

Correntes minoritárias do partido já se articulam para abreviar o mandato de Gleisi Hoffman, que vai até 2023. Lideram o movimento a Articulação de Esquerda e a Novos Rumos. A corrente majoritária no PT é a Construindo um Novo Brasil

A cabeça de Gleisi não vale uma missa. Mas talvez seja tarde demais para cortar a de Lula. 

Há 40 anos, o PT é refém do ex-presidente. Agora, como disse Wagner, quer se libertar dessa prisão. A questão é o que sobrará do partido se conseguir. (por Thaís Oyama)

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

PASMEM: AINDA EXISTE VIDA INTELIGENTE DENTRO DO PT! CONSEGUIRÁ SOBREVIVER A LULA E SEU SEBASTIANISMO IMOBILIZANTE?

Por Celso Lungaretti
Já nem me lembro mais de quando havia lido pela última vez frases proferidas por um dirigente petista que não fossem a habitual mistura de ortodoxia anacrônica com simplismo tacanho e auto-suficiência messiânica.

Eu já estava até desistindo, mas eis que me deparo com a entrevista do governador baiano Rui Costa à edição da Veja que está nas bancas e nela encontro, pelo menos, meia-dúzia de trechos (abaixo reproduzidos) contendo aquele óbvio ululante do qual o PT fugia como o diabo da cruz. 

É pouco? Claro! Mas, alguma coisa é sempre melhor do que nada. 

Para um partido que parecia ter abdicado em definitivo da vida inteligente, trocando a crítica, a autocrítica e o debate franco pelo culto submisso à sua própria versão de mito, Rui Costa representa uma esperança de que o PT vá finalmente sair da pasmaceira.
Nem o mito da direita, nem um D. Sebastião na esquerda

Agora, podemos até sonhar com o PT  se compondo com as demais forças de esquerda e algumas do centro para a viabilização de uma alternativa ao retrocesso civilizatório em curso. 

Segue abaixo o que Rui Costa declarou à Veja, e que para mim soou como um cesse tudo o que a antiga musa canta [em Curitiba], que um valor mais alto se alevantou [em Salvador]...  
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"...o certo era ter apoiado o Ciro Gomes lá atrás [na última eleição presidencial]. Essa não é uma opinião que dou com a partida já encerrada. Eu e o ex-governador Jaques Wagner defendemos naquele momento a ideia de que o PT deveria ter um candidato de fora do partido caso houvesse o impedimento do ex-presidente Lula. Nenhuma outra liderança teria condições de superar o antipetismo ou disputar a Presidência em pé de igualdade naquele cenário..." 
Rui Costa: frente de esquerda é prioridade maior no momento
"...as últimas revelações mostram que essa apuração da Operação Lava-Jato foi usada com viés político-partidário. Não sou da opinião de que tudo o que foi apurado é falso ou fruto de manipulação para perseguir e condenar o PT e outros partidos de esquerda. Muitas daquelas coisas têm provas materiais. Entretanto a operação não tinha como alvo apenas corruptos, e sim filiações partidárias..." 
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"...não acho que esse [a defesa do Lula livre] é o ponto que deve ser usado pelo PT para condicionar qualquer diálogo com as oposições para formar uma frente..."
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"...manifestamos unilateralmente apoio a um dos lados na Venezuela, independentemente do que estivesse ocorrendo. A Venezuela enfrenta o mesmo momento que o Brasil, mas no oposto ideológico. Há sinais claros de que a democracia está sendo desrespeitada e de que agressões estão sendo desferidas contra pessoas e seus direitos..."
Ciro Gomes se considerou "miseravelmente traído por Lula" e disse que o PT elegeu Bolsonaro
"...eu me filiei ao partido no início da década de 80. Naquele momento, tínhamos núcleos nas comunidades mais pobres e uma capilaridade social grande. Isso se perdeu ao longo do tempo. Houve uma burocratização nas últimas décadas que afastou o povo do PT. Se o partido ainda tivesse esses núcleos, teria sentido o crescimento evangélico nas periferias e a urgência de um debate sobre a violência..." 
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"...o maior desafio do PT é se reconectar com a sociedade brasileira. Para muita gente, foi o PT que criou a corrupção. Isso é uma falácia. A acusação que se pode fazer ao partido é de não ter correspondido à esperança de que ele enfrentaria aquele modelo político que existia no Brasil. A política brasileira pós-ditadura foi toda financiada com campanhas de dinheiro não regularizado..."
Incoerência: quem combate a arminha do Bolsonaro não pode defender a espada do Maduro

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

O ORÁCULO CERTO PARA SALVAR O BRASIL DO FASCISMO NÃO ESTAVA EM CURITIBA, MAS EM SALVADOR!

Toque do editor
Nem me lembro mais de quando foi a última vez que eu li declarações de um grão petista com as quais tenha concordado de cabo a rabo. É o que acaba de acontecer com a notícia abaixo da repórter Cátia Seabra (Folha de S. Paulo), deste final de tarde.

Se o Brasil sofrer aquele que se prenuncia como o pior retrocesso desde 1964, em boa parte isto se deverá ao PT ter ficado surdo às propostas do melhor estrategista que ainda possuía, preferindo ouvir a voz do ressentimento encarcerado.

Mas, ainda dá para virar esse jogo. Voto inconsequente, manipulado, construído por meio de mentiras cabeludas e incitamento desmedido ao ódio pode ser mudado até o último instante, por força de qualquer acontecimento impactante. 

Lembrem-se de que, em 1954, a direita já festejava a conquista do poder quando o suicídio & carta-testamento do Getúlio Vargas geraram um fulminante efeito-manada em sentido contrário. 

Quando a alternativa é a barbárie, temos de lutar até o último cartucho. (por Celso Lungaretti)
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A rejeição à bestialidade extremista deve crescer na reta final
"Coordenador da campanha de Fernando Haddad à Presidência, o ex-governador da Bahia e senador eleito Jaques Wagner afirmou, nesta 2ª feira (15), que a melhor estratégia para uma vitória na corrida presidencial seria o lançamento de Ciro Gomes (PDT) ao Palácio do Planalto.

Repetindo ser defensor de alternância de poder e do fim da reeleição, Wagner fez essa avaliação ao comentar uma proposta da senadora Katia Abreu que sugeriu a substituição de Haddad por Ciro Gomes para garantir a eleição.

Wagner disse que esse era um assunto superado, mas ressaltou sempre ter defendido um acordo com Ciro. Questionado, então, se essa seria a melhor estratégia para o campo de esquerda, Wagner concordou, sob o argumento de que a campanha de Jair Bolsonaro se resume ao ataque ao PT.
'O que eles têm a dizer? É anti-PT. É anti-PT'.
Embora reconheça que o PT está estigmatizado, segundo suas próprias palavras, Wagner disse ter esperança de que o medo de Bolsonaro derrube resistências a Haddad neste 2º turno.
Wagner: seus conselhos sábios caíram em ouvidos moucos
'Se as pessoas tiverem mais medo dele do que raiva do PT, podem votar no Haddad. Não precisa amar o PT'.
Wagner disse ainda ter esperança de uma declaração de apoio mais contundente de Ciro: 'Não vou jogar a toalha. Ele pode enviar um live de onde ele estiver', disse o ex-governador em referência ao fato de Ciro estar na Europa.

Wagner acrescentou: 
'Alguém me disse que ele voltaria antes e anunciaria o apoio mais contundente'.
Segundo Wagner, Haddad defende a amplitude das alianças como saída para a situação".

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

É HORA DE TODOS CIVILIZADOS SE UNIREM NUMA AMPLA FRENTE DEMOCRÁTICA PARA BARRAR O FASCISMO!

O ator principal mudou... 
elio gaspari
JACQUES WAGNER
ENTRA EM CAMPO
Fernando Haddad e o comissariado petista querem costurar uma frente democrática para derrotar Jair Bolsonaro e puseram em campo o ex-ministro e ex-governador da Bahia, Jaques Wagner. Se conseguirem, no mínimo, levantam o nível da campanha.

Wagner é competente e seu desempenho na Bahia comprova isso. Governou o estado de 2007 a 2015, elegeu o sucessor que, por sua vez, acaba de se reeleger. 

Se lhe faltasse credencial, no início do ano defendia uma chapa com Ciro Gomes e Haddad na vice. Foi atropelado pelo oráculo de Curitiba, recolheu-se e foi tratar de sua campanha para o Senado.

As duas principais pontas dessa costura são Ciro Gomes e Fernando Henrique Cardoso. Ciro tem um capital eleitoral e já disse que ele não. Ainda falta que entre na campanha de Haddad.

Ele seria um corpo estranho no estilo que Haddad apresentou no 1º turno. A questão será saber em que tipo de campanha e de propostas cabem os dois.

Só o tempo dirá onde o PT estava com a cabeça quando atropelou-o e, sobretudo, quando Dilma Rousseff descumpriu a palavra dada ao irmão de Ciro, que lhe oferecia uma cadeira de senadora pelo Ceará. 

Roberto Mangabeira Unger, velho amigo dos Gomes, já conversou com Haddad.
Wagner tem de costurar uma frente como a da diretas-já

A ponta de Fernando Henrique Cardoso é mais delicada. Ele está fechado em copas, numa dupla negativa: “Não concordo com o reacionarismo cultural e o descompromisso institucional de uns vitoriosos e tampouco com a corrupção sistêmica e com o apoio ao arbítrio na Venezuela e em outros países”.

Para tirá-lo dessa posição será necessária muita conversa.

Mesmo assim, FHC sabe o peso biográfico de um eventual silêncio. São duas costuras possíveis para Jaques Wagner.

Uma parte do fenômeno Bolsonaro saiu do rancor petista, da eternizada adoração oracular a Lula e, sobretudo, da resistência dos comissários à autocrítica. 

Muitas pessoas podem até votar em Haddad, mas se o preço for defender a moralidade petista no balcão de uma lanchonete acabam votando no capitão. O rancor produzido pela onipotência virou veneno e ainda está lá.

Mesmo depois do massacre de domingo, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, disse o seguinte: “Nós vamos fazer um chamamento a todos os democratas. (...) Não temos restrição, se as pessoas tiverem noção do que está em jogo no Brasil e defenderem a democracia têm que estar nessa caminhada.”
Não podemos falhar neste momento decisivo!

Quem a ouvisse acreditaria que falava a uma plateia de militantes. “Têm que estar”, por que, cara pálida? A causa democrática não precisa do toque de clarim do PT, é justo o contrário.

A ideia segundo a qual o programa do PT precisa apenas de ajustes é suicida. Quem propõe uma frente democrática não fala essa língua, até porque felizmente os comissários já jogaram no mar a proposta de uma Constituinte.

A maior frente já construída na política brasileira foi a das Diretas-Já, de 1984. Nela entrou até Tancredo Neves que, com fina percepção, a considerava necessária, porém lírica.

Na sua fala ao Jornal Nacional, Jair Bolsonaro desautorizou a sugestão de Constituinte de sábios e a referência ao autogolpe de seu vice Hamilton Mourão.  Fica combinado assim. Faltou esclarecer o significado de uma frase na sua saudação de domingo: “Vamos botar um ponto final em todos os ativismos do Brasil”.

Sem ativistas não há democracia. Não existiriam o PT, nem o PRTB de Levy Fidelix com seu aerotrem. 

Bolsonaro também precisa de um filtro moderador, mas talvez a banda golpista de seu eleitorado nem o queira. (por Elio Gaspari)

domingo, 1 de julho de 2018

LULA FORA E DESCARTADAS AS OPÇÕES CIRO E BOULOS, PT TEM QUATRO POSSÍVEIS CANDIDATOS A PRESIDENTE

Gleisi Hoffmann é quem está indo com mais sede ao pote
Se, a partir da inevitável impugnação da candidatura presidencial do Lula pelo Tribunal Superior Eleitoral, o PT decidir disputar a eleição de outubro com um quadro pertencente às suas fileiras, a escolha se dará entre estes quatro:
  • o ex-governador Jaques Wagner;
  • o ex-prefeito Fernando Haddad;
  • o ex-ministro Celso Amorim; e
  • a presidente do partido, Gleisi Hoffmann. 
É o que informou neste domingo (01/07) a repórter Catia Seabra, da Folha de S. Paulo.

Como nada está decidido, não pode ser descartada a hipótese de uma composição com Ciro Gomes; já aquela para a qual se ofereceu Guilherme Boulos tem chances remotíssimas, a menos que haja uma grande reviravolta no quadro político.
Celso Amorim mantém a elegância

Segundo a reportagem, candidatos em potencial e apoiadores já disputam a indicação, o que deu origem a este episódio constrangedor:
"...uma amostra dessa rivalidade aconteceu no dia 8 de junho, data do lançamento oficial da pré-candidatura de Lula, em Contagem (MG). Apontado como preferido de Lula e dos governadores petistas, Wagner era o encarregado de ler uma mensagem enviada pelo ex-presidente.
Sob comando de Gleisi, os organizadores do ato decidiram, porém, montar um jogral para a leitura da carta. Descartada a ideia, a tarefa foi repassada à ex-presidente Dilma Rousseff".
Wagner estaria disposto a concorrer se convocado por Lula, preferindo manter-se discreto até lá.

Haddad estaria tentando amenizar resistência interna, daí haver-se associado à maior corrente petista, a Construindo o Novo Brasil. E, a pretexto de elaborar o programa de governo de Lula, tem viajado pelo Brasil para manter contato com lideranças locais.
A opção Boulos está em baixa

Gleisi é a mais sôfrega, relata a repórter:
"A disputa começou um dia depois da prisão de Lula, no dia 7 de abril. Contrariada com a veiculação de notícia segundo a qual Haddad dividiria com Gleisi a missão de falar em nome do ex-presidente, a senadora fez registrar em resolução do partido que ela foi a porta-voz designada por Lula".
Finalmente, um grupo de dirigentes do PT estaria trabalhando pela indicação de Celso Amorim, tanto que até slogan já discute; as sugestões são o chanceler da paz e o embaixador da esperança.

sábado, 9 de junho de 2018

LULA MANDA O PT POUPAR CIRO GOMES. FAZ SENTIDO: JÁ O ESCOLHEU PARA SER SEU SUBSTITUTO EM OUTUBRO.

Neste sábado (9) a Folha de S. Paulo noticia que, em conversas com auxiliares, Lula "autorizou que seja costurado um pacto de não-agressão com o candidato do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes, com vistas ao 2º turno".

E mais: "Segundo petistas, a orientação é que o pedetista seja tratado como alguém do mesmo campo político. Emissários do ex-presidente vão procurar Ciro já na semana que vem".

Numa coisa concordo com Ciro Gomes, que acusou Lula de "insultar a inteligência do povo brasileiro" (daquela vez, era por "insistir em sua narrativa de perseguição política"). É igualmente insultuosa a suposição de Lula de que consiga enganar todo mundo e de que a verdade por trás dos seus despistes não transpareça para os menos ingênuos

Para quem não se deixa iludir, a nova orientação equivale a um noivado. Quando Lula for obrigado a reconhecer que sua candidatura presidencial em 2018 virou cinzas há muito tempo, o casamento se consumará.

Ponto para o Demétrio Magnoli. Há duas semanas ele decifrou o enigma da esfinge de Curitiba:
"O nome do candidato de Lula é Ciro. A duplicidade não passa de uma operação tática... 
 ...Lula nunca se moveu por convicções políticas ou ideológicas: seu norte obsessivo, hoje como ontem, é conservar o poder pessoal. Nas amargas circunstâncias atuais, o poder de Lula circunscreve-se ao PT –e sofreria rápida erosão caso o partido tivesse candidato presidencial próprio. 
Daí a insistência de Lula na fantasia de sua candidatura, que funciona como um ferrolho, impedindo o surgimento de alternativas dentro do PT. O ex-presidente anunciará sua desistência apenas na hora derradeira, quando só restar aberta a trilha de adesão a Ciro. Mas, claro, Jaques Wagner, um dos seus mais fiéis escudeiros, negocia desde já o pacto de aliança".
Por último, creio que seja um bom momento para recordar o post que escrevi no final de março de 2017, sobre uma das muitas declarações ridículas de que Ciro Gomes já se utilizou para aparecer no noticiário à base do falem mal, mas falem de mim

Ele e o Jair Bolsonaro são craques nisso. É mais um motivo pelo qual eu não votaria em nenhum deles, mesmo se acreditasse que as eleições presidenciais, sob a democracia burguesa, sejam de alguma valia para os explorados.

REI DO GATILHO OU REI DOS SUCRILHOS?
Ciro Gomes, que já foi governador do Ceará e ministro da Fazenda, está indeciso quanto ao seu futuro: não sabe se concorre à presidência do Brasil ou ao cognome de rei do gatilho, que está vago desde a morte do comentarista esportivo Mário Sérgio Pontes de Paiva, uma das vítimas do voo da Chapecoense.

Para os mais jovens, esclareço: em 1981, quando ainda era jogador de futebol e atuava pelo São Paulo, o ônibus da delegação tricolor foi apedrejado após a partida contra o São José e Mário Sérgio afugentou os torcedores adversários com disparos para o chão, o que lhe valeu tal alcunha.

Foi uma insensatez, pois poderia ter feito aumentar a indignação, com péssimas consequências: torcedor(es) baleado(s), jogador(es) ferido(s) pelas pedras, ônibus incendiado, etc. Mas, pelo menos, ele realmente deu os tiros e se responsabilizou por seu ato – embora, face à reprovação unânime que sua atitude recebeu, tenha depois espalhado a lorota de que as balas eram de festim...

Já Ciro Gomes assume total responsabilidade pelos tiros que não deu nos agentes Polícia Federal, salvo em sonhos ou nos seus devaneios após tomar algumas biritas. 

Em vídeo que circula nas redes sociais, aparece afirmando o seguinte sobre o episódio do Eduardo Guimarães:
"Hoje esse Moro resolveu prender um blogueiro. Ele que mande me prender. Eu recebo a turma dele na bala".
É óbvio que o Ciro Gomes não jogará sua carreira política no lixo nem vai arriscar a vida contra atiradores treinados apenas para cometer uma bravata.

Sua frase, portanto, é de uma infantilidade constrangedora, ainda mais por ter partido de um quase sexagenário [completaria 60 anos em novembro, ou seja, agora já completou].

Lamento, Ciro, mas você não merece ser o novo rei do gatilho. Uma criancice dessas só lhe dá direito ao apelido de rei dos sucrilhos.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

DEPOIS DE MIM, O DILÚVIO: O PT VAI MESMO MANTER A CANDIDATURA FAZ-DE-CONTA DO LULA ATÉ A ENÉSIMA HORA.

A chance deste tomar posse no dia 1º de janeiro...
No próximo domingo, 27, os diretórios municipais do Partido dos Trabalhadores foram instruídos a realizar atos de lançamento da candidatura faz-de-conta do ex-presidente e atual presidiário Luiz Inácio, embora até as pedras das ruas saibam que é mais fácil o Brasil reinstalar a monarquia e o príncipe de Orléans e Bragança assumir o trono do que Lula ultrapassar a barreira da Lei da Ficha Limpa.

Discute-se a conveniência de ser definido já neste domingo um vice para a chapa. Em caso afirmativo, equivalerá à indicação da identidade do verdadeiro candidato, depois que a quimera lulista for fulminada pela Justiça Eleitoral.

Mas, claro, entrando tão tarde na caça aos votos, o herdeiro designado fará apenas figuração, ajudando a legitimar uma eleição que o PT, na sua retórica bombástica, qualifica de ilegítima se Lula não participar. A lógica e a coerência também não são o forte de Gleisi Hoffmann & cia. 
...é menor ainda que a deste

Ademais, seria desfeita a expectativa quanto a quem encarna o plano B, com Fernando Haddad ou Jaques Wagner recebendo a benção do Lula. Como ambos são certeza de fracasso, soaria o alarme para todos os fisiológicos se bandearem em busca de candidaturas viáveis às quais possam se atrelar.

Enfim, o comezinho bom senso seria mais do que suficiente para os dirigentes petistas decidirem não anunciar vice no domingo. Mas, como bom senso é um dos artigos mais em falta no partido ultimamente, deles tudo se pode esperar, até que cometam mais esta lambança.

De concreto, Lula e seus paus mandados se mostram irredutivelmente hostis à ÚNICA possibilidade de o PT pelo menos disfarçar sua decadência na próxima eleição: uma composição com Ciro Gomes ou Guilherme Boulos. Insistem em, sozinhos e altaneiros, acrescentarem mais uma derrota à coleção. 

Vão registrar a candidatura do Lula na enésima hora (o prazo final é dia 15 de agosto às 19h) e só depois da inevitável impugnação haverá alguém se apresentando oficialmente ao distinto público como candidato do, ou apoiado pelo, PT. O eleitorado ficará com a impressão de que se trata do velho não tem tu, vai tu mesmo...

Quanto a Lula, já existe quem o compare a Jim Jones, o pastor maluco que conduziu seu rebanho ao suicídio. Para outros, o amargor por ter acabado em cana é tamanho que o Lula estaria imbuído de sentimentos tipo depois de mim, o dilúvio...   

Aliás, tal previsão agourenta proveio de um seu xará, o rei Luís XV da França. E se confirmou, pois duas décadas mais tarde cairia a monarquia francesa.
Por último: como nem o impeachment da Dilma e a prisão do Lula convenceram a esquerda brasileira a retomar o caminho da luta contra o capitalismo, ao invés de continuar plantando ilusões democratico-burguesas na cabeça dos explorados, só nos resta torcermos para que, com o fiasco que se prenuncia nas eleições de outubro, a ficha finalmente caia. 

Desconstruindo a si próprio e travando a domesticada esquerda atual (igualmente cheia de vícios conciliatórios), o PT talvez esteja, sem querer, abrindo espaço para a afirmação de uma nova esquerda. Uma esquerda de verdade, disposta a ir à raiz dos problemas, liderando o povo numa transformação em profundidade da sociedade brasileira. 

É a esperança que sobrou, então temos de apostar nela. 

E, mais do que tudo, temos de apostar em nós mesmos e agir, pois o sebastianismo nada de bom trouxe no século 16, nem trará agora.   

domingo, 15 de abril de 2018

SEM O LULA NA ELEIÇÃO PRESIDENCIAL, INTENÇÕES DE VOTO NO PT CAEM PARA 2%

Se depender apenas da Justiça, a prisão de Lula será longa...
Hoje (15) saiu uma nova pesquisa do Datafolha e, sem o Lula na parada, o PT despenca para 2% com o Fernando Haddad e 1% com o Jaques Wagner. 

Os dirigentes deveriam refletir bem sobre isso. O eleitorado não está nem aí para se o impeachment foi golpe e para se o Lula é vítima de um complô multifacético. 

Continua mantendo Lula na dianteira (com menor vantagem do que tinha) se ele for candidato e votará em outros se ele não for. Simples assim.

O PT está colhendo os frutos da desideologização que gerou. Fica comprovado que grande parte dos que votavam no Lula eram eleitores do Lula e não do PT. Com ele fora da jogada, não veem nada de errado em transferir os seus votos... até mesmo para o ultradireitista Jair Bolsonaro!

E a estupefação, indignação e revolta que os dirigentes petistas esperavam que a prisão do Lula fosse provocar se reduz a isto: o povo a tudo assistiu indiferente e, em apenas uma semana, já tornou o PT nanico nas intenções de voto, quando se trata de um cenário no qual Lula não consta consta como candidato.

Tanto por razões humanitárias, quanto éticas e até pragmáticas, é hora de o PT passar a priorizar o futuro do Lula como ser humano, não seu presente como símbolo. 
...mas, na esfera política, ele pode obter o que Vargas obteve. 

O homem tem 72 anos e não possui personalidade de quem suporta bem a inatividade e o isolamento, podendo sofrer consequências muito graves da prisão de longa duração em regime fechado. 

O símbolo é muito cultuado nas redes sociais, em círculos de classe média e por admiradores no exterior, mas isso nem de longe parece ser suficiente para deter ou atenuar significativamente o encolhimento eleitoral do PT nas eleições deste ano.

Então, é hora de os grãos petistas considerarem com muito carinho a possibilidade de deixarem de incentivar a contestação e denúncia estridentes dos encaminhamentos judiciais, tornando praticamente obrigatória a tomada de decisões rigorosas contra ele, o que (não sejamos ingênuos!) vem acrescentar-se à predisposição que já existia e existe neste sentido.

No lugar dessa guerra propagandística cujo efeito prático vem sendo uma sucessão interminável de derrotas, mais sensatas seriam as discretas negociações de bastidores, tentando contornar na esfera política os obstáculos intransponíveis que bloqueiam os caminhos judiciais.

Se as análises do próprio PT estiverem certas, o que o inimigo quer é evitar que Lula seja candidato à presidência ou exerça influência marcante nas próximas eleições. Então, supõe-se que tais objetivos já tenham sido alcançados a partir do dia 29 de outubro, abrindo-se então uma brecha para a busca de um entendimento político. 

Um indulto presidencial ou a prisão domiciliar são muito difíceis de obter? Precedente há: negociando habilmente com o outro lado, Getúlio Vargas conseguiu evitar o encarceramento ou o exílio em 1945, assumindo o compromisso de recolher-se à sua estância na distante São Borja e lá permanecer nos anos seguintes, sem participação ativa na política e dando raras entrevistas. 

Viver quase como recluso, mas na sua propriedade e junto com os entes queridos, foi bem melhor para ele do que as outras opções.  E não impediu que, ao voltar à tona em 1950, se elegesse de novo.
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