quinta-feira, 30 de novembro de 2017

DESIGUALDADE DE RENDA ATINGE REGIÕES, GÊNEROS, CORES E ESCOLARIDADES.

O título curto e grosso do release divulgado nesta 4ª feira (29) pela agência de notícias do IBGE diz tudo, daí eu tê-lo mantido. 

Além da terrível desigualdade entre os poucos exploradores e a imensidão de explorados, há também um abismo entre os 1% que podem ser considerados a elite dos trabalhadores, com vencimentos da ordem de R$ 27,1 mil mensais, e os 50% que mais vegetam do que vivem com seus R$ 747 mensais. É desolador! 
"Em 2016, as pessoas situadas na parcela de 1% dos maiores rendimentos de trabalho recebiam, em média, R$ 27.085, enquanto a metade de menor renda recebia R$ 747, em um país cujo rendimento médio mensal de todos os trabalhos foi de R$ 2.149. Nesse mesmo ano, os 10% com maiores rendimentos concentravam 43,4% de todas as fontes de renda recebidas no Brasil.
...Do total de rendimentos, o Sudeste, com R$ 132,7 bilhões, apresentou a maior parcela, superior inclusive à soma das demais regiões: Nordeste (R$ 43,8 bilhões), Sul (R$ 43,5 bilhões), Centro-Oeste (R$ 21,8 bilhões) e Norte (R$ 13,5 bilhões)...  
Apesar de as mulheres representarem mais da metade da população em idade de trabalhar, os homens preencheram 57,5% dos postos de trabalho. As mulheres receberam, em média, R$ 1.836, o equivalente a 22,9% menos do que os homens (R$ 2.380). O Sudeste teve a maior média de rendimento para homens (R$ 2.897) e mulheres (R$ 2.078), porém teve a maior desigualdade, com as mulheres ganhando 28,3% menos do que os homens.
Na análise por cor ou raça, o rendimento médio de todos os trabalhos das pessoas brancas (R$ 2.810) foi aproximadamente 45% maior do que o das pessoas pretas (R$ 1.547) e pardas (R$ 1.524). Os brancos apresentaram rendimentos 30,8% superiores à média nacional (R$ 2.149), enquanto pretos e pardos receberam, respectivamente, 28,0% e 29,1% menos.

Ao considerar a escolaridade da população ocupada, os trabalhadores com ensino superior completo tinham rendimento médio mensal de R$ 5.189, cerca de três vezes mais do que aqueles com somente o ensino médio completo (R$ 1.716), e cerca de seis vezes acima daqueles sem instrução (R$ 884)..."

ANTES DA WEB ACREDITÁVAMOS QUE O HOMEM FOSSE UM ANIMAL RACIONAL. DEPOIS DA WEB CAÍMOS NA REAL...

Por Sérgio Rodrigues
O DEMOCRÁTICO FESTIVAL DE
BESTEIRAS QUE ASSOLA A INTERNET

A Terra é plana. Hitler era de esquerda. Bolsonaro é um democrata liberal. FHC, um fascista. O 11 de setembro e a Lava-Jato são obras da CIA. A Globo é comunista. O comunismo é global.

Paul McCartney está morto. Elvis Presley está vivo. John Lennon também está morto, mas tudo bem porque ele queria destruir a família. Bandido bom é bandido morto.

Afinal de contas, toda relação sexual é um estupro, e cabe exclusivamente a quem se sente ofendido dizer o que é ofensivo.

O pouso na Lua foi encenado num estúdio de Hollywood com retroprojetores. Nada do que vem dos Estados Unidos merece confiança, com exceção de Trump.

O aquecimento global é uma farsa. O ET de Varginha fez plástica e vive entre nós como influenciador digital. Ronaldo Fenômeno foi envenenado pelo serviço secreto francês antes da final da Copa de 1998.

A CBF vendeu o 7 a 1 por 7,1 bilhões de dólares depositados em contas secretas na Suíça. Uma mala de dinheiro não prova corrupção.

Pelé seria um jogador comum no futebol de hoje. Neymar é enganador. Romero Britto, um grande artista. Alexandre Frota, referência cívica.

O português é o idioma mais difícil do mundo, tão difícil que só três caras no Maranhão conseguem falá-lo sem cometer nenhum erro. Ou seja: relaxe, escreva gato com jota à vontade.

Cuspido e escarrado é uma expressão que vem de esculpido em Carrara. A palavra coitado traz o coito dentro de si. O forró nasceu de for all.

O Holocausto é uma mentira cabeluda urdida pelo complô judaico-financeiro-comunista internacional. Lidas de trás para a frente, as últimas frases de Ágape, do padre Marcelo Rossi, profetizam o apocalipse zumbi.

D. Pedro 1º tomava Viagra. A marquesa de Santos era uma transexual agente da KGB e a imperatriz Leopoldina, feminazi. O papel de José Bonifácio no rolo não está claro, mas boa coisa não devia ser.

A mão invisível do mercado vai solucionar todos os problemas da humanidade. Ou isso ou o Estado máximo, Leviatã de 10 mil tentáculos –o meio termo é que não faz sentido.

Resta o consolo de que a felicidade está ao alcance de qualquer um, bastando desejar algo com devoção para o universo conspirar a seu favor.

O racismo não existe no Brasil. O Brasil é o país mais racista do mundo. O Brasil é o país do futuro.

Vacinas, iodo no sal, videogame, mertiolate indolor, controle remoto, aplicativos de tradução automática e tênis com amortecimento são armadilhas do establishment midiático-comuno-capitalista para criar multidões de escravos conformados.

Tudo o que você pensar em comprar num raio de cinco quilômetros de seu smartphone lhe será oferecido dentro de meio segundo num bombardeio de anúncios digitais.

Versos sem rima, romances sem enredo, surrealismo, música atonal, jazz, rock, quadrinhos, Tinder, Marion Cotillard, pizza de borda recheada e homossexualidade são peças de uma sinistra orquestração para destruir a família cristã, não vê quem não quer!

A internet, esse milagre democrático, deu voz a milhões de seres pensantes que até então eram impedidos de contribuir com seu descortino para a grande aventura humana do conhecimento e da convivência universal, metas mais elevadas da civilização.

Agora vai!
O autor, Sérgio Rodrigues, é jornalista e escritor.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

EX-TORTURADOR E CONTRAVENTOR CONDENADO, O CAPITÃO GUIMARÃES CONTINUA IMPUNE. ATÉ QUANDO?!

Esta notícia, com o título de Capitão Guimarães faz aniversário, saiu no blogue O Dia (vide aqui) e é de autoria de Leo Dias:
"Aílton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães, um dos fundadores da Liesa - Liga das Escolas de Samba, fez uma festança [na 5ª feira passada, dia 23] no Clube Tio Sam, em Niterói, para comemorar seus 76 anos. 

A luxuosa festa contou com presenças ilustres como Zeca Pagodinho, Martinho da Vila e Jorge Aragão. 

Na foto acima, Luizinho Drummond, da Imperatriz Leopoldinense, cumprimenta o aniversariante sob os olhos de Jorge Castanheira, presidente da Liesa. Entre os presidentes de escolas presentes estavam Regina Celi (Salgueiro) e Anisio Abraão Davi (Beija Flor)". 

A minha dúvida é se o aniversariante foi fotografado de costas por mero acaso ou para não assustar as criancinhas... 

Pois o bom velhinho é ninguém menos do que um antigo torturador dos anos de chumbo, a quem tive o desprazer de conhecer na PE da Vila Militar (RJ). Depois, ele saiu do armário: deu baixa e iniciou uma bem-sucedida carreira na contravenção.
Guimarães saindo da carceragem da Polícia Federal em 2007

Foi no seu quartel que morreu assassinado, em novembro de 1969, o militante Chael Charles Schreier, 23 anos, companheiro de Dilma Rousseff na VAR-PalmaresEle é citado nos testemunhos de outros presos como autor de alguns dos chutes e pontapés que causaram a morte de Schreier por “contusão abdominal com rupturas do mesocólon transverso e mesentério, com hemorragia interna”.

E estava também entre os quatro torturadores responsáveis pelo assassinato do meu companheiro e amigo Eremias Delizoicov, que tinha apenas 18 anos.

JUSTIÇA POÉTICA: OS TORTURADORES
QUE PROVARAM DO PRÓPRIO VENENO...

Como acabou caindo em desgraça na caserna? É uma história que merece ser contada muitas e muitas vezes...
Rara imagem da PE nos anos 70
Embora fosse oficial de Intendência, o Capitão Guimarães passou a atuar na II seção (Inteligência) daquela unidade. Sua equipe, como todas as incumbidas da guerra suja durante a ditadura militar, auferia ganhos substanciais ao capturar ou matar militantes revolucionários.

Tudo que era apreendido com os resistentes e tivesse algum valor, virava butim a ser rateado entre aqueles rapinantes. 

Jamais cogitavam, p. ex., devolver o dinheiro aos bancos que haviam sido  expropriados  pelos guerrilheiros urbanos. Numerário, veículos, armas e até objetos de uso pessoal iam sempre para a  caixinha  do bando. De mim, até os óculos roubaram.

Havia também as vultosas recompensas oferecidas pelos empresários fascistas. Estes acertaram inclusive uma tabela com os órgãos de repressão: dirigente revolucionário preso valia tanto; integrante de  grupo de fogo, um pouco menos, e assim por diante.
Chael Charles Schreier, uma de suas vítimas. 

Quanto, em novembro de 1969, o estudante Schreier morreu como consequência das sevícias aplicadas por Guimarães e seus comandados, o episódio repercutiu pessimamente no mundo inteiro e até mesmo no Brasil, pois a revista Veja fez uma matéria-de-capa histórica sobre as torturas.

As Forças Armadas decidiram, então, proibir que a unidade de Inteligência de cada Arma fosse à caça por sua própria conta. 

Unificaram o combate à luta armada no quartel da PE da rua Barão de Mesquita (Tijuca), que passou a ser a sede do DOI-Codi/RJ, integrado por oficiais da II Seção do Exército, do Serviço de Informações da Aeronáutica (Sisa) e do Centro de Informações da Marinha (Cenimar), mais investigadores da polícia civil.

A equipe do Capitão Guimarães, até como punição pela morte do Schreier, foi alijada desse vantajoso esquema. Então, quando cheguei preso lá, em junho de 1970, aqueles rapinantes estavam desesperados com a falta de grana.

Tinham se habituado a um padrão de vida mais elevado e já não conseguiam subsistir apenas com o soldo. Tentavam por todas as maneiras convencer seus superiores de que mereciam ser readmitidos no combate à luta armada, em vão.

Foi por isso que, em 1974, a equipe de torturadores da PE da Vila Militar envolveu-se com contrabandistas: como forma de obter a renda adicional que tanto lhe fazia falta.
O bicheiro Tio Patinhas iniciou-o na sua nova carreira

Mas, tornaram-se ambiciosos demais. Tentaram roubar dos outros bandidos uma carga particularmente valiosa, houve troca de tiros e a matéria fecal foi para o ventilador...  

O Exército instaurou um Inquérito Policial-Militar contra soldados, cabos, sargentos e quatro oficiais, inclusive o tenente Ailton Joaquim (um dos 10 piores torturadores do período, segundo o Tortura Nunca Mais) e o Capitão Guimarães.

As investigações foram conduzidas com o método que o Exército invariavelmente utilizava. Então, aqueles notórios torturadores acabaram conhecendo na própria pele a tortura. Houve até caso de assédio sexual à esposa de um dos acusados, por parte dos seus colegas de farda!

...E A PIZZA ACABOU SENDO LEVADA
AO FORNO EM SEGREDO!

O STM, quem diria, absolveu as vergonhas da farda...
Como o Élio Gaspari relata em A ditadura escancarada, o caso acabou, entretanto, em pizza:
"Todos os indiciados disseram em juízo que o coronel do 1PM lhes extorquira as confissões. A maioria deles sustentou que, surrados, assinaram os papéis sem lê-los. Num procedimento inédito, os oficiais do Conselho de Justiça decidiram que o processo tramitaria em segredo. Durante o julgamento a promotoria jogou a toalha, e, em maio de 1979, os 21 acusados foram absolvidos. 
O caso voltou ao STM, cinco ministros recusaram-se a relatá-lo, e, por unanimidade, confirmou-se a absolvição. 
A sentença baseou-se num só argumento: ‘Tudo o que se apurou nestes autos, o foi, exclusivamente, através de confissões, declarações e depoimentos extrajudiciais, retratados e desmentidos posteriormente em juízo, sob a alegação de violências e ameaças praticadas durante o IPM'".
Um livro que esgotou o assunto
A carreira militar do Capitão Guimarães, ficou, entretanto, comprometida. Nos quartéis, ele seria sempre visto como ovelha negra e apenas tolerado. Então, pediu baixa e foi capitanear o jogo-do-bicho, conforme narra o Gaspari:
"Coube ao bicheiro Tio Patinhas consertar a vida de Ailton Guimarães Jorge. (...) O processo do contrabando ainda tramitava (...) quando ele se transferiu formalmente para a contravenção, levando a patente por apelido e diversos colegas como colaboradores. 

Começou como gerente do banqueiro Guto, sob cujo controle estavam quatro municípios fluminenses. Um dia três visitantes misteriosos tiraram Guto de casa e sumiram com ele. (...) Tio Patinhas passou-lhe a banca. 

Em três anos o Capitão Guimarães foi de tenente a general, sentando-se no conselho dos sete grandes do bicho, redigindo as atas das reuniões, delimitando as zonas dos pequenos banqueiros. Seu território estendeu-se de Niterói ao Espírito Santo. 

Seguindo a etiqueta de legitimação social de seus pares, apadrinhou a escola de samba Unidos de Vila Isabel e virou a maior autoridade do Carnaval, presidindo a liga das escolas do Rio de Janeiro. 

Rico e famoso, adquiriu uma aparência de árvore de Natal pelas cores de suas roupas e pelo ouro de seus cordões. Tornou-se um dos mais conhecidos comandantes da contravenção carioca.
Do seu tempo da PE ficou-lhe o guarda-costas, um imenso ex-cabo que, como ele, começara no crime organizado da repressão política".
Ele era assim quando começou a comandar o carnaval carioca
Esse cabo, Marco Antônio Polvorelli, pesava 140 quilos e lutava judô. No final de 1969, ao tentar prender meu companheiro Eremias Delizoicov, foi por ele atingido com um disparo no braço. 

Polvorelli e os outros torturadores retalharam então o Eremias com 35 tiros, tornando impossível até sua identificação (só souberam quem era pelas impressões digitais).

Depois, em junho de 1970, unicamente por ter sabido que eu era amigo do Eremias desde a infância, ele fez questão de vingar-se em mim pelo final prematuro de sua carreira de judoca: estourou meu tímpano com um fortíssimo tapa de mão aberta. Nunca mais tive audição normal, apesar das três cirurgias por que passei.

Eram esses os ratos de esgoto dos quais a ditadura servia-se para combater os heróis e mártires da resistência.

EXEMPLO VIVO DO BANDITISMO DA
REPRESSÃO DA DITADURA

Outro criminoso comum que atuou na repressão política: Fleury.
Guimarães seria várias vezes preso como chefão do jogo do bicho e dos bingos, além de ser acusado de subornar membros do Executivo, Legislativo e Judiciário para atingir seus objetivos. Consta que teria também pertencido a grupos de extermínio do Espírito Santo (recaída?).

A última notícia relevante que localizei dele na internei é do blog do Fernando Rodrigues, em março de 2015, dando conta de que, embora condenado a 47 anos de prisão, o capitão Guimarães continuava solto graças às manobras de seus advogados. Tudo indica que as coisas continuem na mesma.

Afora os crimes atuais, que fazem do  Capitão Guimarães  um personagem emblemático do que há de pior neste país, ele continua sendo o mais notório exemplo vivo do banditismo inerente aos órgãos de repressão da ditadura militar.

A outra celebridade capaz de rivalizar com ele nesse quesito já morreu, como um  arquivo queimado  pelos próprios cúmplices: o delegado Sérgio Paranhos Fleury, em cujo benefício os militares chegaram até a criar uma lei, com o único propósito de mantê-lo fora das grades.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

HÁ 47 ANOS, APÓS SER TORTURADO POR 109 DIAS, ERA COVARDEMENTE EXECUTADO O COMPANHEIRO EDUARDO LEITE ('BACURI').

É como  Basílio  que eu me lembro de Eduardo Collen Leite, cuja covarde execução, depois do verdadeiro calvário ao qual as bestas-feras da repressão ditatorial o submeteram durante mais de 15 semanas, completará 47 anos daqui a 10 dias. Ele morreu aos 25 anos de idade, em 8 de dezembro de 1970.

Bacuri  era um codinome já descartado, que ele usara antes de abril/1969, quando o conheci no Congresso de Mongaguá da VPR.

Deve tê-lo mudado porque era revelador em demasia, mais próximo de um apelido: um tanto gordo, ele lembrava mesmo um porquinho. E, claro, assim o nome de guerra descumpria a finalidade de dificultar a identificação do companheiro que o utilizava.

Eu era um secundarista de 18 anos, um tanto deslumbrado por ter sido repentinamente admitido no círculo dos revolucionários mais procurados do Brasil. Queria entrosar-me o quanto antes com os novos companheiros. 

E, sem me dar conta, já era com olhar de jornalista que eu observava a tudo e a todos, fazendo  minhas avaliações, tentando entender como haviam sido forjados combatentes daquela têmpera. Sentia-me, como o Repórter Esso, uma testemunha ocular da História...

Basílio não parecia o combatente  da pesada  que depois fiquei sabendo ser. Nem de longe. Fiquei surpreso quando o  Moisés  (José Raimundo da Costa) me contou algo de sua história.

Estava com o cabelo curto e um farto bigode, que o deixava com um jeitão de português, além de envelhecê-lo um pouco. Nunca adivinharia que ele, àquela altura, tinha tão somente 23 anos.
Notícia fraudulenta: ele foi, isto sim, executado a sangue frio!

Era simples, afável, simpático. Quando se alterava, gaguejava um pouco. Foi o que aconteceu ao comunicar que deixaria a Organização.

Minhas recordações, quase meio século depois, são nebulosas. Lembro-me de que ficou muito emocionado, talvez tenha até chorado.

Desentendera-se com outros companheiros a respeito do encaminhamento dado a operação(ões) armada(s); devido às regras de segurança, fiquei sabendo disso muito superficialmente, então não pude (nem posso agora) estabelecer quem tinha razão.

Montou uma pequena organização, a Rede Democrática, que se manteve bem próxima da VPR, sendo nossa parceira em várias ações.

Quando o Moisés e eu vimo-nos ameaçados de expulsão da VAR-Palmares, no curso da luta interna que desembocaria na recriação da VPR, ele consultou o Basílio a respeito do nosso ingresso na Rede, recebendo sinal verde.

Bem ao seu estilo – conservava sempre uma carta escondida na manga –, o Moisés só me falou dessa sondagem quando o racha estava consumado e nós, os precursores, reabilitados.
Uma ótima biografia

É minha última reminiscência envolvendo o Basílio, até ficar sabendo de sua prisão e martírio – um dos episódios mais chocantes dos anos de chumbo. "Nenhum tormento conseguiu arrancar qualquer informação do Bacuri", afirmou Jacob Gorander.

Até hoje não me passa pela garganta que a vítima de tão terríveis e prolongados suplícios tenha sido aquele gordinho boa gente que batia bola comigo na praia de Mongaguá, durante os intervalos do congresso da VPR. As duas imagens não casam.

O destino foi cruel demais com ele.

Obs. – ainda sobre o Bacuri, leia aqui (clique p/ abrir) a descrição do seu martírio no relatório final da Comissão Nacional da Verdade.

VEJA COMO O RELATÓRIO FINAL DA COMISSÃO DA VERDADE RELATOU O INTERMINÁVEL CALVÁRIO DO "BACURI"

Eduardo Collen Leite foi preso pelos agentes da equipe do delegado Sergio Fernando Paranhos Fleury, em 21 de agosto de 1970, na cidade do Rio de Janeiro, quando chegava em casa. Foi levado a um centro clandestino de tortura, em São Conrado, ligado ao Centro de Informações da Marinha (Cenimar), onde foi visto por Ottoni Fernandes Júnior, também preso na casa.

Ottoni chegou a afirmar, em denúncia feita à Justiça Militar e também na 1ª audiência pública da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo Rubens Paiva, que os agentes da repressão já haviam declarado que Bacuri seria morto após as torturas. Na casa de São Conrado, ainda no início do período em que permaneceria sendo torturado, ele já apresentava dificuldades para se locomover sozinho. 

Posteriormente, Bacuri foi levado ao Cenimar/RJ e ao Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) do I Exército, no Rio de Janeiro, onde foi visto por Cecília Coimbra que declarou, em 2 de outubro de 1995, na Secretaria da Comissão de Direitos Humanos e Assistência Judiciária da Secretaria do Estado do Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil, ter visto Bacuri nas instalações do DOI-Codi/RJ e que dado seu “estado precário físico motor”, era impossível a versão da fuga. 
Nas duas primeiras semanas de sua prisão nas dependências do DOI-CODI ao pedir a um agente da repressão para que acendesse seu cigarro verificou por uma fresta da porta que aguardava que: Eduardo leite, codinome Bacuri estava sendo levado por agentes da repressão tendo marcas de torturas em sua face e braços e, com dificuldade de caminhar, sendo auxiliado por agentes da repressão [...] 
Em depoimento à Comissão Nacional da Verdade, em 28 de maio de 2013, a ex-militante da ALN Dulce Pandolfi também relatou o estado físico de Bacuri em uma de suas passagens pelo DOI-Codi/RJ:
Dulce Pandolfi atualmente é historiadora
No térreo tinha a sala de tortura com as paredes pintadas de roxo e devidamente equipada. Tinha outras salas de interrogatório com material de escritório, essas às vezes usadas também para torturar, e algumas celas mínimas, chamadas de solitárias, imundas, onde não havia nem colchão.  
Aliás, vários aqui presentes passaram por essas celas e essa sala. Nos intervalos das sessões de tortura os presos eram jogados ali. No segundo andar do prédio havia algumas celas pequenas e duas bem maiores, essas com banheiro e diversas camas beliches. Foi numa dessas celas que passei a maior parte do tempo. [...] 
Uma noite, que não sei precisar quando, desci para a sala roxa para ser acareada com o militante, também da ALN, Eduardo Leite [pausa em virtude de choro] conhecido como Bacuri. Lembro até hoje dos seus olhos, da sua respiração ofegante e do seu caminhar muito lento, quase arrastado, como se tivesse perdido o controle das pernas. 
Num tom sarcástico o torturador dizia para nós dois na presença de outros torturadores: “viram o que fizeram com o rapaz? Essa turma do Cenimar é totalmente incompetente. Deixaram o rapaz nesse estado, não arrancaram nada dele e ainda prejudicaram nosso trabalho”. No dia oito de dezembro daquele ano, mataram Bacuri. 
Bacuri foi torturado por 109 dias consecutivos e passou por diferentes instalações dos órgãos de repressão. Depois do DOI-Codi do I Exército, Eduardo foi transferido para o 41º Distrito Policial (DP) de São Paulo, cujo delegado titular era Fleury. 
Joaquim Câmara Ferreira: vítima de duas ditaduras. 
Do 41º DP foi novamente transferido para o Cenimar/RJ, onde foi torturado até setembro, quando retornou para São Paulo. Dessa vez foi levado para o DOI-Codi do II Exército e removido em outubro para o Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo (Deops/SP), onde ficou isolado na cela 4 do chamado fundão.

Foi então que os órgãos da repressão começaram os preparativos para camuflar a execução de Eduardo, que teria ocorrido em uma suposta fuga durante ação policial para prender Joaquim Câmara Ferreira. Eduardo teria sido levado para identificar Joaquim Câmara e, durante um tiroteio, teria escapado. 

Há, entretanto, diversos depoimentos de ex-presos políticos que atestam que, após a notícia de sua fuga, Bacuri, na verdade, continuava preso e sob tortura. 

No documento de denúncias dos presos do Presídio da Justiça Militar Federal, em São Paulo, entregue ao Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, em 23 de outubro de 1975, registra-se que: 
[...] no Deops seus torturadores planejavam matá-lo [...] quando se divulgava sua fuga, Eduardo sequer havia saído de sua cela. Seus torturadores chegaram a olear as portas enferrujadas das celas para que pudessem retirá-lo em silêncio. 
Nesse documento, que ficou conhecido como Bagulhão, foi registrado que Bacuri foi retirado de sua cela no dia 27 de outubro de 1970, diante de protestos dos prisioneiros. Segundo relatos, ele estava impossibilitado de andar em virtude dos ferimentos da tortura. A partir de então, Eduardo não foi mais visto por nenhum preso político, permanecendo sob custódia de seus torturadores até 8 de dezembro de 1970, quando foi divulgado que teria morrido em tiroteio na cidade de São Sebastião, no litoral paulista. 
Sequestro de Bucher precipitou execução

Segundo o jornalista Elio Gaspari, no livro A Ditadura EscancaradaBacuri teria sido assassinado no forte dos Andradas, na cidade de Guarujá (SP). De acordo com o autor, Eduardo estaria preso em um banheiro quando um major teria entrado, pedido ao soldado Rinaldo Campos de Carvalho, que vigiava o militante, que saísse, e executado Bacuri

Segundo relato do próprio soldado, ao sair do cômodo teria escutado um barulho forte, que poderia se assemelhar tanto ao de um tiro quanto ao som de uma cabeça batendo na parede. 

Em entrevista à revista Veja de 18 de novembro de 1992, o ex-agente Marival Chaves também afirmou que foi forjada a versão da morte de Eduardo Collen Leite em tiroteio, um teatrinho para esconder as gravíssimas e continuadas violências que sofreu.

A execução de Bacuri teria ocorrido também a fim de evitar que ele fosse incluído na lista de prisioneiros a serem trocados pelo embaixador da Suíça no Brasil, Giovanni Enrico Bucher, sequestrado em ação conjunta da VPR e do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8) no dia anterior, 7 de dezembro. 

A troca de Bacuri poderia gerar constrangimento, já que, além de ter sido oficialmente declarado foragido, apresentava marcas evidentes de tortura. 

Em documento enviado em 22 de setembro de 1970 pelo chefe da 2ª Seção do II Exército, em São Paulo, coronel Erar de Campos Vasconcelos, ao chefe da Operação Bandeirantes (Oban), já se previa a possibilidade de ser realizado um sequestro visando a libertação de Eduardo Collen Leite. 

De acordo com o documento, a medida sugerida pelo coronel para evitar os danos ao regime diante de um possível resgate foi a de “tomadas as devidas providências, no sentido de evitar possíveis explorações sobre seu estado físico”. Essa declaração comprova não só que Eduardo Leite foi torturado, mas evidencia também o contexto em que se deu sua execução. 
Sérgio Fleury: torturador do Bacuri e tocaieiro do Marighella.

Apesar dos relatos que comprovam as marcas visíveis de tortura em Bacuri, o laudo do exame necroscópico, solicitado pelo delegado José Aray Dias de Melo, atestou não haver indícios de tortura no corpo. O documento foi assinado pelos médicos-legistas Aloysio Fernandes e Décio Brandão Camargo. 

As torturas sofridas por Bacuri foram denunciadas também perante a 2ª auditoria da Justiça Militar de São Paulo, mas nunca foram levadas adiante pelo juiz Nelson Guimarães Machado da Silva. Questionado sobre a omissão em relação às torturas de Bacuri, o juiz Nelson Guimarães respondeu, em depoimento prestado à Comissão Nacional da Verdade (CNV) em 31 de julho de 2014: 
[...] havia uma guerra. Havia mentiras também. Tempo de guerra, mentira como terra, um velho provérbio, aliás, português. [...] nem tudo que o interrogando diz em juízo, o juiz ou o Ministério Público não pode sair dizendo: “Ah, ele disso isso. Vamos apurar”. Não há apuração que chegue. E não eram as circunstâncias do momento. 
Quando o corpo de Bacuri foi entregue à família, as denúncias de tortura e execução se confirmaram. Segundo o testemunho de sua esposa, Denise Crispim, Eduardo tinha hematomas, escoriações, marcas de queimadura, dentes arrancados, orelhas decepadas e os olhos vazados.
Observações:
  1. transcrito do relatório final da Comissão Nacional da Verdade, que está disponível neste endereço (clique p/ abrir);
  2. também sobre o Bacuri, leia meu depoimento pessoal aqui.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

A MULTIDÃO DE ZUMBIS SEGUE UM MODO DE PRODUÇÃO IRRACIONAL SEM QUESTIONAR; A ESQUERDA MAJORITÁRIA, INCLUSIVE.

O QUE É ANTICAPITALISMO

"A utopia é a doença infantil do capitalismo,
não do comunismo" (Robert Kurz, Ler Marx)

Por que o capitalismo liberal (capitalismo privado) se parece tanto com o capitalismo de Estado (socialismo real)? 

A resposta não pode ser outra senão a constatação de que ambos são iguais nas suas essências constitutivas, diferenciando-se apenas na questão da organização política:

— o capitalismo liberal, por ser dono dos meios de produção de mercadorias, impõe, sob sua exploração econômica, a extração de mais-valia dos trabalhadores assalariados; 

— o socialismo real, por ser dono dos meios de produção de mercadorias por meio do Estado, impõe, sob sua exploração econômica, a extração de mais valia dos trabalhadores assalariados;

— o capitalismo liberal e o socialismo real têm ambos o dinheiro e as mercadorias como forma de mediação social inquestionável, com administração do controle monetário (ora irremediavelmente incontrolável) pelo Estado; 

— o capitalismo liberal defende a sua estrutura de organização política e social, tendo o Estado como organismo pretensamente capaz de prover as necessidades sociais via cobrança de impostos. Este diz funcionar como esfera social neutra e isenta, quando, na verdade, configura-se como linha regulamentadora auxiliar da coerção tácita ou explícita do trabalho abstrato, fonte da exploração dos trabalhadores e de indução das demais categorias capitalista (não sendo, portanto, nem neutro, nem isento);
Os zumbis da vida real

— o socialismo real defende a sua organização político social a partir de um Estado forte, proprietário e cobrador de impostos dos cidadãos, e tido como pretenso organismo a serviço dos trabalhadores, que são mantidos como tais por coerção explícita ao trabalho abstrato, fonte da exploração dos primeiros (os trabalhadores assalariados). O capital tem dinâmica auto-produtiva que não admite distribuição que depaupere a sua necessária sanha aumentativa; 

— o capitalismo liberal defende a tese falaciosa de que a invisible hand do mercado seria capaz de estabelecer critérios de eficiência, qualidade, equilíbrio de produção de mercadorias, meritocracia, redução de custos de produção capaz de viabilizar o consumo coletivo, etc.;

— o socialismo real defende a proteção, a partir do Estado forte, do mercado interno contra a concorrência internacional de mercado, bem como a planificação da economia com a pretensão de potencializar a produção de mercadorias para as necessidades coletivas de consumo (isto somente até ter de abrir suas fronteiras ao mercado externo);
  
— e por aí vai. 

Como se pode depreender das diferenciações acima referidas, todas elas:

— integram o universo de formas políticas de conduta, e não de conteúdo intrínseco existencial; 

— inserem-se no invólucro das categorias históricas, não ontológicas, imanentes ao modo de produção capitalista, cuja síntese foi mundo bem definida pelo Marx esotérico como pertencentes ao universo do fetichismo da mercadoria e sua dimensão tácita que tudo transforma a partir do seu caráter onívoro.
Tresler, verbo intransitivo: ler de trás para diante; ler às avessas.
Não é por menos que o Marx exotérico teve vida curta, dele hoje restando apenas grupelhos remanescentes ou marxistas pós-modernos, ditos reflexivos, que mais não são do que envergonhados reformistas do próprio invólucro do capitalismo. 

Isto se dá porque ele se circunscreveu apenas à luta de classes, como se a produção de valor estivesse inquestionavelmente acima do bem e do mal, podendo ser boa ou má, dependendo apenas da forma de sua apropriação e distribuição, ainda que tais postulados tenham sido negados a tempo pelo próprio Marx, ao afirmar que “não sou marxista”.

Mas, agora, quando as categorias capitalistas de trabalho abstrato, valor, mercadoria, mercado, dinheiro, Estado, política, democracia, presentes nos dois modelos políticos antes identificados (capitalismo liberal e socialismo real), tornam evidentes os seus limites internos absolutos existenciais provocando uma crise categorial sem precedentes históricos, o discurso político e as ações administrativas imanentes ao invólucro capitalista não apresentam alternativas capazes de superação dos problemas por elas mesmas causados. 

Caem, portanto, no descrédito popular consciente ou inconsciente, pois os cidadãos estão cansados de uma empiria que empurra o futuro para épocas cada vez mais distantes, enquanto  afirma o presente como tragédia social crescente. 
Frase de Daniel Tanuro, eco-socialista belga. 
O discurso político vigente, quando não é ridículo ou canastrão, é falacioso, e isto dos dois lados da vida política:  sob o invólucro capitalista liberal ou keynesiano.

Nada mais conservador do que um partido de esquerda investido no poder político do Estado em crise econômica.

Nada mais keynesiano do que um neoliberal quando se trata de salvar a economia das labaredas cada vez mais intensas de um modo de produção que se tornou anacrônico por suas contradições existenciais.

OS ENSINAMENTOS DO MARX ESOTÉRICO,
 VERDADEIRAMENTE ANTICAPITALISTA

Foi o Marx da maturidade quem, a partir do discurso sobre o fetichismo da mercadoria, questionou as categorias capitalistas, após um estudo profundo que lhe consumiu anos de reflexões e análises históricas e empíricas, até que se tornou capaz de prospectar e vaticinar um futuro que agora é atingido (e isto durante a 1ª revolução industrial e sua não simultaneidade, como agora ocorre com a globalização da economia) 

E fê-lo de forma científica brilhante, demonstrando, de forma lógica a irracionalidade de um modo de produção social caracterizado por contradições internas não facilmente identificáveis, e que é racional apenas dentro da estreiteza de um sistema objetivado que admite como naturais procedimentos antinaturais (sendo a compra e venda o primeiro deles). 

No último domingo (26) assisti a um debate televisivo no qual o ex-governador Tarso Genro, do PT, defendia a formação de uma frente ampla de esquerda (preferencialmente com Lula à frente), capaz, segundo ele, de implantar um programa de governo com vistas à manutenção das franquias sociais conquistadas. 

Vale lembrar que o entrevistado se pretende à esquerda do PT quando defende aliança com o resto da esquerda; já o seu guru não tem o menor pejo em buscar alianças com a direita corrupta que procura governar na base da aceitação da chantagem como critério para a concessão de apoio político. 

A inconsistência discursiva é total, somente podendo agradar aos desavisados de plantão.  

Ora, mesmo o discurso aparentemente avançado, ainda que bem intencionado e vindo de um antigo marxista tradicional convertido ao lulismo, demonstra à saciedade a ignorância, pela esquerda, da dinâmica do capital em crise e dos postulados do Marx da crítica da economia política, cujo vaticínio correto demonstra que não há saída para algo que está nos seus estertores: o capitalismo. 

A insistência em reformas econômicas, ainda que de modo bem intencionado visem a justa distribuição do dinheiro, apenas reflete o desconhecimento da própria dinâmica da formação e reprodução do dinheiro, que agora se encontra em fase de incapacidade auto-reprodutiva dentro das exigências da economia mundial. 

A insistência no gerenciamento do Estado como instrumento de realização das demandas sociais mínimas, mais parece a mendicância de pedintes escravizados ao seu senhor para que seja menos mau.

A esquerda institucional, predominantemente, e mesmo os resíduos da esquerda marxista tradicional não institucionalizada, estão pateticamente perdidos.      

A nós, que desejamos e lutamos pela emancipação humana, não há por que deixarmos de nos debruçar sobre os ensinamentos do Marx esotérico, da crítica das categorias capitalistas, para que, de pé sobre os seus ombros, possamos vislumbrar novos horizontes.
Devemos nos contrapor a tudo que represente a manutenção da coerção tácita ou explícita da forma-valor, viabilizada pelo fetichismo da mercadoria, ainda que isto pareça ser, para o pensamento inserido no invólucro capitalista desse mesmo fetichismo da mercadoria, coisa de gente fora da realidade.

Na verdade, a imensa massa de zumbis que segue sem questionamento um modo de produção irracional, procurando reformá-lo, tanto do ponto de vista social como ecológico, é que está fora de uma realidade que se impõe a olhos vistos e que a cada dia vai se tornar mais evidente. 

Quando o pensamento crítico científico social se coadunar com a realidade, exigindo novas posturas sociais por absoluta falta de alternativas dentro do invólucro capitalista, inverter-se-ão as posições do pensar atual, ou seja, os que eram considerados sábios cientistas políticos ou políticos institucionais tornar-se-ão ridículos analistas de uma mídia manipuladora e executores de ações de partidos políticos falaciosos e insensatos. (por Dalton Rosado)
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