Ah, tirania, essa megera que acompanha o itinerário da humanidade!
Por que somos os únicos animais que matam a sua própria espécie de um modo coletivo e genocida?
Quisera eu compreender o componente irracional da nossa racionalidade; compreender a estupidez dos seres humanos de irem a uma guerra matar outros seres humanos que sequer conhecem e sem saber exatamente por que o fazem.
Num exercício de análise simplória, poderia dizer que é a sede de poder, mas fico a imaginar outros componentes que interfiram nos atos de tirania, tão comuns até mesmo dentro das casas tidas como sacrossantos lares, quando ocorre, p. ex., um abuso sexual incestuoso.
Além da conhecida busca fratricida do poder político e econômico, seria o preconceito elemento componente de um outro tipo da tirania?
O que move um presidente da república a afirmar que o governador do Rio Grande do Sul está incitando a homossexualidade, condenando-o preconceituosamente ao fogo dos infernos pelo simples fato de o gaúcho ter assumido de público a sua orientação sexual?
Seria o preconceito arraigado na sua mente simplória de um pretenso macho alfa?
Mas, o que tal condição humana e pessoal tem a ver com os atos de um governante? Por que ele precisa afirmar a sua homossexualidade?
Tal declaração seria apenas forma de contraposição ao preconceito, num ato de quem sente na alma a rejeição tão comum às pessoas comuns, e tão comuns a todos os preconceitos de que são vítimas os seres humanos?
Por que ninguém precisa afirmar a sua condição de heterossexual? Seria porque o padrão consagrado como normal e por todos aceitos é excludente de outros padrões, como resultante de códigos morais de comportamento preconceituosos?
Motivo para preconceito tinha o da esquerda, não o outro...
Li, recentemente, que a Berthe Gardes (mãe de Carlos Gardel), ao tornar-se mãe solteira na França, teve de sair de sua cidade (Toulouse) no início do século 20 e emigrar para a América do Sul, por puro preconceito, indo parar na Argentina. Quantas mães solteiras tiveram de fugir de sua comunidade como vítimas do preconceito ao longo da história?
Soube, também, que o tango argentino, cantado nos cabarés portenhos de prostituição portuária, era considerado brega demais para a empedernida elite de Buenos Aires. Mas isto durou apenas até a considerada erudita e civilizada França, que havia rejeitado a sua mãe, afirmar que aquele ritmo (cantado por um seu filho tido como bastardo até poucos anos antes) era absolutamente delicioso.
Por que a música considerada brega de ontem pode ser a música hoje representativa da alma cultural de um povo, como ocorre com o samba brasileiro?
E o preconceito burro contra a etnia africana escravizada no sul dos Estados Unidos, que era obrigada a cantar os seus blues nas igrejas, únicos locais nos quais tal manifestação cultural era permitida; mas, portando a força com que a verdade sempre se impõe, o blues se transformou na base musical de todos os ritmos mais representativos de cultura estadunidense.
Seria a prova de que a verdade sempre vence o preconceito, ou é o preconceito que sempre se apropria da verdade para continuar existindo, como no caso da aceitação de um branco pertencente ao famigerado white poor trash, mas branco, bonito e talentoso, foi assim transformado no rei do rock’n’roll – esse tipo de música também originalmente discriminado como ritmo dos negros e como corruptor dos comportamentos tidos como corretos? (por Dalton Rosado)
O resultado do 1º turno das eleições municipais no Brasil provocou um terremoto que mudou todas as cartas políticas.
Foi uma das eleições mais atípicas desde os tempos da ditadura, porque houve uma confluência de astros sobre elas que lhes deu valor agregado e das quais tanto os candidatos do presidente Bolsonaro como os do mítico líder Lula saíram surrados e derrotados.
Era a primeira vez que se realizava uma eleição em meio a uma pandemia como esta e, até por causa do desprezo com que o presidente Bolsonaro a tratou desde o primeiro momento, chamando de maricas e covardes aqueles que a temiam, havia o perigo de que as pessoas ficassem em casa, deixando de votar.
É verdade que houve uma abstenção maior do que na eleição municipal de 2016, cerca de 30% maior, mas foi emocionante ver como milhões de pessoas foram às ruas para votar portando máscaras e álcool em gel. Quem disse que o brasileiro não se interessa por política?
Além do fato da pandemia, estas eleições foram importantes por terem sido as primeiras depois das presidenciais de 2018, que deram ao capitão de extrema-direita Bolsonaro 75 milhões de votos, na esperança de que iria mudar a velha política e acabar com a corrupção partidária. Estas eleições foram um teste de até que ponto sua força eleitoral se mantinha.
Ao mesmo tempo, foram as primeiras realizadas com Lula fora da prisão e com total liberdade para fazer propaganda dos candidatos de seu partido, o PT, que há muito detinha a hegemonia da esquerda no país, sendo o partido com mais deputados no Congresso e que sempre teve força de atração na América Latina. Tratava-se de ver se o PT, após a prisão de Lula, começava a se recuperar de seus dias sombrios de corrupção de muitos de seus quadros, que sangrou a credibilidade do partido.
A tudo isto teria de somar-se o teste de um pequeno partido de esquerda, o Psol, que nasceu da expulsão do PT de um punhado de militantes que já começavam a se desiludir com o aburguesamento do partido.
Sempre foi um partido minoritário, mas que se destacou pela defesa dos excluídos e das classes mais esquecidas, como os trabalhadores sem-teto, as vítimas de perseguição por sua condição de gênero e por todas as questões do feminismo moderno, etc.
O Psol é um partido que conta com uma mártir, a jovem negra e lésbica saída da favela, Marielle Franco, que conseguiu ser vereadora do Rio, de onde travou uma batalha contra as milícias que começavam a enxertar-se nos gânglios do Estado. Foi assassinada, tornou-se um símbolo que atravessou fronteiras e ainda hoje não conseguiram ―ou não quiseram―descobrir os mandantes do crime.
Marielle era uma das esperanças do Psol e um fermento do futuro. Como já havia escrito, a jovem negra está se revelando mais perigosa morta do que viva. Do túmulo, continua tirando o sono de muitos políticos e da própria família de Bolsonaro, amiga dos milicianos quem a assassinaram.
Nestas eleições, pela primeira vez mulheres trans foram eleitas para várias Câmaras municipais, e até mesmo ficaram entre os candidatos mais votados, como Erika Hilton, a vereadora mulher com mais votos na grande São Paulo, ou Duda Salabert em Belo Horizonte.
Em São Paulo, Erika fez um discurso forte e comovente, lembrando que no Brasil, país em que mais pessoas trans são mortas por homofobia e uma mulher é assassinada a cada duas horas, as trans estão entrando na política com força para defender sua causa. Disse com firmeza:
"Isto começa aqui, mas não acabará!".
Chamei de terremoto estas atípicas eleições municipais de São Paulo porque revelaram, entre muitas outras coisas, que todos os candidatos apoiados por Bolsonaro ou Lula sofreram um desastre, o que já pode ser um prenúncio das eleições presidenciais de 2022.
Mito do extremismo golpista da ultradireita, Bolsonaro começa a desmoronar como um castelo de cartas. Os candidatos mais apoiados por ele acabaram derrotados.
Se alguém tem dúvidas, basta lembrar o que disse, indignado, sobre o resultado das eleições, o famoso guru e ideólogo radicado nos Estados Unidos, Olavo de Carvalho, que desde o início tem sido o mestre do bolsonarismo, conselheiro do presidente e de seus filhos. Ao saber do resultado, ele escreveu, de acordo com o site O Antagonista:
"O péssimo desempenho dos bolsonaristas na eleição não tem mistério nenhum... O presidente confiou demais no sucesso inevitável da sua liderança pessoal, sem perceber que ela não passava, precisamente, disso: uma liderança pessoal sem respaldo militante e incapaz, por isso, de transmitir seu prestígio a qualquer aliado".
E se as eleições revelaram que o castelo Bolsonarista começa a rachar e já dá sinais de cansaço e esgotamento, também revelaram a derrota de Lula e do PT, que não foram capazes de conquistar nenhuma cidade importante, nem mesmo na região do Nordeste pobre, de onde ele vem e que sempre lhe garantiu milhões de votos.
A quase saída da cena do bolsonarismo e do lulismo da política brasileira e o voto maciço que os brasileiros deram à velha política, aos fortes partidos de centro e de centro-direita, começam a revelar que não acreditam mais no mito de que Bolsonaro chegou para acabar com a política tradicional, ao buscar apoio novamente nos partidos clássicos, da vida toda, que estão ressurgindo com força. A tal ponto que já se fala em uma união deles para conseguir derrotar Bolsonaro nas eleições presidenciais.
A esquerda do PT não só perdeu nestas eleições, mas saiu acabada. Em São Paulo, a cidade mais rica e a maior da América Latina, onde sempre teve um de seus feudos mais fortes, seu candidato ficou bem atrás na fila, enquanto emergia em segundo lugar, competindo com o atual prefeito da cidade, o jovem presidente do Psol, Guilherme Boulos, 38. Este conseguiu, como um pequeno Davi contra o gigante Golias, chegar aonde nem sonhava, com a possibilidade de vencer no 2º turno, o que significaria uma revolução para a política brasileira.
Lula não quis apoiar a candidatura de Boulos e seu candidato acabou humilhado. Só agora terão de apoiar o jovem líder do Psol, que se inspirou nos novos partidos de esquerda que surgiram nos últimos anos na Europa, incluindo o Podemos, da Espanha.
Os resultados destas eleições com suas surpresas inesperadas indicam:
— que a política brasileira continua viva;
— que sua democracia está resistindo aos ataques de uma extrema-direita selvagem, autoritária e golpista; e
— que busca nas gerações jovens, que são as que votaram no domingo, novos políticos.
Políticos abertos aos desafios que a humanidade apresenta e com vontade de revitalizar uma política que saia dos palácios para tocar com as mãos os graves problemas da fome, do racismo e do massacre de negros e mulheres, para os quais a velha política aburguesada fechava os olhos, pensando apenas em seus benefícios e nos de suas famílias.
É apenas o início, mas não é pouco. (por Juan Arias, na edição brasileira do jornal global El Pais)
Aliás, ele também é considerado como rainha do rock, graças à sua androgenial performance.
Ao Elvis Presley, com sua capacidade interpretativa, mise en scene em palco e excelência instrumental, devemos fazer reverências, mas não se pode retirar de Little Richard esse título. Tanto que o próprio Elvis o apontava como the best. Tinha razão.
Richard Wayne Penniman nasceu em 5 de dezembro de 1932, em Macon, Georgia, no seio de uma família evangélica. Frequentando a igreja, foi nela que aprendeu a tocar saxofone e piano.
A sua condição de gay não era bem aceita pelo conservadorismo religioso familiar, o que lhe acarretou rejeição, empurrando-o para a convivência com o mundo da música considerada profana, notadamente o ritmo eletrificado de matriz africana conhecido como rhythm'n blues.
Transitou do blues gospel (religioso) de sua pre-adolescência para o boogie-woogie, funk e jump blues, até se projetar com o ritmo alucinante do rock’n roll: "Tutti Frutti", composição de sua autoria que gravou em 1955, fez estrondoso sucesso e o colocou no rol das estrelas de primeira grandeza.
A bela música cantada com entusiasmo e gestual pela etnia negra nos cultos religiosos estava então confinada aos espaços das igrejas, permitidos e delimitados pela segregação racial na Georgia; tratava-se da forma de expressão cultural possível, face aos obstáculos erguidos pelo preconceito.
Little Richard, discriminado por sua condição homossexual e temperamento comportamental espetacular, evidentemente não se coadunava com as amarras impostas pelos brancos e pela visão conformista religiosa cristã de parte da comunidade mais antiga de sua etnia. A sua geração clamava por liberdade.
Libertado parcialmente das amarras religiosas, à qual sempre voltava vinculado pela memória de sua educação juvenil, pôde dar vasão à sua excentricidade comportamental e talento para a música que já vinha demonstrando seja como instrumentista ou cantor nos cultos religiosos.
Viveu por toda a vida a contradição que se auto-impunha como resultado dos limites impostos pela sua formação religiosa cristã e a sua natureza musical e comportamental rebelde. Não raro procurou nas drogas a ilusória, efêmera e escravizante felicidade.
Desde muito cedo se colocou como promessa de grande interprete. Aos 13 anos de idade foi convidado pela já famosa Sister Rosetta Tharpe, talentosa cantora gospel e de rhythm'n blues, a cantar no palco em Maicon. Mais tarde ele afirmou que Rosetta lhe servira como inspiração para o que seria uma gloriosa carreira artística.
Suas principais influências originais foram Mahalia Jackson, Brother Joe May e Marion William, de quem aprendeu o sofejo whooooo, tão frequente nas suas composições e interpretações.
O jeitão colorido e extravagante do seu figurino (de início bem comportado, já que nas salas dos elegantes clubes frequentados unicamente por brancos, eram-lhe era exigidos terno e gravata) foi inspirado no cantor Billy Wright, conhecido como o príncipe do blues.
Como cantor adulto conseguiu seu primeiro contrato de gravação em 1951, aos 19 anos, mas sem fazer muito sucesso. Em 1952, quando gravava para o selo RCA Camden, foi informado de que seu pai havia sido assassinado com um tiro, o que o abalou profundamente, apesar das suas desavenças de natureza moral e religiosa com o pai.
Traumatizado, além de desiludido com a pouca repercussão de suas gravações, ele chegou a sustentar-se com o trabalho de lavador de pratos.
Somente em 1955, aos 23 anos, é que a sorte começou a sorrir para Little Richard. Tudo começou a ficar diferente quando ele impôs o seu jeito de tocar e cantar, juntamente com seus músicos.
Little Richard passou a tocar o piano como se, no ritmo woogie boogie, espancasse toda a segregação que havia sofrido na sua vida inteira; este foi o mote para a gravação de "Tutti Frutti", que originalmente tinha forte apelo homossexual, daí as modificações que seus versos sofreram para se tornarem mais palatáveis para o público branco, que gostava do ritmo mas era conservador quanto aos conceitos ali expressos.
Little Richard com os Beatles em 1962
Na esteira do sucesso inicial vieram muitos outros hits inesquecíveis, como "Long Tall Sally", "Rip It Up", "Lucille" e "Good Golly Miss Molly".
Little Richard, o menino pobre da Georgia, influenciou gerações de roqueiros brancos que se encantaram com as suas músicas. A lista, que se iniciou com Elvis Presley, incluiria os Beatles (que chegaram a abrir os seus shows numa turnê à Inglaterra no início dos '60), Rolling Stones e Elton Jones.
O legado deixado pela música de matriz africana no seu país de origem, que tanto maltratou e maltrata (a exemplo do que ocorre também por aqui, de modo menos explicito, mas não menos cruel) os estadunidenses de sua etnia, tem em B. B. King, Chuck Berry, James Brown, Jimi Hendrix, Little Richard, Louis Amstrong, Muddy Waters, Nat King Cole e Ray Charles representantes da melhor qualidade.
O mundo, hoje, reverencia a musicalidade nascida nos campos de algodão do sul dos EUA, quando os escravos trazidos da África cantavam as suas mágoas e suas dores com o lamento blues sussurrado (justamente porque não lhes era permitida uma exteriorização mais vibrante de suas alegrias e extroversões naturais).
Little Richard é a síntese musical dessa dor, expressa com a beleza e doçura de sua agressão rítmica ao piano.
Obrigado por sua denúncia de uma moral capenga e estética vetusta, e por nos ter dado a conhecer sua música magistral. E nos desculpe a todos pela passividade diante de tanta agressão racial à sua etnia; e homofóbica a você, particularmente. (por Dalton Rosado).
Quincy Jones, o músico e produtor estadunidense festejado pelos mais proeminentes astros da música pop (ele foi produtor de ninguém menos do que Ray Charles, Frank Sinatra e Michael Jackson, entre outros), do alto do seu prestígio, convidou os mais destacados intérpretes para juntos cantarem trechos da música We are the world, com cunho beneficente.
Todos aceitaram a tarefa humanitária, mas Quincy, conhecendo as vaidades humanas e em especial dos semideusas da música pop, colocou na porta a frase ao entrar, deixe o seu ego na porta. Como todos estivessem em pé de igualdade como superstars, entravam, desciam do Olimpo e se reumanizavam.
Assim, tudo terminou como um grande sucesso (vide vídeo abaixo). Houve um momento da minha vida, entre as décadas de 1970 e 1980, em que era relativamente conhecido em Fortaleza, por força da minha constante presença na mídia.
Reunião da prefeita Maria Luíza com seu secretariado
Isto se deveu inicialmente à minha atuação na defesa dos direitos humanos (fui advogado fundador do Centro de Defesa e Promoção dos Direitos humanos da Arquidiocese de Fortaleza, sob o arcebispado de D. Aluísio Lorcheider); depois, por ter sido secretário de Finanças e, em seguida, candidato apoiado por Maria Luíza Fontenele para sucedê-la à frente da prefeitura de Fortaleza.
Ainda não tinha a compreensão da inocuidade do exercício de tais funções governamentais, que me viria quando aprofundei-me na crítica da economia política, mas posso afirmar que a relativa fama que experimentei não foi boa.
Quando saía para qualquer evento público ou mesmo para um simples jantar, era sempre reconhecido (mesmo numa cidade que hoje conta com mais de 3 milhões de habitantes na grande Fortaleza) e eram dois os tipos de abordagens:
a) agressões daqueles que por qualquer motivo não gostavam do que eu fazia ou deixava de fazer;
b) a bajulação daqueles que me admiravam exageradamente ou queriam fazer o papel de papagaio de pirata e parecer amigo.
Elvis Presley, decadente e obeso, 3 meses antes da morte
Ambos os procedimentos, claro, me desagradavam. Assim, quando podia, o que mais gostava era de ficar em casa lendo, escrevendo, ou assistindo a um bom filme, como qualquer mortal. O tempo passou, fui mudando os meus conceitos, distanciando-me dos holofotes da mídia e, passadas exatas três décadas (a minha candidatura, que acabou causando a expulsão do PT, era contra o Ciro Gomes em 1988), sou quase desconhecido. Que delícia!
Fico a imaginar o preço que muitos astros e celebridades internacionais pagam pela fama, que já destruiu vidas e mais vidas.
Elvis Presley, o rei do rock’n’roll, morreu aos 42 anos abandonado por sua belíssima mulher Priscila Presley, quando tantas outras suspiravam ao vê-lo nos palcos. Um abandono que mexeu com seu ego de símbolo sexual (acreditando no próprio mito, ele supunha ser alguém muito especial nesse campo...).
Elvis experimentou uma vida reclusa em hotéis e em Graceland (a sua mansão), cercado por bajuladores (a chamada máfia de Memphis), entediado por ver tudo que tocava virar ouro.
"Menino rebelde e encrenqueiro"? Disfarçava bem...
Tal qual o rei Midas da fábula, acabou sendo destruído pela fama e pelo dinheiro abundante, que não compensam estar-se privado do mais simples, natural e prazeroso deleite da vida humana: o convívio anônimo com bons amigos e a possibilidade e de fazer aquilo de que mais se gosta sem ser foco permanente de atenção. Os primeiros momentos da fama são deslumbrantes para quem buscou-a com afinco, talento e desejo de ser reconhecido, ainda mais quando se trata de alguém antes tratado como pária social (caso de John Lennon, o menino rebelde e encrenqueiro criado pela tia e cuja relação com a mãe que amava era das mais tempestuosas).
Mas, tão logo esse desejo de reconhecimento é alcançado (os artistas buscam abnegadamente a fama, ignorando as suas armadilhas),aparece o outro lado da moeda. Logo vêm:
a) a reclusão em hotéis e residências, cercados por pessoas geralmente fúteis e interesseiras que apenas querem ser vistas ao lado do grande astro (quase sempre levando para descaminhos não recomendáveis);
"A fama excessiva é destrutiva"
b) a busca pelo prazer sofisticado e falsamente superdimensionado, que muitas vezes deriva para o uso de drogas ou para práticas de consumo espetaculares, inacessíveis aos simples e pobres mortais, que terminam por demonstrar o vazio de tais experiências.
A verdade é que a felicidade, sempre buscada mas geralmente fugaz, está nas coisas mais simples que um ser humano possa fazer e sentir, tal como um beijo espontâneo e agradecido de um filho(a) que sente em você um pilar de apoio e carinho, ou um gesto de amizade sincero numa hora difícil.
O ego exacerbado e a fama excessiva são destrutivas, principalmente para quem acredita no próprio mito. (por Dalton Rosado)
A Terra é plana. Hitler era de esquerda. Bolsonaro é um democrata liberal. FHC, um fascista. O 11 de setembro e a Lava-Jato são obras da CIA. A Globo é comunista. O comunismo é global.
Paul McCartney está morto. Elvis Presley está vivo. John Lennon também está morto, mas tudo bem porque ele queria destruir a família. Bandido bom é bandido morto.
Afinal de contas, toda relação sexual é um estupro, e cabe exclusivamente a quem se sente ofendido dizer o que é ofensivo.
O pouso na Lua foi encenado num estúdio de Hollywood com retroprojetores. Nada do que vem dos Estados Unidos merece confiança, com exceção de Trump.
O aquecimento global é uma farsa. O ET de Varginha fez plástica e vive entre nós como influenciador digital. Ronaldo Fenômeno foi envenenado pelo serviço secreto francês antes da final da Copa de 1998. A CBF vendeu o 7 a 1 por 7,1 bilhões de dólares depositados em contas secretas na Suíça. Uma mala de dinheiro não prova corrupção.
Pelé seria um jogador comum no futebol de hoje. Neymar é enganador. Romero Britto, um grande artista. Alexandre Frota, referência cívica.
O português é o idioma mais difícil do mundo, tão difícil que só três caras no Maranhão conseguem falá-lo sem cometer nenhum erro. Ou seja: relaxe, escreva gato com jota à vontade.
Cuspido e escarrado é uma expressão que vem de esculpido em Carrara. A palavra coitado traz o coito dentro de si. O forró nasceu de for all.
O Holocausto é uma mentira cabeluda urdida pelo complô judaico-financeiro-comunista internacional. Lidas de trás para a frente, as últimas frases de Ágape, do padre Marcelo Rossi, profetizam o apocalipse zumbi.
D. Pedro 1º tomava Viagra. A marquesa de Santos era uma transexual agente da KGB e a imperatriz Leopoldina, feminazi. O papel de José Bonifácio no rolo não está claro, mas boa coisa não devia ser.
A mão invisível do mercado vai solucionar todos os problemas da humanidade. Ou isso ou o Estado máximo, Leviatã de 10 mil tentáculos –o meio termo é que não faz sentido. Resta o consolo de que a felicidade está ao alcance de qualquer um, bastando desejar algo com devoção para o universo conspirar a seu favor.
O racismo não existe no Brasil. O Brasil é o país mais racista do mundo. O Brasil é o país do futuro.
Vacinas, iodo no sal, videogame, mertiolate indolor, controle remoto, aplicativos de tradução automática e tênis com amortecimento são armadilhas do establishment midiático-comuno-capitalista para criar multidões de escravos conformados.
Tudo o que você pensar em comprar num raio de cinco quilômetros de seu smartphone lhe será oferecido dentro de meio segundo num bombardeio de anúncios digitais.
Versos sem rima, romances sem enredo, surrealismo, música atonal, jazz, rock, quadrinhos, Tinder, Marion Cotillard, pizza de borda recheada e homossexualidade são peças de uma sinistra orquestração para destruir a família cristã, não vê quem não quer!
A internet, esse milagre democrático, deu voz a milhões de seres pensantes que até então eram impedidos de contribuir com seu descortino para a grande aventura humana do conhecimento e da convivência universal, metas mais elevadas da civilização.
Agora vai!
O autor, Sérgio Rodrigues, é jornalista e escritor.
"Quando eu fui para a escola, me perguntaram o que eu queria ser
quando crescesse. Eu escrevi 'feliz'. Eles me disseram que
eu não entendi a pergunta, e eu lhes disse que não
entendiam a vida.”(John Lennon)
O surgimento da beatlemania em 1963 parecia apenas a reprodução atualizada do fenômeno Elvis Presley nos anos 50; uma sucessão musical-midiática inglesa daquilo que ocorrera nos Estados Unidos alguns poucos anos antes com o rock’n’roll.
Mas, a beatlemania ocorria num mundo que superara os traumas e cicatrizes da 2ª guerra mundial e queria quebrar (ainda que sem o saber) as estruturas conservadoras comportamentais que ainda persistiam. Nos grandes centros urbanos, antes dos anos 60, a caretice imperava rigidamente.
Os Beatles, com aqueles cabelos penteados pra frente e volumosos, sem brilhantina (o gel de hoje) e com seu rock’n’roll mediado pelo skiffle inglês de pouco antes, tinha uma batida diferente, embora ele também fosse, como o próprio rock’nroll, um filho miscigenado do blues (os Rolling Stones, seus rivais britânicos imediatos, eram mais bluseiros).
Aos poucos a mensagem love story ingênua dos jovens filhos de proletários dos subúrbios da cidade portuária de Liverpool, acompanhada de ritmos dançantes, irá contagiar o mundo, dizendo para a juventude: “Vocês podem ir mais adiante!”.
Ir mais adiante significava quebrar tabus comportamentais como os relativos ao vestuário, ao enquadramento religioso-profissional-cultural dos seus pais e aos valores sociais estabelecidos; significava buscar alternativa à insatisfação com a vida insípida de uma sociedade capitalista tradicional, que negava todos esses anseios de liberdade.
Na segunda metade dos anos 60 houve uma virada. As próprias músicas dos Bleatles se tornaram mais sofisticadas, e o seu comportamento bem humorado cedeu lugar a posturas mais introspectivas, psicodélicas, repercutindo críticas sociais e o contacto com as drogas que passou a ser comum entre eles e a os jovens do mundo afora.
Seguiu-se a isto o grande movimento do flower power, que deixou seriamente preocupado o establishment, que cedo se apressou em restabelecer a ordem (conseguindo-o nos caretíssimos anos 70 dos yuppies).
O francês Guy Debord, no seu filme A sociedade do espetáculo, mostra os Beatles como parte da indústria cultural mercantilizada que nada mais seria do que a arte transformada em mercadoria no seu mais elevado grau de sofisticação midiática e destinada à alienação completa.
No Brasil a bealemania passou a ser conhecida como Jovem Guarda, com a mesma força entre a maioria dos jovens. Entretanto, atraiu a crítica dos intelectuais e militantes engajados no luta contra a ditadura militar que se instalara.
Um amigo meu, jovem jornalista de esquerda ligado ao Partidão, viveu na França de 1963 a 65. Ao voltar, desceu no aeroporto de Fortaleza uma coleção de discos dos garotos de Liverpool na bagagem; sem saber que a música dos Beatles inserira-se instantaneamente no mercado fonográfico mundial globalizado, estava receoso de que no Brasil não existissem discos do Beatles,.
Recebido por amigos de esquerda, teve logo de escutar: “Quer dizer que você gosta do The baitolas [gays]?".
Ambos os aspectos podem ser admitidos como concomitantemente presentes: tanto o detonar inconsciente de uma mudança de postura representativa de um sentimento de rebeldia que estava latente, como também a cooptação pelo sistema deste movimento cultural, para servir a seus interesses mercantis (maximização dos lucros da indústria cultural) e de alienação do pensar revolucionário.
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PERFIL DOS QUATRO BESOUROS
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Disse George Martin, músico e produtor dos discos dos Beatles nos estúdios londrinos da Abbey Road, que “Paul McCartney era o azeite de oliva extra virgem em contraste com o suco de limão puro de John Lennon.”
Poderíamos acrescentar: Ringo Starr era o baterista bonachão que todos adoravam e George Harrison, o instrumentista perfeito, confiável, mais recatado, místico, e grande compositor.
A mistura de grandes instrumentistas, com cantores e compositores e seu maestro e produtor resultou numa grande qualidade e de reconhecida importância cultural para o século XX.
Os quatro certamente formaram um dos grupos com vozes e musicalidades mais harmônicas, criativas e competentes da história do pop. Foram oito anos (de 1963 a 1970) dominando as paradas musicais em todo o mundo, com canções cultuadas até hoje, quando adolescentes que poderiam ser netos dos Beatles ainda os consideram atuais e maravilhosos.
Mas, a importância do fab-four não se limitou apenas à área musical, estendendo-se à contribuição para a quebra de muitos valores comportamentais preconceituosos (quebra parcial, pois muitos deles ainda estão vigentes).
O lamento blues que o mercado fonográfico americano não reconhecia e a rebeldia rock’n’roll encarnada nos anos 50 por James Dean e Elvis Presley (um branco bonito que tinha o suingue dos negros com quem conviveu), encontrou nos Beatles um jeito britânico de ser, sem preconceitos, mais alegre e menos violento, que encantou o mundo.
Na fase final, a música dos Beatles veio ao encontro dos movimentos sociais de combate à guerra do Vietnã; da luta de Martin Luther King, contra a segregação racial e em defesa dos direitos civis; e, principalmente, do movimento hippie de paz e amor, cujo marco histórico foi Woodstock, concerto contra a sociedade de consumo, o poder e o dinheiro, temas que hoje têm tanta atualidade.
Cada um gosta dos Beatles ao seu modo. Em termos musicais eles eles excepcionalmente competentes.
Minha admiração especial por John se deve ao fato dele ter usado os seus recursos financeiros e prestígio internacional para afrontar a beligerância do establishment dos EUA, que contava com J. Edgar Hoover (diretor do FBI) e o presidente Nixon como proeminências; eles, inclusive, o pretenderam deportar.
Ademais, John denunciou a política armamentista britânica, devolveu sua medalha real de Membro do Império Britânico e levantou a juventude americana e mundial. E a canção Imagine é hoje considerada um hino do inconformismo face à estreiteza nacionalista, a recessão econômica, a cegueira ecológica e a dissociação de gênero em curso.
Entretanto, a admiração por John não faz diminuir meu apreço pela musicalidade George Harrison e de Paul MacCartney (que, do alto dos seus quase 75 anos, continua em plena atividade).
Aliás, a boa molecagem Beatles dos anos iniciais e a hospitalidade provinciana liverpooliana se parecem de alguma forma com o (antigo) jeito brasileiro de ser, antes dessa violência urbana extremada que transformou o Brasil num lugar muito perigoso para se viver.
Bill Haley, Elvis Presley, Jerry Lee Lewis, Bob Dylan, Beatles e Rolling Stones, no pop; Tom Jobim, Vinícius de Morais, João Gilberto, Chico Buarque e Caetano Veloso, na família do samba; de reconhecidos talentos e mundialmente famosos, todos são continuadores da música visceral dos escravos negros.
Além de suas contribuições decisivas para a construção das Américas, regada a sangue, suor e lágrimas, os africanos aqui chegados deram outra contribuição tão significativa quanto esta primeira: o legado cultural, traduzido na culinária, no admirável desempenho esportivo, nas danças e nas artes em geral, com destaque para a criação de ritmos musicais que encantam o mundo.
Vindos sob grilhões como mercadorias e animais de carga, e tratados a chicotadas pelos civilizados senhores europeus, os negros africanos traziam em suas almas torturadas e dominadas uma riqueza imaterial de incomensurável valor mercantil: a capacidade de traduzir em melodias tristes ou alegres a crença na vida, confrontando com a força interior de suas resistências o contexto escravocrata feudal que se introduzia nas Américas (e que iria pouco tempo depois desembocar no escravismo capitalista, no qual todos são livres para se submeterem ao tacão do capital).
"traduzir em melodias tristes ou alegres a crença na vida"
Neste momento de homenagem a Bob Dylan, cuja música se fundamenta na fusão do country & western irlandês-estadunidense com a batida do blues africano em versão eletrificada (o chamado rhythm and blues da escola de Chicago), há que se perguntar por que o rei do rock foi Elvis Presley e Jerry Lee Lewis o vice-rei, ao invés de Chuck Berry ou Little Richard? É que o establishment americano somente podia aceitar o rock’n’roll que havia tomado conta da juventude se interpretado por artistas brancos.
Elvis, com sua maravilhosa voz, beleza física e trejeitos insinuantes, bebeu na fonte africana com a qual conviveu na infância e juventude de menino pertencente ao poor white trash, como os estadunidenses preconceituosos se referiam aos brancos pobres.
Era um branco que cantava como os negros (com quem aprendeu o jeito de dançar e cantar), e somente assim o rock’n’roll (derivado do blues sulista dos escravos negros nos EUA, com andamento musical apressado) pôde ser aceito pela grande maioria da sociedade estadunidense, explicitamente dividida em ambientes exclusivos para negros e para brancos.
Woodstock: Jimi Hendrix implodiu o hino nacional dos EUA!
O grande Chuck Berry (considerado pela revista Rolling Stone com o 5º melhor artista e o 7º melhor guitarrista dos EUA, compositor de melodias e solos inigualáveis como os de Johnny B. Goode, Maybellene, Roll Over Beethoven, Sweet Little Sixteen, Route’66, Memphis Tennessee e tantas outras preciosidades, dançarino virtuoso e cantor excepcional, teve de amargar alguns anos de prisão quando estava no auge do sucesso, como consequência de uma acusação inconvincente de corrupção de menores. A tendenciosa perseguição policial aos negros nos EUA ainda hoje é uma mazela abominável.
Ray Charles, o menino negro, pobre e cego do sul dos Estados Unidos, que compunha letras e melodias imortais, tocava piano e instrumentos de sopro, cantava com sentimento e voz inconfundíveis, tendo efetivamente sido um dos mais completos artistas que o mundo contemporâneo conheceu, nem por tudo isso é rei de seja lá o que for.
Os mais famosos ritmos americanos derivam do blues, raiz de uma gama variada de estilos que foram tecidos originalmente nos barracões mal acabados em que moravam os escravos negros africanos.
Resposta a quem o acusava derebolar como um negro
O rock’n’roll, o reggae, o funk, as baladas fundidas com o country folk, etc., são descendentes diretos do blues, a música negra lamentosa que embutia protesto em seus acordes dolentes, e que apareceu originalmente para o grande público sob a forma do gospel religioso (porque só assim era aceito publicamente) para somente depois, e lentamente, assumir o seu posto profano em comunidades, festas e emissoras de rádio exclusivas para negros.
A bela canção Like a Rolling Stone, um dos maiores sucessos de Bob Dylan, bem como a denominação da banda inglesa do Mick Jagger, devem ao negro Muddy Waters, um dos maiores compositores e instrumentistas de blues dos Estados Unidos, a expressão famosa, título de seu sucesso Rollin Stone ("He's gonna be, he's gonna be a rollin stone/ Sure 'nough, he's a rollin stone/ Sure 'nough, he's a rollin stone"). A inspiração de Waters, por sua vez, foi um velho provérbio latino, pedras que rolam não criam limo.
Foi necessário que os jovens ingleses dissessem sim à música negra americana para que os americanos a adotassem como sua. B. B. King e sua guitarra fazia o blues afirmar a qualidade instrumental dos negros americanos; e Nat King Cole, uma das mais belas vozes humanas, teve de certa vez usar maquiagem branca para diminuir a aparência de sua negritude, além de ser boicotado, ficando sem patrocínio comercial no seu programa de televisão, apesar do sucesso.
O mestre Muddy Waters e seus discípulos britânicos
Sobre a influência da música negra nos Estados Unidos se pode escrever um tratado, mas a nossa intenção aqui é somente fazer o registro da importância cultural afro-americana nem sempre reconhecida, e que é um dos mais importantes legados culturais aos EUA, sendo, contudo, muitas vezes confundida como uma criação branca (o primeiro grande sucesso de Elvis Presley, que catapultou a sua trajetória de inegável talento em 1955, foi That’s all right Mama, um blues então já antigo do negro Arthur big boy Crudup, cujo andamento musical foi apressado.
A outra vertente musical africana das Américas reconhecida mundialmente é o samba. No Brasil, país cujo contingente de negros (em termos absolutos) é um dos maiores do mundo, o legado africano em todas as áreas da vida social é marcante, sendo inegável que o samba se constitui hoje numa das maiores expressões da identidade nacional brasileira mundo afora.
O batuque musical dos tambores rústicos das senzalas brasileiras tomou forma gradual até ganhar a sonoridade bem acabada de um Pixinguinha, Donga, Sinhô, João da Baiana, Ismael Silva, Heitor dos Prazeres, Josué de Barros e tantos outros negros que no início do século XX conseguiram estabelecer no gosto popular um jeito de cantar e dançar únicos, genuinamente brasileiros, superando preconceitos de uma elite empedernida em seus salões de gala nos quais só se ouviam e dançavam minuetos, polcas, valsas e ritmos europeus (quanto muito aceitava o chorinho, que tem um pé na senzala, mas que tocado ao piano por um Ernesto Nazareth era confundido com ritmos europeus), e que fazia questão de afirmar o seu desprezo por aquela música por eles considerada de qualidade inferior.
Embora correndo o risco de ser traído pela memória e omitir nomes importantes, não é demais dizer muito obrigado a todos os músicos negros brasileiros, homens e mulheres, que nos deram um patrimônio cultural imaterial incomensurável.
"um patrimônio cultural imaterial incomensurável"
E o faço nas pessoas de alguns dos seus mais destacados expoentes, como os senhores Assis Valente, Wilson Batista, Cartola, Orlando Silva, Nelson Sargento, Carlos Cachaça, Nelson Cavaquinho, Candeia, Zé Keti, Mansueto, Paulo da Portela, Bide (Alcebíades Barcelos), Brancura (Sílvio Fernandes), Marçal, Monarco, Elton Medeiros, Roberto Silva, Riachão, Jorge Ben Jor, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Dorival Caymmi, Grande Otelo, Ataulfo Alves, João do Vale, Martinho da Vila, Jackson do Pandeiro, Blecaute, Ciro Monteiro, Jamelão, Agepê, Bezerra da Silva, João Nogueira, Baden Powell, Bola Sete, maestro Erlon Chaves, maestro Cipó, Johnny Alf, Jair Rodrigues, Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga, Tim Maia, Ed Motta, Zezé Mota, Luiz Airão, Roberto Ribeiro, Preto Jóia, Mussum, Emílio Santiago, Luiz Melodia, Djavan, Carlinhos Brown, Dudu Nobre, Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz, Sombrinha, Mestre André, Paulinho Mocidade, Neguinho da Beija-Flor, Dicró, Jorge Aragão, Arlindo Cruz, Xande de Pilares, Péricles, Alexandre, Thiaguinho, Diogo Nogueira, Sérgio Loroza e Mumuzinho.
E mulheres maravilhosas como Clementina de Jesus, Dona Ivone Lara, Elizeth Cardoso, Dolores Duran, Jovelina Pérola Negra, Eliana Pittman, Marya Rosa Colin, Alcione, Carmen Costa, Elza Soares, Sandra de Sá, Negra Li, Margareth Menezes, Mart’nália, Leci Brandão, Preta Gil, Vanessa da Mata, Mariene de Castro e tantas outras (faltaria espaço neste artigo para todos eles e elas).
Se o blues e seus derivados representam a identidade cultural dos EUA, o samba é a identidade musical brasileira perante o mundo, e todos nós devemos isso aos negros, a quem concedo o meu particular e anônimo Prêmio Nobel da Música. SARAVÁ!
Por Dalton Rosado
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Bob Dylan no 1º álbum: influência marcante da música negra.