quinta-feira, 28 de maio de 2026

HOMENAGEANDO O FLÁVIO BOLSONARO E TODOS OS BONS VASSALOS DO BRASIL

CORINGA
Ser bom vassalo o que é?
Me responda quem souber.

CORO
Ser bom vassalo é esquecer
aquilo que a gente quer,
aquilo pelo que um dia lutamos,
aquilo em nome do qual  
companheiros estimados 
morreram e sofreram.

CORINGA
Só quer ser um bom vassalo,
quem vive seu bom viver,
quem explora e não é explorado,
quem tem tudo pra perder!
(trecho da peça Arena conta Tiradentes    

FLÁVIO BOLSONARO PRESTA VASSALAGEM A DONALD TRUMP: ATÉ QUANDO ESSE CLÃ REPULSIVO ENVERGONHARÁ O BRASIL?

O MORDOMO DA CASA BRANCA

O senador Flávio Bolsonaro empenhou-se em conseguir uma foto ao lado do presidente dos EUA, Donald Trump, com o objetivo de provar, aos que duvidam de sua candidatura no campo da direita, que é forte o bastante para ter acesso à Casa Branca (espécie de Meca dos reacionários de todo o mundo), mesmo sendo apenas um parlamentar brasileiro medíocre. 

Nesse sentido, pouco importa se o encontro durou um minuto ou uma hora, conforme diferentes versões. O que interessa, para o clã Bolsonaro, é que aconteceu e foi registrado numa imagem que pode dar sobrevida a uma candidatura questionada mesmo por alguns dos mais fiéis adeptos do bolsonarismo, graças aos enroscos de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro, protagonista de um dos maiores escândalos da história recente do País.

Dito isso, a imagem vale muito mais do que mil palavras. Fora os fanáticos seguidores de Jair Bolsonaro, ninguém consegue enxergar ali alguém que pretende ser chefe de Estado no Brasil. Pelo contrário: na pose de mordomo da Casa Branca, Flávio transpira subserviência a Trump. Tal comportamento é o exato oposto do que se espera de um presidente da República, que representa o Estado brasileiro nas relações internacionais e, por isso, deve ser sempre altivo.

Mas ali Flávio Bolsonaro não representava o Brasil e, caso seja eleito, continuará sem fazê-lo. O único propósito de Flávio é representar sua família, sobretudo seu pai, hoje em prisão domiciliar em razão de uma tentativa de golpe de Estado. 

Por isso se comportou como um orgulhoso sabujo de Trump: para deixar claro que, uma vez presidente, colocará o Brasil a serviço do trumpismo. 

Coisas assim deveriam horrorizar os bolsonaristas que se dizem patriotas.

Mas o bolsonarismo que Flávio herdou do pai e que tenta manter, de maneira um tanto atabalhoada, não hesita em sacrificar os interesses brasileiros se isso representar a manutenção do poder do clã Bolsonaro. 

Ao lado de Flávio no encontro com Trump estava o irmão Eduardo, certamente o responsável pela visita. Deputado que perdeu o mandato por faltas, Eduardo, autoexilado no Texas, há tempos trabalha para envenenar as relações entre Brasil e EUA com o objetivo de fustigar Trump a intervir aqui em favor de Jair Bolsonaro.

Como se recorda, a traição dos Bolsonaros ao País funcionou num primeiro momento, quando Trump impôs draconianas tarifas comerciais ao Brasil como forma de pressionar o País a rever a condenação de Jair Bolsonaro. Depois, no entanto, o instinto transacional de Trump falou mais alto e ele percebeu que faria melhor negócio se dialogasse com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva – a quem chamou de presidente dinâmico

Mas esse revés não parece ter desanimado a família Bolsonaro, que continua empenhada em envergonhar e prejudicar o Brasil usando suas relações com a extrema direita americana para ter acesso a Trump e usar essa suposta proximidade com o presidente americano como trunfo eleitoral.

Todo esse esforço, contudo, resultou apenas numa foto que rapidamente serviu de matéria-prima para todo tipo de piada nas redes sociais. Não poderia ser diferente, considerando-se que nada a respeito desse encontro deve ser levado a sério, pois só serviu para dar um respiro a Flávio em meio ao escândalo de sua relação com Daniel Vorcaro. 

Se a campanha de Flávio tivesse produzido a imagem com inteligência artificial, ou se o aflito senador tivesse posado com um Trump de papelão, teria obtido o mesmo resultado e ainda pouparia o dinheiro da viagem a Washington.

Mas Flávio adicionou pilhéria à bazófia.  Considerando-se que o senador mentiu seguidas vezes sobre suas relações com Daniel Vorcaro, é muito difícil acreditar em qualquer coisa que ele diga a respeito do encontro com Trump – ainda mais porque só temos a sua versão sobre a reunião. 

A julgar pelo que ele relatou aos jornalistas pouco depois do encontro, Flávio falou de tudo com o presidente americano, desde terras raras até crime organizado, passando por tarifas e a saúde do pai. E ainda deu dez minutos de lambuja para Trump comentar sobre as obras para o salão de baile na Casa Branca. Já a julgar pelo site da Casa Branca ou pelas redes sociais de Trump, que ignoraram o encontro, a coisa toda se resumiu mesmo à imagem embaraçosa de Flávio. (editorial d'O Estado de S. Paulo de 20/05/2026)

segunda-feira, 25 de maio de 2026

ALÉM DE FABRICAR QUEIJO E CHOCOLATE, A SUÍÇA AGORA PRODUZ NEONAZISTAS

rui martins
A SUÍÇA QUER FECHAR AS PORTAS
Dia 14 de junho, o povo decidirá por voto secreto se a Suíça deve limitar sua população a 10 milhões de habitantes. 

Tal votação foi provocada pelo partido da extrema direita, UDC, com o objetivo de impedir a entrada de novos imigrantes na Suíça. A sondagem mais recente mostra uma pequena vantagem dos conservadores favoráveis a um limite da população.

A Suíça é um raro país governado pela democracia direta. Isso significa a possibilidade dos suíços proporem modificações nas leis do país nas esferas municipais, cantonais ou estaduais e federais. Não é fácil, mas diversas leis vigentes tiveram sua origem por iniciativa popular, aprovada pela maioria dos votantes em todos os cantões.

Desde sua criação em 1891, já houve mais de 200 iniciativas federais propondo modificações na Constituição suíça, das quais 26 foram aprovadas e entraram em vigor.  

A mais recente foi a criação e aprovação pelo povo, em 2024, de um décimo terceiro pagamento anual para os aposentados. Nisto o Brasil antecipou a Suíça em 61 anos, pois o décimo-terceiro salário brasileiro foi criado em 1962, incluindo também a aposentadoria em 1963, no governo João Goulart.

Existe hoje na Suíça uma preocupação com as consequências negativas, caso a iniciativa popular prevaleça, com o
Não a uma Suíça de 10 milhões sendo aprovado pelo povo.

Experiências parecidas, vividas por outros países, reforçam as más previsões econômicas para uma Suíça de fronteiras fechadas. Mesmo porque a dita cuja seria obrigada a romper compromissos e tratados com a União Europeia garantindo a livre circulação de pessoas.

O primeiro-ministro inglês Keir Starmer, após sua derrota eleitoral no mês passado, reconhecia os prejuízos da política isolacionista do Brexit e falava numa reaproximação com a União Europeia, embora evitasse tocar num retorno com anulação do brexit pelas complicações políticas e econômicas decorrentes.

Na verdade, o brexit foi um tiro no pé, mas a União Europeia não acredita num breturn depois da vitória, nas eleições municipais, do partido Reform UK, de Nigel Farage, o arquiteto do brexit, juntamente com Boris Johnson e David Cameron. 

Um swissexit, provocado por um voto popular suíço isolacionista, não teria o mesmo efeito negativo do referendo brexit?

Outro exemplo de contenção do aumento da população foi o da
política do filho único na China, de 1979 a 2015, com o objetivo de garantir o desenvolvimento chinês. 
Uma iniciativa popular pode jogar no lixo esta bandeira...

Isto acabou criando um desequilíbrio de gênero na China, pois a maioria dos casais, obrigados a ter um só filho, preferia ter menino.

A população foi se tornando idosa sem ser gradativamente substituída por jovens, isso que gerou uma diminuição da força de trabalho.

Desde 2021 os casais podem ter três filhos, mas agora são eles mesmos que decidem ter um ou dois filhos provocando baixa taxa de natalidade e um desequilíbrio demográfico.

Para complicar ainda mais a situação, a China enfrenta uma explosão de casos de demência (síndrome designativa de funções cognitivas que incluem o Alzheimer) na sua enorme população de idosos. 

Sem esquecer da falta de cuidadores dentro da família chinesa para zelar pelos avós e pais envelhecidos. A política do filho único criou para os jovens a responsabilidade de assumir, durante a vida, os cuidados dos quatro avós e dos dois pais.
...substituindo-a por esta. As cores se parecem

O cronista Yves Petignat, do jornal suíço Le Temps, destaca o paradoxo de que o partido UDC, autor da iniciativa popular, tem sua força justamente na Suíça rural, longe dos centros urbanos, onde a população está envelhecendo, existe desequilíbrio demográfico e a maioria dos jovens prefere ir viver nos .centros urbanos. 
(por Rui Martins)  

sábado, 23 de maio de 2026

MUNICÍPIO DE SC ORGULHA-SE DE QUE TERÁ O METRO QUADRADO MAIS CARO DO BRASIL; É UM ACINTE AO MISERÊ DO POVO.

Leio no Estadão deste sábado (23) que o município catarinense de Itapema está investindo R$ 60 milhões  para alargar a orla de sua praia, tornando-se a cidade com metro quadrado mais caro do Brasil. 

Enquanto isto, 48,9 milhões de brasileiros, perfazendo 23% da nossa população, vivem abaixo da linha de pobreza. tendo de não morrer de fome com uma renda de aproximadamente R$ 700 mensais. Conseguirão adquirir um milímetro quadrado em Itapema? 

Já lá se vão 60 anos que Cesar Roldão Vieira compôs e Ary Toledo interpretou a canção Anúncio de Jornal (abaixo), mas o miserê continua o mesmo. No ranking global de nações do FMI estamos na 84ª colocação. 

Em 2024, só em São Paulo havia 1.840 mansões, cuja área seria suficiente para abrigar 107 mil famílias.

A situação gerada pelo capitalismo no Brasil é simplesmente pornográfica, se levarmos em conta o enorme potencial desperdiçado. (por Celso Lungaretti).  


quarta-feira, 20 de maio de 2026

DA RACHADINHA AOS 156 PEDIDOS DE IMPEACHMENT

Filme realizado com financiamento oriundo da corrupção,  Dark Horse será a confirmação de que a extrema-direita emburreceu  e mediocrizou-se mais ainda, caso o comparemos, p.ex., com o  Triunfo da Vontade, dirigido  por Leni Riefenstahl em 1935.

Por que? Porque Adolf Hitler, por pior governante e ser humano que fosse, era um personagem histórico, enquanto Jair Bolsonaro jamais passou de um personagem histérico que os ultradireitistas enfiaram goela do eleitorado adentro, ultrapassando todos os limites de propaganda enganosa, que era martelada dia e noite nas redes sociais.

Trinfo da Vontade é considerado um dos melhores filmes de propaganda politica já feito, enquanto  o abacaxi louvaminhasdo Bolsonaros de tem todo jeitão de que será uma insignificância, começando por tentar provar que a fakeada no celerado teria sido algo além da encenação mambembe que foi.

Uma curiosidade é ter Bolsonaro quebrado o recorde nacional de pedidos de impeachment: 156. E pensar que existem desmiolados dispostos a votar no seu filho 01. O Brasil não é mesmo um país sério!

De resto, os realizadores erraram  no título (deveria ser Ugly Horse), mas acertaram no dia de lançamento nos EUA:  31 de outubro. Hallowen tem tudo a ver com ele.

O lançamento no Brasil será em 11 de setembro. Desta vez ele não fugirá, como fez nos  Dias da Pátria de 2021 e 2022, quando agendou golpes de estado, mas, pusilânime que é, refugou. 


A tentativa de usurpação do poder só foi levada até o fim em janeiro de 2023 porque ele previamente fugiu e foi se esconder na Disneylândia.

.

Quanto ao Flávio Bolsonaro, como pode um candidato à presidência da República envolver-se pessoalmente com tal delito menor, uma ninharia no mundo da alta política? Uma vez ladrão de galinha, sempre ladrão de galinha! (por Celso Lungaretti)

terça-feira, 19 de maio de 2026

BRASIL DESCLASSIFICADO DE NOVO!!!

O choro do menino torcedor em 1982 não
se repetirá: ninguém espera nada do Brasil
Ô
ps, desculpe a nossa falha. Esta será a manchete cá do blog no dia em que a seleção brasileira estiver disputando e perdendo mais uma partida de quartas de final (se chegar até lá, o que hoje é duvidoso). 

Para manter o alto nível do blog, tenho de antemão preparado algumas aberturas  sobre acontecimentos cujo desfecho é pra lá de previsível. Como este.

Agora falando sério, não vejo a menor chance de o Brasil ir longe neste Mundial após a convocação deplorável do Carlo Ancelotti, que: 
-- inclui um ex-futebolista que, além de não estar vendo a cor da bola, invariavelmente se contunde ou se esconde quando mais se precisa dele;  
-- exclui os melhores artilheiros do Brasil, Pedro e João Pedro, sabe-se lá se por miopia ou má fé;  
-- deixa de lado o principal pegador de pênaltis do Brasil, Hugo Souza, que poderia substituir o goleiro nos instantes finais de uma partida empatada;
-- dá toda pinta de que seu técnico italiano apostará, como sempre, em defesa fechada e contra-ataques rápidos, sem levar em conta partidas como PSG 5x4 Bayern, quando a modernidade no futebol esteve à mostra.

Anceiotti inclusive parece não ter aprendido nada com a goleada Barcelona 5x2 Real Madrid, embora já se tenham passado 16 meses. 

Foi o maior fiasco de uma temporada em que o timaço por ele treinado passou em branco, daí ter vindo para o Brasil como  saída honrosa, já que acabaria sendo demitido na Espanha.
Um conselho: consiga vídeos de nosso escrete em 1970 e assista-os quando o Brasil estiver maltratando a bola. 

Será um antídoto ao anacronismo futebolístico e  forma de evitar uma indigestão. (por Celso Lungaretti)

segunda-feira, 18 de maio de 2026

TÉCNICO DECADENTE CONVOCA JOGADOR DECADENTE? É O QUE HOJE SABEREMOS.

A lembrança mais forte que tenho de Neymar na seleção brasileira é a da desclassificação diante da Croácia no Mundial de 2022: ganhávamos por 1x0 na finzinho da prorrogação, mas aí os croatas contra-atacaram e Neymar não deu um passo para ir ajudar os defensores. 

Ficou resmungando no ataque, com as mãos na cintura; o gol adversário se consumou e perdemos nos pênaltis.

Afora estar visivelmente acabado para o futebol e ter canela de vidro, Neymar se comporta como um reizinho, embora só tenha conquistado com a camiseta do escrete uma mísera Copa das Confederações

É pouco e o desperdício de uma vaga para ele no banco de reservas poderá custar-nos caro.  

Hoje o decadente Carlo Ancelotti mostrará se está lá para fazer o que é certo ou não tem personalidade para resistir a pressões descabidas. 

Não espero muito dele, pois os melhores selecionados já aprenderam a furar retrancas e a recompor  suas defesas ao perderem a bola. O Carletto já era. (por Celso Lungaretti)

domingo, 17 de maio de 2026

APÓS TORNAR INVEROSSÍMIL SUA SOBREVIVÊNCIA NA TERRA, PODERÁ A ESPÉCIE HUMANA SALVAR-SE EM MARTE?

Não existe plano B para sair deste planeta e sobreviver em Marte
, alertou o engenheiro Ivair Gontijo no início da palestra que fez na São Paulo Innovation Week, festival de inovação e empreendedorismo promovido pelo Estadão.

O mineiro Ivair trabalha num programa da Nasa, a agência espacial do governo dos EUAEstá envolvido principalmente com a coleta de amostras de rocha e solo de Marte, que futuramente serão trazidas à Terra e aqui estudadas. 

Indagado sobre a possibilidade de a espécie humana, que parece condenada a ser extinta nos próximos 100 anos, encontrar uma alternativa de sobrevivência no planeta vermelho, ele foi categórico:
É milhões de vezes mais barato e mais fácil resolver os problemas daqui. Para ir a Marte, precisamos resolver problemas gigantescos. Como produzir oxigênio? Comida? E os problemas de saúde, tecnológicos? Como se resolvem esses problemas? Não temos solução.
Estará totalmente descartada a possibilidade de o homem ir viver em Marte? Ele não foi tão longe, mas quase: 
Mesmo com o avanço da ciência e da exploração espacial, não se deve enxergar o avanço em outros planetas como um refúgio. 

Morar em Marte, por enquanto, só em histórias de ficção científica.

Contudo, deixou um fio de esperança para nós:

Uma missão tripulada para Marte vai demorar muito tempo, mas eu acredito que vai acontecer e que eu ainda vou ver no meu tempo de vida.

Infelizmente, dá para notarmos que foi só um agrado que ele fez para a plateia, dissonante das suas análises sérias. (por Celso Lungaretti) 

sexta-feira, 15 de maio de 2026

HERÉTICO, O SILAS MALAFAIA SAPATEIA EM CIMA DO SEGUNDO MANDAMENTO ('Não invocarás seu santo nome em vão')

rui martins
FOI DEUS QUEM CRIOU A ESCALA 6x1
O dito pastor Silas Malafaia, sem zelar por suas ovelhas, defende os interesses dos lobos: é pela manutenção da escala de trabalho 6x1. 

Diante dos fiéis, numa pregação em sua igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo, aproveitou para criticar o Bolsa Família e ironizar: do jeito que estão indo as coisas, logo haverá gente querendo um dia de trabalho e seis de folga.

Evidentemente, existe muito cinismo quando um milionário rejeita a escala 5x2, um dia a mais de folga para os trabalhadores de menores salários, porém o pastor Malafaia diz basear-se na  Bíblia. 

Segundo ele, foi o próprio Deus quem criou a escala 6x1, pois teria trabalhado seis dias para criar a Terra, o homem e a mulher, mas no sétimo dia, de acordo com o Genesis, Deus descansou.

E, mais tarde, ao entregar os dez mandamentos para Moisés, Deus colocou a obrigação do descanso no sétimo dia, como terceiro mandamento, depois dos seis dias de trabalho, para a família humana.

Isso incluía até mesmo seus visitantes, seus animais e seus servidores, noutras palavras, seus escravos.

A ideia de um Deus cansado e, ao mesmo tempo generoso, era simplesmente simbólica, mesmo porque os sete dias de trabalho e descanso divinos não se repetiam. 

Mas essa primeira lei trabalhista, atribuída ao sobrenatural e inscrita nos livros religiosos desde os primeiros agrupamentos humanos, foi oportuna por impedir a exaustão das pessoas numa época em que nenhum trabalho era mecânico.

Entretanto, a crença de uma origem divina da primeira lei limitando o tempo semanal de trabalho não significa que não possa ser melhorada. Este é o erro dos fundamentalistas bíblicos, no caso Silas Malafaia e os pastores evangélicos que seguem a linha dele.

A escala bíblica do 6x1 tinha uma falha básica: não estabelecia quantas horas diárias se deveria trabalhar nos dias favoráveis. Na França, p. ex., já em 1848 os trabalhadores conseguiram limitar para 12 horas a duração do trabalho diário. 

Na maioria dos países ocidentais, trabalhava-se de 14 a 16 horas por dia. Marx defendia a jornada de 10 horas, mas a Revolução Russa de 1917 foi além, criou a jornada de 8 horas, imitada por outros países, como a França, em 1919.

Apesar de resistências de certos políticos e empregadores, existem setores no Brasil que já adotaram, faz tempo, escalas semanais de horas de trabalho favoráveis aos empregados. É o caso dos empregos com a chamada semana inglesa e o dos bancários com cinco dias de seis horas diárias num total de trinta horas semanais.

Entretanto, existem certas atividades de trabalhadores avulsos, como as empregadas domésticas, que dificilmente se adaptarão à escala 5x2, mesmo que por pressão de seus patrões. 

Tal universo bem se enquadra numa crítica amiúde feita: a de que tal anacronismo se deve às raízes coloniais de certos patrões, herdadas do período da escravidão. 

Pipocam também nas redes sociais reportagens em direção inversa, mostrando a adesão voluntária de algumas empresas varejistas à escala 5x2 para seus empregados.

Finalmente, os trabalhadores de plataformas digitais conhecidos como uberizados ou empreendedores autônomos com flexibilidade horária, por enquanto escapam à escala 5x2 e das proteções trabalhistas (já está sendo discutida a regulamentação de seus ofícios)). 

Fora da proteção da Consolidação das Leis do Trabalho, estão sem férias remuneradas e sem 13º salário, trabalhando jornadas que ultrapassam as oito horas normais e sem descanso semanal. (por Rui Martins)

quinta-feira, 14 de maio de 2026

COPA DO MUNDO: NEGÓCIOS EM ALTA E O JORNALISMO NO RALO. QUE FIM DE FEIRA!

A grande mídia escrita, televisada e radiofônica, que acaba definindo também a pauta das redes sociais, decai vez mais no Brasil. E seus serviçais jornalísticos, idem.

Neste 13 de maio, os escravos da indústria cultural não se libertaram da incumbência de fazerem calhau passar por ouro: deram grande destaque à divulgação dos 55 nomes que poderão ser utilizados por Carlo Ancelotti no Mundial e à presença de Neymar na relação. 

Cinquenta e cinco jogadores! Está na cara que o decadente técnico italiano já tem no bolso do colete aqueles que constarão da lista definitiva de 26 atletas. Contusões à parte, os 29 restantes, principalmente  o ex-futebolista Neymar, foi convocado só para fazer média com clubes, torcidas, emissoras, publicitários, anunciantes, etc.

Criar o clima de Copa do Mundo é importante para todos os negócios que giram em torno da competição. Mas nós deveríamos manter o recato, não nos comportando amoralmente como negociantes!

Repugnam-me profundamente os comunicadores que puxam o saco dos patrões, manipulando seus públicos para que os Cidadãos Kane brasileiros faturem 
uma grana preta.

E o que dizer dos meus colegas de profissão (argh!) que continuam fazendo de conta que as fraudes do Banco Master foram significativas, como se já não tivessem passado despercebidos escândalos muito piores?! 

Neste caso, o que estamos vendo não é nada além das primeiras escaramuças da corrida eleitoral. Quanta lama escorrerá do esgoto até outubro,  com a cumplicidade de jornalistas  coniventes! (por Celso Lungaretti)

quarta-feira, 13 de maio de 2026

HOJE É DIA DE RELEMBRAR O 'TEATRO DO OPRIMIDO' E A PEÇA 'ARENA CONTA ZUMBI'

Se eu tivesse de escolher a melhor peça teatral brasileira de todos os tempos, cravaria sem pestanejar Arena conta Zumbi, que estreou no dia do trabalhador de 1975, mas serve também, até melhor, para marcar o dia da libertação dos escravos (hoje).

Afora o verdadeiro achado que foi, para compensar a parcimônia de recursos do teatro do oprimido, a criação do sistema do curinga (os mesmos atores alternam-se na representação de vários personagens, só mudando um ou outro item da indumentária), tratou-se de uma peça brilhante e indignada: expressou a frustração e a raiva pela rendição sem luta de 1964, uma das páginas mais vergonhosas da esquerda brasileira ao longo da História. 

Quando a censura forçava os artistas a recorrerem a subterfúgios para conseguirem levar sua mensagem ao público, a saga dos quilombos foi utilizada para simbolizar o ascenso dos movimentos de massa e seu esmagamento pelo golpe militar. 

Os paralelos, ironias e insinuações perpassam todo o espetáculo. Há, inclusive, uma velada conclamação à luta armada, que dali em diante se tornaria cada vez mais explícita no teatro, no cinema e na MPB. 

E o elenco era um arraso, com o próprio Guarnieri, Lima Duarte, David José, Dina Sfat, Marília Medalha, Carlos Castilho, etc.

Para os jovens conhecerem e os menos jovens matarem as saudades, eis o disco da peça, com 45 minutos de músicas (do Edu Lobo, algumas das quais se tornaram clássicos da MPB), diálogos e até o discurso de posse de um mandatário linha dura, cuja retórica é uma paródia hilária dos zurros dos golpistas de 1964. 

Para finalizar, uma curiosidade: foi a primeira peça de teatro adulto a que assisti, em temporada popular no Theatro Artur Azevedo. Tinha 14 anos e a epopeia dos quilombolas me impactou fortemente. (por Celso Lungaretti)
Para acessar o áudio completo da peça, copie
e cole no navegador este endereço:
 
https://youtu.be/RWzgOam2J8o?list=RDRWzgOam2J8o

terça-feira, 12 de maio de 2026

O DONO DA BOI GORDO ERA UM SELF SHIT MAN DO CAPITALISMO. O BOZO, UM SERIAL KILLER. OS POLÍTICOS, SONS OF BITCHES.

Outra prova de que o Brasil não é um país sério

Rui Martins, meu amigo de longa data e colaborador deste blog desde o seu início em 2008, bateu pesado (vide aqui) no Paulo Roberto de Andrade, criador e dono das Fazendas Reunidas Boi Gordo,  cuja falência foi decretada oficialmente em 2004.

Está certo o Rui quanto à necessidade de se punir quem aplica golpes no mercado, mas o Brasil está diminuindo a pena do ex-presidente Jair Bolsonaro, que, com sua sabotagem vacinal, acrescentou no mínimo três centenas de milhares de óbitos ao número de mortos pela covid. 

O pilantra Andrade deveria passar alguns anos na prisão. O serial killer Bolsonaro merecia ficar o resto da vida a pão e água num cárcere medieval. País que quebra o galho de um exterminador desses decididamente não é um país sério, como Charles De Gaulle disse ou levou a fama de haver dito. 

Tenho mais desprezo pelos políticos profissionais, que roubam sem correr riscos, do que pelos bandidos, cujo ofício embute o perigo de serem mortos. O golpe da amenização das penas da dosimetria, um absurdo gerado no Congresso, está aí para mostrar como a corja da politicagem age com o máximo de fisiologismo para proteger seus pares, ainda que de outros partidos.

Quanto à Boi Gordo, era cliente de uma agência de comunicação empresarial na qual trabalhei. Depois soubemos que Andrade havia cumprido pena de prisão num passado distante. 

.Seu negocio era vender bezerros para os investidores, cuja grana era devolvida, se bem me lembro, um ano e meio depois, acrescida da maior parte do valor obtido com a engorda. 

Tratava-se de  uma pirâmide: o dinheiro utilizado para pagar os clientes cuja engorda se encerrava saía dos novos contratos vendidos pela Boi Gordo.

Andrade percebeu que o esquema batera no teto e os novos contratos não seriam mais suficientes para reembolsar os clientes velhos. Então, tentou salvar a empresa comprando uma megafazenda no Mato Grosso, onde venderia lotes de terra e a Boi Gordo se incumbiria de construir as fazendas solicitadas pelos clientes. 

A infraestrutura, com aeroporto, supermercado, usina de força, banco, etc., ra muito dispendiosa. E foi bem no meio do projeto que a 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo proibiu a Boi Gordo de vender novas cotas. A quebra se tornou iminente.
Antonio Fagundes, o rei do gado extraviado
Mas, não me parece que a intenção dele fosse encerrar as atividades e fugir com a grana, pelo menos no momento em que o fez. Caso contrário não gastaria tanto na compra de bois campeões e em melhoria genética. 

Quando o colapso se tornou evidente, ele foi desfrutar sua fortuna nos Estados Unidos, deixando os investidores na mão. 

Pelo que eu soube, o Andrade só pagou uma categoria de investidores: os bandidos que lavavam dinheiro aplicando-o na Boi Gordo. Com esses não se brinca. (por Celso Lungaretti)

GOLPE DO BANCO MASTER VAI ACABAR EM PIZZA COMO O DA BOI GORDO?

 Megafazenda da Boi Gordo no
Mato Grosso: o princípio do fim.
 

O golpe do Banco Master terminará em pizza e Daniel Bueno Vorcaro vai rir da nossa cara, enquanto estiver tomando seu uísque à beira-mar de um resort de renome, curtido só por milionários?

Ao seu lado, poderá estar gargalhando até do nosso Judiciário um de seus prováveis inspiradores, Paulo Roberto de Andrade, famoso por um golpe de mais de 2,5 bilhões, não em ministros, políticos e bancos, mas em 34 mil pequenos investidores da classe média.

Segundo o professor Marcos Assi, na revista Exame, o golpe do Banco Master tem uma diferença marcante: os maiores lesados não foram apenas pequenos e médios investidores, mas fundos de pensão, municípios, Estados e empresas de capital aberto, com envolvimento direto ou indireto de políticos e até de importantes juristas, num total astronômico calculado em 10 bilhões de dólares.

O trambiqueiro Paulo Roberto de Andrade (foto à esquerda), criador e gestor da pirâmide ou safadeza das Fazendas Reunidas Boi Gordo nunca foi preso, graças a um habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal de Justiça. Depois da programada delação, Daniel Vorcaro também sairá livre e poderá comemorar com os amigos que viajavam no seu avião?

Mais de vinte anos depois da falência da Boi Gordo, a Justiça se arrasta na venda das fazendas tomadas de Andrade, cujo total serviria para indenizar parcialmente os investidores lesados. O pessimismo é do advogado de muitos dos lesados, Aurélio de Almeida Paiva.

E, embora grande parte dos investidores tenha enviado seus investimentos em dólares para Miami, até hoje a Justiça brasileira, encarregada da falência, não pediu aos Estados Unidos o retorno total desses recursos ao Brasil.

Diante do escândalo do Banco Master, lembrei-me de um artigo sobre a falência da Boi Gordo que escrevi em 2009, com descrença e pessimismo na Justiça brasileira, bem evidente já no título: Dono da Boi Gordo rico, feliz e livre.

O empresário Paulo Roberto de Andrade tinha sido processado por crime falimentar e condenado a três anos de prisão pela 13ª Vara Criminal de São Paulo. Mas seu advogado entrou com um habeas corpus para Andrade aguardar em liberdade o fim do processo. E o ministro Og Fernandes, da 6ª Turma do STJ, concedeu a liminar alegando que o TJ paulista não podia determinar a prisão antes do trânsito em julgado da sentença.

Enfim, o STJ anulou a ação penal contra Andrade e reconheceu a prescrição do processo. Mas acrescentou um parágrafo elucidativo, segundo o promotor Eronildes Rodrigues dos Santos, da Vara de Falências de São Paulo: 
É a pizza. Fazer o quê? Lamento a anulação de um caso emblemático como esse. Houve um golpe, milhares de pessoas foram lesadas e não haverá responsabilização penal
É o cowboy fora da lei cantado pelo Raulzito?
Procurado. o ministro Nilson Naves, responsável pela decisão do STJ, está ocupado e não tinha tempo para atender.

Vai ser assim com Daniel Vorcaro? Quem viver verá! 

A lei, ora a lei, dizia  Getúlio Vargas. (por Rui Martins)

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