Dia 14 de junho, o povo decidirá por voto secreto se a Suíça deve limitar sua população a 10 milhões de habitantes.
Tal votação foi provocada pelo partido da extrema direita, UDC, com o objetivo de impedir a entrada de novos imigrantes na Suíça. A sondagem mais recente mostra uma pequena vantagem dos conservadores favoráveis a um limite da população.
A Suíça é um raro país governado pela democracia direta. Isso significa a possibilidade dos suíços proporem modificações nas leis do país nas esferas municipais, cantonais ou estaduais e federais. Não é fácil, mas diversas leis vigentes tiveram sua origem por iniciativa popular, aprovada pela maioria dos votantes em todos os cantões.
Desde sua criação em 1891, já houve mais de 200 iniciativas federais propondo modificações na Constituição suíça, das quais 26 foram aprovadas e entraram em vigor.
A mais recente foi a criação e aprovação pelo povo, em 2024, de um décimo terceiro pagamento anual para os aposentados. Nisto o Brasil antecipou a Suíça em 61 anos, pois o décimo-terceiro salário brasileiro foi criado em 1962, incluindo também a aposentadoria em 1963, no governo João Goulart.
Experiências parecidas, vividas por outros países, reforçam as más previsões econômicas para uma Suíça de fronteiras fechadas. Mesmo porque a dita cuja seria obrigada a romper compromissos e tratados com a União Europeia garantindo a livre circulação de pessoas.
O primeiro-ministro inglês Keir Starmer, após sua derrota eleitoral no mês passado, reconhecia os prejuízos da política isolacionista do Brexit e falava numa reaproximação com a União Europeia, embora evitasse tocar num retorno com anulação do brexit pelas complicações políticas e econômicas decorrentes.
Na verdade, o brexit foi um tiro no pé, mas a União Europeia não acredita num breturn depois da vitória, nas eleições municipais, do partido Reform UK, de Nigel Farage, o arquiteto do brexit, juntamente com Boris Johnson e David Cameron.
Um swissexit, provocado por um voto popular suíço isolacionista, não teria o mesmo efeito negativo do referendo brexit?
Isto acabou criando um desequilíbrio de gênero na China, pois a maioria dos casais, obrigados a ter um só filho, preferia ter menino. A população foi se tornando idosa sem ser gradativamente substituída por jovens, isso que gerou uma diminuição da força de trabalho.
Desde 2021 os casais podem ter três filhos, mas agora são eles mesmos que decidem ter um ou dois filhos provocando baixa taxa de natalidade e um desequilíbrio demográfico.
Para complicar ainda mais a situação, a China enfrenta uma explosão de casos de demência (síndrome designativa de funções cognitivas que incluem o Alzheimer) na sua enorme população de idosos.
Sem esquecer da falta de cuidadores dentro da família chinesa para zelar pelos avós e pais envelhecidos. A política do filho único criou para os jovens a responsabilidade de assumir, durante a vida, os cuidados dos 4 avós e dos 2 pais.]
O cronista Yves Petignat, do jornal suíço Le Temps, destaca o paradoxo de que o partido UDC, autor da iniciativa popular, tem sua força justamente na Suíça rural, longe dos centros urbanos, onde a população está envelhecendo, existe desequilíbrio demográfico e a maioria dos jovens prefere ir viver nos centros urbanos. (por Rui Martins)
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