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segunda-feira, 22 de julho de 2019

RESSALVA OPORTUNA: NÃO SE PODE DAR AOS DALLAGNOIS E POLICIAIS UM PODER ARBITRÁRIO SOBRE A VIDA DE OUTREM.

O casuísmo que favoreceu o torturador Sérgio Fleury...
Quero deixar aqui registrado um contraponto de Jânio de Freitas às críticas que se fazem ao ministro Antonio Dias Toffoli pela polêmica decisão que tomou, como plantonista de férias do Supremo, cujo efeito imediato foi o de sustar as investigações de delitos presumivelmente cometidos pelo primeiro filho Flávio Bolsonaro.

Concordo plenamente que, em tese, a decisão é correta e necessária. Mas, seu timing inspira justificadas suspeitas de que tenha sido algo como a chamada Lei Fleury, medida tomada pela ditadura militar apenas e tão somente para livrar a cara do tocaieiro do comandante Marighella, evitando sua prisão preventiva imediata por envolvimento com o tráfico de drogas. 

Leiam e avaliem:
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"O dano causado à mal denominada Justiça e ao Ministério Público pelo juiz transgressor e sua impunidade, como pelos procuradores atrás de lucros, por ora não pode ser estimado. Nem as revelações do Intercept terminaram ainda, longe disso.
...pode ser comparado à decisão que beneficiou Flávio Bolsonaro?
Mesmo assim, há mais do que o suficiente para admitir a providência do presidente do Supremo, Dias Toffoli, tão hostilizada nos últimos dias.

À parte seus aspectos jurídicos, ainda por serem muito mais discutidos, funciona em proteção aos cidadãos essa medida que susta as investigações com uso, sem autorização judicial, de informações pessoais cedidas por entidades financeiras, como Banco Central e, em geral, Coaf, Receita. Não é justo deixar à sanha de dallagnois e policiais qualquer poder arbitrário sobre a vida de outrem.

Dispomos de farta exposição de abusos, inclusive criminais, a que os cidadãos ficam sujeitos se juízes, procuradores, promotores e policiais não estiverem submetidos a vigilância e limitações.

Não há por que dispensar o pedido de autorização judicial. Nos casos em que é feito, o comum é a pronta resposta do juiz. Diferente na escala, a autorização judicial é o mesmo que cabe à Câmara e ao Senado, na apreciação dos projetos do governo, para que se tornem leis, ou não.

A  sede  de poder arbitrário que procuradores, promotores e policiais  exibem  é  suficiente,  por  si  só,  para  que  lhes  seja negado ou retirado. É o que Moro e Dallagnol ensinam —sem querer".
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(trecho da coluna dominical do Jânio de Freitas)

É GRANDE A MARGEM DE MANOBRA PARA OS PODEROSOS, SEM INFRINGIREM A LETRA DAS LEIS, ESTUPRAREM O ESPÍRITO DE JUSTIÇA

No domingo publiquei dois posts, este e este, que dão ao leitor uma boa noção de como o encalacrado Flávio Bolsonaro se livrou, ainda que provisoriamente, de investigações que, em circunstâncias normais, o acabariam levando a ser processado e condenado.

Como seu caso, a partir da decisão do ministro Antonio Dias Toffoli, presidente do STF, ficou na dependência de outro cujo julgamento está marcado para novembro, o 01 não será incomodado pelas autoridades nos próximos meses.

E, a julgar por precedentes como o de Ronaldo Cunha Lima, muitos outros meses ou anos poderá ele ganhar por meio das infinitas manobras protelatórias que as leis brasileiras facultam a quem tem luminares do Direito a defendê-los, até ocorrer a prescrição.

Para quem não se lembra, Cunha Lima alvejou Tarcísio Burity, seu adversário político, em pleno restaurante, diante de dezenas de testemunhas. Mesmo assim, seus defensores e as influências que mobilizou conseguiram evitar que fosse preso, perdesse o cargo de governador da Paraíba ou se tornasse inelegível (viria a ser, em seguida, senador e depois deputado federal). 

Nunca foi inocentado: seu processo tramitou em passo de tartaruga e finalmente evaporou (expressei minha indignação com este e outros casos aberrantes aqui).

É um roteiro cuja repetição pode muito bem ocorrer agora, em benefício do príncipe herdeiro. E, em termos jurídicos, nada há a objetar-se na decisão de Toffoli, pois tudo que ele fez encontra respaldo em nossas leis.

Foi o que cansei de repetir, em vão, durante a lengalenga do impeachment da Dilma. A retórica panfletária a respeito de golpe esbarrava nos fatos de que todos os procedimentos constitucionais estavam sendo cumpridos e as acusações possibilitavam, sim, sua condenação à perda do cargo. 

Nunca presidente nenhum haver sido impichado por descumprimento da lei orçamentária  não implicava que a dita cuja tivesse virado letra morta; ao outro lado bastava cinicamente retrucar que para tudo há uma primeira vez.

Daí meus esforços para convencer os petistas de que, quando a Câmara Federal deu sinal verde para a abertura do processo de impeachment, iniciou-se a contagem regressiva para a destituição de Dilma, com as batalhas jurídica e parlamentar se tornando mera perda de tempo. 

Minha sugestão foi de que ela renunciasse imediatamente e toda a esquerda se unisse em torno da bandeira de eleição direta para a escolha de quem a sucederia, aproveitando a impopularidade de Michel Temer para retomar a ofensiva política, ao invés de passar meses sangrando e sendo desmoralizada, até o mais amargo (e inexorável) fim. Ninguém escutou.

Quanto à acusação de golpe, nem fez as massas se mobilizarem significativamente na defesa do mandato de Dilma, nem sensibilizou ONU, OEA, cortes internacionais, etc., pois só o espírito das leis brasileiras havia sido estuprado; a letra das leis não sofrera arranhão nenhum. 

Golpes brancos não causam comoção maior, ainda mais quando têm lugar num continente que até poucas décadas atrás foi palco de tantos golpes sanguinários, com tanques nas ruas e resistentes executados/torturados aos montes.

Então, as novas gerações têm de aprender a lição que a minha estava careca de saber: as instituições da democracia burguesa estão, acima de tudo, a serviço dos poderosos. 

Se quisermos uma Justiça de verdade, teremos de conquistá-la superando o capitalismo. A utilidade da que temos agora é apenas tática. Não é ela que nos dará o que formos incapazes de conquistar nas lutas sociais. Ponto final. (por Celso Lungaretti)

domingo, 21 de julho de 2019

FALTA ESCLARECER UM PONTO: POR QUE SÓ AGORA TOFFOLI APERTOU A TECLA "PAUSE"?

"Puro entretenimento"? Sem dúvida...
A decisão de Dias Toffoli de paralisar investigações Brasil afora ficou com a cara daquelas iniciativas movidas pelo casuísmo, recorrentes nos andares mais altos do Judiciário.

Foi há um ano e três meses que o Supremo definiu serem tema de repercussão geral as sucessivas queixas sobre a forma como os órgãos de controle dividiam dados com o Ministério Público em casos penais.

Era 13 de abril e o Brasil estava em chamas com a prisão de Lula, seis dias antes. Eleições pautadas por escândalos de corrupção se iniciariam.

Toffoli era relator de um processo que envolvia a Receita e, assim como os colegas, entendeu que seria pertinente decidir num julgamento só, no futuro, o destino daquele e de todos os outros com a mesma controvérsia: pode o Fisco, ou o Coaf, escarafunchar a vida financeira de um cidadão e enviar os detalhes à Procuradoria sem aval da Justiça?

Diz a legislação que, reconhecida a repercussão de um caso, o relator suspenderá os demais sobre a mesma questão, ainda pendentes.

Mas, naquela ocasião, Toffoli deixou investigações correrem. Para ele, a lei faz transparecer "forte recomendação", mas não "uma obrigação" de sustar processos de imediato.

Lava Jato, Zelotes, Greenfield e outras operações contra corruptos trabalharam livremente, com as práticas de sempre, de lá para cá.
Estranha que o ministro só tenha apertado a tecla pause esta semana, quando lhe chegou às mãos um pedido da linhagem presidencial.

Ao se justificar, disse que a decisão não é para Flávio Bolsonaro, foi "em defesa de todos". 

Mas por que, afinal, não a deu antes? Já existia o risco às garantias constitucionais que agora abraça. A ordem só se tornou conveniente e oportuna a partir de uma provocação do 01?

Não são ainda mensuráveis os impactos jurídicos da determinação. Os políticos, contudo, são previsíveis.

Bolsonaristas que inflaram Toffolecos, a protestar contra o ministro, devem recolher as bombinhas de ar. A esquerda, que fez dos abusos do MP uma pauta obsessiva, o apoiará. (por Fábio Fabrini, repórter que há 15 anos atua na investigação de escândalos políticos)
Aproveitando o ensejo, eis o filme O poder e a lei (d. Brad Furman, 2011), em
versão dublada. Lembrando sempre que "qualquer semelhança com nomes,
pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência"... 

SAIBAM QUAL FOI O PULO DO GATO QUE LIVROU A CARA DO FLÁVIO BOLSONARO

elio gaspari
TOFFOLI MOSTRA QUE A JUSTIÇA É CEGA E LENTA SÓ PARA O ANDAR
DE BAIXO
A trava do ministro José Antonio Dias Toffoli que congelou as investigações relacionadas com as contas do senador Flávio Bolsonaro mostra que a Justiça é cega e lenta para o andar de baixo. Para o de cima, a história é outra.

A ideia segundo a qual movimentações financeiras estranhas só podem ser compartilhadas depois de uma decisão judicial transformam o Coaf e a Receita Federal em sucursais do Arquivo Nacional (Cadê o Queiroz?). 

Olhada de outro jeito, essas informações não deveriam ser usadas, sem ordem de um juiz, por procuradores voluntariosos, capazes de destruir reputações na busca de quinze minutos de fama.

Os advogados de Flávio Bolsonaro foram brilhantes ao engatar seu argumento a um litígio que nasceu em 2003 num posto de gasolina do interior de São Paulo. Os sócios do posto foram autuados pela Receita Federal, tiveram a conta bancária da empresa bloqueada pela Receita e passaram a mover o dinheiro como pessoas físicas. 

A Receita voltou a autuá-los e o Ministério Público enfiou-lhes uma ação penal.

O advogado do posto de gasolina contestou a legalidade do compartilhamento de informações da Receita com o Ministério Público, perdeu na primeira instância e ganhou na segunda. O Ministério Público recorreu ao Supremo Tribunal, onde o processo entrou e ficou sonolento.

O caso foi para o gabinete do ministro Toffoli. Em abril do ano passado o STF entendeu que esse litígio deveria ter repercussão geral, ou seja, valeria para qualquer caso semelhante. O julgamento foi marcado para 21 de março deste ano e depois transferido para o próximo dia 21 de novembro.

Estavam assim as coisas, quando os advogados de Flávio Bolsonaro tinham um habeas corpus para ser apreciado no Rio de Janeiro e decidiram engatar seu caso ao do posto de gasolina de Americana (SP), pedindo uma liminar. 

Como o Supremo está em férias e seu presidente torna-se plantonista, coube a Toffoli tomar a decisão, com repercussão geral, congelando a essência da investigação das contas de Flávio Bolsonaro.

A briga do posto de gasolina de Americana com a Receita começou em 2003 e estava no STF há mais de um ano. A Justiça é lenta, mas às vezes não tarda. (por Elio Gaspari)

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

O GOVERNO DO 'MITO', QUE VEIO PARA ACABAR COM A CORRUPÇÃO, JÁ ESTÁ CRIANDO MANEIRAS DE FACILITÁ-LA

marcos augusto gonçalves
ESCÂNDALO FLÁVIO BOLSONARO EXPLICA
 ATAQUE CONTRA TRANSPARÊNCIA PÚBLICA
O escândalo que envolve Flávio Bolsonaro, o garoto número 1 do presidente, metido em transações suspeitas e associado a milicianos  criminosos, parece ter levado o governo a deflagrar uma ofensiva contra a transparência.

É espantoso que após tanta retórica contra a corrupção e pela mudaça do sistema, o grupo que chegou ao poder comece por dificultar o acesso da sociedade a dados públicos –uma garantia constitucional.
Flávio Bolsonaro já pode vangloriar-se de ter inspirado uma lei...

Duas medidas concomitantes vão nesse sentido. A primeira é o decreto assinado pelo presidente interino Hamilton Mourão, que altera regras de aplicação da Lei de Acesso à Informação e autoriza ocupantes de cargos comissionados a classificar dados do governo federal como ultrassecretos. Mais funcionários agora podem decidir pelo sigilo máximo de 25 anos.

Como bem disse o ex-presidente da Comissão de Ética da Presidência,  Mauro Menezes (2016-2018), “o sistema de transparência pública sofre um golpe duro com essa ampliação indiscriminada dos agentes capazes de impor sigilo a dados públicos”. Deve ser um marxista globalista corrupto…
...repetindo a façanha do delegado Fleury.
A  outra medida, patética na evidência de suas motivações, é a tentativa do Banco Central de  excluir parentes de políticos da lista de monitoramento obrigatório das instituições financeiras. É a Lei Flávio Bolsonaro!

O BC também quer derrubar a obrigação de notificações ao Coaf relativas a transações bancárias acima de R$ 10 mil.

Ou seja, o governo do Mito que veio para acabar com a corrupção já está criando maneiras de facilitá-la.

Quanto a Flávio, vai sendo entregue às baratas. Em nome do pai, pode acabar renunciando a seu mandato como senador. (por Marcos Augusto Gonçalves)

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

OS BOLSONAROS SE DAVAM MUITO BEM COM AS MILÍCIAS, MAS ERA UMA UNIÃO DO TIPO "ATÉ QUE A ELEIÇÃO NOS SEPARE"...

bruno boghossian
FAMÍLIA BOLSONARO ENTERRA
SEUS ESQUELETOS EM COVA RASA
A família Bolsonaro nunca fez questão de esconder sua relação amistosa com as milícias. Os integrantes do clã tratavam publicamente esses grupos de policiais e ex-policiais como generosos prestadores de serviços de segurança, ignorando os crimes de extorsão e assassinato cometidos por muitos deles.

Os vínculos não se restringiam aos discursos. Sabe-se agora que Flávio Bolsonaro empregou em seu gabinete duas parentes de um ex-PM suspeito de chefiar uma facção de matadores que agia a serviço de milicianos.

Quase todo político com uma longa trajetória sabe que episódios do passado reaparecem como assombrações. Alguns, bem escondidos, caem no esquecimento. Os esqueletos da família presidencial, porém, parecem estar enterrados em cova rasa.

Até novembro, trabalharam para Flávio na Assembleia Legislativa a mãe e a mulher de Adriano Magalhães da Nóbrega, um ex-capitão do Bope acusado de comandar uma milícia na zona oeste do Rio.

O filho do presidente diz que seu ex-assessor Fabrício Queiroz foi o responsável pelas nomeações. Mas, se Queiroz tinha carta branca para contratar e demitir, suspeita-se que ele não era um auxiliar qualquer de Flávio.
Ele só se distanciou das milícias... em plena campanha eleitoral!

A coisa fica mais esquisita quando se destaca que a mãe de Adriano apareceu num relatório do Coaf por ter repassado R$ 4.600 para a conta do fiel amigo do ex-assessor.

Queiroz assumiu a responsabilidade, mas não fez qualquer menção ao envolvimento de Adriano com os matadores. A família também nunca demonstrou preocupação com o assunto. Tanto Flávio quanto Jair já enalteceram a atuação das milícias.

Em 2007, o filho votou contra a instalação de uma CPI para investigar os bandos no Rio. O pai disse que esses grupos apenas “organizam a segurança na sua comunidade”.

Por décadas, o clã Bolsonaro fez política aplaudindo essas associações e se recusando a tratá-las como criminosas. Em apenas 22 dias, essas ligações foram desenterradas e abriram caminho para a segunda crise do novo governo. (por Bruno Boghossian)

QUEM DORME COM MILICIANOS, ACORDA COM A ROUPA ENCHARCADA DE SANGUE

igor gielow
MARIELLE SURGE NO CASO QUEIROZ PARA
 ASSOMBRAR COMEÇO DO GOVERNO BOLSONARO
Se há um tipo de assombração que refuta exorcismos ou visitas dos céticos de programas de TV é aquela que ocorre no ambiente da política.

Veja o caso do PT. O partido passou, com fracassos e sucessos, 13 anos no poder. Mas nunca livrou-se do espectro que o assassinato de Celso Daniel, prefeito de Santo André que iria coordenar o programa de governo do então presidenciável Luiz Inácio Lula da Silva em 2002.

Morto às vésperas da campanha, Daniel virou personagem central de nove entre dez teorias conspiratórias da política brasileira. Reviravoltas, mortes de testemunhas, tudo contribuiu para a aura de mistério do caso —cuja versão de queima de arquivo sempre foi tratada como verdade pelo hoje presidente Jair Bolsonaro.

Na campanha eleitoral, ele chegou a comparar a nebulosidade em torno do homem que o esfaqueou em Juiz de Fora com uma suposta trama petista de violência e sangue no ABC paulista.
É portanto irônico que a maior dor de cabeça dessa alvorada de governo, o imbróglio do primogênito do presidente, Flávio Bolsonaro, esteja se aproximando lentamente de um outro cadáver famoso: o da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL), executada no ano passado no Rio.

Os pontos de ligação ainda são tênues, mas extremamente incômodos para o governo. Em resumo, o gabinete do senador eleito Flávio, enquanto ele era deputado estadual no Rio, empregou a mulher e a mãe de um ex-capitão da PM que é investigado por ligação com as temíveis milícias que assolam a capital fluminense.

O grupo a que o policial estava associado é, por sua vez, investigado por suspeita de operar em ações criminosas que eram alvo de denúncias de Marielle. De que a vereadora foi morta por milicianos, há poucas dúvidas. Se houver eventual ligação daquela gente com o gabinete do filho do presidente, aí a palavra a usar é escândalo.

Por evidente, não se está falando aqui de qualquer conexão entre o senador eleito e o crime, mas sim de uma realidade política. Também não é um novo caso Celso Daniel, claro, pela total desconexão entre o papel dos protagonistas e o enredo.
Afinidade de Flávio Bolsonaro com as milícias vem de longe

Mas é uma assombração, digamos, a fazer companhia à já atuante versão ainda encarnada que atende pelo nome de Fabrício Queiroz —o altamente enrolado ex-assessor de Flávio, já responsabilizado pelo senador eleito por quaisquer contratações indevidas.

Do ponto de vista de imagem, a coisa fica particularmente complicada porque Marielle virou um símbolo, dentro e fora do Brasil, de vítima de um país truculento e autoritário que não dá certo, que não protege suas minorias. Ela foi antagonista do que defende o clã Bolsonaro e seus partidários do PSL, tendo alguns deles inclusive vandalizado uma placa em sua homenagem.

Se o caso está à porta de Jair Bolsonaro, a culpa é dele mesmo, que deixa um apoplético filho vereador participar de reuniões ministeriais e leva outro para a Suíça com status ministerial —o deputado Eduardo pode ter um convite para Davos, mas viajou como um igual ao lado de dois superministros e do chanceler na cabine reservada do Aerolula.

Enquanto o clã apenas se retroalimentava de práticas usuais do baixo clero, com uma personal trainer para cá, um assessor para lá, o tratamento dado a isso era algo leniente —um erro da imprensa e da classe política. Chegando ao grande palco, o cipoal de insinuações no Rio não será deixado de lado, por tenebroso que é e pelo potencial de impacto que tem.

Para Bolsonaro, a desgraça é que a hora de levantar um cordão sanitário já passou. Tudo indica que o presidente vai apenas dobrar a aposta enquanto as investigações correm, o que pode dar certo. Ou totalmente errado.

Com tudo isso, não parece um mero detalhe que o vice em exercício na Presidência, Hamilton Mourão, tenha feito uma pequena adequação em seu discurso sobre o caso. Antes, ele não interessava ao governo. Nesta terça (22), instado a falar sobre a questão das milícias, ele adicionou um “por enquanto” à avaliação. (por Igor Gielow)

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

LUIZ FUX REPETE ZIGUE-ZAGUE QUE DEU NO CASO BATTISTI: ERA CONTRA FORO ESPECIAL, MAS PARA SALVAR FLÁVIO BOLSONARO, OK!

bruno boghossian
FLÁVIO BOLSONARO APERTA BOTÃO DO PÂNICO E RECEBE SOCORRO
GENEROSO DE FUX
Flávio Bolsonaro apertou o botão do pânico. Antes de assumir o mandato de senador, ele apelou para uma regalia do cargo e pediu proteção do foro especial na investigação sobre as finanças de seu ex-assessor Fabrício Queiroz.

O filho do presidente erguia a voz ao dizer que não tinha “nada a ver com isso” e que daria explicações para “ficar longe dessa coisa”. Mas Flávio faltou ao depoimento e pediu que o caso fosse suspenso e levado ao STF. Ele ainda transportou Queiroz de carona na blindagem do foro.

Ao pedir a paralisação, Flávio dá provas de que está muito mais perto dessa coisa do que admitia.

O senador eleito contou com uma generosidade notável de Luiz Fux. Os advogados pediram ao STF a suspensão do caso às 15h37 de 4ª (16). O ministro deu a liminar às 20h40.

Fux foi tão benevolente que mudou até seu entendimento sobre o foro. Quando o STF restringiu a regalia, o ministro afirmou que o “clamor social de combate à corrupção e à impunidade não se mostra compatível [...] com a prerrogativa”. Na ocasião, Fux entendeu que o foro só vale em casos ocorridos durante os mandatos e relacionados ao cargo.
"Flávio transportou Queiroz de carona para blindagem do foro"

Agora, contudo, o ministro concedeu a proteção, embora o dinheiro de Queiroz não tenha ligação com a atividade futura de Flávio no Senado.

A defesa conseguiu que Fux fizesse vista grossa até para o calendário. Os advogados dizem que o Ministério Público cometeu um ato ilegal ao pedir dados financeiros de Flávio ao Coaf em 14 de dezembro, quando sua eleição já estava confirmada —mas ele só foi diplomado no dia 18.

Ao mergulhar de cabeça num processo com o qual dizia não ter nada a ver, Flávio transportou a investigação para a vizinhança do Planalto. O caso será repassado em fevereiro ao relator Marco Aurélio Mello, que votou pela restrição do foro. O pedido será julgado na 1ª Turma, na qual os cinco ministros foram favoráveis à limitação do privilégio.

Os próximos passos serão um teste sobre a relação do Supremo com os novos protagonistas do poder. (por Bruno Boghossian)
"Agora vou assim, de zigue-zague, zigue-zague 
Você quer me ver assim, de zigue-zague, zigue-zague?"

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR: O QUE O MP E A PF ESPERAM PARA PROVIDENCIAREM A CONDUÇÃO COERCITIVA DO QUEIROZ?

ricardo kotscho
BRASIL VIROU UM PAÍS FAKE: FICA BATENDO
 PALMAS PARA VER LOUCO DANÇAR!
A chave de ouro do ano em que o Brasil virou um país fake, onde tudo é falso como uma nota de 3 reais, foi a entrevista do motorista Queiroz ao SBT, o último ato de um teatro de circo mambembe.

No picadeiro, fica uma gente esquisita que bate palmas pra ver louco dançar na platéia, gritando Mito!, Mito!, Mito!, sem perceber que a lona está pegando fogo.

Só podia ser mesmo no SBT de Silvio Santos, aquela ilha de fantasia brega do Baú da Felicidade (a felicidade do dono, é claro).
O que foi aquilo? O cara ria sozinho na cara da repórter, nem ele acreditando no que falava.

Debocharam da nossa cara em horário nobre e tenho certeza que muitos seguidores fanáticos do homem que veio combater a corrupção vão achar que foi isso mesmo, compra e venda de carros usados, qual é o problema?

Que maravilha! Com tantas doenças que ele até se perdeu ao falar de todas, não tinha mesmo condições de depor no MP. Só tinha forças pra falar com a repórter fake do SBT.

O que o MP e a PF estão esperando para decretar uma condução coercitiva do indigitado motorista, ou no Brasil fake isso não vem mais ao caso, depois que Sergio Moro ficou com o Coaf?

Um detalhe que escapou nesta história toda: o levantamento do Coaf sobre a movimentação financeira de Fabrício Queiroz, o ex-super-assessor dos Bolsonaro, refere-se a apenas um ano.

E o que aconteceu nos muitos outros anos todos em que ele serviu no gabinete de Eduardo Bolsonaro na Alerj?

Não seria o caso de fazer um levantamento completo para saber quantos carros ele comprou e vendeu neste período?
Sílvio Santos com o ditador Figueiredo: uma vida inteira sorrindo para os poderosos.
Sobram mil outras perguntas a fazer a Queiroz, mas parece que o MP e a PF, sempre tão expeditos em outros casos, não têm pressa.

As inacreditáveis imagens do capitão reformado e presidente eleito, lavando roupa e brincando com um facão, em seu retiro na restinga militar da Marambaia, servem como pano de fundo funesto desta pantomina a que o país assiste resignado.

Se era para ser assim, poderiam ter votado logo em Silvio Santos de uma vez, que pelo menos é mais engraçado, embora também patético e grosseiro.

Nem o mais delirante autor de ficção da emissora dele seria capaz de criar uma história tão inverossímil, mas que é real no Brasil fake de 2018.

Acredite quem quiser: Queiroz não é laranja...

Vida que segue. 
(Ricardo
Kotscho)

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

REALIZE O SONHO DA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA ATÍPICA! ELA REPOUSA SOBRE 4 RODAS E ESTÁ AO ALCANCE DE TODOS...

Quem inspira mais suspeitas, este laranja...
josias de souza
VOCÊ COMPRARIA UM CARRO USADO NA MÃO DO QUEIROZ?
A boa notícia é que Fabrício Queiroz está bem. 

A ótima notícia é que o faz-tudo de Flávio Bolsonaro emergiu do seu álibi hospitalar para revelar ao país que não é o sujeito desonesto que muitos imaginavam. Ao contrário, o amigo do clã Bolsonaro é um exemplo a ser seguido. 

Se você está desempregado ou recebe um salário abaixo das necessidades, seus problemas acabaram. Largue tudo o que não está fazendo. Reorganize-se como um Queiroz. E realize o sonho da movimentação bancária atípica. Ele repousa sobre quatro rodas. E está ao alcance de todos. 

"Eu sou um cara de negócios, eu faço dinheiro", declarou Queiroz ao SBT. "Compro, revendo, compro, revendo. Compro carro, revendo carro, sempre fui assim. Gosto muito de comprar carro de seguradora. Na minha época lá atrás, comprava um carrinho, mandava arrumar, revendia. Tenho uma segurança." 

O resultado, como se sabe, foi estupendo. Entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, Queiroz movimentou R$ 1,2 milhão na sua conta bancária —média de R$ 100 mil por mês. Coisa incompatível com os cerca de R$ 23 mil que Queiroz recebia como motorista e segurança de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio e policial militar. 

Queiroz poderia ter atuado como laranja do filho mais velho de Jair Bolsonaro. Ele poderia ter transformado sua conta em esconderijo para ocultar um pedágio extraído dos contracheques dos assessores do gabinete de Flávio Bolsonaro. O faz tudo poderia ter efetuado vários saques na boca do caixa para distribuir dinheiro vivo aos Bolsonaro por baixo da mesa. Mas Queiroz estava apenas —quem diria?!— comprando e revendendo automóveis. 
...ou o notório tricky dicky (*)?

A crise poupou Queiroz. Tudo poupou Queiroz. Ele parecia ter descoberto a camuflagem perfeita para passar pelo mundo incólume. Disfarçado de assessor do primogênito da dinastia Bolsonaro, Queiroz comercializaria veículos a vida inteira sem que ninguém suspeitasse. Mas de repente… 

Sobreveio a Operação Furna da Onça, que pilhou uma penca de deputados estaduais fluminenses no contrapé. Acionado, o Coaf mapeou o vaivém atípico de dinheiro nas contas de dezenas de assessores da Alerj. Entre eles Fabrício Compro e Revendo Queiroz. 

Não fosse pela indiscrição do Coaf, Queiroz poderia se abster de declarar não sou laranja, pois ninguém suspeitaria que sua conta pudesse abrigar uma espécie de caixa dois com verbas da folha do gabinete de Flávio Bolsonaro. 

Queiroz tampouco precisaria justificar os R$ 24 mil repassados à futura primeira-dama Michelle Bolsonaro —"O nosso presidente já esclareceu. Eu tive um empréstimo de R$40 mil e eu passei dez cheques de R$ 4 mil". 

Num mundo sem Coaf, Queiroz também não teria de fugir de uma pergunta sobre os oito assessores de Fabrício Bolsonaro que realizaram depósitos regulares em sua conta —"Esse mérito de dinheiro eu queria explicar ao Ministério Público". 

Agora que já veio à luz a explicação plausível que Flávio Bolsonaro dissera ter escutado do seu ex-assessor há 20 dias, a plateia já pode tirar suas próprias conclusões. Descobriu-se que Queiroz atribui a movimentação bancária atípica de R$ 1,2 milhão à compra e revenda de carros. Não foi exibido um mísero documento. 

Quanto aos depósitos feitos na conta atípica por oito assessores de Flávio Bolsonaro, Queiroz nega a existência de uma caixinha fornida com verbas da folha do gabinete. E se recusa a explicar o que motivou tantos depósitos. Alega que prestará os esclarecimentos ao Ministério Público. 

De resto, Queiroz ecoa o lero-lero sobre o empréstimo de R$ 40 mil supostamente recebido de Jair Bolsonaro. Mas não exibe comprovantes nem explica as razões que levaram um correntista atípico a pedir dinheiro emprestado. 

A certa altura, Queiroz resumiu numa frase o objetivo de sua aparição às vésperas da posse de Jair Bolsonaro. "Quero pedir desculpa à família Bolsonaro. Tira a imprensa deles. Vem em cima de mim. Eu sou o problema, não eles." 

Quem não quiser fazer papel de bobo deve iniciar a avaliação sobre o caso respondendo rapidamente uma indagação tão simples quanto embaraçosa: Você compraria um carro usado na mão do Queiroz? (por Josias de Souza)
.
* famoso pôster da campanha presidencial estadunidense de 1960, que muitos analistas consideram haver tido peso significativo para que John Kennedy derrotasse Richard Nixon por uma diferença de apenas 0,1% dos eleitores (84 votos no colégio eleitoral). Um apelido de Nixon naquele tempo era tricky dicky, ou seja, ricardinho embromador...
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