Assim como o leopardo nunca perde as pintas, a Igreja Católica jamais se conformou com a perda da autoridade que no passado detinha para censurar, mutilar, banir e emascular tudo o que lhe desse na telha, chegando a colocar obras inteiras no index e, muitas vezes, seus autores na fogueira. O martírio de Giordano Bruno lançará uma sombra sobre o Vaticano até o final dos tempos!
Em pleno século 20 a Igreja ainda tentava determinar o que seu rebanho poderia ou não curtir, mas os tempos eram outros e de nada lhe adiantou classificar de blasfemo o filme O bebê de Rosemary (de Roman Polanski, 1968) nem excomungar o Je vou salue, Marie (de Jean Luc-Godard, 1985). Quase ninguém ligou, salvo o inacreditável presidente José Sarney, que mandou proibir a exibição do segundo, esquecido de que no Brasil vige a separação entre Igreja e Estado.
Curiosamente, o Vaticano não adotava a mesma postura patética e obtusa com relação à música popular, de forma que Lúcio Dalla e Paola Palotino não sofreram idênticas perseguições por implicitamente compararem os relatos bíblicos sobre Cristo com as desventuras de uma mãe solteira e do seu filho bastardo, que acaba se tornando conhecido na zona do cais como Menino Jesus.
A versão que Chico Buarque fez para o Brasil é belíssima; e foi providencial a mudança nos arranjos (de autoria do maestro Rogério Duprat e do Magro do MPB-4), que tornaram a canção mais lenta e melancólica.
Eis algumas informações mais, do site do Dr. Zen:
Em pleno século 20 a Igreja ainda tentava determinar o que seu rebanho poderia ou não curtir, mas os tempos eram outros e de nada lhe adiantou classificar de blasfemo o filme O bebê de Rosemary (de Roman Polanski, 1968) nem excomungar o Je vou salue, Marie (de Jean Luc-Godard, 1985). Quase ninguém ligou, salvo o inacreditável presidente José Sarney, que mandou proibir a exibição do segundo, esquecido de que no Brasil vige a separação entre Igreja e Estado.
Curiosamente, o Vaticano não adotava a mesma postura patética e obtusa com relação à música popular, de forma que Lúcio Dalla e Paola Palotino não sofreram idênticas perseguições por implicitamente compararem os relatos bíblicos sobre Cristo com as desventuras de uma mãe solteira e do seu filho bastardo, que acaba se tornando conhecido na zona do cais como Menino Jesus.
A versão que Chico Buarque fez para o Brasil é belíssima; e foi providencial a mudança nos arranjos (de autoria do maestro Rogério Duprat e do Magro do MPB-4), que tornaram a canção mais lenta e melancólica.
Eis algumas informações mais, do site do Dr. Zen:
"A música Minha História tem alguns fatos curiosos na sua gênese e na própria justificativa do seu nome. A música original, 4 marzo 1943, também é conhecida como Gesú Bambino — Menino Jesus em italiano — foi composta no início dos anos 70 na Itália por Lúcio Dalla e Paola Palotino e abordava a história das mães solteiras adolescentes sob a ótica dos filhos, frutos de relacionamentos com soldados estrangeiros no período da 2° grande guerra, daí seu subtítulo: Os filhos da guerra. A versão italiana foi premiada com o 3º lugar do Festival de San Remo de 1971.
Chico Buarque, amigo de Dalla, com o brilhantismo de sempre, adaptou a letra para nossa realidade tratando a música sob o prisma de um filho de uma prostituta de caís. O compositor brasileiro brincava em relação ao subtítulo da música italiana, dizendo que sua música seria chamada Os filhos da puta. Brincadeiras à parte, Buarque resolveu colocar o nome de Menino Jesus.
Era tempo de ditadura, os militares não gostaram e, como era comum na época, censuraram. O cantor resolveu colocar o nome definitivo de Minha história".
