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domingo, 26 de abril de 2026

SÉRIE "AS CINCO COPAS DO MUNDO QUE O BRASIL CONQUISTOU": 2002. OS SOLDADOS DO FELIPÃO CUMPRIRAM BEM A MISSÃO.

Em 1998 o Brasil perdeu o Mundial da França por causa de uma lambança de enfermeiro, da divisão do elenco e da pusilanimidade do técnico Zagallo. 

Não vinha mesmo fazendo campanha brilhante: apanhara da Noruega (1x2) na 1ª fase e necessitara dos pênaltis para despachar a Holanda nas semifinais (1x1 e 4x2).

Pior: a liderança do grupo era disputada por Dunga (apoiado pelos veteranos de 1994) e Bebeto (o preferido dos novatos), com direito a uma cabeçada do Brucutu (Romário) no bebê chorão (Bebeto) durante a partida contra o Marrocos.

Poucas horas antes da final contra os anfitriões, Ronaldo Fenômeno recebe uma rotineira infiltração de xilocaína para diminuir as dores no seu joelho. Mal aplicada: atingiu uma veia e espalhou-se na corrente sanguínea, fazendo com que, 10 minutos depois, ele entrasse em convulsão.

Zagallo, acertadamente, pretendeu substitui-lo por Edmundo. Mas, o inacreditável Ricardo Teixeira, então presidente da CBF, impôs uma mudança de escalação na enésima hora, em benefício do garoto-propaganda da Nike, que voltava 
sonado do tratamento de emergência.


Dunga ainda tentou dar força a Zagalo, para que mantivesse a decisão sensata. Mas, Bebeto usou sua influência no sentido oposto, favorecendo a aceitação do ultimato de Teixeira.
Ronaldo Fenômeno: vilão em 1998, herói em 2002

Inexistindo unanimidade no grupo, Zagallo ficou com as mãos livres... para submeter-se ao cartola-mor, como sempre. 

Os jogadores levaram para o campo os rancores do vestiário, fazendo exibição das mais apáticas no 1º tempo. Era tudo de que Zidaine precisava para praticamente liquidar o Brasil:0x2.

Quando eles acordaram, já era tarde. A França resistiu à pressão brasileira, marcou outro gol em contra-ataque e poderia ter feito mais. A goleada por 0x3 saiu barata.

A frustração por haver deixado escapar uma Copa tida como ganha ainda se fazia sentir nas eliminatórias para o Mundial seguinte.

Em suas 18 partidas desde o apagão de 1998 Brasil foi dirigido por nada menos do que quatro técnicos: Luxemburgo, Candinho, Leão e Felipão. Acabou por garantir sua vaga apenas na última rodada, ficando 13 pontos atrás da Argentina e só três à frente do Uruguai (repescagem) e da Colômbia (desclassificada).

Luiz Felipe Scolari, técnico de conceitos rústicos e alguma força de caráter, era malvisto pela cartolagem, pois não tinha perfil de títere.
Seaman sofreu com o Gaúcho
.
Assombrados pelo fantasma da desclassificação, os dirigentes, entretanto, acabaram cedendo à pressão dos torcedores, para quem, depois do fracasso de Luxemburgo, Felipão se tornara unanimidade -- como consequência, principalmente, de seu ótimo currículo nos 
mata-matas da Copa Libertadores da América.
.
Nas eliminatórias não foi nada além de razoável (três vitórias e três derrotas), mas segurou o rojão num momento crítico, bem de acordo com sua imagem de machão.

De quebra indispôs-se com Romário, por suposta ou real má vontade do Baixinho para com o escrete. Afastou-o em definitivo, apesar do seu pedido de desculpas público e do lobby de cartolas & imprensa esportiva.

Situação paradoxal: queda de braço entre um técnico que era preferência nacional e um jogador, idem.

Para dar a volta por cima, Felipão fez uma jogada arriscadíssima, contrapondo um mito a outro mito: escolheu Ronaldo Fenômeno como seu artilheiro, embora viesse em maré de fracassos, contusões graves e longos períodos de convalescença, desde a fatídica final contra a França em 1998.

Com seu carisma e extrema habilidade motivacional, aproveitou as críticas à Seleção para fechar o grupo em torno de si. Era a 
Família Scolari  lutando contra tudo e contra todos.

A sorte o bafejou: não só Ronaldo renasceu das cinzas na Copa da Coréia do Sul/Japão, como o Brasil teve a sorte de enfrentar as galinhas mortas que pediu a Deus.

Treinou contra a China (4x0), Costa Rica (5x2) e desperdiçou duas vezes a oportunidade de golear a incipiente Turquia, vencendo-a apenas por 2x1 na 1ª fase e 1x0 na semifinal (gol de Ronaldo, em bela arrancada pela meia-esquerda).
Clique aqui para assistir aos melhores
momentos de Brasil 2x1 Inglaterra
 
Nas oitavas-de-final, a Bélgica chegou a dar algum trabalho ao são Marcos (um dos destaques da campanha), mas Rivaldo e Ronaldo resolveram. 2x0.

O único adversário de verdade foi o das quartas-de-final: a Inglaterra de Beckham, Owen e Campbell, que sobrevivera ao grupo da morte na 1ª fase (vencendo a Argentina, empatando com Suécia e Nigéria) e vinha de golear a Dinamarca. Não havia favorito.

Uma rara falha de Lúcio propiciou gol a Owen, mas o personagem do jogo seria Ronaldinho Gaúcho:
*carregando a bola do meio-de-campo até a entrada da área, serviu Rivaldo livre, para este empatar;
* cobrando falta da zona morta da intermediária, junto à lateral, acertou chute primoroso, encobrindo o goleiro David Seaman, que esperava um cruzamento; e
* foi expulso logo em seguida por causa de uma solada, mas os dez restantes souberam segurar o 2x1.
Felipão teve seu último momento afortunado
Após fazer a lição de casa contra a Turquia, teve pela frente uma Alemanha que nem sequer cogitava chegar à final: seu objetivo era preparar o time para a Copa seguinte, que iria disputar em casa.

Vitória, com autoridade, do Brasil de Marcos; Cafu, Lúcio, Edmilson, Roque Jr. e Roberto Carlos; Gilberto Silva, Kleberson e Ronaldinho Gaúcho (éxpulso); Rivaldo e Ronaldo (Denilson).

Já criara mais chances no 1º tempo, quando Kleberson acertou o travessão e Oliver Kahn, o melhor goleiro do Mundial, andou fazendo defesas difíceis.


Decidiu no 2º. A tarefa foi facilitada por uma inusitada falha de Khan, que bateu roupa num chute forte mas defensável de Rivaldo, deixando Ronaldo à vontade para abrir o marcador.

A Alemanha saiu para o jogo e, em rápido contra-ataque pela direita, Kleberson cruzou, Rivaldo deixou passar e Ronaldo colocou no canto: 2x0.

Terminou a campanha com estatísticas invejáveis:
* só vitórias, como em 1970 (quando um campeão jogava seis vezes, e não as atuais sete);
* melhor ataque (18 gols);
* artilheiro (Ronaldo, 8);
* um dos vice-artilheiros (Rivaldo, 5, na companhia de Miroslav Klose, da Alemanha);
* uma das melhores defesas (4 gols sofridos, atrás apenas da Alemanha, 3); e
* melhor saldo de gols (14) de um campeão nos 18 Mundiais até hoje disputados.
.
Sem ser um esquadrão dos sonhos como os de 1958, 1970 e 1982, soube fazer valer a experiência e a qualidade técnica do seu elenco.(por Celso Lungaretti)
Melhores momentos de Brasil 2x0 Alemanha.
ACESSE OS POSTS DA SÉRIE "AS CINCO COPAS DO MUNDO
QUE O BRASIL CONQUISTOU" CLICANDO NOS ANOS
1958 - 1962 - 1970 - 1994 - 2002 - final

segunda-feira, 23 de junho de 2025

A INSPIRAÇÃO DO SUPERCRAQUE É MUITO MAIS RARA E VALIOSA NO FUTEBOL QUE A TRANSPIRAÇÃO DO PROFISSIONAL DO ANO

N
ão costumo aplaudir as declarações do técnico do Palmeiras, Abel Ferreira, mas desta vez ele acertou em cheio, ao explicar o que diferencia o melhor futebolista do século 21 (e talvez de todos os tempos) de um dos maiores artilheiros da História:
"Um (o Messi) tem o talento natural, o outro (Cristiano Ronaldo) tem preparação e trabalho. Não sou Federer, sou mais Nadal. Tenho que correr. Não só por ser português. Me vejo muito mais no que é o Cristiano Ronaldo. Sorte a nossa que ainda conseguimos desfrutar do que os dois ainda podem dar".
Também Mourinho ficou sempre num patamar inferior...
É o motivo pelo qual assistir a todos os jogos que pude do Messi me fez muito feliz. O talento natural dele, do Pelé, do Maradona, do Garrincha, do Puskas, do Ronaldinho Gaúcho, é algo muito mais raro do que o esforço extremado de um jogador da prateleira inferior à desses gênios para, mesmo assim, obter grande destaque no ofício.

Só que aquilo que mais me encanta no esporte é a arte, a inspiração, e não a transpiração. E os craques, os talentos superiores, fazem coisas que os inferiores esforçados quase nunca conseguem fazer. Se alguém quer saber a diferença, basta comparar as seleções de melhores gols do Messi e do CR7. Um produz obras primas. O outro, apenas, gols. 

Exatamente por ter desde muito cedo me acostumado a ver os golaços de Pelé e Garrincha, jamais considerarei iguais aqueles que um Vavá peito de aço marcava. Eram gols também e igualmente asseguravam vitórias. Mas, passada a emoção do momento, os que ficaram para sempre guardados na minha memória foram os gols dos artistas, não os dos profissionais do ano.
...ao do melhor técnico do século 21, Guardiola

E, como Abel Ferreira, que não é brilhante, mostra saber quais são seus equivalentes (no tênis o Nadal e como técnicos, embora ele não haja dito, o José Mourinho e o Diego Simeone), eu também tenho isso bem claro, pois assisti a todas as partidas do Federer que pude, bem como os jogos de times treinados pelo Guardiola e o Jorge Jesus. 

E no boxe tive o privilégio de acompanhar atentamente a carreira de Muhammad Ali, que além de incrível boxeador, era melhor ainda como cidadão idealista que não media sacrifícios ao travar o bom combate. 
,
(por Celso Lungaretti) 

quarta-feira, 23 de novembro de 2022

MUNDIAIS DA FIFA/5 VEZES BRASIL: DA 5ª APOTEOSE AO 5º DOS INFERNOS

Quanto mais alto é o coqueiro...
Q
uis o destino que um mesmo técnico, o Felipão, atingisse o ápice de sua carreira ao comandar a seleção brasileira na conquista do pentacampeonato mundial de futebol em 2002 e personificasse a maior humilhação sofrida até hoje pelo escrete canarinho, pois fracassou miseravelmente quando do chocolate que a Alemanha nos aplicou na Copa de 1914.

Mas, comecemos esta recapitulação um pouco antes, mais precisamente em 1998, quando o Brasil perdeu o Mundial da França por causa da lambança de um enfermeiro, das rixas no seio do elenco e da pusilanimidade do técnico Zagallo.

Não vinha mesmo fazendo campanha brilhante: fora derrotado pela Noruega (1x2) na 1ª fase e necessitara dos pênaltis (4x2) para despachar a Holanda nas semifinais, depois do 1x1 no tempo normal. 

Pior: a liderança do grupo era disputada por Dunga (apoiado pelos veteranos de 1994) e Bebeto (o preferido dos novatos), com direito a uma cabeçada do brucutu no bebê chorão durante a partida contra o Marrocos.

Poucas horas antes da final contra os anfitriões, Ronaldo Fenômeno recebe uma rotineira infiltração de xilocaína para diminuir as dores no seu joelho. Mal aplicada: atingiu uma veia e espalhou-se na corrente sanguínea, fazendo com que, 10 minutos depois, ele entrasse em convulsão.

Zagallo, acertadamente, pretendeu substitui-lo pelo animal Edmundo. Mas, o inacreditável Ricardo Teixeira, presidente da CBF, impôs uma mudança de escalação na enésima hora, em benefício do garoto-propaganda da Nike, que voltava sonado do tratamento de emergência.

Dunga ainda tentou dar força a Zagallo, para que mantivesse a decisão sensata. Mas, Bebeto usou sua influência no sentido oposto, favorecendo a aceitação do ultimato de Teixeira.
...maior é o tombo do coco, afinal!

Inexistindo unanimidade no grupo, Zagallo ficou com as mãos livres... para submeter-se ao cartola-mor, como sempre.

Os jogadores levaram para o campo os rancores do vestiário, fazendo exibição das mais apáticas no 1º tempo. Era tudo de que Zidaine precisava para praticamente liquidar o Brasil com os dois gols que marcou.

Quando acordaram, já era tarde. A França resistiu à pressão brasileira, fez outro tento em contra-ataque e poderia ter indo além. A goleada por 0x3 saiu barata.

A frustração por haver deixado escapar uma Copa tida como ganha ainda se fazia sentir nas eliminatórias para o Mundial seguinte.

Em suas 18 partidas o Brasil foi dirigido por nada menos do que quatro técnicos: Luxemburgo, Candinho, Leão e Felipão. 

Acabou por garantir sua vaga apenas na última rodada, ficando 13 pontos atrás da Argentina e só três à frente do Uruguai (repescagem) e da Colômbia (desclassificada).

Luiz Felipe Scolari, técnico de conceitos rústicos e perfil autoritário, era malvisto pela cartolagem, pois não se prostrava diante dela.

Assombrados pelo fantasma da desclassificação, os dirigentes, entretanto, acabaram cedendo à pressão dos torcedores, para quem, depois do fracasso de Luxemburgo, Felipão se tornara unanimidade – como consequência, principalmente, de seu ótimo currículo em mata-matas da Copa Libertadores da América.

Não foi nada além de razoável (três vitórias e três derrotas), mas segurou o rojão num momento crítico, bem de acordo com sua imagem de homem forte.

De quebra indispôs-se com Romário, por suposta ou real má vontade do baixinho para com o escrete. Afastou-o definitivamente, apesar do seu pedido de desculpas público e do lobby de cartolas & imprensa esportiva.

Situação paradoxal: queda de braço entre um técnico que era preferência nacional e um jogador, idem. 
Ronaldos: Kahn bateu roupa e o Fenômeno guardou...
Para dar a volta por cima, Felipão fez uma jogada arriscadíssima, ao contrapor um mito a outro mito: escolheu Ronaldo 
Fenômeno como seu artilheiro, embora viesse em maré de fracassos, contusões graves e longos períodos de convalescença, desde a fatídica final contra a França em 1998.

Com seu carisma e habilidade motivacional, aproveitou as críticas à Seleção para fechar o grupo em torno de si. Era a Família Scolari  lutando contra tudo e contra todos.

E a sorte o bafejou: não só Ronaldo renasceu das cinzas na Copa da Coréia do Sul/Japão, como a Seleção teve a tarefa facilitada por enfrentar as galinhas mortas que pediu a Deus.

Treinou contra a China (4x0), Costa Rica (5x2) e desperdiçou duas vezes a oportunidade de golear a incipiente Turquia, vencendo-a apenas por 2x1 na 1ª fase e 1x0 na semifinal (gol de Ronaldo, em bela arrancada pela meia-esquerda).

Nas oitavas-de-final, a Bélgica chegou a dar algum trabalho a são Marcos (um dos destaques da campanha), mas Rivaldo e Ronaldo resolveram. 2x0.

O único adversário de verdade foi o das quartas-de-final: a Inglaterra de Beckham, Owen e Campbell, que sobrevivera ao grupo da morte na 1ª fase (vencendo a Argentina e empatando com a Suécia e a Nigéria) e vinha de golear a Dinamarca. Não havia favorito.
...já Seaman se adiantou demais e o Gaúcho o encobriu. 

Uma rara falha de Lúcio propiciou gol a Owen, mas o personagem do jogo seria Ronaldinho Gaúcho, que:
— carregando a bola do meio-de-campo até a entrada da área, serviu Rivaldo livre, para este empatar;
— cobrando falta da zona morta (na intermediária, junto à lateral), acertou chute primoroso, encobrindo o goleiro David Seaman, que esperava um cruzamento; e
— foi expulso logo em seguida por causa de uma solada, mas os dez restantes souberam segurar o 2x1.

Depois de fazer a lição de casa contra a Turquia, teve pela frente uma Alemanha que nem sequer cogitava chegar à final: seu objetivo era preparar o time para a Copa seguinte, que iria disputar em casa.

Vitória, com autoridade, do Brasil de Marcos; Cafu, Lúcio, Edmilson, Roque Jr. e Roberto Carlos; Gilberto Silva, Kleberson e Ronaldinho Gaúcho (Juninho Paulista); Rivaldo e Ronaldo (Denilson).

Já criara mais chances no 1º tempo, quando Kleberson acertou o travessão e Oliver Kahn, o melhor goleiro do Mundial, andou fazendo defesas difíceis.
Dever cumprido em 2002. Ninguém imaginava que viria então uma ressaca de 4 Copas 
Decidiu no 2º. A tarefa foi facilitada por uma inusitada falha de Khan, que bateu roupa num chute forte mas defensável de Rivaldo, deixando Ronaldo à vontade para abrir o marcador.

A Alemanha saiu para o jogo e, em rápido contra-ataque pela direita, Kleberson cruzou, Rivaldo deixou passar e Ronaldo colocou no canto: 2x0.

Terminou a campanha com estatísticas invejáveis:
— só vitórias, como em 1970 (quando um campeão jogava seis vezes, e não as atuais sete);
— melhor ataque (18 gols);
— artilheiro (Ronaldo, 8);
— um dos vice-artilheiros (Rivaldo, 5, na companhia do alemão Miroslav Klose);
— uma das melhores defesas (4 gols sofridos, atrás apenas da Alemanha, 3); e
— melhor saldo de gols (14) de um campeão nos 21 Mundiais jogados até hoje (a Alemanha igualou o saldo 14 em 2014, disputando, contudo, duas prorrogações).
O melhor da vitória sobre os ingleses; veja aqui toda a partida    
Sem ser um esquadrão dos sonhos como os de 1958, 1970 e 1982, soube fazer valer a experiência e a qualidade técnica do seu elenco.

Na empolgação da conquista, contudo, os brasileiros valorizaram em demasia um treinador que apenas soubera aproveitar bem o elenco superior que tinha nas mãos. 

Do dia para a noite, o Felipão virou estrela de palestras de liderança para empresários, como se fossem de grande valia lições como a do que se deve fazer quando o concorrente esnoba sua empresa. 

Deveriam eles correr atrás dos rivais para agredi-los (como Scolari instigou Paulo Nunes a fazer numa decisão de Campeonato Paulista, aos gritos de Pega!, Pega!, Pega!)? 

Como diziam os antigos, quanto mais alto o coqueiro, maior é o tombo. O Felipão aprenderia isto em 2014, ao sofrer a pior goleada de uma seleção brasileira de futebol em 108 anos de existência, com a agravante de o 1x7 diante da Alemanha ter ocorrido numa semifinal de Copa do Mundo disputada no Brasil! (por Celso Lungaretti)
O melhor da final contra os alemães; veja aqui toda a partida

sábado, 7 de março de 2020

E SE RONALDINHO FOR INOCENTE DAS SUSPEITAS PARAGUAIAS? É JUSTO NÓS O ABANDONARMOS POR ANTIPATIA POLÍTICA?

Prefiro lembrar-me dele em sua praia...
Ronaldinho Gaúcho apoiou o candidato do neofascismo tupiniquim na eleição presidencial de 2018 e chegou a utilizar o número 17 na sua camisa. 

Lamentável, mas quem disse que jogador de futebol possui consciência política? Já deveríamos ter desencanado há muito de dar importância ao que opinam celebridades sobre assuntos dos quais não entendem bulhufas.

Prefiro lembrar-me dele como o principal responsável pela conquista do Mundial Fifa de 2002, pois, nas quartas-de-final contra a Inglaterra, a seleção brasileira perdia e encontrava enormes dificuldades quando ele criou toda a jogada do gol de empate, atraindo a marcação e servindo Rivaldo. 

Depois desempatou, tirando coelho da cartola, ao cobrar uma falta rente à linha lateral: percebendo que o veterano goleiro David Seaman se adiantara, encobriu-o com uma bola cheia de efeito. Golaço!

E lembrar-me, também, do prazer que me davam suas jogadas imprevisíveis, desconcertantes, tão mágicas que até me evocavam o imarcável Mané Garrincha.

Então, ao ler a notícia abaixo do bom repórter Marcel Rizzo, colunista do UOL, percebi que o Gaúcho pode, sim, ser inocente da encrenca paraguaia. Então, a honestidade me manda considerar tal possibilidade e conceder-lhe o benefício da dúvida, embora continue deplorando sua proximidade com o desgoverno atual. (por Celso Lungaretti)
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marcel rizzo
RONALDINHO DETIDO: PRESIDENTE DE ONG
 É FIGURA CHAVE NA INVESTIGAÇÃO
Uma figura-chave na investigação dos documentos falsos encontrados com Ronaldinho Gaúcho em Assunção, no Paraguai, é Dalia Angélica López Troche. A empresária de 48 anos é a presidente da Fundação Fraternidade Angelical, a ONG responsável por levar Ronaldinho e seu irmão Assis ao país vizinho ao Brasil. 

...e não magnificar suas encrencas em praias alheias... 
Eles participariam do lançamento de um projeto social da ONG que pretende fornecer hospitais móveis a crianças carentes no interior do Paraguai, além de também lançar no país um livro do ex-jogador. 

As autoridades paraguaias investigam Dalia desde setembro por suspeita de lavagem de dinheiro e evasão fiscal em outras oito empresas com as quais ela tem ligação.

Mas não é só isso: a própria criação da Fraternidade Angelical é vista com desconfiança por ter sido feita em dezembro de 2019 e, poucos meses depois, o projeto de ajudar crianças ser totalmente desconhecido no país antes da chegada de Ronaldinho Gaúcho ao Paraguai. 

Os investigadores querem saber se há relação entre Dalia e o passaporte falso feito para Ronaldinho. Dalia estava entre as dez pessoas que receberam o ex-jogador e Assis na sala VIP do Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi. 

O local foi alugado para que o ex-jogador tivesse privacidade na chegada e, segundo a investigação, foi ali que recebeu os documentos falsificados. Segundo o jornal paraguaio ABC Color, o valor pago pelo aluguel do espaço foi de US$ 198 (R$ 919) e o recibo saiu em nome da Fraternidade Angelical. 
...pois detestei vê-lo tão humilhado e abandonado por tantos.
Presos na noite de 6ª feira (6), Ronaldinho e Assis negam que tenham participado da confecção ou que soubessem que receberiam os passaportes paraguaios — eles foram detidos pela polícia do Paraguai na noite de 4ª feira. 

Na noite de 5ª, o Ministério Público confirmou que os dois seriam beneficiados por terem colaborado com a Justiça. A lei paraguaia permite que, nesse caso, os suspeitos sejam liberados sem denúncia. Mas, horas depois, acabaram presos sob a justificativa da permanência no país durante as investigações. 

O mesmo não acontecerá com outras três pessoas envolvidas no caso. O Ministério Público informou que o empresário Wilmondes Sousa Lira – que já teve sua prisão preventiva decretada – e as duas mulheres que foram detidas na 5ª serão acusados do crime. 

Lira, que representava Ronaldinho no Paraguai, foi quem entregou a ele e o irmão os documentos falsos, que segundo a investigação pertenciam às mulheres que foram presas. (por Marcel Rizzo)

segunda-feira, 6 de maio de 2019

UM POUCO DE NOSTALGIA FUTEBOLÍSTICA: O 5x4 DESTE DOMINGO E OS DO PASSADO.

Só o velho lugar comum de que o futebol é uma caixinha de surpresas pode explicar o desastre que o Grêmio sofreu neste domingo (5) na sua arena, quando foi atropelado pelo mediano time do Fluminense, entrando como leão (com 21 minutos de jogo já estava ganhando por 3x0) e saindo como cão (conseguiu perder por 5x4).

Mas, à parte a chuva de gols, a péssima jornada do goleiro Júlio Cesar (quanta saudade a torcida gremista deve estar sentido de Danrlei, que pendurou as chuteiras e agora é deputado federal!) e o tento da vitória marcado nos acréscimos, este 5x4 perde longe, em qualidade futebolística, para o 5x4 que o Flamengo aplicou no Santos no Brasileirão de 2011, em plena Vila Belmiro.
Eram dois timaços e, tendo Ganso para servi-lo, Neymar arrebentava, inclusive fazendo um gol de placa naquela noite. 

Mas, o canto do cisne de Ronaldinho Gaúcho prevaleceu sobre o brilho da estrela que subia. Ele marcou três (com direito a humilhar a defesa santista ao cobrar uma falta por baixo da barreira que pulava) e foi quem deu números finais ao placar.

De quebra, Elano enterrou o Santos ao desperdiçar um pênalti quando seu time ainda vencia por 3x2. Tentou deslocar o goleiro Felipe com uma cavadinha, mas este não foi na onda e, calmamente, matou no peito e fez embaixadinhas, antes de dar um chutão para a frente.
Meu 5x4 inesquecível, contudo, é outro: o que o Corinthians impôs à Portuguesa de Desportos no Torneio Rio-São Paulo de 1966. Ouvi pelo rádio e, empolgado, assisti ao teipe que começou em seguida, mesmo perdendo hora de sono.

Era o pior momento da história corinthiana: não conquistara nenhum título importante após ser campeão dos centenários em 1954 e tinha de suportar zombarias por causa do tabu contra o Santos. Mas, estava montando um time forte, promovera a revelação Rivellino para a equipe principal e seu centroavante gaúcho Flávio chegava a ser comparado com o cabecinha de ouro da década anterior, Baltazar.

A Portuguesa tinha como goleiro o Félix (que viria a ser campeão mundial em 1970) e também sua grande revelação, o garoto Ivair.
Após ter marcado dois gols relâmpagos, o Corinthians cedeu o empate; fez 3x2 e 4x3, mas a lusa continuou igualando; até que, aos 42 minutos do 2º tempo, Flávio cobrou uma falta de muito longe e acertou um tirambaço na forquilha de Félix. Aí, finalmente, a Portuguesa sossegou...

Com parte desse time e um reforço considerável (Paulo Borges), o Corinthians afinal quebraria o tabu em março de 1968, derrotando o Santos por 2x0, após 11 anos e 22 partidas sem vencer o time de Pelé em partidas pelo Paulistão. O título de campeão paulista, contudo, só viria em outubro de 1977, após uma seca de 23 anos. 

Quantas saudades daqueles tempos em que o Brasil era o país do futebol – e não o maior fornecedor de pé-de-obra do planeta! (por Celso Lungaretti)

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

PROGRAMA ECONÔMICO DO BOLSONARO É "MATEMÁGICA" PARA ENGANAR OTÁRIOS

alexandre schwartsman
ILUSIONISMO ECONÔMICO
No caso dos programas econômicos dos candidatos: depois que Pai Ciro prometeu trazer seu amor de volta e limpar seu nome no SPC não falta quem proponha soluções simples (e erradas) para problemas complexos.

No programa econômico de Jair Bolsonaro, incluído em seu já mitológico (opa!) Projeto Fênix, p. ex., abundam a matemágica e fintas de dar inveja ao Ronaldinho Gaúcho, a começar pela proposta de zerar o déficit primário já no primeiro ano de governo, "partindo de um movimento de gestão pública moderna, baseado em técnicas como o Orçamento Base Zero".

A ideia de que podemos começar tudo do zero e eliminar desperdícios é tão sedutora quanto juvenil. Não tenho a menor dúvida que há muito o que cortar no gasto do governo sem que se perca a qualidade das políticas públicas (o sarrafo é baixo, admito).

O problema é que praticamente 90% do gasto público federal está predeterminado: 60% do total destina-se ao pagamento de aposentadorias e pensões (incluindo funcionários inativos e o benefício de prestação continuada); outros 10-11% referem-se aos funcionários na ativa, que tipicamente gozam de estabilidade; já as despesas obrigatórias somam outros 10%, assim como as ditas discricionárias com vinculação (o piso de gastos com educação, saúde, bem como os demais Poderes).
O governo federal controla, portanto, pouco menos de 10% do que gasta. Podemos fazer Orçamento Base Zero, base 1, base 2 ou base N; nada muda, porém, esse fato elementar. Posto de outra forma, mesmo se pudéssemos reduzir o gasto discricionário (algo como 2% do PIB) à metade, e torcer para que o gasto obrigatório parasse de crescer, o déficit primário, na casa de 1,5% do PIB hoje, ainda seguiria, firme e forte, em 2019.

Noutro trecho estima-se "reduzir em 20% a dívida mobiliária, por meio de privatizações, concessões, vendas de propriedades imobiliárias da União e devolução de recursos de instituições financeiras oficiais".

Isto representa, de acordo com o programa,  um valor na casa de R$ 1 trilhão, enquanto, segundo o Tesouro Nacional, o valor da participação do governo em todas estatais (incluindo, p. ex., o BNDES) seria da ordem de R$ 250 bilhões, pressupondo que a Petrobras seria também privatizada.

Há, é verdade, cerca de R$ 1 trilhão em bens imóveis da União, mas estes incluem parques e reservas federais, estradas, aquartelamentos (pois é...), escolas e obras em andamento, para os quais não há comprador.

Com grande dose de boa vontade talvez R$ 350 bilhões possam ser vendidos, embora o valor envolvido seja provavelmente bem menor. Na prática não se chega nem perto de R$ 1 trilhão.

Completando a mágica não poderia faltar a proposta de migração do regime previdenciário atual de repartição para capitalização. 

O documento candidamente reconhece que "a transição de um regime para o outro gera um problema de insuficiência de recursos", mas promete que "será criado um fundo para reforçar o financiamento da previdência e compensar a redução de contribuições previdenciárias no sistema antigo".

Se o leitor não entendeu de onde virá o dinheiro não se apoquente: eu também não, muito menos os autores da proposta.

Funciona bem em festa de criança, mas prestidigitação é um jeito arriscado de governar o país. (por Alexandre Schwartsman)

quinta-feira, 7 de junho de 2018

TRIBUTO ÀS CHUTEIRAS IMORTAIS – 5: O PENTA DA 'FAMÍLIA SCOLARI' (2002)

Em 1998 o Brasil perdeu o Mundial da França por causa da lambança de um enfermeiro, das rixas no seio do elenco e da pusilanimidade do técnico Zagallo.

Não vinha mesmo fazendo campanha brilhante: fora derrotado pela Noruega (1x2) na 1ª fase e necessitara dos pênaltis para despachar a Holanda nas semifinais (1x1 + 4x2).

Pior: a liderança do grupo era disputada por Dunga (apoiado pelos veteranos de 1994) e Bebeto (o preferido dos novatos), com direito a uma cabeçada do brucutu no bebê chorão durante a partida contra o Marrocos.

Poucas horas antes da final contra os anfitriões, Ronaldo Fenômeno recebe uma rotineira infiltração de xilocaína para diminuir as dores no seu joelho. Mal aplicada: atingiu uma veia e espalhou-se na corrente sanguínea, fazendo com que, 10 minutos depois, ele entrasse em convulsão.

Zagallo, acertadamente, pretendeu substitui-lo pelo animal Edmundo. Mas, o inacreditável Ricardo Teixeira, presidente da CBF, impôs uma mudança de escalação na enésima hora, em benefício do garoto-propaganda da Nike, que voltava sonado do tratamento de emergência.

Dunga ainda tentou dar força a Zagallo, para que mantivesse a decisão sensata. Mas, Bebeto usou sua influência no sentido oposto, favorecendo a aceitação do ultimato de Teixeira.


Inexistindo unanimidade no grupo, Zagallo ficou com as mãos livres... para submeter-se ao cartola-mor, como sempre.


Os jogadores levaram para o campo os rancores do vestiário, fazendo exibição das mais apáticas no 1º tempo. Era tudo de que Zidaine precisava para praticamente liquidar o Brasil: 0x2.

Convulsão do Ronaldo convulsionou o vestiário brasileiro...

Quando acordaram, já era tarde. A França resistiu à pressão brasileira, marcou outro gol em contra-ataque e poderia ter feito mais. A goleada por 0x3 saiu barata.


A frustração por haver deixado escapar uma Copa tida como ganha ainda se fazia sentir nas eliminatórias para o Mundial seguinte.


Em suas 18 partidas o Brasil foi dirigido por nada menos do que quatro técnicos: Luxemburgo, Candinho, Leão e Felipão. Acabou por garantir sua vaga apenas na última rodada, ficando 13 pontos atrás da Argentina e só três à frente do Uruguai (repescagem) e da Colômbia (desclassificada).


Luiz Felipe Scolari, técnico de conceitos rústicos e perfil autoritário, era malvisto pela cartolagem, pois não se prostrava diante dela.


Assombrados pelo fantasma da desclassificação, os dirigentes, entretanto, acabaram cedendo à pressão dos torcedores, para quem, depois do fracasso de Luxemburgo, Felipão se tornara unanimidade – como consequência, principalmente, de seu ótimo currículo em mata-matas da Copa Libertadores da América.
A torcida pediu Romário, Felipão negou
Não foi nada além de razoável (três vitórias e três derrotas), mas segurou o rojão num momento crítico, bem de acordo com sua imagem de homem forte.

De quebra indispôs-se com Romário, por suposta ou real má vontade do baixinho para com o escrete. Afastou-o definitivamente, apesar do seu pedido de desculpas público e do lobby de cartolas & imprensa esportiva.

Situação paradoxal: queda de braço entre um técnico que era preferência nacional e um jogador, idem.

Para dar a volta por cima, Felipão fez uma jogada arriscadíssima, contrapondo um mito a outro mito: escolheu Ronaldo Fenômeno como seu artilheiro, embora viesse em maré de fracassos, contusões graves e longos períodos de convalescença, desde a fatídica final contra a França em 1998.

Com seu carisma e habilidade motivacional, aproveitou as críticas à Seleção para fechar o grupo em torno de si. Era a Família Scolari  lutando contra tudo e contra todos.

E a sorte o bafejou: não só Ronaldo renasceu das cinzas na Copa da Coréia do Sul/Japão, como a Seleção teve a tarefa facilitada por enfrentar as galinhas mortas que pediu a Deus.

Treinou contra a China (4x0), Costa Rica (5x2) e desperdiçou duas vezes a oportunidade de golear a incipiente Turquia, vencendo-a apenas por 2x1 na 1ª fase e 1x0 na semifinal (gol de Ronaldo, em bela arrancada pela meia-esquerda).
O adversário mais difícil de superar a caminho do penta foi a Inglaterra

Nas oitavas-de-final, a Bélgica chegou a dar algum trabalho a são Marcos (um dos destaques da campanha), mas Rivaldo e Ronaldo resolveram. 2x0.

O único adversário de verdade foi o das quartas-de-final: a Inglaterra de Beckham, Owen e Campbell, que sobrevivera ao grupo da morte na 1ª fase (vencendo a Argentina e empatando com a Suécia e a Nigéria) e vinha de golear a Dinamarca. Não havia favorito.

Uma rara falha de Lúcio propiciou gol a Owen, mas o personagem do jogo seria Ronaldinho Gaúcho:

Seaman não conhecia Ronaldinho
  • carregando a bola do meio-de-campo até a entrada da área, serviu Rivaldo livre, para este empatar;
  • cobrando falta da zona morta (na intermediária, junto à lateral), acertou chute primoroso, encobrindo o goleiro David Seaman, que esperava um cruzamento; e
  • foi expulso logo em seguida por causa de uma solada, mas os dez restantes souberam segurar o 2x1.
Depois de fazer a lição de casa contra a Turquia, teve pela frente uma Alemanha que nem sequer cogitava chegar à final: seu objetivo era preparar o time para a Copa seguinte, que iria disputar em casa.

Vitória, com autoridade, do Brasil de Marcos; Cafu, Lúcio, Edmilson, Roque Jr. e Roberto Carlos; Gilberto Silva, Kleberson e Ronaldinho Gaúcho (Juninho Paulista); Rivaldo e Ronaldo (Denilson).


Já criara mais chances no 1º tempo, quando Kleberson acertou o travessão e Oliver Kahn, o melhor goleiro do Mundial, andou fazendo defesas difíceis.


Decidiu no 2º. A tarefa foi facilitada por uma inusitada falha de Khan, que bateu roupa num chute forte mas defensável de Rivaldo, deixando Ronaldo à vontade para abrir o marcador.

A Alemanha saiu para o jogo e, em rápido contra-ataque pela direita, Kleberson cruzou, Rivaldo deixou passar e Ronaldo colocou no canto: 2x0.


Terminou a campanha com estatísticas invejáveis:
O Fenômeno deu a volta por cima, fazendo esquecer 1998
  • só vitórias, como em 1970 (quando um campeão jogava seis vezes, e não as atuais sete);
  • melhor ataque (18 gols);
  • artilheiro (Ronaldo, 8);
  • um dos vice-artilheiros (Rivaldo, 5, na companhia de Miroslav Klose, da Alemanha);
  • uma das melhores defesas (4 gols sofridos, atrás apenas da Alemanha, 3); e
  • melhor saldo de gols (14) de um campeão nos 20 Mundiais jogados até hoje (a Alemanha igualou o saldo 14 em 2014, disputando, contudo, duas prorrogações).
Sem ser um esquadrão dos sonhos como os de 1958, 1970 e 1982, soube fazer valer a experiência e a qualidade técnica do seu elenco.

Na empolgação da conquista, contudo, os brasileiros valorizaram em demasia um treinador que apenas soubera aproveitar bem o elenco superior que tinha nas mãos. 

Do dia para a noite, o Felipão virou estrela de palestras de liderança para empresários, como se fossem de grande valia lições como a do que se deve fazer quando o concorrente esnoba sua empresa. 

Deveriam eles correr atrás dos rivais para agredi-los (como Scolari instigou Paulo Nunes a fazer numa decisão de Campeonato Paulista, aos gritos de "Pega!", "Pega!", "Pega!")? 

Como diziam os antigos, quanto mais alto o coqueiro, maior é o tombo. O Felipão aprenderia isto em 2014.
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